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quinta-feira, dezembro 09, 2010

Go For It, India!/ Chak De! India - चक दे इंडिया (2007)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 153 minutos

Realizador: Shimit Amin

Com: Shahrukh Khan, Vidya Malvade, Sagarika Ghatge, Shilpa Shukla, Chitrashi Rawat, Tanya Abrol, Anaitha Nair, Arya Menon, Shubhi Mehta, Kimi Laldawla, Masochon Zimik, Sandia Furtado, Nichola Sequeira, Kimberly Miranda, Seema Azmi, Raynia Mascerhanas, Nisha Nair

Kabir Khan 2

“Kabir Khan”

Sinopse

Após falhar um penalty crucial contra o Paquistão, na final do campeonato do mundo de hóquei em campo, “Kabir Khan” (Shahrukh Khan) é banido pela federação do seu país e visto como um traidor pelos seus conterrâneos. Apenas resta a “Kabir” sair do seu meio, e conjuntamente com a mãe, parte para um destino desconhecido, de forma a evitar a constante pressão negativa de que é alvo.

Kabir dâ uma desanca em Preeti

“Kabir desanca Preeti”

Sete anos depois, “Kabir” tem uma segunda hipótese de se redimir, quando é convidado para treinar a selecção nacional de feminina que irá participar no campeonato mundial de hóquei em campo na Austrália. No entanto, a tarefa não se afigura nada fácil, pois as raparigas, provenientes de diferentes estados indianos, com fortes clivagens culturais, possuem personalidades muito diferentes, o que gera conflitos entre elas e delas com o treinador. “Kabir” tem pela frente a tarefa mais difícil que encontrou, mas não desanima.

Corrida 3

“Treino tendo como pano de fundo a India Gate”

“Review”

“Chak De! India” recebeu grande aclamação no país natal, sendo considerado com propriedade um exemplo de um filme que contempla a nova vaga de “Bollywood”, onde os elementos mais tradicionais mesclam-se com um tipo de cinema mais contemporâneo, sendo por este motivo mais atractivo e atreito a uma internacionalização. O “frisson” despertado, especialmente entre os meios desportivos, constitui um trunfo para esta película, e imagine-se, despertou a consciência da nação para a necessidade de reavivar a federação indiana de hóquei em campo, desporto com tradição naquele país, que havia sido suspensa em 2008. Um famoso jogador de hóquei em campo indiano viria mesmo a afirmar que a Índia tinha de fazer uma equipa à imagem da exibida em “Chak De! India”, onde se recrutavam jogadores (as) de várias partes do país, unificando-os numa força poderosa e determinada. O que é sempre de salutar, passa pelo facto desta película embrenhar-se em temas recorrentes, mas actuais, tais como as diferenças religiosas, a discriminação regional e étnica e o sexismo ainda bastante presente na Índia actual.

“Chak De! India”, é o típico filme cujo tema versa acerca de uma modalidade desportiva em particular, onde as probabilidades de determinada equipa vencer algo são ínfimas, mas que à custa de muito labor, querer e até alguma dose de sorte, o caminho para a glória é efectivado. A única diferença, mas de bastante relevo neste caso em concreto, é que aqui a velha fórmula resulta muito bem.

Shahrukh Khan é o líder de um grupo de actores, ou melhor, actrizes, que não pertencem ao panteão maior dos intérpretes de “Bollywood”. No entanto não se pense, ao contrário do que aconteceu em muitos outros filmes, que Khan tem um protagonismo desmesurado. É certo que uma das estrelas maiores do cinema de Mumbai, assume as despesas principais desta longa-metragem, contudo um dos méritos do realizador Shimit Amin passa por conferir destaque às jogadoras da selecção indiana, dando desta forma um fulgor muito apreciável a “Chak De! India”. É através destas mulheres que incide muita da parte do argumento que se centra nas diferenças culturais existentes na Índia, e que, através de Khan, aqui assumindo-se como baluarte da nação e do orgulho indiano, é desfilada uma mensagem claramente anti-divisionista e que apela à união de todos aqueles que nasceram no imenso pais. Khan, contudo, tem uma actuação merecedora de elogios, e que foge imenso ao estereótipo criado por outras longas-metragens que protagonizou. A diversidade, regra geral, é uma coisa positiva e possui grandes potencialidades de agradar no que à sétima arte diz respeito. A equipa indiana neste aspecto é muito bem estruturada e cativa imenso a atenção do espectador. “Somoi” (Nisha Nair) do estado de Jharkand, a temível “Nethra” (Sandy Furtado) de Andhra, a leoa do Punjab “Balbir” (Tanya Abrol), a minúscula “Komal” (Chitrashi Rawat), a veterana e conflituosa “Bindia” (Shilpa Shukla), a bondosa e capitã de equipa “Vidya (Vidya Malvade) e a bela “Preeti” (Sagarika Ghatge) são personagens que com a sua história de vida, dotam a película de um interesse inegável.

A equipa 2

“A selecção feminina da Índia”

O argumento, como já acima foi aflorado, não assenta em qualquer tipo de ideia inovadora. Contudo, e no meio da sua simplicidade, resulta. Existe uma aura de honestidade, frescura e até moralidade que nos conquista quase de imediato, e que nos acompanhará até ao epílogo de “Chak De! India”. As miúdas lutam por algo que só elas acreditam e mais ninguém, desfilando um sentido de honra que todas as dificuldades vence, e que se mantém impenetrável perante todos os obstáculos que se lhes deparam, graças ao trabalho arriscado mas louvável do treinador “Kabir Khan”. Um aspecto que importa sobretudo focar é a mensagem anti-sexista transmitida por “Chak De! India”, fazendo com que esta longa-metragem seja um verdadeiro ícone feminista que luta contra a visão da mulher servil, infelizmente ainda bastante comum na Índia actual. E a lição que “Preeti” dá ao seu namorado, um jogador de “cricket” convencido, que despreza o papel activo das mulheres na sociedade e a importância do hóquei em campo, é memorável.

“Chak De! India” acaba por ser um filme algo atípico no contexto de “Bollywood”, vindo na esteira da nova vaga de películas que de há uns anos para cá tem emergido na cena da sétima arte de Mumbai. Não existem as habituais coreografias de dança, mas sim uma banda-sonora de elevadíssima qualidade. Existe um ténue afloramento do romance, assim como uma omissão total dos maus da fita, nem tão-pouco um glamour exagerado. Estamos perante, isso sim e na minha modesta opinião, um dos mais fortes produtos provindos da maior indústria de cinema do mundo.

A não perder!!!

Golo contra a Coreia do Sul

“Golo!!!”

imdb8 em 10 (5.462 votos) em 09 de Dezembro de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 9

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,13

segunda-feira, setembro 06, 2010

Kaminey: The Scoundrels/Kaminey – कमीने (2009)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 130 minutos

Realizador: Vishal Bhardwaj

Com: Shahid Kapoor, Priyanka Chopra, Deb Mukherjee, Shivkumar Subramaniam, Chandan Roy Sanial, Tenzing Nima, Hrishikesh Joshi, Amole Gupte, Rajatva Datta, Harish Khanna, Carlos Paca, Eric Santos, Sagar, Samrat, Vijay Raj

Charlie 6

“Charlie Sharma”

Sinopse

“Guddu” e “Charlie Sharma” (ambos interpretados por Shahid Kapoor) são dois irmãos gémeos, que detestam-se e não falam um com o outro há 3 anos. “Guddu” prefere levar uma vida honesta, dedicando-se a causas sociais, tais como trabalhar na prevenção da SIDA em Mumbai. Por sua vez, “Charlie” é um delinquente de pouca monta, que ambiciona a progredir rápido na vida, viciando corridas de cavalos.

Guddu 2

“Guddu Sharma”

Um dia, a vida de ambos sofre um volte-face inesperado. “Guddu” casa com “Sweety” (Priyanka Chopra), uma mulher que espera um filho seu. Esta atitude, faz com que “Guddu” incorra na ira de “Sunil Bhope” (Amole Gupte), o irmão de “Sweety”, um político e “gangster” perigoso, que almejava casar aquela com o filho de um rico construtor civil. Entretanto, “Charlie” encontra um carregamento valioso de cocaína pertencente a polícias corruptos, e vê aqui uma oportunidade para enriquecer rapidamente, vendendo a droga. No meio da confusão, as vidas dos irmãos cruzam-se novamente e ambos terão de lutar para sair do perigoso jogo em que se meteram.

Sweety 2

“Sweety”

“Review”

Depois de ter ganho alguma proeminência na cena de “bollywood”, com “Maqbool” e “Omkara”, duas adaptações shakespearianas, o realizador Vishal Bhardwaj deu vida a “Kaminey”, um “thriller”, com uma aura urbana muito forte, onde o submundo de Mumbai e o jogo de sentimentos ditam a lei. Trata-se de uma obra pouco convencional, atendendo ao espectro de onde provém, tendo granjeado mesmo alguns problemas com a certificação da película por parte do comité de censura do cinema indiano, um organismo que não faz sentido nenhum existir num país que se auto intitula como a maior democracia do mundo. Efectivamente, há que reconhecer que “Kaminey” é um desafio ao público indiano, e ao de Mumbai em particular, para pôr de parte certos convencionalismos instalados, e ter uma mente mais aberta no que toca ao visionamento de cinema.

“Kaminey” possui um argumento bastante interessante, que reza a história, foi adquirido a um escritor queniano, por 4 mil dólares. A trama não se atém apenas ao crime e às acções mais movimentadas decorrentes desta premissa. Existe uma exposição de humor bastante subtil, mas perceptível, assim como momentos de pura ironia. Pense-se, a título meramente exemplificativo, no facto de “Guddu” pertencer a uma ONG (Organização Não Governamental), que luta contra a propagação da Sida. Entre as medidas e acções que propõem passa, obviamente, pelo uso do preservativo. Numa noite, “Guddu” deixa-se convencer por “Sweety”, a não usar o contraceptivo e o resultado é a gravidez daquela. Outro exemplo reconduzir-se-á aos defeitos na fala que ambos os irmãos padecem, e que geram alguns momentos de boa disposição.

Sweety defende Guddu

“Sweety defende Guddu dos apaniguados do irmão”

Apesar de eu não ser propriamente um fã de Shahid Kapoor, tenho forçosamente de reconhecer que o actor em causa, demonstra aqui certos predicados representativos de aplaudir. Tendo que dar corpo a duas personagens diferentes, com personalidades naturalmente distintas, Kapoor sai-se muito bem e consegue transmitir ao espectador as angústias, problemas e sonhos de ambos os irmãos. O próprio papel, de um ponto de vista físico, viria a ser exigente pois Kapoor teve de trabalhar bastante para ganhar um corpo mais musculado do que tinha. A belíssima Priyanka Chopra, uma antiga miss mundo, consegue ser uma companheira de Kapoor convincente, alternando entre a rapariga imberbe e a mulher forte, que chega a defender o seu amor dos espancamentos dos apaniguados do seu irmão, o gangster “Sunil Bhope”. E por falar do chefe criminoso e xenófobo, proveniente de Mumbai, gostei particularmente da interpretação do actor Amole Gupte, evidenciadora de um sarcasmo e perigosidade bastante premente.

Com uma banda-sonora mediana, e cenas mais fortes do que estamos habituados a ver numa obra de “Bollywood”, “Kaminey” é uma proposta deveras interessante da meca do cinema indiano. Revela algo que o realizador Vishal Bhardwaj já tinha demonstrado em anteriores películas suas, que é uma rebeldia contra o “status quo” institucionalizado na cena de Mumbai. “Kaminey” é polémico quanto baste, e potenciador de agradar até aqueles que não elegem “bollywood” no seu visionamento, ou que desconfiam das suas produções.

A conferir!

Charlie 5

“Charlie em perigo”

imdb 7.6 em 10 (3.252 votos) em 6 de Setembro de 2010


Outras críticas em português/espanhol:

  1. Cinema Indiano
  2. El Pozo de Sadako

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,63

quinta-feira, julho 01, 2010

Nayagan aka Nayakan (1987)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 145 minutos

Realizador: Mani Ratnam

Com: Kamal Hassan, Saranya, Janagaraj, Tinnu Anand, Nasser, Delhi Ganesh, Nizhalgal Ravi, M. V. Vasudeva Rao, Kartika, Pradeep Shakti

Nayakan

“Velu”

Sinopse

“Shakti Velu” é uma criança que assassina o polícia que matou o seu pai, e por este facto, vê-se obrigado a fugir para Mumbai, onde acaba por ser adoptado por um pescador muçulmano, que possui uma personalidade bondosa e extremamente justa. Com o decorrer dos anos, o agora jovem adulto “Velu” (Kamal Hassan) e o seu amigo “Selva” (Janagaraj) desenvolvem um sentimento de ódio para com a polícia, devido ao facto de esta tratar de uma forma brutal as pessoas que vivem nos sítios mais pobres de Mumbai. Devido à morte perpetrada pelas forças da lei contra aquele que o acolheu em criança, “Velu” mata o oficial responsável, e embrenha-se no mundo do crime, onde o contrabando e os gangues ditam a lei.

Nayakan é torturado pela polícia

“Tortura policial”

Posteriormente, “Velu” conhece “Neela” (Saranya), e apaixonados, contraem matrimónio, daqui nascendo dois filhos. Entretanto, o percurso do protagonista no mundo da criminalidade organizada vai trilhando caminho, e “Velu” acaba por tornar-se num dos mais proeminentes chefes do submundo de Mumbai. Tendo em conta este facto, a tragédia bate à porta de “Velu” outra vez, quando a sua esposa é morta num ajuste de contas entre rivais. O infortúnio constitui o mote para que “Velu” parta novamente para a vingança, elimine os seus oponentes e torne-se no indisputado líder.

À medida que os anos passam, um período de acalmia parece finalmente chegar. No entanto, “Velu” depara-se novamente com a desgraça familiar, desta vez com o casal que significa tudo para ele no mundo, os seus filhos.

Nayakan e a esposa

“Velu e Neela”

“Review”

Em 1987, quando o filme “Nayagan” viu a luz do dia, estava criado um sucesso sem precedentes no que ao cinema Tamil diz respeito, tendo a sua grandiosidade se espraiado por toda a Índia, tendo inclusive sido a proposta deste país no que aos óscares do referido ano diz respeito. Em 2005, a conceituada revista “Time” viria a colocar “Nayagan” num verdadeiro pedestal, ao considerar esta película como um dos 100 melhores filmes de sempre. Um currículo de respeito, portanto.

Mas efectivamente sobre o que versa “Nayagan”? Não é segredo para ninguém que todos os países têm, em maior ou menor medida, estruturas de crime organizado que por vezes assumem a dimensão de verdadeiras sociedades à parte, ou então uma realidade muito própria dentro de determinado contexto social. A Índia, na sua imensidão geográfica e étnica, não constitui excepção. “Nayagan” foi buscar a sua inspiração a uma personagem real. Refiro-me ao “gangster” Varadajan, que controlou o submundo de Mumbai, principalmente na década de '80. As suas actividades reconduziam-se principalmente ao contrabando nos portos, evoluindo depois para os assassinatos e outras actividades ilícitas. Conta-se que Varajadan tinha criado um sistema judicial paralelo na sua comunidade tamil, onde ele próprio seria juiz e executor da lei. Conhecido como um benemérito, Varajadan era um símbolo muito forte da comunidade tamil residente em Mumbai e defensor dos direitos do seu povo, face a uma esmagadora maioria constituída pela população hindi.

“Nayagan” significa “o herói” ou “o líder”, e sem dúvida alguma que Varajadan, ou “Shakti Velu” como é chamado nesta longa-metragem, é reportado como um herói do povo, que protege os oprimidos e os que estão no degrau mais baixo do espectro social. Na senda da grande influência exercida pela saga “Godfather”, Mani Ratnam dá corpo a um épico relacionado com o crime organizado, usando como inspiração um dos “gangsters” mais conhecidos da história indiana. Contudo, “Velu” nunca é visto propriamente como um sanguinário líder criminoso, mas sim como um homem de bom coração, que é perseguido pela tragédia ao longo da sua vida, e que usa as actividades ilícitas, especialmente o contrabando, para auxiliar os que mais precisam. Repare-se que frequentemente “Velu” faz apelo a uma frase e lição de vida que lhe foi transmitida pelo seu pai adoptivo, a saber, “se é para ajudar as pessoas, não é errado”.

Dança

“Dança no barco”

O enredo é algo intrincado, onde vão-se arranjando situações cada vez mais dramáticas, algumas bastante forçadas, mas que atingem o alvo pretendido. No entanto, sempre se dirá que não faltarão cenas emblemáticas em “Nayakan”. Pense-se na resistência estóica de “Velu” aos ataques da polícia com mangueiras de água, a sua luta mortal com o inspector nas favelas de Mumbai ou nas discussões que leva a cabo com a sua filha, acerca da relatividade do bem e do mal.

Os actores cumprem o que lhes é solicitado, mas o destaque terá de ir forçosamente para o actor Kamal Hassan, que representa de uma forma elevada, o papel do protagonista da trama. Consegue, em igual medida e numa actuação segura, exteriorizar a revolta de “Velu” numa idade mais precoce, o poder que detém no auge da sua vida e por fim a vulnerabilidade evidenciada na velhice. A sua reacção, face à perda dos entes queridos, é deveras comovente e credível. Um bom trabalho!

Com uma banda-sonora bastante aceitável, onde se destaca o repertório inicial e que se repete um pouco ao longo de toda a película e um final que traz à mente “Gandhi”, de Richard Attenborough, “Nayakan” é sem margem para dúvida uma obra maior da cena cinematográfica tamil. Não reconhecendo o brilhantismo que muitos teimam em atribuir a esta longa-metragem, é indubitável que estamos presentes perante uma película dotada de uma alma profunda, e com um elevado interesse, que servirá para justificar um visionamento atento.

A conferir!

Nayakan 3

“Velu é confrontado pela filha”

imdb 8.3 em 10 (2.201 votos) em 1 de Julho de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,63

segunda-feira, abril 12, 2010

The Big Hearted Will Take the Bride/Dilwale Dulhania Le Jayenge Aka DDLJ - दिलवाले दुल्हनिया ले जाएँगे (1995)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 189 minutos

Realizador: Aditya Chopra

Com: Shahrukh Khan, Kajol, Amrish Puri, Farida Jalal, Anupam Kher, Satish Shah, Achala Sachdev, Himani Shivpuri, Pooja Ruparel, Hemlata Deepak, Anaita, Arjun Sablok, Karan Johar, Parmeet Sethi, Mandira Bedi

Raj

“Raj”

Sinopse

“Raj Malhotra” (Shah Rukh Khan) e “Simram Singh” (Kajol) são dois descendentes de indianos que residem em Londres. “Raj” é o único filho de “Dharanvir Malhotra” (Anupan Kher), um empresário de sucesso, e vive uma vida boémia e sem sentido imediato. Após ter concluído os seus estudos superiores, o rapaz decide ir viajar durante um mês pela Europa, antes de assumir um cargo nas empresas do pai. Acontece que “Simram”, a filha de um comerciante do Punjab chamado “Baldev Singh” (Amrish Puri), decide igualmente conhecer a Europa com as amigas, antes de embarcar para um casamento arranjado na Índia.

Simram 2

“Simram”

O casal acaba por travar conhecimento na viagem, e entra muitas vezes em conflito, devido aos feitios opostos. Após se meterem em mais uma confusão, “Raj” e “Simram” acabam por desenvolver sentimentos um pelo outro, mas que se encontram votados ao fracasso, devido ao enlace de “Simram”. Retornados a Inglaterra, “Raj” não consegue lutar contra o seu sentimento e decide declarar-se a “Simram”. Contudo, a rapariga já embarcou para a Índia, de forma a cumprir com os seus votos. “Raj” não desanima e voa para o Punjab, de forma a lutar e conquistar o seu amor.

Corrida para o comboio

“Simram corre para o seu amor”

“Review”

Tendo sido muito provavelmente o maior êxito de “Bollywood” no já longínquo ano de 1995, “Dilwale Dulhania Le Jayenge” (“DDLJ”) possui à partida dois grandes motivos de interesse: o facto de ser o filme da meca do cinema indiano com mais tempo em exibição nas salas de cinema de Mumbai (presentemente há 750 semanas ininterruptas!!!) e ser uma das duas películas de “Bollywood” que constam na lista da conhecida publicação cinematográfica denominada “1001 Movies You Must See Before You Die”.

À primeira vista, e tendo em conta a percepção actual, podemos pensar que estamos perante um típico produto de “Bollywood”. “DDLJ” é uma clássica história de amor, onde após um confronto inicial, a paixão nasce pulsantemente entre o casal protagonista da história. Depois sucedem-se os naturais obstáculos e dificuldades a que tudo dê certo, mas todos sabemos a meio da trama que algo irá acontecer de forma a que o epílogo seja “cor-de-rosa”. Contudo, e tendo em conta a orientação argumentativa que grassava no meio da altura, “DDLJ” acabou por ser de certa forma inovador. Normalmente, os indianos que viviam no estrangeiro eram caracterizados como pessoas ricas e de má índole, que tinham sido corrompidas pelos costumes pouco aceitáveis do ocidente. Ora em “DDLJ”, “Raj” e “Simram”, assim como as suas famílias, são apresentadas como pessoas de bom coração, que respeitam as tradições indianas, apesar de terem nascido ou emigrado, consoante os casos, para o Reino Unido. Outro aspecto por muitos considerado igualmente original, aquando da feitura de “DDLJ”, passa pelo facto de “Raj” tentar ganhar o coração dos progenitores de “Simram” (em especial do pai), de forma a poder encetar um relacionamento sério com a sua amada. Em circunstâncias ditas mais normais, o casal desafiaria os pais possuidores de um antagonismo inexplicável face ao relacionamento em causa, e lá no fim sempre se fariam as pazes de uma forma pouco convincente. No entanto, e como acima foi aflorado, em “DDLJ”, “Raj” apesar da sua inerente rebeldia, tudo faz para ser aceite no seio familiar de “Simram”, deixando bem claro que é a única forma de tudo dar certo, mesmo pondo em risco o seu amor.

Raj e Baldev Singh

“Raj e Baldev Singh, o pai de Simram”

Embora eu não seja um grande apreciador de Shah Rukh Khan (não deixando de reconhecer a sua inquestionável importância no meio e o carisma especial que detém), reconheço que em “DDLJ” o actor apresenta-se muito bem. O seu entusiasmo convincente, tanto nas cenas mais cómicas, como nos momentos mais dramáticos, cativa imenso a atenção dos espectadores e dá brilho ao filme. A bela intérprete Kajol faz um par muito bom com Khan, denotando talento na expressividade e no sentimento que exsuda nas cenas em que intervém. Merece uma referência especial o actor Amrish Puri (para os menos familiarizados com “Bollywood”, trata-se de “Mola Ram”, o feiticeiro maléfico e adorador de Kali em “Indiana Jones - O Templo Perdido”), que é extremamente convincente e dotado de uma aura paternal e nostálgica no papel de “Baldev Singh”, o pai de “Simram”.

Com uma temática interessante acerca dos casamentos arranjados, uma banda-sonora bastante aceitável, e uma variedade de cenários desde a Europa até inevitavelmente à Índia, “DDLJ” é uma película obrigatória para quem quer se embrenhar no universo de “Bollywood”, e atrever-me-ia a dizer, até compreende-lo. Possui uma alegria contagiante, uma história de amor curial mas com bons momentos, e entretenimento quanto baste para nos mantermos alerta durante as mais de três horas de filme. Da minha perspectiva, está longe de ser considerada uma das melhores obras do mundo de sonho de Mumbai, mas haverá muito a aproveitar, a admirar e muito provavelmente a sentir.

Merece uma espreitadela!

Raj e Simram

“Raj abraça Simram num campo de flores”

imdb Nota 7.9 (5.689 votos) em 12/04/2010


Outras críticas em português/espanhol:

  1. Batto presenta…
  2. Cinema Indiano em Portugal – Bollywood
  3. Grand Masala

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,63

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Jab We Met - जब वी मेट (2007)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 144 minutos

Realizador: Imtiaz Ali

Com: Shahid Kapoor, Kareena Kapoor, Tarun Arora, Dara Singh, Pavan Malhotra, Kamal Tiwari, Kiran Juneja, Divya Shah, Saumya Tandon, Nihar Thakkar, Manushka Khisty

Geet 3

“Geet”

Sinopse

“Aditya” (Shahid Kapoor) é um jovem empresário de sucesso, que vê o seu mundo arruinar-se quando descobre que o seu amor vai casar com outra pessoa. De coração destroçado, o rapaz anda sem rumo pelas ruas de Mumbai até embarcar num comboio, sem saber o destino deste. Lá conhece uma rapariga tagarela, chamada “Geet” (Kareena Kapoor), com uma personalidade completamente oposta à dele. Enquanto que “Aditya” se encontra depressivo, e com uma postura negativa, “Geet” pelo contrário não para de falar, e tem uma alegria de viver contagiante. No meio de uma confusão, o casal perde o comboio, e “Aditya” vê-se obrigado a acompanhar “Geet” até à casa da sua família em Bathinda.

Aditya

“Aditya”

Quando ambos chegam ao seu destino, a família de “Geet” convence-se que esta e “Aditya” estão enamorados, depois de uma cena que acontece entre ambos e que arruína o noivado arranjado da rapariga. No entanto, as coisas não são bem assim, pois “Geet” está apaixonada por “Anshuman” (Tarun Arora), Depois de finalmente se reunir com “Anshuman”, “Geet” e “Aditya” despedem-se e o empresário volta a Mumbai rejuvenescido e pronto a encarreirar outra vez no caminho do sucesso profissional. Contudo, e após “Geet” desaparecer, “Aditya” parte em busca da mulher que se apercebe que ama.

Aditya e Geet 3

“O casal apaixonado”

“Review”

“Jab We Met” (numa tradução livre “Quando nos conhecemos”) é uma típica comédia romântica de “Bollywood”, que tinha como um dos predicados principais o facto de os principais protagonistas, Shahid Kapoor e Kareena Kapoor, à altura possuírem um badalado romance na vida real. Contudo, a suposta paixão emanada pelo filme, não contagiaria o casal, pois o mesmo viria a findar o relacionamento durante as filmagens. A película granjeou bastante sucesso no “box office” indiano, e igualmente “fora de portas”, principalmente no Reino Unido. Trata-se de uma obra marcadamente virada para a paixão sem tréguas, evidenciando uma clássica história de amor entre dois seres completamente opostos, mas que acabam por se influenciarem pelas características um do outro. O conceito não é novo, já todos nós vimos isto algumas vezes.

O argumento de “Jab We Met” padece de alguma falta de substância, agradando aqueles que se contentam com pouco, ou que em determinado momento não estejam com disposição para pensar muito. Existem situações marcadamente incredíveis, que exageram em demasia, mesmo tendo em conta que estamos no propalado mundo de sonho de “Bollywood”. Apesar da grande extensão do filme, aspecto vulgar quando se fala das obras da meca do cinema indiano, a aproximação do casal dá-se de uma forma pouco natural, com grave prejuízo para a empatia do espectador com as personagens. Embora seja um pouco céptico em relação ao que se costuma chamar de “magnetismo”, a maneira como o casal se aproxima com uma resistência pouco convincente, para o que se pedia, do destroçado “Aditya”, não convence mesmo nada. E os imbróglios em que ambos se metem, embora tenham momentos que divertem, simplesmente não colhem muito a minha simpatia. As partes cómicas resultam geralmente bem, e neste particular destaca-se o avô sikh de “Geet, outras são completamente infantis e sem piada absolutamente nenhuma. Comparado a, por exemplo, uma película como a obra-prima sul-coreana “My Sassy Girl” que se mexe um pouco no mesmo segmento e sob as mesmas premissas, “Jab We Met” é um parente paupérrimo e sem brilho nenhum, embora provenha de uma cinematografia diversa e com características distintas.

Geet 2

“Geet corre na direcção do seu amor”

A química entre o casal Shahid Kapoor e Kareena Kapoor resulta no essencial bem, a que não será alheio, como acima aflorei, o facto de ambos manterem um relacionamento à altura, embora o mesmo tenha findado durante as filmagens de “Jab We Met”. Claro que não nos estamos a reportar aos momentos que apelidei de “incredíveis” ou com pouca substância. Pessoalmente, e reportando-me à actriz, não sou um grande fã da mesma. Contudo, sou obrigado a reconhecer que Karena Kapoor tem um forte carisma, muito difícil de igualar pelas suas pares. Outro dado relevante mais relacionado com o romance em si, é algo que para os ocidentais não assume especial relevância, mas para o espectro de “Bollywood” sim. Existe uma cena em que existem beijos na boca, imagine-se! Por sua vez, as danças e coreografias são bastante aceitáveis, em especial “Nagada Nagada”, que foi acolhida igualmente na novela brasileira “O Caminho das Índias”. Não será pelo espectro melódico ou mais dançável que esta obra cairá.

Se tiverem paciência, uma breve pesquisa pela internet fará com que concluam que “Jab We Met” é um filme bastante consensual, de uma forma positiva, no que concerne à crítica especializada. Nem que seja por este motivo, poderão sentir-se impelidos a desfrutarem das aventuras e desventuras amorosas do casal “Aditya” e “Geet”. Por estes lados, sinto que estamos perante um filme mediano, chegando a ser banal em diversos momentos e diria mesmo sem sal. Tremendamente previsível, socorre-se de alguns bons momentos que não são em número suficiente para qualificarmos “Jab We Met” como um produto de primeira ordem de “Bollywood”. Será apenas mais um filme, que mergulhará e não se distinguirá na turba das centenas que a principal indústria cinematográfica indiana produz todos os anos.

Nagara nagara

“Nagada Nagada”

imdb Nota: 7,9/10 (2.582 votos) em 21/01/2010

Música “Nagada Nagada”

Outras críticas em português:

  1. Grand Masala

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 6

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 8

Mérito artístico – 7

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,13

sábado, dezembro 05, 2009

Kanchivaram (2008)

Capa

Origem: Índia

Duração aproximada: 120 minutos

Realizador: Priyadarshan

Com: Prakash Raj, Shreya Reddy, Sreekumar, Geetha Vijayam, Jayakumar

Vengadam

“O tecelão Vengadam”

Sinopse

Em 1948, nas vésperas da independência da Índia, “Vengadam” (Prakash Raj) é um tecelão de seda que vive em Kanchivaram (também conhecida por Kanchipuram), uma povoação do estado de Tamil Nadu. Aquando do nascimento da sua filha “Thamarai”, “Vengadam” cumpre a tradição e, perante a sua esposa “Annam” (Shreya Reddy) e toda a vizinhança, faz uma promessa aos ouvidos da bebé. Contudo, o que sai da boca do homem deixa todos perplexos. “Vengadam” afirma que quando chegar a altura de a sua filha casar, a mesma o fará vestida com um sari de seda. Tal revela ser muito temerário, pois ninguém consegue perceber como é que um pobre tecelão, arranjará dinheiro para uma peça de roupa tão valiosa.

Vengadam e Annam

“Vengadam e a esposa Annam”

Efectivamente, “Vengadam” possui algumas economias que conseguiu poupar durante muitos anos, mas o seu cunhado estraga-lhe os planos ao pedir-lhe o dinheiro para evitar a ruína. Sem outra saída, o tecelão começa a roubar do seu local de trabalho todos os dias, um pequeno pedaço de seda. Concomitantemente, vai tecendo em causa o sari. Para além de trabalhar para cumprir a promessa à sua filha, “Vengadam” começa a descobrir o comunismo, e desenvolve uma luta para melhorar as condições dos seus colegas tecelões.

Uma família feliz

“Uma família feliz”

“Review”

Escrever acerca de “Kanchivaram”, no “My Asian Movies” é uma oportunidade de ouro para desmistificar uma das ideias erradas que se tem acerca do cinema que se faz na Índia. Efectivamente “Kanchivaram” é uma película indiana, mas não de “Bollywood”. Trata-se de uma obra do cinema Tamil, também conhecido como “Kollywood”. Portanto, e correndo o risco de ser repetitivo, é de retirar de vez a ideia que “Bollywood” e cinema indiano são sinónimos. O que se passa é que a Índia possui muitas cinematografias, das quais “Bollywood” é apenas uma, embora a mais representativa. Feito este reparo, cabe prosseguir. “Kanchivaram” surpreendeu muito pela positiva. Além de ter vencido dois “National Film Awards” (Melhor Filme e Melhor Actor), os galardões de cinema mais importantes na Índia a par dos “Filmfare Awards”, teve a honra de ter sido dos primeiros filmes indianos a terem estreia internacional. Mais propriamente no prestigiado “Festival Internacional de Cinema de Toronto”.

O realizador Priyadarshan sempre foi mais conhecido por dar corpo a comédias ilógicas e “non sense”, tendo inclusive uma já ter sido abordada aqui no blogue. Falo do divertidíssimo “Hera Pheri”. Pelo exposto, parecia ser dos menos improváveis para lidar com uma película com um tom tão sério e profundo como “Kanchivaram”. De facto, estamos perante uma obra dotada de um argumento muito forte e bem plasmado no ecrã, que lida com temas interessantíssimos, tanto do ponto de vista social, como político. Nos rituais hindus, a seda é um símbolo de santidade e de ausência de mácula, sendo usada para purificar a alma em dois momentos essenciais na vida de uma pessoa, a saber, o casamento e a morte. É com base nesta premissa, que Priyadarshan constrói e desenvolve uma trama poderosa e tocante, que certamente não defraudará as mentes mais esclarecidas. O realizador faz uso de uma técnica que resulta muito bem e que consiste em começar “Kanchivaram” no presente, e em vários “flashbacks” que emanam da mente do tecelão, “Vengadam”, ir-nos apresentando a história de uma vida sob diferentes fundos e cores.

A filha de Vengadam

“A bebé Thamarai, filha de Vengadam”

Outro aspecto sócio-político, que constitui uma parte muito importante da película, passa pela descoberta da ideologia comunista por parte de “Vengadam”. Influenciado por um professor e filósofo, que o doutrina, “Vengadam” insurge-se contra as condições precárias (para não dizer miseráveis) de que os seus companheiros tecelões e ele próprio são alvo. Os espancamentos, os parcos ordenados, o desprezo e desconsideração evidenciado pelo patrão, levam a que “Vengadam” se insurja e organize formas de luta, essencialmente a greve. Contudo, e aqui reside a ironia da vida, as razões do coração muitas vezes acabam por se sobrepor ao restante e “Vengadam” vê-se obrigado a uma escolha crucial. E essa mesma opção arranja-lhe dissabores e marca a sua existência para sempre.

As actuações dos intérpretes de “Kanchivaram”, são todas de excelente nível, com excepção do actor britânico que representa um abastado comerciante inglês. O seu amadorismo é, por demais, notório. O actor principal Prakash Raj, evidencia uma actuação notabilíssima, deixando para trás os seus costumeiros papéis de vilão, e abraçando um homem terno, valente e que tenta lutar contra preconceitos negativos enraizados no meio onde vive. Tudo com a força que advém do amor que sente pela filha e pela esposa, e dos ideais, quer se concorde ou não, que brotam de uma ideologia até então desconhecida para “Vengadam”.

Com a realização de “Kanchivaram”, Priyadarshan desfere um forte golpe na sua fama de realizador de obras sem conteúdo, ganhando mais respeitabilidade e abalando as nossas consciências pessoais. Poderá faltar ao filme alguma espectacularidade ou aura sumptuosa, própria do mundo de sonho de “Bollywood”, do qual esta película não faz parte. Não vive de coreografias previstas ao milímetro, até porque não possui nenhum tipo de dança, mas sim uma bonita canção de embalar. Isto tudo para dizer que a aura comercial é praticamente inexistente no filme. Agora uma coisa é certa. Trata-se de um drama profundo e impregnado de um enorme sentido de humanidade. Acresce o facto de “Kanchivaram” possuir uma aura educativa muito presente e que valoriza imenso a obra em questão. Por estas e outras razões, não restarão muitas dúvidas que “Kanchivaram” perdurará nas memórias de todos aqueles que se atrevam a visioná-lo. É apenas o constatar de um facto, nada mais.

Pai e filha

“Pai e filha”

imdb Nota 8.6/10 (84 votos) em 5/12/2009

Outras críticas em português:

  1. Cinema Indiano

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 9

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 8

domingo, outubro 25, 2009

Om Shanti Om - ओम शान्ति ओम (2007)

Origem: Índia

Duração: 165 minutos

Realizadora: Farah Khan

Com: Shahrukh Khan, Deepika Padukone, Arjun Rampal, Shreyas Talpade, Kirron Kher, Javed Sheikh, Bindu Desai, Asawari Joshi, Yuvika Choudhary, Shawar Ali, Girija Sarangi

"Shantiprya Aka Shanti"

Sinopse

Nos anos '70, “Om Prakash Makhija” (Shahrukh Khan) é um jovem actor de pouca nomeada, que sonha vir a tornar-se numa estrela. Mesmo assim, mais do que se tornar numa lenda de cinema, “Om” sonha vir a casar com “Shantipriya” (Deepika Padukone), também conhecida por “Shanti”, uma actriz em ascensão e de grande popularidade no meio. “Om” não conhece pessoalmente “Shanti”, mas a sua paixão leva-o a salvá-la numa cena de um filme, em que a mesma está perigosamente rodeada por chamas.

Agradecida pelo gesto heróico de “Om”, “Shanti” começa a conviver mais de perto com o jovem actor e as esperanças deste aumentam progressivamente. Contudo, cedo os seus anseios sofrem um rude golpe, quando este descobre que “Shanti” é casada secretamente com um famoso produtor de cinema chamado “Mukesh Mehra” (Arjun Rampal), e espera um filho dele. Na realidade “Mukesh” é um homem implacável que, em nome do dinheiro e da ambição, assassina “Shanti” pegando fogo a um estúdio. “Om”, desta vez não é bem sucedido, e morre ao tentar salvar a sua amada.

"Om Prakash e o amigo Pappu"

Devido a um acontecimento sobrenatural, “Om” renasce como o filho do conhecido actor “Rajesh Kapoor” (Javed Sheikh) e trinta anos depois é uma das maiores estrelas do universo de “Bollywood”. As suas memórias da vida passada começam a retornar quando se depara com a sua anterior e agora idosa mãe “Bela” (Kirron Kher). Por coincidência, “Om” volta a se cruzar com “Mukesh” e começa a arquitectar a sua vingança. Decide rodar um filme com ele, denominado “Om Shanti Om”, e contrata uma sósia de “Shanti” de forma a aterrorizar “Mukesh” e forçar uma confissão por parte deste. No entanto as coisas não correm como esperado, e “Om” vê-se em grande perigo outra vez. É então que uma inesperada ajuda surge...

"Shanti e Mukesh Mehra"

"Review"

“Om” é considerada a sílaba sagrada que representa o universo na sua totalidade, e embora não possua um significado literal para português, será qualquer coisa como o “absoluto”. “Om Shanti” será paz e acredita-se que a expressão quando muitas vezes repetida, induzirá a um estado de relaxamento, apaziguamento interior e bem-estar. Ao título do filme “Om Shanti Om” não será alheio estes significados, assim como o nome dos protagonistas principais. Não nos esqueçamos que Khan interpreta duas figuras cujo nome é “Om”, assim como a actriz Deepika Padukone usa o diminutivo na película de “Shanti”. No meio de significados como “absoluto”, “paz”, apaziguamento, para além da óbvia simbiose do casal, o que é certo é que esta obra interpretada pela mega-estrela Shahrukh Khan, e apresentando uma adorável Deepika Padukone, constitui até hoje, o filme de “Bollywood” que mais facturou nos EUA. Ostenta igualmente o orgulhoso record de venda de cópias para exibição a nível internacional, superando as dez mil. Contribuindo para uma grande difusão global do cinema hindi de Mumbai, é normal que as expectativas estivessem em alta.

Tecnicamente poder-se-á afirmar que o filme é bem executado, mas possui noutros itens falhas que, quanto a mim, fazem com que “Om Shanti Om” não mereça todo o alarido que gravitou em seu redor. O argumento possui algumas ideias interessantes, mas que carecem de mais alguma exploração. O restante, neste particular, é pobre, longe de ser convincente e com momentos verdadeiramente inacreditáveis no mau sentido. É dado assente que qualquer filme que trate com o tema da reincarnação, terá de ter um especial cuidado na maneira como expõe as coisas. As cenas da morte, o renascimento, os “flashback”, são premissas importantes que têm de estar interligadas pela coerência. Mesmo que estejamos, em princípio, no domínio do fantástico. Pois coerência, é uma das coisas que faltam a “Om Shanti Om”. E a maneira como “Om Kapoor” se vai relembrando de aspectos da sua vida passada na pele de “Om Prakash” carecem gritantemente de sustentabilidade e credibilidade perante o espectador.


"Om Kapoor Aka OK"

Por outra via, o argumento ganha algum fulgor positivo, quando embarca pelos caminhos do entendimento do cinema de “Bollywood”. No entanto, é preciso esclarecer que à partida, só quem estará mais esclarecido acerca dos bastidores da Meca do cinema indiano perceberá a envolvência, assim como a sátira e as piadas que desfilam acerca do meio. É fascinante debruçarmo-nos sobre a forma como eram rodados os filmes em Mumbai, tanto nos anos '70 como na actualidade, e todo o “hype” gerado à volta dos filmes e dos actores. Em “Om Shanti Om” é-nos apresentado o tal “mundo de sonho” que já referi aqui a propósito de outros textos acerca de longas-metragens de “Bollywood”, e que assume uma importância fulcral no dia-a-dia da sociedade indiana. Nestas coisas, como em tudo na vida, existe sempre alguém que não fica satisfeito. Ficou célebre a guerra travada entre os produtores de “Om Shanti Om” e o actor Manoj Kumar, devido a este ter entendido que foi ridicularizado no filme. Sinceramente, apreciei de sobremaneira as cenas que visam Kumar, constituindo dos melhores momentos cómicos da película. Desde o mesmo ser perseguido pela polícia, até ao facto de estar constantemente a colocar a mão à frente da cara, um gesto que o celebrizou. A crítica implícita ao protagonismo cinematográfico de Hollywood, está igualmente feliz. A mesma é corporizada no facto de “Mukesh Mehra” pedir pomposamente para o tratarem por “Ted”, pois nos EUA é assim que o chamam, e “Om Prakash” (na altura, “Om Kapoor”) responde que pode tratá-lo por “OK” (iniciais do seu nome), pois é assim que em “Bollywood” é conhecido.

Um dos aspectos que capta imenso a atenção é o manancial de estrelas bem conhecidas de “Bollywood” que surgem no ecrã, todas em “cameo” ou a título de participação especial. São mais de 42, imagine-se! Só na música “Deewangi Deewangi” aparecem trinta! Se na cerimónia dos “Filmfare Awards” justifica-se o ambicioso empreendimento, no momento musical tal se afigura como um provincianismo algo bacoco. O resultado redunda num desfile de vaidades, sem substância alguma e que não traz nada de novo ao filme. O grande Aamir Khan fez bem em recusar a proposta que lhe fizeram para aderir à “festa”, demonstrando desta forma o seu carácter e personalidade fortes. Reportando-me à banda-sonora propriamente dita, a mesma ficou a cargo da dupla Vishal-Shekhar, após uma recusa prévia de AR Rahman. O saldo global é positivo, indo a minha preferência pessoal para a música onde Shahrukh Khan expressa o seu desgosto, intitulada “jag soona soona lage”.

Com actuações medianas, onde quem brilha mais nem é o “rei” Shahrukh Khan, mas sim a beleza de Deepika Padukone ou a vilanagem de Arjun Rampal, “Om Shanti Om” é uma obra composta de altos e baixos. Tem uma visão saudosista e que se aclama no que concerne aos filmes de “Bollywood” dos anos '70, assim como expõe um cenário interessante da cena actual. O argumento é o “calcanhar de aquiles” da película, revelando que a orientação global foi impressionar visualmente o espectador e não tanto puxar pelos neurónios do mesmo. É uma longa-metragem que aposta imenso no amor à primeira vista, mas que falha no aprofundamento de itens considerados essenciais e que elevam as películas para um patamar de sobriedade. Pelo exposto, é forçoso concluir que “Om Shanti Om” é um filme agradável de seguir, mas que está longe de merecer toda a fama e referências que se geraram em seu redor.


"Dança na bola de cristal"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Site Oficial

Outras críticas em português:

Classificação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50