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quarta-feira, junho 24, 2009

Ashes of Time Redux (2008)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: Wong Kar Wai

Com: Brigitte Lin, Leslie Cheung, Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Jacky Cheung, Tony Leung Ka Fai, Li Bai, Carina Lau, Charlie Yeung

"Ouyang Feng e Hung Chi"

Introdução

Como deve ser do conhecimento de muitos que visitam este espaço, “Ashes of Time Redux” não difere muito do original “Ashes of Time”, tratando-se de uma versão melhorada em termos de imagem e outros aspectos relacionados com a produção. É certo que existem alguma subtracções e adições feitas por “Redux”, que darei conta abaixo. Mesmo assim, embora algumas sejam importantes, decidi não elaborar um texto feito à imagem do normal no “My Asian Movies”. Sendo assim, a sinopse infra é a mesma que consta no artigo que elaborei acerca de “Ashes of Time” há três anos atrás. Na “review”, abordarei sobretudo e de uma forma sumária, as diferenças entre ambas as versões, tentando emitir a minha opinião pessoal. Optei igualmente desta vez, por não atribuir a costumeira pontuação, pois entendo que, também neste particular, não deveria fazer uma autonomização das duas obras, sob pena de desvirtuar o pensamento de Wong Kar Wai. A crítica original encontra-se AQUI.

"Huang Yaoshi Aka Evil East"

Sinopse

"Ouyang Feng" (Leslie Cheung), também conhecido sob a alcunha de "Malicious West", é um proprietário de uma taberna situada no meio do deserto. Trata-se de um homem morto emocionalmente, devido ao casamento do seu irmão mais velho com a mulher que ama (Maggie Cheung). Vive do seu negócio e da contratação de espadachins necessitados de dinheiro, tendo em vista a perpetração de assassinatos por encomenda. Estranhas pessoas chegam à taberna, cada qual com a sua história que normalmente converge para a tragédia pessoal. Podemos acompanhar "Huang Yaoshi" (Tony Leung Ka Fai), cujo nome de batalha é "Evil East", um dotado homem da espada, cuja atitude cavalheiresca perante o mundo, a vida e o amor, deixaram-lhe um rasto de remorso e recriminação.

“Murong Yang” (Brigitte Lin), por seu lado, é um jovem em busca de vingança sobre “Evil East”, por este ter abandonado a sua irmã “Murong Yin”. Esta, por sua vez, deseja a morte do irmão, por este andar a tentar matar a sua paixão “Evil East”. “Yin” e “Yang” acabam por revelar serem a mesma pessoa, completamente destroçada pela rejeição de “Evil East” e incapaz de encontrar um caminho para a paz interior. Problemas trágicos são demonstrados por outros elementos da história, desde o espadachim cego (Tony Leung Chiu Wai) que é contratado para liquidar um bando de salteadores e cujo último desejo antes de falecer e ver o desabrochar das flores de cerejeira (em sentido figurado, pois tal serve para designar a esposa) na sua terra-natal, passando pelo assassino de bom coração “Hung Chi” (Jacky Cheung) que não gosta de usar sandálias, acabando na jovem e pobre rapariga camponesa (Charlie Yeung) que tenta comprar vingança com um cesto de ovos e uma mula.


"O espadachim cego"

"Review"

Precisamente 14 anos depois, o mestre Wong Kar Wai decidia dar um novo corpo ao seu único registo do “Wuxia”, e pessoalmente o meu filme predilecto do valioso espólio cinematográfico do realizador. Desde já se aplaude esta revisita, pelo restauro com a qualidade que esta magnífica obra merece. Como já tinha aludido no meu texto de 2006, e passo a citar “é francamente uma enorme injustiça não existir no mercado uma edição em DVD decente à disposição do público. As existentes são de má qualidade, e tornam-se um verdadeiro crime quando estamos perante uma obra desta envergadura.” Com “Ashes of Time Redux”, o problema fica resolvido, pois com a ajuda do insuspeito Christopher Doyle temos agora à disposição uma edição em condições de ser visionada e admirada. Contudo, existem outros aspectos igualmente importantes, que julgo não terem tomado a direcção correcta.

A principal crítica dirige-se aos cortes que o filme levou, dos quais eu nunca vou perdoar a remoção do grito de sofrimento dado por Brigitte Lin na famosa cena do lago, acompanhado pela música emblemática que associávamos sempre a “Ashes of Time”. Aliás, esta melodia, tal como a conhecíamos, foi removida de vez em “Redux”, notando-se contudo alguma da sua influência nos novos arranjos musicais. Existem outras retiradas e adições, tais como as duas primeiras cenas de luta, pelo que a primeira vez que nos deparamos com os salteadores é o único combate em que está envolvido “Ouyang Feng”, a personagem interpretada por Leslie Cheung. Aproveitando para me referir às cenas mais movimentadas, em “Redux” as lutas são mais perceptíveis, embora neste particular continue a imperar alguma confusão desenfreada. É definitivamente o grande calcanhar de aquiles desta película, como também já tinha aludido no meu anterior texto.


"Ouyang Feng e Murong Yang"

Uma adição que se saúda é o “flashback” relativo à noite do casamento da apaixonada de “Feng”, corporizada em Maggie Cheung, que é mais completa e envolvente do que na versão original. Outra inovação de assinalar, passa pelo derradeiro combate do espadachim cego, interpretado por Tony Leung Chiu Wai, em que Kar Wai opta ora por cortar o som, ou distorcê-lo, assim como tornar a cena mais escura de forma a simbolizar a perda de visão do protagonista. O efeito, sem margem para qualquer dúvida, embrenha mais o espectador na tragédia pessoal da personagem. O sangue carmim, bastante vívido, a jorrar da garganta do espadachim faz o resto. A propositada saturação de cores que predomina em “Redux”, faz com que o filme seja mais estilizado e bonito à vista, aspecto que era extremamente prejudicado pela pobreza de tratamento da versão original. Outro aspecto que é de relevar, passa pelo facto de a grande senhora do cinema asiático, Brigitte Lin, poder debitar agora o seu próprio diálogo em mandarim. Na primeira versão, as falas da actriz eram dobradas para cantonês, havendo alguma detestável dessincronização entre os movimentos da boca e o som. Aqui, felizmente, isto já não se passa.

Sem desprezar os bons predicados que o novo tratamento a “Ashes of Time” mereceu, julgo que o melhor teria sido fazer uma simples, mas efectiva recuperação a esta pérola da sétima arte. “Redux” parece ter sido uma película feita mais para os fãs de Kar Wai, pós - “In The Mood for Love/2046”, desligando-se por vezes do espírito original da obra. Por mim, tudo se mantinha, apenas a imagem e o registo do som eram melhorados. As adições seriam bem-vindas, mas apenas para complementar o que já de bom existia. Quanto à banda-sonora, deixava-a precisamente como estava na versão original, principalmente devido à “tal” música inesquecível, e se possível tentava introduzir de uma forma lógica, o fabuloso violoncelo de Yo Yo Ma que perdura maravilhosamente em “Redux”. Façam pois o favor de confrontar as duas versões, e depois cada um diga de sua justiça! Acima de tudo o que interessa, é que o cerne da questão continua presente: o efeito das tristes memórias passadas na nossa vida presente, e a agonia que as alimenta e as cicatriza no íntimo do nosso ser...

Confiram, nem que seja para observarem o grande e malogrado Leslie Cheung, num dos papéis mais brilhantes da sua carreira!



"Luta no rio"

The Internet Movie Database (IMDb) link - Refere-se à versão originária de "Ashes of Time"

Trailer

Outras críticas em português:

domingo, março 01, 2009

Bullet in the Head/Die xue jie tou - 流血街角 (1990)

Origem: Hong Kong

Duração: 13o minutos

Realizador: John Woo

Com: Tony Leung Chiu Wai, Jacky Cheung, Waise Lee, Simon Yam, Fennie Yuen, Yolinda Yam, Lam Chung, Chang Gan Wing, Leung Biu Ching, John Woo

"Stand off entre os 3 amigos"

Sinopse

No ano de 1967, “Ben” (Tony Leung Chiu Wai), “Frank” (Jacky Cheung) e “Paul” (Waise Lee) são três jovens amigos, que vivem da delinquência nas ruas de Hong Kong. No dia em que “Ben” decide casar-se com “Jane” (Fennie Yuen), “Frank” e “Paul” decidem pedir um empréstimo, de forma a pagar o enlace daquele a quem consideram um irmão. Contudo, “Frank” é atacado por um gangue rival e, embora consiga salvar o dinheiro, fica ferido com alguma gravidade. Despeitado com a agressão ao amigo, “Ben” não se deixa ficar e assassina o responsável na própria noite do seu casamento.

"Ben"

Devido ao crime que cometeu e à perseguição que a polícia lhe move, “Ben” e os seus dois amigos são forçados a partir para Saigão, a capital de um Vietname do Sul em guerra com o seu vizinho do norte. O azar não acaba por aqui, pois umas mercadorias ilegais que transportavam para “Leong” (Lam Ching) perdem-se devido a um ataque “vietcong”. Felizmente, os amigos recebem uma preciosa ajuda do mercenário eurasiático “Luke” (Simon Yam) que resolve o imbróglio que os amigos se meteram. No entanto, e devido a uma tentativa de salvar “Sally” (Yolinda Yan), uma cantora de Honk Kong que se encontra nas mãos do mafioso “Leong”, um evento terrível sucede que irá pôr definitivamente em causa a amizade entre os três amigos e fará com que uma viagem pelos caminhos da vingança se inicie.

"Frank"

"Review"

Para muitos, considerada a grande obra-prima de John Woo, “Bullet in the Head” é um filme de certa forma diferente dos outros “gun fu” do realizador, possuindo uma aura mais negra e pessimista. Nesta fase importante da carreira de Woo, e pessoalmente a que entendo mais feliz, os seus “heroic bloodshed” seguiam uma premissa básica, mas extremamente atractiva para o espectador. Os heróis, normalmente polícias ou criminosos, são alvo de terríveis provações que os fazem embarcar numa cruzada para a vingança onde as sofisticadas armas de fogo ditam a lei. Existem valores sobejamente aprofundados nos argumentos, tais como a amizade e a honra, e são estas características que na hora da verdade, fazem a diferença para os protagonistas da trama, mesmo que a mesma redunde em tragédia. No fim, de uma forma ou de outra, os ícones de Woo acabam sempre por dar a volta por cima e vencer o inferno que atravessam.

“With a gun in the hand, this world is ours”. Esta é uma das frases emblemáticas que a personagem “Paul”, interpretada por Waise Lee, profere em determinada fase da película e tão típica das obras de Woo. Tal afirmação sintetiza às mil maravilhas o espírito que cerceia este extraordinário período da carreira do realizador de Hong Kong. Contudo, “Bullet in the Head” não é uma longa-metragem que se possa afirmar completamente tributária de obras como “The Killer”, A Better Tomorrow” ou “Hard Boiled”, e cujo espírito se reconduzia inteiramente ao que acima afirmei. A obra que ora se analisa não permite qualquer veleidade no sentido da típica redenção. As personagens avançam na trama, transmitindo quase sempre a sensação que caminham numa estrada sem retorno. Não vale a pena termos a esperança que a amizade ou o heroísmo vão salvar o dia, pois tal inevitavelmente não acontecerá. A ambiência negra é despoletada pelos piores sentimentos que existem dentro de nós, e que mediante certas circunstâncias, no caso vertente a ambição, são despoletadas. Tendo em conta esta premissa, “Bullet in the Head” tem um impacto psicológico e uma profundidade superior à maior parte do espólio cinematográfico de Woo. Não existe nenhum tipo de desiderato heróico ou romântico, em que pessoas unem-se num objectivo comum para pôr cobro a qualquer injustiça. Está claro, isso sim, que a mensagem principal desta película é que quando tudo tem de correr mal, vai desembocar em tragédia pela certa! A ânsia pelo poder corrompe, mesmo entre amigos que são como irmãos, e já não existe lugar para qualquer tipo de generosidade Estamos pois, perante uma longa-metragem impregnada de um pessimismo latente e atroz. E por incrível que pareça, a beleza de “Bullet in the Head” e um dos seus pontos fortes, passam por estas ideias.

"Frank, um estranho Hamlet"

Outro motivo de bastante interesse, presente em “Bullet in the Head” passa pelos aspectos laterais relacionados com a época e as regiões onde a trama decorre. No sentido de elevar os seus filmes para uma outra dimensão, Woo aposta um pouco em factos históricos importantes. A acção em Hong Kong decorre na época em que existiram os famosos motins pro-comunistas e anti-colonialismo britânico, inspirados na revolução cultural chinesa. Tal desembocou em greves massivas e conflitos que decorreram nas ruas, cujas partes litigantes foram essencialmente o proletariado e a polícia daquela região. Por sua vez, na parte do filme que decorre em Saigão (actual cidade de Ho Chi Minh), inevitavelmente a guerra do Vietname terá de marcar uma presença acentuada. Embora tal não seja alvo de um tratamento dito espectacular, até por que os meios não permitiam que Woo pudesse equiparar a película a uma produção de Hollywood, sempre temos a oportunidade de observar o espectro social e violento que degeneraram tanto na cidade, como nas recônditas selvas. Basta dizer que uma parte do enredo decorre num campo de prisioneiros, onde os amigos partilham as suas agruras com os “Pow's” norte-americanos e do exército regular sul-vietnamita.

As actuações dos actores revelam estar a um nível bastante acima da média, e Jacky Cheung em particular, oferece-nos uma interpretação assombrosa e espectacular. Fabuloso o excesso emocional que o actor desfila ao longo do filme, e que se destaca principalmente depois do infelicíssimo evento que norteará a sua vida até à destruição final. De todos os filmes que tive a oportunidade de observar Jacky Cheung a trabalhar, este é provavelmente aquele em que o famoso intérprete de Hong Kong explana o seu melhor papel de sempre! Quase que não existem palavras para descrever a força sentimental e alucinada que Cheung exibe no campo de concentração do exército do Vietname do Norte, ou após o seu infortúnio deambulando pelas ruas de Saigão.

Projectado no início como uma prequela de a “A Better Tomorrow”, as conhecidas desavenças entre John Woo e Tsui Hark haveriam de fazer com que “A Bullet in the Head” nascesse isolado da saga mencionada, e sem relação com aquela. Tsui Hark, por sua vez, um ano antes viria a realizar “A Better Tomorrow: Love & Death in Saigon”, tendo por pano de fundo a tomada de Saigão por parte do exército norte-vietnamita. Salvo o devido respeito, Woo viria a sair-se melhor. É certo que “Bullet in the Head” está longe de gerar consensos, dividindo bastante as opiniões. Como anteriormente mencionei, existe quem considere este filme o melhor momento do realizador em toda a sua profícua carreira. Outros deitam abaixo completamente esta ideia, pugnando pela obra mediana, distante de outras mais emblemáticas do realizador. Quanto a mim não reputaria "Bullet in the Head" como a longa-metragem mais significativa de John Woo, (para mim, essa ainda é “The Killer”) mas que anda lá perto disso não tenho dúvida praticamente alguma!

Absolutamente a não perder!!!

"Ataque norte-vietnamita a uma caravana americana"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25





quinta-feira, novembro 20, 2008

As Tears Go By/Wong gok ka moon - 旺角卡 (1988)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Wong Kar Wai

Com: Andy Lau, Maggie Cheung, Jacky Cheung, Alex Man, Ronald Wong, William Chang, Kau Lam

"Wah"

Sinopse

“Wah” (Andy Lau) é um “gangster” de Hong Kong, cuja vida já correu melhor. A sua namorada fez um aborto sem ele saber, conduzindo desta forma ao fim de uma relação de seis anos. Acresce o facto do seu extemporâneo amigo “Fly” (Jacky Cheung) estar sempre a arranjar problemas, tendo “Wah” invariavelmente que resgatá-lo dos sarilhos em que se mete.

A vida de “Wah” sofre um abalo positivo quando “Ngor” (Maggie Cheung), uma prima que desconhece proveniente da ilha de Lantau, necessita de passar uns dias em Hong Kong, de forma a consultar um médico devido a uma doença pneumológica. Um romance desencadeia-se entre os dois e após “Ngor” retornar a Lantau, “Wah” decide perseguir a sua paixão e deixar os seus dias de criminoso para trás.

"Ngor"

Contudo, “Fly” farto de ser um “zé-ninguém” dentro da tríade, desencadeia um perigoso conflito com “Tony” (Alex Man) para além de aceitar um perigoso trabalho que parece estar votado ao fracasso. “Wah”, em nome da grande amizade que nutre por “Fly”, não tem escolha senão retornar a Kowloon e tentar salvar o jovem irreflectido. À partida de Lantau, “Wah” assegura a “Ngor” que retornará. No entanto, tal parece ser uma promessa difícil de cumprir.

"Fly"

"Review"

“As Tears Go By” foi a película de estreia do conhecedíssimo realizador Wong Kar Wai, e passados 20 anos continua a ser o seu sucesso comercial com maior relevância em Hong Kong, segundo rezam as estatísticas. A razão talvez passe por ser a longa-metragem mais acessível e menos esotérica do realizador, pelo menos das que eu tive a oportunidade de visionar. Como faltam pouquíssimos filmes (a nível das fitas de longa duração) deste autor para que eu possa deter um conhecimento quase total da sua obra, julgo que não andarei muito longe da verdade. Quase certo é que para a maior parte dos fãs de Wong Kar Wai é um filme primário, em nada se comparando com os trabalhos posteriores; para o apreciador não tão familiarizado com os trabalhos deste autor, “As Tears Go By” constituirá uma película apelativa que deslumbrará em vários momentos. Cabe-me a mim agora tomar uma posição por mais humilde ou superficial que seja.

Apesar de “As Tears Go By” ser marcado por vezes por alguma ingenuidade, são visíveis as marcas distintivas mais técnicas que iriam enformar o cinema de Kar Wai no futuro, e que muitos de nós conhecemos e apreciamos. É reconhecido que subjaz a esta obra alguns traços comuns do cinema de Hong Kong – versão anos 80, mormente na sua vertente de filme de tríade, a que está inerente a correlativa violência. Mas à semelhança de seis anos mais tarde, Kar Wai com “Ashes of Time”, ter dado corpo a um wuxia que se afastou bastante do protótipo do género, com “As Tears Go By”, as características do filme de acção acabam por ser algo secundarizadas perante a exploração de sentimentos e motivações pessoais dos intervenientes. Para além do mais, já se vislumbram os pormenores estéticos deliciosos, assim como uma preocupação com o detalhe e com a ambiência urbana. O realizador é um poeta estético, e aqui já nos é dado a a oferecer passagens emblemáticas a nível de imagem tal como aquela que nos é facultada no início do filme onde o bulício de Hong Kong e a sua forte carga de néon é explanada através do reflexo num conjunto de ecrãs de televisão. A mesma cena viria, sintomaticamente, a repetir-se num período posterior da película. A fotografia aqui ainda não estava a cargo do fantástico Christopher Doyle, companheiro de futuras andanças de Kar Wai. Neste prelúdio da sua carreira, o realizador socorrer-se-ia de outro colega de profissão, o conhecido Andrew Lau que muitos anos mais tarde seria co-autor de “Infiltrados”. Está lá também o costumeiro “slow motion” e o “slow pace”, que Kar Wai tanto celebra e que visa de algum modo potenciar melhor a sua mensagem e possibilitar a apreensão máxima do seu estilo visual, criativo e introspectivo.

"Beijo"

Sendo eu um fã de cinema algo permeável ao romance e ao tema da redenção falhada, com a subsequente exploração das suas diversas facetas, ver um filme de Kar Wai significará à partida um exercício significativo de prazer e reflexão. Em “As Tears Go By”, não haverá lugar para desilusões neste campo, nem que seja pelo facto de ser exposto um dos beijos mais românticos de sempre e que por esse mesmo motivo é capa de quase todas as edições e cartazes do filme. Os protagonistas são um dos duos emblemáticos da história do cinema asiático, os então jovens Andy Lau e Maggie Cheung, embora se reconheça que as futuras parelhas Leslie Cheung/Maggie Cheung, ou Tony Leung Chiu Wai/Maggie Cheung (sempre a Maggie!!!) tenham uma envolvência porventura superior. Retornando à estonteante cena, a mesma é acompanhada sonoramente por uma não tão boa (mas não sei porquê, assenta às mil maravilhas na sequência toda) versão de “cantopop” de “Take My Breath Away”, a música dos Berlin, que seria popularizada por “Top Gun” do realizador Tony Scott, onde despontaram Tom Cruise, Kelly McGillis e Val Kilmer. Sendo um filme de Kar Wai, mesmo que no início da carreira, possui um cunho sentimental bastante próprio, discreto do ponto de vista mais físico (com a excepção do afamado beijo e uma ou outra cena dispersa) mas nem por isso menos revelador da pujança apaixonada dos intervenientes. Somos perfeitamente capazes de sentir todo o manancial de emoções transmitidas pelo casal Lau/Cheung, que nos proporcionam momentos de actuação significativos e que demonstram a sua qualidade quase intrínseca como bons actores. O tempo daria razão à qualidade dos intérpretes, que quer se goste, quer se critique negativamente, anos mais tarde tornar-se-iam em dois “monstros” sagrados do panorama de Hong Kong, e porque não assumi-lo, internacional.

Sendo muitas vezes associado a “Mean Streets” (em Portugal recebeu o título de “Os Cavaleiros do Asfalto”), de Martin Scorsese, e apontado como uma inspiração primordial para esta obra de Wong Kar Wai, “As Tears Go By” é um filme que possui méritos inolvidáveis e, como referi acima, já demonstrava um pouco do que seria o cunho do realizador no futuro. É certo que em algumas alturas não consegue fugir a alguns “clichés” e estereótipos próprios do cinema de Hong Kong de então, não se podendo comparar na parte mais pro-activa às obras de John Woo. Não se nega igualmente que porventura estará longe de ser das longas-metragens mais bem executadas do realizador. Mas igualmente se costuma dizer que na “meninice” e no começo de uma vida, de uma história ou de uma carreira, é que se encontra a virtude e esta manifesta-se na inocência e nos primeiros passos, ainda que inseguros. “As Tears Go By” é a expressão inicial de amor pelo cinema manifestada por Wong Kar Wai, e como qualquer primeira paixão, existem sempre características únicas e marcas que ficam.É uma película para os menos exigentes e que cedem perante as primeiras impressões, mas igualmente para os apaixonados. E uma coisa é certa. Para além daquele beijo portentoso, que transpira fulgor e sentimento por todos os poros, é impossível esquecer a expressão de Andy Lau num epílogo convulsivo e lancinante. São estes pormenores que marcam qualquer cinéfilo que se preze como tal, ou simplesmente um amante da beleza.

A não perder!

"A vingança de Wah"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

  1. Contracampo

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 10

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13





quinta-feira, abril 17, 2008

Jiang Hu - Irmãos de Sangue/Jiang Hu - Blood Brothers/Gong Wu -
江湖 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 82 minutos

Realizador: Wong Ching Po

Com: Andy Lau, Jacky Cheung, Shawn Yue, Edison Chen, Chapman To, Jacqueline Wu, Eric Tsang, Norman Tsui, Miu Kiu Wai, Gordon Lam, Gia Lin, Lam Suet, Kara Hui, Xiao Hai, Ha Ping, Tony Ho, Iris Wong, Donna Chu

"Hung e Esquerdino"

Sinopse

Na noite em que a sua mulher (Jacqueline Wu) dá luz a um filho, “Hung” (Andy Lau), um chefe de uma poderosa tríade de Hong Kong, apercebe-se que a sua vida mudou. O seu melhor amigo e homem de confiança “Esquerdino” (Jacky Cheung), tenta convencer “Hung” a se exilar nas Filipinas com a família, e a entregar-lhe a liderança da organização.

“Esquerdino”, confiante que “Hung” acederá aos seus desejos, manda assassinar outros 3 líderes das tríades, de forma a que o seu reino seja total e indisputado. “Hung” descobre os objectivos de “Esquerdino”, e por sua vez tenta boicotar os planos de assalto ao poder daquele. Ao mesmo tempo, é dado a conhecer a “Hung” que nas próximas doze horas alguém tentará matá-lo. Como o homicídio foi encomendado a uma pessoa completamente desconhecida, “Hung” não tem outro remédio senão aguardar pelo assassino, em ordem a eliminá-lo.

"Yik e Yoyo"

Paralelamente e numa esfera muito mais modesta de criminalidade, dois jovens delinquentes chamados“Yik” (Shawn Yue) e “Turbo” (Edison Chen), tentam singrar no submundo de Hong Kong, sendo-lhes encomendado um assassinato de um poderoso chefe mafioso. A tarefa parece ser praticamente impossível, mas “Yik” está determinado a provar o seu valor e levar o trabalho até ao fim.

As ruas de Hong Kong estão em tumulto, e prontas a reclamar vítimas...

"Turbo em dificuldades"

"Review"

O merecido sucesso do fenomenal “Infiltrados” e das suas duas sequelas, deram um inspirante fôlego aos filmes de tríades “made in Hong Kong”. “Jiang Hu – Irmãos de Sangue”, é um dos filhos da prole de “Infiltrados”, dando-se inclusive ao verdadeiro luxo de repetir alguns dos actores que pontificaram naquela obra-prima do bom cinema. Falamos de Andy Lau, Eric Tsang, Shawn Yue, Edison Chen e Chapman To, grandes figuras da cena cinéfila daquelas paragens, em especial os dois primeiros. Junte-se o consagrado Jacky Cheung, que não contracenava com Andy Lau desde “As Tears Go By”, de Wong Kar Wai, e teremos um grupo extremamente forte, seguro e coeso, que prometia um filme de qualidade acima da média.

Mais vale ir directo ao assunto, e afirmar desde logo que algo não correu bem. Também convém ser sincero e assumir, sem qualquer tipo de rodeio, que a opinião aqui veiculada sobre “Irmãos de Sangue” é claramente minoritária. A grande maioria daqueles que na net se dedicam ao cinema asiático, pugnam pela elevação da obra.

A fórmula do jovem que quer ascender no mundo do crime organizado, ao mesmo tempo que um chefe consolidado enfrenta a sua decadência está gasta. Foi um uso e abuso de uma ideia de sucesso, que acabaria por redundar na sua inevitável saturação. Existem até filmes que gozam com este tipo de argumento, tais como “Jiang Hu – The Triad Zone”, com Tony Leung Ka Fai. “Irmãos de Sangue” acaba por bater na mesma tecla, embora de uma forma mais intimista. Eu não digo que a intenção não fosse boa, e até existem momentos do filme que prometem algo de distinto no sentido positivo. Prometem...nunca concretizam.

"Esquerdino enfrenta o perigo à chuva"

A duração da película, diga-se em abono da verdade, não ajuda muito. Uns míseros 82 minutos (regra geral, com várias excepções, gosto dos mais ou menos dos filmes com 120 minutos), não dão para grande coisa. Mas é preciso reconhecer que o tempo limitado, poderá muitas vezes ajudar a distinguir um bom realizador (e a sua equipa é claro), doutro mediano ou medíocre. A capacidade de separar o essencial do acessório, é uma virtude da vida em geral, e do cinema em particular. Tal não constitui segredo para ninguém, nem eu descobri a pólvora de certeza. No entanto, quando temos uma “longa-metragem” (será ?), em que muitos desses tais 82 minutos são feitos de “slow motion” e aposta na estética em geral, é quase certo que não restará bastante para contar. Claro que temos os diálogos mantidos entre “Hung” e “Esquerdino” durante um jantar a dois, que têm o condão de serem algo insípidos, retirando uma ou outra parte que nos desperta o interesse. Não existindo uma boa gestão do escasso tempo disponível, a necessária empatia que temos de criar com as personagens sai deveras prejudicada. A certa altura, estava a focar as minhas esperanças, qual bóia de salvação, no relacionamento entre “Yik” e a prostituta “Yoyo” (interpretada pela actriz Gia Lin). Existem cenas bem conseguidas entre ambos, e que apelam para o nosso sentimento (significativo aquele abraço numa rua deserta à noite). Contudo, tal prazer é fugaz, e entrámos outra vez no marasmo e no desinteressante.

É certo que existe alguma acção que é de relevar. Com certeza que a interpretação de Shawn Yue, no papel do assassino votado à tragédia, merece algum reconhecimento. À fotografia deverá, igualmente, ser votado algum destaque, sendo-nos apresentado uns planos nocturnos muito intensos e que marcam de alguma forma a nossa impressão do filme, embora seja uma agradável superficialidade. A luta de rua final prometia imenso, mas quando vejo duas pessoas a defenderem-se de um bando enorme de rufias, uma com um guarda-chuva, outra com um lenço daqueles de pôr à volta do pescoço, e mesmo assim arrumarem uma dúzia...para mim já é demais! Não estamos a falar de um “wuxia”, povoado de guerreiros com poderes sobre-humanos a desafiar as leis da gravidade. E não me venham com as tretas do simbolismo, pois verdadeiramente o que se pretendeu foi acentuar o dramatismo em série e irreal, já agora recorrendo a mais uns “slow motion”.

Salva-se acima de tudo e a título de consolação, o epílogo do filme. Confesso que fui apanhado de surpresa, ou porque andava distraído, ou então pelo facto de certos aspectos da película terem sido muito bem ocultados. Vou dar uma o benefício da dúvida a mim mesmo, e optar pela segunda hipótese. Neste aspecto, tenho de dar o braço a torcer, e admitir que somos encaminhados para uma determinada direcção, e no fim desembocamos num destino completamente diverso. Não estou a falar daqueles epílogos pseudo-intelectuais, que têm mais de idiotice do que propriamente material de qualidade para discutir. Estamos no campo do “Ah, isto até faz sentido!”.

“Jiang Hu” poderá ser livremente traduzido como submundo. Como este filme é apreciado por tantos e bons críticos de cinema asiático, faz com que um enigma existencialista nasça dentro do meu ser...e deixa-me na penumbra...

"A morte grassa nos passeios"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7





quarta-feira, dezembro 26, 2007

A Chinese Ghost Story II/Sien nui yau wan II yan gaan do - 倩女幽魂 II:人間道 (1990)

Origem: Hong Kong

Duração: 100 minutos

Realizador: Tony Ching Siu Tung

Com: Leslie Cheung, Joey Wong, Michelle Reis, Jacky Cheung, Wu Ma, Waise Lee, Lau Shun, Lau Siu Ming, Tin Kai Man, Ku Feng, To Siu Chun

"Ning outra vez em apuros com demónios"

Atenção!!!

Parte do enredo de “A Chinese Ghost Story” poderá ser revelado mais abaixo, pelo que só deverão prosseguir na leitura do presente texto, caso tenham visionado aquele filme.

"Ning entre as duas irmãs, Ching Fung (com o punhal) e Yut Chi"

Estória

Em “A Chinese Ghost Story”, “Ning Tsai Chen” (Leslie Cheung), ajudado pelo estranho monge taoista “Yen” (Wu Ma), salvou o seu amor “Nieh Hsiao Tsing” (Joey Wong), do espírito aterrador chamado “Old Dame”. Desta forma foram criadas as condições para que “Nieh” pudesse reencarnar, tendo em vista reunir-se a “Ning”, bastantes anos mais tarde.

Após estes eventos, “Ning” e o seu amigo “Yen” seguem por caminhos separados, prosseguindo “Ning” no seu ofício de cobrador de impostos, enquanto que o monge volta para o templo de “Lan Yeuk”. Devido a um infeliz caso de identidades trocadas, “Ning” é preso e passa meses numa cela com um ancião chamado “Chu” (Ku Feng). O velho apercebe-se que “Ning”, embora ingénuo, é uma boa pessoa com um coração e uma ética acima de qualquer reparo. Por esse motivo, resolve ajudá-lo a fugir na véspera da sua execução.

Foragido, “Ning” conhece “Jichan” (Jacky Cheung), um espadachim taoista que igualmente possui poderes mágicos. Os companheiros são atacados por um bando de guerreiros, comandados por “Ching Fung” (Joey Wong), que possui uma semelhança notável com “Nieh”, o fantasma que é o amor de “Ning”. O nosso herói é confundido com o ancião com quem partilhou a cela, um filósofo bastante respeitado. Devido a este facto, os guerreiros solicitam a “Ning” que os comande na tentativa de resgate do pai de “Fung”. Uma aventura fabulosa inicia-se, fazendo com que “Ning” mais uma vez enfrente alguns dos piores demónios existentes neste mundo e no outro!

"Ching Fung possuída perante o olhar de Ning e do guerreiro taoísta Jichan"

"Review"

A saga “A Chinese Ghost Story” constitui um dos ícones emblemáticos da cinematografia de Hong Kong, e é encarada como um dos grandes feitos de Tsui Hark, aqui envergando as vestes de produtor. Mas como quase sempre acontece aquando do surgimento de uma boa ideia, o seu uso excessivo sem grandes inovações, eventualmente faz com que a fórmula acabe por se gastar. Existem 3 filmes, todos com a realização de Tony Ching Siu Tung e produção de Tsui Hark, e o que desde logo se deve ter em conta é que a qualidade vai decrescendo de película para película. Em 1997, ainda viria a ser feito um filme de animação.

Partindo da ideia acima veiculada, a segunda longa-metragem que ora se analisa constitui uma obra inferior à sua predecessora, mas melhor do que aquela que viria a seguir. A razão para tal? Essencialmente duas. A primeira deve-se ao facto do impacto já não ser o mesmo do primeiro filme. A segunda reconduzir-se-á ao pouco uso do “comic relief” “Yen”, que só aparece basicamente na última meia-hora de filme.

"O oficial Tso em combate"

Os efeitos especiais são, à semelhança do que já acontecia na primeira película, um pouco atabalhoados. Mas também no texto referente àquela obra, já tinha sido explicado que estamos perante filmes que já foram feitos há cerca de 18-20 anos, para além do facto de sermos obrigados a reconhecer que a indústria cinematográfica de Hong Kong à altura, embora profícua, estava muito longe de poder competir a nível de recursos com o que então se fazia em Hollywood. Hoje em dia, as diferenças já se encontram muito mais esbatidas. Contudo, a menor destreza dos efeitos é compensada com a aura negra e fantasmagórica que carrega toda a película aos ombros e que constitui sem dúvida uma imagem de marca desta saga, que a meu ver, só viria a ser igualada em “The Bride With White Hair”. Cumpre ainda chamar a atenção para o facto de nas lutas, por vezes, ser visível os guindastes que suportam os actores. Este aspecto é claramente perceptível na primeira vez em que “Ning” se depara com o grupo de guerreiros comandado por “Ching Fung”. Ora tal aspecto não abona nada a favor do filme, e faz cair no ridículo cenas que até têm algo de belo. Um certo cuidado é necessário, meus senhores!

Quanto ao “cast”, as grandes novidades em relação ao primeiro filme passam pelo recrutamento de Jacky Cheung como o monge “sidekick” de “Ning”, de Michelle Reis como mais uma cara bonita para deliciar os olhos do público masculino, e de Waise Lee como o valente oficial do exército. Embora o elenco tenha ficado teoricamente mais forte em relação ao primeiro filme, na prática isso não se nota. Jacky Cheung bem tenta, mas não consegue proporcionar os bons momentos que o monge interpretado por Wu Ma nos oferece na longa-metragem anterior. Aliás, como já acima foi dito, o mesmo só decide aparecer mais para o epílogo da película e, aí sim, ficamos um tanto ou quanto satisfeitos. Michelle Reis nada faz de relevo, pelo que tirando os óbvios atributos físicos, nada de marcante há a relevar. Waise Lee será porventura a excepção, porquanto o seu desempenho como o oficial “Tso”, representa uma boa adição no que toca às cenas mais movimentadas. Quanto a Leslie Cheung e a Joey Wong, as super-estrelas do filme, não brilham tanto como anteriormente, embora desempenhem os seus papéis com o nível habitual, ou seja, bom. Esta asserção mesmo assim valerá mais para Leslie Cheung.

“A Chinese Ghost Story II” viria essencialmente a manter o que de bom já tinha sido feito anteriormente, embora como já se disse, esteja uns furos abaixo da película que inaugurou a saga. Um filme razoável, que valerá mais pelo interesse histórico, do que propriamente pelos aspectos mais cinematográficos. Terá ainda o “quid”, em especial para o público português, de ter vencido o prémio para melhores efeitos especiais no Fantasporto – edição de 1992, para além de ter sido nomeado para melhor filme no mesmo certame (o vencedor foi “Totó, o Herói”, do belga Jaco Van Dormael).


"O monge Yen faz mais uma vez uso dos seus vastos poderes mágicos"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38





sábado, dezembro 08, 2007

Votações do "My Asian Movies"

E pronto! Aqui segue a última apresentação dos actores que se encontram a votação aqui no blogue. Tendo em vista o acerto de contas, em vez de seguirem os habituais quatro intérpretes, desta vez serão seis. A partir de agora, as sugestões dos votantes já não serão consideradas, e estarão tão-só a votos as actrizes e actores que se encontram nos respectivos quadros. Relembro ainda que as "urnas" encerram às 23h. 59m., de dia 31 de Dezembro.


Koyuki

Informação


Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"


Yuma Ishigaki


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Azumi, a Assassina, Azumi 2: Amor ou Morte


Takashi Shimura


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Sete Samurais, O Trono de Sangue


Rene Liu


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Dupla Visão, Happy Birthday


Cha Tae-hyun


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": My Sassy Girl, Windstruck



Jacky Cheung


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ashes of Time, Anna Magdalena, Era Uma Vez na China, Swordsman




quinta-feira, outubro 18, 2007

Swordsman/Xiao ao jiang hu - 笑傲江湖 (1990)

Origem: Hong Kong

Duração: 115 minutos

Realizadores: King Hu, Ching Siu Tung, Ann Hui, Andrew Kam, Tsui Hark, Raymond Lee

Com: Sam Hui, Cecilia Yip, Jacky Cheung, Fennie Yuen, Sharla Cheung, Yuen Wah, Lam Ching Ying, Lau Siu Ming, Lau Shun, Wu Ma

"Ling Wu Chung"

Estória

No tempo da dinastia Ming, vive o espadachim “Ling Wu Chung” (Sam Hui), um homem um tanto ou quanto irresponsável, que só pensa em mulheres, diversão e música. “Ling “ é encarregue pelo seu mestre “Ngok” (Lau Siu Ming), numa missão que consiste em entregar uma mensagem a outro mestre de artes marciais aliado. Na demanda é acompanhado por “Kiddo” (Cecília Yip), uma rapariga que se veste como um homem e que tem fantasias com “Ling”.

Uma missão que tinha tudo para ser fácil, transforma-se numa verdadeira aventura, quando o duo se vê envolvido num fogo cruzado pela posse de um pergaminho, que quando apreendido o seu conteúdo, dará ao seu detentor poderes sobrenaturais, que o permitirão dominar o mundo das artes marciais.

"Kiddo e Ling, o duo inseparável"

No entanto, “Ling” e “Kiddo” não estão sozinhos face às adversidades encontradas, porquanto são ajudados pela organização “Sun Moon Sector”, chefiada por “Ying” (Sharla Cheung) e que tem em “Blue Phoenix” (Fennie Yuen) um dos seus melhores combatentes.

Numa série de volte faces, “Ling” aprende uma nova técnica do manejo da espada, e prepara-se para o confronto final com uma pessoa que ele pensava poder confiar, o seu próprio mestre!

"Ying e Blue Phoenix, as principais figuras do Sun Moon Sector"

"Review"

Quem escolhe o “wuxia” como um dos seus géneros de eleição, sabe perfeitamente que “Swordsman” é um filme muito importante para o segmento, nem que seja pelo facto de servir de prequela para “Swordsman II”, e integrar a famosa trilogia que definitivamente havia de marcar, quer se goste quer não, uma época. O epílogo haveria de ser com “The East Is Red”, uma película que nasceu essencialmente devido à grande popularidade que a personagem “Asia, the Invincible”, interpretada por Brigitte Lin, granjeou. Tanto “Swordsman II”, como “The East Is Red” já foram aqui abordados, pelos que escuso-me a tecer mais considerações. A opinião já foi dada, e até hoje mantém-se. Sendo assim, adiante que o caminho é para a frente, embora estando a falar de um “wuxia”, será inevitavelmente para todos os lados e mais alguns, com o auxílio de guindastes e trampolins!

Um dos aspectos que chamará desde logo ao leitor mais atento é o número de realizadores que consta na ficha do filme acima descrita. Nada menos do que seis! Outras opiniões são divergentes quanto ao número de realizadores. Contudo, é praticamente unânime que pelo menos quatro tiveram intervenção directa no filme. A celeuma essencialmente gira à volta da relevância do trabalho de Ann Hui e Andrew Kam. A razão para a prolífica quantidade de intervenientes na realização da película que ora se analisa deu azo a algumas especulações que se centraram essencialmente no tema tão querido dos críticos em geral e que se chama “divergências artísticas”. A explicação oficial traduziu-se no facto do lendário realizador da Shaw Brothers, King Hu, ter adoecido, e por essa mesma razão, ter sido necessário proceder à sua substituição. O certo é que o produtor Tsui Hark, o verdadeiro timoneiro do filme, “dividiu o mal pelas aldeias”, e para além da sua própria pessoa, ter chamado à batalha outros realizadores emblemáticos do género.

O mérito principal de “Swordsman” passará sobretudo por nos elucidar acerca de certos aspectos presentes em “Swordsman II” e que passam essencialmente pelo seguinte: i) o estilo peculiar e eficiente do manejo da espada praticado por “Ling”; ii) como este se tornou aliado do “Sun Moon Sector”; iii) a razão pela qual “Ling” e os seus companheiros decidem retirar-se do mundo das artes marciais; iv) as incidências relacionadas com o pergaminho sagrado, que mais tarde viria a ser a fonte de poder de “Ásia, the Invincible”.
E por último, e quanto a mim o mais importante, a origem do inesquecível hino da saga “Swordsman”, a melodia intitulada “Hero of the Heroes”.
O que no fundo quero dizer é que “Swordsman” constitui uma película que merecerá o visionamento pelos seus aspectos informativos e explicativos. Claro que é essencial ver os outros dois episódios da saga, em especial o segundo.

"Ling em sarilhos com saias"

Comparando o elenco deste filme, com o seu sucessor, a primeira ideia a reter é que apenas Fennie Yuen e Lau Shun transitaram para “Swordsman II”. O “cast” do segundo filme é, do meu singelo ponto de vista, incomparavelmente mais forte, ou não estivéssemos a falar da introdução das verdadeiras lendas Brigitte Lin e Jet Li. Esta diferença de executantes reflecte-se visivelmente na interpretação e na aura que rodeia ambos os filmes, ou seja, “Swordsman II” é uma película superior.
Em “Swordsman”, o protagonista é Sam Hui, uma estrela do “Cantopop”, cujos únicos aspectos verdadeiramente positivos que traz ao filme é uma exemplar interpretação da música “Hero of Heroes” e a simpatia inegável que consegue transmitir ao espectador. O resto, com todo o respeito, fica algo a desejar. Aliás, a escolha de Sam Hui para o papel de um herói num filme de “Wuxia”, foi bastante criticada à altura, porquanto o actor-cantor não possui conhecimentos no domínio das artes marciais. Embora até concorde com a crítica, será também justo dizer o seguinte: até parece que hoje em dia isso ainda não acontece ?

No resto, é o habitual. Muitos voos, a rapariga vestida de rapaz, os romances encapotados, o objecto que supostamente fará com que alguém se torne invencível, a comédia muitas vezes dispicienda e descartável, o costumeiro vilão que por acaso é um eunuco para não variar, blá, blá,blá, etc, etc, etc…

“Swordsman” é um filme com uma relevante importância histórica e alguns momentos bem conseguidos, constituindo um exemplo o hábil manejo de répteis venenosos em situações de luta. O resto é trivial, já foi visto bastantes vezes e muito mais não há a acrescentar.

"O combate final"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7







domingo, julho 29, 2007

Era Uma Vez na China/Once Upon a Time in China/Wong Fei Hung - 黃飛鴻 (1991)
Origem: Hong Kong
Duração: 126 minutos
Realizador: Tsui Hark
Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Yuen Biao, Kent Cheng, Jacky Cheung, Yen Shi Kwan, Lau Shun, Jimmy Wang, Yuen Cheung Yan, Wu Ma, Wong Chi Yeung, Yuen Gam Fai, Yau Gin Gwok, Yuen Sun Yi, Jonathan Isgar, Mark King, Steve Tartalia
"Wong Fei Hung"

Estória

A China vive numa fase em que a influência ocidental é cada vez maior, principalmente a adveniente dos E.U.A., da Inglaterra e da França. Neste aspecto a cidade de Foshan não é diferente do resto do país.

O general do exército do “Estandarte Negro” (Lau Shun) pede a “Wong Fei Hung” (Jet Li) que forme um corpo de milicianos, tendo em vista a protecção dos cidadãos da povoação. Auxiliado pelos seus discípulos “Porky Lang – Toucinho na versão portuguesa” (Kent Cheng) e “Bucktooth So – Favolas na versão portuguesa” (Jacky Cheung), “Wong” leva a cabo a tarefa, sendo bem sucedido no seu desiderato. Entretanto, o herói acaba por conhecer a prima “Yee” (Rosamund Kwan), uma chinesa ocidentalizada que vivia em Londres, ficando incumbido de protege-la. Um interesse romântico começa a resvalar, a que “Wong” não retribui em nome da sua honra.

"Wong Fei Hung e a prima Yee"

Um dia, uma companhia de teatro chega à cidade, fazendo parte da mesma “Leung Foon” (Yuen Biao). “Foon” mete-se em problemas com uma tríade local, conhecida como “Sha Bo Hang”, sendo expulso da companhia teatral. Eventualmente, o jovem acaba por se associar a “Yin” (Yuen Cheung Yan) que ambiciona tirar o título a “Wong” de principal mestre de artes marciais.

“Yin” acaba por reunir forças com a tríade “Sha Bo Hang” e com os americanos “Jackson” (Jonathan Isgar) e “Tiger” (Steve Tartalia), tendo em vista destronar “Wong” de vez. No meio, um sórdido negócio de exportação de chineses para escravidão laboral floresce.

Escusado será dizer que o herói “Wong Fei Hung” não permitirá que tais atropelos à justiça continuem a subsistir!

"Wong Fei Hung mostra o poder do Kung Fu"

"Review"

Um leitor atento deste blogue e conhecedor das minhas opiniões, perceberá facilmente que não morro de amores por Tsui Hark (heresia, queimem o Jorge Soares Aka Shinobi na fogueira!!!). Contudo, a grande excepção à minha opinião sobre as obras do realizador e produtor vietnamita naturalizado chinês é a sua epopeia “Era Uma Vez Na China” e quase todos os episódios subsequentes. Aqui dou o braço a torcer, e admito que este conjunto de filmes marcou verdadeiramente uma era no cinema de artes marciais em particular, e no de Hong Kong em geral. Claro está, independentemente desta premissa, revelo que tais películas são do meu agrado.

Hark resolveu fazer mais uma das dezenas de encarnações para o cinema do herói popular Wong Fei Hung, e saiu-se francamente bem. A popularidade que a película granjeou, fez com que se entrasse num verdadeiro “franchising”, com as sequelas a surgirem a rodos, medeando pouco tempo entre as mesmas. E aqui, somos logo obrigados a fazer um aparte para esclarecer algo acerca de uma edição em Dvd do filme que existe em Portugal, e que poderá induzir as pessoas num certo erro. A edição em causa, de boa qualidade diga-se de passagem, é sugestivamente intitulada “Era Uma Vez na China – Trilogia”. Ora cumpre esclarecer que a saga não é composta por apenas três filmes, mas sim pelo dobro dos mesmos, ou seja, seis. Desses seis filmes, Jet Li representa o papel de “Wong Fei Hung” em quatro, ficando os restantes dois a cargo de Vincent Chiu.

As coreografias de luta estão bastante boas e emocionantes, conseguindo-se mesmo efeitos espectaculares com algum dramatismo e emoção, de que constitui exemplo a primeira luta de “Wong” contra o mestre “Yin”, debaixo de uma forte chuva (simplesmente brilhante o movimento dos pés na água!). Outro combate que terá igualmente de ser destacado é a luta final, com “escadas voadoras”.

" Jackson e Tiger, os americanos traficantes de mão de obra"

Uma vez a propósito da crítica efectuada aqui neste blogue a “Fong Sai Yuk”, um colega que igualmente possui um espaço dedicado ao cinema asiático afirmou que a personagem de “Wong Fei Hung” deveria ter sido interpretada por alguém mais maduro. De facto, temos de admitir que a opinião tem alguma razão de ser. Jet Li apesar de nos presentear mais uma vez com uma actuação de bom nível, não pode lutar contra o facto de à altura de “Era Uma Vez…” ser relativamente novo (tinha cerca de 28 anos), o que possivelmente não conferirá uma autenticidade tão grande à personagem. Não nos podemos esquecer que “Wong Fei Hung”, por altura dos eventos de “Era Uma Vez…”, era já um mestre conceituado, tanto no domínio das artes marciais como no da medicina tradicional chinesa, tendo vários discípulos e seguidores. Isto normalmente acontece com pessoas dotadas de uma vasta experiência de vida. Li, pelo contrário, parece um miúdo, o que não ajuda nada o facto de ter uma face eminentemente jovial, que nem as expressões sérias e ponderadas ajudam a disfarçar.

Os fãs de Yuen Biao poderão ficar de alguma forma desiludidos, atendendo a que este actor é permanentemente secundarizado devido à omnipresença de Jet Li. O seu potencial de combate não é nem de perto, nem de longe demonstrado no filme. A Kent Cheng e Jacky Cheung coube-lhes a honra em desempenhar as personagens cómicas do filme, o que o fazem com mestria, levando a que criemos uma certa empatia com “Toucinho” e “Favolas”. Rosamund Kwan, uma actriz asiática com grande fulgor, em especial na década de ’90, cumpre com razoabilidade a figura da prima “Yee”, uma jovem ponderada, mas de alguma forma ingénua que necessita sempre das atenções de “Wong”.

O que verdadeiramente falta a este filme são adversários emblemáticos. Com todo o respeito, não nos parece que o “Mestre Yin”, representado por Yuen Cheung Yan, tenha grande carisma. Os próprios americanos não se afiguram como vilões bastante credíveis. Neste aspecto em particular, a sequela viria a ser bastante melhor. Também com Donnie Yen no lado oposto, como é que tal não poderia suceder ?!

Outra marca do filme tem a ver com o forte pendor nacionalista do argumento. Como já foi referido na sinopse, viviam-se tempos em que a influência ocidental crescia a olhos vistos na China, que passava pela difusão do cristianismo, a introdução de novo armamento, o controlo do comércio e das principais riquezas do país. Inclusive são mencionadas as ocupações de Hong Kong por parte dos ingleses, e de Macau por parte de Portugal. Com base nestas premissas, “Era Uma Vez…” transmite a premente necessidade de defesa da cultura e do modo de vida chinês, recorrendo a um dos aspectos mais próprios do país, o uso do Kung Fu. Desemboca-se pois numa lição de história, porventura um pouco tendenciosa, mas aceitável. Este mesmo argumento faz com esta película seja mais elaborada do que a maior parte das suas congéneres.

Um bom filme, obrigatório para qualquer amante de longas-metragens de artes marciais. Fará as delícias dos fãs de Jet Li!

"Mestre Yin e Wong Fei Hung medem forças"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63