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quarta-feira, janeiro 06, 2010

Comrades, Almost a Love Story/Tian mi mi - 甜蜜蜜 (1996)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 118 minutos

Realizador: Peter Chan

Com: Maggie Cheung, Leon Lai, Eric Tsang, Kristy Yeung, Irene Tsu, Christopher Doyle, Michelle Gabriel, Joe Cheung Tung Cho, Ding Yue

Li Xiao Jun 2

Li Xiao Jun”

Sinopse

“Li Xiao Jun” (Leon Lai) é um recém imigrante em Hong Kong, proveniente de Wuxi, uma cidade chinesa da província de Jiangsu. A sua principal aspiração é ganhar algum dinheiro para enviar à família e conseguir trazer a sua noiva “Li Xiao Ting” (Kristy Yeung) para Hong Kong, a fim de se casarem. Chegado à actual região administrativa chinesa, “Xiao Jun” torna-se amigo de “Qiao Li” (Maggie Cheung), uma mulher que só pensa em tornar-se rica e ascender socialmente. A amizade transforma-se progressivamente noutro tipo de sentimento, e ambos tornam-se amantes ocasionais.

Qiao Li

Qiao Li”

Conscientes que a sua relação não pode dar certo, devido à noiva que “Xiao Jun” possui em Wuxi, o casal decide manter-se apenas como amigos. As coisas parecem correr bem, pois os dois estão a progredir bem financeiramente, dando forma aos seus sonhos. Inesperadamente, uma crise financeira assola Hong Kong, e a situação económica de “Qiao Li” complica-se drasticamente. Por esta via, vê-se obrigada a arranjar um emprego como massagista e acaba por encetar um relacionamento com um membro de uma tríade chamado “Pao” (Eric Tsang). Por sua vez, “Xiao Jun” consegue finalmente trazer a noiva para Hong Kong e o enlace sucede-se. Contudo, apesar dos seus maiores esforços, os caminhos de “Xiao Jun” e “Qiao Li” cruzam-se outra vez, e ambos começam a questionar-se acerca das suas opções do passado.

Li Xiao Jun e Quiao Li

“Li Xiao Jun e Qiao Li”

“Review”

“Comrades, Almost a Love Story” faz parte daquele grupo de filmes de Hong Kong, cada vez mais raros hoje em dia, que mereceram amplos elogios da crítica um pouco por toda a parte. Premiadíssimo em variados certames de cinema, sobretudo asiáticos, a película que ora se analisa foi, com propriedade, considerada o 11º melhor filme chinês de sempre pela “Chinese Movie Database”, e o 28º nos Hong Kong Film Awards. O seu título original evoca uma música da popularíssima cantora de Taiwan Teresa Teng, e o seu sentido real é um verdadeiro hino ao amor. Esta longa-metragem em si, consubstancia-se mesmo numa bonita homenagem à intérprete musical e os motivos alusivos a Teng, consubstanciam-se num verdadeiro enredo secundário.

A aclamação de “Comrades, Almost a Love Story” é merecida. Não tenhamos dúvidas quanto a este aspecto. Apesar do seu pendor algo comercial, estamos perante um romance cheio de detalhes significativos e dotado de uma sensibilidade maravilhosa e pulsante. O destilar dos sentimentos é extremamente efectivo, com cenas de antologia, olhares e muitos gestos significativos. A trama tem algo de épico, pois acompanha a relação de “Xiao Jun” e Qiao Li” durante um período de 10 anos, mais propriamente entre 1986 e 1996. O argumento é extremamente interessante, quanto a mim bem expresso na “tagline” do Dvd da Mei Ah, que reza mais ou menos o seguinte: “Esta não é uma história acerca de duas pessoas que se apaixonam, mas antes acerca de dois corações que fazem tudo para não se apaixonarem”.

Os aspectos muito ligados ao sonho que tanto dominam as histórias românticas, aqui são algo deixados à parte e a simplicidade na exposição das situações marca presença. Mesmo sendo uma longa-metragem com laivos de paixão retumbantes, trata-se de uma película com pessoas “reais”, onde não subsiste nada que se possa reputar de exagerado ou incredível. A tensão é progressiva e enleia o espectador nas teias do relacionamento dos intervenientes. Dois amigos vêm aumentar de forma sustentada a sua amizade, e tornam-se cada vez mais próximos, embora não de uma forma demasiado evidente. O realizador Peter Chan começa então a criar as condições para que a paixão se desenvolva e atira-nos à cara o seu manancial de cenas memoráveis, como o dar de mãos no novo ano lunar chinês. A partir daqui embarcamos numa viagem através do âmago da paixão humana, sem qualquer tipo de pretensiosismo exacerbado.

Qiao Li e Pau Au Yeung

Qiao Li e Pao Au Yeung”

Embora o cerne da trama seja as dificuldades de “Xiao Jun” e “Qiao Li” em se amarem, “Comrades, Almost a Love Story” possui outros predicados a nível do argumento dos quais emana muito interesse. Um já foi referido, e trata-se do alusivo à cantora Teresa Teng. Outro, será indubitavelmente a relação estabelecida entre os naturais de Hong Kong, e aqueles que provêm da China propriamente dita. Apercebemo-nos que existem diferenças de grande relevância, que começam a se acentuar logo pela dicotomia da língua, ou seja, o cantonês “versus” o mandarim que é o idioma da maior parte dos imigrantes naturais da China. Aqueles que tentam a sua sorte em Hong Kong são olhados com algum desdém pelos habitantes da actual região administrativa e isso reflecte-se no pulsar do dia-a-dia dos participantes da história e anima-os a lutar por melhores condições de vida.

A diva Maggie Cheung faz uma das grandes interpretações da sua carreira, reconhecida em variados prémios que venceu, de que constitui exemplo o galardão para melhor actriz conseguido em praticamente todos os certames a que o filme concorreu. A sua presença é luminosa, e conseguida em todos os momentos, quer naqueles mais virados para o drama, assim como nos mais descontraídos. Em “Comrades, Almost a Love Story”, Maggie Cheung prova porque que é considerada justamente uma das melhores actrizes de sempre, no panorama do cinema oriental. É bastante gratificante observar como a actriz personifica uma mulher confiante, ambiciosa e apegada ao dinheiro, que acaba por se sacrificar por algo que sente que é maior do que ela. Por sua vez, o conhecido Leon Lai, o par romântico da história, exibe-se igualmente num bom plano, e aqui provavelmente obtém um dos melhores papéis da sua profícua carreira. O “pequeno grande” Eric Tsang, para não variar, tem uma presença marcante e cabe ainda salientar o facto de o grande mestre da fotografia e da imagem Christopher Doyle, aqui fazer uma “perna” na representação.

“Comrades. Almost a Love Story” é uma poderosa história de amor, e sem margem para dúvidas, um dos grandes filmes de Hong Kong da década de '90,  para além dos melhores dramas asiáticos de sempre. O destino sempre foi um tema grato para o cinema asiático e o de Hong Kong em particular, com temas que reflectem o facto de as personagens não conseguirem controlar o fado a que estão submetidas. A mensagem de “Comrades, Almost a Love Story” é um colosso de emoções, transmitindo a possibilidade de as histórias de amor poderem não acabar sempre bem, assim como que para o conquistar temos sempre de dar algo muito profundo de nós. No fundo, sempre se concluirá que o sentimento sobre o qual já tantos escreveram ou dissertaram, é o mais pujante motor da vida e nasce, muitas vezes, em locais ou momentos inesperados.

Obrigatório, principalmente para aqueles que apreciam um romance inteligente, mas nem por menos, carregado de uma miríade colorida de bonitos sentimentos!

imdb Nota 8.0/10 (1.482 votos) em 07/01/2010

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 8

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.”: 8

Classificação final: 8,13

segunda-feira, agosto 03, 2009

Beldades do Cinema Asiático - Maggie Cheung







Mais informações acerca desta maravilhosa actriz AQUI.


quarta-feira, junho 24, 2009

Ashes of Time Redux (2008)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: Wong Kar Wai

Com: Brigitte Lin, Leslie Cheung, Maggie Cheung, Tony Leung Chiu Wai, Jacky Cheung, Tony Leung Ka Fai, Li Bai, Carina Lau, Charlie Yeung

"Ouyang Feng e Hung Chi"

Introdução

Como deve ser do conhecimento de muitos que visitam este espaço, “Ashes of Time Redux” não difere muito do original “Ashes of Time”, tratando-se de uma versão melhorada em termos de imagem e outros aspectos relacionados com a produção. É certo que existem alguma subtracções e adições feitas por “Redux”, que darei conta abaixo. Mesmo assim, embora algumas sejam importantes, decidi não elaborar um texto feito à imagem do normal no “My Asian Movies”. Sendo assim, a sinopse infra é a mesma que consta no artigo que elaborei acerca de “Ashes of Time” há três anos atrás. Na “review”, abordarei sobretudo e de uma forma sumária, as diferenças entre ambas as versões, tentando emitir a minha opinião pessoal. Optei igualmente desta vez, por não atribuir a costumeira pontuação, pois entendo que, também neste particular, não deveria fazer uma autonomização das duas obras, sob pena de desvirtuar o pensamento de Wong Kar Wai. A crítica original encontra-se AQUI.

"Huang Yaoshi Aka Evil East"

Sinopse

"Ouyang Feng" (Leslie Cheung), também conhecido sob a alcunha de "Malicious West", é um proprietário de uma taberna situada no meio do deserto. Trata-se de um homem morto emocionalmente, devido ao casamento do seu irmão mais velho com a mulher que ama (Maggie Cheung). Vive do seu negócio e da contratação de espadachins necessitados de dinheiro, tendo em vista a perpetração de assassinatos por encomenda. Estranhas pessoas chegam à taberna, cada qual com a sua história que normalmente converge para a tragédia pessoal. Podemos acompanhar "Huang Yaoshi" (Tony Leung Ka Fai), cujo nome de batalha é "Evil East", um dotado homem da espada, cuja atitude cavalheiresca perante o mundo, a vida e o amor, deixaram-lhe um rasto de remorso e recriminação.

“Murong Yang” (Brigitte Lin), por seu lado, é um jovem em busca de vingança sobre “Evil East”, por este ter abandonado a sua irmã “Murong Yin”. Esta, por sua vez, deseja a morte do irmão, por este andar a tentar matar a sua paixão “Evil East”. “Yin” e “Yang” acabam por revelar serem a mesma pessoa, completamente destroçada pela rejeição de “Evil East” e incapaz de encontrar um caminho para a paz interior. Problemas trágicos são demonstrados por outros elementos da história, desde o espadachim cego (Tony Leung Chiu Wai) que é contratado para liquidar um bando de salteadores e cujo último desejo antes de falecer e ver o desabrochar das flores de cerejeira (em sentido figurado, pois tal serve para designar a esposa) na sua terra-natal, passando pelo assassino de bom coração “Hung Chi” (Jacky Cheung) que não gosta de usar sandálias, acabando na jovem e pobre rapariga camponesa (Charlie Yeung) que tenta comprar vingança com um cesto de ovos e uma mula.


"O espadachim cego"

"Review"

Precisamente 14 anos depois, o mestre Wong Kar Wai decidia dar um novo corpo ao seu único registo do “Wuxia”, e pessoalmente o meu filme predilecto do valioso espólio cinematográfico do realizador. Desde já se aplaude esta revisita, pelo restauro com a qualidade que esta magnífica obra merece. Como já tinha aludido no meu texto de 2006, e passo a citar “é francamente uma enorme injustiça não existir no mercado uma edição em DVD decente à disposição do público. As existentes são de má qualidade, e tornam-se um verdadeiro crime quando estamos perante uma obra desta envergadura.” Com “Ashes of Time Redux”, o problema fica resolvido, pois com a ajuda do insuspeito Christopher Doyle temos agora à disposição uma edição em condições de ser visionada e admirada. Contudo, existem outros aspectos igualmente importantes, que julgo não terem tomado a direcção correcta.

A principal crítica dirige-se aos cortes que o filme levou, dos quais eu nunca vou perdoar a remoção do grito de sofrimento dado por Brigitte Lin na famosa cena do lago, acompanhado pela música emblemática que associávamos sempre a “Ashes of Time”. Aliás, esta melodia, tal como a conhecíamos, foi removida de vez em “Redux”, notando-se contudo alguma da sua influência nos novos arranjos musicais. Existem outras retiradas e adições, tais como as duas primeiras cenas de luta, pelo que a primeira vez que nos deparamos com os salteadores é o único combate em que está envolvido “Ouyang Feng”, a personagem interpretada por Leslie Cheung. Aproveitando para me referir às cenas mais movimentadas, em “Redux” as lutas são mais perceptíveis, embora neste particular continue a imperar alguma confusão desenfreada. É definitivamente o grande calcanhar de aquiles desta película, como também já tinha aludido no meu anterior texto.


"Ouyang Feng e Murong Yang"

Uma adição que se saúda é o “flashback” relativo à noite do casamento da apaixonada de “Feng”, corporizada em Maggie Cheung, que é mais completa e envolvente do que na versão original. Outra inovação de assinalar, passa pelo derradeiro combate do espadachim cego, interpretado por Tony Leung Chiu Wai, em que Kar Wai opta ora por cortar o som, ou distorcê-lo, assim como tornar a cena mais escura de forma a simbolizar a perda de visão do protagonista. O efeito, sem margem para qualquer dúvida, embrenha mais o espectador na tragédia pessoal da personagem. O sangue carmim, bastante vívido, a jorrar da garganta do espadachim faz o resto. A propositada saturação de cores que predomina em “Redux”, faz com que o filme seja mais estilizado e bonito à vista, aspecto que era extremamente prejudicado pela pobreza de tratamento da versão original. Outro aspecto que é de relevar, passa pelo facto de a grande senhora do cinema asiático, Brigitte Lin, poder debitar agora o seu próprio diálogo em mandarim. Na primeira versão, as falas da actriz eram dobradas para cantonês, havendo alguma detestável dessincronização entre os movimentos da boca e o som. Aqui, felizmente, isto já não se passa.

Sem desprezar os bons predicados que o novo tratamento a “Ashes of Time” mereceu, julgo que o melhor teria sido fazer uma simples, mas efectiva recuperação a esta pérola da sétima arte. “Redux” parece ter sido uma película feita mais para os fãs de Kar Wai, pós - “In The Mood for Love/2046”, desligando-se por vezes do espírito original da obra. Por mim, tudo se mantinha, apenas a imagem e o registo do som eram melhorados. As adições seriam bem-vindas, mas apenas para complementar o que já de bom existia. Quanto à banda-sonora, deixava-a precisamente como estava na versão original, principalmente devido à “tal” música inesquecível, e se possível tentava introduzir de uma forma lógica, o fabuloso violoncelo de Yo Yo Ma que perdura maravilhosamente em “Redux”. Façam pois o favor de confrontar as duas versões, e depois cada um diga de sua justiça! Acima de tudo o que interessa, é que o cerne da questão continua presente: o efeito das tristes memórias passadas na nossa vida presente, e a agonia que as alimenta e as cicatriza no íntimo do nosso ser...

Confiram, nem que seja para observarem o grande e malogrado Leslie Cheung, num dos papéis mais brilhantes da sua carreira!



"Luta no rio"

The Internet Movie Database (IMDb) link - Refere-se à versão originária de "Ashes of Time"

Trailer

Outras críticas em português:

quinta-feira, novembro 20, 2008

As Tears Go By/Wong gok ka moon - 旺角卡 (1988)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Wong Kar Wai

Com: Andy Lau, Maggie Cheung, Jacky Cheung, Alex Man, Ronald Wong, William Chang, Kau Lam

"Wah"

Sinopse

“Wah” (Andy Lau) é um “gangster” de Hong Kong, cuja vida já correu melhor. A sua namorada fez um aborto sem ele saber, conduzindo desta forma ao fim de uma relação de seis anos. Acresce o facto do seu extemporâneo amigo “Fly” (Jacky Cheung) estar sempre a arranjar problemas, tendo “Wah” invariavelmente que resgatá-lo dos sarilhos em que se mete.

A vida de “Wah” sofre um abalo positivo quando “Ngor” (Maggie Cheung), uma prima que desconhece proveniente da ilha de Lantau, necessita de passar uns dias em Hong Kong, de forma a consultar um médico devido a uma doença pneumológica. Um romance desencadeia-se entre os dois e após “Ngor” retornar a Lantau, “Wah” decide perseguir a sua paixão e deixar os seus dias de criminoso para trás.

"Ngor"

Contudo, “Fly” farto de ser um “zé-ninguém” dentro da tríade, desencadeia um perigoso conflito com “Tony” (Alex Man) para além de aceitar um perigoso trabalho que parece estar votado ao fracasso. “Wah”, em nome da grande amizade que nutre por “Fly”, não tem escolha senão retornar a Kowloon e tentar salvar o jovem irreflectido. À partida de Lantau, “Wah” assegura a “Ngor” que retornará. No entanto, tal parece ser uma promessa difícil de cumprir.

"Fly"

"Review"

“As Tears Go By” foi a película de estreia do conhecedíssimo realizador Wong Kar Wai, e passados 20 anos continua a ser o seu sucesso comercial com maior relevância em Hong Kong, segundo rezam as estatísticas. A razão talvez passe por ser a longa-metragem mais acessível e menos esotérica do realizador, pelo menos das que eu tive a oportunidade de visionar. Como faltam pouquíssimos filmes (a nível das fitas de longa duração) deste autor para que eu possa deter um conhecimento quase total da sua obra, julgo que não andarei muito longe da verdade. Quase certo é que para a maior parte dos fãs de Wong Kar Wai é um filme primário, em nada se comparando com os trabalhos posteriores; para o apreciador não tão familiarizado com os trabalhos deste autor, “As Tears Go By” constituirá uma película apelativa que deslumbrará em vários momentos. Cabe-me a mim agora tomar uma posição por mais humilde ou superficial que seja.

Apesar de “As Tears Go By” ser marcado por vezes por alguma ingenuidade, são visíveis as marcas distintivas mais técnicas que iriam enformar o cinema de Kar Wai no futuro, e que muitos de nós conhecemos e apreciamos. É reconhecido que subjaz a esta obra alguns traços comuns do cinema de Hong Kong – versão anos 80, mormente na sua vertente de filme de tríade, a que está inerente a correlativa violência. Mas à semelhança de seis anos mais tarde, Kar Wai com “Ashes of Time”, ter dado corpo a um wuxia que se afastou bastante do protótipo do género, com “As Tears Go By”, as características do filme de acção acabam por ser algo secundarizadas perante a exploração de sentimentos e motivações pessoais dos intervenientes. Para além do mais, já se vislumbram os pormenores estéticos deliciosos, assim como uma preocupação com o detalhe e com a ambiência urbana. O realizador é um poeta estético, e aqui já nos é dado a a oferecer passagens emblemáticas a nível de imagem tal como aquela que nos é facultada no início do filme onde o bulício de Hong Kong e a sua forte carga de néon é explanada através do reflexo num conjunto de ecrãs de televisão. A mesma cena viria, sintomaticamente, a repetir-se num período posterior da película. A fotografia aqui ainda não estava a cargo do fantástico Christopher Doyle, companheiro de futuras andanças de Kar Wai. Neste prelúdio da sua carreira, o realizador socorrer-se-ia de outro colega de profissão, o conhecido Andrew Lau que muitos anos mais tarde seria co-autor de “Infiltrados”. Está lá também o costumeiro “slow motion” e o “slow pace”, que Kar Wai tanto celebra e que visa de algum modo potenciar melhor a sua mensagem e possibilitar a apreensão máxima do seu estilo visual, criativo e introspectivo.

"Beijo"

Sendo eu um fã de cinema algo permeável ao romance e ao tema da redenção falhada, com a subsequente exploração das suas diversas facetas, ver um filme de Kar Wai significará à partida um exercício significativo de prazer e reflexão. Em “As Tears Go By”, não haverá lugar para desilusões neste campo, nem que seja pelo facto de ser exposto um dos beijos mais românticos de sempre e que por esse mesmo motivo é capa de quase todas as edições e cartazes do filme. Os protagonistas são um dos duos emblemáticos da história do cinema asiático, os então jovens Andy Lau e Maggie Cheung, embora se reconheça que as futuras parelhas Leslie Cheung/Maggie Cheung, ou Tony Leung Chiu Wai/Maggie Cheung (sempre a Maggie!!!) tenham uma envolvência porventura superior. Retornando à estonteante cena, a mesma é acompanhada sonoramente por uma não tão boa (mas não sei porquê, assenta às mil maravilhas na sequência toda) versão de “cantopop” de “Take My Breath Away”, a música dos Berlin, que seria popularizada por “Top Gun” do realizador Tony Scott, onde despontaram Tom Cruise, Kelly McGillis e Val Kilmer. Sendo um filme de Kar Wai, mesmo que no início da carreira, possui um cunho sentimental bastante próprio, discreto do ponto de vista mais físico (com a excepção do afamado beijo e uma ou outra cena dispersa) mas nem por isso menos revelador da pujança apaixonada dos intervenientes. Somos perfeitamente capazes de sentir todo o manancial de emoções transmitidas pelo casal Lau/Cheung, que nos proporcionam momentos de actuação significativos e que demonstram a sua qualidade quase intrínseca como bons actores. O tempo daria razão à qualidade dos intérpretes, que quer se goste, quer se critique negativamente, anos mais tarde tornar-se-iam em dois “monstros” sagrados do panorama de Hong Kong, e porque não assumi-lo, internacional.

Sendo muitas vezes associado a “Mean Streets” (em Portugal recebeu o título de “Os Cavaleiros do Asfalto”), de Martin Scorsese, e apontado como uma inspiração primordial para esta obra de Wong Kar Wai, “As Tears Go By” é um filme que possui méritos inolvidáveis e, como referi acima, já demonstrava um pouco do que seria o cunho do realizador no futuro. É certo que em algumas alturas não consegue fugir a alguns “clichés” e estereótipos próprios do cinema de Hong Kong de então, não se podendo comparar na parte mais pro-activa às obras de John Woo. Não se nega igualmente que porventura estará longe de ser das longas-metragens mais bem executadas do realizador. Mas igualmente se costuma dizer que na “meninice” e no começo de uma vida, de uma história ou de uma carreira, é que se encontra a virtude e esta manifesta-se na inocência e nos primeiros passos, ainda que inseguros. “As Tears Go By” é a expressão inicial de amor pelo cinema manifestada por Wong Kar Wai, e como qualquer primeira paixão, existem sempre características únicas e marcas que ficam.É uma película para os menos exigentes e que cedem perante as primeiras impressões, mas igualmente para os apaixonados. E uma coisa é certa. Para além daquele beijo portentoso, que transpira fulgor e sentimento por todos os poros, é impossível esquecer a expressão de Andy Lau num epílogo convulsivo e lancinante. São estes pormenores que marcam qualquer cinéfilo que se preze como tal, ou simplesmente um amante da beleza.

A não perder!

"A vingança de Wah"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

  1. Contracampo

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 10

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13





quinta-feira, outubro 09, 2008

Green Snake/Ching Se - 青蛇 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Joey Wong, Maggie Cheung, Vincent Chiu, Wu Hsing Kuo, Lau Kong, Ma Jing Wu, Tien Feng

"Green Snake Xiao Qing"

Sinopse

As irmãs “Green Snake” (Maggie Cheung) e “White Snake” (Joey Wong) são dois demónios ancestrais em forma de cobra, que após um longo treino em feitiçaria, conseguem adquirir um aspecto humano. A razão que as norteia passa pelo facto de os humanos experienciarem o amor e a liberdade, sentimentos que à partida lhes estão negados. À medida que as duas belas mulheres vão-se habituando e apreciando a sua nova condição, “White Snake”, a mais velha e madura, apaixona-se e subsequentemente casa com o estudioso “Xu Xian” (Wu Hsing Kuo). O seu objectivo é gerar um filho, e desta forma consolidar a sua passagem para o reino dos mortais. Por seu lado, “Green Snake”, apesar de aos poucos se sentir atraída pela sua nova vida, ainda demonstra saudades da sua antiga forma de serpente, ao ponto de se transmutar ocasionalmente.

"As duas irmãs viperinas"

No entanto, esta situação cria um desequilíbrio na ordem natural das coisas, que chama a atenção dos budistas e taoístas mais esclarecidos e poderosos. Em decorrência deste facto, começa uma caça às duas irmãs, liderada pelo poderoso monge budista “Fa Hoi” (Vincent Chiu). No início, o sacerdote adopta uma postura de contenção perante as duas mulheres, atendendo a que as mesmas vivem calmamente e não molestam ninguém. Contudo, posteriormente “Fa Hoi” altera a sua forma de agir e passa ao ataque. No decurso da sua cruzada aparentemente justa, o monge descobre a real hipocrisia que se esconde por detrás do seu imaculado modo de vida.

"Green Snake e o monge Fa Hoi"

"Review"

Como qualquer região do mundo, a China possui uma mitologia própria, consubstanciada em milhares de lendas e contos, transmitidos muitas vezes por via oral. Sendo uma nação com uma riqueza cultural e teológica enorme, o manancial de histórias que poderão dar origens a filmes é quase infinito. A lenda da serpente branca é baseada numa dessas narrativas fantásticas do império do meio, que começou a ser transmitida por várias gerações e que originaria óperas chinesas, séries para a televisão e, como não podia deixar de ser, películas de cinema. A conhecida escritora de Hong Kong Lilian Lee, autora entre várias obras de “Adeus Minha Concubina”, daria corpo a um romance intitulado “Green Snake” que visa expôr a perspectiva dos eventos do ponto de vista de “Xiao Qing”, a irmã de “Bai Suzhen White Snake”, sendo esta normalmente a figura central do mito. Foi este o escrito que viria a servir de inspiração para a obra de Tsui Hark e que agora se tentará analisar um pouco.

Tsui Hark é sobejamente conhecido por ser um dos realizadores mais emblemáticos e importantes de sempre do cinema de Hong Kong. Uma das suas marcas indeléveis são os “wuxia”, as denominadas “fantasias de artes marciais”, ou simplesmente os filmes de artes marciais mais puros. Frequentemente as características essenciais destes três tipos de filmes aparecem misturadas nas películas que realizou, acontecendo por vezes algumas das suas longas-metragens estarem perfeitamente individualizadas no género onde se inserem. “Green Snake” é indubitavelmente uma “fantasia de artes marciais”, com naturais elementos do “wuxia”, estando na linha de películas como “A Chinese Ghost Story”, “Zu: Warriors of the Magic Mountain” ou “Dragon Chronicles (...)”, filmes acerca dos quais já escrevi anteriormente no “My Asian Movies”. Quer se goste ou não, tudo nasce da relevante paixão que Tsui Hark sempre nutriu pelas tradições ancestrais chinesas, aspecto que pessoalmente entendo que é de elogiar no realizador e onde o mesmo foi beber imenso na sua carreira, nem sempre com bons resultados.

Estamos perante um filme que apesar de se notar que o orçamento não foi assim tão generoso, tem momentos de rara beleza e virtuosidade. É certo que no início observamos os cabos que ajudam Vincent Chiu a planar, assim como as cobras não conseguem disfarçar o facto de serem de borracha. Igualmente muitos dos efeitos especiais são arcaicos e a um nível inferior de qualquer filme norte-americano dos anos '70. Contudo, “Green Snake” tem momentos de rara beleza e que manifestamente deslumbram o espectador. Os templos budistas, as florestas de bambu e especialmente “Fa Hoi” a andar sobre a água impressionam vivamente o espectador e fazem com que esta obra de Tsui Hark esteja à frente no seu tempo, servindo de inspiração a películas que viriam a ser realizadas posteriormente, tanto do realizador como dos seus congéneres.


"A dança indiana da luxúria"

Apesar dos filmes de Tsui Hark serem muitas vezes vistos como puro entretenimento, os mais conhecedores da sua obra sabem que o realizador expõe sempre uma mensagem significativa nas suas películas, normalmente detractora do regime comunista chinês. Aqui temos a costumeira menção, corporizada simbolicamente no robe vermelho do monge “Fa Hoi”, que na luta final parece tudo ofuscar e afogar. Contudo desta vez temos talvez algo mais significativo e que estará relacionado com a hipocrisia da religião, assim como uma crítica aberta àqueles que cedem perante as primeiras impressões e que tudo gostam de catalogar ou extremar na dicotomia “certo ou errado”, “bem e mal”, etc.

Protagonizado por duas das mais belas e bem sucedidas actrizes de Hong Kong, Maggie Cheung e Joey Wong, a parte erótica (dentro de limites “mais respeitáveis”) e sensual está bem presente na película, rivalizando neste particular com longas-metragens como “The Bride With White Hair”. Não querendo parecer despropositado nem menos sério (como se diz na minha terra “ca nada!”), imagine-se que até durante uns segundos temos a inesquecível oportunidade de contemplar uma Maggie Cheung, na altura com 29 anos, como veio ao mundo! Só por isto, o filme já valerá com certeza a pena! O papel de Cheung é eminentemente provocador, em contraposição com uma mais serena e madura Joey Wong que tenta na sua aventura humana, descobrir o amor e ser o protótipo da esposa dedicada. Por seu lado, Vincent Chiu representa competentemente o monge “Fa Hoi”, um ser dotado de uma rectidão e rigidez ética supostamente a toda a prova, mas que acaba por questionar o seu modo de vida, tendo por motivo o contacto com as duas irmãs demoníacas. Esta característica das mulheres não as faz propriamente seres maus e desprovidos de sentimentos, como “Fa Hoi” acaba por descobrir. O actor Wu Hsing Kuo, originário de Taiwan, é o equivalente à personagem que Leslie Cheung tão bem representou em “A Chinese Ghost Story”. Trata-se do ingénuo da história que é apanhado no meio da confusão, e que recolhe por este motivo toda a nossa complacência. É o elo mais fraco da actuação e nem de longe, nem de perto, chega aos calcanhares do saudoso Leslie Cheung no filme atrás referenciado.

Dotado de uma banda-sonora agradável, mesclada com ritmos tradicionais chineses, este “cocktail” de fantasia, artes marciais e sensualidade/sexualidade (a maior parte sugerida, do que propriamente evidenciada), está longe de ser um trabalho menor de Tsui Hark, como por vezes é considerado.

Vale a pena dar uma espreitadela!

"O sacerdote taoísta cego que anda à caça das irmãs"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50





segunda-feira, dezembro 17, 2007

The Moon Warriors/Zhan shen chuan shuo - 戰神傳說 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 85 minutos

Realizador: Sammo Hung

Com: Andy Lau, Anita Mui, Maggie Cheung, Kenny Bee, Kelvin Wong, Yi Chang, Chin Kar Lok

"Fei"

Estória

O governante “13º príncipe Yen” (Kenny Bee), é destronado pelo seu irmão maléfico, o “14º príncipe” (Kelvin Wong), sendo obrigado a fugir com os seus apoiantes, de onde se destacam “Hsien” (Maggie Cheung). Tendo caído numa emboscada a meio da floresta, “Yen” vê-se em apuros, mas é salvo devido à intervenção de “Fei” (Andy Lau), um pobre e gentil pescador, com grandes habilidades nas artes marciais e que possui como melhor amigo uma orca chamada “Wei”.


"O 13º príncipe Yen"

Necessitando desesperadamente de ajuda, “Yen” pede a “Fei” que vá ao encontro do imperador aliado “Lam Ning” (Yi Chang) e da sua filha “Yuet” (Anita Mui), tendo em vista a união de esforços contra o “14º príncipe”. “Fei” não evita apaixonar-se por “Yuet”, mas o seu amor é impossível, pois a princesa está noiva de “Yen” desde tenra idade.

Quando o “14º príncipe” descobre onde o seu irmão está refugiado, congrega as suas forças para dar a estocada final. A derradeira batalha pelo domínio do reino irá começar, e cabe a “Fei” ajudar “Yen” a sair vitorioso.

"Yuet e Hsien"

"Review"

Dotando-se de uma equipa técnica e de um “cast” bastante apelativo, o lendário Sammo Hung despe a capa de mestre e actor emblemático das artes marciais, e mais uma vez decide tentar a sua sorte na realização, aventurando-se desta vez no mundo do “Wuxia”. A premissa da estória está longe de ser uma novidade no género, ou seja, um monarca bondoso é destronado por um ente familiar do pior que existe; é ajudado por um homem simples mas uma verdadeira máquina com um sabre na mão; existe um triângulo (ou melhor um quadrado) amoroso pelo meio, mas que a honra impede que vá muito além; entretanto o vilão aparece para o confronto final, e pois…já estamos conversados! O desenrolar da trama é bastante típico dos “wuxias” dos anos ’90, com as falhas argumentativas do costume, umas mais evidentes do que outras. Mesmo assim, sempre lá aparece umas frases mais significativas pelo meio, e que nos ficam na memória. Neste caso em concreto, ficar-me-á mais gravado a explicação dada por “Fei” à princesa “Yuet”, acerca da razão pela qual os campos por onde passam serem bastante floridos. As flores têm tendência a nascer profusamente nos sítios onde descansam os restos mortais de muitos seres.

Um dos elementos distintivos desta película em relação às congéneres, passará pelo carácter marcadamente romântico pela qual a mesma envereda, e que apenas detém um rival à altura nas cenas de luta. É certo que os “wuxias”, em regra, têm um pendor que se reconduz bastante a este aspecto mais sentimental, e que se pensarmos bem, constituirá uma marca distintiva do género, em conjunto com o habitual “glamour” heróico e o extremo uso dos guindastes nas cenas de luta. No entanto, sou obrigado a admitir que “Moon Warriors” acentua mais do que o normal esta veia trágica, e que porventura não me admiraria que os seus comparsas do século XXI fossem buscar inspiração em parte a esta longa-metragem. Há que dar o mérito a algo, e “Moon Warriors” indubitavelmente merecerá algum.


"O perigo vem das alturas"

Quanto às lutas, garanto que os fãs do género, nos quais me incluo, não sairão defraudados. E tendo por responsáveis pelas cenas de acção os aclamados Ching Siu Tung e Corey Yuen, para além da inevitável contribuição de Sammo Hung, nada menos que bom seria de esperar. Os combates são de tirar a respiração, tal o envolvimento e a fúria que é posta no ecrã pelos intervenientes. Claro que poderá ser afirmado que os verdadeiros intervenientes nos combates não serão os actores principais, até pelo facto de Andy Lau, Anita Mui ou Kenny Bee, por exemplo, não serem reconhecidos praticantes de artes marciais. Contudo, posso declarar que as lutas em nada ficam a dever a outras películas do género, superando bastante a maior parte das mesmas. Uma “nuance” fora do comum passará pela intervenção de “Wei”, a orca que é a mascote de “Fei”.É que ela também intervém num combate, ao sair da água e acertar com a cauda na cara do infame “14º príncipe” (ninguém percebeu que era feita de borracha, eh, eh, eh!), fazendo com que estejamos perante uma espécie de “Free Willy” das artes marciais!?. Embora seja de saudar a intenção da cena, pois a amizade da personagem de Andy Lau com o animal é uma vaga de ar fresco nesta categoria de filmes, sempre se poderá dizer que soou um tanto ou quanto ridículo! Os cenários e as paisagens ajudam imenso ao meu gosto pela película. “Moon Warriors” é, sem margem para dúvida, um dos “wuxia” mais agradáveis à vista. A vila piscatória está muito bem concebida, o túmulo da família “Yen” fenomenal, e tudo muito bem complementado pelas costumeiras florestas de bambu e pelos campos povoados de belas flores.

Como epílogo deste texto, deixo apenas mais duas curiosidades que de certa forma me espantaram, mas depois de reflectir até fizeram algum sentido. A primeira passará pelo facto de George Lucas ter supostamente afirmado que de entre os vários filmes que se inspirou para fazer a mais recente trilogia de “A Guerra das Estrelas”, uma delas foi “Moon Warriors”. A segunda passará por alegadamente existir um epílogo em que a personagem interpretada por Andy Lau falece. Pelos vistos, o filme com este fim foi passado para uma plateia que se desmanchou em lágrimas, e protestou de tal forma, que o mesmo foi retirado.

“Moon Warriors” merece um lugar destacado na vaga de “Wuxia” de Hong Kong, que muito foi acentuado nos anos ’90, embora normalmente se tenha a tendência a elevar filmes como “Swordsman II” ou “New Dragon Gate Inn”. Constitui um esforço digno de Sammo Hung como realizador, e já agora, é uma oportunidade para vermos uma senhora chamada Anita Mui, um ícone de Hong Kong, e que infelizmente já não nos faz companhia neste mundo, tendo vindo a falecer no dia 30 de Dezembro de 2003, devido a um cancro.

"Fei com a sua mascote e amigo, a orca Wei"

Trailer, The Internet Movie Database(IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38





segunda-feira, setembro 03, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro grandes representantes do que se faz de melhor no cinema asiático e que estão a votos neste blogue:

Maggie Cheung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Ashes of Time, New Dragon Gate Inn, 2046, The Moon Warriors

Tony Leung Ka Fai

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ashes of Time, New Dragon Gate Inn, O Mito, A Dinastia da Espada, Dupla Visão, O Amante, O Rei dos Jogadores - O Regresso

Yoon Son-yi (Yoon Soy)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shadowless Sword, Arahan

Andy Lau

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Segredo dos Punhais Voadores, The Duel, Infiltrados, Battle of Wits, O Rei dos Jogadores, The Moon Warriors















sábado, fevereiro 03, 2007

2046 (2004)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 122 minutos

Realizador: Wong Kar Wai

Com: Tony Leung Chiu Wai, Zhang Ziyi, Gong Li, Takuya Kimura, Faye Wong, Carina Lau, Chang Chen, Wang Sum, Siu Ping Lam, Maggie Cheung, Thongchai McIntyre, Dong Jie, Miao Feilin, Farini Cheung, Berg Ng

"Chow Mo Wan, o escritor, jornalista, boémio e amante de mulheres"

Estória

"Chow Mo Wan" é um escritor de romances eróticos, que vende as suas estórias a jornais de Hong Kong, tendo em vista ganhar algum dinheiro que sustente o seu modo de vida boémio.

"Chow" chegou a Hong Kong, vindo de Singapura, onde viveu um romance com uma misteriosa mulher vestida de negro, que tinha o hábito inexplicável de usar uma luva da mesma cor na mão esquerda. Alcançado o seu destino, instala-se no apartamento 2047 do "Oriental Hotel", que fica mesmo ao lado do número 2046. Na realidade, "Chow" pretendia ficar no apartamento 2046, mas tal não foi possível pois este encontrava-se fechado devido a remodelações. O escritor começa a interessar-se pelas pessoas que posteriormente vão viver para o apartamento 2046.

"Bai Ling"

Essas pessoas são na sua totalidade mulheres com as suas estórias e dramas pessoais. "Chow" vive um romance com "Lulu", que desaparece misteriosamente; a seguir, chega "Wang Jing Wen", a filha do dono do hotel, que mantém um relacionamento com um homem japonês, que o pai desaprova vivamente, devido a sofrimentos familiares do passado; por fim, aparece "Bai Ling", uma jovem e bela acompanhante.

"Chow" inicia um relacionamento com "Bai Ling", mas que revela ter pouco de amor e mais de conveniência. O romance progride, tendo como pano de fundo a complexa história de Hong Kong dos anos 60, mas está fadado ao malogro.

No meio de todas estas vivências emocionais, "Chow" continua fascinado pelo apartamento número 2046, que aparece atrair apenas pessoas que tentam reviver as suas recordações perdidas...igualmente imagina uma estória futurística onde o papel do apartamento 2046 tem um importante significado.

"Tórrido amor no futuro entre um humano e uma ciborgue..."

"Review"

"Todas as recordações são rastos de lágrimas". É com esta premissa que praticamente começa uma das mais aguardadas obras de sempre do aclamadíssimo realizador Wong Kar Wai. Contribuiu muito para a expectativa gerada em torno de "2046", o facto de ter sido o primeiro esforço do realizador após o bem sucedido "Disponível Para Amar" ("In The Mood For Love"), e supostamente a película que ora se tenta avalizar seria uma espécie de sequela daquele filme.

A sua apresentação no Festival de Cannes - edição de 2004, não foi livre de atribulações, pois a cópia que seria exibida no famoso certame de cinema chegou apenas 3 horas depois do horário que deveria passar na tela, obrigando a que a exibição tivesse de ser remarcada. Tratou-se de um acontecimento inédito na história do festival. Igualmente, a rodagem desta película não esteve isenta de incidentes, atendendo a que um repórter dum tablóide de Hong Kong chamado "Sudden Weekly", conseguiu escapulir-se para o local das filmagens, conseguindo publicar as fotos do interior do "Oriental Hotel". O resultado foi Kar Wai ter mudado os cenários completamente, e o repórter ter sido condenado a três meses de prisão.

A própria designação do filme evoca o último ano em que Hong Kong permanecerá com o seu estatuto actual e especial de Região Administrativa, com os poderes e faculdades inerentes a tal prerrogativa. O título da película tem contornos ambíguos e analógicos mais ou menos óbvios. Sendo o apartamento 2046, um local que supostamente as coisas nunca mudam, a região de Hong Kong manterá igualmente a sua autonomia e regime (à semelhança do que já acontecia sob o domínio inglês) durante 50 anos, até haver uma plena integração na República Democrática da China. Milita a favor desta interpretação, o facto de o único homem que consegue fugir ao apartamento 2046 ser um viajante japonês que se apaixona por uma ciborgue, personagens do romance futurístico de "Chow". Tal implica uma mudança, tal se passa num futuro a médio-longo prazo.


"A segunda Su Li Zhen"

Sendo um filme com a marca de Wong Kar Wai, é inevitável que apresente as marcas distintivas do seu intrincado estilo de realização e direcção. As personagens são movidas por uma permanente estaticidade que se reflecte de sobremaneira no ambiente envolvente, salvo as incursões feitas pelo romance futurístico de "Chow". As emoções andam quase sempre à flor da pele, conjugadas umbilicalmente com os dramas pessoais de cada um dos intervenientes. Mas acima de tudo, o que ressalta inevitavelmente no trabalho do realizador chinês são as memórias das pessoas e tudo o que gira à volta deste diapasão.

Dotado de um elenco fabuloso, porventura um dos mais carismáticos de sempre do cinema oriental, "2046" faz da representação dos actores um dos seus pratos fortes. Tony Leung Chiu Wai repete a excelente interpretação evidenciada em "Disponível Para Amar" (o que é que não estará ao alcance deste actor é a questão que se põe), bem secundado pelas grandiosas divas Zhang Ziyi, Gong Li, Faye Wong e Carina Lau (Maggie Cheung só aparece em poucos momentos relacionados com a sua personagem em "Disponível Para Amar").

A fotografia é simplesmente maravilhosa (abençoado Christopher Doyle!), os pormenores são brilhantes, as emoções são fortes e significativas, tudo parece rondar a perfeição.

No entanto, tenho que confessar que já começo a fartar-me da extrema contemplação e lentidão que Wong Kar Wai insiste em expor nas suas obras. De início é maravilhoso, mas para quem já visionou algumas obras do realizador, fica com a sensação que neste aspecto ele precisa de se redescobrir. Fico por vezes com a sensação que é pretendido a análise milimétrica de cada cena maravilhosa que nos é dada a conhecer. Isto tem efeitos perniciosos em relação à movimentação e desenvolvimento do filme. Se calhar uma maneira simpática de dizer "lento demais!". Se o filme trata de mudança, porventura não seria má ideia Wong Kar Wai nos presentear com algo de verdadeiramente novo para variar. O seu talento incontornável assim o exige!

De qualquer forma, é inolvidável que estamos perante uma grande obra de cinema, que merecerá sem dúvida aclamação.

Muito bom!

"Chow Mo Wan vive númerosos affaires"

Trailer , The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

  1. Cine Road

    Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,50



quinta-feira, janeiro 04, 2007

Maggie Cheung (biografia)
Maggie Cheung nasceu em Hong Kong, em 20 de Setembro de 1964.
Com oito anos de idade, mudou-se com a família para Inglaterra, onde permaneceu até completar o ensino secundário. Na sua escola, sentia-se discriminada pelo facto de ser a única estudante asiática. Este sentimento continuou quando aos 18 anos retornou a Hong Kong, pois já não sabia falar o dialecto local correctamente.
Cheung iniciou uma carreira como modelo, que a levou a entrar em anúncios televisivos, chegar à final do concurso "Miss Hong Kong" e finalmente começar a sua experiência no mundo do cinema, embora em filmes de baixo calibre tais como "Prince Charming", "Happy Ghost 3" e "The Frog Prince".
A sua grande oportunidade surgiu em 1985, quando desempenhou o papel de "Mai" a namorada de Jackie Chan em "Police Story". O filme viria a revelar-se um grande sucesso comercial, com direito a duas sequelas "Police Story 2" e "Supercop".
No entanto, a verdadeira explosão do talento de Maggie Cheung deu-se em 1989, no filme intitulado "Full Moon in New York" do conhecido realizador Stanley Kwan, que fez com que ganhasse o prémio para melhor actriz no Golden Horse Festival, em Taiwan. Neste mesmo ano, ao entrar em "As Tears Go By" deu início à primeira de inúmeras colaborações com Wong Kar Wai. Seguiram-se mais dois dramas, "Song of the Exile" (1990) de Ann Hui e "Days of Being Wild" (1991), novamente de Kar Wai.

"Uma bela actriz, um talento sem par"

O seu desempenho em "The Actress" (1991) valeu-lhe imensos prémios como melhor actriz em vários festivais tais como o Taiwan Golden Horse, Hong Kong Film Awards e Berlim. A sua actuação neste filme como Ruang Ling Yu, uma actriz chinesa da década de 30 do século XX que costumava dobrar a voz de Greta Garbo, valeu-lhe elogios francamente positivos da crítica mais exigente. Seguiram-se mais dois filmes de artes marciais, "Twin Dragons" (este igualmente com Jackie Chan) e "The Heroic Trio", ambos de 1992.

À medida que a sua carreira ia progredindo, Cheung começou a ser mais selectiva na escolha dos seus papéis. Em 1994, ocorre a sua terceira colaboração com Wong Kar Wai, no incompreendido mas fabuloso épico "Ashes of Time", onde Maggie Cheung desempenha o amor impossível do malogrado Leslie Cheung. Posteriormente, viaja para Paris tendo em vista protagonizar "Irma Yep", realizado por Oliver Assayas, com quem viria a casar-se, união que foi votada posteriormente ao malogro.

Em 1997, actua em "A Caixa Chinesa", conjuntamente com dosi grandes nomes do cinema mundial, Gong Li e Jeremy Irons. O filme de Wayne Wang teve uma aceitável distribuição mundial, e inclusive estreou nos E.U.A., o que foi bom para dar visibilidade à actriz. Em 2001, volta à quarta colaboração com Wong Kar Wai, no maravilhoso drama romântico "Disponível para Amar", papel que lhe valeu mais um conceituado prémio no Taiwan Golden Horse Festival.

2002 foi o ano em que Maggie Cheung viria a desempenhar um dos seus papéis mais marcantes e porventura o que lhe iria dar maior visibilidade internacional. Falamos da bela e orgulhosa "Neve Esvoaçante", no grandioso épico de Zhang Yimou "Herói". 2004 igualmente a ser um ano muito bom para Maggie Cheung, pois "Herói" estreia nos E.U.A., com uma "mãozinha" de Quentin Tarantino, e atendendo a que Cheung desempenha um dos papéis principais, chama a atenção do público norte-americano para as suas inegáveis qualidades a todos os níveis. Igualmente neste ano, entraria pela quinta vez num filme de Wong Kar Wai designado "2046", onde teve a oportunidade de contracenar com várias musas do cinema asiático tais como Faye Wong, Zhang Ziyi, Gong Li e Carina Lau.

Maggie Cheung é uma das actrizes asiáticas mais respeitadas no panorama internacional, e mesmo que porventura não tenha a visibilidade de Zhang Ziyi e Gong Li, não lhes fica a dever nada em termos de beleza e talento. Veremos o que o futuro reserva a esta maravilhosa intérprete!

Curiosidades (Fonte: Internet Movie Database - IMDb)

  • Em 1997, foi membro do Juri no Festival Internacional de Berlim;
  • Foi finalista no concurso Miss Hong Kong, edição de 1983;
  • Modelo da Hermes e do Shampoo Lux;
  • Foi a primeira chinesa a vencer o prémio para melhor actriz em Berlim (1992) e Cannes (1994);
  • Os seus pais são de Xangai. Embora ela não fale o dialecto desta cidade, consegue entende-lo;
  • Queria ser cabeleireira quando era criança;
  • Recusou um papel no filme X-Men 2, por achar que seria desonesta em aceitá-lo;
  • Actuou em 7 filmes com Tony Leung Chiu Wai e em 6 películas com Brigitte Lin, actriz que Cheung considerava o seu ídolo;
  • Recusou o papel em "Memórias de Uma Gueixa", devido à tensão racial existente entre os chineses e japoneses, consequência da II Guerra Mundial.

"A inesquecível Neve Esvoaçante no épico Wuxia Herói"

Filmes:

  1. Behind the Yellow Line (1984)
  2. Prince Charming (1984)
  3. Rainbow Around My Shoulder (1984)
  4. Christmas Romance (1985)
  5. Girl With the Diamond Slipper (1985)
  6. Lost Romance (1985)
  7. Police Story (1985)
  8. Dr. Yuen and Wisely (1986)
  9. Happy Ghost 3 (1986)
  10. Heartbeat 100 (1987)
  11. The Game They Call Sex (1987)
  12. The Romancing Star (1987)
  13. Heavenly Fate (1987)
  14. Project A2 (1987)
  15. Moon, Stars & Sun (1988)
  16. Call Girl 88 (1988)
  17. As Tears Go By (1988)
  18. Double Fattiness (1988)
  19. How to Pick (1988)
  20. Mother Vs. Mother (1988)
  21. Beloved Son of God (1988)
  22. Love Soldier of Fortune (1988)
  23. Paper Marriage (1988)
  24. Police Story 2 (1988)
  25. Golden Years (1988)
  26. Little Cop (1989)
  27. My Dear Son (1989)
  28. Bachelor´s Swan Song (1989)
  29. Double Causes Trouble (1989)
  30. The Iceman Cometh (1989)
  31. A Fishy Story (1989)
  32. In Between Love (1989)
  33. Heart Into Hearts (1990)
  34. Red Dust (1990)
  35. Farewell China (1990)
  36. Full Moon in New York (1990)
  37. Crying Freeman: Dragon From Russia (1990)
  38. Song of Exile (1990)
  39. Today's Hero (1991)
  40. Party of a Wealthy Family (1991)
  41. The Perfect Match (1991)
  42. Days of Being Wild (1991)
  43. Alan and Eric Between Hello and Goodbye (1991)
  44. Will of Iron (1991)
  45. New Dragon Gate Inn (1992)
  46. The Twin Dragons (1992)
  47. King of a Thousand Faces (1992)
  48. Too Happy For Words (1992)
  49. All's Well, Ends Well (1992)
  50. What a Hero (1992)
  51. Supercop (1992)
  52. The Actress (1992)
  53. Blue Valentine (1992)
  54. True Love (1992)
  55. Boys Are Easy (1993)
  56. Moon Warriors (1993)
  57. Flying Dagger (1993)
  58. The Eagle Shooting Heroes (1993)
  59. First Shot (1993)
  60. Bare Foot Kid (1993)
  61. The Heroic Trio (1993)
  62. Cinema Jack (1993)
  63. Seven Maidens (1993)
  64. Enigma of Love (1993)
  65. Mad Monk (1993)
  66. Heroic Trio 2 (1993)
  67. Green Snake (1993)
  68. Conjugal Affair (1994)
  69. Ashes of Time (1994)
  70. Comrades: Almost a Love Story (1996)
  71. The Soong Sisters (1997)
  72. A Caixa Chinesa (1997)
  73. Augustin, King of Kung Fu (1999)
  74. Le Bel Hiver (2000)
  75. Love at First Sight (2000)
  76. Disponível Para Amar (2000)
  77. Herói (2002)
  78. Clean (2004)
  79. 2046 (2004)

"Com o malogrado Leslie Cheung em Ashes of Time"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Fan Clube Francês de Maggie Cheung

"Em Disponível para Amar (In the Mood for Love) formou com Tony Leung Chiu Wai um dos pares mais emblemáticos da história do cinema"