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terça-feira, janeiro 22, 2008

Gojoe/Gojo reisenki: Gojoe (2000)

Origem: Japão

Duração: 101 minutos

Realizador: Sogo Ishii

Com: Tadanobu Asano, Daisuke Ryu, Masatoshi Nagase, Masakatsu Funaki, Jun Kunimura, Urara Awata, Wui Sin Chong, Takato Hosoyamada, Ryo Kase, Naruki Matsukawa

"O monge Musashimo Benkei"

Estória

Japão, século XII, era Heian. Após uma longa guerra pelo poder, o clã Heike consegue derrotar os rivais Genji, mas os seus problemas não findaram. Numa ponte perto de Quioto, conhecida como Gojoe, vários soldados dos Heike são mortos continuamente por uma força que é tida como sobrenatural.

“Mushashimo Benkei” (Daisuke Ryu), anteriormente um temível guerreiro e agora um monge budista, tem uma visão que o incumbe de pôr termo a um demónio que representa um grande perigo para a paz no Japão. Ouvindo falar dos acontecimentos que se passam em Gojoe, decide que o mal a combater se encontra naquele local.

"Benkei depara-se com o principe Shanao na floresta"

Chegado a Gojoe, “Benkei” faz amizade com “Tetsukichi” (Masatoshi Nagase), um antigo armeiro que desistiu da profissão, preferindo agora recolher as armas dos guerreiros caídos em batalha. Posteriormente, o duo acaba por descobrir que o demónio de Gojoe é afinal humano, tratando-se do principe “Shanao” (Tadanobu Asano), o herdeiro do clã derrotado dos Genji e um fabuloso espadachim.

“Benkei” desafia “Shanao” para um confronto até à morte na ponte de Gojoe.


"Benkei luta com Shanao"

"Review"

Os mais atentos ao conteúdo deste espaço sabem muito bem que gosto bastante de um “chambara”. O mesmo poderia dizer por exemplo do “wuxia”. Isto não quer dizer que não existam outros tipos de filmes asiáticos que toquem o meu ser, e me façam sonhar. E o cinema oriental, graças a Deus é tão vasto e criativo, que nos possibilita um sem número de escolhas, muitas delas com sobeja qualidade. Contudo, no que toca à minha pessoa, não há nada que me anime mais (cinematograficamente falando) que um “swordplay” de elevado gabarito técnico e emocional.

“Gojoe” é baseado numa popular lenda japonesa, com algum fundamento histórico, no sentido de as personagens que a compõem terem realmente existido. A parte mitológica resume-se mais ou menos a isto: O brilhante general “Yoshitsune Minamoto” e o intrépido monge “Benkei” encontram-se para combater na ponte de “Gojoe”, à saída de Quioto. “Benkei” é derrotado, e impressionado com a superior técnica do seu jovem oponente, decide tornar-se seu discípulo e segui-lo fielmente. Impregnado de simbolismo, a estória visa elevar a coragem do jovem herói “Yoshitsune” que supera o seu mais forte adversário, ao mesmo tempo que ganha a sua estima e devoção.

“Gojoe” apesar de se ter baseado na lenda muito sumariamente supra exposta, reinventa completamente a estória, conforme podem se aperceber na sinopse. “Shanao” é uma eficaz máquina de matar (“Yoshitsune” foi o nome que posteriormente o principe “Shanao” adoptaria), que pensa apenas em obter vingança pela derrota do seu clã, sendo “Benkei” o único que o pode parar. Não avanço mais, sob pena de desvendar partes importantes do enredo, mas sempre se poderá afirmar que nenhum tipo de amizade os adversários irão nutrir um pelo outro, nem tão pouco “Benkei” irá se tornar discípulo de “Shanao”.

"O sangue jorra numa noite de lua cheia"

Embora se possa identificar a crueza, crueldade e algum “gore” nos combates desfilados no filme, aspectos tão característicos do género, sempre se poderá dizer que as lutas são um tanto ou quanto confusas e mesmo caóticas, o que muito ajuda os movimentos psicadélicos da câmara de Ishii. Não estamos perante o típico focar estático dos oponentes, em que através de momentos súbitos dos combatentes, tudo acaba em segundos. A banda-sonora pouco convencional, feita de ritmos “techno” e com alguns “riffs” de guitarra, em muito ajuda a aura hipnótica posta no digladiar. Embora seja de reconhecer algum mérito, e até anuir perante um ou outro momento excitante, tenho de confessar que este tipo de técnica não colheu muito o meu agrado.

A interpretação dos actores é demente, porque as personagens são dementes. Ishii quer fazer um “chambara” pouco convencional, logo os actores terão invariavelmente que se comportar como uma cambada de loucos. “Shanao” parece um demónio num corpo de um homem, que chega ao cúmulo de votar ódio ao budismo e acreditar em duas únicas divindades: o poder e a vingança; “Benkei”, pelo contrário, deixa para trás uma vida de crime e morte, para se tornar num homem santo. No entanto, vê-se forçado a conjurar o que de pior existe em si para pôr cobro à maldade de “Shanao”. O melhor que “Gojoe” possui são as boas interpretações do seu “cast”, composto por nomes sonantes do cinema japonês, tais como Tadanobu Asano, Daisuke Ryu ou Masatoshi Nagase.

“Gojoe” é sem dúvida um “chambara”, embora com características pouco convencionais e demasiado experimentalista. Isto faz com que a película não seja muito do meu agrado. Não sou obrigado a gostar de tudo o que represente inovação, essa é que é a verdade. Aviso, porém, que esta opinião menos favorável do filme é minoritária perante a crítica especializada, da qual eu não faço parte. Sou apenas um fã de cinema asiático, que gosta de partilhar um par de ideias com todos vós, sem excepção.

Por isso pesquisem, leiam os textos que empolam “Gojoe” como um dos produtos mais excitantes do cinema japonês pós-ano 2000, vejam o filme e critiquem-me à força toda posteriormente por ter "vistas curtas". Quanto a mim, prefiro deparar-me a título meramente exemplificativo, com um suave Yôji Yamada ou um épico Kurosawa. Estas modernices é que não…


"Benkei e Shanao preparam-se para o combate final"

Trailer, The Internet Movie database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7






domingo, fevereiro 25, 2007

A Espada do Samurai/The Hidden Blade/Kakushi ken oni no tsume (2004)

Origem: Japão

Duração: 132 minutos

Realizador: Yôji Yamada

Com: Masatoshi Nagase, Takako Matsu, Yukiyoshi Ozawa, Hidetaka Yoshioka, Min Tanaka, Tomoko Tabata, Ken Ogata, Nenji Kobayashi, Reiko Takashima, Chieko Baisho, Sachiko Mitsumoto

"O samurai Munezo Katagiri"

Estória

No Japão do Séc. XIX, dois samurais chamados "Munezo Katagiri" (Masatoshi Nagase) "Samon Shibada" (Hidetaka Yoshioka) despedem-se do seu grande amigo "Yaichiro Hazama", que está de partida para Edo, onde irá assumir uma posição importante no seu clã. Posteriormente, os dois companheiros dirigem-se para a casa de "Katagiri", tendo em vista acertar o casamento da irmã deste "Shino" (Tomoko Tabata) com "Shibada". Num almoço alegre, o enlace é acordado sobre os mais esperançosos auspícios.

Na casa de "Katagiri", vivem igualmente a mãe do samurai e a sua serva, uma rapariga chamada "Kie" (Takako Matsu), pertencente a uma casta inferior. "Kie" cresceu numa quinta, e vive com a família "Katagiri", tendo em vista aprender os afazeres domésticos, por forma a que possa arranjar um bom casamento e elevar um pouco a sua parca condição social.

"Kie"

Três anos depois muita coisa mudou. "Shibada"casou com "Shino", a mãe de "Katagiri" faleceu, e "Kie" casou com o herdeiro de uma abastada família de comerciantes. Um dia, "Katagiri" encontra "Kie", com um aspecto bastante diferente. Ela encontra-se muito mais magra e abatida, o que leva "Katagiri" a pensar, e com razão, que a rapariga anda a ser maltratada pela família do marido. Posteriormente chega ao conhecimento do samurai que "Kie" adoeceu gravemente, o que o faz enfurecer. Ele resgata-a do seu degredo social, leva-a de novo para a sua casa e trata do divórcio de "Kie". Esta recupera da sua maleita, e volta a ser a serva fiel de "Katagiri", providenciando por todo o bem estar da sua residência.

Não tarda muito que a felicidade do casal seja ameaçada por dois cruéis eventos.

O primeiro prende-se com os rumores emergentes que espalham o boato de "Kie" ser amante de "Katagiri", provocando um certo escândalo, atendendo a que a rapariga é de uma casta inferior à do samurai, facto imperdoável no clima social do Japão de então. Isto faz com que "Katagiri" seja obrigado a enviar "Kie" para a quinta dos pais, provocando um desgosto enorme a ambos.

O segundo acontecimento está relacionado com o amigo de "Katagiri" que partiu anos antes para Edo. Pelos vistos, "Hazama" envolveu-se numa conspiração ao mais alto nível, sendo preso e posteriormente evadindo-se, tomando como reféns um agricultor e a sua filha. O clã ordena a "Katagiri" que mate "Hazama", pois ambos foram alunos do lendário samurai "Kansai Toda" (Min Tanaka), sendo "Katagiri" considerado o único capaz de levar a missão a "bom porto".

Dividido pela amizade e pela honra, devastado pela possível perda do seu amor, "Katagiri" vê-se envolvido num enorme dilema interior que o leva a tomar as decisões mais importantes da sua vida.

"Nos bons tempos"

"Review"

"A Espada do Samurai" constitui o segundo episódio da aclamada trilogia do respeitado realizador japonês Yôji Yamada, sob a chancela da produtora Shochiku. O primeiro filme da "trilogia samurai" de Yamada, chamado "A Sombra do Samurai", resultou num grande sucesso, tendo ganho 12 "Japan Academy Film Awards" e inclusive obtido uma merecida nomeação para o óscar de melhor filme estrangeiro, na edição dos prédios da academia de Hollywood referente ao ano de 2004.

O que desde logo fascina nos filmes de Yamada é que, ao contrário do que os títulos das películas possam indicar, não estamos perante as normais longas-metragens de "chambara" ou "jidai geki", mas antes deparamo-nos com películas que têm uma componente dramática muito maior, em detrimento da acção violenta e realista dos combates. Yamada preocupou-se sobretudo em expôr as fragilidades emocionais dos míticos guerreiros, tentando humanizá-los ao máximo e situá-los na sociedade tremendamente feudal do Japão. Do ponto de vista estritamente histórico, as obras de Yamada são bem capazes de ser as que nos elucidam melhor acerca da vivência dos samurais.

A estória de "A Espada do Samurai" situa-se numa época de grande confrontação e celeuma entre o antigo modo de vida dos samurais, e a modernização do império nipónico, que no filme é abordada essencialmente nos seus aspectos militares. Porventura, o caro leitor estará a pensar neste momento que já viu este tema abordado em algum sítio. Tem toda a razão, pois o "blockbuster O Último Samurai" de Edward Zwick, com Tom Cruise e Ken Watanabe como principais protagonistas, assentava sobretudo nesta ideia de choque da cultura japonesa com a ocidental. Em "A Espada do Samurai", o mesmo tema é dissecado de uma maneira mais refinada, embora muito menos espectacular.

Não pensem igualmente que, tal como a tradução portuguesa indicia, o filme tem por pano de fundo alguma espada sagrada, perdida, invencível ou qualquer coisa deste género. Ele refere-se a uma técnica de esgrima denominada "lâmina escondida" (aqui a tradução inglesa foi manifestamente mais feliz), muito efectiva em combate e ensinada pelo mestre "Kansai Toda" a "Katagiri".

"Katagiri é obrigado a lutar até à morte com o seu amigo renegado Yaichiro Hazama"

Fiel ao escopo dos seus filmes de samurais, como já foi anteriormente aludido, Yamada dá o enfoque sobretudo à vida social de "Katagiri", às escolhas que forçosamente tem de fazer face à sua situação de samurai de baixa condição, sem contudo ser um "ronin", e por esse mesmo motivo ligado a um senhor a quem deve a mais estrita obediência. No entanto, os famosos guerreiros já não são o que eram, e muita corrupção e falta de sentido de honra grassa e mancha o outrora quase imaculado código dos samurais. Quando "Katagiri" se apercebe deste aspecto, coloca em dúvida as suas próprias convicções, e sem pôr em causa o seu sentido de dever e lealdade perante o clã, acaba por tomar a atitude mais certa perante a sua consciência pessoal: liberta-se da casta a que a sua família pertenceu durante gerações.

As comparações com o primeiro filme da série de Yamada são inevitáveis. Quem viu "A Sombra do Samurai", terá de concluir inevitavelmente que existe aqui uma repetição de vários aspectos do argumento. A relação entre "Katagiri" e "Kie" é bastante similar ao amor de "Seibei" e "Tomoe"; ambos os protagonistas dos filmes são samurais de baixa condição, com problemas financeiros; ambos recebem ordens para matar um rebelde e renomado espadachim, ocorrendo ambas as lutas num ambiente de certa forma claustrofóbico; e claro está, ambos põem em causa tudo o que acreditaram até então, sendo forçados a tomar decisões que cortam completamente com o seu passado.

Atendendo à grande similaridade entre ambos os filmes, "A Sombra do Samurai" terá de levar inevitavelmente alguma vantagem, nem que seja pelo facto de ter sido o primeiro a aparecer. Isto não quer dizer que "A Espada do Samurai" não tenha os seus méritos e alguma individualidade própria. Mas o problema é mesmo esse. É "alguma"!

Constitui um filme merecedor de atenção, mas para quem se queira iniciar na melancólica trilogia de Yamada, mais vale respeitar a cronologia, ou seja, "A Sombra do Samurai" deverá ser a primeira obra a visionar.


"O expressar dos sentimentos de Katagiri e Kie"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75