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terça-feira, setembro 02, 2008

Vingança Planeada/Sympathy for Lady Vengeance Aka Lady Vengeance/Chinjeolhan geumjassi - 친절한 금자씨 (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 115 minutos

Realizador: Park Chan-wook

Com: Lee Yeong-ae, Choi Min-sik, Kwon Yea-young, Go Su-hee, Kim Bu-seon, Kim Byeong-ok, Kim Shi-hoo, Lee Seung-Shin, Nam Ill-woo, Oh Dal-su, Yu Ji-tae, Tony Barry, Anne Cordiner, Kang Hye-jeong, Lee Dae-yeon, Lim Su-gyeong, Oh Kwang-rok, Ra Mi-ran, Seo Yeong-ju, Shin Ha-kyun, Song Kang-ho

"Lee Geum-ja"

Sinopse

Em 1991, “Lee Geum-ja” (Lee Yeong-ae) foi condenada ao cumprimento de uma pena de reclusão por um ilícito hediondo, a saber, o rapto e homicídio de uma criança. O crime foi extremamente emblemático na época em que sucedeu, tendo a comunicação social empolado a situação de tal maneira que “Geum-ja” tornou-se numa notória assassina com apenas 19 anos à altura.

"O escândalo de uma jovem de 19 anos acusada de um crime hediondo"

No tempo que passou na prisão, “Geum-ja” tornou-se conhecida pela sua bondade e ar angélico, granjeando desta forma grande popularidade entre os funcionários da cadeia e as reclusas. Igualmente encontrou consolo na religião católica, adoptando um fervor espiritual exemplar. Em 2004, 13 anos depois do início do seu cativeiro, “Geum-ja”, agora uma bonita mulher com 32 anos, é libertada. Logo após o fim da sua provação, adopta uma postura completamente oposta à que tinha na prisão, dando uma volta de 180 graus na sua vida. Desde o início, faz por demonstrar que é um ser sério, frio e calculista, adoptando indumentárias preferencialmente de cor negra e pintando os seus olhos com uma sombra vermelho-sangue.

A súbita, mas calculada transformação de “Geum-ja”, deve-se a vingança que esta pretende exercer sobre um professor primário chamado “Baek” (Choi Min-sik). A razão para a atitude da mulher passa por a mesma ter sido obrigada a assumir as culpas pelo chocante crime que não cometeu, de forma a proteger a sua filha “Jenny” (Kwon Yea-young) de “Baek”. Meticulosamente “Geum-ja” arquitecta o seu plano, tendo por orientação e verdade absoluta que existem certas dívidas que só se pagam com sangue.

"Geum-ja empunha uma arma ultrapassada pouco convencional"

"Review"

Após no passado ter elaborado aqui textos acerca de “Sympathy for Mr. Vengeance” e “Oldboy”, chegou a altura de encerrar a trilogia não oficial de Park Chan-wook, dissertando um pouco agora acerca do último filme da saga “Sympathy for Lady Vengeance”, uma obra negra e poética da autoria do mestre sul-coreano à semelhança das suas antecessoras, embora com uma abordagem distinta. Antes de tudo constitui mais uma película bastante premiada, com galardões em vários certames internacionais entre os quais Veneza e o nacional Fantasporto – edição de 2006, onde viria a levar para casa o prémio relativo à secção “Orient Express” do festival. Beneficiando do “hype” de “Oldboy” realizado dois anos antes, “Sympathy for Lady Vengeance” foi uma obra bastante aguardada pois muita era a curiosidade em saber até onde Park Chan-wook poderia ir com o seu amado conceito da “vendeta”, depois do estrondoso êxito da sua película anterior. O resultado desde já se adianta que é extremamente positivo, tendo Chan-wook criado uma longa-metragem de eleição, não atingindo contudo o nível da sua predecessora (a pergunta que aqui se coloca é se dentro do género, alguém ou algo o conseguirá fazer).

Um aspecto que desde logo chama a atenção é a criação da personagem de “Geum-ja”, com todos os seus atributos físicos e psicológicos. É traçado um retrato complexo (mas perfeitamente perceptível aos olhos do espectador) de uma mulher bela, eivada de um ar angélico, que joga fora completamente o início da sua vida adulta em nome de algo maior. É uma figura enigmática, mas que colhe a nossa simpatia, apesar da sua faceta anjo-demónio que a actriz Lee Young-ae interpreta de uma forma bastante competente. Por outra via, somos confrontados com um “Baek” que aparentemente se configura como um cidadão normal, mas que na realidade é um verdadeiro monstro doentio, sem escrúpulos, cuja “tara” passa por se aproveitar de crianças indefesas, causando desta forma a infelicidade e a miséria nas famílias dos jovens. Como seria de esperar, o fantástico e renomado intérprete sul-coreano Choi Min-sik oferece-nos um desempenho acima da média que pecará apenas por algo que lhe é completamente alheio, ou seja, a falta de minutos. Como praticamente nada é perfeito, e esta premissa também se aplica ao cinema, Chan-wook podia ter investido mais em “Baek” e nas suas motivações, de maneira a que tivéssemos um sentido mais lúcido da outra face da moeda, assim como a oportunidade de vermos mais de um actor que pertence à fina-flor do cinema mundial. Pelo contrário, Chan-wook optou por centrar mais a narrativa na personagem principal, a “Lady Vengeance Geum-ja”, o que se torna aceitável, pois focámo-nos quase por completo no cerne principal do filme, a vingança justificada de uma mulher amarga, mas completamente determinada. Mesmo assim é caso para perguntar se a trama tivesse concedido mais algum destaque a “Baek”, não saborearíamos nós melhor o “cocktail molotov" que se avizinha?!

O restante elenco comporta-se à altura, restando apenas expôr umas curiosidades que com certeza agradarão aos fãs da “trilogia da vingança” de Chan-wook. Os dois assassinos contratados para matar “Geum-ja” são interpretados pelos conhecidos actores sul-coreanos Shin Ha-kyun e Song Kang-ho, que deram vida aos papéis principais em “Sympathy for Mr. Vengeance”. Aliás se repararmos bem no conjunto de intérpretes que Park Chan-wook reuniu para a longa-metragem que ora se analisa, veremos que estamos perante uma verdadeira constelação de estrelas e mais do que isso, aglutinaram-se todos os artistas que representaram os papéis mais emblemáticos das restantes películas da saga. Além dos já mencionados Shin Ha-kyun e Song Kang-ho, temos Choi Min-sik, Kang Hye-jeong, Yu Ji-Tae e Oh Dal-su de “Oldboy”. Fica apenas a faltar a actriz Bae Doo-na (a "Yeong-jin" de “Sympathy for Mr. Vengeance”) para ficarmos com o repertório completo.

"Baek em apuros"

No que toca à exposição da violência, “Sympathy for Lady Vengeance” é um filme aparentemente menos intenso que “Sympathy for Mr. Vengeance” ou “Oldboy”. Em “Sympathy for Mr. Vengeance” estávamos perante um conceito de vingança mais impulsivo e delapidante, onde as motivações de todas as “partes do conflito” são profusamente abordadas e tudo parece ter origem no amor, um sentimento à primeira vista (mas não à segunda) contraditório com o resultado final. Nessa obra-prima intitulada “Oldboy”, a vingança aparece mais como uma maníaca necessidade, consubstanciada num desejo animalesco de retribuição dolorosa por um emprisionamento aparentemente injustificado. O que viria a seguir é forte demais para quase todos nós! No tocante a “Sympathy for Lady Vengeance”, é exposta uma abordagem mais sentimental (do ponto de vista convencional) e menos crua da vingança, quando comparada com as películas anteriormente mencionadas. No entanto se, e como já mencionei, os pormenores mais “físicos” da questão estão refreados, isto não significa necessariamente que o filme não tenha a mesma intensidade. A violência aqui é mais induzida, do que propriamente explanada. Relembre-se apenas, e a título exemplificativo, na cena em que uma das companheiras de “Geum-ja” na cadeia está a fazer calmamente um churrasco, enquanto um bando de polícias cautelosamente se aproxima de arma em punho. Mais tarde vimos a saber que a pessoa em questão tinha sido presa por ter morto o marido e posteriormente o ter cozinhado às fatias e ingerido o petisco...Outro aspecto de aplaudir é conceito de “vingança partilhada” exposto nos últimos 15-20 minutos da película, que se torna numa lufada de ar fresco e de certa forma surpreende “positivamente” o espectador.

Com uma banda-sonora espectacular composta por excertos na sua maior parte de Vivaldi, (debitando igualmente uma melodia de Niccoló Paganini) e na esteira de clássicos japoneses como “Lady Snowblood” de Toshiya Fujita (salvo as devidas adaptações e diferenças em função da contemporaneidade e não só), “Sympathy for Lady Vengeance” é um filme que recupera o conceito da mulher inocente e frágil que devido às agruras da vida, contraria a sua natureza e embarca no “olho por olho, dente por dente”. Vindo de Park Chan-wook, o resultado não poderia ser outro senão um filme catalisado por elementos psicológicos bastante bem explorados, consubstanciado em mais uma reinvenção de uma vingança sangrenta, que é de aplaudir. O resultado é óptimo, fazendo com que a película seja absolutamente de visionamento obrigatório. Encerra-se desta forma e com chave de ouro, um dos ciclos mais emblemáticos da história do cinema asiático, quiçá mundial, traduzido num dos mais brilhantes tratamentos conferidos à natureza humana e à sua volatilidade!

Muito bom!

"Geum-ja e a filha Jenny"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25





segunda-feira, junho 02, 2008

Welcome to Dongmakgol - 웰컴투 동막골 (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 133 minutos

Realizador: Park Kwang-hyun

Com: Jeong Jae-yeong, Shin Ha-kyun, Kang Hye-jeong, Lim Ha-ryong, Seo Jae-kyeong, Ryu Deok-hwan, Steve Taschler, Jung Jae-jin, Lee Young-yi, Park Nam-hee, Jo Deok-hyeon, Yoo Seung-mok, Shim Won-cheol

"O capitão Neil Smith"

Sinopse

Em 1950 o exército norte-coreano invade o seu vizinho do sul, dando início à tristemente célebre guerra da Coreia. Os sul-coreanos são auxiliados por uma força das Nações Unidas sob o comando dos americanos, na pessoa do general Douglas MacArthur. Na sequência do conflito, o capitão da força aérea norte-americana “Neil Smith” (Steve Taschler) despenha-se com o seu caça perto de uma aldeia isolada conhecida como Dongmakgol. Os habitantes da povoação, apesar de não perceberem uma única palavra em inglês, ajudam “Neil”, e tentam com que ele se sinta em casa.

"Pyo Hin-chul, o tenente do exército sul-coreano"

Entretanto chegam à aldeia três soldados norte-coreanos, sendo os únicos sobreviventes do seu pelotão, cujos restantes elementos foram mortos numa emboscada. O trio é liderado pelo sargento “Lee Sun-hwa” (Jeong Jae-yeong), sendo os membros remanescentes os soldados “Jang” (Lim Ha-ryong) e “Taek-ki” (Ryu Deok-hwan). Os combatentes são conduzidos à povoação por Yeo-il (Kang Hye-jeong), uma rapariga alucinada que “não diz coisa com coisa”. Para completar a lista de visitantes inesperados, temos dois soldados sul-coreanos, o tenente “Pyo Hin-chul” (Shin Ha-kyun) e “Moon” (Seo Jae-kyeong). Como é natural, desde logo surgem problemas entre todos os militares que se encontram em Dongmakgol, atendendo a que combatem em campos opostos. Os aldeões ficam abismados, pois não fazem a mínima ideia que uma guerra está a decorrer.

No meio da confusão, uma granada destrói o armazém onde os aldeões guardavam as suas provisões, fazendo com que os mesmos fiquem sem alimento. Com um sentimento de culpa latente, os contendores fazem uma trégua temporária, de forma a poderem auxiliar os habitantes de Dongmakgol a reabastecerem-se de víveres. À medida que os soldados vão-se adaptando ao estilo de vida dos aldeões, apercebem-se que se encontram num sítio pacífico e isolado, onde as ideologias nada significam. Quando tudo parece correr pelo melhor em sã convivência, forças externas aparecem a ameaçar a tranquilidade de Dongmakgol. Os soldados sentem-se no dever de unirem esforços e proteger a aldeia.

"Os soldados norte e sul-coreanos retratam-se, ajudando a população de Dongmakgol nas colheitas"

"Review"

Baseado num livro do popular escritor sul-coreano Jin Jang, “Welcome to Dongmakgol” constituiu a proposta da Coreia do Sul para os óscares de 2005, e nesse mesmo ano revelaria ser o 4º filme mais visto de sempre no país. Esta premissa assume ainda mais importância, pois o filme estreou uma semana após “Sympathy for Lady Vengeance”, e conseguiu praticamente o dobro dos resultados financeiros na bilheteira. Foi um grande triunfo para o realizador Park Kwang-hyun, ainda mais quando esta longa-metragem foi a sua estreia nas lides da sétima arte. Ou melhor dizendo, “Welcome to Dongmakgol” foi a primeira obra dirigida por Kwang-hyun, e igualmente a única também, pois o realizador nunca mais se aventurou pelas lides cinematográficas desde então. O filme foi bem aceite e esteve em exibição nalguns festivais de cinema importantes, tendo inclusive recebido o prémio de filme preferido da audiência, em Udine, no seu famoso certame de cinema oriental.

À medida que ia visionando “Welcome to Dongmakgol”, recuei até 1997, quando na faculdade, mais propriamente na disciplina de “História das Ideias Políticas”, tive de estudar (entre vários outros autores) Thomas More e a sua conhecida obra “Utopia”. O sentido da sociedade igualitária, onde todos têm uma palavra a dizer e existe uma partilha de bens adequada às necessidades de cada um está bem presente neste filme. A comunidade perfeita, onde todos podem deixar para trás as agruras da vida e serem felizes, aparece como um bálsamo para o grupo de soldados traumatizados pelo conflito. A certa altura, um admirado “Lee”, o líder dos norte-coreanos, questiona o chefe de aldeia como é que consegue fazer com que os habitantes sigam as suas ordens. “Lee” encontra-se ainda mais incrédulo, quando repara que o chefe não necessita de recorrer a expedientes autoritários ou violentos para conseguir se impôr. Serenamente, é-lhe respondido “mantenho-os alimentados e trato-os com amor e respeito”.

Podemos caracterizar “Welcome to Dongmakgol” como uma película composta por 50% de comédia e 50% de drama. O aspecto mais bem disposto do filme é bem conseguido, girando em torno da natural ingenuidade dos habitantes da aldeia. Estes nunca viram uma arma de fogo na vida, e por esse mesmo motivo, não sabem como reagir perante uma, ignorando que a mesma constitui uma ameaça. Igualmente tem alguma dose de piada observar os aldeões a tentar comunicar com o capitão “Smith” em inglês, redundando tudo numa total baralhada. Como absolutamente não pode existir um filme sul-coreano sem a sua quota parte de drama, à medida que caminhamos para o epílogo o mesmo vai tomando forma “leve, levemente”, até à tragédia da ordem. Esta parte da obra resulta bem, mas daí nada menos seria de esperar do filme, atendendo à sua origem. É comovente, embora não bastante credível, observar a coragem de um diminuto grupo de combatentes fazer face a um prelúdio de um bombardeamento norte-americano, tudo em nome de algo maior, um paraíso chamado “Dongmakgol”. Não haverá aqui um pouco do espírito de “Os Sete Samurais”?!

"O professor Kim, observado pelos aldeões de Dongmakgol, tenta comunicar em inglês"

Os actores regra geral cumprem de uma forma competente no esgrimir das suas interpretações. Como costumo sempre destacar alguém nos meus textos, o prémio aqui irá para a excelente actriz Kang Hye-jeong, a “Mi-do” de “Oldboy”. O seu desempenho como a insana “Yeo-il” é fresco, eivado de uma loucura saudável e de uma incontornável ternura. Resta-me ainda fazer uma apologia à exuberante e maravilhosa fotografia presente na película, que em muito ajuda a formar a ideia de um paraíso na terra a que, aliada a uma aldeia que custou um milhão de dólares a construir, ajuda a produzir o efeito pretendido.

“Welcome to Dongmakgol” tenta passar a mensagem que é possível os norte e sul-coreanos resolverem as suas diferenças, e trabalharem num objectivo comum, como se fossem uma nação una. Os americanos, mais uma vez são o alvo a abater e considerado o inimigo externo. São eles que querem destruir “Dongmakgol” e em consequência pôr termo ao paraíso e à união dos povos irmãos. É certo que temos um americano bom da fita, a saber, o capitão “Smith”. Contudo, “Smith” acaba por se tornar um cidadão de “Dongmakgol”, e tudo faz igualmente para proteger a terra onde se conseguiu encontrar, inclusive lutando contra os seus próprios conterrâneos. Um clássico caso de “ressocialização” ?!

No entanto, confesso que já começo a ficar um tanto ou quanto saturado da repetição de temas e inspiração que alguns filmes sul-coreanos teimam em enveredar. É certo que o nacionalismo faz parte da cultura sul-coreana, caracterizado por duas ou três ideias essenciais, a saber, a reunificação das duas Coreias, o antagonismo contra a presença norte-americana no país e o ressentimento de sempre contra o Japão. Não estou obviamente a afirmar que os sul-coreanos não têm razão em muitos aspectos. É perfeitamente natural que os coreanos se queiram unificar, atendendo às características étnicas e culturais que detêm entre si. Igualmente torna-se legítimo que não se sintam muito satisfeitos com o facto de os norte-americanos ocuparem pacificamente uma parte do seu país, unicamente com objectivos militares e económicos. É compreensível que não vejam com muito bons olhos o império nipónico, atendendo ao longo historial de conflitos que mantiveram com aquela nação, e que redundaria mesmo em ocupação do seu território soberano. É uma questão cultural sem dúvida nenhuma. O que critico é a repetição de conceitos, sem qualquer tipo de inovação. E neste ideal, “Welcome to Dongmakgol”, com todos os seus méritos (e são alguns), nada traz de novo.

“Welcome to Dongmakgol” é uma película de qualidade, que possui características positivas, tornando-a justamente num dos produtos mais emblemáticos oriundos da Coreia do Sul. Contudo, e ao contrário do que muitas críticas que se podem encontrar um pouco por toda a internet querem fazer crer, não é uma longa-metragem de tão elevado nível que se possa qualificar de eleição.

Com interesse!

"Da esquerda para a direita: o capitão da força aérea norte-americana Neil Smith, o tenente do exército sul-coreano Pyo Hin-chul e o sargento das forças norte-coreanas Lee Sun-hwa"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emoividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50





segunda-feira, setembro 17, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros 4 grandes nomes do cinema asiático, que estão a votações aqui no "My Asian Movies":

Chiaki Kuriyama

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Azumi 2: Amor ou Morte, Battle Royale

Tony Jaa (Panom Yeerum)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ong Bak, o Guerreiro, A Honra do Dragão

Kang Hye-jeong

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Oldboy - Velho Amigo, Ondas Invisíveis

Aaron Kwok

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Anna Magdalena, The Storm Riders



segunda-feira, abril 16, 2007

Ondas Invisíveis/Invisible Waves (2006)

Origem: Tailândia

Duração: 114 minutos

Realizador: Pen-Ek Ratanaruang

Com: Tadanobu Asano, Kang Hye-jeong, Eric Tsang, Maria Cordero, Toon Hiranyasap, Ken Mitsuishi, Hideki Jitsuyama, Tomono Kuga, Hiro Sano, Prompop Lee

"Kyoji"

Estória

“Kyoji Hamamura” (Tadanobu Asano) é um cozinheiro japonês, que trabalha em Macau, território asiático que esteve sob administração portuguesa até fins de 1999. Por trás do seu honrado ofício, “Kyoji” é igualmente um assassino a soldo de um poderoso chefe mafioso, chamado “Wiwat” (Toon Hiranyasap).

O mais recente trabalho que lhe é encomendado passa por assassinar a esposa do patrão, a Sra. “Seiko” (Tomono Kuga), que é ao mesmo tempo amante de “Kyoji”. O japonês é bem sucedido na sua missão, usando para o efeito o método do envenenamento, após um jantar a dois.

"Noi"

Posteriormente, o chefe de “Kyoji” comunica-lhe que ele terá de desaparecer por uns tempos até as coisas acalmarem, enviando-o para Phuket, uma ilha que constitui uma renomada estância turística da Tailândia.

“Kyoji” embarca num navio até ao seu destino de fuga, e durante o cruzeiro conhece uma jovem rapariga chamada “Noi” (Kang Hye-jeong) que viaja acompanhada da sua filha bebé de nome “Nid”. Uma amizade nasce, e porventura algo mais.

Quando “Kyoji” chega a Phuket, começam a acontecer sérios problemas com a sua vida, vendo-se rodeado de intriga e traição por todos os lados.

"Um beijo ardente, o prelúdio de um homicídio"

"Review"

Da Tailândia, e sob a chancela do realizador Pen-Ek Ratanaruang (realizador de “Last Life in the Universe” e “6ixtynin9 – Sixty Nine”), chega-nos “Ondas Invisíveis”, um filme que mereceu honras de abertura do Festival Internacional de Cinema de Banguecoque – 2006, para além de ter sido um competidor na 56ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Por força do argumento escrito por Pradba Yoon, revelador de um enredo passado em locais distintos, e com personagens de origens diversas, Ratanaruang teve de se rodear de intérpretes de várias paragens.

Foi feliz na escolha do elenco, cerceando-se de actores com provas dadas. Tadanobu Asano é um afamado actor japonês, que detém no seu currículo participações em “Zatoichi”, “Ichi – O Assassino”, “Taboo”, “Gojoe”, entre muitos outros. Possuía igualmente a vantagem de já ter anteriormente entrado em outro filme do realizador tailandês (falamos de “Last Life in the Universe”). Da Coreia do Sul foi recrutada Kang Hye-jeong, a “Mi-do” do fenomenal “Oldboy”. Hong Kong, por sua vez, marca presença com o veterano Eric Tsang, conceituado actor que tem como cartão de visita películas como a trilogia de “Infiltrados”, “Fly Me To Polaris” e “Anna Magdalena”.

A trama de “Ondas Invisíveis” gira à volta de temas como a culpa ou a traição, sendo apresentado envolto numa extrema melancolia. E é a partir desta premissa, que se constrói um filme rodeado de uma aura soturna e porventura triste, bem ilustrada pelos interlúdios que focam o ondular das ondas.

"Kyoji, após ser assaltado, telefona ao patrão a solicitar auxílio"

A realização evoca bem este aspecto, optando por, não amiúde, enveredar por filmar indícios do que se está a passar em determinadas cenas, acompanhados apenas dos sons humanos, como o arfar, ou então do arrastar e do ranger de objectos. Veja-se por exemplo a cena em que “Kyoji” está a debater-se com o assaltante no seu quarto de hotel em Phuket. A porta do quarto e a parede circundante está a ser filmada. Ouvimos os sons da luta. Mas em momento algum vemos “Kyoji” a lutar com o delinquente. Outro exemplo será a cena do jantar homicida.

A fotografia, da autoria de um dos melhores mestres da arte, Christopher Doyle (“Herói”, “2046”), envereda muitas vezes pelos tons acinzentados, acompanhando fidedignamente os sentimentos ilustrados pelos intervenientes. Não é um dos melhores trabalhos de Doyle, diga-se de passagem.

A interpretação dos actores constituirá eventualmente o melhor que o filme tem. Tadanobu Asano presenteia-nos com uma actuação competente e convincente. Kang Hye-jeong, embora a milhas do que nos mostrou em “Oldboy” (convenhamos que é extremamente complicado igualar tal registo), demonstra que merece um lugar de nomeada no panorama do cinema asiático. Os restantes intérpretes estão, em geral, num nível aceitável. Destaco aqui Ken Mitsuishi no papel de “Lizard”.

O pior é sem dúvida a extrema monotonia pela qual o filme envereda, que por vezes nos faz bocejar, e se estivermos um pouco cansados, porque não dizer adormecer. Existem alturas desta longa-metragem, em que o encadeamento é claramente um excelente remédio para quem sofre de insónias.

Uma proposta mediana que não entusiasma, mas que possivelmente elevará a cultura cinematográfica de cada um...

"A morte iminente"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7





quinta-feira, junho 08, 2006

Oldboy-Velho Amigo/Oldboy (2003)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 120 minutos

Realizador: Park Chan-wook

Com: Choi Min-sik, Yu Ji-tae, Kang Hye-jeong, Ji Dae-han, Oh Dal-su

"Ou falas e contas tudo o que sabes, ou..."

Considerações pessoais

Quando ocorreu a ideia de criar este "blog" e como ficou atestado no primeiro "post", o conteúdo temático deste espaço versaria sobretudo sobre os "swordplay" asiáticos. Na altura, alertei igualmente que ocasionalmente poderia ser efectuada uma crítica a filmes que não se enquadrassem no género mencionado, mas respeitando sempre a trave-mestra por que se rege o "blog" : tem que ser um filme de origem asiática. Afinal de contas, a designação deste espaço é "My Asian Movies", que significa literalmente "Os meus filmes asiáticos".

Como se pretende que este espaço seja dinãmico e anti-estanque, mais uma página cumpre virar e nada melhor que "Oldboy" para incrementar e iniciar uma variação mais abrangente de conteúdos do "blog".

Feito este parênteses, vamos ao que interessa!

"Dae-su sem contemplações!"

Estória

"Oh Dae-su" é um normal, embora não muito responsável chefe de família, que é raptado no meio da rua e emprisionado num apartamento. Entretanto a sua mulher é assassinada e perde o rasto à sua filha pequenina. O cativeiro dura uns longos 15 anos, em que podemos acompanhar o quotidiano desta personagem no espaço em que está confinado, assim como o aumento progressivo da sua paranóia, situação normal para uma pessoa a quem foi retirada a liberdade e não faz a mínima ideia das razões para tal.

"Dormindo com o inimigo"

Decorido este período, "Dae-su" é finalmente libertado e assume como único objectivo descobrir as motivações que estão por detrás do seu sequestro e consequentemente de vingar-se dos seus misteriosos inimigos. Pelo caminho trava conhecimento com uma jovem rapariga, que o ajuda nasua demanda e com a qual acaba por encetar um relacionamento.

De cena em cena o véu do mistério vai sendo descerrado e a realidade torna-se cruel demais...

"Uiiiiiiiii!"

"Review"

Desde logo devo alertar que "Oldboy" não é um filme destinado a pessoas facilmente impressionáveis ou com uma moral muito rígida. Se consideram-se enquadrados nesta categoria, esqueçam o visionamento da película, pois ela só vos revoltará e provavelmente não conseguirão ver até ao fim. Só a título de exemplo, o actor principal Choi Min-sik, numa cena come um polvo vivo. O animal em questão tem "apenas" o tamanho de um pequeno gato! Acreditem que isto nem é nada comparado com outras imagens e com o próprio enredo. "Oldboy" faz do terrorismo psicológico e do choque uma verdadeira arte!

A fluidez da película é muito boa. O espectador consegue sentir a agonia da solidão, e todo um manancial de diferentes sensações, assim como a raiva expedida por "Dae-su", de que serve como exemplo uma cena em que aquele "arruma" literalmente com uma dúzia de homens directamente responsáveis pela sua tragédia. Não estamos a falar em cenas de artes marciais! A personagem principal violentamente bate e esmaga os seus oponentes com um martelo!

"Perdão..."

A paixão crescente e agonizante entre "Dae-su" e a jovem "Mi-do" constitui um dos muitos pontos fortes do filme e desemboca no momento mais chocante. E mais não digo...

Todos os actores interpretam os seus papéis com grande mérito, mas a de Choi Min-sik é verdadeiramente transcendente. Até hoje nunca vi um "acting" tão bem conseguido e capaz de envergonhar qualquer actor que tenha ganho um óscar. A maneira como "Dae-su" é corporizado com os seus medos, anseios, ódio latente e desespero existencial é digna dos mais elevados elogios e de praticamente nenhum reparo.

"Oldboy" constitui uma película revestida de uma qualidade inegável, que justamente viu o seu valor reconhecido em Cannes - edição de 2004, ao vencer o grande prémio do juri.

Posso-vos dizer que ao acabar de ver o filme, senti-me subitamente atordoado. Desliguei o leitor de dvd, fui para a varanda, acendi um cigarro e para com os meus botões pensei: "Fui atropelado por um comboio!!!"

"Já lixei a vida a toda a gente e agora vou-me!"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 10

Guarda roupa e adereços - 8

Banda-sonora - 7

Emotividade - 10

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 8,75