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domingo, fevereiro 08, 2009

O Macaco de Ferro/Iron Monkey/Siu nin Wong Fei Hung ji: Tit Ma Lau -少年黄飞鸿之 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 86 minutos

Realizador: Yuen Woo Ping

Com: Yu Rong Guang, Donnie Yen, Jean Wang, Yen Shi Kwan, James Wong, Hsiao Hsou, Tsang Sze Man, Sunny Yuen, Li Fai

"Dr. Yang e Orchid"

Sinopse

No fim da dinastia Qing (dinastia manchu), a província de Chekiang (actual Zhejiang) é dominada pelos funcionários corruptos que retiram tudo o que podem à população, enquanto esta definha na pobreza e na miséria. O “Dr. Yang” (Yu Rong Guang) é um médico bondoso e calmo, que possui uma dupla faceta na sua vida. Enquanto que de dia, auxilia os necessitados na cura das suas maleitas, à noite é o temível “Macaco de Ferro”, um fora-da-lei que rouba o governador “Cheng” (James Wong) e os seus sequazes, e oferece o dinheiro aos pobres.

"Wong Kei Ying e o seu filho Wong Fei Hung"

Entretanto chegam à cidade “Wong Kei Ying” (Donnie Yen) e o seu filho, o jovem “Wong Fei Hung” (Tsang Sze Man). Devido à ânsia em apanhar o “Macaco de Ferro”, o governador “Cheng” manda prender todos os cidadãos que remotamente possam ser o herói, e os dois “Wong” são irremediavelmente também detidos. Livres das acusações, mesmo assim os problemas não acabam. O governador impressionado com as incríveis habilidades de “Kei Ying” no domínio das artes marciais, ordena-o que este capture o “Macaco de Ferro”, detendo “Fei Hung” indefinidamente. Tendo em vista salvar o filho, “Kei Ying” não tem remédio senão perseguir o bondoso ladrão. Mas quando “Hiu Hing”, o governador distrital e um monge renegado de Shaolin, chega à cidade e aprisiona tanto “Fei Hung”, como “Orchid” (Jean Wang) a assistente do “Dr. Yang”, “Kei Ying” e “Macaco de Ferro” esquecem as suas divergências e unem-se tendo em vista salvar os seus entes queridos.

"O Macaco de Ferro"

"Review"

“O Macaco de Ferro” consubstancia-se em mais uma história que tem por base uma das personagens mais populares do folclore chinês. Refiro-me obviamente a Wong Fei Hung, uma figura, que como já tive oportunidade de referir em anteriores textos aqui publicados, realmente existiu e serviu de inspiração ou referência a cerca de 100 filmes (poderão consultar uma lista relativamente completa AQUI). Na película que agora se irá analisar, Fei Hung assume um papel mais secundário, embora importante, e a trama foca-se mais nas peripécias do seu pai, Wong Kei Ying, e do Dr. Yang, que personaliza o “Macaco de Ferro”. Contudo, é inquestionável que esta longa-metragem tenta sempre passar a mensagem do futuro grandioso que aguarda o jovem Fei Hung, conferindo-lhe momentos suficientes para que nos apercebamos disso.

No que toca a acção, poucos filmes podem comparar-se a “O Macaco de Ferro”. Embora existam algumas cenas em que vemos que existiu um auxílio de guindastes, igualmente é certo que as lutas em muito dependem da habilidade superior dos intervenientes. Claro que ajuda muito ter Donnie Yen e Yu Rong Guang, dois dos maiores actores de sempre do cinema de artes marciais, e executantes com uma maestria e poder físico impressionantes. Auxiliados pela realização e coreografia de Yuen Woo Ping, para além da produção de Tsui Hark, os intervenientes desfilam um manancial de lutas impressionante, com pormenores técnicos muito imaginativos e simplesmente deliciosos. E num crescendo louvável, chegamos à luta final que, obedecendo à tradição do género, se pretende que constitua o clímax. Neste particular, “O Macaco de Ferro” não deixa mesmo nada os seus créditos por mãos alheias. Efectivamente no epílogo, se tal fosse possível após os excelentes combates anteriores, temos um digladiar do mais elevado quilate. Donnie Yen e Yu Rong Guang juntam forças e lutam contra um monge de Shaolin renegado, interpretado pelo actor Yen Shi Kwan, e oferecem-nos uma das melhores sequências de artes marciais jamais passada para a tela. A tensão provocada pelo equilíbrio perene dos combatentes em cima de uns postes de madeira, com tudo a arder em redor, é imperdível! Cabe ainda referir uma intrigante curiosidade acerca do actor que representa o jovem Wong Fei Hung. Na realidade, Tsang Sze Man é uma rapariga, embora confesse que tal não seja tão evidente assim para quem visiona a película. Ao consultar a filmografia desta actriz, pude observar que “O Macaco de Ferro” foi o único filme em que esta intérprete participou.


"O Macaco de Ferro enfrenta o monge renegado Hiu Hing"

O argumento contém os predicados tradicionais do género e afigura-se extremamente simples de seguir. Trata-se da clássica luta em que alguém desafia o poder corrompido instituído, e numa evidente aproximação a personagens como “Robin dos Bosques” ou “Zorro”, combate as injustiças roubando aos ricos para dar aos pobres. Os mais familiarizados com os filmes de artes marciais de décadas anteriores à de 2000, sabem que na maior parte das vezes filmavam-se as cenas de acção (o fulcral) e logo depois elaborava-se uma trama muitas vezes primária, sobretudo para preencher os momentos mortos da película, ou para justificar o manancial de pancadaria existente. “O Macaco de Ferro” gravita um pouco em torno desta ideia, embora note-se que existe um certo cuidado numa abordagem minimamente credível relativamente aos aspectos culturais, não chegando, contudo, ao tratamento evidenciado pela saga “Era Uma Vez na China” . No fundo, temos acima de tudo entender que Yuen Woo Ping sempre teve uma faceta de coreógrafo de artes marciais muito superior à de realizador. Apreendida esta ideia, estaremos em condições de obviar certos aspectos menos felizes no desfilar da história. Outro factor que colheu algum agrado da minha parte, foram os momentos de comédia enxertados nesta longa-metragem que desanuviam um pouco o ambiente, e por vezes até nos conseguem fazer sorrir. Constitui, como muitos também devem saber, uma característica do género e que seria sobretudo potenciada por Jackie Chan. Não tão desenvolvido, mas ainda presente, temos a oportunidade de reflectir acerca dos aspectos menos estóicos de Shaolin, mormente no aspecto dos monges corrompidos que atraiçoam os valores mais caros ao ensino do mosteiro.

“O Macaco de Ferro” é, para muitos, um dos melhores filmes de artes marciais jamais feito e o expoente máximo de Yuen Woo Ping enquanto realizador. Reconheço efectivamente que neste domínio tenho ainda muito que aprender, mas é facilmente perceptível que a película é extremante entusiasmante e tem momentos de acção de perder o fôlego. Por essa razão, só me resta aconselhar vivamente esta obra a todos aqueles que apreciam o cinema mais movimentado e que faz greve a tudo o que signifique contemplação. No que concerne aos fãs de artes marciais, esta longa-metragem é de visionamento claramente obrigatório, sob pena de se gerar um vazio insuprível! Trata-se de um bom acompanhamento para películas como “Era Uma Vez na China” ou “Fong Sai Yuk”.

A não perder!


"Luta nas chamas"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8"

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75




quarta-feira, junho 04, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos mais um realizador asiático que está sujeito ao vosso escrutínio, no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.
Yuen Woo Ping

Informação

Filmografia enquanto realizador (caso exista alguma crítica, o título estará assinalado a cor vermelha. Para aceder ao texto, basta clicar):

  1. Snake in the Eagle's Shadow (1978)
  2. Dance of the Drunken Mantis (1979)
  3. The Magnificent Butcher (1979)
  4. The Buddhist Fist (1980)
  5. Dreadnaught (1981)
  6. Miracle Fighters (1982)
  7. Oriental Voodoo (1982)
  8. Legend of a Fighter (1982)
  9. Shaolin Drunkard (1983)
  10. Drunken Tai Chi (1984)
  11. Mismatched Couples (1985)
  12. Dragon Vs. Vampire (1986)
  13. Tiger Cage (1988)
  14. In the Line of Duty 4 (1989)
  15. Tiger Cage 2 (1990)
  16. Tiger Cage 3 (1991)
  17. Heroes Among Heroes (1993)
  18. Last Hero in China (1993)
  19. Iron Monkey (1993)
  20. The Tai Chi Master (1993)
  21. Fire Dragon (1994)
  22. The Beautiful Secret Agent (1994)
  23. The Red Wolf (1995)
  24. Tai Chi II (1996)
  25. Iron Monkey II (1996)


quinta-feira, novembro 29, 2007

O Grande Mestre dos Lutadores/Drunken Master/Zui quan - 醉拳 (1978)
Origem: Hong Kong
Duração: 107 minutos
Realizador: Yuen Woo Ping
Com: Jackie Chan, Simon Yuen, Hwang Jang Lee, Hsu Hsia, Dean Shek, Chiang Ching, Fung Jing Man, Lin Chiao, Linda Lin, Li Ying, Loong Chen Tien, Shih Fu Tsan, Shih Kien, Casanova Wong, Yeung Pan Pan, Brandy Yuen, Yuen Shun Yee
"Wong Fei Hung cumpre um castigo devido às suas trapalhadas"

“Wong Fei Hung” (Jackie Chan) é um jovem irresponsável que só se mete em sarilhos, provocando desta forma bastantes cabelos brancos ao pai, e ao mesmo tempo afectando a honra da escola de artes marciais da família. Um dia “Fei Hung” pisa o risco, fazendo umas tropelias com as pessoas erradas, a saber, a tia e a prima. O pai farto das acções do filho, decide discipliná-lo de uma forma veemente, e deixa-o ao cuidado de um tio chamado “So Hai” (Simon Yuen).

“So Hai” é um velho e mítico mestre de artes marciais, especializado na técnica dos “8 deuses bêbados”. O nome do estilo que pratica encaixa bem em “So Hai”, pois o mesmo é um alcoólico inveterado, que só pensa em ingerir vinho, sendo esta bebida o suporte fundamental para o sucesso do seu kung-fu. O mestre tem uma fama tenebrosa e que passa por deixar os seus alunos permanentemente aleijados, devido à exigência dos seus treinos, aspecto que “Fei Hung” cedo sente na pele.

"O delirante So Hai"

O herói farta-se do regime a que se encontra sujeito, e foge da tutela de “So Hai”. Contudo, cruza o caminho com “Yan” (Hwang Jang Lee), um poderoso assassino, e leva uma autêntica tareia daquele. Humilhado, “Fei Hung” decide voltar para “So Hai” e finda o seu treino, tornando-se num especialista na técnica inventada pelo seu mestre.

Entretanto, “Yan” é contratado para matar o pai de “Fei Hung”, o que provocará inevitavelmente um novo conflito. Só que desta vez, o herói encontra-se muito mais bem preparado!

"A tia de Fei Hung defende a honra da filha"

"Review"

Tecer considerações acerca de “Drunken Master”, é falar de um dos míticos filmes de Hong Kong, sendo considerado para muitos uma das mais brilhantes comédias de artes marciais provenientes da região administrativa chinesa, assim como um dos filmes de eleição da lenda daquelas paragens, Jackie Chan (à altura um jovem com 24 anos).

Não sendo eu propriamente um fã das longas-metragens do chamado “kung-fu old school”, ao contrário de por exemplo o Takeo ou a Aline, sou no entanto forçado a reconhecer que este meu pequeno espaço estava deveras incompleto sem uma resenha acerca de um filme que iniciou uma das mais populares sagas do cinema asiático, conquistando uma legião de fãs um pouco por todo o mundo. Já agora se me permitem o pequeno devaneio, este espaço nunca será um 100% completo, pois faltará sempre um filme emblemático para discorrer e trocar ideias com todos vocês. Ainda bem que assim o é, pois só prova que a realidade cinematográfica em geral, e a asiática em particular, se afigura dinâmica e anti-estanque. Tal constituirá sempre um desafio pessoal para a minha pessoa e que motivará a existência do “My Asian Movies” para o que der e vier. Amén!

O que significa então “Drunken Master” para um consumidor de cinema como eu, que possui as características de não nutrir uma particular admiração tanto pela cinematografia de kung-fu, assim como pela lenda Jackie Chan?

"O vilão Yan demonstra o seu potencial no kung fu"

Antes de tudo bastante entretenimento e boa disposição. “Drunken Master” (esqueçam agora o título que lhe foi dado em português), constitui uma película em que a acção e a comédia nunca nos abandonam até aos créditos finais e que revela ser uma excelente opção no final de um dia de trabalho extenuante, em que apenas queremos nos distrair com algo. As cenas de luta estão muito bem coreografadas, e entretêm ao máximo, sendo de uma grande elevação cómica o denominado “drunken boxing”. A habilidade natural de Jackie Chan a isso ajuda, e aqueles pontapés de Hwang Jang Lee são inesquecíveis (a versão dobrada foi neste caso feliz, ao denominar a personagem de Lee como "Pernas de Trovão - Thunderlegs"). Confesso, um pouco contra a minha vontade (será que ouvi alguém gritar faccioso?!), que a representação de Jackie Chan do estilo do 8º deus bêbado (neste caso uma deusa bêbada) “Miss So”, (para saber mais sobre a lenda dos oito deuses bêbados ir AQUI) me arrancou algumas gargalhadas sinceras. As mesmas foram potenciadas, quando a edição que comprei a um preço irrisório na “Worten” (cerca de 4 euros, para os visitantes brasileiros rondará 10,91 reais), tinha uma “certa particularidade”, que passo a explicar. Como a esmagadora maioria de nós, eu não aprecio nada os filmes “dobrados” em inglês. Então toca lá a pôr nas opções a língua originária dos intervenientes, com as legendas em português. Tudo corria bem, até de repente as personagens começarem a expressarem-se em inglês por um minuto ou dois, até voltarem novamente à língua autóctone (pelo que investiguei, o problema não parece ser apenas da edição portuguesa do filme). Não sei porquê, mas em vez de me chatear de sobremaneira, houve situações em que ri até ao delírio, como por exemplo numa cena Jackie Chan ser o herói Wong Fei Hung, e na outra logo a seguir já se transformar num ser denominado “Fred Wong”. Bem, sem comentários…quanto ao remanescente da comédia, o cabelo de “So Hai” (dahh, ninguém percebe que é uma peruca primária) e o ambiente geral de “nonsense” infantil fazem o resto!

Outro aspecto interessante desta longa-metragem é a abordagem à própria personagem de Wong Fei Hung. Como já foi referido noutras críticas deste espaço, Wong Fei Hung é um herói popular, que realmente existiu. E sendo uma figura tão importante para os chineses, é perfeitamente normal que a abordagem nos filmes revele um pendor heróico porventura exacerbado, e com um tratamento um pouco mais sério. Pense-se na saga “Era Uma Vez na China”, de Tsui Hark (para críticas neste blogue, ir AQUI e AQUI). No entanto, em “Drunken Master”, Fei Hung é tratado de uma forma completamente diferente. Os defeitos abundam, e aquele homem é um filho que todos os pais não sonham ter. É irresponsável, zaragateiro, oportunista, embora com um coração do tamanho do mundo. É claro que o heroísmo acaba por vir ao de cima, e degenere num excitante combate final.

Simon Yuen, o pai do realizador deste filme e o coreógrafo mundialmente conhecido Yuen Woo Ping, é “So Hai”, o genuíno “mestre bêbado” (passe a tradução livre). Jackie Chan, que dispensa qualquer tipo de apresentação (para o bem ou para o mal) é o discípulo ideal. Hwang Jang Lee é um vilão extremamente competente. As limitações representativas são por demais evidentes (não nos referimos às artes marciais, claro!), e o ar de série B da película não ajuda nada.
No entanto, sempre se aconselhará com alguma segurança o visionamento deste filme por algumas razões. É uma película com grande interesse histórico para a cinematografia asiática, para além de entreter e mostrar um Jackie Chan nos seus melhores momentos. Para os fãs do “kung fu old school”, é por demais obrigatório! Já agora, os mais eruditos poderão querer fazer uma pausa e descontrair de vez em quando…

"Yan vs. Fei Hung"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 10

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88







segunda-feira, setembro 24, 2007

Kung-Fu-Zão/Kung Fu Hustle/Kung Fu - 功夫 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 95 minutos

Realizador: Stephen Chow

Com: Stephen Chow, Lam Chi Chung, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang, Chan Kwok Kwan, Tin Kai Man, Feng Xiaogang, Lam Suet, Yuen Woo Ping, Yuen Cheung Yan, Lam Chi Sin, Wellson Chin, Dong Zhi Hua, Hsiao Liang, Chiu Chi Ling, Leung Siu Lung, Xing Yu, Zhang Yi Bai, Fung Min Hun

"Sing"

Estória

A Xangai da década de 1930 é completamente controlada pelas tríades, sendo o grupo mais forte o “Gang do Machado”. A polícia não intervém pois teme o crime organizado, além de ser altamente subornada pelos criminosos. Os únicos locais ainda seguros são os bairros pobres, que não despertam interesse nenhum nas máfias. Num desses bairros, conhecido como “pocilga”, vive um casal que arrenda todas as casas do sítio. O senhorio (Yuen Wah) é completamente dominado pela mulher (Yuen Qiu) que possui um feitio irascível, que todos temem.

“Sing” (Stephen Chow) e “Bone” (Lam Chi Sin) são dois pequenos escroques, cujo sonho é serem admitidos no “Gang do Machado”. Certo dia, ao tentarem enganar os habitantes do bairro da “pocilga”, acabam por atrair a tríade e provocar um confronto, do qual os moradores saem vencedores. A razão para tal é que por detrás de pessoas aparentemente inofensivas, existem verdadeiros mestres de artes marciais tais como o padeiro (Dong Zhi Hua), o alfaiate (Chiu Chi Ling) e o carregador (Xing Yu).

"Fong"

Humilhado pela derrota, o “Irmão Sum” (Chan Kwok Kwan), contrata um duo de assassinos experimentados, que vencem os 3 mestres de artes marciais, mas que surpreendentemente acabam por perder para com o senhorio e a sua intratável esposa. “Sum” decide então recorrer a “Sing”, e contrata-o para libertar “Monstro” (Leung Siu Lung), que se encontra preso num manicómio e é considerado o maior assassino da história.

“Monstro” luta com o senhorio e a esposa, mas estes são ajudados inesperadamente por “Sing” e conseguem escapar. “Sing”, bastante ferido, é curado pelo casal e o seu “qi” (“chi” – força vital) é finalmente libertado, revelando-se o rapaz como um exímio mestre de artes marciais, que domina a técnica sagrada da “palma de Buda”.

As condições estão criadas para o grande confronto entre o “Gang do Machado”, agora liderado por “Monstro”, e um solitário “Sing”. Uma batalha épica irá ocorrer!!!

"O estranho casal de senhorios do bairro da pocilga"

"Review"

Hoje em dia, uma comédia de artes marciais protagonizada e realizada por Stephen Chow é sinónimo de um sucesso antecipado, não só a nível do continente asiático, mas igualmente no mundo inteiro. Chow significa dinheiro vivo e boas receitas de bilheteira. Embora eu esteja muito longe de ser um fã de comédias, e por isso mesmo Stephen Chow e Jackie Chan não recolham muito a minha preferência, sou forçado a reconhecer que Stephen Chow significa igualmente entretenimento e os seus filmes um bocado bem passado e descontraído. Para nos libertarmos um pouco do “stress” do dia-a-dia, não há nada como um filme de Stephen Chow. E desde os tempos em que o actor descobriu as maravilhas do CGI, esta premissa assume mais relevância, e ao contrário do que alguns pensavam, Chow atingiu outros patamares. Se uns gostam e outros não, isso já é outra conversa…

Quando “Kung Fu Hustle” viu a luz do dia, a expectativa em torno da película fez com que a mesma fosse praticamente um sucesso antecipado, muito por culpa do furor que “Shaolin Soccer” tinha feito três anos antes. E de facto o êxito de “Kung Fu Hustle” foi algo digno de se ver. Grandes receitas de bilheteira, e não apenas em Hong Kong. Dezassete prémios ganhos em vários certames de cinema, para além de 26 nomeações entre as quais uma para o “Globo de Ouro” para o melhor filme estrangeiro, e outro para o prémio BAFTA referente ao melhor filme não falado em inglês. Um inquestionável e excelente cartão de visita!

Que dizer do filme?

À semelhança do já aludido “Shaolin Soccer”, o estilo “cartoon” é incontornável. Aliás, em “Kung Fu Hustle”, esta característica ainda acaba por ser mais premente. Corridas à “Roadrunner” (Papa-léguas em Portugal), personagens que chocam com violência na parede e escorregam pela mesma suavemente, lutas em que os intervenientes são literalmente arremessados pelo ar num estilo muito semelhante a “The Matrix”, etc, etc, etc. O mesmo será dizer, uma loucura total (e porque não uma "Kung-Fu-Zão", um trocadilho com "confusão", sem ser depreciativo)!!!

"O Gang do Machado"

Pelas razões expostas no parágrafo anterior, “Kung Fu Hustle” vive quase completamente sob o signo do entretenimento. Tudo o resto assume um papel secundário. É certo que existe uma estória que é relativamente bem construída, embora simples e longe de ser original. Não se duvida que os adereços e a banda-sonora constituem bons acessórios. Mas neste filme de Stephen Chow, os espectaculares efeitos especiais e a comédia são verdadeiramente a lei!

Julgo que ninguém pode duvidar do amor de Stephen Chow pelos filmes de artes marciais e pelos seus intervenientes. O próprio actor e realizador é um admirador confesso do ícone Bruce Lee. Tenho forçosamente que admitir, embora não seja muito do meu agrado, que existem várias formas de homenagear o género. Stephen Chow escolheu a comédia temperada de infantilidade e de elementos que muitas vezes roçam a “palhaçada” de circo. Mas nem por isso tem menos mérito que aqueles que enveredam pela perspectiva mais séria da “coisa”, e os resultados estão à frente de todos. Chow é sem dúvida nenhuma, um dos grandes nomes do cinema asiático!

O próprio Chow na escolha do elenco desta longa-metragem, fez questão de perpetuar essa mesma homenagem e admiração que nutre pelos filmes de artes marciais. Pense-se em Yuen Wah, um dos membros dos conhecidos “Seven Little Fortunes” (na realidade eram mais de sete), um grupo de estudantes da ópera de Pequim, famoso pelas suas actuações acrobáticas, dos quais fizeram parte, para além de Wah, Yuen Biao, Jackie Chan, Sammo Hung e Corey Yuen. Outro exemplo será Leung Siu Lung (aka Bruce Leung) que era conhecido nos anos ’70 e ‘80 por o “Terceiro Dragão” (os outros dois eram Bruce Lee e Jackie Chan). Este último actor, por exemplo, já não participava num filme há quinze anos!

A estória de amor também marca a sua presença e à semelhança de “Shaolin Soccer”, envereda pelo caminho da paixão entre alienados da sociedade. Existe uma relação entre “Fong” (representada por Eva Huang, uma actriz que não sei porquê, lembra-me Isabella Leong – isto é um grande elogio, acreditem!), uma rapariga muda que vende gelados e “Sing”, um criminoso de 10ª categoria. Pensem outra vez em “Shaolin Soccer”, e nas personagens aí representadas por Stephen Chow e Vicki Zhao (ai, ai, 1000 vezes suspiros…), e com certeza encontrarão alguma analogia.

Lembro-me perfeitamente que quando vi pela primeira vez “Kung Fu Hustle”, foi num dia em que quase nada me estava a correr bem, e que a minha pessoa estava um pouco triste e melancólica. A nostalgia era dona e senhora de mim, ao olhar para ruas da capital deste país, com as memórias a aflorarem cada poro da minha pele! Se calhar era um boa altura para visionar um melodrama qualquer de fazer chorar as pedras da calçada! Chegado ao “Alvaláxia”, terreno que não me é grato do ponto de vista futebolístico (não sou lá muito fã do “Lion Soccer”, por estas bandas é mais o “Dragon Soccer”), a veia do cinema asiático clamou mais alto, e “Kung Fu Hustle” foi eleito o companheiro da tarde. Posso dizer que o resto da jornada foi muito mais alegre…

É esse o mérito dos filmes de Stephen Chow no geral, e de “Kung Fu Hustle” em particular. De uma maneira disparatada, traz mais um pouco de felicidade à nossa vida!

"Sing em luta com o Gang do Machado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, FanatiCine, Not Alone, Lord of the Movies, Cine-Asia, Nem Todos São Arte, Rollcamera...action!

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75