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sábado, dezembro 08, 2007

Votações do "My Asian Movies"

E pronto! Aqui segue a última apresentação dos actores que se encontram a votação aqui no blogue. Tendo em vista o acerto de contas, em vez de seguirem os habituais quatro intérpretes, desta vez serão seis. A partir de agora, as sugestões dos votantes já não serão consideradas, e estarão tão-só a votos as actrizes e actores que se encontram nos respectivos quadros. Relembro ainda que as "urnas" encerram às 23h. 59m., de dia 31 de Dezembro.


Koyuki

Informação


Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"


Yuma Ishigaki


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Azumi, a Assassina, Azumi 2: Amor ou Morte


Takashi Shimura


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Sete Samurais, O Trono de Sangue


Rene Liu


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Dupla Visão, Happy Birthday


Cha Tae-hyun


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": My Sassy Girl, Windstruck



Jacky Cheung


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ashes of Time, Anna Magdalena, Era Uma Vez na China, Swordsman




quarta-feira, agosto 15, 2007

O Trono de Sangue/Throne of Blood/Kumonosu-jô - 蜘蛛巣城 (1957)

Origem: Japão

Duração: 110 minutos

Realizador: Akira Kurosawa

Com: Toshirô Mifune, Isuzu Yamada, Takashi Shimura, Akira Kubo, Minoru Chiaki, Hiroshi Tachikawa, Takamaru Sasaki, Kokuten Kodo, Chieko Naniwa, Eiko Miyoshi

"Taketori Washizu"

"Estória"

“Taketori Washizu” (Toshirô Mifune) e “Miki Yoshiaki” (Minoru Chiaki) são dois valorosos comandantes de “Lord Tsuzuki” (Takamaru Sasaki), que se dirigem ao “castelo das teias”, a residência do seu senhor. A ânsia no reencontro com “Tsuzuki” é grande, pois os dois guerreiros encontram-se envoltos em glória, após terem derrotado um nobre rival daquele.

Ao atravessarem a “floresta das teias”, percurso obrigatório para chegar ao castelo com o mesmo nome, os dois amigos deparam-se com um estranho espírito que lhes faz uma premonição. “Tsuzuki” nomearia “Washizu” como o líder da guarnição norte e “Yoshiaki” como o comandante da primeira fortaleza. Posteriormente “Washizu” seria o líder do clã e o filho de “Yoshiaki” suceder-lhe-ia.

"Washizu com a sua mulher, a dama Asaji. O sangue dos traidores encontra-se na parede ao fundo "

Os samurais convencidos que sonharam seguem para o seu destino. No entanto, quando “Tsuzuki” procede às nomeações vaticinadas pela aparição fantástica, começam a dar crédito à profecia. A dama “Asaji” (Isuzu Yamada), mulher de “Washizu” convence-o a assassinar “Tsuzuki”, para que ambos tomem o poder.

“Washizu” cumpre a vontade da sua mulher e torna-se o líder do clã. Posteriormente o guerreiro começa a desconfiar de tudo e de todos, cometendo mais assassinatos, em ordem a manter o título nas suas mãos. Contudo o destino não deixará que os crimes de “Washizu” fiquem sem resposta.

"Washizu e Miki Yoshiaki perdidos no meio do nevoeiro"

"Review"

O grande mestre do cinema japonês Akira Kurosawa sempre teve uma grande admiração pelos grandes vultos de literatura universal, mormente os escritores russos, cuja predilecção pessoal ia para Dostoevsky. No entanto, as tragédias do mítico dramaturgo britânico William Shakespeare colheram imenso a sua simpatia. Não seria pois de admirar que Kurosawa se inspirasse nas obras de Shakespeare na feitura de alguns dos seus filmes, havendo a franca possibilidade do talento do realizador nipónico dar origem a mais um feito de registo na sétima arte. Foi isso que aconteceu neste caso. Shakespeare escreveu “Macbeth”, Kurosawa realizou “O Trono de Sangue”. O filme é eivado de uma muito boa qualidade, sendo considerado com alguma propriedade, uma das melhores longas-metragens do realizador.

Kurosawa segue de perto a peça de Shakespeare, mas tem o mérito de adaptar a história à realidade japonesa e ao clássico “chambara”. Por este mesmo motivo, viu-se obrigado a reformular o argumento de alguma forma, transformando, a título meramente exemplificativo, a Escócia do século XI de Macbeth, no Japão feudal do século XVI de “Washizu”.

“O Trono de Sangue” parte em desvantagem em relação a obras como “Os Sete Samurais” ou “The Hidden Fortress” no que concerne ao sentimento de aventura e diversão. No entanto, baterá estes filmes aos pontos no tocante à sua aura introspectiva, séria e fantasmagórica. “O Trono de Sangue” é verdadeiramente uma jornada negra, maléfica e de desespero humano, cheio de cenas e sons emblemáticos que pugnam pela escuridão.

Pessoalmente identifico-me mais com a primeira linha, encabeçada pelo glorioso “Os Sete Samurais” e porque não dizê-lo também “Ran, Os Senhores da Guerra”, esta última a minha obra preferida de Kurosawa. Não obstante este facto, “O Trono de Sangue” consubstancia-se num marco cinematográfico que o espectador mais atento não poderá ficar impassível, estando impregnado de várias influências do teatro tradicional japonês imbuído pelo drama “Noh”.

"A ruína de Washizu perante os seus samurais"

Mais uma vez, e nunca é demais dizê-lo, Kurosawa dirige uma obra com uma mestria fora do comum. Pormenores como “Lady Asaji” a ir buscar o saké com os soporíferos para adormecer os guardas de “Tsuzuki”, em que a nobre investida nas suas vestes brancas desaparece no negrume da sala, para depois reaparecer de repente com a face decidida; o crocitar dos corvos a adivinhar a morte; mas acima de tudo a célebre cena final em que “Washizu” é trespassado pelas setas dos seus próprios homens, constituem momentos verdadeiramente memoráveis da sétima arte.

A cena da morte de “Washizu” merece mais umas parcas linhas. Muitas das setas usadas eram verdadeiras, embora outras fossem falsificações de bambu. As flechas que batiam nas paredes eram reais, e não houve absolutamente nenhum efeito especial que entrasse na cena em questão. Foram isso sim usados arqueiros treinados, que disparavam para onde Mifune indicasse com os braços, no meio do seu torpor maníaco. Kurosawa pretendia que Mifune expressasse um medo genuíno (que não duvidamos que tivesse sentido), reflectido nas expressões faciais. O resultado foi de facto estrondoso.

Mifune, esse senhor do cinema nipónico e mundial, prova por que razão para muitos e para mim também, é considerado o melhor actor japonês de todos os tempos. Memorável a sua representação nesta película. Contam-se pelos dedos aqueles que como Mifune conseguem ser insanos, sanos, agressivos, doces, fortes, fracos, seguros e inseguros no mesmo filme. A sua representação em “O Trono de Sangue” é digna de figurar como um dos mais portentosos actos de representação na história do cinema. Mas verdade se diga, ninguém conseguia dirigir Mifune como Kurosawa. A prova deste aspecto reside no facto de o actor nunca ter igualado noutros filmes, as suas actuações nos “chambaras” únicos do realizador japonês.

“O Trono de Sangue” constitui uma proposta inolvidável e inultrapassável para qualquer amante da sétima arte. Explora competentemente a natureza humana, particularizando os seus anseios, medos e limites. Só não leva uma nota melhor, pois o administrador deste blogue gosta de um bocadinho mais de acção, quando se trata de um "jidaigeki".

Obrigatório!

"Dilacerado pelas setas"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotiviade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38

Esta crítica encontra-se igualmente disponível em ClubOtaku





terça-feira, janeiro 30, 2007

Os Sete Samurais/Seven Samurai/Sichinin no samurai (1954)

Origem: Japão

Duração: 202 minutos

Realizador: Akira Kurosawa

Com: Takashi Shimura, Toshiro Mifune, Yoshio Inaba, Seiji Miyaguchi, Minoru Chiaki, Daisuke Kato, Isao Kimura, Keiko Tsushima, Kamatari Fujiwara, Yoshio Kosugi, Bokuzen Hidari, Yoshio Tsuchiya, Kokuten Kodo

"Os Sete Samurais, da esquerda para a direita: Gorobei, Kikuchiyo, Sichiroji, Katsushiro (sentado), Heihachi, Kambei, Kyuzo. Juntos constituem o cerne da força defensora da aldeia."

Estória

O Japão feudal do Séc. XVI vive uma época conturbada, encontrando-se afogado numa guerra civil. Tal propicia a que a criminalidade reine e os mais fracos sejam os alvos preferenciais dos delitos e da desordem reinante.

Uma aldeia de agricultores sofre constantes ataques de um grupo organizado de bandidos, que visam levar o produto das colheitas, deixando os aldeões em situação difícil de subsistência.

Fartos de sofrer, os habitantes da aldeia enviam alguns dos seus, tendo em vista a contratação de samurais que se prontifiquem a lutar com os bandidos. A tarefa não se afigura fácil, pois o único meio de pagamento que os agricultores possuem é oferecer 3 refeições diárias de arroz àqueles que aceitarem o trabalho.

Após algumas peripécias, a delegação consegue com que "Kambei", um experimentado samurai, aceite o trabalho. Gradualmente, "Kambei" com a ajuda do seu amigo "Gorobei", consegue recrutar mais samurais para os ajudarem na demanda tais como o bem disposto "Heihachi", o forte e destemido "Sichiroji", o exímio e frio espadachim "Kyuzo" e o jovem e inexperiente "Katsushiro".

"A aldeã Shino, o amor de Katsushiro"

O grupo é completado com "Kikuchiyo", um guerreiro vagabundo e traumatizado, com perturbações de humor que roçam várias vezes a comicidade.

Os agricultores conduzem o grupo à sua aldeia. Os guerreiros não perdem tempo em preparar a batalha, fortificando a povoação e treinando, tanto fisicamente como mentalmente, os seus habitantes na arte da guerra.

O dia do ansiado e inesquecível confronto chega, e nem todos sobreviverão para no dia seguinte contarem a estória.

"Kambei (Takashi Shimura), o líder dos intrépidos samurais"

"Review"

"Os Sete Samurais" constitui muito provavelmente a obra cinematográfica asiática mais badalada e reconhecida em todo o mundo do cinema, sendo igualmente para muitos o grande triunfo da lenda Akira Kurosawa. Atendendo a profícua obra do realizador, esta afirmação é extremamente arriscada de fazer. No entanto, terá de se convir que o filme que ora se tentará dissertar, é um candidato fortíssimo.

A importância de "Os Sete Samurais" é um factor inegável e facilmente constatável. Serviu de inspiração ao "western" de John Sturges intitulado "Os Sete Magníficos", que praticamente copiou a estória, alterando apenas a localização dos eventos, com todas as decorrências naturais daí inerentes tais como substituir os samurais por "cowboys", etc.

Sendo um filme extremamente longo, com cerca de quase três horas e meia de duração, poder-se-ia pensar que a certa altura o filme se tornaria monótono e repetitivo, fazendo com que o interesse fosse progressivamente se esvanecendo. Nada disto acontece. Apesar de "Os Sete Samurais" não ser um filme que apresente muitas lutas sangrentas protagonizada pelos afamados guerreiros japoneses, mantém um encadeamento muito agradável de seguir, em que muito contribui a personagem interpretada pelo mítico Toshiro Mifune, o instável "Kikuchiyo".

As interpretações dos actores são verdadeiramente fenomenais, revelando uma actuação superior em todos os aspectos e do mais elevado quilate. Mesmo assim, não é bastante difícil afirmar que Toshiro Mifune é quem deslumbra mais. O irreverente "Kikuchiyo" (cumpre dizer que "Kikuchiyo" não é o verdadeiro nome da personagem a que Mifune dá corpo, sendo apenas uma falsa identificação que é usada. Houve quem já propusesse que seria o célebra samurai "Sanjuro", mas esta ideia não parece ter muita sustentação.) é quem verdadeiramente nos conquista, e dá aquele toque humorístico e insano, que inevitavelmente todos apreciam. Isto não quer dizer que as actuações dos restantes intervenientes sejam inferiores, pois a ser proferida tal afirmação, ela revelaria um pouco de desonestidade intelectual. Simplesmente, o que se pretende aqui expor é que Mifune, para além de nos dar a ver um belo "acting", foi extremamente bafejado com o enredo. E ainda bem, pois a personagem adequa-se perfeitamente à sua pessoa.

"A fúria de Kikuchiyo (Toshiro Mifune)"

Outro dos pontos fortes consiste no bem estruturado argumento, consubstanciado no evoluir da própria trama. A ambiguidade moral encontra-se bastante presente, reflectindo-se no facto dos "bons" não serem por vezes assim tão angélicos e acima de qualquer suspeita ética. Veja-se o exemplo dos aldeões. Anseiam por quem os defenda, mas quando os samurais chegam à povoação nem se dignam a recebe-los condignamente. Os homens tentam esconder as mulheres dos samurais, com medo que estes as seduzam. Pagam com três refeições de arroz por dia, quando possuem alguma carne e "saké" escondidos. Os bandidos, por sua vez, apesar de aparentarem ser sempre a pior escumalha que existe à face da terra, não nos podemos esquecer que porventura a sua situação é criada pela extrema e difícil condição que o reino nipónico vive, com a fome e a miséria a grassar. Escolhem o caminho mais fácil, que passa por atacar quem não se pode defender, em ordem a conseguirem suprir as suas necessidades mundanas. Será que isto hoje em dia não acontece? De quem é a culpa afinal?

Há que ressaltar igualmente o carácter humano da película, arte que Kurosawa é um verdadeiro e exímio executante. Os samurais, embora sejam vistos como "os salvadores da pátria", revelam igualmente as suas fragilidades emocionais e o seu lado mais humano no relacionamento com a comunidade que se propuseram a defender. Neste aspecto, terei que referir novamente "Kikuchiyo", pois no fundo ele é que funciona como o elo de ligação e até de união entre os aldeões e os samurais. É ele que "quebra o gelo" e aproxima ambos os estratos sociais. A sua insensatez, aliada ao grande discernimento de "Kambei", fazem com que o equilíbrio permaneça. No fim, o resultado é uma união e comunhão de esforços, em que os samurais acabam por estar a defender uma ideia que sentem verdadeiramente como sua. Não estamos a falar de honra, aspecto tão querido dos guerreiros. Muito menos estamos a pensar em ambição. Refiro-me a fazer o que é certo, apenas por achar que é certo!

Ao tempo em que ocorria a batalha entre os aldeões e os bandidos, quantos conflitos da mesma estirpe não ocorreriam no Japão e no mundo inteiro? Como já foi aludido, o próprio império do sol nascente encontra-se imerso numa sangrenta guerra civil, onde ocorriam encontros bélicos com milhares de intervenientes de ambos os lados. Qual então a importância de uma "guerrazita" de região, em que temos 40 bandidos de um lado, e sete samurais acompanhados de um grupo mísero de aldeões do outro? É o verdadeiro sentido da vida humana que interessa, variável de homem para homem e de mulher para mulher! A real beleza de "Os Sete Samurais" passa acima de tudo por transformar uma estória relativamente simples, num verdadeiro épico humano!

Quem não viu este filme, possui um grande vazio cinematográfico na sua vida...

"O ataque dos bandidos"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 10

Argumento - 10

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 9