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terça-feira, maio 20, 2008

Infiltrados II/Infernal Affairs II/Mou gaan dou II -
無間道II

Origem: Hong Kong

Duração: 119 minutos

Realizadores: Andrew Lau e Alan Mak

Com: Anthony Wong, Eric Tsang, Carina Lau, Shawn Yue, Edison Chen, Francis Ng, Hu Jun, Chapman To, Roy Cheung, Liu Kai Chi, Yu Chiu, Kara Hui, Andrew Lin, Henry Fong, Arthur Wong, Peter Ngor, Teddy Chan, Joe Cheung, Wan Chi Keung, Wu Kwan, Kelly Fu, Alexander Chan, Hera Lam, Eva Wong, Brian Ireland, Bey Logan

"O jovem Lau, o infiltrado da tríade na polícia"

Sinopse

No ano de 1991, o inspector “Wong” (Anthony Wong) leva a cabo uma luta sem tréguas contra as mais poderosas tríades de Hong Kong, tendo por aliado um membro daquelas organizações chamado “Sam” (Eric Tsang). Um dos objectivos de “Wong” é colocar “Sam” numa posição hierárquica elevada, de forma a poder controlar com mais segurança as actividades mafiosas que povoam a actual região administrativa chinesa. Contudo, “Sam” vive sob o jugo da poderosa família Ngai, que tem em “Kwun” (Joe Cheung), o seu líder incontestável.

O equilíbrio é seriamente afectado quando “Kwun” é assassinado por “Lau” (Edison Chen), a toupeira que “Sam” tem infiltrada na polícia de Hong Kong. A chefia da família Ngai é assumida por “Hau” (Francis Ng), e este trata logo de instituir uma nova ordem, que passa por assassinar os “4 grandes”, expressão que se refere aos quatro mais poderosos chefes de tríades, a seguir ao próprio “Hau”.

"O inspector Wong"

Entretanto o jovem “Yan” (Shawn Yue) é expulso da academia de polícia, por ser meio-irmão do poderoso “Hau”. “Wong”, que pressente a honestidade do rapaz, propõe-lhe que ele seja um espião das forças da autoridade no clã Ngai. Dividido entre a lealdade à família e o sentido de dever, “Yan” acaba por aceitar, e torna-se na toupeira da polícia.

A guerra entre as tríades começa a subir de tom, assim como o conflito entre os criminosos e a polícia. Em 1997, ano em que Hong Kong transitou para a administração chinesa, um ciclo velho igualmente vai morrer no crime organizado, e um novo se iniciará.

Mary Hon, a esposa do gangster Sam"

"Review"

Após o estrondoso e merecido sucesso de “Infiltrados”, Andrew Lau e Alan Mak não perderam tempo e no ano seguinte lançaram para as telas de cinema “Infiltrados II”, de forma a dar continuidade à saga, e se possível fazer rentabilizá-la ao máximo. Eu disse continuidade? Talvez não seja bem assim. A expressão em causa referir-se-á propriamente à feitura de um segundo filme e não à narrativa propriamente dita. A razão para esta minha afirmação passa pelo facto de “Infiltrados II” ser uma prequela a “Infiltrados”, não se baseando em eventos que tenham ocorrido posteriormente aos relatados neste filme. Pelo contrário, são apresentados os acontecimentos que decorrem num espaço temporal que se inicia em 1991 (dez anos antes da trama de “Infiltrados”) e que termina em 1997, ou seja, o ano em que Hong Kong transita para a esfera da República Democrática da China, embora mantendo um estatuto autónomo.

Tendo por base esta premissa, conseguimos perceber com mais detalhe os percursos dos infiltrados “Yan” (na tríade) e “Lau” (na polícia) na sua juventude, assim como as motivações pessoais de cada um que os levam a enveredar pela espionagem no campo do inimigo. Mas apesar de as personagens representadas aqui por Shawn Yue e Edison Chen, serem supostamente o motor da história (e já agora do resto da saga), isto não quer dizer necessariamente que o enredo tenha que girar completamente em volta deles. Poder-se-ia pensar que seria assim, mas não é o que sucede. Verdadeiramente quem detém em “Infiltrados II” a primazia, e ofusca a história dos restantes intervenientes são o inspector “Wong”, o líder mafioso “Sam” e a sua esposa “Mary”, interpretados por Anthony Wong, Eric Tsang e Carina Lau respectivamente. É certo que os realizadores tentam não se afastar do rumo da trilogia (em 2003, veria igualmente a luz do dia “Infiltrados III”), e em consequência tudo fazer para que nos apercebamos da iniciação de “Yan” e “Lau” nos primórdios dos seus perigosos ofícios . Contudo, é dado mais relevo aos aspectos pessoais dos “mestres das marionetas”, ou seja, o inspector “Wong” que introduz “Yan” como espião no mundo das tríades e “Sam”, como o mentor de “Lau”, na sua ascensão. E ainda bem que assim o é, pois sem dúvida nenhuma que ficamos com uma visão mais abrangente de tudo o que se sucede, e em consequência entendemos vários aspectos que ficam um pouco por explicar em “Infiltrados”, essencialmente devido à sua curta duração.

O acima descrito terá de ter obviamente incidências nas actuações dos actores, do ponto de vista de “quem brilha mais”. Não é segredo para ninguém que Anthony Wong, Eric Tsang e Carina Lau constituem três monstros sagrados de Hong Kong. As suas inegáveis capacidades representativas fazem com que eles formem uma santíssima trindade, com actuações quase irrepreensíveis e ao nível do seu inegável estatuto. Merece relevar igualmente a boa interpretação do profissional Francis Ng, com uma carreira no cinema asiático susceptível de pouquíssimos reparos. Todos excelentes professores para a dupla dos então jovens promissores Shawn Yue e Edison Chen, hoje em dia certezas do “show business” (Edison Chen, infelizmente anunciou uma paragem por tempo indeterminado da sua carreira devido ao escândalo sexual que abanou Hong Kong, em que estiveram envolvidas igualmente Cecilia Cheung, Gillian Chung e outras cinco jovens estrelas em ascensão – ver mais AQUI).

"Hau aponta uma arma à cabeça de Sam"

Como sequela, ou melhor prequela...no fundo o segundo filme da saga, “Infiltrados II” corria o sério risco de uma abordagem repetitiva e sensaborona, que faria com que estivesse aqui a reclamar o quanto as sequelas e prequelas desgastam um conceito bom, que mais valia terem ficado por um filme, que estragaram uma ideia e execução com mérito, etc...etc...Quantas vezes qualquer um de nós já deve ter efectuado este exercício mental, dando a resposta inevitável que numa saga, normalmente o primeiro filme é o melhor. No caso da trilogia de “Infiltrados”, não restam muitas dúvidas que o primeiro episódio é superior. Mas só apenas esta ideia determinante corresponde à realidade. A feitura do segundo filme não estragou o conceito, simplesmente complementou-o de uma forma francamente boa. À ideia muito presente na primeira obra do “ jogo do gato e do rato”, é aditada aqui por uma abordagem mais violenta, no sentido da luta pelo poder dentro das tríades, o seu funcionamento interno e “modus operandi” É gratificante ver que os realizadores Andrew Lau e Alan Mak não enveredaram por qualquer tipo de facilitismo, conseguindo dotar esta película de uma identidade própria. Se eu nunca tivesse visto “Infiltrados”, estaria habilitado a olhar para “Infiltrados II”, como uma realidade una e considerá-lo um filme praticamente completo.

Resta dizer que a banda-sonora e a fotografia evidenciadas na primeira película, repetem-se aqui ao mais alto nível, dando continuidade ao que tudo de bom se fez anteriormente. Estando imbuído de um verdadeiro espírito “tríadesco” (inventei esta expressão agora, portanto não vale a pena ir a dicionários da Porto Editora e afins), e revestido de uma aura negra de vingança e crime (o chefe da tríade “Hau” afirma algumas vezes que “o meu pai costumava dizer que na rua cá se fazem cá se pagam”), “Infiltrados II” constitui um meritório segundo episódio de uma saga inesquecível. Ao mesmo tempo, e apesar de ser um filme posterior, dá o mote para o fim de um ciclo e o início de outro exposto em “Infiltrados”. A simbologia assente no facto do epílogo do filme suceder precisamente no dia 1 de Julho de 1997, data em que o Reino Unido transferiu a soberania do território, demonstra isso. No meio das comemorações, as personagens principais da película (as que sobreviveram ao digladiar) tentam cicatrizar feridas recentes e olhar expectantes para o futuro.

Sendo uma longa-metragem com grande valia e dotada de um esforço sincero, não consegue o milagre de ultrapassar ou igualar o primeiro “Infiltrados”. As razões são muito simples. Em 1º lugar, foi o “primeiro” (passe a repetição), e por esse motivo soprou uma estonteante lufada de ar fresco no panorama de Hong Kong (como já dizia o outro, “não há amor como o primeiro” - passe a repetição mais uma vez). A 2ª e 3ª razões são bastante objectivas e passíveis de unificação. Por mais que se tente, é quase impossível substituir um Tony Leung Chiu Wai e Andy Lau em grande forma!

A não perder!

PS: Ei Scorcese, vai um "The Departed II"?!?! Sempre se poupa um bocadinho nas ideias...

"Execução impiedosa"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25





domingo, janeiro 20, 2008

Love Au Zen/Ai qing guan zi zai (2000)

Origem: Hong Kong

Duração: 96 minutos

Realizador: Derek Chiu

Com: Poon Chan Leung, Flora Chan, Andrew Lin, Annie Wu, Ko Hon Man

"Ah Sau e Ah Cheng"

Estória

“Ah Cheng” (Andrew Lin) e “Mila” estão prestes a se casar, embora a sua relação seja vista como materialista e um tanto ou quanto ínsipida. Pouco antes do enlace, o padrinho “Ah Sau” termina a sua relação de cinco anos com a madrinha “Jing” (Flora Chan), e decide retirar-se para um mosteiro budista situado em Lantao.

No dia do casamento, “Ah Sau” aparece com uma indumentária de monge budista que a todos surpreende, inclusive “Jing”. O pior sucede quando na hora de dizer “sim”, “Ah Cheng”, o noivo, assume uma postura extremamente exitante o que irrita de sobremaneira “Mila”, ao ponto de a mesma cancelar o casamento.

"Mila e Jing"


“Ah Cheng” decide acompanhar “Ah Sau” para o mosteiro, de forma a encontrar um novo sentido para a sua vida. Tempos depois, chegam ao santuário “Mila” e “Jing”, que igualmente querem conhecer a maneira de viver budista, tendo em vista encontrar respostas para os seus infortúnios. Os casais, sob a orientação do mestre “Chi Yuan” (Ko Hon Man), tentam nortear a sua vivência, aplicando os princípios básicos do budismo.

"Ah Sau em meditação, observado pelo mestre Chi Yuan"

"Review"

Baseado no livro de Raymond To, autor que igualmente escreveu o argumento para o filme, “Love Au Zen” teve a dignidade de subir primeiro aos palcos teatrais de Hong Kong, antes de passar para o formato filme. A peça foi um relativo sucesso e os actores Poon Chan Leung e Kon Hon Man viriam a repetir os seus papéis no grande ecrã.

A base onde “Love Au Zen” se sustenta é precisamente os diálogos escritos por Raymond To, que exploram imenso os cânones budistas e a sua aplicação à vida de todos os homens e mulheres. Ora isto levantará uma certa dificuldade àqueles que não conhecem minimamente os caminhos pelos quais esta religião (ou modo de vida, segundo outros) pugna. O desafio será ainda maior, quando se tenta perceber qual a lógica dos ensinamentos e a sua interpenetração com os relacionamentos dos casais desavindos da película. Pelo que aqueles que tiverem oportunidade de visionar esta longa-metragem terão provavelmente que, à semelhança do que eu fiz, rever a película, de forma a ficar com uma percepção mais correcta das mensagens que se pretendem transmitir.

Passível de ser catalogado como um drama, não será daqueles filmes cuja representação seja orientada para puxar uma lágrima ao olho, e consequentemente gastar quilos de lenços de papel. A veia do erudito marca mais a sua presença, devido ao conteúdo dos diálogos de que se falou acima. Os actores, embora fazendo parte da 2ª e talvez 3ª linha de Hong Kong, põem alma nas interpretações. O destaque terá forçosamente de ser atribuído ao desconhecido Ko Hon Man, no papel do monge “Chi Yuan”, e à estrela do Cantopop, Flora Chan, cuja fama advém essencialmente das séries da TV em que participou (para além da música, claro). A comédia marca a sua presença de uma forma subtil, e com as despesas quase todas a correr por conta de Annie Wu, uma vintona histérica e mimada. Ao contrário do que muitas vezes costuma suceder no que a Hong Kong diz respeito, as partes que visam nos fazer pelo menos sorrir, estão perfeitamente enquadradas no desenho global do filme, nunca redundando em produtos descartáveis.


"No telhado do mosteiro a observar uma paisagem de sonho"

Derek Chiu, um realizador que conhecia só de nome, gosta de contar uma boa estória, enveredando por momentos bastante pausados, para que possamos apreender o máximo de informação. Ainda bem que assim o é, pois a subtileza dos já mencionados diálogos assim o exige. Merece uma palavra especial a espectacular fotografia de Tony Ching, tanto no que refere às paisagens idílicas que rodeiam o mosteiro, assim como da extremamente urbanizada Hong Kong.

“Love Au Zen” prima sobretudo pelo seu argumento inteligente, a riqueza dos seus diálogos e o “glamour” das suas personagens, constituindo de certa forma uma lufada de ar fresco no panorama do cinema de Hong Kong. Não é uma obra dirigida para um vasto público, o que explicará de certa forma os seus fracos resultados de bilheteira e o desconhecimento para os cinéfilos ocidentais. Contudo revela ser uma proposta interessante e inovadora, que merecerá uma espreitadela. Principalmente para aqueles que adoram diálogos significativos ou que muitas vezes pensaram entrar em reclusão, devido a um acontecimento amoroso infeliz!

"Jing descobre o significado dos cânones budistas escritos nas mãos"

Trailer (não encontrado), The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50