"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

Mostrar mensagens com a etiqueta Mieko Harada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mieko Harada. Mostrar todas as mensagens

sábado, novembro 14, 2009

Dororo – どろろ (2007)

Capa

Origem: Japão

Duração: 141 minutos

Realizador: Akihiko Shiota

Com: Satoshi Tsumabuki, Kou Shibasaki, Kiichi Nakai, Yoshio Harada, Mieko Harada, Eita, Anna Tsuchiya, Kumiko Asô, Hitori Gekidan, Satoshi Hakuzen, Taigi Kobayashi

Hyakkimaru 7

Hyakkimaru”

Sinopse

O senhor da guerra “Kagemitsu Daigo” (Kiichi Nakai) está a perder a guerra que trava contra um clã rival e, no “Templo do Inferno”, faz um acordo com 48 demónios. Em troca de 48 partes vitais do seu filho ainda por nascer, exige que o seu exército não tenha opositores à altura no campo de batalha. Os demónios concordam, e quando o filho de “Kagemitsu” nasce, cada um dos demónios apropria-se da sua grotesca oferenda. O facto de o acordo ter sido aceite pelos seres infernais não é, como seria de esperar, inocente. Estava profetizado que a criança um dia iria ter o poder de vencer todos os demónios, e estes como é óbvio, não estão nada interessados em que isso aconteça. O bebé é abandonado num cesto, e lançado rio abaixo.

Dororo 3

“Dororo”

Felizmente para a criança, a mesma é encontrada pelo mágico e inventor “Jukai” (Yoshio Harada). Olhando para ele como o filho que nunca teve, “Jukai” fazendo uso das suas incríveis capacidades, cria próteses e tudo o mais que é necessário para que o rapaz sobreviva. Dotando-o de espadas, entre as quais uma famosa lâmina por ser fatal para os demónios, cobertas por braços protésicos, “Jukai” treina-o nas artes do combate e transforma-o num temível guerreiro. Vinte anos depois, “Hyakkimaru” (Satoshi Tsumabuki), a criança salva por “Jukai”, inicia a sua demanda, de forma a matar os demónios e recuperar as suas partes do corpo originais. E terá em “Dororo” (Kou Shibasaki), uma ladra com um triste passado, a sua mais fiel aliada.

Hyakkimaru 6

As espadas pouco convencionais de Hyakkimaru”

“Review”

“Dororo” é baseado numa manga de Osamu Tezuka, um dos mais aclamados desenhadores do estilo, tendo igualmente uma profícua carreira no domínio da animação, não fosse o próprio por apelidado do “avô” do “anime”. O sucesso da banda-desenhada justificou a feitura de uma série no longínquo ano de 1969, tendo inclusive dado origem a um jogo de computador para a PlayStation 2, elaborado pela Sega. Chegados ao ano de 2007, “Dororo” mereceria honras de filme com personagens de carne e osso, e é agora desta faceta, naturalmente, que me proponho a dissertar um pouco.

Tem sido posto em causa por alguns conhecidos críticos e fãs do cinema asiático, a própria designação da saga, invocando-se para o efeito que a mesma adoptou o nome da companheira de “Hyakkimaru”, secundarizando desta forma a personagem principal do filme. Julgo que aqui estará patente algum exagero na observação. “Dororo” é uma palavra para descrever um monstro com forma humana, e que é atribuído à rapariga pelo próprio “Hyakkimaru”, atendendo a que a mesma não possui um nome próprio, não quer dizer ou não se lembra. Contudo, a interpretação que faço é que a expressão “Dororo” se aplica ao próprio “Hyakkimaru”, pois ele considera-se, devido à maldição que impende sobre si, como um monstro que aparentemente é humano. E isto é revelado pelo próprio herói que, ao apelidar a rapariga de “Dororo”, reconhece que a designação é mais apropriada para ele.

Pessoalmente, julgo que quando “Dororo” foi realizado, não pretendia se tornar uma obra emblemática do género. Contentou-se em ser mais uma adaptação de uma manga de sucesso, com intuitos propositadamente, para não dizer exclusivamente, comerciais. E efectivamente isto transpira um pouco por toda a película. Como não podia deixar de ser, atendendo à trama que está em causa, os efeitos especiais têm de ditar um pouco a lei. E para ser sincero o mais possível, alguns são de qualidade muito, mas mesmo muito duvidosa, enquanto outros se evidenciam num plano bastante elevado. Como exemplo do menos positivo, escolho o demónio réptil, que parece uma versão pobretanas do “Godzilla” e que é capaz de arrancar algumas gargalhadas devido a ser o mais tosco possível, sem curar do facto de ser evidente que é um homem num fato que faria sucesso numa festa de carnaval decadente. Pelo contrário, o demónio da floresta será passível de se considerar uma criação “CGI” com qualidade, conseguindo impressionar.

Hyakkimaru e Kagemitsu Daigo

“Hyakkimaru e o seu pai Kagemitsu Daigo”

As lutas não são nada que nos deixe deslumbrados, apesar do coreógrafo ser o conhecido Ching Siu Tung. Os efeitos especiais pulverizam tudo o que possa ser mais palpável, e apenas se salvam algumas cenas reconduzíveis ao típico “chambara” que se clama por mais, mas que não aparecem assim tanto. O signo do mórbido e do macabro marca fortemente a sua presença. Mas aqui também temos de perceber que, face ao argumento da manga, a orientação não poderia ser diversa. O laboratório de “Jukai”, o pai adoptivo de “Hyakkimaru”, está cheio de partes diversas de corpos, na melhor tradição de “Frankenstein”. O que impressiona mais, é que esses diversos membros pertenceram a crianças em idade precoce, cujo fim chegou devido à calamidade e à guerra. É isto que será a matéria-prima para as próteses. Contudo, devido ao clima “tosco” que invariavelmente grassa por esta obra, o atrás referido não parecerá tão arrepiante como eventualmente sucederia à primeira vista.

Com interpretações aceitáveis dos jovens Satoshi Tsumabuki e Kou Shibasaki, com sinal mais para esta última, e com um entretenimento que não defraudará aqueles que gostam de filmes menos compenetrados, “Dororo” evidencia no fim ser uma obra mediana, com alguns motivos de interesse. Acredito que muitos se apaixonem à primeira vista por “Dororo”, pois trata-se de uma película que causa uma impressão positiva à primeira vista. Mas disseque-se a mesma com algum cuidado e atenção, e inevitavelmente concluiremos que o sucesso de “Dororo” é algo imerecido. No entanto, não se deixem prender pela minha opinião e, principalmente os apreciadores de adaptações de “manga” temperadas com o fantástico e umas pitadas generosas de algum “chambara”, passem os olhos por esta obra e digam de sua justiça. Como se apercebe pelo epílogo do próprio filme, haverá sequência à história, ou melhor duas, uma a estrear neste ano e outra em 2010. Cá estaremos, se o futuro o permitir, para opinarmos mais uma vez.

imdb

 

Outras críticas em português:

  1. Asian Fury

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 7

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,38

terça-feira, março 04, 2008

Ran, os Senhores da Guerra/Ran/Ran - 乱 (1985)

Origem: Japão

Duração: 156 minutos

Realizador: Akira Kurosawa

Com: Tatsuya Nakadai, Akira Terao, Jinpachi Nezu, Daisuke Ryu, Mieko Harada, Yoshiko Miyazaki, Hisashi Igawa, Peter, Masayuki Yui, Kazuo Kato, Norio Matsui, Mansai Nomura, Hitoshi Ueki

"Hidetora Ichimonji"

Estória

Japão, século XVI. O clã Ichimonji é um dos mais poderosos do país do sol nascente e tem em “Hidetora” (Tatsuya Nakadai), um líder forte e orgulhoso. No entanto, após ter iniciado a sua sede de conquista 50 anos antes, “Hidetora”, agora com a respeitável idade de 70 anos, sente que é altura de passar a liderança a alguém mais jovem.

Reunido com os seus três filhos, “Hidetora” decide atribuir a liderança do clã ao descendente mais velho chamado “Taro” (Akira Terao). Os restantes irmãos “Jiro” (Jinpachi Nezu) e “Saburo” (Daisuke Ryu) ficam com castelos, controlando regiões menores e devendo obediência ao mais velho. O filho mais novo “Saburo” acha o plano do pai imprevidente e tem uma violenta discussão com ele, acabando por ser banido do clã e acolhido pelo nobre vizinho “Nobuhiro Fujimaki” (Hitoshi Ueki).

"A dama Kaede"

Efectuadas as partilhas necessárias, o velho “Hidetora” vai viver no castelo principal, onde “Taro” governa o clã Ichimonji. No entanto, “Kaede” (Mieko Harada), a esposa de “Taro”, manipula com destreza a mente fraca do marido, e este começa a desprezar a presença do pai. Ofendido, “Hidetora” decide ir viver para o castelo do segundo filho “Jiro”. Este, no entanto, igualmente declina a companhia do pai. Despeitado ao ponto máximo, o antigo líder do clã, resolve ocupar o terceiro castelo que se encontra vazio devido ao banimento de “Saburo”.

Mais uma vez influenciado pela perfídia de “Kaede”, “Taro” declara o pai insano e ataca o castelo conjuntamente com o seu irmão, derrotando os 30 bravos guerreiros que escoltavam “Hidetora” e que constituíam a sua guarda pessoal. Contudo, é morto no decurso do combate, por instigação do seu irmão “Jiro”, que assume agora a liderança dos Ichimonji.

O velho sobrevive, e deambula como um louco pelos campos, acompanhado apenas do bobo da corte “Kyoami” (Peter). O infortúnio de “Hidetora”, chega ao conhecimento do filho renegado “Saburo”, e este invade o território dos Ichimonji, tendo em vista salvar o pai. Uma batalha sangrenta espreita, e o futuro do clã será decidido definitivamente.

"Hidetora sai do 3º castelo em chamas, sob o olhar dos exércitos dos filhos Taro e Jiro"

"Review"

Para mim é bastante difícil falar ou escrever algo sobre “Ran, os Senhores da Guerra”, doravante designado abreviadamente e com muito carinho, simplesmente por “Ran”. O que é que significa este filme para a minha pessoa? Várias coisas, que se tornam impossíveis de descrever num pequeno texto. Pelo exposto, tentarei ser o mais objectivo que as minhas parcas faculdades permitirem.

Em 1º lugar, “Ran” é um dos grandes responsáveis por hoje em dia eu alimentar este pequeno blogue chamado “My Asian Movies”. As memórias perdem-se no tempo, quando tento relembrar a 1ª vez que tomei contacto com este filme. No ano em que “Ran” viu a luz do dia, eu tinha a singela idade de 7, 8 anos. Tendo em conta que na Madeira, estas películas, à semelhança do que acontece hoje em dia, muito raramente estreiam, pus de parte a hipótese “sala de cinema”. No entanto, com alguma nostalgia, comecei a pensar nos gloriosos ciclos da sétima arte que a Câmara Municipal do Funchal levava a efeito há bastantes anos atrás. Nessa altura, adorava que os meus pais me levassem ao nobre teatro Baltazar Dias a ver filmes que, devido à minha meninice, quase nunca entendia. Não sei porquê, mas ligo “Ran” a esses tempos. Pesquisei, e não encontrei nenhuma referência à exibição desta longa-metragem, na citada sala de espectáculos. Se alguma alma caridosa tiver ideia de alguma relação de “Ran” com esta minha impressão pessoal, não se acanhe e dê um passo em frente! Talvez tenha sido imaginação minha, e o VHS tenha operado o milagre naqueles tempos.

Perdoem-me o devaneio. Vamos ao que interessa!

Os mais informados acerca da vida e dos gostos do mítico Kurosawa, saberão que o realizador japonês teve alguma predilecção pelas tragédias shakesperianas, que em muito inspiraram os argumentos dos seus filmes. No que toca a “Ran” esse aspecto veio ao de cima, pois a película colhe muito da tragédia do dramaturgo de Stratford – upon – Avon, denominada “King Lear”, mesclada com a lenda japonesa do daymio Mori Motonari. O resultado é, à falta de adjectivo melhor, brilhante! Uma estória pujante, com personagens extremamente cuidadas, dotadas de personalidades bem construídas, que nos fascinam pela expressão da sua natureza humana e falível.

Intimamente ligadas à magnificência do argumento, surgem as grandiosas actuações dos actores do filme, com uma natural primazia para Tatsuya Nakadai, que dá vida ao senhor da guerra “Hidetora Ichimonji”. Meu Deus, que interpretação! É praticamente do outro mundo, assistir a transfiguração de um “Hidetora” habituado a comandar e a ser obedecido, como qualquer outro nobre do Japão feudal, em um homem insano devido às agruras da vida, que neste caso se reconduzem à traição de dois dos seus filhos. Nakadai parece um fantasma que desfila as suas frustações e pesadelos pelo ecrã, e nos impressiona vivamente com a loucura pessoal trágica, mas bastante significativa. Quando as coisas correm mal, normalmente o passado volta para perseguir-nos impiedosamente, e os chamados “skeletons in the closet” emergem quão vilões sanguinários. “Hidetora” foi implacável ao longo da sua vida, atendendo ao seu percurso como senhor da guerra. O presente agora vem cobrar a retribuição. Outro carácter fascinante, e que porventura merecerá algum destaque em relação aos demais, será “Kaede”, interpretada pela actriz Mieko Harada. O perfil da mulher que a todos manipula e que empurra os homens para a perdição, usando uma astúcia fora do comum, não será propriamente uma novidade nos filmes de Kurosawa. Pessoalmente, fiz bastantes analogias de “Kaede”, com a personagem “Asaji”, presente em “O Trono de Sangue”, e interpretada à altura por Isuzu Yamada. Ambas as mulheres são extremamente manipuladoras, e conseguem levar a cabo os seus propósitos pessoais. Entendo que com “Kaede”, Kurosawa foi mais longe e mostrou uma verdadeira “raposa de nove caudas”, expressão usada por Kurogane, o experiente general de “Jiro”. A representação, segundo dizem, é bastante influenciada pelo teatro Noh japonês. Se assim o é de facto, tenho de começar a virar baterias para esta forma de actuação, pois observando Tatsuya Nakadai e Mieko Harada nas suas brilhantes “performances”, o interesse é sobejamente despertado. Eu desejei seriamente que ambos morressem durante o filme, um em nome do sofrimento, a outra relativamente à repulsa que me causava!

"O insano Hidetora fita os céus, acompanhado do bobo Kyoami"

Com um orçamento que à época rondou os 12 milhões de dólares, “Ran” é um luxo visual, que nos deslumbra em cada cena. Tendo sido o trabalho mais oneroso de Kurosawa, do ponto de vista financeiro, é notório onde o dinheiro foi gasto. Falemos de números. 1400 armaduras fabricadas, 200 cavalos (alguns importados dos E.U.A.), filmagens em locais emblemáticos do Japão, tanto do ponto de vista natural, como arquitectónico de que são exemplo as fortalezas de Kumamoto, Himeji e Azusa. Verdadeiramente impressionante são os 1,5 milhões de dólares gastos na construção do denominado 3º castelo que é incendiado, do qual “Hidetora” sai num torpor lancinante, dando origem a uma das cenas mais emblemáticas da película. Apesar do vasto orçamento para a época, poderíamos estar perante um “flop” monumental, que faria arrancar os cabelos! Com Kurosawa, isso é impossível de acontecer! Deêm-lhe as armas (de preferência “katanas”) e o “grande homem” maximiza resultados ao máximo!!!

Como se poderia eventualmente fazer crer, não se espere um filme impregnado de batalhas épicas, pois essencialmente só existem duas que não ocuparão em conjunto mais do que uns 35, 40 minutos da longa-metragem. No entanto, quando os combates acontecem, é a dureza, realismo e violência do costume! O sadismo é elevado, e até pensamos que as paredes de casa ficavam muito bem pintadas de sangue (o trocadilho refere-se à morte de uma personagem da película)...

O texto já vai longo...importa agora concluir.

Na incomparável cinematografia do mítico Kurosawa, torna-se bastante complicado tomar partidos. A maior parte, eventualmente, será da opinião que o espectacular “Sete Samurais” será a sua obra mais emblemática. Outros preferirão a abordagem de “Rashomôn”, “Trono de Sangue”, “Fortaleza Escondida”, “Yojimbo” ou até “Kagemusha”. Aqueles que acham que a cinematografia do mestre japonês não pode ficar reduzida ao “chambara” (e muito bem), pugnarão, a título meramente exemplificativo, por “Ikiru” ou “Cão Danado”. No meio de tantas pérolas cinematográficas, opto por esta despedida do realizador japonês quanto aos épicos inesquecíveis. Embora não gostasse de ser um “senhor da guerra”, sempre me imaginei como um “Saburo” que apesar das discordâncias, anseia sempre por fazer justiça e retornar para aqueles que mais ama. Mesmo que o futuro seja envolto em tragédia... Afinal, e como diz “Kyoami”, o bobo de “Hidetora”, “num mundo de loucos, só os loucos são sãos...”. Eu acrescentaria, “e os sonhadores também!”

Nomeado para 4 óscars, entre os quais o de melhor realizador, viria injustamente apenas a vencer um (melhor guarda-roupa). Salva-se o “Globo de Ouro” para melhor filme estrangeiro, um César e mais duas mãos cheias de prémios em vários certames. Um dos grandes momentos do cinema mundial merecia, mesmo assim, muito mais!

"O exército de Jiro cavalga para a batalha"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 10

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 10

Emotividade - 9

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 9,13