"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

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sábado, setembro 19, 2009

A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão/The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (2008)

Origem: E.U.A.

Duração: 107 minutos

Realizador: Rob Cohen

Com: Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello, Luke Ford, John Hannah, Isabella Leong, Michelle Yeoh, Anthony Wong, Russel Wong, Liam Cunningham, David Calder, Jessey Meng, Tian Liang, Albert Kwan, Jacky Wu Jing

"Rick O'Connel"

Introdução

Esta película encontra-se incluída na secção deste blogue denominada “Cunho da Ásia”. Para mais informações ir AQUI.

Sinopse

Na antiguidade chinesa, após ter conquistado todos os reinos circundantes, o imperador Han (Jet Li) decide procurar o segredo para a imortalidade, pois no seu pensamento tudo o que tem para fazer não pode ser contido numa única só vida. Para o efeito, procura o auxílio de “Zi Juan” (Michelle Yeoh), uma bruxa que supostamente conhece o segredo para uma existência eterna. Devido a um triângulo amoroso que finda tragicamente e às más intenções do monarca, “Zi Juan” amaldiçoa o imperador e o seu exército, transformando-os em estátuas de pedra.

"O imperador Han"

Muitos séculos depois, mais propriamente em 1946, o jovem “Alex O'Connel” (Luke Ford), filho de “Rick” (Brendan Fraser) e “Evie” (Maria Bello), encontra-se radiante por ter descoberto o túmulo do imperador Han. Acontece que o general “Yang” (Anthony Wong) ambiciona ressuscitar o monarca, o que ao fim de algumas peripécias, acaba por suceder. Cabe agora a “Alex”, auxiliado pelos seus pais retornados à acção, por “Lin” (Isabella Leong) e a imortal “Zi Juan” pôr cobro aos intentos do imperador em dominar o mundo.

"Lin"

"Review"

Não tenho pejo nenhum em afirmar que gostei dos filmes da saga “A Múmia”, sob a bitola de Stephen Sommers. Apesar de estarem bastante distantes de terem algum tipo de profundidade, ou de marcas de génio enformadoras de um cinema que reputamos de qualidade, o mundo criado por Sommers conseguia-nos transportar para uma vida de aventura e sonho, ligadas a uma das maiores civilizações da história da humanidade. É certo que o rigor histórico era um tanto ou quanto desprezado, mas o manancial de personagens emblemáticas em muito compensavam as debilidades do filme. Tenho de confessar que por vezes imaginava-me como um “Ardeth Bay”, com o seu ar heróico a cavalgar solitário pelo deserto, ou a chefiar um exército de guerreiros nómadas, prontos para tudo o que desse e viesse. Ao contrário da opinião mais generalizada, o segundo filme “The Mummy Returns”, colheu mais a minha preferência. Posteriormente, Sommers autonomizou uma personagem emblemática desta película e decidiu dar vida a “Scorpion King”, que me decepcionou de sobremaneira.

Sete anos após “The Mummy Returns”, nasce o terceiro episódio da Múmia, mas desta vez sem a direcção de Sommers, a excelente personagem de Ardeth Bay, interpretada pelo actor Oded Fehr nos filmes precedentes, e com Maria Bello a substituir Rachel Weisz no papel de “Evie”. A trama passa-se quase toda na China e gira em torno de aspectos históricos deste país, para além de possuir vários actores asiáticos de nomeada. Está justificada a razão pela qual esta longa-metragem é alvo de um texto no “My Asian Movies”. A primeira impressão a reter acerca desta película e que em muito adianta a sua conclusão passa por termos presente que um grande orçamento, efeitos especiais em catadupa, e um argumento simples não são suficientes para fazer um bom filme. No caso de “The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor” (doravante “Múmia 3”) há que acrescentar que, por vezes, é preciso saber onde parar. E efectivamente a saga deveria ter-se reduzido aos dois primeiros filmes.

Aqueles que vivem mais o cinema asiático, e cujo um dos motivos de interesse será poder observar o trabalho dos actores orientais numa película de “Hollywood”, não deverão alimentar expectativas desmesuradas. A Jet Li são conferidos poucos minutos na película, aparecendo no início do filme quando somos confrontados com a introdução da história na antiga China, e posteriormente na última meia hora da película, onde o imperador se confronta com os heróis da trama. No restante, a múmia é uma criação da tecnologia. É evidente que Li apenas foi recrutado devido ao efeito que o seu nome poderia provocar nas audiências e pouco mais. Chega a ser confrangedor ver o lendário actor não ter a oportunidade de demonstrar o que o celebrizou mais, ou seja, as artes marciais. Temos a oportunidade de ver algo no início de “Múmia 3”, onde Li defronta Jacky Wu Jing, outro peso pesado do género, mais um pouco quando se depara com Michelle Yeoh e posteriormente com a dupla pai/filho, constituída por Brendan Fraser e Luke Ford. O resto é uma amálgama de nulidades, sempre disfarçadas pelos propalados efeitos especiais.

"Rick defronta o imperador"

No que concerne a Michelle Yeoh e Anthony Wong, dois dos expoentes mais significativos do cinema oriental, nada demais nos é dado a apreciar. Representação muito limitada, roçando por vezes o descrédito quase total. Efectivamente se de algo positivo os actores retiraram da participação nesta longa-metragem, foi com certeza o cheque chorudo que levaram para casa. No meio desta desorientação quase total, salva-se a bela Isabella Leong, na sua estreia no ocidente, que ainda consegue conferir alguma alma e bastante encanto ao filme. Relativamente ao elenco ocidental, as coisas parecem piorar ainda mais. Fraser não evidencia a força e o carisma que demonstrou nas obras anteriores, revelando-se sensaborão e apagado. Luke Ford não acrescenta nada de novo e, como recorrentemente já foi criticado, parece o irmão mais novo de Fraser, do que propriamente o seu filho. Não será alheio o facto de Fraser ser apenas 13 anos mais velho que Ford. Maria Bello constitui claramente o elo mais fraco de “Múmia 3”, pois encontra-se a milhas do que Rachel Weisz fez nos dois filmes precedentes. “Evie” era conhecida pela sua doçura, sensatez e alguma ingenuidade extremamente cativante. Bello faz com que a personagem pareça uma zaragateira, sem ponta por onde se lhe pegue, carecendo gritantemente de classe. Por sua vez, as palhaçadas de John Hannah, no papel do irmão de “Evie”, já não têm piada absolutamente nenhuma, chegando-se ao ponto de por vezes apetecer ao espectador estrangulá-lo. A família “O'Connel”, no seu conjunto, merece descrédito e até mesmo recriminação.

Não há muito a dizer quanto à forma simplista e com falta de imaginação como o argumento é abordado. A inspiração passa pela história do primeiro imperador chinês Qin Shi Huang, o seu exército de terracota (guerreiros de Xian) e as crueldades cometidas pelo monarca aquando do início da construção da Grande Muralha da China. A película é bastante fácil de seguir, e possui bastante entretenimento. Contudo, tudo é feito de forma bastante insípida e frugal, e os motivos de interesse são bastante diminutos. À semelhança das anteriores “Múmias”, existe uma clara aposta nos efeitos especiais. Reconheço que alguns denotam bastante qualidade e chegam mesmo a impressionar vivamente. Ao contrário da maior parte da crítica, eu até achei piada aos Yeti e à sequência em que os mesmos auxiliam os “O'Connel” e companhia, contra o imperador, o general “Yang” e os seus apaniguados. Outros existem que são algo disparatados, ainda que geralmente estejam imbuídos de grandiosidade.

“Mummy: Tomb of theDragon Emperor” merece uma apreciação global negativa. Com a excepção de Isabella Leong, o elenco exibe-se num nível muito abaixo do que já demonstrou ser capaz de fazer. Não se pode viver apenas dos efeitos especiais, para atribuir valor a uma película, mesmo que aquela vise ser um “blockbuster” de papelão. Existe alguma ostracização das capacidades dos intervenientes, e torna-se mesmo imperdoável ver Jet Li coartado nas nuas inegáveis capacidades no domínio das artes marciais. Rob Cohen, autor de "XXX" e "The Fast and the Furious", dá mais um passo atrás. No fim, o filme só serve para provar um aspecto. Já não há volta a dar à saga “A Múmia”. Pelo menos, com este realizador e alguns membros do elenco...Voltem Sommers, Weisz e Fehr! Depois disto, estão mais que perdoados!


"O general Yang conhece a fúria de um dos Yeti"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 5

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 6

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,63





domingo, outubro 07, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Mais quatro grandes intérpretes asiáticos, sujeitos ao crivo dos visitantes deste blogue. Toca a votar!
Michelle Yeoh

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Tigre e o Dragão, Memórias de Uma Gueixa, Butterfly & Sword, Fearless - A Coragem do Guerreiro

Yuen Biao

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Man Called Hero , Os Guerreiros da Montanha - versão 1983, Era Uma Vez na China

Kim Hee-seon (Kim Hee-sun)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Bichunmoo, o Guerreiro, O Mito

Ken Watanabe

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Memórias de Uma Gueixa



segunda-feira, setembro 17, 2007

A Coragem do Guerreiro/Fearless/Huo Yuanjia - 霍元甲 (2006)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 99 minutos/140 minutos (versão originária)

Realizador: Ronny Yu

Com: Jet Li, Shido Nakamura, Betty Sun, Yong Dong, Hee Ching Paw, Yun Qu, Collin Chou, Masato Harada, Zhigang Zhao, Chen Zihui, Ting Leung, Michelle Yeoh (apenas na versão original), Nathan Jones, Brandon Rhea, Anthony De Longis, Jean Claude Leuyer, Mike Leeder, Jon T. Benn, John Paisley

"Huo Yuanjia"

Estória

Desde muito jovem, “Huo Yuanjia” (Jet Li) queria ser um grande mestre de Wushu, mas o seu pai “Huo Endi” (Collin Chou) opôs-se ao treino do filho, preferindo que o mesmo enveredasse por outro caminho que nada tivesse a ver com as artes marciais. No entanto, “Huo Yuanjia” não desiste, continuando a treinar e passados alguns anos torna-se num grande mestre de artes marciais.

O agora jovem e arrogante adulto apenas se preocupa com a fama e a glória, desejando ardentemente tornar-se no campeão da sua terra Tianjin. Características nobres como o desportivismo e a humildade são completamente postos de parte.

Certo dia, um jovem discípulo de “Huo” é violentamente agredido por outro exímio praticante de “Wushu”, chamado “Mestre Chin” (Chen Zihui). “Huo” vê aqui uma oportunidade não apenas para se vingar do sucedido para com o seu estudante, mas também para provar que é o melhor lutador de Tianjin. O combate finda em tragédia, com mortes em ambos os lados.

"A cidade de Tianjin, no início do século XX"

Desorientado, “Huo” parte da sua terra-natal e refugia-se numa aldeia isolada, onde conhece “Yueci – Moon na versão americana” (Betty Sun), uma rapariga invisual mas que possui uma gentileza e bondade contagiantes. “Huo” vai aprender finalmente os valores que devem nortear uma pessoa honrada, deixando para trás as suas características menos positivas.

Após uns anos remetido ao seu êxodo, “Huo” decide retornar a Tianjin, só para se aperceber que os chineses são constantemente mal tratados e desprezados pelas potências ocidentais. “Huo” decide enveredar por uma luta, que em vez de ser para glória pessoal, visa acima de tudo preservar o orgulho e identidade chinesas.

"Hercules O'Brien é projectado por Yuanjia"

"Review"

“A Coragem do Guerreiro” marcou o tão aguardado regresso de Jet Li ao cinema de China/Hong Kong e ao que ele sabe fazer melhor, ou seja, protagonizar filmes de artes marciais e wuxia. Praticamente desde o ano de 1998, com a participação em “Arma Mortífera 4”, no papel do vilão “Wah Sing Ku”, que Jet Li apenas fez produções ocidentais (com um breve interlúdio no meio, para participar no magnífico “Herói”). Alguns desses filmes eram de qualidade aceitável, outros nem por isso. Foi pois com alguma expectativa que os amantes do cinema asiático aguardavam pelo retorno de um dos seus heróis à cinematografia de origem.

Outro aliciante consubstanciado igualmente num regresso, era Ronny Yu. O realizador, que à semelhança de Jet Li, também emigrou para o ocidente, tendo em vista universalizar mais a sua carreira. O saldo ficou-se quase por um desastre, pois Yu realizou filmes perfeitamente néscios e a milhas de distância de obras que dirigiu em Hong Kong, tais como “Phanton Lover” ou “The Bride With White Hair”. Da mediocridade de Yu, no seu périplo ocidental, salvou-se apenas “Fórmula 51” (mais uma tradução perfeitamente idiota…) - “The 51st State”, uma película divertida e cheia de “glamour”, na linha de “Snatch, Porcos e Diamantes”, de Guy Ritchie.

“A Coragem do Guerreiro” é baseado numa personagem verídica da história da China, chamado precisamente Huo Yuanjia, um herói popular e co-fundador da “Associação Internacional de Chin Woo”, uma escola de artes marciais que hoje em dia possui mais de 50 delegações em todo o mundo. Huo Yuanjia é popular sobretudo por se ter tornado num acérrimo defensor do modo tradicional de vida chinês e um símbolo da luta contra a crescente influência dos ocidentais. O filme quando foi feito gerou uma certa controvérsia que envolveu os descendentes de Huo Yuanjia, essencialmente devido às costumeiras alterações de argumento, de forma a tornar uma película mais “cinematográfica” e do agrado dos telespectadores. A celeuma gira essencialmente em torno de um assassinato que ocorre no filme e a ser verdade, impediria que Huo Yuanjia tivesse descendentes directos. Os 7 netos e 11 bisnetos de Huo Yuanjia não gostaram e exigiram um pedido de desculpas formal, tanto por parte do estúdio, como de Jet Li. Esse pedido nunca foi acedido, pois defendeu-se que o filme apesar de ser uma espécie de biografia, nunca pretendeu ser um relato completamente fiel da história do herói chinês.

“A Coragem do Guerreiro” não é o típico filme de artes marciais, em que as lutas dominam quase por completo, sendo o argumento relegado para segundo plano. Nada disso. Os combates acontecem várias vezes, sendo na sua generalidade espectaculares (com a coreografia da autoria de Yuen Woo Ping havia uma probabilidade muito grande de tal acontecer), tendo o aliciante de não apenas vermos lutas entre mestres de “Wushu”. Huo Yuanjia põe à prova as suas capacidades contra praticantes de luta livre, karate, esgrima europeia, kendo, boxe e até muay thai na versão original. Isto dá um interesse acrescido à película e decorre um pouco do pendor nacionalista que grassa e tenta elevar indirectamente o “wushu” como a arte marcial mais completa e parte integrante da cultura tradicional chinesa.

"A preparação para mais um combate"

Como foi acima aludido, o filme não se resume apenas às indispensáveis lutas, constituindo a parte dramática, um aspecto igualmente importante. Sendo assim, Jet Li, a estrela da película, vê-se obrigado não apenas a demonstrar as suas capacidades de combate, mas igualmente a fazer uma representação mais convencional. Como é que se sai? De início não fiquei impressionado por aí além. Na parte mais imatura da vida de Huo Yuanjia, Jet Li tem os seus altos e baixos, algures entre o mediano e o razoável. A partir do momento que a lenda “desperta para a vida”, digamos assim, e envereda pelo caminho espiritual e da rectidão, observamos que as capacidades interpretativas de Jet Li não se resumem apenas ao combate, mas igualmente aos diálogos. O actor é como um vinho bem tratado, está a provar que a idade está a fazer maravilhas. Jet Li hoje em dia é sem dúvida um actor mais completo, e que consegue lutar contra alguns estereótipos e rótulos que lhe puseram. O restante elenco porta-se bem, dentro do que lhe é solicitado. Neste particular, fiquei agradavelmente impressionado com o actor Yong Dong, que representa “Nong Jinsun”, o melhor amigo de Huo Yuanjia.

Cumpre ainda referir uma curiosidade relacionada com esta película e Jet Li, já anteriormente aludida na biografia já aqui efectuada a propósito do actor. Omo muitos devem saber, um dos melhores e mais emblemáticos filmes de Jet Li é “Fist of Fury”, onde representava uma personagem de seu nome “Chen Zhen”. Ora, “Chen Zhen” não é nada mais, nada menos que um discípulo de Huo Yuanjia que combate os japoneses, para vingar a morte do seu mestre às mãos daqueles. Podemos assim dizer que doze anos antes (1994) de “A Coragem do Guerreiro”, Jet Li interpretou o díscipulo, enquanto no filme de que ora se fala dá vida ao mestre.

Na altura em que Jet Li protagonizou “A Coragem do Guerreiro”, o actor tinha afirmado que este seria o seu último filme de artes marciais, o que muitos não acreditaram, julgando se tratar de mais uma manobra de “marketing”. O tempo veio a dar parcialmente razão a estas pessoas, atendendo a que Jet Li viria a aceitar a participação em “Warlords” e “Forbidden Kingdon”, este último a tão ansiada colaboração com Jackie Chan. Quanto à manobra de “marketing”, não sei se tal será verdade. Jet Li até poderia estar a ser sincero naquele momento, e posteriormente ter mudado de ideias.

A mim pessoalmente não me interessam as motivações do actor. O cinema agradece que Jet Li continue na senda dos épicos de artes marciais e eu, em nome particular, também!

Bom filme!

"Yuanjia enfrenta o mestre japonês Anno Tanaka"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-Asia, Asian Fury, A Cinematic Vision, O Consegliere, Axasteoquê?!?, Zeta Filmes, Críticas Críticas Críticas

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





sábado, agosto 18, 2007

Butterfly and Sword/Xin liu xing hu die jian (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: Johnny Mak

Com: Michelle Yeoh, Tony Leung Chiu Wai, Donnie Yen, Joey Wong, Jimmy Lin, Elvis Tsui, Chung Wah Tou, Chuen Chun Yip

"Butterfly e Meng Sing Wan"

Estória

“Butterfly” (Joey Wong) é uma bonita rapariga, que se encontra tremendamente enamorada por “Meng Sing Wan” (Tony Leung Chiu Wai), vivendo ambos numa casa à beira-rio, perante um cenário idílico. “Butterfly” odeia tudo o que tenha a ver com o mundo das artes marciais, devido ao assassínio do seu pai, um grande mestre. A jovem está convencida que “Meng” é um mercador honesto, que nada percebe de luta.

Na realidade “Meng” é um assassino extremamente dotado no domínio das artes marciais, e que faz parte de uma organização conhecida como “Floresta Feliz”, liderada por “Sister Ko” (Michelle Yeoh). “Ko” está apaixonada por “Meng”, mas não é retribuída, pois este encara-a como uma irmã mais velha, além de gostar bastante de “Butterfly”. Como se não bastasse, “Yip Cheung” (Donnie Yen), outro membro da organização e o melhor amigo de “Meng” ama “Ko”, mas não tem coragem para lhe confessar os seus sentimentos, pois sabe que esta só tem olhos para “Meng”.

"Sister Ko"

Entretanto, o eunuco “Tsao” (Chung Hua Tou) incumbe “Ko” de uma missão muito delicada, que consiste em furtar um pergaminho que foi dado pelo eunuco “Li”, o grande rival de “Tsao”, ao mestre “Suen” (Elvis Tsui). “Ko” consegue introduzir “Meng” como espião na organização de “Suen”.

A partir daqui, inicia-se uma luta feroz pelo domínio do mundo das artes marciais, assim como pela conquista da pessoa amada.

"Meng e Ko prontos para a luta"

"Review"

Quando acabei de visionar “Butterfly and Sword” só pensei o seguinte:

“Ainda bem que este filme foi de borla!!!”

Já há muito tempo que tinha intenções em conferir esta película, pois além de ser um “Wuxia” (vocês sabem que tenho um fraco por este género), encontrava-se dotada de um elenco de luxo, com quatro nomes grandiosos da cena de Hong Kong, a saber, Tony Leung Chiu Wai, Michelle Yeoh, Donnie Yen e Joey Wong. Um belo dia, estava eu com um dinheirinho extra, a fazer as costumeiras deambulações pelo “Yesasia”, e como tinha adquirido três filmes, estive logo habilitado a escolher um quarto de graça, de uma lista pré-selecionada. Eu por acaso até tenho tido sorte nestas escolhas, pois todas as longas-metragens que tenho adquirido através desta promoção, têm revelado ser de boa ou até mesmo excelente qualidade. Mas como a sorte não dura sempre, lá teria de chegar o dia em que escolheria um filme “rasca”.

Como já disse em cima, “Butterfly and Sword” possui um elenco composto de nomes inultrapassáveis da cena de Hong Kong. Pergunta-se agora:

“Como é que estes grandes actores podem oferecer interpretações tão pobres, roçando por vezes o amadorismo?”

"Ko em acção"

Joey Wong parece uma menina tonta sem substância nenhuma; Donnie Yen não tem mesmo jeito para desempenhar papéis em que tenha de revelar alguma fragilidade emocional; Tony Leung Chiu wai, o meu actor preferido daquelas paragens, quase que me matava de ataque cardíaco; salva-se minimamente Michelle Yeoh, que ainda conseguiu introduzir algum “glamour” e réstia de boa representação na personagem “Sister Ko”.

O argumento é péssimo, e contribui decisivamente para a má prestação dos consagrados acima referidos. Uma estória fútil, sem ponta por onde se lhe pegue, contada à pressa e com uma abordagem inconsequente. Existem situações em que não conseguimos perceber a razão para tal – bem que me fartei de usar o botão “pause” e o “rewind” do meu leitor de dvd – outras em que até estamos interessados em saber mais, mas irritantemente vedam-nos esse prazer a 100 à hora! As legendas a uma velocidade extrema também não ajudam nada!

No entanto, no meio de tanto desnorte, sempre se salva alguma coisa por pouco que seja. As cenas de luta, embora eivadas por vezes de alguma confusão, denotam espectacularidade, não fossem as mesmas dirigidas pelo consagrado realizador e director de acção Ching Siu Tung, autor das coreografias de vários filmes emblemáticos tais como “Duel to the Death”, “A Chinese Ghost Story”, “A Better Tomorrow II”, “New Dragon Gate Inn”, Swordsman II”, The Duel”, “Shaolin Soccer”, “Herói”, O Segredo dos Punhais Voadores”, “The Curse of the Golden Flower” ou “Dororo”. O homem está praticamente em todas. Não consigo imaginar melhor cartão de visita!

“Butterfly and Sword” é um filme mediocre, que não deixará saudades a ninguém!

"Yip Cheung e Ko"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 5

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 5

Classificação final: 6,50





sábado, maio 12, 2007

Memórias de Uma Gueixa/Memoirs of a Geisha/Sayuri (2005)

Origem: E.U.A.

Duração: 139 minutos

Realizador: Rob Marshall

Com: Zhang Ziyi, Gong Li, Michelle Yeoh, Ken Watanabe, Suzuka Ohgo, Kôji Yakusho, Youki Kudoh, Kaori Momoi, Tsai Chin, Zoe Weizenbaum, Cary Hiroyuki Tagawa, Kenneth Tsang, Randall Duk Kim, Ted Levine

"A jovem Chiyo"

Estória

Em 1929, “Chiyo Sakamoto” (Suzuka Ohgo), com apenas nove anos, e a sua irmã “Satsu”, são vendidas pela sua pobre família rural, sendo posteriormente separadas e colocadas em “Okyia” (casa de alojamento de uma Gueixa) diferentes.

A nova casa de “Chiyo” é pertença da “Sra. Nitta” (Kaori Momoi), mais conhecida por “Mãe”, e nela vivem a famosa e vil gueixa “Hatsumomo” (Gong Li), a idosa irmã da “Sra. Nitta”, conhecida por “Tia” (Tsai Chin) e outra jovem rapariga chamada “Pumpkin” (Zoe Weizenbaum).

“Chiyo”, ainda muito jovem, começa a chamar a atenção devido à sua beleza e raros olhos de cor azul - acinzentada, iniciando o seu treino de gueixa. No entanto, sofre pesadas provações durante este estágio, provocadas sobretudo pela cruel “Hatsumomo”, chegando o treino a ser interrompido, devido a uma tentativa de fuga de “Chiyo”.

"Sayuri"

Um dia, a criança encontra-se a chorar amargurada numa ponte, e é abordada por um homem, conhecido como “Administrador” (Ken Watanabe) que revela uma extrema bondade, comprando-lhe um gelado, para além de lhe oferecer dinheiro e a aconselhar. “Chiyo”, apesar de ser muito nova, instantaneamente apaixona-se e toma a firme resolução de fazer tudo para se tornar numa gueixa, de forma a atrair o seu amor.

Os anos passam, “Chiyo” tem 15 anos (Zhang Ziyi), o seu treino de gueixa nunca mais foi retomado, e “Hatsumomo” continua a infernizar-lhe a vida. Um dia porém, “Mameha” (Michelle Yeoh), a mais conhecida gueixa do burgo, propõe à “Sra. Nitta” tomar “Chiyo” a seu cargo e ensiná-la nas artes da profissão. A rapariga muda então o seu nome para “Sayuri” (em português “Lírio”), e com o decorrer do tempo torna-se extremamente bem sucedida, tornando-se a gueixa mais conhecida do Japão.

Apesar de uma gueixa estar proibida de amar, “Sayuri” nunca esqueceu o “Administrador”, e nem toda a notoriedade que consegue, fazem-na tirar da cabeça a sua verdadeira paixão.

"Sayuri, Mameha e Hatsumomo"

"Review"

Baseado no romance homónimo de Arthur Golden, e dirigido pelo realizador Rob Marshall (“Chicago”), “Memórias de Uma Gueixa” foi um filme envolto em certa polémica, sobretudo devido à escolha dos actores, ou melhor dizendo, das actrizes que despontam nos papéis principais.

Para quem não sabe, Zhang Ziyi e Gong Li são oriundas da China, e Michelle Yeoh da Malásia. Como o enredo decorre inteiramente no Japão, e é centrado numa profissão típica deste país, seria porventura de esperar que fossem recrutadas actrizes do reino nipónico para o desempenho de “Sayuri”, “Hatsumomo” e “Mameha”. Ora isto não aconteceu, e considerando que o pretendido foi dar vida a uma película de âmbito verdadeiramente internacional, para além de termos em consideração que os capitais para a feitura do filme foram oriundos de empresas como a Columbia Pictures, a Dreamworks e a Spyglass Entertainment, a produção esteve a cargo da Amblin de Steven Spielberg, e o realizador é estado-unidense (prefiro esta designação em detrimento da de norte-americano, por considerar mais adequada e não ofensiva para os canadianos), lógico seria que se procurassem as actrizes asiáticas com maior projecção mundial. Julgo ser relativamente consensual a ideia que coloca no topo, a nível de fama, Zhang Ziyi, Gong Li e Michelle Yeoh. Não existe nenhuma actriz japonesa cujo nome sequer se aproxime da notoriedade destas três divas do cinema asiático. E a verdade é essa, e nada mais!

Ao contrário do que se estaria à espera, o celeuma ocorreu primeiro na República Popular da China, que praticamente não aceitou que porventura os seus dois maiores nomes cinematográficos, na esfera feminina, desempenhassem o papel de prostitutas de um país invasor (lembro que o Japão ocupou a China antes e durante a II Guerra Mundial). Neste aspecto a república comunista não foi de meias medidas, e chegou mesmo a proibir a exibição do filme no seu território. Por outra via, o sentimento nacionalista despontou em grande medida no Japão, o que apenas foi mitigado pelo facto desta longa-metragem ter muitos actores japoneses, incluindo o principal protagonista masculino (Ken Watanabe, de “O Último Samurai” e “Cartas de Iwo Jima”).

"A bela dança de Sayuri"

Se me é permitida uma opinião pessoal (afinal vivemos numa democracia e o blogue é meu!!!), julgo esta questão de uma menoridade gritante. Claro que se fizessem um filme que versasse sobre um aspecto particular da cultura portuguesa, eu teria uma preferência natural por um actor nosso conterrâneo. Já agora que falamos disso, eu não fiquei lá muito contente que a personagem de Salgueiro Maia, no filme “Capitães de Abril”, tivesse sido interpretada pelo actor italiano Stefano Accorsi. Mas obviamente que isto não é motivo para fazer “cair o Carmo e a Trindade”, e serem adoptadas atitudes vestidas de radicalismos que caíram (ou deveriam ter caído) em desuso. Mas daí…passemos à frente!

Á partida, a qualquer cultor do cinema asiático, causa uma certa estranheza ver actores e actrizes que estamos habituados a ver expressarem-se no seu idioma, falarem inglês praticamente o filme todo. O resultado é muito fácil de prever. Os diálogos são todos muito pausados e cuidados, fazendo-nos aperceber que Zhang Ziyi e Gong Li não dominam na perfeição a língua. Isto faz com que a naturalidade das falas se disperse um pouco, e o drama perca de certa forma com este aspecto.

No entanto, a representação no que concerne aos demais itens, não chega a ser mortalmente afectada com os aspectos linguísticos, pois estamos a falar de actores com bastantes provas dadas, constituindo alguns o que de melhor o cinema asiático possui. Zhang Ziyi e Michelle Yeoh, embora já tivessem registos melhores, oferecem-nos um trabalho competente que, no que toca a Ziyi, tem o seu expoente máximo na fabulosa dança e representação que faz no teatro perante uma grande plateia. O facto da actriz ter um passado ligado à dança, abona imenso a seu favor nas partes mais físicas das actuações. Pense-se nas grandes heroínas de artes marciais que Ziyi interpretou, ou na fabulosa dança dos tambores de “O Segredo dos Punhais Voadores”. Sendo um filme de certa forma mais virado para o público feminino, é normal que as actrizes tenham uma evidente primazia a nível da intervenção na trama. Mesmo assim, o protagonista masculino Ken Watanabe, encontra-se num nível bastante aceitável, consagrando-se como um dos actores asiáticos com mais cartaz internacional (desde “O Último Samurai, de Edward Zwick isto é evidente). Pensavam que eu não ia falar de Gong Li?! Longe de mim cometer tal pecado mortal! Deixei-a propositadamente para o fim, pois é sem margem para dúvidas, quem consegue o melhor desempenho. Representar o vilão do filme costuma ser um papel não amiúde tão ou mais difícil do que os restantes. Aqui Li encarna na quase perfeição a vilã trágica “Hatsumomo”, personagem venenosa, intriguista e invejosa, mas no entanto longe de ser fria, tendo as emoções “à flor da pele”. A actriz tem uma característica única que muitas vezes lhe confere vantagem em relação às demais. Li, quando representa, usa o corpo todo. Mexe-se tanto com graciosidade, como é capaz de fazer os gestos mais abruptos e ríspidos possíveis. Debita as suas falas como um verdadeiro camaleão, mas acima de tudo, e aqui é que está o grande trunfo da actriz, acompanha-as com umas expressões faciais e olhares de “de outro mundo”. Sei que poderei estar a ser um pouco temerário na afirmação que irei fazer, mas não me lembro de nenhum intérprete com a capacidade de Li neste aspecto.

A fotografia é um verdadeiro sonho, embora não adquira uma permanente constância ao longo do filme. A banda-sonora é baseada essencialmente em músicas oriundas do país do sol nascente, com uma ou outra excepção, tendo bons momentos que acentuam o pendor dramático desta longa-metragem. O guarda-roupa foi escolhido minuciosamente, e as roupas que as gueixas usam (o furisode e o okobo) de regalar os olhos.

“Memórias de Uma Gueixa” é um filme dotado de interesse, que vale sobretudo pelo seu pendor educativo. Nele aprendemos que, ao contrário do que é pensado por esse mundo fora, as gueixas não eram prostitutas, mas sim acompanhantes que são educadas na arte da música, do servir e conversar. Aliás era-lhes completamente vedado ter sexo com os seus clientes.

No entanto, o filme não consegue fugir ao estigma de ser realizado e produzido por entidades ligadas a “Hollywood”, o que lhe retira alguma autenticidade. Isto reflecte-se em algumas cenas do filme, que possuem um cunho marcadamente “hollywoodesco”. Pergunto agora se o mestre Kurosawa, ou outro competente realizador japonês, tivesse ao seu alcance os meios de Rob Marshall em “Memórias de Uma Gueixa”, que película não teria sido obtida?

"O Administrador e Sayuri"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-Ásia, Cinerama, Cinema Cafri

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





terça-feira, abril 25, 2006

O Tigre e o Dragão/Crouching Tiger Hidden Dragon/Wo hu cang long (2000)
Origem: China/Hong Kong/Taiwan/E.U.A.
Duração: 115 minutos
Realizador: Ang Lee
Com: Chow Yun Fat, Michelle Yeoh, Zhang Ziyi, Chang Chen, Lung Sihung, Cheng Pei Pei, Li Fa Zeng, Gao Xian, Hai Yan, Wang De Ming

"Luta na floresta de bambú"

Estória

Baseado numa novela do século XX, escrita pelo popular escritor chinês Wang Du Lu, a estória do "Tigre eo Dragão" passa-se na altura dinastia Qin, e envolve "Li Mu Bai", um quase invencível espadachim e praticante da disciplina conhecida como "Wudan", a guerreira e mulher independente "Yu Shu Lien", que mantém um romance platónico com "Li Mu Bai", a poderosa mas inocente e mimada "Jiao Long", e o salteador mongol do deserto "Lo Nuvem Negra".

Cansado de uma vida de quase ascetismo e luta, para além do falhanço em vingar o assassinato do seu mestre às mãos da assassina "Raposa de Jade", "Li Mu Bai" pretende levar uma vida mais simples, e se possível finalmente declarar o seu amor de anos a "Yu Shu Lien". Para tanto, entrega a sua fabulosa espada conhecida como "destino verde", ao senhor "Te", um amigo de longa data que vive em Pequim.

Entretanto, chega à capital imperial, o novo governador "Yu", acompanhado da mulher e da filha. "Yu" vai apresentar-se formalmente ao senhor "Te", e "Yu Shu Lien", que pernoitava na casa deste personagem na altura, tem a possibilidade de travar conhecimento com a filha de "Yu", uma jovem e bela rapariga chamada "Jiao Long".

Posteriormente, a "destino verde" é furtada, "Li Mu Bai" chega a Pequim, e quando toma conhecimento do sucedido, suspeita logo que a sua inimiga de longa data, a "Raposa de Jade", está por detrás do sucedido. Não acerta totalmente, pois vem-se a descobrir que na realidade quem levou a espada foi "Jiao Long", em conivência com "Raposa de Jade", que agora se encontrava disfarçada de dama de companhia.

"Jiao Long" à procura do que mais anseia descobrir, o submundo de "Jiang Hu". "Li Mu Bai" e "Yu Shu Lien" vão no seu encalço, numa jornada que irá modificar para sempre as suas vidas.

"Li Mu Bai e Yu Shu Lien"

"Review"

Quando se fala no "Tigre e o Dragão", há que ter logo a presença que estamos perante um dos filmes provenientes do continente asiático mais bem sucedidos internacionalmente, conforme comprovam os 4 óscares atribuídos, para além dos mais de 70 prémios ganhos em certames e festivais de cinema, num universo de 84 nomeações. Um excelente cartão de visita, convenhamos. Merecido, sem dúvida.

Ao visionar o filme, uma das primeiras coisas que salta logo à vista é o contraste existente entre "Yu Shu Lien" e "Jiao Long", nomeadamente a nível das suas ambições. Cada uma é prisioneira de um estilo de vida que odeia e cada uma ambiciona ter o estilo de vida da outra. Acho que mais simples é impossível de explicar. Veja-se "Yu Shu Lien" que daria tudo para ter uma vida pacata, envolvendo o casamento e maternidade, de preferência com "Li Mu Bai"; "Jiao Long", por seu lado, fruto da rebeldia própria da juventude conjugada com a excessiva protecção dos pais, anseia por "se fazer à estrada", viver emocionantes e perigosas aventuras, o que dá umas valentes dores de cabeça ao seu apaixonado, o mongol "Nuvem Negra", disposto a deixar a sua vida de salteador, por forma a constituir um homem à altura do estatuto da amada.

Comentário lateral: Mas onde é que eu já vi estórias parecidas no meu quotidiano, tirando claro está as espadas, os voos sobrenaturais, etc...?

"Li Mu Bai" por sua vez representa a ética personificada, um homem que apesar de ser o ideal da nobreza de carácter, não é feliz devido ao permanente conflito entre o sincero amor que nutre por "Yu Shu Lien" e a honra que comanda a sua vida.

O filme é determinantemente marcado pelas cenas de acção da responsabilidade do lendário Yuen Wo Ping, coreógrafo de imensas películas de "Wuxia Pien" e do "blockbuster" "The Matrix".

Para o espectador que não está habituado à cinematografia oriental, nomeadamente os filmes de artes marciais, fica deslumbrado pela positiva quando aprecia os voos e as planagens efectuadas pelas personagens deste filme. Mas isto apenas acontece por desconhecimento, pois trata-se de uma técnica que é usada há muitos anos nos filmes de Hong Kong, e que foi aprimorada de uma forma bastante positiva em "O Tigre e o Dragão".

Agora dirijo-me aqueles que criticaram negativamente as aludidas cenas, a maior parte das vezes por franca ignorância. Meus caros, é preciso ter presente que estes filmes são baseados em lendas ou romances! Além disso é preciso ter presente que o conceito de herói varia de povo para povo, e é necessário conhecer um pouco da cultura asiática, e da chinesa em particular, para apreender e aprender melhor este aspecto. Partindo destes pressupostos, de uma mente aberta, de alguma pesquisa e leitura, verão como será mais fácil conviver com este género de acção e apreciar a beleza inerente à mesma.

"A paixão de Jiao Long e Lo Nuvem Negra"

Este filme tem o segundo melhor final que já vi, sendo apenas ultrapassado por uma película que em absoluto não partilha o género. Falo de "Cinema Paraíso". Os trágicos-românticos com certeza não se irão arrepender do seu visionamento. Outra cena que faz chorar as pedras da calçada é a frase emblemática desta película proferida por "Li Mu Bai" quando finalmente se declara a "Yu Shu Lien": "I would rather be a ghost drifting by your side as a condemned soul than enter heaven without you...because of your love, I will never be a lonely spirit." Um momento único da sétima arte, de fazer chorar as pedras da calçada!!!

A banda-sonora é do melhor que já se fez a este nível e que em muito contribui o toque mágico do violoncelo de Yo-Yo Ma. Aprecio em especial a música "Farewell", que se ouve quase no fim do filme, numa altura em que "Jiao Long" e "Nuvem Negra" estão a falar numa ponte situada num mosteiro nas montanhas de "Wudan".

Aconselho a todas as pessoas que queiram se iniciar por este género de cinema, a visionar em primeira linha "O Tigre e o Dragão". O senão é que, à excepção de "Herói", as outras referências do género não possuem a mesma qualidade.

Ang Lee, o realizador muito em voga devido a "Brokeback Mountain", confessou que realizou o seu sonho de criança quando realizou "O Tigre e o Dragão". Quanto a mim, atingiu o expoente máximo da sua carreira.

Um hino ao amor e à beleza, mas acima de tudo um ícone do verdadeiro bom cinema. Maravilhoso!!!

"Aquela cena...I would rather be a ghost drifting by your side as a condemned soul than enter heaven without you... because of your love, I will never be a lonely spirit"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 9

Argumento - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Banda-sonora - 10

Emotividade - 10

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 10

Classificação final: 9,13

"Jiao Long ao encontro da satisfação do seu desejo mais íntimo...



...Farewell"