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quarta-feira, março 09, 2011

Exiled/Fong juk – 放‧逐 (2006)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 110 minutos

Realizador: Johnny To

Com: Anthony Wong, Francis Ng, Simon Yam, Nick Cheung, Lam Suet, Roy Cheung, Josie Ho, Richie Ren, Gordon Lam, Cheung Siu Fai, Ellen Chan, Hui Siu Hung, Ronald Yam

O grupo

“Da esquerda para a direita, em cima: Fat, Tai, Blaze e Cat; em baixo, Wo, a esposa Jin e o filho de ambos”

Sinopse

Em 1999, dois anos após o mesmo ter acontecido com Hong Kong, Macau está prestes a deixar a soberania de um país europeu, neste caso Portugal, e a retornar para o território da China. Quatro elementos de uma tríade chefiada por Fay (Simon Yam), a saber, “Blaze” (Anthony Wong), “Tai” (Francis Ng), “Cat” (Roy Cheung) e “Fat” (Lam Suet), são incumbidos da missão de matar um ex-membro da organização chamado “Wo” (Nick Cheung). Acontece que deparados perante o seu antigo companheiro e amigo, os quatro não conseguem levar a cabo o golpe e unem-se para proteger “Wo”, a sua esposa “Jin” (Josie Ho) e o filho de ambos recém-nascido.

Blaze 2

“Blaze”

Acontece que “Fay” vem de Hong Kong até Macau, de forma a destronar o domínio do “gangster” “Keung” (Gordon Lam), e assegurar que “Wo” efectivamente está morto. Quando descobre o que se passou, “Fay” não se deixa ficar e organiza uma caçada ao grupo. Uma cruzada de sangue está prestes a se desencadear.

Fai depara-se com Keung

“Fay depara-se com o rival Keung”

“Review”

Tendo sido exibido em certames de cinema por todo o mundo, de que constituem exemplo Veneza e Toronto, e sido filmado na antiga colónia portuguesa de Macau, “Exiled” tem o condão de fazer assomar uma ideia logo à minha mente: não consigo encontrar um filme que defina melhor o estilo de Johnnie To e que granjeou tantos fãs. A película teve críticas positivas um pouco por todo o meio especializado e conseguiu mesmo ter a honra de ter sido a submissão oficial de Hong Kong aos óscares – 2008, na categoria de melhor filme estrangeiro.

“Exiled” representa o que de melhor a cena de Hong Kong tem para oferecer, possuindo momentos perfeitos de tensão e acção, a par de cenas dramáticas de antologia, que ficam gravadas algures na nossa memória, num “freeze frame” mental. A técnica de “slow motion” usada nas cenas de acção, onde os tiroteios infernais irrompem destemidos, é simplesmente maravilhosa e de chorar por mais. Os intervenientes são meticulosamente posicionados, antes da abrupta violência emergir, e uma autêntica valsa diabólica de balas, sangue e destruição demonstrar a sua estranha, mas inquestionável beleza. Num culminar usual, todos estes aspectos irrompem no inevitável “stand off” final.

Como foi referido na sinopse, a acção de “Exiled” passa-se numa Macau em processo de transicção da governação portuguesa para a administração chinesa. Aqui, com ou sem razão, é traçado um quadro de uma terra onde a lei não consegue impor a sua vontade, onde a polícia é pouco efectiva e corrupta, e as tríades fazem quase o que lhes bem apetece. Ajustes de contas são desfilados num restaurante, numa rua, num descampado, sem que as forças da ordem consigam fazer algo para impedi-lo, sendo mesmo atacadas em nome da cobiça que rodeia um enorme carregamento de ouro.

Tiroteio 2

“Tiroteio no restaurante”

Na nossa humilde opinião, é improvável alguém se autointitular um apreciador do cinema de Hong Kong, sem prezar esta película e outras de natureza semelhante, desde que bem executadas e portadoras de um signo de qualidade. Tem um conjunto de homens afectados pela dureza do seu percurso de vida, que deixam a acção falar por si e mulheres que não conseguem entender esta maneira de agir e pugnam por um modo de vida mais calmo e pacífico. Mas acima de tudo, evidencia de sobremaneira aquele destino traduzido por um caminho que por mais que façamos, simplesmente não lhe conseguimos fugir.

Aqueles que se deram ao trabalho de reparar no grupo de actores que exibem as suas potencialidades nesta película, forçosamente terão de concluir que estamos perante um elenco de eleição, onde pontificam alguns dos mais talentosos intérpretes de Hong Kong e habitués das longas-metragens de Johnny To. O grande Anthony Wong exibe mais uma actuação de grande nível, num estilo inimitável e que só a ele lhe pertence, sendo bem acompanhado por Francis Ng. Simon Yam é um dos meus actores preferidos daquelas paragens, e para mim é algo complicado colocar-lhe defeitos. Igualmente é alguém que impõe um cunho e ritmo muito próprio nas suas performances, sendo que aqui o que lhe faltará serão, eventualmente e por força do argumento, mais alguns minutos. Nick Cheung, Roy Cheung e Lam Suet não destoam e enquadram-se bem nos seus papéis.

“Exiled” é um filme que honra muito bem o estilo do seu criador. É um orgulhoso e excelente exemplo do género “tríade” e atrever-me-ia a afirmar, quase um sonho para qualquer amante do género. Ao mesmo tempo, configura-se como uma história de amizade e honra impressionante, onde em nome dos ideiais e do código de conduta, mais depressa se verga do que se torce. A redenção acaba por ser tratada de uma forma crua, mas credível. No fundo, “Exiled” demonstra ser uma obra simples, nada esotérica e, à falta de melhor expressão...um filmão!!!

Fat Blaze Tai Cat

“Fat, Blaze, Tai e Cat”

imdb7.3 em 10 (3.904 votos) em 9 de Março de 2011

Outras críticas em português:

  1. Cine Players (Emílio Franco Jr.)
  2. Cinedie Asia
  3. Cine-Asia

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Argumento – 8

Banda-sonora – 9

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,25

quarta-feira, novembro 12, 2008

Tempestade Púrpura/Purple Storm/Zi yu feng bao - 紫雨風暴 (1999)
Origem: Hong Kong
Duração: 100 minutos
Realizador: Teddy Chan
Com: Daniel Wu, Kam Kwok Leung, Emil Chow, Joan Chen, Josie Ho, Patrick Tam, Theresa Lee, Michael Tong, Moses Chan, Alan Moo, Cordelia Choy, Mike Cassey, Liu Xu Hao, Tony Trimble, Brian Banowetz
"Todd Nguyen"

Sinopse

“Soong” (Kam Kwok Leung) é um conhecido terrorista pertencente aos Khmers Vermelhos. Inconformado com a queda e morte do seu líder Pol Pot, chefia um grupo cujo objectivo é restaurar o regime no Camboja, e que ao longo dos anos, tem sido responsável por inúmeros atentados um pouco por todo o mundo. Em 1998, uma oportunidade de ouro surge com a aquisição de um produto químico que espalhado na atmosfera, provocará uma precipitação que matará milhões de pessoas no sudeste asiático, dando a hipótese do ressurgimento de uma nova era para os Khmers Vermelhos na sua terra-natal. A base para lançar o ataque será Hong Kong.

"Todd frente-a-frente com o pai, o terrorista Soong"

Após um violento tiroteio, “Todd Nguyen” (Daniel Wu), o filho de “Soong”, fica amnésico e é capturado pela brigada anti-terrorista liderada pelo inspector “Ma Li” (Emil Chow). Vendo aqui uma oportunidade para ter um agente infiltrado, e ajudado pela psiquiatra “Shirley Kwan” (Joan Chen), “Ma Li” convence “Todd” a ajudar a polícia na frustração do atentado e na captura de “Soong”.

Convencido que é um agente anti-terrorista, “Todd” aceita fazer parte do plano. Acontece que aos poucos, a memória começa a retornar e o jovem ver-se-á na contingência de ter de optar entre os seus antigos companheiros Khmers e a possibilidade de fazer o que é certo e começar uma nova vida.

"Soong e Guan Ai em acção"

"Review"

Com um orçamento na ordem dos 4 milhões de dólares, e claramente encomendado para um mercado internacional, “Tempestade Púrpura” foi um profuso vencedor nos “Golden Horse Awards” - edição de 1999, e nos “Hong Kong Film Awards” de 2000, tendo inclusive recebido o patrocínio da Disney (imagine-se!!!) para uma edição no ocidente.

“Tempestade Púrpura” é um filme de acção, mas a sua amplitude vai um pouco mais além do que um conceito que à partida pode parecer redutor. Foca-se essencialmente na história de um jovem que viveu uma vida influenciado pelo pai, em busca de um ideal nefasto, mas a quem é dada uma nova oportunidade de vida para se redimir. Aliás, a acção embora bastante presente na película, peca por vezes por alguma falta de realismo e um ou outro efeito especial de trazer por casa. Contudo, é garantido que existirão momentos de tirar a respiração, com encadeamentos bem conseguidos. Levando esta premissa em linha de consideração, é necessário ter presente que é claramente o explanar da história de “Todd” a marcar pontos significantes, e constitui a principal razão para o visionamento deste filme. Teddy Chan concebe com competência a filmagem da história de um homem com as lealdades divididas, em que apesar de não restarem muitas dúvidas (do ponto de vista ético) acerca do lado que “Todd” deve de escolher, sempre existirão razões de monta para ficarmos a nos questionar o que faríamos se estivéssemos naquela situação em concreto. Um pai, uma esposa, uma ideologia com a qual crescemos...não é fácil pôr para trás das costas todos estes factores e esta longa-metragem aposta muito na tomada de posição do espectador.

"Todd é analisado pela psiquiatra Shirley Kwan"

A película não se desliga dos aspectos históricos, e através de simplísticas analepses, exteriorizadas quase sempre pelos olhos de “Todd” enquanto criança, podemos observar um pouco o que era o terror do regime Khmer de Pol Pot, consubstanciado numa “democracia” com uma componente de colectivização agrária bastante forte. “Todd” cresce no meio de uma sociedade com um cunho ideológico bastante premente e sob a violência de um regime atroz e sanguinário, explanado em actos desumanos, nos quais é bastante ilustrativa a cena em que “Soong” assassina uns monges budistas que oravam pela paz nos campos cambojanos. Fazendo um aparte cinematográfico que reputo de importante, é minha convicção que nunca nenhum filme abordou a situação do Camboja com tanto sentimento e ao mesmo tempo realismo, como “The Killing Fields”, a poderosa obra de Roland Joffé. Fica aqui a sugestão!

Outro dos pontos positivos em “Tempestade Púrpura” passará pela competente interpretação de Daniel Wu, um actor que desconfiei bastante a princípio devido à faceta de “menino bonito”, mas que após o visionamento de alguns filmes tais como “Beijing Rocks” ou “One Nite in Mongkok”, conseguiu convencer-me das suas capacidades representativas. O restante elenco acompanha-o bem, com Kam Kwok Leung a desempenhar um vilão credível, Emil Chow o típico polícia esforçado, a estrela Joan Chen, que após um longo êxodo em Hollywood, desempenha uma papel mediano mas convincente. Acima de tudo, quem brilha mais ao lado de Daniel Wu, é Josie Ho no papel da terrorista cambojana “Guan Ai”, que se assume como a figura trágica do filme e verdadeiramente tem o condão de fazer com que odiemos os Khmers Vermelhos e as suas “lavagens cerebrais” com todas as forças do mundo. Permitam-me o aparte, mas pessoalmente não morro mesmo nada de amores pelos seguidores de Pol Pot, tanto a nível ideológico, como ainda mais pela sua “genocida” forma de actuação.

Com uma banda-sonora envolvente e marcante, “Tempestade Púrpura” é uma boa proposta da cinematografia de Hong Kong, embora um pouco pretenciosa. Apesar de ser um típico “blockbuster” asiático, possui uma válida faceta de “thriller” político, tem acção e efeitos especiais a rodos que satisfará o fã menos exigente a nível de valia técnica e um espectro psico-sociológico que não deixará o espectador defraudado. Acima de tudo o seu ponto forte estará centrado na interessante exploração da personagem interpretada por Daniel Wu, e pelo eterno dilema da escolha entre fazer o que é correcto, mesmo prescindindo do que é mais significativo para nós.

A ver!

"A polícia observa um atentado do grupo dos Khmers Vermelhos"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M" - 7

Classificação final: 7,63





sábado, junho 16, 2007

Isabella/伊莎貝拉 (2006)
Origem: Hong Kong
Duração: 109 minutos
Realizador: Edmond Pang
Com: Chapman To, Isabella Leong, J. J. Jia, Anthony Wong, Chau Sang, Derek Tsang, Shawn Yue, Steven Cheung, Josie Ho, Jim Chin, Wan Yeung Ming
"Yam"
Estória

Em 1999, numa Macau prestes a sair do domínio português, e a entrar na jurisdição da República Popular da China, vive o inspector “Ma Cheng Sing” (Chapman To), que enfrenta sérias acusações de corrupção. Sem nada ou alguém com que se preocupar, “Sing” passa os dias a embriagar-se e a jogar na grande variedade de casinos existente no território.

Certa noite numa discoteca, o bêbado “Sing” procura uma prostituta para passar a noite e acaba por ser bem sucedido nos seus intentos. No dia seguinte, acorda com uma jovem rapariga a seu lado, chamada “Cheung Bik Yam” (Isabella Leong), que afirma peremptoriamente ser a sua filha!!!

"Sing"

Pelos vistos, há 16 anos atrás, “Sing” tinha namorado com a mãe de “Yam” (J. J. Jia), tendo posteriormente abandonado-a. A mulher engravidou, mas nunca disse nada a “Sing”, tendo este vivido na ignorância os anos todos. Actualmente a mãe de “Yam” está morta, vítima de um cancro de pulmão, e a rapariga está só e sem dinheiro, tendo sido despejada pelo senhorio do apartamento onde vivia.

No início, “Sing” não aceita bem esta situação, tentando afastar-se de “Yam”. Contudo, acaba por se afeiçoar à rapariga e começa mesmo a tratá-la como uma filha. No entanto, a justiça não dorme, e “Sing” terá mais cedo ou mais tarde de pagar pelos seus crimes.

"Alegria nas ruas de Macau"

"Review"

“Isabella” tem desde logo um extremo interesse para os portugueses, devido a vários factores relacionados com o meu país. O enredo decorre totalmente em Macau, região que esteve sob a administração nacional até 20 de Dezembro de 1999, e podemos mesmo ouvir falar português em duas partes do filme, a saber, quando um colega de “Sing” avisa-o que “Yam” tem menos de 18 anos, e mais à frente no filme quando o próprio “Sing” pede comida chinesa em vez de portuguesa (aqui não garanto que tenha sido o actor Chapman To a falar, pois o mesmo encontra-se parcialmente coberto com um vidro).

Esta longa-metragem revela antes de tudo ser um drama profícuo e profundo, onde várias sensações são despertadas no espectador, indo de extremos como a ternura ao mais puro asco, principalmente nas partes em que tememos estar perante um grotesco e infeliz caso de incesto. Depois de atingido o epílogo do filme, ficamos sempre com a dúvida se “Sing” realmente manteve relações sexuais com “Yam” ou não. Ambas as posições são perfeitamente defensáveis, pelo que quanto a este aspecto não tomarei partidos. Sinceramente é meu franco desejo não opinar acerca deste aspecto… Só vos posso dizer que quando “Isabella” concorreu ao Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a frase chamativa que se encontrava no cartaz promocional era “Is she a one night stand – or is she his daughter?”. Julgo ser bastante ilustrativo.

Outra grande marca “tuga” presente na película é sem dúvida a banda-sonora. Muita guitarra portuguesa, perfeitamente enquadrada nas cenas e nos belos cenários da cidade, um misto de arquitectura colonial portuguesa, com edifícios modernos e bairros chineses tradicionais. No fim ouve-se inteiramente “Ó gente da minha terra”, da fadista Mariza. Sintomático q. b., confesso que gostei imenso de tal facto, apesar de não ser grande apreciador de fado. O agrado decorre mais de termos algo nosso impregnado num filme asiático de boa qualidade, para além do facto de “Isabella” ter vencido o Urso de Prata de Berlim para melhor banda-sonora.


"A fitar o infinito"

Visionando “Isabella”, apercebemo-nos que os portugueses não são bem vistos por alguns segmentos da população autóctone de etnia chinesa. Um dos colegas de “Sing”, interpretado pelo competente actor Anthony Wong, está constantemente a criticar os meus conterrâneos. Vejamos alguns exemplos: “Não podes confiar nos portugueses. Os antepassados deles eram piratas. Eles são piratas!” – de facto, os portugueses são conhecidos por terem sido um povo de descobridores e navegadores, deveríamos ter uns piratas lá no meio; “Não sei como é que os portugueses conseguem comer esta porcaria” – tudo uma questão de gostos meu caro, venha daí essa dobrada à moda do Porto!

A trama encontra-se bem estruturada. O realizador Edmond Pang aposta muito nas subtilezas e nas induções, surpreendendo-nos em variadíssimas cenas, levando-nos a pensar que vai acontecer uma coisa, quando na realidade acontece outra completamente distinta. Na parte pseudo-incestuosa, por duas vezes somos levados a pensar que vamos ver qualquer coisa de chocante a este respeito. Numa, vemos “Sing” a berrar com “Yam” “Para de foder com os outros!”, logo em seguida deparamo-nos com o polícia a acordar com uma mulher nua ao lado, sai um sonoro “Ufa!”, quando nos apercebemos que não é “Yam”! Noutra, num corredor, vemos a confusão de pernas de “Sing” e “Yam”, pensando que alguma fúria sexual tomou conta dos dois, para afinal apercebermo-nos que a rapariga encontra-se embriagada e “Sing” pachorrentamente carrega-a para o apartamento. São muitas cenas deste género, e nem sempre relacionadas directamente com a relação de “Sing” e “Yam”. Quanto a induções, que dizer acerca de “Sing” identificar “Yam” como filha, e esta falar dele aos amigos como o seu amante? Ficamos no amor paternal, fraternal, etc., etc., etc. Pang adora mesmo brincar com as nossas mentes!

Chapman To oferece-nos uma representação de qualidade acima da média. Já conhecia este actor do célebre “Infiltrados”, e depois de “Isabella”, comecei ainda a gostar mais do seu estilo de representação simples e honesto. Isabella Leong, a jovem cantora e actriz que faz 19 anos precisamente daqui a uma semana, deslumbra em todos os sentidos. Apesar da sua relativa inexperiência nas lides da sétima arte, demonstra ser uma actriz a olhar com muita atenção no futuro. Julgo não estar enganado, quando vaticino que uma nova diva do cinema asiático estará a nascer. O facto de ser linda de morrer também ajuda, é certo!

Por esta altura, já devem ter reparado que em momento algum menciono “Isabella”, nome próprio que intitula o filme, como personagem. Não vos direi a razão para tal. Antes pelo contrário desafio-vos a ver o filme, e descobrir tanto os contornos óbvios, como os menos visíveis.

“Isabella” é um filme de elevada qualidade, merecedor de constar em qualquer colecção de cinema, mais ainda se a mesma for de películas asiáticas.

"Uma reprimenda amigável de pai para filha?"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





sábado, março 10, 2007

Anna Magdalena/Ngon na ma dak lin na (1998)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Chung Man Yee

Com: Takeshi Kaneshiro, Aaron Kwok, Kelly Chen, Leslie Cheung, Anita Yuen, Jacky Cheung, Chun Chung, Josie Ho, Eric Tsang, Wei Wei

"Os três principais protagonistas da esquerda para a direita: Mok Man Yee (Kelly Chen), Yau Muk Yan (Aaron Kwok) e Chan Kar Fu (Takeshi Kaneshiro)"

Estória

O tímido e introspectivo afinador de pianos "Chan Kar Fu" tem uma vida calma e extremamente solitária, até ao dia em que dois eventos acontecem de forma sequencial.

O primeiro dá-se quando "Chan" vai afinar um piano a uma casa onde vive um jovem casal. Ela chora incessantemente, pois tudo indica que o namorado a vai deixar, o que inovidavelmente acaba por suceder.

O pior é que o rapaz, chamado "Yau Muk Yan", "atrela-se" a "Chan" e acaba por ir viver para o apartamento deste, provocando um choque no monótono dia-a-dia do afinador de pianos. Tudo se deve a "Yau" ser o completo oposto de "Chan", ou seja, irresponsável, um escritor desempregado que ainda não escreveu uma linha que fosse, viciado no jogo e um mulherengo de "1ª linha".

"Chan Kar Fu é um rapaz solitário e que dificilmente se apaixona"

O segundo acontecimento passa pela mudança de uma bela rapariga de seu nome "Mok Man Yee" para o andar de cima, que tem uma fixação pelo minueto de Bach "Anna Magdalena", tocando-o incessantemente no seu piano.

Os dois companheiros de apartamento, após um início atribulado com a nova vizinha devido a problemas de ruído, acabam ambos por se apaixonarem pela rapariga, sendo "Yau" o previsível vencedor, e em consequência começar a namorar com "Mok".

Entretanto "Chan" fecha-se no seu casulo, e apesar de não ser escritor, acaba por elaborar um romance pouco convencional, mas com uma mensagem muito significativa.

"A sedutora Mok Man Yee"

"Review"

Em 1998, o realizador Chung Man Yee resolveu juntar três estrelas emergentes de Hong Kong (Takeshi Kaneshiro, Aaron Kwok e a cantora Kelly Chen), com extrema popularidade junto das camadas mais imberbes da actual região administrativa chinesa e dar corpo a um drama urbano, protagonizado por jovens adultos supostamente todos na casa dos vinte e tal anos. Temperou o elenco com actores consagrados tais como o mítico e já falecido Leslie Cheung, Anita Yuen, Eric Tsang e Jacky Cheung, obtendo desta forma um "cast" extremamente forte. O resultado a nível da representação foi bastante bom, embora não extraordinário como sucedeu com outros registos relativos a cada um dos actores individualmente considerados.

O argumento é bastante atractivo para o segmento geracional dos 20-30 anos, no qual me incluo. No fundo o que aqui está em causa, são dois tipos de rapazes, completamente o oposto um do outro e que em função das suas características muito próprias, são bem sucedidos em certos aspectos da sua vida, e noutros uns completos fracassados. O amor constitui o principal aspecto abordado, embora outros sirvam de muleta para expor melhor o cerne da questão, ou seja, a vida em si.

Como já foi referido na sinopse, "Chan" é um rapaz independente, que possui o seu apartamento e um emprego estável. No entanto, a sua vida amorosa é um vazio completo, atendendo à sua grande timidez. Tentam por vezes impingir-lhe raparigas, mas ele invariavelmente despreza-as e fecha-se na sua concha. Um dia, finalmente, quando encontra uma mulher que lhe agrada de sobremaneira, vê-se novamente toldado pela sua timidez e permite ser ultrapassado pelo amigo "Yau".

Falemos agora desta personagem.

"Yau" é o típico irresponsável, "fura-vidas", oportunista e "bon vivant". Não trabalha, mas também não faz nada para mudar esta situação; tem uma fixação por apostas em corridas de cavalos; julga ser um escritor, mas nem uma linha escreveu ainda. Não tem dinheiro nem bens em seu nome, e anda constantemente a mudar de residência, tendo orgulho em carregar os seus poucos pertences numa miserável caixa de cartão.

À primeira vista, "Chan" parece ter uma vida bem melhor do que a do seu companheiro de apartamento, mas isso não é bem assim, pois "Yau" tem um charme e uma alegria de viver irresistível, fazendo com que a sua vida amorosa seja bastante preenchida, sendo irresistível para as mulheres. precisamente o grande vazio da vida de "Chan". Podemos, com alguma certeza afirmar que o que um tem, o outro não possui e vice-versa. A amizade entre ambos acaba por resultar, e cada um tenta suprir as lacunas do outro como pode e observados certos limites.

"Mok", a rapariga, acaba por ser um catalisador que desperta as latentes fragilidades de "Chan" e "Yau".

"Chan Kar Fu está constantemente a livrar Yau Muk Yan de problemas"

A maneira como a estória nos é narrada é interessante. O filme é dividido em quatro partes, que o realizador faz questão em fazer perceber ao espectador a sua concreta divisão. Os três primeiros capítulos incidem sobre o relacionamento entre os dois rapazes e entre estes e a rapariga. A quarta apanha-nos de surpresa, à semelhança de um murro bem apontado ao nariz que nos atordoa completamente. Ela refere-se ao conto surrealista escrito por "Chan", que pretende acima de tudo explanar o amor que este sente por "Mok" e que em tempo algum foi capaz de declarar. Neste segmento do filme, entramos num mundo completamente à parte. É como se estivéssemos a visionar uma película completamente diferente.

A fotografia do filme é espectacular, principalmente as partes mais rurais, que beneficiaram largamente do facto de bastantas cenas terem sido rodadas no Vietname, usufruindo das maravilhosas paisagens naturais deste país. A intervenção de Peter Pau (The Bride With White Hair, Tigre e o Dragão e The Promise) não é nada alheia a este facto em especial.

Verdadeiramente negativo é o fraco desenvolvimento do epílogo do filme, em que os aspectos marginais à estória de ficção elaborada por "Chan", são levados praticamente a "correr". Por outras palavras, entramos no tal mundo à parte da estória escrita pelo tímido personagem, e quando finalmente voltamos à realidade do enredo principal, o mesmo é despachado às "três pancadas". Tal aspecto mereccia sem dúvida um melhor tratamento.

No mínimo curiosa, mas ao mesmo tempo significativa, foi a alusão final desta longa-metragem e que se reporta directamente à mundialmente conhecida obra do escritor Charles Dickens "A Tale of Two Cities" (Um conto de duas cidades). Não parafraseando, sempre se poderá dizer que no fundo tenta-se expressar uma perspectiva realista e porventura pessimista dos relacionamentos amorosos, no sentido de uns encontrarem por sorte ou por mérito aquela pessoa amada; os restantes invariavelmente deambulam por uma estrada sem retorno.

Filme interessante, mas que não obterá consensos.

"A certa altura o surrealismo marca a sua presença"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38