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domingo, outubro 17, 2010

Ninja in the Dragon's Den Aka Ninja Kommando/Long zhi ren zhe – 龙之忍者 (1982)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 95 minutos

Realizador: Corey Yuen

Com: Hiroyuki Sanada, Conan Lee, Hwang Jang Lee, Tai Po, Wei Ping Ao, Kwan Yung Moon, Hiroshi Tanaka, Kaname Tsushima, Ma Chin Ku, Feng Tien, Wu Jiaxiang

Jin-wu

Jin Wu”

Sinopse

“Jin Wu” (Hiroyuki Sanada) é um ninja consumido por um sentimento de vingança, cujo objectivo final é matar o assassino do seu pai. O seu próximo passo é viajar até à China, de forma a encontrar “Fok” (Hiroshi Tanaka), o suposto responsável pela morte do progenitor de “Jin Wu”. Por sua vez, “Fok” é como um pai para o jovem mestre “Jay Ching” (Cona Lee), um habilidoso praticante de kung-fu, que revela ser bastante imaturo, pois anda sempre a pregar partidas a terceiros ou a arranjar lutas.

Jay

Jay Ching”

Chegado à China, “Jin-wu” procura assassinar “Fok”, mas inevitavelmente choca com “Jay”, que tenta proteger o ancião. Peripécia após peripécia, e luta após luta, “Jin Wu” e “Jay” acabam por se unir contra um inimigo comum.

Jin wu 3

Jin Wu nos trajes de ninja”

Review”

Constituindo o primeiro sucesso do conhecido actor e realizador Corey Yuen, “Ninja in the Dragon's Den” é mais um daqueles filmes que é apontado como uma referência obrigatória dos filmes de artes marciais. Embora não seja um dos meus favoritos, sou obrigado a concordar. Logo no início da película, a introdução promete imenso, pois afigura-se a um clip musical, onde os ninjas são reis. Podemos ver os míticos assassinos japoneses a demonstrar muitos dos seus truques e acrobacias, ao som de uma típica melodia pop dos anos '80, onde a certa altura se ouve o vocalista a debitar com convicção “ooh, shaka ninja!” Atentem à letra e vão perceber a que me estou a referir:

Silent Night!
Along the coast no sign is heard,
Of a man who might!
move through the night without a word,
as if he wasn't there, and you can't be sure, that he wasn't there!

Refrão
now listen to me children and I'll tell you of the legend of the Ninja,
they were men of the night
they moved in the night
and shared their lives
they were ready to fight (ooh shaka-ninja)
ready to kill,
they were ready to die,
ready to die -- ie, ahh --

Velhos ninjas

Velhos amigos”

Feito este apontamento que reputo de interessante, “Ninja in the Dragon's Den” revela ser um conto clássico de artes marciais, onde os costumeiros conceitos da amizade, honra e vingança estão bem presentes. Adicione-se estas premissas a momentos ingénuos de comédia e a um manancial de excelentes e bem executadas cenas de combate, temos que o “cocktail mágico” está pronto. É só ingeri-lo e deliciar-se, sem grande stress ou filosofias exacerbadas. Efectivamente, é preciso reconhecer que onde esta obra precisa de apostar mais, ou seja os combates de kung-fu, sai claramente vencedora. Imaginativas, brilhantes, de tirar a respiração, Corey Yuen providencia as condições para o grande Hiroyuki Sanada, Conan Lee e demais intervenientes ofereçam um “show” de acrobacias e golpes de antologia, que ficarão na retina de todos aqueles que visionarem esta longa-metragem. O clímax, neste particular, não será tanto a luta final entre os dois heróis e o também mítico Hwang Jang Lee, mas sim o combate precedente entre os protagonistas da película, onde os estratagemas e as armadilhas resultam numa combinação simplesmente fenomenal.

Com uma narrativa algo incoerente, (mas daí o que há de novo ou especial ?), e interpretações que apenas necessitam de ser acima da média no que concerne à parte física, “Ninja in the Dragon's Den” marca um capítulo do bom cinema de artes marciais, que nunca poderá desiludir os verdadeiros fãs, mesmo os mais exigentes. Os restantes, deverão passar apenas os olhos se estiverem curiosos para descobrir algo mais acerca das obras de artes marciais que se faziam há anos atrás, com muito menos recursos materiais do que é possível hoje em dia. Caso contrário, é favor passar ao lado e não estragar com criticas descontextualizadas ou completamente desfasadas do tempo ou do género.

Se és fã de artes marciais, não percas tempo. Este tem de fazer parte da tua colecção!

Luta

Jin Wu demonstra as suas capacidades”

imdb 7.5 em 10 (630 votos) em 17 de Outubro de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,88

quinta-feira, outubro 16, 2008

A Better Tomorrow/Ying hung boon sik - 英雄本色 (1986)

Origem: Hong Kong

Duração: 90 minutos

Realizador: John Woo

Com: Ti Lung, Chow Yun Fat, Leslie Cheung, Waise Lee, Shing Fui On, Kenneth Tsang, Emily Chu, John Woo, Tsui Hark, Shi Yangzi, Tien Feng

"Mark"

Sinopse

“Ho” (Ti Lung) e “Mark” (Chow Yun Fat) são dois conhecidos membros de uma tríade, que encontram-se envolvidos numa vasta operação ilegal de falsificação de dólares americanos. “Ho” tem um irmão que adora e protege imenso, chamado “Kit” (Leslie Cheung). Apesar de o sentimento ser mútuo, “Kit” não desconfia da vida criminosa do irmão mais velho e sonha prosseguir uma carreira completamente antagónica, ou seja, ser um inspector da polícia de Hong Kong.

"Os irmãos Ho e Kit"

A tragédia abate-se sobre os dois irmãos, quando devido a um trabalho falhado de “Ho” em Taiwan, uma tríade rival assassina o pai de ambos. “Ho” é preso, “Kit” descobre a vivência ilícita do irmão e vota-lhe ódio e desprezo, enquanto “Mark” na sua sede de vingança fica inválido e leva a partir daí uma vida miserável. Após cumprir uma pena de prisão, “Ho” está decidido a recuperar a confiança e amor do irmão, e decide abandonar o crime, arranjando um emprego honesto como motorista de táxi. No entanto, as coisas não correm pelo melhor e o antagonismo de “Kit” aumenta ainda mais quando negam-lhe uma promoção, pelo motivo de ser o irmão de “Ho”.

As coisas pioram quando “Shing” (Waise Lee), actualmente o chefe mais poderoso das tríades, começa a infernizar a vida de “Ho” por este se ter recusado a juntar novamente à organização. Pressionados pelas actuações de “Shing”, os irmãos esquecem as suas querelas e com a ajuda de “Mark”, enfrentam sozinhos e de frente a tríade que não os deixa em paz na busca de um amanhã melhor.

"Shing rodeado dos seus capangas"

"Review"

Quando nos referimos aos filmes de tríades de Hong Kong, na vertente “heroic bloodshed”, é meu costume e de tantos outros afirmar que existe um período antes de “A Better Tomorrow”, e outro posterior que nos viria a dar obras brilhantes, quase todas da autoria de John Woo, tais como “The Killer”, “Bullet in the Head” e “Hard Boiled”. O cinema de Hong Kong viria a diversificar finalmente a sua internacionalização, não vivendo quase exclusivamente dos filmes de artes marciais ou do wuxia. E por aqui desde logo se afere da incontornável importância desta película, pois foi praticamente aqui que tudo começou no que toca a destilar qualidade e um estilo incomparável relativamente ao conceito da vingança servida num avassalador prato de balas por um anti-herói! Numa lista revelada nos “Hong Kong Film Awards” de 2005, onde foi consultado um painel composto por 101 pessoas, desde realizadores de cinema, críticos e estudiosos do fenómeno da sétima arte, “A Better Tomorrow” foi eleito o segundo melhor filme de sempre do triângulo China/Hong Kong/Taiwan (consultar o resto da lista AQUI). Convenhamos que qualquer escolha tem sempre muito de discutível, e o que é bom para um muitas vezes não vale nada para outro, mas é forçosamente necessário reconhecer que “A Better Tomorrow”, pela sua importância histórica e imponência cinematográfica, é um claro candidato a figurar em qualquer “top” da sétima arte que se preze. Praticamente sem publicidade de relevo antes da sua estreia, esta longa-metragem viria a bater recordes de bilheteira em toda a Ásia, e poder-se-á afirmar que não constituiu quase nenhum risco financeiro a feitura de duas sequelas e uma prequela.

Alertando desde já que sou um admirador do actor em questão, um dos aspectos que importa antecipadamente esclarecer é a real importância de Chow Yun Fat no filme, e que imperativamente terá de ser desmistificada. Com certeza que todos os que estão familiarizados com o filme, já se aperceberam que é a sempre a figura do mencionado intérprete que aparece por todo o lado em jeito de destaque, seja nos “trailers”, nas capas das inúmeras edições de dvd ou nas fotos mais emblemáticas. Com todo o respeito, e que é imenso, a verdadeira estrela da película é o actor Ti Lung, do qual Leslie Cheung e Chow Yun Fat constituem uns espectaculares adjuvantes. O verdadeiro coração desta longa-metragem assenta na relação dos dois irmãos “Ho” e “Kit”, suportadas por duas boas interpretações do já mencionado Ti Lung e do saudoso Leslie Cheung. A Chow Yun Fat está reservado um importante papel de rebeldia, determinação e fúria, residindo neste actor a força da longa-metragem, reconheço. Mas meus amigos, a alma e o espírito ficarão a cargo de Ti Lung e um pouco de Leslie Cheung. Se não vos confessasse isto, não estaria a ser sincero e a pactuar com o politicamente correcto. Cumpre ainda referir uma curiosidade e que passa por tanto John Woo, o realizador, como Tsui Hark (produtor) terem participações no filme, e não apenas como meros figurantes!

"Mark sofre um brutal espancamento"

A fórmula de sucesso é a mesma a que estamos habituados no que toca a John Woo, embora exista um certo refinamento em “A Better Tomorrow”, em detrimento de uma aposta mais premente nos espectaculares momentos de acção. Com uma trama forte, é-nos dado a interiorizar a actuação das tríades, e a amizade de “Ho” e “Mark”, evidenciando honra no mundo do crime. Paralelamente, observamos a grande ternura que une os irmãos “Ho” e “Kit”, com o irmão mais velho a assumir uma postura protectora e de admiração que muito colhe a nossa simpatia. O negócio ilícito corre bem, a amizade dos intervenientes parece impossível de ser abalada, e o futuro de “Kit” parece ser o mais auspicioso possível. O terreno está preparado para que possamos gozar à vontade as sensações posteriores de pena, revolta e vingança quando tudo descamba e o paraíso acabou.

Outro aspecto bastante propalado acerca de “A Better Tomorrow” é o facto de a película “rebentar as costuras” de estilo, possuindo cenas emblemáticas para dar e vender. Tirando a parte final, em que já se está mesmo a ver (por isso não é nenhum spoiler!) vai haver matança e balas a rodos, normalmente faz-se a apologia de uma cena que marca imenso o filme. Falamos do tiroteio com o cunho de Chow Yun Fat, aquando da vingança que leva a cabo pela prisão de “Ho”. O actor entra num restaurante, impecavelmente vestido de fato, coberto com um sobretudo. Num corredor, vai posicionando armas estrategicamente em canteiros de flores, enquanto está agarrado a uma bela rapariga. Entra na sala onde os seus inimigos estão a jantar, e cumpre o seu objectivo de assassinato. À medida que posteriormente vai recuando no corredor e as suas balas esgotam, retira as armas dos ditos canteiros e continua a disparar, cobrindo a sua retirada e espalhando o inferno na terra. Tudo alternado entre planos rápidos e “slow motion”. Esta sequência é uma candidata a lugar honroso numa rubrica do género “os dois minutos mais intensos da história do cinema”. No que toca a estilo, a personagem “Mark”, viria a marcar uma posição bastante forte perante a juventude de Hong Kong na altura. Muitos adoptaram o estilo evidenciado por Chow Yun Fat nesta longa-metragem, acorrendo às lojas para comprar sobretudos pretos (para o clima de Hong Kong isto é terrível, principalmente no Verão) e óculos “Ray-Ban”, e andando de palito na boca. As autoridades criticaram imenso este facto, acusando John Woo de propalar o estílo dos criminosos pertencentes às tríades. Poderá passar também por aqui a explicação para o facto de Chow Yun Fat ter um papel predominante no que toca a Leslie Cheung e Ti Lung, assunto que já abordei mais acima.

Quando “A Better Tomorrow” estreou em Hong Kong, foi um murro no estômago e tornou-se no filme com mais receitas de bilheteira na história da região administrativa chinesa, tendo mantido o lugar por alguns anos. Apesar de não chegar ao brilhantismo de “The Killer”, é um filme com um mérito cinematográfico extraordinário. O seu “quid” passará por iniciar a brilhante odisseia dos “heroic bloodshed” de John Woo, consubstanciando um dos períodos de ouro do cinema de Hong Kong. Mais pode se lhe assacar outra proeza de renome que foi catapultar para as luzes da ribalta um actor que até então era conhecido por só participar, salvo uma ou outra excepção, em verdadeiros fracassos de bilheteira, comédias duvidosas e dramas de calibre menor. Quem? Esse mesmo! Estou a referir-me a Chow Yun Fat.

Imperdível!

"O trio no meio do inferno final"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25






quinta-feira, outubro 09, 2008

Green Snake/Ching Se - 青蛇 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Joey Wong, Maggie Cheung, Vincent Chiu, Wu Hsing Kuo, Lau Kong, Ma Jing Wu, Tien Feng

"Green Snake Xiao Qing"

Sinopse

As irmãs “Green Snake” (Maggie Cheung) e “White Snake” (Joey Wong) são dois demónios ancestrais em forma de cobra, que após um longo treino em feitiçaria, conseguem adquirir um aspecto humano. A razão que as norteia passa pelo facto de os humanos experienciarem o amor e a liberdade, sentimentos que à partida lhes estão negados. À medida que as duas belas mulheres vão-se habituando e apreciando a sua nova condição, “White Snake”, a mais velha e madura, apaixona-se e subsequentemente casa com o estudioso “Xu Xian” (Wu Hsing Kuo). O seu objectivo é gerar um filho, e desta forma consolidar a sua passagem para o reino dos mortais. Por seu lado, “Green Snake”, apesar de aos poucos se sentir atraída pela sua nova vida, ainda demonstra saudades da sua antiga forma de serpente, ao ponto de se transmutar ocasionalmente.

"As duas irmãs viperinas"

No entanto, esta situação cria um desequilíbrio na ordem natural das coisas, que chama a atenção dos budistas e taoístas mais esclarecidos e poderosos. Em decorrência deste facto, começa uma caça às duas irmãs, liderada pelo poderoso monge budista “Fa Hoi” (Vincent Chiu). No início, o sacerdote adopta uma postura de contenção perante as duas mulheres, atendendo a que as mesmas vivem calmamente e não molestam ninguém. Contudo, posteriormente “Fa Hoi” altera a sua forma de agir e passa ao ataque. No decurso da sua cruzada aparentemente justa, o monge descobre a real hipocrisia que se esconde por detrás do seu imaculado modo de vida.

"Green Snake e o monge Fa Hoi"

"Review"

Como qualquer região do mundo, a China possui uma mitologia própria, consubstanciada em milhares de lendas e contos, transmitidos muitas vezes por via oral. Sendo uma nação com uma riqueza cultural e teológica enorme, o manancial de histórias que poderão dar origens a filmes é quase infinito. A lenda da serpente branca é baseada numa dessas narrativas fantásticas do império do meio, que começou a ser transmitida por várias gerações e que originaria óperas chinesas, séries para a televisão e, como não podia deixar de ser, películas de cinema. A conhecida escritora de Hong Kong Lilian Lee, autora entre várias obras de “Adeus Minha Concubina”, daria corpo a um romance intitulado “Green Snake” que visa expôr a perspectiva dos eventos do ponto de vista de “Xiao Qing”, a irmã de “Bai Suzhen White Snake”, sendo esta normalmente a figura central do mito. Foi este o escrito que viria a servir de inspiração para a obra de Tsui Hark e que agora se tentará analisar um pouco.

Tsui Hark é sobejamente conhecido por ser um dos realizadores mais emblemáticos e importantes de sempre do cinema de Hong Kong. Uma das suas marcas indeléveis são os “wuxia”, as denominadas “fantasias de artes marciais”, ou simplesmente os filmes de artes marciais mais puros. Frequentemente as características essenciais destes três tipos de filmes aparecem misturadas nas películas que realizou, acontecendo por vezes algumas das suas longas-metragens estarem perfeitamente individualizadas no género onde se inserem. “Green Snake” é indubitavelmente uma “fantasia de artes marciais”, com naturais elementos do “wuxia”, estando na linha de películas como “A Chinese Ghost Story”, “Zu: Warriors of the Magic Mountain” ou “Dragon Chronicles (...)”, filmes acerca dos quais já escrevi anteriormente no “My Asian Movies”. Quer se goste ou não, tudo nasce da relevante paixão que Tsui Hark sempre nutriu pelas tradições ancestrais chinesas, aspecto que pessoalmente entendo que é de elogiar no realizador e onde o mesmo foi beber imenso na sua carreira, nem sempre com bons resultados.

Estamos perante um filme que apesar de se notar que o orçamento não foi assim tão generoso, tem momentos de rara beleza e virtuosidade. É certo que no início observamos os cabos que ajudam Vincent Chiu a planar, assim como as cobras não conseguem disfarçar o facto de serem de borracha. Igualmente muitos dos efeitos especiais são arcaicos e a um nível inferior de qualquer filme norte-americano dos anos '70. Contudo, “Green Snake” tem momentos de rara beleza e que manifestamente deslumbram o espectador. Os templos budistas, as florestas de bambu e especialmente “Fa Hoi” a andar sobre a água impressionam vivamente o espectador e fazem com que esta obra de Tsui Hark esteja à frente no seu tempo, servindo de inspiração a películas que viriam a ser realizadas posteriormente, tanto do realizador como dos seus congéneres.


"A dança indiana da luxúria"

Apesar dos filmes de Tsui Hark serem muitas vezes vistos como puro entretenimento, os mais conhecedores da sua obra sabem que o realizador expõe sempre uma mensagem significativa nas suas películas, normalmente detractora do regime comunista chinês. Aqui temos a costumeira menção, corporizada simbolicamente no robe vermelho do monge “Fa Hoi”, que na luta final parece tudo ofuscar e afogar. Contudo desta vez temos talvez algo mais significativo e que estará relacionado com a hipocrisia da religião, assim como uma crítica aberta àqueles que cedem perante as primeiras impressões e que tudo gostam de catalogar ou extremar na dicotomia “certo ou errado”, “bem e mal”, etc.

Protagonizado por duas das mais belas e bem sucedidas actrizes de Hong Kong, Maggie Cheung e Joey Wong, a parte erótica (dentro de limites “mais respeitáveis”) e sensual está bem presente na película, rivalizando neste particular com longas-metragens como “The Bride With White Hair”. Não querendo parecer despropositado nem menos sério (como se diz na minha terra “ca nada!”), imagine-se que até durante uns segundos temos a inesquecível oportunidade de contemplar uma Maggie Cheung, na altura com 29 anos, como veio ao mundo! Só por isto, o filme já valerá com certeza a pena! O papel de Cheung é eminentemente provocador, em contraposição com uma mais serena e madura Joey Wong que tenta na sua aventura humana, descobrir o amor e ser o protótipo da esposa dedicada. Por seu lado, Vincent Chiu representa competentemente o monge “Fa Hoi”, um ser dotado de uma rectidão e rigidez ética supostamente a toda a prova, mas que acaba por questionar o seu modo de vida, tendo por motivo o contacto com as duas irmãs demoníacas. Esta característica das mulheres não as faz propriamente seres maus e desprovidos de sentimentos, como “Fa Hoi” acaba por descobrir. O actor Wu Hsing Kuo, originário de Taiwan, é o equivalente à personagem que Leslie Cheung tão bem representou em “A Chinese Ghost Story”. Trata-se do ingénuo da história que é apanhado no meio da confusão, e que recolhe por este motivo toda a nossa complacência. É o elo mais fraco da actuação e nem de longe, nem de perto, chega aos calcanhares do saudoso Leslie Cheung no filme atrás referenciado.

Dotado de uma banda-sonora agradável, mesclada com ritmos tradicionais chineses, este “cocktail” de fantasia, artes marciais e sensualidade/sexualidade (a maior parte sugerida, do que propriamente evidenciada), está longe de ser um trabalho menor de Tsui Hark, como por vezes é considerado.

Vale a pena dar uma espreitadela!

"O sacerdote taoísta cego que anda à caça das irmãs"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50