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terça-feira, março 11, 2008

From the Heart/Dil Se...- दिल से (1998)

Origem: Índia

Duração: 152 minutos

Realizador: Mani Ratnam

Com: Shahrukh Khan, Manisha Koirala, Preity Zinta, Raghuvir Yadav, Sabyasachi Chakravarthy, Piyush Mishra, Krishnakant, Aditya Srivastava, Ken Philip, Sanjay Mishra, Mita Vasisht, Arundhati Rao, Malaika Arora, Gautam Bora, Manjit Bawa

"Varna e Meghna"

Estória

“Amarkant Amar Varna” (Shahrukh Khan) é um jornalista da estação radiofónica “All India”, que é enviado da capital Deli para o norte do país, tendo em vista elaborar uma reportagem acerca de distúrbios relacionados com as comemorações do 50º aniversário da independência da Índia.

Numa estação de comboio, “Varna” depara-se com uma rapariga chamada “Meghna” (Manisha Koirala), e apaixona-se instantaneamente. “Meghna”, apesar de parecer sentir-se atraída por “Varna”, recusa os seus avanços. No fim da sua estada na região turbulenta, “Varna” acaba por ser barbaramente agredido por supostos familiares de “Meghna”, de forma a que deixe de insistir numa relação com a rapariga.

"Chaiyya Chaiyya"

“Varna” regressa a Deli, e tempos depois torna-se noivo de “Preeti” (Preity Zinta). A vida parece correr bem, até que “Meghna” aparece em casa de “Varna” e solicita-lhe refúgio e trabalho na rádio “All India”. O jornalista cede perante os pedidos de “Meghna”, e todo o seu sentimento começa a despontar outra vez.

Mal imagina “Varna”, que “Meghna” é uma terrorista que se encontra em Deli para cometer um atentado suicida contra o primeiro-ministro da União Indiana. E apesar da rapariga amar “Varna”, de todo o coração, nada a fará desistir do seu objectivo.

"O juramento dos terroristas"

"Review"

Sem qualquer tipo de preconceito, iremos agora falar de um ilustre representante da maior (não confundir com melhor, por favor) indústria de cinema asiática e mundial: Bollywood! Para os mais distraídos, e que porventura pensavam que este espaço desprezava o cinema proveniente de Bombaim, alerto que em tempos elaborei um texto acerca de outro filme de “Bollywood”. Trata-se do épico “Asoka” (ver AQUI).

Aquando da sua estreia, “Dil Se...” esteve longe de ser um estrondoso sucesso, revelando resultados de bilheteira muito abaixo das expectativas geradas. Contudo, esta situação haveria de mudar com a subsequente internacionalização do filme, e presença em alguns festivais, como Berlim, onde em 1999 venceu um prémio. A grande consagração e surpresa, adviria do Reino Unido, onde “Dil Se...” viria a ser o primeiro filme indiano a entrar no top 10 do “box office” inglês.

Antes de tudo, e como seria de esperar de um filme de “Bollywood”, “Dil Se” é uma estória de paixões... Ah, é verdade! Nada de suspense, e deixemo-nos de rodeios! Admitamos desde já que é uma película trágica também! Portanto, podem ir buscar os vossos lenços para secar os litros de lágrimas que irão jorrar! Hum...estava a brincar! Uma das características que faz com que “Dil Se” fuja um pouco ao estigma da maior parte dos seus conterrâneos, é que contém drama quanto baste, não entrando em exageros demasiado pirosos. No entanto, é certo que como um bom filho daquelas paragens, o filme não se livra das músicas, nem do final estrondosamente triste do costume. Portanto...

Falemos de amor. A premissa para a trama apaixonada em “Dil Se” tem muito de espiritual, diga-se de passagem. De acordo com a literatura árabe antiga, o amor tinha sete estád(i)os a saber: “Hub” (Atracção), “Uns” (Arrebatamento), “Ishq” (o Amor propriamente dito), “Aquidat” (Respeito), “Ibaddat” (Veneração), “Junoon” (Obsessão) e “Maut” (Morte). É assumido pelo próprio argumento e pela personagem interpretada por Shah Rukh Khan, que o filme pretende fazer uma recriação de todos os aspectos atrás mencionados. E de facto, se visionarmos a película com alguma atenção, sempre poderemos dividi-lo em sete partes, que corresponderão quase na perfeição às tais fases do amor. Eu pelo menos vi a película desta perspectiva, embora admita que possa ter sido condicionado de alguma forma pela sinopse. Outros defendem que as cinco primeiras fases são claramente inexistentes, e que praticamente nos ficamos pela obsessão e pela morte. Não compartilho nada desta ideia.

"Meghna e Preeti, a noiva de Varna"

Paralelamente ao óbice amoroso, subjaz o aspecto polémico desta longa-metragem e que o faz ser pouco comum (embora não único) na cinematografia de “Bollywood”: a mensagem política.
É claramente passada a ideia que o 2º país mais populoso do mundo (cerca de 1112 milhões de pessoas), não se encontra tão unido quanto isso, padecendo pelo contrário de uma forte desagregação social e étnica, onde grandes cidades como Deli, Bombaim, Calcutá ou Madrasta são consideradas o cerne do país e o resto é conversa. Este tipo de centralismo, normalmente dá azo a regionalismos exacerbados, que degeneram muitas vezes em sentimentos independentistas. Tais extremismos normalmente são expressados em comportamentos violentos. Daqui nasce o que várias vezes apelidamos de terrorismo. Para outros é uma luta justa, que visa conseguir a auto-determinação de um povo ostracizado e desprezado. A própria ideia da mulher - terrorista, retratada em “Meghna”, e do seu propósito final de querer assassinar o primeiro-ministro indiano, parece ser baseada num evento real. Falo do assassinato de Rajiv Ghandi, às mãos de uma bombista suicida, em 1991 (possuo algumas recordações deste evento, pois já contava 14 anos à altura). A mulher chamava-se Thenmuli Rajaratnam, e era um membro da organização “Tigres Tamis”.

Passemos a coisas mais alegres e falemos das inevitáveis músicas. A primeira coisa a referir é que todas sem excepção (e por incrível que pareça para alguns) possuem uma qualidade bastante elevada. Não será alheio ao facto, o compositor das melodias ser um dos maiores nomes da “world music”, ou seja, um senhor que tem por nome A. R. Rahman. Da banda-sonora destaca-se claramente “Chaiyya Chaiyya”. Apreciem-no AQUI, ou em alternativa, também poderão ouvi-la na caixa de música que se encontra no blogue. Esta melodia em particular constitui um dos maiores êxitos do cinema de “Bollywood”. A prova disso mesmo é que igualmente faz parte do genérico inicial do filme “Inside Man” de Spike Lee, assim como constitui um dos vários sons que compõem a eclética banda-sonora de “Moulin Rouge”, de Baz Luhrmann. Gosto mesmo do raio da música! Tanto que até me apetece saltar para cima de um comboio em andamento e dar pulos que nem um louco! E a propósito deste aspecto, fica aqui registado que a sequência que poderão acima visionar no “clip” mencionado não foi isenta de acidentes, como facilmente poderemos imaginar. Tratou-se, segundo li, da primeira dança de um filme de “Bollywood” a ser efectuada num comboio em andamento. Como podem facilmente perceber, poderão haver alguns problemas de equilíbrio. Shahrukh Khan, a estrela da companhia quis dar o exemplo, e não usou qualquer tipo de medida de segurança durante a rodagem da cena em questão (está na altura da piada machista: “pois, grande coisa! Se eu tivesse pela frente uma rapariga como a modelo Malaika Arora, também não me fazia rogado e até executava mortais com o comboio em andamento!”). Pelos vistos, alguns dos que resolveram seguir os passos de Khan, não se deram bem e parece que existiram alguns ferimentos a reportar, embora nenhuma vítima grave.

Merece ainda uma palavra de apreço, a excelente fotografia desta longa-metragem, com paisagens de sonho, que aproveitam ao máximo as excelentes localizações que a Índia tem para nos oferecer. São-nos apresentados igualmente alguns cenários idílicos do enclave de Caxemira e do Butão. É, acima de tudo, apresentada uma viagem de sonho, desde florestas verdejantes, até desertos cuja temperatura só empalidece perante a força dos sentimentos que por vezes é transmitida.

“Dil Se – From the Heart”, como o nome indica, é um filme feito com o coração. Todos nós sabemos que quando assim o é, à semelhança de tudo na vida, as coisas por vezes perdem algum discernimento. No entanto, não deixa de ser uma boa proposta de uma cinematografia que por vezes, injustamente, está associada ao que de menos bom se faz no cinema mundial.

"O desespero dos amantes"

Trailer,

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação.

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artísitco - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75