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quinta-feira, agosto 13, 2009

Attack the Gas Station!/Juyuso seubgyuksageun -주유소 습격 사건 (1999)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 113 minutos
Realizador: Kim Sang-jin
Com: Lee Sung-jae, Yu Oh-seong, Kang Seong-jin, Yu Ji-tae, Park Yeong-gyu, Jun Jeong, Lee Yu-won, Lee Jeong-ho, Kim Su-ro, Lee Won-jong, Jeong So-yeong
"Da esquerda para a direita: Bulldozer, Ddan Dda-ra, No Mark e Paint"
Sinopse
“No Mark” (Lee Sung-jae), “Bulldozer” (Yu Oh-seong), “Ddan Dda-ra” (Kang Seong-jin) e “Paint” (Yu Ji-tae) são quatro amigos delinquentes, que uma noite decidem assaltar uma bomba de gasolina. Depois de provocarem danos avultados e roubarem todo o dinheiro do estabelecimento, parecem partir bastante satisfeitos. Contudo, num dia em que se sentem entediados, decidem repetir a façanha. Acontece que desta vez, já não encontram um pecúlio dito interessante. Por esse motivo, decidem sequestrar o dono da bomba de gasolina, e todos os seus empregados. Igualmente, decidem tomar conta do negócio, servindo os clientes e guardando o dinheiro para si.

"O gerente e os trabalhadores da bomba feitos reféns"

À medida que a noite vai avançando, os amigos prendem mais reféns, vão-se metendo com o rapaz de entregas do restaurante de comida chinesa e entram em confrontos com “gangs” rivais que se metem no território que consideram deles. Resistindo a todos os desafios que se lhes vão deparando, os rapazes continuam a desenvolver de uma forma pouco ortodoxa, o seu negócio. Contudo, e através dos confrontos que vão arranjando com todos, chega a uma altura que todos os caminhos vão dar à bomba de gasolina. Por esse motivo, a polícia e os rivais dos jovens chegam para um inevitável ajuste de contas.

"No Mark"

"Review"

“Attack the Gas Station!” foi uma película que, atendendo ao seu conteúdo, teria de gerar alguma polémica na sua cinematografia de origem, a Coreia do Sul. Para além de evidenciar uma juventude rebelde, que desrespeita instituições e padrões sociais instituídos, foi realizada numa altura em que a Coreia do Sul enfrentava uma grave crise económica. Um dos sintomas deste período foi o despedimento de milhares de trabalhadores da indústria automóvel sul-coreana, actualmente a quinta maior do mundo. Várias alusões a este facto são feitas durante o filme, desde a polícia corrupta e amante de “borlas” a rebaixar a forma como os veículos nacionais são produzidos, evidenciando falhas de estrutura, passando pela personagem “Paint” destruir uns cartazes que encorajavam os trabalhadores do sector a serem produtivos. A inevitável crítica ao imperialismo norte-americano haveria igualmente de aparecer, com um dos elementos do quarteto, o músico “Ddan Dda-ra”, a ser ofendido por consumir uma “Pepsi”. O próprio realizador Kim Sang-jin haveria de confessar, durante a exibição da película no festival internacional de cinema de Vancouver, que as personagens principais desta obra teriam inspirado alguns sul-coreanos a cometer crimes contra bombas de gasolina.


“Attack the Gas Station!” é um filme bastante imbuído de aspectos prementes de uma sociedade contemporânea decadente, e que falha muitas vezes em suportar os seus membros nas ditas situações de crise. Neste caso em concreto, o filme gira em torno da rebeldia da juventude sul-coreana e da forma como a mesma supostamente gera em pura delinquência. Quando nos deparamos pela primeira vez com o grupo de quatro jovens, não sentimos qualquer simpatia pelos mesmos ou pelo seu modo de agir. Eles são violentos, brutos, e despreocupados com os outros, a não ser com eles próprios. No entanto, e à medida que o filme avança, começamos a nos aperceber que as coisas não são bem assim. Acaba por ser evidenciado que o “gang” tem um código moral bastante próprio, e que acaba por revelar uma destrinça aceitável entre o que é justo e o que se revela imoral. Simplesmente, os protagonistas têm uma maneira pouco “normal” em demonstrar as suas convicções perfeitamente aceitáveis. Numa mini-sociedade criada no espaço a que corresponde a bomba de gasolina, “No Mark” e os seus seguidores conseguem revelar capacidades em punir aqueles que são desonestos ou aproveitam-se dos mais indefesos, assim como são capazes de proteger ou recompensar os reféns que são honestos ou carentes. A certa altura, e de uma forma progressiva, concluímos que os presumíveis delinquentes, começam a mudar de forma positiva a vida de todos os que os rodeiam, quão paladinos do antigamente.

"Bulldozer em acção"

Passando de uma fase em que abominávamos o comportamento dos rapazes, e começamos a admirar as suas atitudes de justiça, começamos a nos interrogar acerca das razões pelas quais os jovens agem criminosamente, envolvendo-se em rixas e ataques contra o património alheio. Tudo tem de ter uma explicação, e na altura certa o realizador Kim Sang-jin introduz, de uma forma previsível mas meritória, os conhecidos “flashbacks”. Espaçada e individualmente, cada um dos jovens quando se depara com determinada situação, aviva a memória e viaja até um acontecimento penoso que o marcou, e subsequentemente, provocou “o virar da página”. “No Mark” é um ex-jogador de basebol injustiçado; “Ddan Dda-ra” tinha uma banda de “rock”, mas um problema com dívidas afastou-o do mundo da música; “Paint” teve de enfrentar um pai que não entendia a sua veia artística para a pintura; por fim, “Bulldozer” era constantemente castigado de uma forma peculiar, nos tempos de liceu.

Sendo uma comédia, um tanto ou quanto “sui generis”, esta obra possui momentos de entretenimento bastante divertidos e de fácil apreensão para um espectador ocidental. Misture-se esta prerrogativa do filme, com cenas de acção bem conseguidas, e temos um produto bastante agradável de seguir. Os actores, principalmente os quatro protagonistas do filme, são bastante autênticos nas suas interpretações. E isto assume mais acuidade, quando estamos a falar de papéis que facilmente poderiam transparecer um bando de jovens completamente superficiais ou vazios, à semelhança de muitos “teen movies” norte-americanos.

Um dos grandes trunfos de “Attack the Gas Station!” é expôr uma crítica social, sem ter necessidade de recorrer a grandes pretensiosismos ou a discursos de aparente antologia, mas completamente ocos por dentro. A sua saudável sátira social, bastante incomum para quem está habituado aos produtos de “Hollywood”, é cativante e facilmente conquistará aqueles que visionarem esta película. Merecia uma banda-sonora mais imponente e trabalhada, atendendo a que possui uma personagem virada para o mundo musical e que faz questão de demonstrar essa faceta. Não será uma obra maior do cinema sul-coreano, mas esforça-se por ser uma lufada de ar fresco, numa cinematografia que por vezes está apegada a determinados géneros. E nós por estas bandas, à semelhança de muitos, gostamos de alguma originalidade, portanto...

Uma boa proposta!

Nota: Em 2010, vamos ter uma sequela intitulada "Attack the Gas Station! 2", também dirigida por Kim Sang-jin. Aguardemos, então!

"Pancadaria na bomba de gasolina"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Intérprete - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75







quarta-feira, junho 06, 2007

Silmido - Código de Honra/Silmido - 실미도 (2003)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 135 minutos
Realizador: Kang Woo-suk
Com: Ahn Sung-kee, Sol Kyung-gu, Heo Jun-ho, Jeong Jin-young, Kang Seong-jin, Lim Won-hui, Kang Shin-il, Lee Jeong-heon
"O capitão Jae-hyun"

Estória

Em 1968, a unidade especial nº 124 do exército norte-coreano penetra no território do seu vizinho do sul, com o intuito de assassinar o presidente Park Chung-hee. A missão falha por pouco.
A Coreia do Sul, ofendida no seu orgulho, resolve retaliar e decide-se pela criação de uma unidade especial, a que é atribuída o número 684, toda ela completamente formada por criminosos condenados à morte ou a prisão perpétua. O objectivo é tremendo, mas exequível: assassinar o emblemático líder comunista da Coreia do Norte Kim Ill-sung.
Os elementos da unidade 684 não têm nada a perder e acedem a levar a missão a bom porto, sendo para o efeito treinados sob a supervisão do capitão “Jae-hyun” (Ahn Sung-kee) em Silmido, uma ilha com apenas 25 Km2, perto da cidade de Incheon.
"A unidade 684"

O treino revela-se árduo, sendo por vezes mesmo desumano, chegando ao ponto de haver tortura física e psicológica. Alguns instruendos morrem durante esta fase, mas os que sobrevivem tornam-se em soldados altamente especializados na arte do combate e do homicídio. Igualmente os homens começam a acreditar na justeza da sua missão, desenvolvendo um arreigado sentimento nacionalista.
A ordem para executar a missão é dada, e os soldados partem. No entanto, chega um segundo comando que aborta a demanda. A razão para tal é o melhoramento das relações entre as duas Coreias, e o começo do inerente processo de paz.
Posteriormente, o governo sul-coreano pretende apagar todos os vestígios da missão e ordena ao capitão “Jae-hyun” que assassine todos os elementos da unidade 684…
"O combate corpo-a-corpo constituiu uma parte importante do treino"
"Review"
É por demais conhecida a tensão existente entre as duas nações que ocupam a península coreana, resultante sobretudo de uma vasta guerra, que mereceu inclusive uma intervenção internacional a favor de ambas as facções em confronto, o que de certa forma é compreensível, pois a Coreia do Norte era uma república comunista apoiada directamente pela extinta União Soviética e a China, enquanto que o vizinho do sul era suportado pelos Estados Unidos da América e os aliados da O.T.A.N. (N.A.T.O.).
Essa mesma antipatia, degenerou em vários incidentes, que ameaçaram por diversas vezes o recomeço de uma nova guerra, mas que nunca veio a acontecer, devido à situação de “paz armada” ocorrida no período da guerra fria, e que neste caso em concreto, tinha o afamado paralelo 38 como ténue limite.
“Silmido” visa retratar um desses incidentes, que degenerou tanto num novo conflito diplomático com a Coreia do Norte, como tornou-se num facto que teve algumas repercussões internas na Coreia do Sul, no início dos anos 70.
Falemos então um pouco do filme.
O primeiro aspecto que deve aqui ser focado é que “Silmido” embora seja baseado em eventos reais, introduz várias “nuances” no enredo, de forma a torná-lo mais cinematográfico e em consequência mais atractivo para o público em geral. A título meramente exemplificativo, sempre podemos dizer que na realidade a unidade 684 era composta por tropas especiais e soldados de carreira, e não por criminosos condenados à pena capital ou perpétua, como nos é mostrado na película.
"Fase de um treino árduo"

“Silmido” tem o condão de ser um filme crítico da postura sul-coreana nos tempos difíceis de relacionamento com o vizinho do norte, criticando o elevar dos objectivos políticos em detrimento da vida dos seus nacionais. Contudo, ao mesmo tempo não deixa de revelar um certo sentido de nacionalismo presente, sobretudo, no facto de os elementos da unidade 684 nunca perderem de vista o seu objectivo principal (a morte de Kim Ill-sung), além de revelarem um ódio de morte ao comunismo e exacerbarem o hino nacional até ao máximo. Provavelmente a longa-metragem nem exagera este aspecto. Se calhar na realidade era assim mesmo.

Os aspectos bélicos e históricos estão bem focados, mas ainda mais os pessoais. O filme pretende acima de tudo demonstrar as ânsias e expectativas dos elementos do corpo de elite, desde o evoluir da amizade entre os seus membros, até ao sentido de dever no cumprimento da missão que lhes é incumbida. O futuro também constitui uma preocupação essencial para os soldados. De presidiários do pior que existe, até à possibilidade de se tornarem heróis de um povo está um passo, e as regalias inerentes a tal estatuto também.

O dramatismo, ou não estivéssemos a falar de um filme sul-coreano, está todo lá. Deliciosa, embora um pouco “lamechas”, a cena em que os soldados da unidade 684 encontram-se feridos dentro de um autocarro, e cercados pelo exército sul-coreano, começam a escrever os seus nomes a sangue nas paredes do autocarro. Caramba, eu já disse isto umas poucas de vezes, mas nunca é demais relembrar que, no tocante a melodrama, o cinema sul-coreano é praticamente imbatível!!!

Os aspectos técnicos do filme são de qualidade média-elevada, desde a costumeira excelente fotografia, até os ângulos de filmagem, em especial das cenas de treino dos soldados. A banda-sonora, de vertente orquestral, acompanha bem o resto. Os actores encontram-se todos num plano bom. A distinção neste campo, e como não poderia deixar de ser, irá para Ahn Sung-kee, muito provavelmente um dos melhores actores sul-coreanos da actualidade.

Atendendo ao seu pendor altamente polémico, “Silmido” levantou algum “frisson” que foi altamente correspondido nas bilheteiras sul-coreanas, tendo um recorde de mais de 10 milhões de espectadores nos cinemas da Coreia do Sul. Este registo viria a ser batido posteriormente por “Brotherhood” (Taegukgi) em 2004, e por “The King and the Clown” (Wang-ui namja) em 2006.

Aconselha-se o visionamento!

"Preparados para uma punição"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Cine-Ásia, Fanaticine

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63