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quarta-feira, novembro 12, 2008

Tempestade Púrpura/Purple Storm/Zi yu feng bao - 紫雨風暴 (1999)
Origem: Hong Kong
Duração: 100 minutos
Realizador: Teddy Chan
Com: Daniel Wu, Kam Kwok Leung, Emil Chow, Joan Chen, Josie Ho, Patrick Tam, Theresa Lee, Michael Tong, Moses Chan, Alan Moo, Cordelia Choy, Mike Cassey, Liu Xu Hao, Tony Trimble, Brian Banowetz
"Todd Nguyen"

Sinopse

“Soong” (Kam Kwok Leung) é um conhecido terrorista pertencente aos Khmers Vermelhos. Inconformado com a queda e morte do seu líder Pol Pot, chefia um grupo cujo objectivo é restaurar o regime no Camboja, e que ao longo dos anos, tem sido responsável por inúmeros atentados um pouco por todo o mundo. Em 1998, uma oportunidade de ouro surge com a aquisição de um produto químico que espalhado na atmosfera, provocará uma precipitação que matará milhões de pessoas no sudeste asiático, dando a hipótese do ressurgimento de uma nova era para os Khmers Vermelhos na sua terra-natal. A base para lançar o ataque será Hong Kong.

"Todd frente-a-frente com o pai, o terrorista Soong"

Após um violento tiroteio, “Todd Nguyen” (Daniel Wu), o filho de “Soong”, fica amnésico e é capturado pela brigada anti-terrorista liderada pelo inspector “Ma Li” (Emil Chow). Vendo aqui uma oportunidade para ter um agente infiltrado, e ajudado pela psiquiatra “Shirley Kwan” (Joan Chen), “Ma Li” convence “Todd” a ajudar a polícia na frustração do atentado e na captura de “Soong”.

Convencido que é um agente anti-terrorista, “Todd” aceita fazer parte do plano. Acontece que aos poucos, a memória começa a retornar e o jovem ver-se-á na contingência de ter de optar entre os seus antigos companheiros Khmers e a possibilidade de fazer o que é certo e começar uma nova vida.

"Soong e Guan Ai em acção"

"Review"

Com um orçamento na ordem dos 4 milhões de dólares, e claramente encomendado para um mercado internacional, “Tempestade Púrpura” foi um profuso vencedor nos “Golden Horse Awards” - edição de 1999, e nos “Hong Kong Film Awards” de 2000, tendo inclusive recebido o patrocínio da Disney (imagine-se!!!) para uma edição no ocidente.

“Tempestade Púrpura” é um filme de acção, mas a sua amplitude vai um pouco mais além do que um conceito que à partida pode parecer redutor. Foca-se essencialmente na história de um jovem que viveu uma vida influenciado pelo pai, em busca de um ideal nefasto, mas a quem é dada uma nova oportunidade de vida para se redimir. Aliás, a acção embora bastante presente na película, peca por vezes por alguma falta de realismo e um ou outro efeito especial de trazer por casa. Contudo, é garantido que existirão momentos de tirar a respiração, com encadeamentos bem conseguidos. Levando esta premissa em linha de consideração, é necessário ter presente que é claramente o explanar da história de “Todd” a marcar pontos significantes, e constitui a principal razão para o visionamento deste filme. Teddy Chan concebe com competência a filmagem da história de um homem com as lealdades divididas, em que apesar de não restarem muitas dúvidas (do ponto de vista ético) acerca do lado que “Todd” deve de escolher, sempre existirão razões de monta para ficarmos a nos questionar o que faríamos se estivéssemos naquela situação em concreto. Um pai, uma esposa, uma ideologia com a qual crescemos...não é fácil pôr para trás das costas todos estes factores e esta longa-metragem aposta muito na tomada de posição do espectador.

"Todd é analisado pela psiquiatra Shirley Kwan"

A película não se desliga dos aspectos históricos, e através de simplísticas analepses, exteriorizadas quase sempre pelos olhos de “Todd” enquanto criança, podemos observar um pouco o que era o terror do regime Khmer de Pol Pot, consubstanciado numa “democracia” com uma componente de colectivização agrária bastante forte. “Todd” cresce no meio de uma sociedade com um cunho ideológico bastante premente e sob a violência de um regime atroz e sanguinário, explanado em actos desumanos, nos quais é bastante ilustrativa a cena em que “Soong” assassina uns monges budistas que oravam pela paz nos campos cambojanos. Fazendo um aparte cinematográfico que reputo de importante, é minha convicção que nunca nenhum filme abordou a situação do Camboja com tanto sentimento e ao mesmo tempo realismo, como “The Killing Fields”, a poderosa obra de Roland Joffé. Fica aqui a sugestão!

Outro dos pontos positivos em “Tempestade Púrpura” passará pela competente interpretação de Daniel Wu, um actor que desconfiei bastante a princípio devido à faceta de “menino bonito”, mas que após o visionamento de alguns filmes tais como “Beijing Rocks” ou “One Nite in Mongkok”, conseguiu convencer-me das suas capacidades representativas. O restante elenco acompanha-o bem, com Kam Kwok Leung a desempenhar um vilão credível, Emil Chow o típico polícia esforçado, a estrela Joan Chen, que após um longo êxodo em Hollywood, desempenha uma papel mediano mas convincente. Acima de tudo, quem brilha mais ao lado de Daniel Wu, é Josie Ho no papel da terrorista cambojana “Guan Ai”, que se assume como a figura trágica do filme e verdadeiramente tem o condão de fazer com que odiemos os Khmers Vermelhos e as suas “lavagens cerebrais” com todas as forças do mundo. Permitam-me o aparte, mas pessoalmente não morro mesmo nada de amores pelos seguidores de Pol Pot, tanto a nível ideológico, como ainda mais pela sua “genocida” forma de actuação.

Com uma banda-sonora envolvente e marcante, “Tempestade Púrpura” é uma boa proposta da cinematografia de Hong Kong, embora um pouco pretenciosa. Apesar de ser um típico “blockbuster” asiático, possui uma válida faceta de “thriller” político, tem acção e efeitos especiais a rodos que satisfará o fã menos exigente a nível de valia técnica e um espectro psico-sociológico que não deixará o espectador defraudado. Acima de tudo o seu ponto forte estará centrado na interessante exploração da personagem interpretada por Daniel Wu, e pelo eterno dilema da escolha entre fazer o que é correcto, mesmo prescindindo do que é mais significativo para nós.

A ver!

"A polícia observa um atentado do grupo dos Khmers Vermelhos"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M" - 7

Classificação final: 7,63





quinta-feira, setembro 04, 2008

O Rei dos Jogadores - O Início/God of Gamblers 3 - The Early Stage/Do San 3: Chi siu nin do san - 賭神三之少年賭神 (1996)

Origem: Hong Kong

Duração: 103 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Leon Lai, Anita Yuen, Jordan Chan, Gigi Leung, Francis Ng, Chung King Fai, Cheung Tat Ming, Elvis Tsui, Moses Chan, Collin Chou, Ng Chi Hung

"Ko Chun"

Sinopse

Em 1969, “Ko Chun” é comprado por um conhecido jogador chamado “Kent” (Chung King Fai) e treinado para ser o maior especialista em jogos de casino que o mundo já viu. Os anos passam, e o agora adulto “Ko Chun” (Leon Lai) está preparado para ser lançado no circuito dos casinos mais emblemáticos do oriente. Paralelamente “Lone Ng” (Jordan Chan), um ex-combatente vietnamita e agora radicado em Hong Kong, salva “Seven” (Anita Yuen) de um conflito de tríades e torna-se no seu guarda-costas de confiança. Numa noite em que se joga “poker” ao mais alto nível num apartamento, “Ko Chun” e “Seven” encontram-se e ambos se lembram das suas aventuras de meninice, em que a rapariga salvou o jogador de uma morte certa.

Entretanto, um torneio de extrema importância está prestes a se realizar, cujo objectivo é eleger o rei dos jogadores da Ásia. “Ko Chun” vai disputar o ambicionado título, sendo auxiliado para o efeito por “Kent Hing”, a sua noiva, e “Ko Ngo”, outro dos pupilos de “Kent”. Este último arma uma estratégia de traição, e fere quase mortalmente “Ko Chun”, fazendo com que “Ko Ngo” vença a competição e subsequentemente case com “Kent Hing”. Num estado quase vegetativo, “Ko Chun” é salvo e amparado por “Seven” e “Lone Ng”.

"Lone Ng em acção"

Tempos depois, os principais casinos de todo o mundo resolvem levar a cabo um torneio internacional que decidirá quem é o verdadeiro rei dos jogadores a nível mundial. O traidor “Ko Ngo” inscreve-se como representante do sudeste asiático, e determinado a ser eleito o incontestado campeão dos casinos do planeta. “Ko Chun” vê aqui uma oportunidade de acertar contas de uma vez por todas, e levar a cabo a derradeira vingança.


"Seven num jogo de Mahjong"

"Review"

Em 1996, o realizador Wong Jing resolveu realizar mais um filme da saga “O Rei dos Jogadores” (ver críticas AQUI e AQUI) que tantos admiradores granjeou em Hong Kong, uma região que se encontra intimamente ligada ao mundo do jogo. Com certeza que este factor sociológico explicará em parte o sucesso obtido pelas películas, tendo tornado a personagem de “Ko Chun”, interpretada por Chow Yun Fat, um verdadeiro ícone do cinema daquelas paragens. O problema é que quando Wong Jing decidiu levar avante a empresa da feitura de uma nova longa-metragem, o conhecido actor já tinha deixado para trás a sua fase cinematográfica na região administrativa chinesa, e aventurava-se em terras do “Tio Sam”. Não havia Chow Yun Fat, que rumo então haveria a dar? Arranjar outro actor igualmente emblemático e dar um seguimento a “O Rei dos Jogadores – O Regresso”? Tal já havia sido tentado anteriormente com Stephen Chow, em dois filmes, “God of Gamblers 2” e “God of Gamblers 3: Back to Shanghai”, que constituíram verdadeiros “spin-off” do original “O Rei dos Jogadores”.

A ideia foi então realizar uma obra que temporalmente ocorresse antes dos eventos dos filmes “O Rei dos Jogadores” e o “O Rei dos Jogadores – O Regresso”, ou seja, uma prequela. A chave seria expôr a juventude de “Ko Chun” e a sua entrada para o circuito do jogo, assim como explicar algumas características que associamos bastante a esta personagem, como por exemplo o enorme gosto por chocolates, a fixação pelo seu anel de jade ou a razão pela qual usa sempre o cabelo com gel antes dos seus embates. Recrutou-se para o papel do jovem “Ko Chun” a estrela bastante popular do Cantopop Leon Lai, de maneira a revitalizar a figura e continuar a garantir a sua popularidade no meio cinematográfico.


"Kent Hing demonstra a sua perícia nos dados"

“1986, antes de Ko Chun se tornar o Rei dos Jogadores, teve de enfrentar o mais perigoso desafio da sua vida.” O filme começa com esta frase que contém uma promessa velada de acção e entretenimento, sem dúvida apelativa e que seduz os apreciadores do género. De facto, o espectador neste particular fica longe de sair defraudado, essencialmente devido à prestação de Jordan Chan no que toca à acção, com momentos extremamente bem conseguidos de tiroteio e kung-fu. O guarda-costas “Lone Ng”, interpretado por Chan, acaba surpreendentemente por ser a verdadeira alma desta longa-metragem, obliterando Leon Lai e retirando-lhe em grande medida um aguardado protagonismo. Aliás, em relação a este último actor, os fãs da saga queixaram-se de alguma forma que o mesmo não possuía, nem de longe nem de perto, o carisma evidenciado por Chow Yun Fat na interpretação de “Ko Chun”. As despesas no que toca à parte cómica, correm bastante por conta da actriz Anita Yuen, que consegue arrancar alguma boa disposição, embora tenhamos de ter em conta que a comédia dos filmes de Hong Kong não raramente se afigura como demasiado infantil e até pirosa. O filme não foge à regra, no que a este particular diz respeito.

Esta longa-metragem dirige-se essencialmente aos fãs dos filmes anteriores e de “Ko Chun”. Como já acima fiz referência, a película visa explicar certos aspectos que ligamos à figura do rei dos jogadores e que se tornaram as suas marcas distintivas. No entanto e apesar de obtermos algumas respostas satisfatórias às nossas questões, o filme possui algumas incongruências narrativas à semelhança de “O Rei dos Jogadores – O Regresso”. Definitivamente não se pode medir meças a certas partes do argumento. Isto assume ainda mais relevância, quando fazemos um enquadramento global dos três filmes, e chegámos a algumas contradições insanáveis. Talvez o aspecto mais evidente seja o próprio relacionamento entre “Ko Chun” e o guarda-costas “Lone Ng”. Supostamente eles apenas tinham travado conhecimento em “O Rei dos Jogadores”, numa fase mais adiantada da carreira de “Ko Chun”. Aqui, eles tornam-se grandes amigos no início da odisseia do herói, num hiato temporal de mais ou menos uns 10 anos. É óbvio que nada disto faz sentido, e a justificação que se há de arranjar passará forçosamente por uma perspectiva bastante prática e real. “Lone Ng” é uma personagem indispensável no universo de “O Rei dos Jogadores”, e com o recrutamento de Jordan Chan, este factor assumiu com certeza mais acuidade.

“O Rei dos Jogadores – O Início” configura-se como um produto comercial razoável de Hong Kong. Contudo é sempre bom alertar para o facto de ser necessária uma visão completamente descomprometida do filme, ou seja, esqueça-se algumas incongruências da trama, a comédia infantil e o dramatismo exacerbado e pouco credível. Fiquemo-nos pelo entretenimento puro e duro, e alguma satisfação havemos de retirar daqui.

"O casamento dos traidores Kent Hing e Ko Ngo"

Trailer (é mais uma cena emblemática, do que uma apresentação do filme)

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





sexta-feira, outubro 05, 2007

The Blade/Dao - 刀 (1995)

Origem: Hong Kong

Duração: 105 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Vincent Chiu, Xiong Xin Xin, Moses Chan, Sang Ni, Collin Chou, Austin Wai, Valerie Chow, Michael Tse, Jason Chu, Chi Fai Chan, Ray Chang, Ricky Ho, Charles Shen, Nei Suet

"On Man, o espadachim inválido"

Estória

“On Man” (Vincent Chiu ) é um órfão que trabalha numa fundição de espadas, e que tem como melhor amigo “Iron Head – Cabeça de Ferro” (Moses Chan). A filha do mestre da fábrica, a sonhadora “Ling” (Sang Ni), está apaixonada tanto por “On”, como por “Iron Head”, e imagina os dois a lutar pela sua mão, casando-se a rapariga com o vencedor.

Certo dia, os dois amigos assistem a uma luta violenta entre um monge e um bando de salteadores, em que o monge sai vencedor. Posteriormente, à traição, o religioso é assassinado pelos bandidos. Esta situação gera uma enorme revolta em “Iron Head”, que jura vingança sobre os criminosos. Nesse mesmo dia, “On” descobre a verdade acerca do seu passado. Pelos vistos, o seu pai foi assassinado pelo grande mestre “Fei Lung” (Xiong Xin Xin), um assassino facilmente distinguível por ter o corpo todo tatuado. “On”, na ânsia de vingar o progenitor, abandona a fundição, acompanhado pela espada partida que havia pertencido ao pai. “Ling” persegue-o e acaba por ser vítima duma emboscada. “On” salva “Ling”, mas no meio da refrega, perde o braço direito, tornando-se num inválido.

"Fei Lung, o assassino tatuado"

Os guerreiros da fundição de espadas pensam que “On” morreu, mas na realidade o rapaz encontra-se a recuperar num local distante. Farto de ser tratado como um diminuído, “On” reaprende a lutar tendo em conta o seu “handicap”, sendo auxiliado por um livro que contém informações sobre técnicas avançadas de “swordplay”.

“Lei Fung”, o assassino do pai de “On” é contratado para matar todos os elementos da fundição de espadas, incluindo “Ling” e “Iron Head”. “On” descobre o plano de “Lei Fung” e decide enfrentá-lo num combate sangrento e sem limites!

"A prostituta"

"Review"

Dao é uma palavra que serve para ilustrar uma espécie de sabre chinês, conhecido igualmente por facão/facalhão chinês, devido à largura da sua lâmina. Foi este o título que o aclamado realizador asiático Tsui Hark escolheu para o filme que ora se analisará um pouco e que constitui um “remake” do clássico do director Chang Cheh “The One Armed Swordsman”, datado de 1967. Apesar de ser passível de enquadramento no género “Wuxia Pian”, “The Blade” não se assemelha bastante aos seus irmãos do género e da década de ’90. Isto quer dizer que não estejam à espera de visionar um filme na linha de “Swordsman II” ou “New Dragon Gate Inn”.

Esta chamada de atenção valerá sobretudo para os combates que decorrem em “The Blade”, que estão envoltos numa aura bastante mais realística e sangrenta, sem grandes auxílios de cabos. Aliás, é bastante interessante ver cenas como “On Man” a treinar com uma corda amarrada à cintura, de forma a manter o equilíbrio e adaptar-se ao combate como um diminuído (como foi descrito na sinopse, ele não possui o braço direito). Outro pormenor em que se denota uma greve ao “wire fu”, é quando “Fei Lung”, o principal vilão da estória, usa uma corda para saltar de um telhado para o chão, aquando do início do combate final na fundição das espadas. Hark pretendeu introduzir um registo bem menos fantasioso e incomparavelmente mais violento, sendo por vezes um pouco visceral. Ao deparar-me perante tal realidade, confesso que me lembrei mais do género de combates mais típicos do “chambara” japonês, do que propriamente do “wuxia” de Hong Kong, tal é o “terra a terra” impregnado. O efeito final foi extremamente bem conseguido, e não tenho dúvidas nenhumas em afirmar que o combate que decorre no epílogo entre o aleijado “On Man” e “Fei Lung” constitui um dos grandes momentos da história do cinema de artes marciais. Um verdadeiro fenómeno, acreditem, e só passível de ser plenamente compreendido quando visto!

"Iron Head"

“The Blade” possui igualmente uma atmosfera cerceante que em certos momentos me fez lembrar “Ashes of Time”, embora com diferenças importantes. O ambiente muito “western” e trágico, acompanhado por diversas reflexões de índole mais ética e filosófica, que servem de palco à violência geral, fizeram-me pugnar por esta comparação. Os principais pensamentos a reter serão sem dúvida a animosidade infundada que por vezes grassa no mundo e que conduz à tragédia, assim como o facto de alguém que à partida poderá ser um ser fragilizado, poderá, de um momento para o outro, mediante certas condições, transcender-se. O próprio conceito de herói, imprescindível em qualquer “wuxia” que se preze, aqui é tratado de uma forma mais negra e crua. Não há tempo para grandes feitos de “cavalaria”. Apenas existe espaço para o sofrimento e vingança! A própria narrativa e as técnicas de realização assemelham-se em muito à aclamada obra do realizador Wong Kar Wai. É claro que considero “Ashes of Time” um filme de mais elevada qualidade que “The Blade”, embora este último a nível dos combates se superiorize infinitamente. Mas só pelo facto de me atrever de alguma forma a confrontar “The Blade” com “Ashes of Time”, servirá de indício para expressar que a película de Tsui Hark transpira qualidade!

É no mínimo curioso que um filme com a magnitude e a importância para a cinematografia asiática, como “The Blade”, possua um elenco de intérpretes um tanto ou quanto secundário. Aqui não temos nenhum Jet Li, Sammo Hung, Yuen Biao, Brigitte Lin, Joey Wong, etc, etc, etc. O nome que porventura será mais sonante será o do protagonista Vincent Chiu, dotado de uma carreira respeitável na cinematografia de Hong Kong, mas a milhas dos actores mencionados. Mesmo assim, Tsui Hark foi feliz na escolha dos actores, pois todos estão à altura das suas responsabilidades. Vincent Chiu faz o papel de uma carreira e Xiong Xin Xin, o vilão, está óptimo e excelentemente caracterizado.

Para muitos “The Blade” constitui sem sombra de dúvidas o melhor registo do realizador Tsui Hark. Sinceramente, julgo que não andarão muito longe da verdade.

A constar obrigatoriamente em qualquer colecção de amantes de “swordplay” e afins. É um “não-fã” de Tsui Hark que o diz!

"Fei Lung e On Man enfrentam-se num sangrento duelo"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Fanaticine

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13