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quarta-feira, junho 06, 2007

Silmido - Código de Honra/Silmido - 실미도 (2003)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 135 minutos
Realizador: Kang Woo-suk
Com: Ahn Sung-kee, Sol Kyung-gu, Heo Jun-ho, Jeong Jin-young, Kang Seong-jin, Lim Won-hui, Kang Shin-il, Lee Jeong-heon
"O capitão Jae-hyun"

Estória

Em 1968, a unidade especial nº 124 do exército norte-coreano penetra no território do seu vizinho do sul, com o intuito de assassinar o presidente Park Chung-hee. A missão falha por pouco.
A Coreia do Sul, ofendida no seu orgulho, resolve retaliar e decide-se pela criação de uma unidade especial, a que é atribuída o número 684, toda ela completamente formada por criminosos condenados à morte ou a prisão perpétua. O objectivo é tremendo, mas exequível: assassinar o emblemático líder comunista da Coreia do Norte Kim Ill-sung.
Os elementos da unidade 684 não têm nada a perder e acedem a levar a missão a bom porto, sendo para o efeito treinados sob a supervisão do capitão “Jae-hyun” (Ahn Sung-kee) em Silmido, uma ilha com apenas 25 Km2, perto da cidade de Incheon.
"A unidade 684"

O treino revela-se árduo, sendo por vezes mesmo desumano, chegando ao ponto de haver tortura física e psicológica. Alguns instruendos morrem durante esta fase, mas os que sobrevivem tornam-se em soldados altamente especializados na arte do combate e do homicídio. Igualmente os homens começam a acreditar na justeza da sua missão, desenvolvendo um arreigado sentimento nacionalista.
A ordem para executar a missão é dada, e os soldados partem. No entanto, chega um segundo comando que aborta a demanda. A razão para tal é o melhoramento das relações entre as duas Coreias, e o começo do inerente processo de paz.
Posteriormente, o governo sul-coreano pretende apagar todos os vestígios da missão e ordena ao capitão “Jae-hyun” que assassine todos os elementos da unidade 684…
"O combate corpo-a-corpo constituiu uma parte importante do treino"
"Review"
É por demais conhecida a tensão existente entre as duas nações que ocupam a península coreana, resultante sobretudo de uma vasta guerra, que mereceu inclusive uma intervenção internacional a favor de ambas as facções em confronto, o que de certa forma é compreensível, pois a Coreia do Norte era uma república comunista apoiada directamente pela extinta União Soviética e a China, enquanto que o vizinho do sul era suportado pelos Estados Unidos da América e os aliados da O.T.A.N. (N.A.T.O.).
Essa mesma antipatia, degenerou em vários incidentes, que ameaçaram por diversas vezes o recomeço de uma nova guerra, mas que nunca veio a acontecer, devido à situação de “paz armada” ocorrida no período da guerra fria, e que neste caso em concreto, tinha o afamado paralelo 38 como ténue limite.
“Silmido” visa retratar um desses incidentes, que degenerou tanto num novo conflito diplomático com a Coreia do Norte, como tornou-se num facto que teve algumas repercussões internas na Coreia do Sul, no início dos anos 70.
Falemos então um pouco do filme.
O primeiro aspecto que deve aqui ser focado é que “Silmido” embora seja baseado em eventos reais, introduz várias “nuances” no enredo, de forma a torná-lo mais cinematográfico e em consequência mais atractivo para o público em geral. A título meramente exemplificativo, sempre podemos dizer que na realidade a unidade 684 era composta por tropas especiais e soldados de carreira, e não por criminosos condenados à pena capital ou perpétua, como nos é mostrado na película.
"Fase de um treino árduo"

“Silmido” tem o condão de ser um filme crítico da postura sul-coreana nos tempos difíceis de relacionamento com o vizinho do norte, criticando o elevar dos objectivos políticos em detrimento da vida dos seus nacionais. Contudo, ao mesmo tempo não deixa de revelar um certo sentido de nacionalismo presente, sobretudo, no facto de os elementos da unidade 684 nunca perderem de vista o seu objectivo principal (a morte de Kim Ill-sung), além de revelarem um ódio de morte ao comunismo e exacerbarem o hino nacional até ao máximo. Provavelmente a longa-metragem nem exagera este aspecto. Se calhar na realidade era assim mesmo.

Os aspectos bélicos e históricos estão bem focados, mas ainda mais os pessoais. O filme pretende acima de tudo demonstrar as ânsias e expectativas dos elementos do corpo de elite, desde o evoluir da amizade entre os seus membros, até ao sentido de dever no cumprimento da missão que lhes é incumbida. O futuro também constitui uma preocupação essencial para os soldados. De presidiários do pior que existe, até à possibilidade de se tornarem heróis de um povo está um passo, e as regalias inerentes a tal estatuto também.

O dramatismo, ou não estivéssemos a falar de um filme sul-coreano, está todo lá. Deliciosa, embora um pouco “lamechas”, a cena em que os soldados da unidade 684 encontram-se feridos dentro de um autocarro, e cercados pelo exército sul-coreano, começam a escrever os seus nomes a sangue nas paredes do autocarro. Caramba, eu já disse isto umas poucas de vezes, mas nunca é demais relembrar que, no tocante a melodrama, o cinema sul-coreano é praticamente imbatível!!!

Os aspectos técnicos do filme são de qualidade média-elevada, desde a costumeira excelente fotografia, até os ângulos de filmagem, em especial das cenas de treino dos soldados. A banda-sonora, de vertente orquestral, acompanha bem o resto. Os actores encontram-se todos num plano bom. A distinção neste campo, e como não poderia deixar de ser, irá para Ahn Sung-kee, muito provavelmente um dos melhores actores sul-coreanos da actualidade.

Atendendo ao seu pendor altamente polémico, “Silmido” levantou algum “frisson” que foi altamente correspondido nas bilheteiras sul-coreanas, tendo um recorde de mais de 10 milhões de espectadores nos cinemas da Coreia do Sul. Este registo viria a ser batido posteriormente por “Brotherhood” (Taegukgi) em 2004, e por “The King and the Clown” (Wang-ui namja) em 2006.

Aconselha-se o visionamento!

"Preparados para uma punição"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Cine-Ásia, Fanaticine

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





sábado, julho 08, 2006

Bichunmoo, o Guerreiro/Bichunmoo: Warrior of Virtue Aka Dance of the Flying Sword/Bichunmoo (2000)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 117 minutos

Realizador: Kim Young-jun

Com: Shin Hyeon-jun, Kim Hee-sun, Jeon Jin-young, Jang Dong-jik, Choi Yoo-jung, Suh Tai-wah, Kim Hak-chu, Lee Han-garl, Kim Su-ro, Ryoo Hyoun-kyoung.

"O trágico espadachim Yu Jin-ha"

Estória

A estória inicia-se com "Yu Jin-ha", um fantástico espadachim coreano, a comandar dez fabulosos guerreiros numa batalha contra o que resta do exército mongol na China.

Posteriormente, numa série de "flashbacks", recuamos uns anos para tomar conhecimento do grande amor que o herói nutre por "Sullie", filha ilegítima do general mongol "Taruga". Aí ficamos a saber que "Jin-ha" e "Sullie" na sua juventude foram cruelmente separados, e esta última é obrigada a casar-se com um amigo de "Jin-ha", o Senhor "Namgung". "Jin-ha" luta com o noivo de "Sullie", e perde o duelo devido a uma traição, sendo dado como morto.

"A bela e sofrida Sullie"

Neste ponto avançamos dez anos na estória, onde descobrimos que afinal "Jin-ha" não morreu e lidera o tal grupo de combatentes acima mencionado, estando ao serviço dos "Hans" chineses que pretendem expulsar os mongóis da sua terra.

Os "Hans" acabam por revelar-se tão perniciosos como os mongóis, desejando ambas as facções obter a mesma coisa, aprender a arte secreta do manejo da espada conhecida como "Bichun", que é a herança da família de "Jin-ha".

As lealdades tornam-se perenes quando "Jin-ha" tem o reencontro dramático com "Sullie"e o filho que nunca conheceu, e antes do fim, o guerreiro terá a tarefa hercúlea de confrontar o seu passado, proteger aqueles que ama e derrotar os que tentam aprender a sua arte a todo o custo.

"O casal de amantes"

"Review"

Do realizador do mais recente épico "Wuxia" sul-coreano "Shadowless Sword", este "Bichunmoo, o Guerreiro" é um filme que prima sobretudo pelo sentimentalismo. Centra-se na trágica estória de amor de "Jin-ha" e "Sullie", formando uma orgulhosa parelha de "swordplays" tipo "Romeu e Julieta", conjuntamente com "The Bride With White Hair" e "Shinobi: Heart Under Blade". O romance é delicioso, e claramente podemos sentir e até mesmo invejar o amor sem fronteiras que une os principais protagonistas da estória, embora tenha que forçosamente admitir que por vezes exagerou-se um pouco no drama. A cena final, como expoente máximo do já propalado romance e dramatismo, é muito triste e bela de se ver e com certeza serviu de base a uma das cenas finais de "Herói". Por mero exercício de raciocínio, façam uma breve comparação entre o desfecho trágico de "Espada Partida" e "Neve Esvoaçante" daquele filme com o de "Jin-ha" e "Sullie" neste, e inevitavelmente concluirão da mesma forma do que eu. Honra seja feita, "Bichunmoo" foi realizado primeiro do que "Herói", embora este último seja um melhor filme inquestionavelmente.

As interpretações são feitas à medida do drama, ou seja, por vezes envoltas num certo exagero que certamente era requisitado.

O guarda-roupa é muito bom, e chamou-me à atenção particularmente a indumentária usada pelos guerreiros de "Jin-ha", de um negro verdadeiramente temível, como poderão vislumbrar na última foto aqui exposta.

A banda-sonora é variada, cheia de "riffs" de guitarra quando toca aos momentos de luta, e as músicas mais sentimentais nos momentos de amor ou reflexão. Neste particular destaco uma melodia verdadeiramente contagiante que ilustra os sentimentos dos amantes e que felizmente podemos ouvir diversas vezes ao longo do filme.

"O senhor Namgung (marido de Sullie) em fúria"

As cenas de luta são bastante confusas, pois passam-se a uma grande velocidade, com as costumeiras implosões dos corpos, acompanhadas de areia por todo o lado e o sangue a jorrar em catadupa!

Verdadeiramente o que estraga o filme é o próprio enredo que por vezes torna-se indecifrável, embora à terceira visualização as coisas já comecem a fazer mais sentido. Mesmo assim existem personagens que aparecem e desaparecem a um ritmo vertiginoso, e um "Han" que é dos principais maus da fita é disso um exemplo. Surge do nada, sabemos pouquíssimo acerca das suas motivações, e em consequência afigura-se como um verdadeiro actor terciário! Penso que muitos concordarão comigo, quando afirmo que o filme deve ter sido bastante cortado na sala de edição, fazendo com que se criem vazios quase insanáveis e que a amálgama de questões inevitavelmente acabem por aparecer. Dispensava-se esta situação!

"Bichunmoo, o Guerreiro" é um bom filme, mas que peca pela sua sombria e mal explicada estória, para além dos excessos de dramatismo que começam demasiado cedo, antes do próprio espectador criar a necessária empatia com as personagens. De qualquer forma, aconselho o seu visionamento, pois é uma obra com um certo mérito que merece ser apreciado, sobretudo pelos românticos "lamechas" nos quais orgulhosamente me incluo!

"Um dos formidáveis guerreiros de Yu Jin-ha"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine 7, Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 10

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M" - 7

Classificação final: 7,50