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sábado, janeiro 24, 2009

Infiltrados III/Infernal Affairs III/Mou gaan dou III: Jung gik mou gaan - 無間道III: 終極無間

Origem: Hong Kong


Duração: 113 minutos


Realizadores: Andrew Lau e Alan Mak


Com: Tony Leung Chiu Wai, Andy Lau, Leon Lai, Kelly Chen, Daoming Chen, Eric Tsang, Anthony Wong, Chapman To, Berg Ng, Carina Lau, Sammi Cheng, Wan Chi Keung, Shawn Yue, Edison Chen, Gordon Lam, Waise Lee, Wan Yeung Ming


Atenção! Spoilers!!!


O presente texto diz respeito ao terceiro filme da conhecida saga de Hong Kong, denominada “Infiltrados – Infernal Affairs”. Pelo exposto, só deverá continuar a leitura caso tenha visto as duas primeiras películas, que possuem textos no “My Asian Movies”, AQUI e AQUI.


"Yan"


Sinopse

“Lau Ming” (Andy Lau) é ilibado de qualquer suspeita que recaia sobre si, respeitante à morte de “Yan” (Tony Leung Chiu Wai), o agente que a polícia tinha infiltrado na tríade de “Sam” (Eric Tsang). No entanto, a calma parece não ter chegado à sua vida, pois existem umas cassetes comprometedoras que contêm conversas entre as “toupeiras” da tríade e o seu líder “Sam”. Para piorar a situação, as gravações estão na posse de “Yeung” (Leon Lai), um inteligente inspector que desconfia das actuações de “Lau”.


"A Dra. Lee mira Yan"

“Lau” tenta provocar uma reviravolta, e voltar as suspeitas para o próprio “Yeung”, aproveitando as ligações obscuras que este mantém com “Shen” (Chen Daoming), um líder criminoso chinês. Paralelamente, somos confrontados com a vivência de “Yan” seis meses antes da sua morte, e a sua luta para sobreviver dentro da tríade, numa altura em que “Sam” parece desconfiar das verdadeiras intenções da toupeira da polícia. “Yan” trava conhecimento com “Yeung” e “Shen”, tendo contacto com revelações surpreendentes.


"O inspector Lau Ming"


"Review"

Como é do conhecimento daqueles que estão por dentro das lides do cinema oriental, Hong Kong tem uma profícua história de aproveitamento ao máximo de uma fórmula de sucesso. Esta premissa não é necessariamente positiva, pois muitas vezes embarca-se num deserto ou numa má exploração de ideias e ficamos com a sensação de que as sequelas nada trazem de novo, ou inovam de uma maneira que desilude os espectadores. Afinal quantas vezes é que pensamos ou ouvimos dizer expressões como “deviam ter ficado pelo primeiro filme”. No caso de “Infiltrados”, desnecessário será dissertar acerca da excelência da primeira longa-metragem. A segunda película, embora não estando ao nível da sua predecessora, constituiu um bom exercício da sétima arte. Chegamos pois à terceira e última obra. Que dizer então deste filme ?

O aspecto que à partida chamará mais à atenção é a verdadeira constelação de estrelas que constam do elenco. Em “Infiltrados III”, temos o retorno dos dois “monstros” de Hong Kong, Tony Leung Chiu Wain e Andy Lau. O regresso do primeiro é apenas possibilitado pela opção argumentativa de contar duas histórias em paralelo, intervindo “Yan” numa delas que ocorre seis meses antes da sua morte. Sem curarmos dos conhecidos Eric Tsang, Anthony Wong, Kelly Chen e muitos mais, temos a adição do “quebra-corações” Leon Lai e do emblemático Daoming Chen (que representou o imperador Qin em “Herói”). Com uma equipa tão forte como a reunida para este filme, seria quase impossível que os aspectos interpretativos não tivessem uma bitola elevada. Andy Lau destila classe pela película toda, factor que seria reconhecido pela crítica ao vencer o ´prémio para melhor actor na 41ª edição dos “Golden Horse Awards”. O chamamento às armas de Leon Lai e Daoming Chen foi bastante feliz, pois ambos enquadram-se muto bem na aura de “Infiltrados III”, com Lai a revelar-se um rival frio de Lau e perfeitamente à altura deste. Tony Leung é obrigado a evidenciar uma faceta mais romântica, que embora não lhe corra mal, destoa claramente do conturbado “Yan” que tão bem representou na primeira parte da saga.


"Shen"

Com efeito, a verdadeira utilidade de “Infiltrados III” será descobrirmos o destino final de “Lau”, e apercebermo-nos se efectivamente ele foi bem sucedido na sua redenção. E para entendermos bem a importância deste aspecto, convém nunca esquecer que apesar de “Lau” ser um infiltrado na polícia, a meio do caminho decide passar para o lado da lei e deixar para trás o seu passado criminoso. Simplesmente, a via pela qual optou foi a dissimulação, tentando apagar todas as provas que o ligassem à máfia local, mesmo que para o efeito tivesse de matar. Não houve uma escolha pela franqueza, em que “Lau” se revelaria às forças de autoridade como uma “toupeira” e arcasse as consequências por tal facto. Ele apercebe-se do seu ilícito modo de vida, e tenta começar de novo de uma forma imoral. No fundo, continua a ser uma pessoa que vive à margem da lei, mas de outra perspectiva. E, salvo melhor opinião, era neste campo que “Infiltrados III” deveria ter permanecido. O “flashback” prolongado relativamente a um período anterior à morte de “Yan”, essencialmente serve para percebermos onde Kelly Chen se situa na história (mesmo assim, torna-se uma adição discutível), e principalmente para entendermos a importância de “Yeung” e “Shen” no destino tanto de “Yan”, como de “Lau”. Mas o facto indiscutível, que serve para retirar alguma força ao filme, é nunca conseguirmos superar um facto evidente...”Yan” está morto e já não temos o herói incompreendido e trágico , que tanto apreciamos e a quem nos possamos agarrar. Deveriam deixá-lo a descansar em paz, a gozar o eterno sonho dos heróis anónimos. A persistência em focar mais alguns aspectos do passado de “Yan”, torna-se perigosa no campo das contradições. Se bem me recordo, “Sam” tinha uma confiança praticamente inabalável no infiltrado da polícia aquando da época em que o mesmo falece. Neste recuar, que recordo ser seis meses antes do trágico evento de “Infiltrados”, o modo de agir de “Yan” não cai nas boas graças de “Sam” e este frequentemente entrega-lhe missões que revelam ser autênticas armadilhas, algumas até mortais. Ora, este aspecto não se enquadra muito bem na trama, e quanto ao aparecimento de Carina Lau, no epílogo da película, prefiro nem sequer me pronunciar. Quem visionou “Infiltrados II”, percebe perfeitamente o que estou a dizer, pois “Mary Hon”, a mulher do “gangster” “Sam”, tinha falecido! Lembram-se a razão? Um atropelamento engendrado por um rival de “Sam”!!!

“Infiltrados III” é uma obra que poderá acima de tudo ser discutida quanto à sua própria razão de existir, que do meu ponto de vista se reconduzirá a termos contacto com o destino final de “Lau”. O único aspecto que não oferece grande margem de contenda para a maior parte dos cinéfilos, será a constatação que é o capítulo mais fraco da trilogia. Mas daí a responsabilidade de competir com as duas magníficas obras anteriores, para além do facto de ter sido realizada apenas três meses após a segunda parte, não era um facto fácil de superar. Contudo, os elementos que deram sucesso aos filmes predecessores estão todos lá, desde o costumeiro e interessante jogo do “gato e do rato”, até à aura ultra psicológica e depressiva que corre toda a película, aliviada desta vez com uma exploração um pouco mais intensiva do romance.

Um filme razoável, que deverá ser conferido sem alimentar expectativas desmesuradas!


"O superintendente Yeung"


Trailer


The Internet Movie Database (IMDb) link


Outras críticas em português:




Avaliação:


Entretenimento - 7


Interpretação - 8


Argumento - 7


Banda-sonora - 8


Guarda-roupa e adereços - 8


Emotividade - 8


Mérito artístico - 7


Gosto pessoal do "M.A.M." - 7


Classificação final: 7,50









terça-feira, maio 20, 2008

Infiltrados II/Infernal Affairs II/Mou gaan dou II -
無間道II

Origem: Hong Kong

Duração: 119 minutos

Realizadores: Andrew Lau e Alan Mak

Com: Anthony Wong, Eric Tsang, Carina Lau, Shawn Yue, Edison Chen, Francis Ng, Hu Jun, Chapman To, Roy Cheung, Liu Kai Chi, Yu Chiu, Kara Hui, Andrew Lin, Henry Fong, Arthur Wong, Peter Ngor, Teddy Chan, Joe Cheung, Wan Chi Keung, Wu Kwan, Kelly Fu, Alexander Chan, Hera Lam, Eva Wong, Brian Ireland, Bey Logan

"O jovem Lau, o infiltrado da tríade na polícia"

Sinopse

No ano de 1991, o inspector “Wong” (Anthony Wong) leva a cabo uma luta sem tréguas contra as mais poderosas tríades de Hong Kong, tendo por aliado um membro daquelas organizações chamado “Sam” (Eric Tsang). Um dos objectivos de “Wong” é colocar “Sam” numa posição hierárquica elevada, de forma a poder controlar com mais segurança as actividades mafiosas que povoam a actual região administrativa chinesa. Contudo, “Sam” vive sob o jugo da poderosa família Ngai, que tem em “Kwun” (Joe Cheung), o seu líder incontestável.

O equilíbrio é seriamente afectado quando “Kwun” é assassinado por “Lau” (Edison Chen), a toupeira que “Sam” tem infiltrada na polícia de Hong Kong. A chefia da família Ngai é assumida por “Hau” (Francis Ng), e este trata logo de instituir uma nova ordem, que passa por assassinar os “4 grandes”, expressão que se refere aos quatro mais poderosos chefes de tríades, a seguir ao próprio “Hau”.

"O inspector Wong"

Entretanto o jovem “Yan” (Shawn Yue) é expulso da academia de polícia, por ser meio-irmão do poderoso “Hau”. “Wong”, que pressente a honestidade do rapaz, propõe-lhe que ele seja um espião das forças da autoridade no clã Ngai. Dividido entre a lealdade à família e o sentido de dever, “Yan” acaba por aceitar, e torna-se na toupeira da polícia.

A guerra entre as tríades começa a subir de tom, assim como o conflito entre os criminosos e a polícia. Em 1997, ano em que Hong Kong transitou para a administração chinesa, um ciclo velho igualmente vai morrer no crime organizado, e um novo se iniciará.

Mary Hon, a esposa do gangster Sam"

"Review"

Após o estrondoso e merecido sucesso de “Infiltrados”, Andrew Lau e Alan Mak não perderam tempo e no ano seguinte lançaram para as telas de cinema “Infiltrados II”, de forma a dar continuidade à saga, e se possível fazer rentabilizá-la ao máximo. Eu disse continuidade? Talvez não seja bem assim. A expressão em causa referir-se-á propriamente à feitura de um segundo filme e não à narrativa propriamente dita. A razão para esta minha afirmação passa pelo facto de “Infiltrados II” ser uma prequela a “Infiltrados”, não se baseando em eventos que tenham ocorrido posteriormente aos relatados neste filme. Pelo contrário, são apresentados os acontecimentos que decorrem num espaço temporal que se inicia em 1991 (dez anos antes da trama de “Infiltrados”) e que termina em 1997, ou seja, o ano em que Hong Kong transita para a esfera da República Democrática da China, embora mantendo um estatuto autónomo.

Tendo por base esta premissa, conseguimos perceber com mais detalhe os percursos dos infiltrados “Yan” (na tríade) e “Lau” (na polícia) na sua juventude, assim como as motivações pessoais de cada um que os levam a enveredar pela espionagem no campo do inimigo. Mas apesar de as personagens representadas aqui por Shawn Yue e Edison Chen, serem supostamente o motor da história (e já agora do resto da saga), isto não quer dizer necessariamente que o enredo tenha que girar completamente em volta deles. Poder-se-ia pensar que seria assim, mas não é o que sucede. Verdadeiramente quem detém em “Infiltrados II” a primazia, e ofusca a história dos restantes intervenientes são o inspector “Wong”, o líder mafioso “Sam” e a sua esposa “Mary”, interpretados por Anthony Wong, Eric Tsang e Carina Lau respectivamente. É certo que os realizadores tentam não se afastar do rumo da trilogia (em 2003, veria igualmente a luz do dia “Infiltrados III”), e em consequência tudo fazer para que nos apercebamos da iniciação de “Yan” e “Lau” nos primórdios dos seus perigosos ofícios . Contudo, é dado mais relevo aos aspectos pessoais dos “mestres das marionetas”, ou seja, o inspector “Wong” que introduz “Yan” como espião no mundo das tríades e “Sam”, como o mentor de “Lau”, na sua ascensão. E ainda bem que assim o é, pois sem dúvida nenhuma que ficamos com uma visão mais abrangente de tudo o que se sucede, e em consequência entendemos vários aspectos que ficam um pouco por explicar em “Infiltrados”, essencialmente devido à sua curta duração.

O acima descrito terá de ter obviamente incidências nas actuações dos actores, do ponto de vista de “quem brilha mais”. Não é segredo para ninguém que Anthony Wong, Eric Tsang e Carina Lau constituem três monstros sagrados de Hong Kong. As suas inegáveis capacidades representativas fazem com que eles formem uma santíssima trindade, com actuações quase irrepreensíveis e ao nível do seu inegável estatuto. Merece relevar igualmente a boa interpretação do profissional Francis Ng, com uma carreira no cinema asiático susceptível de pouquíssimos reparos. Todos excelentes professores para a dupla dos então jovens promissores Shawn Yue e Edison Chen, hoje em dia certezas do “show business” (Edison Chen, infelizmente anunciou uma paragem por tempo indeterminado da sua carreira devido ao escândalo sexual que abanou Hong Kong, em que estiveram envolvidas igualmente Cecilia Cheung, Gillian Chung e outras cinco jovens estrelas em ascensão – ver mais AQUI).

"Hau aponta uma arma à cabeça de Sam"

Como sequela, ou melhor prequela...no fundo o segundo filme da saga, “Infiltrados II” corria o sério risco de uma abordagem repetitiva e sensaborona, que faria com que estivesse aqui a reclamar o quanto as sequelas e prequelas desgastam um conceito bom, que mais valia terem ficado por um filme, que estragaram uma ideia e execução com mérito, etc...etc...Quantas vezes qualquer um de nós já deve ter efectuado este exercício mental, dando a resposta inevitável que numa saga, normalmente o primeiro filme é o melhor. No caso da trilogia de “Infiltrados”, não restam muitas dúvidas que o primeiro episódio é superior. Mas só apenas esta ideia determinante corresponde à realidade. A feitura do segundo filme não estragou o conceito, simplesmente complementou-o de uma forma francamente boa. À ideia muito presente na primeira obra do “ jogo do gato e do rato”, é aditada aqui por uma abordagem mais violenta, no sentido da luta pelo poder dentro das tríades, o seu funcionamento interno e “modus operandi” É gratificante ver que os realizadores Andrew Lau e Alan Mak não enveredaram por qualquer tipo de facilitismo, conseguindo dotar esta película de uma identidade própria. Se eu nunca tivesse visto “Infiltrados”, estaria habilitado a olhar para “Infiltrados II”, como uma realidade una e considerá-lo um filme praticamente completo.

Resta dizer que a banda-sonora e a fotografia evidenciadas na primeira película, repetem-se aqui ao mais alto nível, dando continuidade ao que tudo de bom se fez anteriormente. Estando imbuído de um verdadeiro espírito “tríadesco” (inventei esta expressão agora, portanto não vale a pena ir a dicionários da Porto Editora e afins), e revestido de uma aura negra de vingança e crime (o chefe da tríade “Hau” afirma algumas vezes que “o meu pai costumava dizer que na rua cá se fazem cá se pagam”), “Infiltrados II” constitui um meritório segundo episódio de uma saga inesquecível. Ao mesmo tempo, e apesar de ser um filme posterior, dá o mote para o fim de um ciclo e o início de outro exposto em “Infiltrados”. A simbologia assente no facto do epílogo do filme suceder precisamente no dia 1 de Julho de 1997, data em que o Reino Unido transferiu a soberania do território, demonstra isso. No meio das comemorações, as personagens principais da película (as que sobreviveram ao digladiar) tentam cicatrizar feridas recentes e olhar expectantes para o futuro.

Sendo uma longa-metragem com grande valia e dotada de um esforço sincero, não consegue o milagre de ultrapassar ou igualar o primeiro “Infiltrados”. As razões são muito simples. Em 1º lugar, foi o “primeiro” (passe a repetição), e por esse motivo soprou uma estonteante lufada de ar fresco no panorama de Hong Kong (como já dizia o outro, “não há amor como o primeiro” - passe a repetição mais uma vez). A 2ª e 3ª razões são bastante objectivas e passíveis de unificação. Por mais que se tente, é quase impossível substituir um Tony Leung Chiu Wai e Andy Lau em grande forma!

A não perder!

PS: Ei Scorcese, vai um "The Departed II"?!?! Sempre se poupa um bocadinho nas ideias...

"Execução impiedosa"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25





quinta-feira, abril 17, 2008

Jiang Hu - Irmãos de Sangue/Jiang Hu - Blood Brothers/Gong Wu -
江湖 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 82 minutos

Realizador: Wong Ching Po

Com: Andy Lau, Jacky Cheung, Shawn Yue, Edison Chen, Chapman To, Jacqueline Wu, Eric Tsang, Norman Tsui, Miu Kiu Wai, Gordon Lam, Gia Lin, Lam Suet, Kara Hui, Xiao Hai, Ha Ping, Tony Ho, Iris Wong, Donna Chu

"Hung e Esquerdino"

Sinopse

Na noite em que a sua mulher (Jacqueline Wu) dá luz a um filho, “Hung” (Andy Lau), um chefe de uma poderosa tríade de Hong Kong, apercebe-se que a sua vida mudou. O seu melhor amigo e homem de confiança “Esquerdino” (Jacky Cheung), tenta convencer “Hung” a se exilar nas Filipinas com a família, e a entregar-lhe a liderança da organização.

“Esquerdino”, confiante que “Hung” acederá aos seus desejos, manda assassinar outros 3 líderes das tríades, de forma a que o seu reino seja total e indisputado. “Hung” descobre os objectivos de “Esquerdino”, e por sua vez tenta boicotar os planos de assalto ao poder daquele. Ao mesmo tempo, é dado a conhecer a “Hung” que nas próximas doze horas alguém tentará matá-lo. Como o homicídio foi encomendado a uma pessoa completamente desconhecida, “Hung” não tem outro remédio senão aguardar pelo assassino, em ordem a eliminá-lo.

"Yik e Yoyo"

Paralelamente e numa esfera muito mais modesta de criminalidade, dois jovens delinquentes chamados“Yik” (Shawn Yue) e “Turbo” (Edison Chen), tentam singrar no submundo de Hong Kong, sendo-lhes encomendado um assassinato de um poderoso chefe mafioso. A tarefa parece ser praticamente impossível, mas “Yik” está determinado a provar o seu valor e levar o trabalho até ao fim.

As ruas de Hong Kong estão em tumulto, e prontas a reclamar vítimas...

"Turbo em dificuldades"

"Review"

O merecido sucesso do fenomenal “Infiltrados” e das suas duas sequelas, deram um inspirante fôlego aos filmes de tríades “made in Hong Kong”. “Jiang Hu – Irmãos de Sangue”, é um dos filhos da prole de “Infiltrados”, dando-se inclusive ao verdadeiro luxo de repetir alguns dos actores que pontificaram naquela obra-prima do bom cinema. Falamos de Andy Lau, Eric Tsang, Shawn Yue, Edison Chen e Chapman To, grandes figuras da cena cinéfila daquelas paragens, em especial os dois primeiros. Junte-se o consagrado Jacky Cheung, que não contracenava com Andy Lau desde “As Tears Go By”, de Wong Kar Wai, e teremos um grupo extremamente forte, seguro e coeso, que prometia um filme de qualidade acima da média.

Mais vale ir directo ao assunto, e afirmar desde logo que algo não correu bem. Também convém ser sincero e assumir, sem qualquer tipo de rodeio, que a opinião aqui veiculada sobre “Irmãos de Sangue” é claramente minoritária. A grande maioria daqueles que na net se dedicam ao cinema asiático, pugnam pela elevação da obra.

A fórmula do jovem que quer ascender no mundo do crime organizado, ao mesmo tempo que um chefe consolidado enfrenta a sua decadência está gasta. Foi um uso e abuso de uma ideia de sucesso, que acabaria por redundar na sua inevitável saturação. Existem até filmes que gozam com este tipo de argumento, tais como “Jiang Hu – The Triad Zone”, com Tony Leung Ka Fai. “Irmãos de Sangue” acaba por bater na mesma tecla, embora de uma forma mais intimista. Eu não digo que a intenção não fosse boa, e até existem momentos do filme que prometem algo de distinto no sentido positivo. Prometem...nunca concretizam.

"Esquerdino enfrenta o perigo à chuva"

A duração da película, diga-se em abono da verdade, não ajuda muito. Uns míseros 82 minutos (regra geral, com várias excepções, gosto dos mais ou menos dos filmes com 120 minutos), não dão para grande coisa. Mas é preciso reconhecer que o tempo limitado, poderá muitas vezes ajudar a distinguir um bom realizador (e a sua equipa é claro), doutro mediano ou medíocre. A capacidade de separar o essencial do acessório, é uma virtude da vida em geral, e do cinema em particular. Tal não constitui segredo para ninguém, nem eu descobri a pólvora de certeza. No entanto, quando temos uma “longa-metragem” (será ?), em que muitos desses tais 82 minutos são feitos de “slow motion” e aposta na estética em geral, é quase certo que não restará bastante para contar. Claro que temos os diálogos mantidos entre “Hung” e “Esquerdino” durante um jantar a dois, que têm o condão de serem algo insípidos, retirando uma ou outra parte que nos desperta o interesse. Não existindo uma boa gestão do escasso tempo disponível, a necessária empatia que temos de criar com as personagens sai deveras prejudicada. A certa altura, estava a focar as minhas esperanças, qual bóia de salvação, no relacionamento entre “Yik” e a prostituta “Yoyo” (interpretada pela actriz Gia Lin). Existem cenas bem conseguidas entre ambos, e que apelam para o nosso sentimento (significativo aquele abraço numa rua deserta à noite). Contudo, tal prazer é fugaz, e entrámos outra vez no marasmo e no desinteressante.

É certo que existe alguma acção que é de relevar. Com certeza que a interpretação de Shawn Yue, no papel do assassino votado à tragédia, merece algum reconhecimento. À fotografia deverá, igualmente, ser votado algum destaque, sendo-nos apresentado uns planos nocturnos muito intensos e que marcam de alguma forma a nossa impressão do filme, embora seja uma agradável superficialidade. A luta de rua final prometia imenso, mas quando vejo duas pessoas a defenderem-se de um bando enorme de rufias, uma com um guarda-chuva, outra com um lenço daqueles de pôr à volta do pescoço, e mesmo assim arrumarem uma dúzia...para mim já é demais! Não estamos a falar de um “wuxia”, povoado de guerreiros com poderes sobre-humanos a desafiar as leis da gravidade. E não me venham com as tretas do simbolismo, pois verdadeiramente o que se pretendeu foi acentuar o dramatismo em série e irreal, já agora recorrendo a mais uns “slow motion”.

Salva-se acima de tudo e a título de consolação, o epílogo do filme. Confesso que fui apanhado de surpresa, ou porque andava distraído, ou então pelo facto de certos aspectos da película terem sido muito bem ocultados. Vou dar uma o benefício da dúvida a mim mesmo, e optar pela segunda hipótese. Neste aspecto, tenho de dar o braço a torcer, e admitir que somos encaminhados para uma determinada direcção, e no fim desembocamos num destino completamente diverso. Não estou a falar daqueles epílogos pseudo-intelectuais, que têm mais de idiotice do que propriamente material de qualidade para discutir. Estamos no campo do “Ah, isto até faz sentido!”.

“Jiang Hu” poderá ser livremente traduzido como submundo. Como este filme é apreciado por tantos e bons críticos de cinema asiático, faz com que um enigma existencialista nasça dentro do meu ser...e deixa-me na penumbra...

"A morte grassa nos passeios"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7





sábado, junho 16, 2007

Isabella/伊莎貝拉 (2006)
Origem: Hong Kong
Duração: 109 minutos
Realizador: Edmond Pang
Com: Chapman To, Isabella Leong, J. J. Jia, Anthony Wong, Chau Sang, Derek Tsang, Shawn Yue, Steven Cheung, Josie Ho, Jim Chin, Wan Yeung Ming
"Yam"
Estória

Em 1999, numa Macau prestes a sair do domínio português, e a entrar na jurisdição da República Popular da China, vive o inspector “Ma Cheng Sing” (Chapman To), que enfrenta sérias acusações de corrupção. Sem nada ou alguém com que se preocupar, “Sing” passa os dias a embriagar-se e a jogar na grande variedade de casinos existente no território.

Certa noite numa discoteca, o bêbado “Sing” procura uma prostituta para passar a noite e acaba por ser bem sucedido nos seus intentos. No dia seguinte, acorda com uma jovem rapariga a seu lado, chamada “Cheung Bik Yam” (Isabella Leong), que afirma peremptoriamente ser a sua filha!!!

"Sing"

Pelos vistos, há 16 anos atrás, “Sing” tinha namorado com a mãe de “Yam” (J. J. Jia), tendo posteriormente abandonado-a. A mulher engravidou, mas nunca disse nada a “Sing”, tendo este vivido na ignorância os anos todos. Actualmente a mãe de “Yam” está morta, vítima de um cancro de pulmão, e a rapariga está só e sem dinheiro, tendo sido despejada pelo senhorio do apartamento onde vivia.

No início, “Sing” não aceita bem esta situação, tentando afastar-se de “Yam”. Contudo, acaba por se afeiçoar à rapariga e começa mesmo a tratá-la como uma filha. No entanto, a justiça não dorme, e “Sing” terá mais cedo ou mais tarde de pagar pelos seus crimes.

"Alegria nas ruas de Macau"

"Review"

“Isabella” tem desde logo um extremo interesse para os portugueses, devido a vários factores relacionados com o meu país. O enredo decorre totalmente em Macau, região que esteve sob a administração nacional até 20 de Dezembro de 1999, e podemos mesmo ouvir falar português em duas partes do filme, a saber, quando um colega de “Sing” avisa-o que “Yam” tem menos de 18 anos, e mais à frente no filme quando o próprio “Sing” pede comida chinesa em vez de portuguesa (aqui não garanto que tenha sido o actor Chapman To a falar, pois o mesmo encontra-se parcialmente coberto com um vidro).

Esta longa-metragem revela antes de tudo ser um drama profícuo e profundo, onde várias sensações são despertadas no espectador, indo de extremos como a ternura ao mais puro asco, principalmente nas partes em que tememos estar perante um grotesco e infeliz caso de incesto. Depois de atingido o epílogo do filme, ficamos sempre com a dúvida se “Sing” realmente manteve relações sexuais com “Yam” ou não. Ambas as posições são perfeitamente defensáveis, pelo que quanto a este aspecto não tomarei partidos. Sinceramente é meu franco desejo não opinar acerca deste aspecto… Só vos posso dizer que quando “Isabella” concorreu ao Urso de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a frase chamativa que se encontrava no cartaz promocional era “Is she a one night stand – or is she his daughter?”. Julgo ser bastante ilustrativo.

Outra grande marca “tuga” presente na película é sem dúvida a banda-sonora. Muita guitarra portuguesa, perfeitamente enquadrada nas cenas e nos belos cenários da cidade, um misto de arquitectura colonial portuguesa, com edifícios modernos e bairros chineses tradicionais. No fim ouve-se inteiramente “Ó gente da minha terra”, da fadista Mariza. Sintomático q. b., confesso que gostei imenso de tal facto, apesar de não ser grande apreciador de fado. O agrado decorre mais de termos algo nosso impregnado num filme asiático de boa qualidade, para além do facto de “Isabella” ter vencido o Urso de Prata de Berlim para melhor banda-sonora.


"A fitar o infinito"

Visionando “Isabella”, apercebemo-nos que os portugueses não são bem vistos por alguns segmentos da população autóctone de etnia chinesa. Um dos colegas de “Sing”, interpretado pelo competente actor Anthony Wong, está constantemente a criticar os meus conterrâneos. Vejamos alguns exemplos: “Não podes confiar nos portugueses. Os antepassados deles eram piratas. Eles são piratas!” – de facto, os portugueses são conhecidos por terem sido um povo de descobridores e navegadores, deveríamos ter uns piratas lá no meio; “Não sei como é que os portugueses conseguem comer esta porcaria” – tudo uma questão de gostos meu caro, venha daí essa dobrada à moda do Porto!

A trama encontra-se bem estruturada. O realizador Edmond Pang aposta muito nas subtilezas e nas induções, surpreendendo-nos em variadíssimas cenas, levando-nos a pensar que vai acontecer uma coisa, quando na realidade acontece outra completamente distinta. Na parte pseudo-incestuosa, por duas vezes somos levados a pensar que vamos ver qualquer coisa de chocante a este respeito. Numa, vemos “Sing” a berrar com “Yam” “Para de foder com os outros!”, logo em seguida deparamo-nos com o polícia a acordar com uma mulher nua ao lado, sai um sonoro “Ufa!”, quando nos apercebemos que não é “Yam”! Noutra, num corredor, vemos a confusão de pernas de “Sing” e “Yam”, pensando que alguma fúria sexual tomou conta dos dois, para afinal apercebermo-nos que a rapariga encontra-se embriagada e “Sing” pachorrentamente carrega-a para o apartamento. São muitas cenas deste género, e nem sempre relacionadas directamente com a relação de “Sing” e “Yam”. Quanto a induções, que dizer acerca de “Sing” identificar “Yam” como filha, e esta falar dele aos amigos como o seu amante? Ficamos no amor paternal, fraternal, etc., etc., etc. Pang adora mesmo brincar com as nossas mentes!

Chapman To oferece-nos uma representação de qualidade acima da média. Já conhecia este actor do célebre “Infiltrados”, e depois de “Isabella”, comecei ainda a gostar mais do seu estilo de representação simples e honesto. Isabella Leong, a jovem cantora e actriz que faz 19 anos precisamente daqui a uma semana, deslumbra em todos os sentidos. Apesar da sua relativa inexperiência nas lides da sétima arte, demonstra ser uma actriz a olhar com muita atenção no futuro. Julgo não estar enganado, quando vaticino que uma nova diva do cinema asiático estará a nascer. O facto de ser linda de morrer também ajuda, é certo!

Por esta altura, já devem ter reparado que em momento algum menciono “Isabella”, nome próprio que intitula o filme, como personagem. Não vos direi a razão para tal. Antes pelo contrário desafio-vos a ver o filme, e descobrir tanto os contornos óbvios, como os menos visíveis.

“Isabella” é um filme de elevada qualidade, merecedor de constar em qualquer colecção de cinema, mais ainda se a mesma for de películas asiáticas.

"Uma reprimenda amigável de pai para filha?"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





sábado, janeiro 20, 2007

Infiltrados/Infernal Affairs/Mou gaan dou (2002)

Origem: Hong Kong

Duração: 97 minutos

Realizadores: Andrew Lau e Alan Mak

Com: Tony Leung Chiu Wai, Andy Lau, Anthony Wong, Eric Tsang, Kelly Chen, Sammy Cheng, Edison Chen, Shawn Yue, Chapman To, Dion Lam

"Lau, a toupeira da tríade"

Estória

Um grupo de jovens adultos assiste a uma palestra de um homem mais velho. O orador não é nada mais, nada menos que "Sam" (Eric Tsang), o chefe de uma das mais poderosas tríades de Hong Kong.

Este grupo de adolescentes está prestes a entrar na escola de polícia, tendo em vista tornarem-se futuros agentes da lei. No entanto, constituem ao mesmo tempo membros da tríade. Tudo passa por tornarem-se em futuros espiões da máfia de Hong Kong, integrados no maior inimigo daquela organização, a polícia. De entre estes jovens, destaca-se "Lau" (Edison Chen).

Assim que começa o treino e formação dos jovens na academia de polícia, um instruendo chamado "Yan" é expulso por aparentemente não estar à altura das tarefas que lhe são propostas. Na realidade, "Yan" foi incumbido de uma missão pelo superintendente "Wong" (Anthony Wong), que passa pelo jovem trabalhar como infiltrado da polícia nas tríades.

"Yan, a toupeira da polícia"

Dez anos depois, "Yan" (Tony Leung Chiu Wai) vê-se cada vez mais envolvido no mundo do crime organizado, sentindo-se progressivamente mais frustado e exaurido. Ele quer deixar as suas funções de "toupeira", mas "Wong" consegue convence-lo a continuar. Por outra via, "Lau" (Andy Lau) vai progredindo na hierarquia da polícia, impressionando os seus superiores, sem que estes desconfiem minimamente que ele é um espião da tríade de "Sam". O resultado dos êxitos dos protagonistas em campos opostos, é "Yan" ser actualmente o braço direito de "Sam", e "Lau" é um renomado inspector que trabalha com o superintendente "Wong".

Quando uma operação de apreensão de droga é frustrada, "Wong" e "Yan" começam a desconfiar que têm um espião dentro da polícia. Por outro lado, "Sam" igualmente desconfia que tem uma "toupeira" da polícia inserida na sua organização.

Uma caça aos espiões começa, e as máscaras serão impiedosamente descerradas.

"Yan e a tríade"

"Review"

Numa altura em que "The Departed" assume-se como um dos principais candidatos a ser um dos grandes vencedores da edição de 2007 dos óscares da academia, assume particular aquidade a análise da película onde Scorcese foi beber a inspiração. Na realidade, a curiosidade despontada em torno de "Infernal Affairs" ("Infiltrados"), só fará mais sentido para aqueles que não costumam embarcar nas lides do cinema asiático, mais especificamente o proveniente de Hong Kong. "Infiltrados" já era sobejamente conhecido pela maior parte dos amantes do cinema oriental, mesmo por aqueles que não elegem os policiais como o seu género favorito para visionamento, de que é exemplo a minha pessoa. Trata-se sem dúvida de um ícone e dos melhores produtos oriundos daquelas paragens, como é comprovado pelos sete "Hong Kong Awards" com que o filme foi distinguido, para além de outros 16 prémios em variados festivais.

A qualidade do filme é logo demonstrada pelo impressionante elenco que Andrew Lau e Alan Mak conseguiram congregar para a interpretação dos papéis.

Andy Lau dispensa qualquer tipo de apresentação, pois trata-se sem dúvida de um dos nomes mais sonantes de Hong Kong, com uma carreira profícua pelos mais variados géneros, desde o Wuxia, drama, policial, comédia, etc. Em "Infiltrados", no papel do homónimo inspector "Lau", consegue atingir porventura o pico das suas capacidades interpretativas, dando vida a um frio e calculista mafioso, que ao mesmo tempo é um polícia. É interessante ver como "Lau" (a personagem) acaba com o decorrer do tempo por sentir-se dividido entre a sua missão e a nova vida que decorreu dessa mesma missão. Podemos claramente discernir que "Lau" aos poucos tomou uma decisão definitiva que faz com que lute contra os mundos paralelos, inimigos e díspares que tentam assumir o controlo da sua vida. O problema é que "Lau" possui uma personalidade demasiado forte para ser controlado por algo ou por alguém.

Mas se Andy Lau é sobejamente reconhecido pelo seu quilate, o que dizer então do fantástico Tony Leung Chiu Wai. Desde já sou suspeito para opinar, pois na minha modesta opinião estamos perante o melhor actor que alguma vez foi dado a conhecer pelo cinema de Hong Kong. Em "Infiltrados", Tony Leung limita-se a confirmar o que quase todos sabiam, ou seja, estamos perante um intérprete de capacidades quase ilimitadas, em praticamente todos os aspectos. A sua melancolia consubstanciada no facto de se sentir um pária, sem identidade própria, é catapultada para os olhos do espectador com uma pujança tremenda.

O restante elenco, formado por nomes bastante conhecidos de Hong Kong, situa-se num bom plano, em especial Anthony Wong e Eric Tsang.

"Uma morte violenta"

Apesar de ser um filme passível de ser catalogado como um policial, "Infiltrados" está longe de ser um conjunto de tiroteios, lutas corpo a corpo, facadas, etc. Como estamos a falar de uma película que versa sobretudo sobre as relações e conflitos existentes entre o crime organizado e as forças policiais, é incontornável que tais situações ocorram. No entanto o que se saúda é o anti-exagero presente, dando-se uma clara primazia à fluidez da acção, tendo como mote os sentimentos e angústias das personagens. A trama vivida desta perspectiva, sem ser chato ou banal, faz com que se obtenha uma película de elevadíssima, repito, elevadíssima qualidade!

O cuidado na realização é outro aspecto a destacar. Os pormenores e a inteligência na demonstração dos mesmos, confere a "Infiltrados" um honroso lugar nos melhores produtos que alguma vez sairam dos estúdios de Hong Kong. O filme está recheado de pormenores deliciosos, que servem para solidificar ainda mais a trama e a envolvência que nos é transmitida pelas duas "toupeiras".

A banda-sonora simplesmente espectacular, e os interlúdios de silêncio entre as fabulosas melodias, acabam por ser, à semelhança do argumento do filme, um jogo em que apenas os mais capazes poderão competir e sobreviver.

Se algo de negativo pode ser apontado a "Infiltrados", será apenas e tão-só a curta duração do filme. Eu por mim acho que merecia no mínimo mais meia-hora!

Muito bom!

"As toupeiras encontram-se..."

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 10

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do M.A.M. - 8

Classificação Final: 8,75