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quinta-feira, abril 23, 2009

Hard Boiled/Lat sau san taam - 辣手神探 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 122 minutos

Realizador: John Woo

Com: Chow Yun Fat, Tony Leung Chiu Wai, Teresa Mo, Philip Chan, Philip Kwok, Anthony Wong, John Woo, Kwan Hoi Shan, Tung Wei, Bowie Lam, Lo Meng, Bobby Yeung, Ng Shui Ting

"Long procede a um massacre"

Sinopse

Hong Kong está a viver um período particularmente violento, com uma onda de assassinatos e de tráfico de armas relacionada essencialmente à actividade das tríades. Directamente ligado a estes factores, está o “Tio Hoi” (Kwan Hoi Shan), um dos maiores patrões da máfia, que tem uma visão tradicional e trata os seus subordinados como família próxima. No entanto, o seu principal rival “Johnny Wong” (Anthony Wong), um jovem tubarão, consegue captar “Long” (Tony Leung Chiu Wai) para as suas hostes e elimina “Hoi”, tomando conta desta forma de todo o negócio de tráfico de armas da zona. Acontece que “Long” é na realidade um polícia infiltrado, que há anos tenta reunir informação suficiente para desmantelar as actividades criminosas que primeiro “Hoi” e agora “Wong” levam a cabo.


"Tequila no rescaldo de mais um tiroteio"

No outro lado da barricada encontra-se o inspector “Tequila Yuen”, um polícia extremamente dedicado, mas com uma propensão para transformar tudo num inferno de violência quando entra em acção. O seu principal objectivo passa por findar com as actividades criminosas de “Wong”. Através de algumas peripécias, “Long” e “Tequila” acabam por unir esforços e conjuntamente partir para uma sangrenta cruzada contra o mais perigoso líder das tríades de Hong Kong.

"Long e Tequila num frente-a-frente"

"Review"

“Hard Boiled” constituiu a despedida de John Woo do cinema de Hong Kong, antes do seu prolongado êxodo por terras do “Tio Sam”, onde viria a realizar um ou outro trabalho de qualidade, mas a maior parte de mérito discutível. Diz-se à boca miúda que o facto de “Hard Boiled” ter tido mais sucesso nos Estados Unidos, do que em Hong Kong, terá constituído um factor decisivo para que Woo tivesse decidido emigrar. Pelos vistos, o realizador não se conformou com as críticas à violência usada em “Hard Boiled”, assim como o facto de este filme não ter repetido os resultados de bilheteira de trabalhos anteriores. Tendo sentido que já tinha perdido o seu público, ou pelo menos, que a fórmula de sucesso estava esgotada, Woo fez as malas e partiu à aventura pelo ocidente. Contudo, como o “bom filho à casa retorna”, Woo presentemente está de novo em Hong Kong, onde tenta entrar em grande com o seu épico dividido em duas partes “Red Cliff”.

Em jeito de adiantamento de uma possível conclusão, sempre se poderá afirmar que na minha opinião, Woo despediu-se em beleza da sua terra-mãe, realizando um “gun-fu” na verdadeira acepção da palavra. É certo que os conceitos presentes em “Hard Boiled” não são muito inovadores em relação aos trabalhos anteriores do realizador, mas o que é certo é que a mística está toda lá. Com a costumeira frase emblemática que neste caso se reconduz a “In this world, the one with the gun always wins!”, o filme ostenta um respeitável número de indivíduos mortos na ordem dos 307!!! Um verdadeiro massacre que grassa nas ruas e prédios de Hong Kong, que a ser realidade geraria um estado de sítio na actual região administrativa e que abriria páginas de telejornais por todo o mundo! Com duelos de antologia, onde são usadas um manancial distinto de armas (muitas delas importadas e supervisionadas pela polícia local), “Hard Boiled” acaba por ser o filme de Woo onde este aspecto se encontra mais presente! Incrível, não?! Se pensávamos por exemplo que “The Killer” ou “A Better Tommorrow” tinham sido cruzadas de violência, com “Hard Boiled” Woo quebraria as suas próprias fronteiras.

"Tequila protege um bébé"

E como também é costume nos filmes do realizador, o melhor (se é que se pode usar a expressão) estaria guardado para a fase final da película. À semelhança de um videojogo, Chow Yun Fat e Tony Leung Chiu Wai marcham para um confronto sem limites, onde o pano de fundo é um hospital. Mas ao contrário do que um estabelecimento de saúde poderia indicar, daqui quase ninguém sairá ileso e muitos farão uma viagem sem retorno para a morgue. Temos acção para todos os gostos! Desde montes de estilhaços de vidros quebrados pelo deflagrar das balas ou pelos embates intervenientes, passando pelas mortes em catadupa dos vilões, dos polícias ou dos infelizes dos pacientes. Inclusive, num assomo criativo bastante interessante, temos uma sala cheia de bebés que se encontram em permanente perigo com toda a sangrenta confusão que degenera em redor.

John Woo em “Hard Boiled” viria a ter uma orientação distinta no que toca aos seus costumeiros heróis. É necessário compreender que os anteriores filmes de Woo elegiam como protagonistas foras-da-lei, ligados ao crime organizado de Hong Kong. Este factor moveu-lhe algumas críticas, pois alguns entendiam que se estava perante uma apologia da delinquência, o que constituia uma má influência para a juventude. Woo decidiu nesta longa-metragem enfatizar o trabalho da polícia. Em decorrência, temos um Chow Yun Fat a rebentar de carisma, no papel do inspector “Tequila” (que muitos defendem ser baseado numa pessoa real), um agente da autoridade que adora jazz e não precisa de muitas desculpas para puxar do gatilho. Fat aparece em grande plano numa das suas melhores fases da carreira, e que inclusive a Empire consideraria uma das 100 melhores personagens de sempre da história do cinema (33º lugar - Ver AQUI). Tony Leung Chiu Wai exterioriza uma personagem que anos mais tarde viria a repetir no fabuloso “Infiltrados”, ou seja, o da toupeira da polícia numa tríade. É certo que as performances não podem ser comparáveis, pois o papel de Tony Leung no filme da dupla Andrew Lau/Alan Mak é mais dotado de profundidade e de uma representação mais cuidada. Mas é necessário ter presente que os tempos eram outros e o requisitado era distinto. Mesmo assim, estamos a falar de um actor que deixa sempre uma marca bastante especial em quase todos os trabalhos que representou ao longo da sua vida, e este é bastante satisfatório. Junte-se uns soberbos Anthony Wong e Philip Kwok (este com um pendor moralista interessante), os vilões da história, e estamos perante uma fórmula de sucesso no que toca ao elenco.

“Hard Boiled” é um hino ao “gun fighting”, para além de significar verdadeiramente o seu apogeu. Tira-nos a respiração, é anti-tédio ao extremo e representa tudo o que de melhor o cinema de John Woo nos deu na sua brilhante caminhada pela cinematografia de Hong Kong nos anos '80 e início de '90. É certo que a sua capacidade de inovação não é de relevar, pois em certos aspectos acaba por ser mais do mesmo. Igualmente poder-se-á afirmar que não possui o brilhante romantismo heróico de “The Killer”, ou a dimensão épica de “Bullet in the Head”. Contudo, é inolvidável que no respeitante à acção e ao estilo imaginativo, “Hard Boiled” dá cartas aos baralhos, sendo praticamente imbatível neste aspecto. Também é necessário salientar que não é todos os dias que temos a oportunidade de ver esses dois brilhantes actores asiáticos, Chow Yun Fat e Tony Leung Chiu Wai, a contracenar num resultado de aclamar.

Obrigatório!

"Saraivada de balas"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 10

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38





quinta-feira, outubro 16, 2008

A Better Tomorrow/Ying hung boon sik - 英雄本色 (1986)

Origem: Hong Kong

Duração: 90 minutos

Realizador: John Woo

Com: Ti Lung, Chow Yun Fat, Leslie Cheung, Waise Lee, Shing Fui On, Kenneth Tsang, Emily Chu, John Woo, Tsui Hark, Shi Yangzi, Tien Feng

"Mark"

Sinopse

“Ho” (Ti Lung) e “Mark” (Chow Yun Fat) são dois conhecidos membros de uma tríade, que encontram-se envolvidos numa vasta operação ilegal de falsificação de dólares americanos. “Ho” tem um irmão que adora e protege imenso, chamado “Kit” (Leslie Cheung). Apesar de o sentimento ser mútuo, “Kit” não desconfia da vida criminosa do irmão mais velho e sonha prosseguir uma carreira completamente antagónica, ou seja, ser um inspector da polícia de Hong Kong.

"Os irmãos Ho e Kit"

A tragédia abate-se sobre os dois irmãos, quando devido a um trabalho falhado de “Ho” em Taiwan, uma tríade rival assassina o pai de ambos. “Ho” é preso, “Kit” descobre a vivência ilícita do irmão e vota-lhe ódio e desprezo, enquanto “Mark” na sua sede de vingança fica inválido e leva a partir daí uma vida miserável. Após cumprir uma pena de prisão, “Ho” está decidido a recuperar a confiança e amor do irmão, e decide abandonar o crime, arranjando um emprego honesto como motorista de táxi. No entanto, as coisas não correm pelo melhor e o antagonismo de “Kit” aumenta ainda mais quando negam-lhe uma promoção, pelo motivo de ser o irmão de “Ho”.

As coisas pioram quando “Shing” (Waise Lee), actualmente o chefe mais poderoso das tríades, começa a infernizar a vida de “Ho” por este se ter recusado a juntar novamente à organização. Pressionados pelas actuações de “Shing”, os irmãos esquecem as suas querelas e com a ajuda de “Mark”, enfrentam sozinhos e de frente a tríade que não os deixa em paz na busca de um amanhã melhor.

"Shing rodeado dos seus capangas"

"Review"

Quando nos referimos aos filmes de tríades de Hong Kong, na vertente “heroic bloodshed”, é meu costume e de tantos outros afirmar que existe um período antes de “A Better Tomorrow”, e outro posterior que nos viria a dar obras brilhantes, quase todas da autoria de John Woo, tais como “The Killer”, “Bullet in the Head” e “Hard Boiled”. O cinema de Hong Kong viria a diversificar finalmente a sua internacionalização, não vivendo quase exclusivamente dos filmes de artes marciais ou do wuxia. E por aqui desde logo se afere da incontornável importância desta película, pois foi praticamente aqui que tudo começou no que toca a destilar qualidade e um estilo incomparável relativamente ao conceito da vingança servida num avassalador prato de balas por um anti-herói! Numa lista revelada nos “Hong Kong Film Awards” de 2005, onde foi consultado um painel composto por 101 pessoas, desde realizadores de cinema, críticos e estudiosos do fenómeno da sétima arte, “A Better Tomorrow” foi eleito o segundo melhor filme de sempre do triângulo China/Hong Kong/Taiwan (consultar o resto da lista AQUI). Convenhamos que qualquer escolha tem sempre muito de discutível, e o que é bom para um muitas vezes não vale nada para outro, mas é forçosamente necessário reconhecer que “A Better Tomorrow”, pela sua importância histórica e imponência cinematográfica, é um claro candidato a figurar em qualquer “top” da sétima arte que se preze. Praticamente sem publicidade de relevo antes da sua estreia, esta longa-metragem viria a bater recordes de bilheteira em toda a Ásia, e poder-se-á afirmar que não constituiu quase nenhum risco financeiro a feitura de duas sequelas e uma prequela.

Alertando desde já que sou um admirador do actor em questão, um dos aspectos que importa antecipadamente esclarecer é a real importância de Chow Yun Fat no filme, e que imperativamente terá de ser desmistificada. Com certeza que todos os que estão familiarizados com o filme, já se aperceberam que é a sempre a figura do mencionado intérprete que aparece por todo o lado em jeito de destaque, seja nos “trailers”, nas capas das inúmeras edições de dvd ou nas fotos mais emblemáticas. Com todo o respeito, e que é imenso, a verdadeira estrela da película é o actor Ti Lung, do qual Leslie Cheung e Chow Yun Fat constituem uns espectaculares adjuvantes. O verdadeiro coração desta longa-metragem assenta na relação dos dois irmãos “Ho” e “Kit”, suportadas por duas boas interpretações do já mencionado Ti Lung e do saudoso Leslie Cheung. A Chow Yun Fat está reservado um importante papel de rebeldia, determinação e fúria, residindo neste actor a força da longa-metragem, reconheço. Mas meus amigos, a alma e o espírito ficarão a cargo de Ti Lung e um pouco de Leslie Cheung. Se não vos confessasse isto, não estaria a ser sincero e a pactuar com o politicamente correcto. Cumpre ainda referir uma curiosidade e que passa por tanto John Woo, o realizador, como Tsui Hark (produtor) terem participações no filme, e não apenas como meros figurantes!

"Mark sofre um brutal espancamento"

A fórmula de sucesso é a mesma a que estamos habituados no que toca a John Woo, embora exista um certo refinamento em “A Better Tomorrow”, em detrimento de uma aposta mais premente nos espectaculares momentos de acção. Com uma trama forte, é-nos dado a interiorizar a actuação das tríades, e a amizade de “Ho” e “Mark”, evidenciando honra no mundo do crime. Paralelamente, observamos a grande ternura que une os irmãos “Ho” e “Kit”, com o irmão mais velho a assumir uma postura protectora e de admiração que muito colhe a nossa simpatia. O negócio ilícito corre bem, a amizade dos intervenientes parece impossível de ser abalada, e o futuro de “Kit” parece ser o mais auspicioso possível. O terreno está preparado para que possamos gozar à vontade as sensações posteriores de pena, revolta e vingança quando tudo descamba e o paraíso acabou.

Outro aspecto bastante propalado acerca de “A Better Tomorrow” é o facto de a película “rebentar as costuras” de estilo, possuindo cenas emblemáticas para dar e vender. Tirando a parte final, em que já se está mesmo a ver (por isso não é nenhum spoiler!) vai haver matança e balas a rodos, normalmente faz-se a apologia de uma cena que marca imenso o filme. Falamos do tiroteio com o cunho de Chow Yun Fat, aquando da vingança que leva a cabo pela prisão de “Ho”. O actor entra num restaurante, impecavelmente vestido de fato, coberto com um sobretudo. Num corredor, vai posicionando armas estrategicamente em canteiros de flores, enquanto está agarrado a uma bela rapariga. Entra na sala onde os seus inimigos estão a jantar, e cumpre o seu objectivo de assassinato. À medida que posteriormente vai recuando no corredor e as suas balas esgotam, retira as armas dos ditos canteiros e continua a disparar, cobrindo a sua retirada e espalhando o inferno na terra. Tudo alternado entre planos rápidos e “slow motion”. Esta sequência é uma candidata a lugar honroso numa rubrica do género “os dois minutos mais intensos da história do cinema”. No que toca a estilo, a personagem “Mark”, viria a marcar uma posição bastante forte perante a juventude de Hong Kong na altura. Muitos adoptaram o estilo evidenciado por Chow Yun Fat nesta longa-metragem, acorrendo às lojas para comprar sobretudos pretos (para o clima de Hong Kong isto é terrível, principalmente no Verão) e óculos “Ray-Ban”, e andando de palito na boca. As autoridades criticaram imenso este facto, acusando John Woo de propalar o estílo dos criminosos pertencentes às tríades. Poderá passar também por aqui a explicação para o facto de Chow Yun Fat ter um papel predominante no que toca a Leslie Cheung e Ti Lung, assunto que já abordei mais acima.

Quando “A Better Tomorrow” estreou em Hong Kong, foi um murro no estômago e tornou-se no filme com mais receitas de bilheteira na história da região administrativa chinesa, tendo mantido o lugar por alguns anos. Apesar de não chegar ao brilhantismo de “The Killer”, é um filme com um mérito cinematográfico extraordinário. O seu “quid” passará por iniciar a brilhante odisseia dos “heroic bloodshed” de John Woo, consubstanciando um dos períodos de ouro do cinema de Hong Kong. Mais pode se lhe assacar outra proeza de renome que foi catapultar para as luzes da ribalta um actor que até então era conhecido por só participar, salvo uma ou outra excepção, em verdadeiros fracassos de bilheteira, comédias duvidosas e dramas de calibre menor. Quem? Esse mesmo! Estou a referir-me a Chow Yun Fat.

Imperdível!

"O trio no meio do inferno final"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25






domingo, junho 15, 2008

The Killer/Dip huet seung hung - 喋血双雄 (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 111 minutos

Realizador: John Woo

Com: Chow Yun Fat, Danny Lee, Sally Yeh, Kenneth Tsang, Shing Fui On, Paul Chu, Tommy Wong, Parkman Wong, Dion Lam, Barry Wong

"Eagle, Ah Jong e Jenny"

Sinopse

“Ah Jong” (Chow Yun Fat) é um renomado assassino a soldo, que segue um código de honra e ética bastante estrito, acreditando que todas as pessoas a que põe termo à vida, merecem efectivamente morrer. Um dia, a meio de um trabalho, fere acidentalmente uma cantora de um bar chamada “Jenny” (Sally Yeh), deixando-a quase invisual.

Assomado pelo sentimento de culpa, “Ah Jong” aproxima-se de “Jenny” e tenta ajudar a curar a sua enfermidade. A única forma de a rapariga voltar a ver como antes é fazer um transplante das córneas, uma operação extremamente cara, e que eventualmente terá de ser feita no estrangeiro. Em decorrência desta situação, “Ah Jong” decide aceitar um último trabalho, de forma a poder pagar a cirurgia.

"Eagle e Ah Jong preparam-se para a batalha final, sob o desespero de Jenny"

“Eagle” (Danny Lee), um polícia que não segue as regras do jogo, começa a investigar os homicídios cometidos por “Ah Jong”, concluindo que está perante um assassino pouco convencional, que ajuda os desprotegidos e possui um grande coração. “Ah Jong” consegue ser bem sucedido no seu último contrato, eliminando o alvo. Contudo, “Weng Hoi” (Shing Fui Hon), o líder da tríade que encomendou o trabalho, decide não pagar ao assassino e pelo contrário, tenta eliminá-lo.

Como é previsível, não existirá diálogo e a violência sem tréguas é que irá ditar a lei! Num combate de vida ou de morte, “Ah Jong” poderá apenas socorrer-se do amor que sente por “Jenny” e da ajuda inesperada de “Eagle”.

"Debaixo de um fogo cerrado"

"Review"

“Ele parece determinado...sem ser impiedoso ou cruel; existe algo de heróico na sua forma de agir; definitivamente em nenhum momento parece ser um assassino; aproxima-se das pessoas de uma forma calma; age como se tivesse um sonho; os seus olhos estão cheios de paixão.” Numa tradução livre, da qual assumo toda a responsabilidade pelas prováveis imprecisões, este excerto retirado de “The Killer” refere-se a uma descrição que o polícia “Eagle” faz em relação ao assassino “Ah Jong”. Acho que ninguém o diria melhor, pois o grande actor de Hong Kong, o sublime Chow Yun Fat, consegue representar como quase ninguém, as personagens emblemáticas dos filmes estilo “heroic bloodshed” (sugestivamente também conhecido com “Gun Fu”) de John Woo. Este “The Killer” assume no género um papel relevantíssimo, ao lado de “A Better Tommorow” e “Hard Boiled”, emparelhando com estas películas no que podemos indiscutivelmente considerar dos melhores produtos de sempre da cinematografia da actual região administrativa chinesa. Mas vamos por partes.

Num registo para muitos inspirado em “Magnificent Obsession”, de Douglas Sirk e “Le Samourai”, de Jean-Pierre Melville, a importância de “The Killer” no panorama cinematográfico mundial e na subsequente “ascensão” de John Woo rumo aos EUA é inquestionável. O conceito do assassino de bom coração e com uma ética um tanto ou quanto inesperada, foi seguida com sucesso por filmes posteriores, dos quais eu elegeria como expoente máximo, o excelente “León, o Profissional” de Luc Besson.

A rodagem de “The Killer”, à semelhança do que acontece com a maior parte das películas, não foi isenta de atribulações. Não resisto a contar algumas. A primeira passa pelo facto de o actor Chow Yun Fat odiar qualquer tipo de violência, ao contrário do que muitos dos filmes que protagoniza possam fazer transparecer. A cena em que “Ah Jong” impede um bando de delinquentes de assaltar “Jenny” foi especialmente penosa para Yun Fat. John Woo pacientemente mentalizou o actor, e fez um trabalho tão bom, que Yun Fat exagerou nos murros e pontapés o que causou algumas danos e queixas dos duplos. O realismo é que ficou a ganhar. Outra curiosidade passa pelo facto de uma cena de tiroteios e perseguição ter causado a sensação nos meliantes que não estavam avisados, de que efectivamente estava a decorrer um assalto. Podemos imaginar o pânico que se sucedeu na rua onde a filmagem estava a ser efectuada. Por fim, um apontamento relativo à atribulada relação entre John Woo e o produtor (e também realizador) Tsui Hark. Este último ficou bastante infeliz com o resultado final do filme, e queria reeditá-lo completamente, centrando a trama no polícia “Eagle”, retirando bastante protagonismo ao assassino “Ah Jong”. Woo não permitiu que tal sucedesse, e a estreia mundial aprazada para Taiwan, constituiu um sucesso sem precedentes. Segundo rezam as más-línguas, o facto de se ter provado que Hark não tinha nenhuma razão quanto ao rumo que a longa-metragem haveria de levar, fez com que o produtor-realizador atirasse uma série de objectos pela janela do seu escritório.

"Tiroteio na igreja"

“The Killer” não foge praticamente a nenhuma das premissas que caracterizam o subgénero “heroic bloodshed”, identificando muito bem os caminhos de onde veio e os rumos que posteriormente pretende seguir. Explora os trilhos da amizade, da honra, o dever e a redenção, tendo por suporte a violência extrema aliada a cenas emblemáticas com toneladas de estilo. O assassino, apesar de enfrentar situações de desvantagem numérica, consegue sempre vencer os diabólicos duelos de armas em que está envolvido, sendo-lhe permitido apenas descansar quando corrige o que está errado. Estamos pois a falar de uma longa-metragem cuja acção é uma constante, sendo apenas interrompida ou conjugada, com cenas que frequentemente recorrem a um melodrama exagerado, mas sem dúvida, bastante apreciado! É uma marca a que “The Killer” inevitavelmente não pode nem quer fugir!

Escrever acerca de “The Killer”, é forçosamente dissertar um pouco acerca dos tiroteios que parecem ser...bem...um VERDADEIRO INFERNO NA TERRA! A energia com que os oponentes se digladiam, numa orgia de fogo e sangue que resulta em dezenas de mortes, prende-nos constantemente a atenção, fazendo com que a película possua um grande entretenimento. Se o filme fosse actualmente a realidade, as morgues de Hong Kong seriam atestadas com cerca de 120 corpos (o número de gente abatida em “The Killer”)!!! Uma afirmação um pouco mórbida e já agora uma verdadeira tragédia! Os litigantes combatem verdadeiramente como guerreiros de outros tempos, substituindo as espadas pelas mais sofisticas armas actuais. Não há preocupação pela estratégia, não existem cuidados nenhuns com a integridade física própria ou de terceiros, o que interessa é matar, matar, matar!!! E em decorrência disto amigos, aqui não há essas “mariquices” de atirar e fugir. O inimigo enfrenta-se olhos nos olhos, com um sorriso ou um esgar de raiva, e apenas o que interessa é oferecer um bilhete só de ida para um sítio chamado “sete palmos abaixo da terra”! Talvez por isto se explique como por vezes este segmento cinematográfico é apelidado de “Gun Fu”. É extremamente complicado, para não dizer impossível, igualar Woo quando está em causa o debitar de milhares de balas, a acção frenética e toda aquela aura de fatalismo e bravura que rodeia estas cenas. De todas as películas que visionei até hoje, julgo que apenas “Desperado”, de Robert Rodriguez, poderá almejar a alguma comparação.

Os actores oferecem-nos representações de relevar, o que assume ainda mais importância num género que não carece de interpretações de antologia, e numa altura em que o mais importante era produzir espectacularidade visual. Chow Yun Fat, como acima foi abordado, é um actor de eleição, que nos consegue transmitir todo o conflito interior e paixão de “Ah Jong”. O que impressiona mais, é que muitas vezes este objectivo é cumprido com um simples olhar, provando que Yun Fat foi uma escolha extremamente feliz e com uma grande quota de responsabilidade nos sucessos dos filmes de Woo. Danny Lee impõe-se no papel do polícia “Eagle”, fazendo uma dupla de respeito com Yun Fat. Sally Yeh, uma cantora e actriz que teve os seus tempos de glória nos anos '80, não destoa na composição do triângulo, mas está claramente uns furos abaixo dos outros vértices. Merece uma palavra especial o veterano Paul Chu, na representação do trágico “Fung”, um assassino reformado e amigo de “Ah Jong”.

John Woo impõe um cunho bastante pessoal nas suas obras e isso denota-se em certas marcas que já detêm, quanto a mim, direitos de autor. E são muitas mesmo! Em “The Killer”, temos a oportunidade de ver uma panóplia de aspectos que ligamos logo ao realizador. Os tiroteios, no sentido já anteriormente abordado; o facto de os seus heróis, no auge da luta, combaterem sempre com duas pistolas, uma em cada mão; o frente-a-frente dos inimigos com armas praticamente encostadas ao corpo um do outro; o reflexo numa superfície espelhada de alguém a se aproximar; o explorar do religioso, com muitos interiores de igrejas, e do profano com a destruição de ícones no calor da luta. Mas acima de tudo são as pombas! Se, e como cantava Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem as Loiras”, os diamantes são os melhores amigos das mulheres, com certeza que as pombas serão o maior alvo de admiração de Woo. Não existe nenhum filme que eu tenha visto deste realizador, em que os simpáticos animais não deixem de marcar a sua presença. Em “The Killer”, embora não exista uma empatia entre o herói e os bichos, sempre se dirá que o papel destes se afigura mais místico. Eles são encarados, segundo as crenças pessoais de Woo, como mensageiros de Deus que guiam as almas dos mortos até aos céus. Uma ideia semelhante existe na mitologia Viking no que respeita às Valquírias, que estavam encarregues de carregar as almas dos guerreiros tombados em combate, até Valhalla.

“The Killer” é um filme feito com corpo e alma, cuja dimensão superior faz com que mereça justamente constar no panteão das grandes obras de sempre da história do cinema asiático. Um triunfo, entre alguns, do rei dos tiroteios infernais, o inimitável John Woo! Imperdível!!!

"Eagle enfrenta a tríade"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 10

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,50





domingo, outubro 28, 2007

A Maldição da Flor Dourada/Curse of the Golden Flower/Man Cheng jin dai huang jin jia - 满城尽带黄金甲 (2006)

Origem: China

Duração: 109 minutos

Realizador: Zhang Yimou

Com: Gong Li, Chow Yun Fat, Jay Chou, Liu Ye, Ni Dahong, Chen Jin, Li Man, Qin Junjie

"A imperatriz Fénix"

Estória

O imperador “Ping” (Chow Yun Fat) é um homem poderoso que construiu um império vasto, dominado pela grandiosidade e pela opulência. “Ping” descobre que a sua esposa, a imperatriz “Fénix” mantém um “affair” com o príncipe “Wan” (Liu Ye), o herdeiro do trono (Nota: o príncipe “Wan” é fruto do primeiro casamento do imperador, logo não estamos a falar de incesto, pois a imperatriz é a sua madrasta), e instrui o médico da corte (Ni Dahong) para juntar um veneno de origem persa ao remédio que é ministrado a “Fénix”, tendo em vista a cura da sua anemia. O veneno é servido em poucas doses, tendo em vista provocar uma loucura crescente na imperatriz, que a levará inevitavelmente à morte. Por outra via, o príncipe “Wan” envereda por um relacionamento proibido com “Chen” (Li Man), a filha do médico da corte e a responsável por servir o “presente envenenado” à imperatriz.

"O imperador Ping"

O imperador mantém em secretismo a relação que manteve com a sua primeira esposa e mãe do príncipe “Wan”, dando a entender que a mesma faleceu e prestando-lhe homenagem todos os anos na cerimónia mais importante do reino e denominada “Festa dos Crisântemos”. No meio de toda esta turbulência familiar, encontra-se o príncipe “Jie” (Jay Chou) que tenta de alguma forma manter a harmonia. No entanto, quando descobre os planos de assassínio da sua mãe, e que estão a ser levados a cabo pelo seu pai, associa-se à conspiração da imperatriz “Fénix” que passa por uma tomada de poder a ser efectuada na noite da “Festa dos Crisântemos”.

Acontece que o imperador não está tão desprevenido quanto isso…

"O principe Jie, 2º na linha do trono, em apuros"

"Review"

Baseado na peça intitulada “Thunderstorm”, do dramaturgo Cao Yu, chega-nos o terceiro “Wuxia” de Zhang Yimou, para o qual o realizador dispôs de um orçamento na ordem dos 45 milhões de dólares, tornando-se à altura a mais cara produção asiática de sempre, superando “The Promise” de Kaige Chen. Desde já se afirma que mantém muitos dos aspectos já anteriormente evidenciados em “Herói” e “O Segredo dos Punhais Voadores”, mas que a nível de argumento denota um certo parentesco com “The Banquet – Inimigos do Império”, de Feng Xiaogang.

“A Maldição da Flor Dourada” é uma película sustentada a nível da trama, essencialmente em intrigas palacianas, tão do agrado das obras de William Shakespeare, e por aqui fica explicada a analogia que fizemos acima com “The Banquet”, filme que tinha por mote principal uma adaptação oriental da tragédia “Hamlet” do conhecido dramaturgo inglês. Existem as costumeiras traições, os escândalos, e inclusive até o choque provocado pelos incestos (não estou a referir-me à relação entre a imperatriz e o príncipe “Wan”, pelos motivos já explicados na sinopse). Tudo gira essencialmente em torno de um drama familiar que ocorre no seio de uma família poderosa, ou seja, a do próprio imperador. E nem os mimos próprios da corte, as facilidades inerentes ao estatuto da nobreza e a faustosidade do modo de vida dos intervenientes conseguem por cobro a estas situações. Zhang Yimou quando se referiu a esta obra, resumiu a mensagem que tentava passar com a frase: “Gold and Jade on the outside, rot and decay on the inside”. Julgo que sintetizou extremamente bem as incidências familiares que constituem o cerne da longa-metragem. Outra declaração emblemática que fará jus ao drama familiar que se avizinha, será a proferida pelo imperador “Ping” ao seu filho o príncipe “Jie”: “Nunca adquiras pela força aquilo que eu não te der”.

Quando nos deparámos com os cenários e o guarda-roupa de “A Maldição da Flor Dourada”, percebemos de imediato onde foi investida grande parte dos tais 45 milhões de dólares que constituíram o orçamento do filme. O palácio é de uma sumptuosidade a toda a prova, sendo considerado um dos maiores cenários jamais construídos. Na verdade, é o mesmo palácio que foi usado nas filmagens de “Herói”, e onde residia o imperador “Qin”, o tal que “queria unir tudo debaixo dos céus”. Simplesmente na aludida estrutura, foram acrescentados muitos mais ornamentos e cor, sendo o resultado final fantástico. Mais impressionante ainda, se tal é possível, é o guarda-roupa envergado pelas personagens. Não existem absolutamente palavras para o descrever, sendo melhor deixar as imagens falarem por si. Apesar de por vezes roçar o signo da extravagância, o detalhe e as cores usadas nos trajes usados tanto pela família real, como pelos restantes intervenientes, dos quais se destacam os soldados, é de “saltar os olhos da cara”! Só a título de curiosidade, os robes que são usados pelo casal imperial nos momentos finais do filme, são completamente bordados à mão, tendo demorado dois meses a concluir e exigido o trabalho de 40 pessoas!!!


"O ataque dos misteriosos assasinos"

As cenas de combate acompanham fielmente toda a aura do filme, enveredando pela espectacularidade, não tendo pejo em fazer uso do “CGI” e dos guindastes. Refira-se apenas que ao contrário do que aconteceu nos dois anteriores “Wuxia” de Zhang Yimou, aqui temos a oportunidade de ver uma batalha monumental entre dois exércitos. Digamos que o mais exuberante foi guardado para o fim, embora tenha colhido a minha preferência pessoal o assalto à residência do médico imperial, efectuada por uns assassinos muito “sui generis”, que através de cordas, deslizavam pelas montanhas até ao seu alvo principal.

Outro motivo de interesse no filme é a possibilidade de vermos actuar em conjunto dois dos maiores nomes de sempre do cinema asiático, ou seja, Gong Li e Chow Yun Fat, que representam o desavindo casal imperial. Gong Li que durante largos anos foi a musa de Yimou, tendo mesmo mantido um relacionamento amoroso longo com o realizador, já não trabalhava com aquele há 11 anos. Por sua vez, Chow Yun Fat volta à representação no cinema asiático, de onde nunca deveria ter saído, após um interlúdio de 5 anos. Como grandes actores que são, é óbvio que destacam-se dos demais. Mesmo assim, confesso que já os vi fazer melhor. É o problema das películas que apostam em excesso na espectacularidade do visual. Muitas vezes, a representação não chama tanto à atenção, e espera-se “que o resto faça o resto”. De qualquer forma, fiquei bem impressionado com o actor Liu Ye, no papel do príncipe “Wan”, o herdeiro do trono.

“A Maldição da Flor Dourada” constitui uma boa proposta, que se revela essencial para os apreciadores da cinematografia do consagrado Zhang Yimou. No entanto, será o elo mais fraco da brilhante trilogia de “Wuxia” do realizador, pelo facto de não possuir a profundidade e a genialidade de “Herói”, nem tão pouco a paixão de “O Segredo dos Punhais Voadores”. Admita-se que o facto de não inovar grande coisa, mas sim acrescentar algo ao que de bom anteriormente tinha sido feito, retirou impacto ao filme. Poderá isto ser uma evidência do cansaço de uma fórmula de sucesso? O futuro o dirá.

"A batalha final"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 10

Emotividade - 8

Mérito artísitco - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13





terça-feira, outubro 09, 2007

O Rei dos Jogadores - O Regresso/God of Gamblers Returns/Du shen xu ji (1994)

Origem: Hong Kong

Duração: 125 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Chow Yun Fat, Jacqueline Wu, Tony Leung Ka Fai, Chingmy Yau, Xie Miao, Wu Xing Gao, Law Kar Ying, Sharla Cheung, Tsui Kam Kong, Charles Heung, Blacky Ko, Ken Lo, Elvis Tsui, Baau Hon Lam, Law Hang Kang, Wong Kam Kong, Tse Miu, Chi Fai Chan

"Ko Chun e os seus aliados pouco ortodoxos"

Estória

Após os eventos ocorridos em “O Rei dos Jogadores”, “Ko Chun (Chow Yun Fat) estabeleceu-se em França, conjuntamente com a sua nova esposa (Sharla Cheung), que aguarda um filho de “Ko”. O cenário idílico não dura muito tempo, pois “Chao Sin Chi” (Wu Xing Gao), um renomado jogador taiwanês e líder de uma tríade daquele país, pretende desafiar “Ko” e retirar-lhe o título de melhor jogador de casino do mundo. Tendo em vista forçar “Ko” a aceitar o seu desafio, assassina a sua mulher grávida. Antes de expirar, a mulher de “Ko” obriga-o a prometer que durante um ano ele não jogará, nem tão pouco usará o título de “Rei dos Jogadores”.

Passados onze meses e qualquer coisa, “Ko” encontra-se na China e faz amizade com um líder de uma tríade de Taiwan chamado “Hoi On” (Blacky Ko). “Hoi On” é assassinado pelos capangas de “Chao”, como resultado de uma luta pelo poder, e à semelhança do que tinha acontecido com a sua falecida esposa, “Ko” é obrigado a fazer outra promessa, que neste caso consiste em levar “Hoi Siu” (Xie Miao) de volta a Taiwan, onde deverá ser entregue aos cuidados da irmã mais velha “Hoi Tong” (Chingmy Yau). Na sua fuga para a ilha, “Ko” é ajudado por “Siu Yu” (Jacqueline Wu) e “Siu Fang” (Tony Leung Ka Fai), conhecidos respectivamente por “Violinha” e “Trombetinha”, dois irmãos que se dedicam a pequenas vigarices. Pelo caminho, ainda levam amordaçado “Kok Chin Chung” (Elvis Tsui) o capitão da polícia chinesa que os persegue.

"Hoi Tong"

Chegado a Taiwan, “Ko”, conjuntamente com o seu séquito, prepara-se para a vingança sobre “Chao”, num duelo de jogadores que envolverá não apenas dinheiro, mas igualmente a vingança e a vida dos elementos das facções oponentes.

"Sing Fu"

"Review"

O primeiro episódio da saga “God of Gamblers” teve um sucesso bastante grande, fazendo com que Chow Yun Fat tivesse a possibilidade de representar um dos papéis mais emblemáticos da sua carreira, o “Rei dos Jogadores” “Ko Chun”. Como muitas vezes acontece, e quando estamos perante uma fórmula ganhadora, a tendência é tirar o partido ao máximo e toca a enveredar por intermináveis sequelas e inclusive até prequelas. Os ditames comerciais assim o ordenam e o cinema asiático é particularmente pródigo neste género de situações, admita-se.

Como prova do acima veiculado, após a película “O Rei dos Jogadores”, datada de 1989, foram realizadas outras duas longas-metragens, intituladas respectivamente de “God of Gamblers 2” e “God of Gamblers 3: Back to Shanghai”, ambas repetindo o realizador Wong Jing, sem Chow Yun Fat, mas com o rei da comédia de Hong Kong, Stephen Chow. Em 1994, Wong Jing viria a ter a oportunidade de seduzir novamente Chow Yun Fat e acompanhado de um elenco com algum respeito, no qual se destaca Tony Leung Ka Fai e Chingmy Yau, realizou este “O Rei dos Jogadores – O Regresso”. Esqueçam agora “God of Gamblers 2” e “God of Gamblers 3: Back to Shanghai”, com Stephen Chow. O filme que ora se analisa é que deverá, em potência, ser considerado a verdadeira sequela de “O Rei dos Jogadores”, película já analisada anteriormente neste espaço.

E a conclusão a que se chega rapidamente é que este filme é eivado de incongruências narrativas determinantes. A mais evidente quanto a mim, passa pelo facto de a personagem de “Ko Chun” abominar, entre outras coisas, que lhe tirem fotografias. É uma imagem de marca que já tinha transparecido e muito em “O Rei dos Jogadores”. Ora, “Ko Chun” quando chega ao casino, onde se irá disputar o duelo final com o infame Chao, é recebido em apoteose. A cena assemelha-se muito a uma cerimónia dos Óscares, com passadeira vermelha e onde dezenas de “flashes” de câmaras fotográficas são disparadas a torto e a direito. O que ainda salva a narrativa, fazendo com que a mesma ainda mereça uma nota positiva, passa pela grande imaginação que alguns filmes de acção de Hong Kong detêm e que fazem com que passemos um bom bocado. “O Rei dos Jogadores – O Regresso” é um desses filmes.

"O vilão Chao Sin Chi"

É impossível passar despercebida a tentativa de sublimação dos regimes democráticos capitalistas orientais, face ao poder político chinês. Tal é expressado essencialmente pela transformação operada na personagem interpretada por Elvis Tsui, o capitão da polícia chinesa “Kok Chin Chung”. “Kok” começa por abominar o facto de praticamente ter sido raptado e levado para Taiwan (que como se sabe não mantém uma relação muito amistosa com a China), e à certa altura começa a apreciar as virtuosidades do capitalismo. A situação evolui e “Kok” é praticamente convertido a um modo de vida antagónico àquele a que estava acostumado. Mais uma crítica à democracia dita “musculada” do potentado chinês, que eventualmente faria mais sentido na altura em que este filme foi realizado, embora se reconheça que ainda hoje ainda há muito a fazer. É apenas uma opinião. Vale o que vale.

Os actores fazem o que podem neste filme, embora sem laivos que sequer se assemelhem a qualquer brilhantismo. No entanto, sempre há a destacar o eterno Chow Yun Fat, que com enorme naturalidade se destaca de todos os restantes actores sempre que entra numa cena, sendo ocasionalmente ofuscado por outro grande vulto do cinema asiático, Tony Leung Ka Fai, nas cenas mais cómicas. Mesmo assim, e mais uma vez podem acusar-me de um certo circunspectivismo, Tony Leung Ka Fai é outro actor a quem não assenta nada bem a comicidade (excepção feita porventura à cena da imitação de um relógio, que embora degenere numa enorme “palhaçada”, sempre arranca alguns sorrisos). Ah! Já me ia esquecendo! Chow Yun Fat é verdadeiramente ofuscado por Chingmy Yau, mas por outras razões que passam sobretudo por um vestido vermelho que lhe assenta bem como tudo. Quanto à camisa da noite meia para o transparente, pode-se dizer que o administrador deste blogue e subscritor do presente texto, ficou simplesmente sem palavras…(já cá faltava a costumeira piada sexista!).

“O Rei dos Jogadores – O Regresso” vale sobretudo pelo entretenimento, as boas intenções (algumas conseguidas, outras nem por isso) e pouco mais!

"Wu, o eterno guarda-costas de Ko Chun, mostra o que vale"

Trailer (Não encontrado), The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13







segunda-feira, setembro 10, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outras quatro estrelas que estão a votação aqui no blogue:

Ashwarya Rai

Informação

De momento não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"

Chow Yun Fat

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Tigre e o Dragão, O Rei dos Jogadores, O Rei dos Jogadores - O Regresso, A Maldição da Flor Dourada

Yukie Nakama

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shinobi: Heart Under Blade

Takeshi Kaneshiro

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Segredo dos Punhais Voadores , Anna Magdalena



domingo, julho 15, 2007

O Rei dos Jogadores/God of Gamblers/Du shen - 赌神 (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 126 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Chow Yun Fat, Andy Lau, Joey Wong, Charles Heung, Sharla Cheung, Ronald Wong, Shing Fui On, Lung Fong, Ng Man Tat, Michiko Nishiwaka, Dennis Chan, Wong Jing, Michael Chow, Baau Hon Lam

"Ko Chun"

Estória

“Ko Chun” (Chow Yun Fat) é um jogador praticamente invencível em tudo o que implique dados, cartas, “mahjong” e afins. O seu talento granjeou-lhe uma fama tal, que é conhecido pelo “Rei dos Jogadores” (“Deus dos Jogadores” na versão inglesa).

Após mais uma brilhante vitória contra um opositor japonês de seu nome “Kau” (Shing Fui On), este solicita-lhe ajuda para uma missão muito pessoal e delicada, que passa pela vingança contra outro jogador profissional chamado “Chan Kan Sing” (Baau Hon Lam), um criminoso procurado internacionalmente por diversos delitos. Pelos vistos há uns anos atrás, o pai de “Kau” enfrentou num jogo de “poker” o mafioso “Chan”, e devido a uns certos ardis, acabou por ser derrotado. Não podendo suportar a desonra da perda, acabou por se suicidar. “Ko” acaba por aceitar a proposta e decide enfrentar “Chan” num memorável jogo de “poker” a ocorrer num navio velejando em águas internacionais.

Entretanto, “Knife” (Andy Lau), um pequeno escroque de Mongkok, decide dar uma lição ao seu vizinho indiano, que gosta de o atemorizar com os seus dois pastores alemães. Arma um embuste, cujo objectivo é fazer com que o irritante vizinho caia e role pela encosta abaixo, sem no entanto o matar.

"Knife"

Acontece que quem cai na armadilha é “Ko”, que no meio do acidente, bate com a cabeça numa pedra ficando amnésico e mentalmente diminuído. “Knife” com medo de ser acusado pela polícia, leva “Ko” para casa e cuida dele, juntamente com a sua namorada Jane (Joey Wong) e o amigo “Crawl” (Ronald Wong).

Aos poucos “Knife” e o seu séquito descobrem que “Ko”, a quem agora chamam “Chocolate”, tem um talento fenomenal para o jogo, fazendo com que ganhem bastante dinheiro. Claro está que não fazem a mínima ideia que estão perante o lendário “Rei dos Jogadores”.

Enquanto “Knife” vai retirando os seus dividendos dos atributos de “Ko”, tanto os inimigos deste como os seus aliados, encetam uma busca desesperada para encontrá-lo.

"O retardado Chocolate"

"Review"

“O Rei dos Jogadores – God of Gamblers” é um filme que assume uma importância vital para a cinematografia de Hong Kong, com direito a sequelas e prequelas, tendo igualmente inspirado filmes como “All for the Winner”, de Jeff Lau.

Wong Jing dotou-se de um elenco que dispensa qualquer tipo de apresentação, onde pontifica um “super cool” Chow Yun Fat, um jovem Andy Lau (na altura com 27, 28 anos), as belas Joey Wong e Sharla Cheung (Aka Man Cheung), entre outros.

O filme acima de tudo entretém, e bastante. Comédia a rodos, com momentos verdadeiramente bem conseguidos. Veja-se a cena do motel, em que um diminuído Chow Yun Fat, questiona-se acerca dos gemidos que provêm dos quartos circundantes. Acção e tiroteios na linha dos aclamados filmes de John Woo, com momentos verdadeiramente de tirar a respiração. Em suma, um ritmo bem conseguido e que nos mantém presos ao ecrã.

A interpretação dos actores varia bastante de intérprete para intérprete. Chow Yun Fat, especialmente nas partes em que aparece como o lerdo “Chocolate”, oferece-nos um bom desempenho. Andy Lau, embora não se safe mal, revela alguns “altos e baixos”, que posteriormente a sua profícua carreira cinematográfica encarregar-se-ia de limar. Os restantes ficam, regra geral, pela mediania, embora Charles Heung, no papel de “Lung Wu – Dragão”, o guarda-costas de “Ko”, imponha uma certa presença. Curiosamente a actuação de Chow Yun Fat neste filme já foi comparada por alguns críticos à de Dustin Hoffman, em “Rain Man – Encontro de Irmãos". Com todo o respeito que merecem tais afrmações, julga-se sem dúvida que pecam por um grande exagero, pois o papel do actor norte-americano e respectiva execução está verdadeiramente “a milhas” ou a “anos-luz”, no bom sentido.

"Chocolate em acção"

A banda-sonora merece algum destaque, que se centra sobretudo na música principal do filme, dotada de um pendor heróico que nos anima imenso, e que faz com que a nossa simpatia pelo filme aumente uns bons pontos.

Aconselho o visionamento desta obra, ainda para mais quando existe a possibilidade em Portugal de adquiri-la conjuntamente com “O Rei dos Jogadores – O Regresso” e “O Rei dos Jogadores – O Início”, num pack razoável, cujo preço não excede 20 euros, pelo menos na FNAC.

Bom filme!

"Ko Chun dirige-se para o embate da sua vida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75





terça-feira, abril 25, 2006

O Tigre e o Dragão/Crouching Tiger Hidden Dragon/Wo hu cang long (2000)
Origem: China/Hong Kong/Taiwan/E.U.A.
Duração: 115 minutos
Realizador: Ang Lee
Com: Chow Yun Fat, Michelle Yeoh, Zhang Ziyi, Chang Chen, Lung Sihung, Cheng Pei Pei, Li Fa Zeng, Gao Xian, Hai Yan, Wang De Ming

"Luta na floresta de bambú"

Estória

Baseado numa novela do século XX, escrita pelo popular escritor chinês Wang Du Lu, a estória do "Tigre eo Dragão" passa-se na altura dinastia Qin, e envolve "Li Mu Bai", um quase invencível espadachim e praticante da disciplina conhecida como "Wudan", a guerreira e mulher independente "Yu Shu Lien", que mantém um romance platónico com "Li Mu Bai", a poderosa mas inocente e mimada "Jiao Long", e o salteador mongol do deserto "Lo Nuvem Negra".

Cansado de uma vida de quase ascetismo e luta, para além do falhanço em vingar o assassinato do seu mestre às mãos da assassina "Raposa de Jade", "Li Mu Bai" pretende levar uma vida mais simples, e se possível finalmente declarar o seu amor de anos a "Yu Shu Lien". Para tanto, entrega a sua fabulosa espada conhecida como "destino verde", ao senhor "Te", um amigo de longa data que vive em Pequim.

Entretanto, chega à capital imperial, o novo governador "Yu", acompanhado da mulher e da filha. "Yu" vai apresentar-se formalmente ao senhor "Te", e "Yu Shu Lien", que pernoitava na casa deste personagem na altura, tem a possibilidade de travar conhecimento com a filha de "Yu", uma jovem e bela rapariga chamada "Jiao Long".

Posteriormente, a "destino verde" é furtada, "Li Mu Bai" chega a Pequim, e quando toma conhecimento do sucedido, suspeita logo que a sua inimiga de longa data, a "Raposa de Jade", está por detrás do sucedido. Não acerta totalmente, pois vem-se a descobrir que na realidade quem levou a espada foi "Jiao Long", em conivência com "Raposa de Jade", que agora se encontrava disfarçada de dama de companhia.

"Jiao Long" à procura do que mais anseia descobrir, o submundo de "Jiang Hu". "Li Mu Bai" e "Yu Shu Lien" vão no seu encalço, numa jornada que irá modificar para sempre as suas vidas.

"Li Mu Bai e Yu Shu Lien"

"Review"

Quando se fala no "Tigre e o Dragão", há que ter logo a presença que estamos perante um dos filmes provenientes do continente asiático mais bem sucedidos internacionalmente, conforme comprovam os 4 óscares atribuídos, para além dos mais de 70 prémios ganhos em certames e festivais de cinema, num universo de 84 nomeações. Um excelente cartão de visita, convenhamos. Merecido, sem dúvida.

Ao visionar o filme, uma das primeiras coisas que salta logo à vista é o contraste existente entre "Yu Shu Lien" e "Jiao Long", nomeadamente a nível das suas ambições. Cada uma é prisioneira de um estilo de vida que odeia e cada uma ambiciona ter o estilo de vida da outra. Acho que mais simples é impossível de explicar. Veja-se "Yu Shu Lien" que daria tudo para ter uma vida pacata, envolvendo o casamento e maternidade, de preferência com "Li Mu Bai"; "Jiao Long", por seu lado, fruto da rebeldia própria da juventude conjugada com a excessiva protecção dos pais, anseia por "se fazer à estrada", viver emocionantes e perigosas aventuras, o que dá umas valentes dores de cabeça ao seu apaixonado, o mongol "Nuvem Negra", disposto a deixar a sua vida de salteador, por forma a constituir um homem à altura do estatuto da amada.

Comentário lateral: Mas onde é que eu já vi estórias parecidas no meu quotidiano, tirando claro está as espadas, os voos sobrenaturais, etc...?

"Li Mu Bai" por sua vez representa a ética personificada, um homem que apesar de ser o ideal da nobreza de carácter, não é feliz devido ao permanente conflito entre o sincero amor que nutre por "Yu Shu Lien" e a honra que comanda a sua vida.

O filme é determinantemente marcado pelas cenas de acção da responsabilidade do lendário Yuen Wo Ping, coreógrafo de imensas películas de "Wuxia Pien" e do "blockbuster" "The Matrix".

Para o espectador que não está habituado à cinematografia oriental, nomeadamente os filmes de artes marciais, fica deslumbrado pela positiva quando aprecia os voos e as planagens efectuadas pelas personagens deste filme. Mas isto apenas acontece por desconhecimento, pois trata-se de uma técnica que é usada há muitos anos nos filmes de Hong Kong, e que foi aprimorada de uma forma bastante positiva em "O Tigre e o Dragão".

Agora dirijo-me aqueles que criticaram negativamente as aludidas cenas, a maior parte das vezes por franca ignorância. Meus caros, é preciso ter presente que estes filmes são baseados em lendas ou romances! Além disso é preciso ter presente que o conceito de herói varia de povo para povo, e é necessário conhecer um pouco da cultura asiática, e da chinesa em particular, para apreender e aprender melhor este aspecto. Partindo destes pressupostos, de uma mente aberta, de alguma pesquisa e leitura, verão como será mais fácil conviver com este género de acção e apreciar a beleza inerente à mesma.

"A paixão de Jiao Long e Lo Nuvem Negra"

Este filme tem o segundo melhor final que já vi, sendo apenas ultrapassado por uma película que em absoluto não partilha o género. Falo de "Cinema Paraíso". Os trágicos-românticos com certeza não se irão arrepender do seu visionamento. Outra cena que faz chorar as pedras da calçada é a frase emblemática desta película proferida por "Li Mu Bai" quando finalmente se declara a "Yu Shu Lien": "I would rather be a ghost drifting by your side as a condemned soul than enter heaven without you...because of your love, I will never be a lonely spirit." Um momento único da sétima arte, de fazer chorar as pedras da calçada!!!

A banda-sonora é do melhor que já se fez a este nível e que em muito contribui o toque mágico do violoncelo de Yo-Yo Ma. Aprecio em especial a música "Farewell", que se ouve quase no fim do filme, numa altura em que "Jiao Long" e "Nuvem Negra" estão a falar numa ponte situada num mosteiro nas montanhas de "Wudan".

Aconselho a todas as pessoas que queiram se iniciar por este género de cinema, a visionar em primeira linha "O Tigre e o Dragão". O senão é que, à excepção de "Herói", as outras referências do género não possuem a mesma qualidade.

Ang Lee, o realizador muito em voga devido a "Brokeback Mountain", confessou que realizou o seu sonho de criança quando realizou "O Tigre e o Dragão". Quanto a mim, atingiu o expoente máximo da sua carreira.

Um hino ao amor e à beleza, mas acima de tudo um ícone do verdadeiro bom cinema. Maravilhoso!!!

"Aquela cena...I would rather be a ghost drifting by your side as a condemned soul than enter heaven without you... because of your love, I will never be a lonely spirit"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 9

Argumento - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Banda-sonora - 10

Emotividade - 10

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 10

Classificação final: 9,13

"Jiao Long ao encontro da satisfação do seu desejo mais íntimo...



...Farewell"