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quinta-feira, setembro 04, 2008

O Rei dos Jogadores - O Início/God of Gamblers 3 - The Early Stage/Do San 3: Chi siu nin do san - 賭神三之少年賭神 (1996)

Origem: Hong Kong

Duração: 103 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Leon Lai, Anita Yuen, Jordan Chan, Gigi Leung, Francis Ng, Chung King Fai, Cheung Tat Ming, Elvis Tsui, Moses Chan, Collin Chou, Ng Chi Hung

"Ko Chun"

Sinopse

Em 1969, “Ko Chun” é comprado por um conhecido jogador chamado “Kent” (Chung King Fai) e treinado para ser o maior especialista em jogos de casino que o mundo já viu. Os anos passam, e o agora adulto “Ko Chun” (Leon Lai) está preparado para ser lançado no circuito dos casinos mais emblemáticos do oriente. Paralelamente “Lone Ng” (Jordan Chan), um ex-combatente vietnamita e agora radicado em Hong Kong, salva “Seven” (Anita Yuen) de um conflito de tríades e torna-se no seu guarda-costas de confiança. Numa noite em que se joga “poker” ao mais alto nível num apartamento, “Ko Chun” e “Seven” encontram-se e ambos se lembram das suas aventuras de meninice, em que a rapariga salvou o jogador de uma morte certa.

Entretanto, um torneio de extrema importância está prestes a se realizar, cujo objectivo é eleger o rei dos jogadores da Ásia. “Ko Chun” vai disputar o ambicionado título, sendo auxiliado para o efeito por “Kent Hing”, a sua noiva, e “Ko Ngo”, outro dos pupilos de “Kent”. Este último arma uma estratégia de traição, e fere quase mortalmente “Ko Chun”, fazendo com que “Ko Ngo” vença a competição e subsequentemente case com “Kent Hing”. Num estado quase vegetativo, “Ko Chun” é salvo e amparado por “Seven” e “Lone Ng”.

"Lone Ng em acção"

Tempos depois, os principais casinos de todo o mundo resolvem levar a cabo um torneio internacional que decidirá quem é o verdadeiro rei dos jogadores a nível mundial. O traidor “Ko Ngo” inscreve-se como representante do sudeste asiático, e determinado a ser eleito o incontestado campeão dos casinos do planeta. “Ko Chun” vê aqui uma oportunidade de acertar contas de uma vez por todas, e levar a cabo a derradeira vingança.


"Seven num jogo de Mahjong"

"Review"

Em 1996, o realizador Wong Jing resolveu realizar mais um filme da saga “O Rei dos Jogadores” (ver críticas AQUI e AQUI) que tantos admiradores granjeou em Hong Kong, uma região que se encontra intimamente ligada ao mundo do jogo. Com certeza que este factor sociológico explicará em parte o sucesso obtido pelas películas, tendo tornado a personagem de “Ko Chun”, interpretada por Chow Yun Fat, um verdadeiro ícone do cinema daquelas paragens. O problema é que quando Wong Jing decidiu levar avante a empresa da feitura de uma nova longa-metragem, o conhecido actor já tinha deixado para trás a sua fase cinematográfica na região administrativa chinesa, e aventurava-se em terras do “Tio Sam”. Não havia Chow Yun Fat, que rumo então haveria a dar? Arranjar outro actor igualmente emblemático e dar um seguimento a “O Rei dos Jogadores – O Regresso”? Tal já havia sido tentado anteriormente com Stephen Chow, em dois filmes, “God of Gamblers 2” e “God of Gamblers 3: Back to Shanghai”, que constituíram verdadeiros “spin-off” do original “O Rei dos Jogadores”.

A ideia foi então realizar uma obra que temporalmente ocorresse antes dos eventos dos filmes “O Rei dos Jogadores” e o “O Rei dos Jogadores – O Regresso”, ou seja, uma prequela. A chave seria expôr a juventude de “Ko Chun” e a sua entrada para o circuito do jogo, assim como explicar algumas características que associamos bastante a esta personagem, como por exemplo o enorme gosto por chocolates, a fixação pelo seu anel de jade ou a razão pela qual usa sempre o cabelo com gel antes dos seus embates. Recrutou-se para o papel do jovem “Ko Chun” a estrela bastante popular do Cantopop Leon Lai, de maneira a revitalizar a figura e continuar a garantir a sua popularidade no meio cinematográfico.


"Kent Hing demonstra a sua perícia nos dados"

“1986, antes de Ko Chun se tornar o Rei dos Jogadores, teve de enfrentar o mais perigoso desafio da sua vida.” O filme começa com esta frase que contém uma promessa velada de acção e entretenimento, sem dúvida apelativa e que seduz os apreciadores do género. De facto, o espectador neste particular fica longe de sair defraudado, essencialmente devido à prestação de Jordan Chan no que toca à acção, com momentos extremamente bem conseguidos de tiroteio e kung-fu. O guarda-costas “Lone Ng”, interpretado por Chan, acaba surpreendentemente por ser a verdadeira alma desta longa-metragem, obliterando Leon Lai e retirando-lhe em grande medida um aguardado protagonismo. Aliás, em relação a este último actor, os fãs da saga queixaram-se de alguma forma que o mesmo não possuía, nem de longe nem de perto, o carisma evidenciado por Chow Yun Fat na interpretação de “Ko Chun”. As despesas no que toca à parte cómica, correm bastante por conta da actriz Anita Yuen, que consegue arrancar alguma boa disposição, embora tenhamos de ter em conta que a comédia dos filmes de Hong Kong não raramente se afigura como demasiado infantil e até pirosa. O filme não foge à regra, no que a este particular diz respeito.

Esta longa-metragem dirige-se essencialmente aos fãs dos filmes anteriores e de “Ko Chun”. Como já acima fiz referência, a película visa explicar certos aspectos que ligamos à figura do rei dos jogadores e que se tornaram as suas marcas distintivas. No entanto e apesar de obtermos algumas respostas satisfatórias às nossas questões, o filme possui algumas incongruências narrativas à semelhança de “O Rei dos Jogadores – O Regresso”. Definitivamente não se pode medir meças a certas partes do argumento. Isto assume ainda mais relevância, quando fazemos um enquadramento global dos três filmes, e chegámos a algumas contradições insanáveis. Talvez o aspecto mais evidente seja o próprio relacionamento entre “Ko Chun” e o guarda-costas “Lone Ng”. Supostamente eles apenas tinham travado conhecimento em “O Rei dos Jogadores”, numa fase mais adiantada da carreira de “Ko Chun”. Aqui, eles tornam-se grandes amigos no início da odisseia do herói, num hiato temporal de mais ou menos uns 10 anos. É óbvio que nada disto faz sentido, e a justificação que se há de arranjar passará forçosamente por uma perspectiva bastante prática e real. “Lone Ng” é uma personagem indispensável no universo de “O Rei dos Jogadores”, e com o recrutamento de Jordan Chan, este factor assumiu com certeza mais acuidade.

“O Rei dos Jogadores – O Início” configura-se como um produto comercial razoável de Hong Kong. Contudo é sempre bom alertar para o facto de ser necessária uma visão completamente descomprometida do filme, ou seja, esqueça-se algumas incongruências da trama, a comédia infantil e o dramatismo exacerbado e pouco credível. Fiquemo-nos pelo entretenimento puro e duro, e alguma satisfação havemos de retirar daqui.

"O casamento dos traidores Kent Hing e Ko Ngo"

Trailer (é mais uma cena emblemática, do que uma apresentação do filme)

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





terça-feira, outubro 09, 2007

O Rei dos Jogadores - O Regresso/God of Gamblers Returns/Du shen xu ji (1994)

Origem: Hong Kong

Duração: 125 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Chow Yun Fat, Jacqueline Wu, Tony Leung Ka Fai, Chingmy Yau, Xie Miao, Wu Xing Gao, Law Kar Ying, Sharla Cheung, Tsui Kam Kong, Charles Heung, Blacky Ko, Ken Lo, Elvis Tsui, Baau Hon Lam, Law Hang Kang, Wong Kam Kong, Tse Miu, Chi Fai Chan

"Ko Chun e os seus aliados pouco ortodoxos"

Estória

Após os eventos ocorridos em “O Rei dos Jogadores”, “Ko Chun (Chow Yun Fat) estabeleceu-se em França, conjuntamente com a sua nova esposa (Sharla Cheung), que aguarda um filho de “Ko”. O cenário idílico não dura muito tempo, pois “Chao Sin Chi” (Wu Xing Gao), um renomado jogador taiwanês e líder de uma tríade daquele país, pretende desafiar “Ko” e retirar-lhe o título de melhor jogador de casino do mundo. Tendo em vista forçar “Ko” a aceitar o seu desafio, assassina a sua mulher grávida. Antes de expirar, a mulher de “Ko” obriga-o a prometer que durante um ano ele não jogará, nem tão pouco usará o título de “Rei dos Jogadores”.

Passados onze meses e qualquer coisa, “Ko” encontra-se na China e faz amizade com um líder de uma tríade de Taiwan chamado “Hoi On” (Blacky Ko). “Hoi On” é assassinado pelos capangas de “Chao”, como resultado de uma luta pelo poder, e à semelhança do que tinha acontecido com a sua falecida esposa, “Ko” é obrigado a fazer outra promessa, que neste caso consiste em levar “Hoi Siu” (Xie Miao) de volta a Taiwan, onde deverá ser entregue aos cuidados da irmã mais velha “Hoi Tong” (Chingmy Yau). Na sua fuga para a ilha, “Ko” é ajudado por “Siu Yu” (Jacqueline Wu) e “Siu Fang” (Tony Leung Ka Fai), conhecidos respectivamente por “Violinha” e “Trombetinha”, dois irmãos que se dedicam a pequenas vigarices. Pelo caminho, ainda levam amordaçado “Kok Chin Chung” (Elvis Tsui) o capitão da polícia chinesa que os persegue.

"Hoi Tong"

Chegado a Taiwan, “Ko”, conjuntamente com o seu séquito, prepara-se para a vingança sobre “Chao”, num duelo de jogadores que envolverá não apenas dinheiro, mas igualmente a vingança e a vida dos elementos das facções oponentes.

"Sing Fu"

"Review"

O primeiro episódio da saga “God of Gamblers” teve um sucesso bastante grande, fazendo com que Chow Yun Fat tivesse a possibilidade de representar um dos papéis mais emblemáticos da sua carreira, o “Rei dos Jogadores” “Ko Chun”. Como muitas vezes acontece, e quando estamos perante uma fórmula ganhadora, a tendência é tirar o partido ao máximo e toca a enveredar por intermináveis sequelas e inclusive até prequelas. Os ditames comerciais assim o ordenam e o cinema asiático é particularmente pródigo neste género de situações, admita-se.

Como prova do acima veiculado, após a película “O Rei dos Jogadores”, datada de 1989, foram realizadas outras duas longas-metragens, intituladas respectivamente de “God of Gamblers 2” e “God of Gamblers 3: Back to Shanghai”, ambas repetindo o realizador Wong Jing, sem Chow Yun Fat, mas com o rei da comédia de Hong Kong, Stephen Chow. Em 1994, Wong Jing viria a ter a oportunidade de seduzir novamente Chow Yun Fat e acompanhado de um elenco com algum respeito, no qual se destaca Tony Leung Ka Fai e Chingmy Yau, realizou este “O Rei dos Jogadores – O Regresso”. Esqueçam agora “God of Gamblers 2” e “God of Gamblers 3: Back to Shanghai”, com Stephen Chow. O filme que ora se analisa é que deverá, em potência, ser considerado a verdadeira sequela de “O Rei dos Jogadores”, película já analisada anteriormente neste espaço.

E a conclusão a que se chega rapidamente é que este filme é eivado de incongruências narrativas determinantes. A mais evidente quanto a mim, passa pelo facto de a personagem de “Ko Chun” abominar, entre outras coisas, que lhe tirem fotografias. É uma imagem de marca que já tinha transparecido e muito em “O Rei dos Jogadores”. Ora, “Ko Chun” quando chega ao casino, onde se irá disputar o duelo final com o infame Chao, é recebido em apoteose. A cena assemelha-se muito a uma cerimónia dos Óscares, com passadeira vermelha e onde dezenas de “flashes” de câmaras fotográficas são disparadas a torto e a direito. O que ainda salva a narrativa, fazendo com que a mesma ainda mereça uma nota positiva, passa pela grande imaginação que alguns filmes de acção de Hong Kong detêm e que fazem com que passemos um bom bocado. “O Rei dos Jogadores – O Regresso” é um desses filmes.

"O vilão Chao Sin Chi"

É impossível passar despercebida a tentativa de sublimação dos regimes democráticos capitalistas orientais, face ao poder político chinês. Tal é expressado essencialmente pela transformação operada na personagem interpretada por Elvis Tsui, o capitão da polícia chinesa “Kok Chin Chung”. “Kok” começa por abominar o facto de praticamente ter sido raptado e levado para Taiwan (que como se sabe não mantém uma relação muito amistosa com a China), e à certa altura começa a apreciar as virtuosidades do capitalismo. A situação evolui e “Kok” é praticamente convertido a um modo de vida antagónico àquele a que estava acostumado. Mais uma crítica à democracia dita “musculada” do potentado chinês, que eventualmente faria mais sentido na altura em que este filme foi realizado, embora se reconheça que ainda hoje ainda há muito a fazer. É apenas uma opinião. Vale o que vale.

Os actores fazem o que podem neste filme, embora sem laivos que sequer se assemelhem a qualquer brilhantismo. No entanto, sempre há a destacar o eterno Chow Yun Fat, que com enorme naturalidade se destaca de todos os restantes actores sempre que entra numa cena, sendo ocasionalmente ofuscado por outro grande vulto do cinema asiático, Tony Leung Ka Fai, nas cenas mais cómicas. Mesmo assim, e mais uma vez podem acusar-me de um certo circunspectivismo, Tony Leung Ka Fai é outro actor a quem não assenta nada bem a comicidade (excepção feita porventura à cena da imitação de um relógio, que embora degenere numa enorme “palhaçada”, sempre arranca alguns sorrisos). Ah! Já me ia esquecendo! Chow Yun Fat é verdadeiramente ofuscado por Chingmy Yau, mas por outras razões que passam sobretudo por um vestido vermelho que lhe assenta bem como tudo. Quanto à camisa da noite meia para o transparente, pode-se dizer que o administrador deste blogue e subscritor do presente texto, ficou simplesmente sem palavras…(já cá faltava a costumeira piada sexista!).

“O Rei dos Jogadores – O Regresso” vale sobretudo pelo entretenimento, as boas intenções (algumas conseguidas, outras nem por isso) e pouco mais!

"Wu, o eterno guarda-costas de Ko Chun, mostra o que vale"

Trailer (Não encontrado), The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13