"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

Mostrar mensagens com a etiqueta Sreekumar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sreekumar. Mostrar todas as mensagens

sábado, dezembro 05, 2009

Kanchivaram (2008)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 120 minutos

Realizador: Priyadarshan

Com: Prakash Raj, Shreya Reddy, Sreekumar, Geetha Vijayam, Jayakumar

Vengadam

O tecelão Vengadam”

Sinopse

Em 1948, nas vésperas da independência da Índia, “Vengadam” (Prakash Raj) é um tecelão de seda que vive em Kanchivaram (também conhecida por Kanchipuram), uma povoação do estado de Tamil Nadu. Aquando do nascimento da sua filha “Thamarai”, “Vengadam” cumpre a tradição e, perante a sua esposa “Annam” (Shreya Reddy) e toda a vizinhança, faz uma promessa aos ouvidos da bebé. Contudo, o que sai da boca do homem deixa todos perplexos. “Vengadam” afirma que quando chegar a altura de a sua filha casar, a mesma o fará vestida com um sari de seda. Tal revela ser muito temerário, pois ninguém consegue perceber como é que um pobre tecelão, arranjará dinheiro para uma peça de roupa tão valiosa.

Vengadam e Annam

Vengadam e a esposa Annam”

Efectivamente, “Vengadam” possui algumas economias que conseguiu poupar durante muitos anos, mas o seu cunhado estraga-lhe os planos ao pedir-lhe o dinheiro para evitar a ruína. Sem outra saída, o tecelão começa a roubar do seu local de trabalho todos os dias, um pequeno pedaço de seda. Concomitantemente, vai tecendo em causa o sari. Para além de trabalhar para cumprir a promessa à sua filha, “Vengadam” começa a descobrir o comunismo, e desenvolve uma luta para melhorar as condições dos seus colegas tecelões.

Uma família feliz

Uma família feliz”

Review”

Escrever acerca de “Kanchivaram”, no “My Asian Movies” é uma oportunidade de ouro para desmistificar uma das ideias erradas que se tem acerca do cinema que se faz na Índia. Efectivamente “Kanchivaram” é uma película indiana, mas não de “Bollywood”. Trata-se de uma obra do cinema Tamil, também conhecido como “Kollywood”. Portanto, e correndo o risco de ser repetitivo, é de retirar de vez a ideia que “Bollywood” e cinema indiano são sinónimos. O que se passa é que a Índia possui muitas cinematografias, das quais “Bollywood” é apenas uma, embora a mais representativa. Feito este reparo, cabe prosseguir. “Kanchivaram” surpreendeu muito pela positiva. Além de ter vencido dois “National Film Awards” (Melhor Filme e Melhor Actor), os galardões de cinema mais importantes na Índia a par dos “Filmfare Awards”, teve a honra de ter sido dos primeiros filmes indianos a terem estreia internacional. Mais propriamente no prestigiado “Festival Internacional de Cinema de Toronto”.

O realizador Priyadarshan sempre foi mais conhecido por dar corpo a comédias ilógicas e “non sense”, tendo inclusive uma já ter sido abordada aqui no blogue. Falo do divertidíssimo “Hera Pheri”. Pelo exposto, parecia ser dos menos improváveis para lidar com uma película com um tom tão sério e profundo como “Kanchivaram”. De facto, estamos perante uma obra dotada de um argumento muito forte e bem plasmado no ecrã, que lida com temas interessantíssimos, tanto do ponto de vista social, como político. Nos rituais hindus, a seda é um símbolo de santidade e de ausência de mácula, sendo usada para purificar a alma em dois momentos essenciais na vida de uma pessoa, a saber, o casamento e a morte. É com base nesta premissa, que Priyadarshan constrói e desenvolve uma trama poderosa e tocante, que certamente não defraudará as mentes mais esclarecidas. O realizador faz uso de uma técnica que resulta muito bem e que consiste em começar “Kanchivaram” no presente, e em vários “flashbacks” que emanam da mente do tecelão, “Vengadam”, ir-nos apresentando a história de uma vida sob diferentes fundos e cores.

A filha de Vengadam

A bebé Thamarai, filha de Vengadam”

Outro aspecto sócio-político, que constitui uma parte muito importante da película, passa pela descoberta da ideologia comunista por parte de “Vengadam”. Influenciado por um professor e filósofo, que o doutrina, “Vengadam” insurge-se contra as condições precárias (para não dizer miseráveis) de que os seus companheiros tecelões e ele próprio são alvo. Os espancamentos, os parcos ordenados, o desprezo e desconsideração evidenciado pelo patrão, levam a que “Vengadam” se insurja e organize formas de luta, essencialmente a greve. Contudo, e aqui reside a ironia da vida, as razões do coração muitas vezes acabam por se sobrepor ao restante e “Vengadam” vê-se obrigado a uma escolha crucial. E essa mesma opção arranja-lhe dissabores e marca a sua existência para sempre.

As actuações dos intérpretes de “Kanchivaram”, são todas de excelente nível, com excepção do actor britânico que representa um abastado comerciante inglês. O seu amadorismo é, por demais, notório. O actor principal Prakash Raj, evidencia uma actuação notabilíssima, deixando para trás os seus costumeiros papéis de vilão, e abraçando um homem terno, valente e que tenta lutar contra preconceitos negativos enraizados no meio onde vive. Tudo com a força que advém do amor que sente pela filha e pela esposa, e dos ideais, quer se concorde ou não, que brotam de uma ideologia até então desconhecida para “Vengadam”.

Com a realização de “Kanchivaram”, Priyadarshan desfere um forte golpe na sua fama de realizador de obras sem conteúdo, ganhando mais respeitabilidade e abalando as nossas consciências pessoais. Poderá faltar ao filme alguma espectacularidade ou aura sumptuosa, própria do mundo de sonho de “Bollywood”, do qual esta película não faz parte. Não vive de coreografias previstas ao milímetro, até porque não possui nenhum tipo de dança, mas sim uma bonita canção de embalar. Isto tudo para dizer que a aura comercial é praticamente inexistente no filme. Agora uma coisa é certa. Trata-se de um drama profundo e impregnado de um enorme sentido de humanidade. Acresce o facto de “Kanchivaram” possuir uma aura educativa muito presente e que valoriza imenso a obra em questão. Por estas e outras razões, não restarão muitas dúvidas que “Kanchivaram” perdurará nas memórias de todos aqueles que se atrevam a visioná-lo. É apenas o constatar de um facto, nada mais.

Pai e filha

Pai e filha”

imdb Nota 8.6/10 (84 votos) em 5/12/2009

Outras críticas em português:

  1. Cinema Indiano

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 9

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 8