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sábado, janeiro 27, 2007

A Tríade de Xangai/Shanghai Triad/Yao a yao yao dao waipo qiao (1995)

Origem: China

Duração: 103 minutos

Realizador: Zhang Yimou

Com: Gong Li, Li Bao Tian, Wang Xiao Xiao, Ye Sun Chun, Li Xui Jian, Fu Biao, Chen Shu, Jiang Liu, Jiang Baoying, Qianquan Yang


"Bijou Jingbao, a cantora do clube e amante do chefe da tríade Tang"

Estória

No início dos anos 30, um "gansgter" chamado "Liu" trás o seu jovem sobrinho "Shuiseng" para Xangai, em ordem a pô-lo ao serviço da amante de "Tang", o chefe da mais poderosa tríade da cidade.

A amante de "Tang", chamada "Bijou Jingbao", canta no clube pertença do mafioso e possui um feitio irascível e presunçoso, o que dificulta imenso o trabalho de "Shuiseng", um pobre rapaz do campo que não está habituado à grande cidade e à opulência dos ricos de Xangai.

"O jovem Shuisheng vê o crime através dos seus olhos de adolescente"

"Bijou" tem um caso proibitivo com o nº 2 da tríade, "Mr. Song", que caso seja descoberto levará inevitavelmente à morte de ambos.

Entretanto, devido ao confronto da tríade de "Tang" e a rival liderada por "Fat Yu", "Tang" refugia-se numa pequena ilha nos arredores de Xangai, levando "Bijou" e "Shuiseng" consigo. O rapaz começa lentamente a aproximar-se da sua patroa, acabando por conquistar a sua confiança.

Na quietude da ilha, "Tang" começa a arquitectar o plano que o levará a eliminar todos os que se lhe opõem, inclusive os que lhe são mais próximos.

"Tang, o chefe da tríade"

"Review"

O mestre Zhang Yimou, como é do conhecimento geral, já era um realizador aclamado e tremendamente respeitado, antes da realização da sua trilogia de "wuxias" (Herói, Segredo dos Punhais Voadores e Curse of the Golden Flower). Pense-se em "Raise the Red Lantern" ou "Ju Dou".

A "Tríade de Xangai" possui alguns elementos característicos dos filmes de Yimou, como a excelente fotografia, mas apesar de ser um filme razoável, está uns furos abaixo de muitas das obras do realizador. Se calhar, a excelência a que o cineasta chinês nos habituou, faça com que os padrões de exigência subam acima do normal, porventura roçando a injustiça.

Comecemos pelo início.

À medida que ia visionando esta obra de Yimou, que confesso o meu desconhecimento anterior, fiquei com a sensação que estava perante uma mistura de dois filmes americanos cujo tema era a máfia italiana e que fizeram algum sucesso. Falo de "The Cotton Club", de Francis Ford Coppola, e de "Billy Bathgate", da autoria de Robert Benton.

A analogia que fiz com "The Cotton Club", deve-se em muito ao ambiente musical que cerceia "A Tríade de Xangai", pois grande parte do filme tem como pano de fundo o clube pertença do mafioso, com a amante que é a estrela cantora e dançarina.

Por outra via, relacionei a película de Yimou, com "Billy Bathgate", pois também neste filme o crime organizado é visto sobretudo pelos olhos de um adolescente.

"A tríade"

A musa de Yimou, Gong Li, presenteia-nos com mais uma boa actuação, embora não tão elevada como outras que temos visto. O resto do "cast" acompanha-a de uma forma bastante competente e credível, destacando-se aqui o jovem Wang Xiao Xiao, no papel de "Shuisheng".

Zhang Yimou pretende aqui demonstrar, através de uma adaptação livre da obra do romancista Li Xiao, uma vertente mais pessoal do crime organizado. Não se foca tanto na violência própria do meio, mas sim nos dramas pessoais de cada um dos intervenientes, em especial da cantora "Bijou" e do jovem campónio "Shuisheng".

Sendo inevitável nas obras de Yimou, o papel das mulheres é fortemente abordado no desenrolar das situações, e na própria envolvência da trama. Tudo leva a crer que "Bijou", à semelhança de "Shuisheng", era proveniente do meio rural chinês, e que desde muito cedo envolveu-se no submundo de Xangai, embarcando numa viagem sem retorno. No fim, vemos outra pobre rapariga de nove anos a desembocar pelo mesmo caminho, não sem antes apercebermo-nos que a mãe da criança possuía a sua história muito pessoal e igualmente trágica.

Quanto a mim, o que faz "A Tríade de Xangai" não ser uma obra com a magnificência de outras do realizador, é a lentidão com que as situações acontecem, por vezes sem razão nenhuma para tal. O filme não é difícil de entender, embora faça questão de passar uma mensagem profunda e significativa. Outro aspecto que fez com que eu não gostasse tanto desta longa-metragem como desejaria, passa pela quase ausência da acção e da violência típica do meio. Obviamente que não queria ver um filme do Steven Seagal, ou de outros semelhantes... Estou a falar da acção típica de obras como a trilogia do "Padrinho", por exemplo. O defeito pode ser meu, mas não concebo filmes que versem sobre o crime organizado, sem os arquétipos próprios e que lhes ficam tão bem.

Uma proposta interessante, embora longe de ser uma obra-prima para mais tarde recordar.

"O refúgio da ilha"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M" - 7

Classificação final: 7,38