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quarta-feira, agosto 19, 2009

Ip Man - 葉問 (2008)
Origem: Hong Kong
Duração: 107 minutos
Realizador: Wilson Yip
Com: Donnie Yen, Simon Yam, Gordon Lam, Lynn Xiong, Louis Fan, Hiroyuki Ikeuchi, Xing Yu, Wong Yau Nam, Chen Zhihui
"O grande mestre Ip Man"

Sinopse

Em 1930, a cidade de Foshan é conhecida pelo grande número de praticantes de artes marciais, e pelas várias escolas que rivalizam entre si. “Ip Man” (Donnie Yen) é de longe o melhor lutador, mas a sua humildade faz com que não aceite discípulos, e leve uma vida abastada e calma com a sua família e amigos, para além de treinar e tentar aperfeiçoar as suas habilidades. De vez em quando, “Ip Man” luta privadamente com outros mestres, inapelavelmente vencendo-os sempre, inclusive o lutador forasteiro “Jin” (Louis Fan) que pretendia desonrar os combatentes de Foshan.

"Ip Man e a sua família"

Em 1937, com o incidente Marco Polo, o Japão invade em força a China e ocupa Foshan. O outrora rico “Ip Man”, vê-se privado da sua casa que se torna o quartel-general das forças nipónicas e cai na miséria. Obrigado a trabalhar numa mina de carvão e posteriormente na fábrica de algodão do amigo “Quan” (Simon Yam), “Ip Man” apercebe-se da tirania dos japoneses perante os habitantes de Foshan, e começa a criar um sentimento nacionalista e de defesa da pátria ocupada. Vencendo vários japoneses em combates de artes marciais, “Ip Man” acaba por desafiar o general “Miura” (Hiroyuki Ikeuchi), o comandante local, para uma luta perante os habitantes da cidade.

"Ip Man, rodeado por dez lutadores japoneses"

"Review"

“Ip Man” visa ser um filme biográfico acerca de uma das personagens contemporâneas mais importantes do mundo das artes marciais, chamado precisamente Ip Man. Este mestre de artes marciais é bastante conhecido na China e em Hong Kong, tendo sido celebrizado no ocidente por ter sido mentor de, nada mais, nada menos que Bruce Lee. O projecto de fazer um filme acerca da vida de Ip Man já existia há algum tempo, desde 1998, mas parecia votado ao abandono. Contudo, o conhecido produtor Raymond Wong, após ter obtido o consentimento dos filhos de Ip Man, foi de armas e bagagens para Foshan, de forma a investigar o passado do famoso praticante de Wing Chun. Estreada a película, a recepção foi francamente positiva, com críticas bastante favoráveis e a consagração nos Hong Kong Film Awards, onde a obra viria a arrecadar o prémio para melhor filme e para melhor coreografia de acção. Sendo a primeira parte de uma trilogia, a sequela chega já em 2010, onde a personagem de Bruce Lee, aparecerá com a tenra idade de 10 anos.

Ao longo de muitos anos, foram realizadas várias películas das cinematografias de Hong Kong, China e Coreia do Sul, cujo inspiração principal passava pela resistência a um invasor estrangeiro. Em muitas delas, o alvo principal eram os japoneses, pelas razões históricas que todos conhecemos, e que não vale a pena estar a explorar muito agora, pois já o fiz profusamente antes, a propósito de outras críticas. No caso em concreto do cinema de artes marciais, tal premissa deu origem a obras emblemáticas como “Fist of Fury”, “Fist of Legend”, “Fighter in the Wind” e “Fearless”, tendo desta forma quase nascido um subgénero no meio. “Ip Man” é uma obra que se enquadra bastante na linha anteriormente mencionada, tendo inclusive uma cena no dojo em que o mestre chinês dá uma verdadeira lição de pancadaria a um grupo de japoneses. O paralelo é fácil de se aperceber para os mais informados na matéria, não fossem existir cenas parecidas em “Fist of Fury” ou “Fist of Legend”, cujos intervenientes foram Bruce Lee e Jet Li, respectivamente. O nacionalismo está bastante presente, evidenciando-se em vários momentos. “Ip Man” é um herói chinês que recusa a vergar-se perante a opressão que lhe está a destruir o país e subsequentemente a vida. Podemos ver o mestre a tomar diversas atitudes de resistência contra a dominação japonesa, e até contra as aproximações mais amigáveis destes. Exemplo disto é a recusa do pedido do general “Miura” por parte de “Ip Man”, e que consistia em ensinar Wing Chun aos soldados nipónicos. Consta que esta parte não tem nada de mito, mas aconteceu mesmo na realidade, salvaguardando-se desta forma algum rigor histórico.

"Ip Man em acção"

As cenas de acção estão extremamente felizes, com um Donnie Yen numa forma invejável aos 45 anos. A situação só pode melhorar com a coreografia a cargo do insuspeito Sammo Hung, com uma vastíssima e por demais conhecida experiência na matéria. As entusiasmantes cenas de artes marciais estão bem temperadas com a parte mais dramática da trama, fazendo com que os combates não sejam insípidos e plenamente justificados face às circunstâncias. Cumpre dizer que Yen é bem secundado por actores que detém experiência no domínio das artes marciais, como são Louis Fan e Hiroyuki Ikeuchi, sendo este último um cinturão negro em judo.

Donnie Yen, exibe-se num bom plano, e atrever-me-ia a dizer que é dos papéis mais bem conseguidos da sua carreira. Justifico-me pelo facto de normalmente associarmos Donnie Yen às personagens exclusivamente de acção, em que lhe é apenas exigido que se exiba num bom plano a nível do seu inquestionável domínio das artes marciais. Aqui é-lhe imposto algo mais. Yen tem de aliar a parte física à parte mais representativa que ligamos a um actor dito mais convencional. O resultado foi bastante satisfatório. Donnie Yen sem deslumbrar, demonstra que não é apenas um dos melhores executantes de filmes de acção a nível mundial, mas também é capaz de se adaptar a papéis onde efectivamente tem de agir a um nível mais erudito. Na minha opinião, este mito de Hong Kong precisava de um papel assim, nem que fosse para desmistificar algum estereótipo que lhe havia sido colocado. O próprio Donnie Yen haveria de confessar que este tinha sido o trabalho mais difícil da sua profícua carreira. Além de estar meses a preparar-se mentalmente para representar Ip Man, Yen entrou numa dieta exigente de vegetais e consumia apenas uma refeição diária. Treinou imenso Wing Chun e estudou arduamente a vida de Ip Man, de forma a se embrenhar melhor na personagem.

Um dos pontos bem conseguidos de “Ip Man”, é que ao lado de Yen, Fan e Hikeuchi, despontam bons actores, com provas dadas na representação em filmes de géneros distintos do das artes marciais. Gordon Lam possivelmente é o que se sai melhor. O seu papel de um ex-polícia, que se torna um tradutor para os japoneses (e por este motivo, visto como um traidor), é profundo e bem executado. Sentimos as dúvidas que Lam sente ao longo do filme, e o seu desempenho faz-nos questionar acerca da reacção que teríamos numa situação semelhante. Por este motivo, acabamos por justificar muitas das suas acções, e no fim, de uma forma diversa, o heroísmo de Lam acaba por ser quase tão grande como o do próprio Donnie Yen. Igualmente não se pode esquecer a presença do competente e emblemático actor Simon Yam, que se exibe num nível aceitável, embora não dê tanto nas vistas como o já citado Gordon Lam.

Com uma bela banda-sonora do conhecido compositor japonês Kenji Kawai, “Ip Man” constitui uma agradável surpresa e um marco na carreira, tanto do realizador Wilson Yip, como do mítico Donnie Yen. É certo que falha bastante (pelo menos, atendendo ao que li) como biografia do verdadeiro Ip Man, mas ganha no entretenimento e no enredo ficcionado. É pois, com alguma ânsia, que se aguarda “Ip Man 2”, esperando que se enverede pela mesma linha do primeiro filme, onde a acção está bem temperada com o drama. E sempre teremos a oportunidade de ver quem é que Donnie Yen vai desancar em Hong Kong, já que não terá os japoneses como alvo a abater. E sim, como já referi acima, vamos ter como uma das personagens um miúdo chamado Bruce Lee, a dar os primeiros passos na direcção da sua saga no mundo das artes marciais. A curiosidade aumenta ainda mais, quando Wong Kar Wai está a preparar o seu próprio “biopic” do mestre e que terá Tony Leung Chiu Wai como protagonista principal. Desconfio, e tenho a certeza que não estou sozinho neste particular, que iremos nos deparar com uma abordagem completamente distinta da vida de “Ip Man”, provavelmente mais contemplativa e incidente sobre outros aspectos ditos mais existencialistas e dramáticos. Quanto a este “Ip Man”, é sem margem para qualquer dúvida, uma boa obra do cinema de Hong Kong, que entusiasma e, por essa via, merecerá uma atenta espreitadela.

Bom filme!


"O general Miura Vs. Ip Man"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Site oficial

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,88




domingo, fevereiro 08, 2009

O Macaco de Ferro/Iron Monkey/Siu nin Wong Fei Hung ji: Tit Ma Lau -少年黄飞鸿之 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 86 minutos

Realizador: Yuen Woo Ping

Com: Yu Rong Guang, Donnie Yen, Jean Wang, Yen Shi Kwan, James Wong, Hsiao Hsou, Tsang Sze Man, Sunny Yuen, Li Fai

"Dr. Yang e Orchid"

Sinopse

No fim da dinastia Qing (dinastia manchu), a província de Chekiang (actual Zhejiang) é dominada pelos funcionários corruptos que retiram tudo o que podem à população, enquanto esta definha na pobreza e na miséria. O “Dr. Yang” (Yu Rong Guang) é um médico bondoso e calmo, que possui uma dupla faceta na sua vida. Enquanto que de dia, auxilia os necessitados na cura das suas maleitas, à noite é o temível “Macaco de Ferro”, um fora-da-lei que rouba o governador “Cheng” (James Wong) e os seus sequazes, e oferece o dinheiro aos pobres.

"Wong Kei Ying e o seu filho Wong Fei Hung"

Entretanto chegam à cidade “Wong Kei Ying” (Donnie Yen) e o seu filho, o jovem “Wong Fei Hung” (Tsang Sze Man). Devido à ânsia em apanhar o “Macaco de Ferro”, o governador “Cheng” manda prender todos os cidadãos que remotamente possam ser o herói, e os dois “Wong” são irremediavelmente também detidos. Livres das acusações, mesmo assim os problemas não acabam. O governador impressionado com as incríveis habilidades de “Kei Ying” no domínio das artes marciais, ordena-o que este capture o “Macaco de Ferro”, detendo “Fei Hung” indefinidamente. Tendo em vista salvar o filho, “Kei Ying” não tem remédio senão perseguir o bondoso ladrão. Mas quando “Hiu Hing”, o governador distrital e um monge renegado de Shaolin, chega à cidade e aprisiona tanto “Fei Hung”, como “Orchid” (Jean Wang) a assistente do “Dr. Yang”, “Kei Ying” e “Macaco de Ferro” esquecem as suas divergências e unem-se tendo em vista salvar os seus entes queridos.

"O Macaco de Ferro"

"Review"

“O Macaco de Ferro” consubstancia-se em mais uma história que tem por base uma das personagens mais populares do folclore chinês. Refiro-me obviamente a Wong Fei Hung, uma figura, que como já tive oportunidade de referir em anteriores textos aqui publicados, realmente existiu e serviu de inspiração ou referência a cerca de 100 filmes (poderão consultar uma lista relativamente completa AQUI). Na película que agora se irá analisar, Fei Hung assume um papel mais secundário, embora importante, e a trama foca-se mais nas peripécias do seu pai, Wong Kei Ying, e do Dr. Yang, que personaliza o “Macaco de Ferro”. Contudo, é inquestionável que esta longa-metragem tenta sempre passar a mensagem do futuro grandioso que aguarda o jovem Fei Hung, conferindo-lhe momentos suficientes para que nos apercebamos disso.

No que toca a acção, poucos filmes podem comparar-se a “O Macaco de Ferro”. Embora existam algumas cenas em que vemos que existiu um auxílio de guindastes, igualmente é certo que as lutas em muito dependem da habilidade superior dos intervenientes. Claro que ajuda muito ter Donnie Yen e Yu Rong Guang, dois dos maiores actores de sempre do cinema de artes marciais, e executantes com uma maestria e poder físico impressionantes. Auxiliados pela realização e coreografia de Yuen Woo Ping, para além da produção de Tsui Hark, os intervenientes desfilam um manancial de lutas impressionante, com pormenores técnicos muito imaginativos e simplesmente deliciosos. E num crescendo louvável, chegamos à luta final que, obedecendo à tradição do género, se pretende que constitua o clímax. Neste particular, “O Macaco de Ferro” não deixa mesmo nada os seus créditos por mãos alheias. Efectivamente no epílogo, se tal fosse possível após os excelentes combates anteriores, temos um digladiar do mais elevado quilate. Donnie Yen e Yu Rong Guang juntam forças e lutam contra um monge de Shaolin renegado, interpretado pelo actor Yen Shi Kwan, e oferecem-nos uma das melhores sequências de artes marciais jamais passada para a tela. A tensão provocada pelo equilíbrio perene dos combatentes em cima de uns postes de madeira, com tudo a arder em redor, é imperdível! Cabe ainda referir uma intrigante curiosidade acerca do actor que representa o jovem Wong Fei Hung. Na realidade, Tsang Sze Man é uma rapariga, embora confesse que tal não seja tão evidente assim para quem visiona a película. Ao consultar a filmografia desta actriz, pude observar que “O Macaco de Ferro” foi o único filme em que esta intérprete participou.


"O Macaco de Ferro enfrenta o monge renegado Hiu Hing"

O argumento contém os predicados tradicionais do género e afigura-se extremamente simples de seguir. Trata-se da clássica luta em que alguém desafia o poder corrompido instituído, e numa evidente aproximação a personagens como “Robin dos Bosques” ou “Zorro”, combate as injustiças roubando aos ricos para dar aos pobres. Os mais familiarizados com os filmes de artes marciais de décadas anteriores à de 2000, sabem que na maior parte das vezes filmavam-se as cenas de acção (o fulcral) e logo depois elaborava-se uma trama muitas vezes primária, sobretudo para preencher os momentos mortos da película, ou para justificar o manancial de pancadaria existente. “O Macaco de Ferro” gravita um pouco em torno desta ideia, embora note-se que existe um certo cuidado numa abordagem minimamente credível relativamente aos aspectos culturais, não chegando, contudo, ao tratamento evidenciado pela saga “Era Uma Vez na China” . No fundo, temos acima de tudo entender que Yuen Woo Ping sempre teve uma faceta de coreógrafo de artes marciais muito superior à de realizador. Apreendida esta ideia, estaremos em condições de obviar certos aspectos menos felizes no desfilar da história. Outro factor que colheu algum agrado da minha parte, foram os momentos de comédia enxertados nesta longa-metragem que desanuviam um pouco o ambiente, e por vezes até nos conseguem fazer sorrir. Constitui, como muitos também devem saber, uma característica do género e que seria sobretudo potenciada por Jackie Chan. Não tão desenvolvido, mas ainda presente, temos a oportunidade de reflectir acerca dos aspectos menos estóicos de Shaolin, mormente no aspecto dos monges corrompidos que atraiçoam os valores mais caros ao ensino do mosteiro.

“O Macaco de Ferro” é, para muitos, um dos melhores filmes de artes marciais jamais feito e o expoente máximo de Yuen Woo Ping enquanto realizador. Reconheço efectivamente que neste domínio tenho ainda muito que aprender, mas é facilmente perceptível que a película é extremante entusiasmante e tem momentos de acção de perder o fôlego. Por essa razão, só me resta aconselhar vivamente esta obra a todos aqueles que apreciam o cinema mais movimentado e que faz greve a tudo o que signifique contemplação. No que concerne aos fãs de artes marciais, esta longa-metragem é de visionamento claramente obrigatório, sob pena de se gerar um vazio insuprível! Trata-se de um bom acompanhamento para películas como “Era Uma Vez na China” ou “Fong Sai Yuk”.

A não perder!


"Luta nas chamas"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8"

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75




sábado, dezembro 27, 2008

Painted Skin/Wa pei - 画皮 (2008)
Origem: Hong Kong
Duração: 103 minutos
Realizador: Gordon Chan
Com: Donnie Yen, Zhou Xun, Vicki Zhao, Chen Kun Aka Aloys Chen, Betty Sun, David Leong, Qi Yuwu
"Wang Shen"

Sinopse

“Xiao Wei” (Zhou Xun) é uma mulher atraente que na realidade revela ser um demónio devorador dos corações dos seus amantes, sendo este o alimento para que se possa manter sempre bela. Apesar de a sua natureza não se compadecer com as emoções humanas, “Xiao Wei” apaixona-se por “Wang Sheng” (Chen Kun Aka Aloys Chen), um honrado comandante do exército local, que está convencido que a salvou de um grupo de salteadores do deserto.

“Wang Sheng” acolhe “Xiao Wei” nos seus domínios, e cedo vários soldados e oficiais apaixonam-se pelo demónio, constituindo as vítimas ideais para as suas predações. Contudo, uma série anormal de assassinatos começam a grassar pelo burgo, e cedo se descobre que um assassino-demónio extremamente versado nas artes marciais (Qi Yuwu) é o responsável. O antigo general “Yong” (Donnie Yen), auxiliado pela caçadora de demónios “Xia Bing” (Betty Sun), tenta pôr fim à matança, dando caça ao misterioso homicida.

"Yong"

Entretanto, a esposa de “Wang Sheng”, a linda “Peirong” (Vicki Zhao) tem praticamente a certeza que “Xiao Wei” é um demónio, assim como está directamente relacionada com o infortúnio que se abateu sobre a povoação. As duas mulheres acabam por entrar num conflito directo, cujo prémio ambicionado é o coração de “Wang Sheng”.

"O demónio Xiao Wei"

"Review"

Baseado no conto do século XVIII de Pu Songling, denominado “Strange Tales of Liaozhai”, “Painted Skin” é supostamente o “remake” de um filme realizado por King Hu, em 1993, e onde despontavam nomes como Joey Wong, Adam Cheng e Sammo Hung. Como já li um texto de um amigo que neste aspecto está mais informado do que eu, a afirmar que tratavam-se de abordagens diferentes, deixo para já esta questão em aberto. Cabe ainda dizer que já no longínquo ano de 1966, esta história havia sido trazido para a tela, por intermédio do realizador Pao Fong, num registo que passaria um tanto ou quanto despercebido. O motivo de interesse mais imediato para conferir a obra que ora se analisa é o facto de a mesma ser a candidata de Hong Kong a tentar figurar nos cinco finalistas do óscar para melhor filme estrangeiro – edição de 2009, e quem sabe, até levar o troféu para casa (aspecto que desde já desconfio que suceda).

“Painted Skin” conseguiu fugir à onda de filmes como “O Tigre e o Dragão”, Herói” ou “O Segredo dos Punhais Voadores”, e revela ser tributária da vaga de “wuxia” com temáticas sobrenaturais que fizeram escola em Hong Kong nos anos '80 e '90. E efectivamente quando estava a visionar este filme, confesso que películas como “The Bride With White Hair” ou “A Chinese Ghost Story” acorreram ao meu pensamento. Após alguma pesquisa, sempre descobri que “A Chinese Ghost Story” e “Painted Skin” partilham a mesma inspiração, ou seja, as histórias fantasmagóricas do escritor Pu Songling. O facto de Gordon Chan ter enveredado por uma abordagem mais tradicional e em conformidade com as características mais identificativas do cinema de Hong Kong, não quer dizer necessariamente que seja positivo, mas sempre é de saudar. Principalmente numa altura em que os mais puristas acusam, e com alguma razão, que o cinema daquelas paragens está descaracterizado em nome da internacionalização. Isto consubstancia-se essencialmente na elaboração de longas-metragens que sejam mais apelativas aos olhos dos ocidentais, em detrimento dos aspectos mais identificativos do cinema de Hong Kong.

"Peirong transformada"

“Painted Skin” pretende ser ao mesmo tempo uma história de terror, temperada com elementos românticos e de “wuxia”. No entanto, não existe nada que assuste verdadeiramente o espectador, e é sem dúvida nenhuma os aspectos mais sentimentais e das artes marciais que marcam a bitola desta longa-metragem e que a enformam. As premissas prometem muito, embora não sejam inovadoras. Um demónio feminino, cuja única razão de viver é manter a sua beleza, mata os seus amantes e alimenta-se dos seus corações. Chega o dia em que um homem estóico desperta-lhe a paixão. O seu pendor maquiavélico agora é posto ao serviço da conquista do amor, tendo para o efeito que afastar uma rival humana. Essa mulher iguala-lhe em beleza, mas possui uma bondade intrínseca, antagónica a tudo o que representa aquele ser sobrenatural. Existem sacrifícios e combates, sejam físicos ou sentimentais. No fim, existirá um confronto final, onde tudo se decidirá e mesmo os vencedores ficarão com sequelas inultrapassáveis. Estes aspectos, embora expostos de uma forma que não defrauda, poderiam ter sido desfilados de uma forma mais apelativa ao espectador. A trama é intermitente, onde por vezes se envereda por uma lentidão quase exasperante, sobretudo nas partes da intriga onde se discute se “Xiao Wei” é realmente um demónio, ou se “Wang Sheng” está realmente apaixonado por aquela ou mantém-se fiel ao amor por “Peirong”. Outro aspecto que feriu um pouco o filme, foi a revelação frontal e desde o início que “Xiao Wei” é o demónio, fazendo com que todas as tentativas desta em ocultar o seu estado se afigurem um tanto ou quanto despiciendas perante quem visiona a película. Num campo um tanto ou quanto diverso, Gordon Chan deveria ter buscado inspiração na personagem de “Jiao Long” em “O Tigre e o Dragão”, interpretada pela diva Zhang Ziyi. Neste filme, Ang Lee apresenta-nos “Jiao Long” de uma forma gradual, incutindo uma salutar aura de mistério que nos apraz imenso e que mistifica positivamente a anti-heroína.

Por outro lado, “Painted Skin” tem méritos visuais de aclamar. É um filme “bonito” em praticamente todos os seus aspectos. Os cenários e a cinematografia fazem-nos sonhar acordados, e o guarda-roupa e a caracterização são um “must”. Uma das cenas mais poderosas que vi nos últimos anos é a transformação de “Peirong”, interpretada pela estonteante Vicki Zhao. Como é óbvio, e atendendo essencialmente à caracterização, chamei imediatamente à colação Brigitte Lin no emblemático “The Bride With White Hair”. Zhao está verdadeiramente de outro mundo, e não apenas pela sublime aparência, mas igualmente pela brilhante cena em que se nota à distância que a actriz colocou todo o seu empenho e mais algum. Verdadeiramente conseguimos sentir toda a agonia e sofrimento do sacrifício denotado por “Peirong”, e isto constitui o momento alto do filme a nível da interpretação. O restante “cast” porta-se competentemente, sem denotar grandes laivos de brilhantismo. Zhou Xun, Chen Kun e Betty Sun são três caras bonitas do espectro asiático, que possuem algumas capacidades artísticas. Quando se fala do mítico Donnie Yen, o tema das lutas inevitavelmente terá de vir ao de cima. Em “Painted Skin”, o “wire fu” domina, assim como as tradicionais perseguições pelos telhados, que já vimos tantas vezes antes, mas que não deixo de apreciar. Embora não existam muitos momentos de acção, quando os mesmos decidem dar um ar da sua graça, os resultados são aceitáveis e por vezes mesmo entusiasmantes, pelo que não será por aqui que o filme cairá. Obviamente que neste factor em particular, será Donnie Yen que contribuirá quase na plenitude.

“Painted Skin” consubstancia-se num esforço salutar do aclamado realizador Gordon Chan em fazer reviver o subgénero da fantasia sobrenatural de artes marciais, que parecia ter sido atirado para o baú das recordações. Possui méritos inquestionáveis, que passarão quase todos pelos aspectos visuais da película, desde os cenários, a caracterização das personagens até ao “cast” visualmente apelativo. Contudo, não me parece ter qualidade suficiente para que possa almejar um troféu com a magnitude de um óscar, mesmo que se reconheça que o prémio está muitas vezes sujeito ao crivo das modas e dos “lobbies”. Sinceramente, já vi a cinematografia de Hong Kong representada por filmes com qualidade superior, e mesmo assim nem chegar aos últimos cinco. O futuro o dirá e ele já está aí mesmo ao virar da esquina.

De qualquer forma, estamos perante uma obra interessante, que merecerá uma espreitadela descomprometida!

"Combate no deserto"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Site Oficial

Outras críticas em português:

  1. Asian Fury

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,50







quarta-feira, dezembro 17, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos mais um realizador asiático, sujeito ao vosso escrutínio no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.
Donnie Yen

Informação

Filmografia enquanto realizador (caso exista alguma crítica, o título estará assinalado a cor vermelha. Para aceder ao texto , basta clicar):

  1. Legend of the Wolf (1997)
  2. Ballistic Kiss (1998)
  3. Shangai Affairs (1998)
  4. Der Puma (1999) - co-realizador em conjunto com Axel de Roche
  5. The Twins Effect (2003) - co-realizador em conjunto com Dante Lam
  6. Protégé de la Rose Noire (2004)


terça-feira, novembro 13, 2007

Era Uma Vez na China II/Once Upon a Time in China II/Wong Fei Hung ji yi: Naam yi dong ji keung - 黃飛鴻之二男兒當自強 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 107 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Donnie Yen, Max Mok, David Chiang, Xiong Xin Xin, Zhang Tie Lin, Yen Shi Kwan, Paul Fonoroff, Ho Ka Kui

"Wong Fei Hung"

Estória

“Wong Fei Hung” (Jet Li), acompanhado da sua paixão platónica a “Prima Yee” (Rosamund Kwan), e do seu discípulo “Foon” (Max Mok), dirige-se para a grande cidade de Cantão, tendo em vista participar numa conferência sobre duas vertentes da medicina, a ocidental e a chinesa. Cantão encontra-se em polvorosa, devido à seita do “Lótus Branco”, uma organização que é contra a presença dos estrangeiros na China, e que recorre à violência extrema para impor as suas ideias. O seu chefe é um sacerdote chamado “Kung” (Xiong Xin Xin), que supostamente é invencível.

O congresso de medicina é atacado pelo culto, e “Fei Hung” consegue sair ileso, fazendo amizade com um médico chinês, que não é nada mais nada menos que “Sun Yat Tsen”, o futuro fundador da república chinesa (e seu primeiro presidente) e responsável pela queda do imperador.

"A prima Yee"

“Tsen” anda a ser perseguido pelo regime imperial manchu, aqui personificado pelo comandante “Lan” (Donnie Yen). “Fei Hung” decide mais uma vez pôr cobro à injustiça reinante, e decide ajudar “Tsen” a chegar a Hong Kong, tendo em vista continuar o seu trabalho revolucionário. Pelo caminho, irá confrontar-se tanto com a seita do “Lótus Branco”, assim como terá de por cobro às atrocidades de “Lan”.

"O comandante Lan"

"Review"

Após os eventos ocorridos no primeiro filme, o carismático realizador Tsui Hark e a super-estrela Jet Li continuam uma das mais famosas epopeias de artes marciais a ver a luz do dia. E ao contrário do que sucede muitas vezes, a sequela não se saiu mal, diga-se de passagem. É para muitos considerada a melhor película da série, e diga-se em abono da verdade, não andarão muito longe da realidade, embora se reconheça que exista um ou outro aspecto que o primeiro episódio levará a melhor. O contrário também acontecerá.

Um dos itens que terá de se relevar será certamente o facto de termos um vilão à altura de Jet Li, ou seja, outra grande estrela de Hong Kong, o mítico Donnie Yen. Neste aspecto em particular, Tsui Hark teve a sageza de “emendar a mão” em relação ao primeiro filme. Podemos aqui ver um emocionante duelo protagonizado pelas duas lendas do cinema asiático, e garanto-vos que as expectativas não saem defraudadas. A forma como Donnie Yen transforma uma simples toalha numa arma mortífera, que cria especiais problemas a Jet Li, é praticamente inesquecível. O duelo veria a ser reeditado dez anos mais tarde em “Herói”, a obra-prima de Zhang Yimou. No entanto, seria particularmente injusto do meu ponto de vista não fazer uma especial apologia ao actor Xiong Xin Xin, que representa o maléfico líder da seita do “Lótus Branco”. A luta protagonizada com Jet Li consegue grandes momentos de espectacularidade e de tirar a respiração. É certo que o papel de Xiong Xin Xin acaba por ser um tanto ou quanto reduzido a nível de minutos, mas o combate vale bem o papel do actor. Não chega ao nível evidenciado por Xin Xin em “The Blade”, mas é de aplaudir.

"Wong Fei Hung luta contra o líder da seita Lótus Branco"

Subtraindo os costumeiros embaraços e tensão sentimental entre “Fei Hung” e a “Prima Yee” (aqui mais explorada), o “comic relief” que no primeiro filme estava entregue às personagens “Toucinho” e “Favolas”, interpretados por Kent Cheng e Jacky Cheung, respectivamente, fica nesta longa-metragem a cargo de Max Mok, o actor que dá vida a “Foon”, o discípulo de “Fei Hung”. Max Mok não se sai mal, e consegue a certa altura provocar alguns momentos de boa disposição. No entanto, é minha opinião pessoal que não chega a evidenciar o nível demonstrado por Kent Cheng e Jacky Cheung no episódio anterior, devido ao carisma dos actores em questão. Outro aspecto menos positivo na actuação de Max Mok, passará pela inevitável comparação com Yuen Biao, o actor que interpretava “Foon” em “Era Uma Vez na China”. Tinha referido, aquando da crítica ao primeiro filme, que os fãs de Yuen Biao podiam ficar um pouco desiludidos, pois o actor não demonstrava todas as suas potencialidades que indiscutivelmente possui a nível das artes marciais. Mas quando olhamos para Max Mok, sentimos saudades de Yuen Biao, pois aquele não parece nem de longe, nem de perto um bom “side kick” de Jet Li. Valha-nos, como já acima foi relatado, a presença de Donnie Yen e Xiong Xin Xin, para que as cenas de acção tenham brilho. E de facto possuem bastante!

A vertente nacionalista chinesa continua a marcar a sua presença, pois afinal “Wong Fei Hung” representa acima de tudo a defesa do tradicional modo de vida da nação oriental. No entanto aqui temos uma abordagem distinta da efectuada na primeira película e que passa sobretudo pelos meios como obtemos os resultados que pretendemos. A seita do “Lótus Branco” luta pelo mesmo objectivo de “Fei Hung”, a saber, a emancipação e conservação da cultura chinesa. No entanto, o culto envereda pela violência desmesurada e injustificada, enquanto que o nosso herói tudo faz para impor as suas ideias de uma forma honrada. A tensão floresce, como era de esperar, e “Fei Hung” acaba por ter de partir para o combate com os seus próprios conterrâneos, em ordem a salvaguardar valores que para si são intocáveis. Não será demais relembrar que no primeiro filme havia um conflito com outro mestre de artes marciais, mas tal se justificava pela primazia dos executantes, ou seja, averiguar qual dos dois seria o melhor. Era reconhecido, pelo menos implicitamente, que o principal inimigo eram os ocidentais que pretendiam enriquecer à custa do tráfico de escravos. No entanto, nesta película é mantido o pendor nacionalista, com o abominar do regime manchu e a introdução de uma das personagens mais emblemáticas da história da China moderna. Nada mais, nada menos que Sun Yat Tsen!

Quanto ao remanescente, “Era Uma Vez na China II” mantém muito do que já tinha sido transmitido pelo filme anterior, que resumidamente poderá ser reconduzido à continuação de uma saga que marcaria para sempre o mundo das artes marciais, constituindo um dos melhores trabalhos da carreira de Tsui Hark.

"Luta de titãs:Wong Fei Hung (Jet Li) Vs. Lan (Donnie Yen)"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63







domingo, setembro 23, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Como já é costume semanalmente, aqui vão outros quatro gloriosos nomes a votação aqui no blogue:
Miho Nakayama

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Love Letter

Nicholas Tse

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Promise, A Man Called Hero, Dragon Tiger Gate

Isabella Leong

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Isabella

Donnie Yen

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Sete Espadas, New Dragon Gate Inn, Dragon Tiger Gate, A Dinastia da Espada, Butterfly & Sword



sábado, agosto 18, 2007

Butterfly and Sword/Xin liu xing hu die jian (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: Johnny Mak

Com: Michelle Yeoh, Tony Leung Chiu Wai, Donnie Yen, Joey Wong, Jimmy Lin, Elvis Tsui, Chung Wah Tou, Chuen Chun Yip

"Butterfly e Meng Sing Wan"

Estória

“Butterfly” (Joey Wong) é uma bonita rapariga, que se encontra tremendamente enamorada por “Meng Sing Wan” (Tony Leung Chiu Wai), vivendo ambos numa casa à beira-rio, perante um cenário idílico. “Butterfly” odeia tudo o que tenha a ver com o mundo das artes marciais, devido ao assassínio do seu pai, um grande mestre. A jovem está convencida que “Meng” é um mercador honesto, que nada percebe de luta.

Na realidade “Meng” é um assassino extremamente dotado no domínio das artes marciais, e que faz parte de uma organização conhecida como “Floresta Feliz”, liderada por “Sister Ko” (Michelle Yeoh). “Ko” está apaixonada por “Meng”, mas não é retribuída, pois este encara-a como uma irmã mais velha, além de gostar bastante de “Butterfly”. Como se não bastasse, “Yip Cheung” (Donnie Yen), outro membro da organização e o melhor amigo de “Meng” ama “Ko”, mas não tem coragem para lhe confessar os seus sentimentos, pois sabe que esta só tem olhos para “Meng”.

"Sister Ko"

Entretanto, o eunuco “Tsao” (Chung Hua Tou) incumbe “Ko” de uma missão muito delicada, que consiste em furtar um pergaminho que foi dado pelo eunuco “Li”, o grande rival de “Tsao”, ao mestre “Suen” (Elvis Tsui). “Ko” consegue introduzir “Meng” como espião na organização de “Suen”.

A partir daqui, inicia-se uma luta feroz pelo domínio do mundo das artes marciais, assim como pela conquista da pessoa amada.

"Meng e Ko prontos para a luta"

"Review"

Quando acabei de visionar “Butterfly and Sword” só pensei o seguinte:

“Ainda bem que este filme foi de borla!!!”

Já há muito tempo que tinha intenções em conferir esta película, pois além de ser um “Wuxia” (vocês sabem que tenho um fraco por este género), encontrava-se dotada de um elenco de luxo, com quatro nomes grandiosos da cena de Hong Kong, a saber, Tony Leung Chiu Wai, Michelle Yeoh, Donnie Yen e Joey Wong. Um belo dia, estava eu com um dinheirinho extra, a fazer as costumeiras deambulações pelo “Yesasia”, e como tinha adquirido três filmes, estive logo habilitado a escolher um quarto de graça, de uma lista pré-selecionada. Eu por acaso até tenho tido sorte nestas escolhas, pois todas as longas-metragens que tenho adquirido através desta promoção, têm revelado ser de boa ou até mesmo excelente qualidade. Mas como a sorte não dura sempre, lá teria de chegar o dia em que escolheria um filme “rasca”.

Como já disse em cima, “Butterfly and Sword” possui um elenco composto de nomes inultrapassáveis da cena de Hong Kong. Pergunta-se agora:

“Como é que estes grandes actores podem oferecer interpretações tão pobres, roçando por vezes o amadorismo?”

"Ko em acção"

Joey Wong parece uma menina tonta sem substância nenhuma; Donnie Yen não tem mesmo jeito para desempenhar papéis em que tenha de revelar alguma fragilidade emocional; Tony Leung Chiu wai, o meu actor preferido daquelas paragens, quase que me matava de ataque cardíaco; salva-se minimamente Michelle Yeoh, que ainda conseguiu introduzir algum “glamour” e réstia de boa representação na personagem “Sister Ko”.

O argumento é péssimo, e contribui decisivamente para a má prestação dos consagrados acima referidos. Uma estória fútil, sem ponta por onde se lhe pegue, contada à pressa e com uma abordagem inconsequente. Existem situações em que não conseguimos perceber a razão para tal – bem que me fartei de usar o botão “pause” e o “rewind” do meu leitor de dvd – outras em que até estamos interessados em saber mais, mas irritantemente vedam-nos esse prazer a 100 à hora! As legendas a uma velocidade extrema também não ajudam nada!

No entanto, no meio de tanto desnorte, sempre se salva alguma coisa por pouco que seja. As cenas de luta, embora eivadas por vezes de alguma confusão, denotam espectacularidade, não fossem as mesmas dirigidas pelo consagrado realizador e director de acção Ching Siu Tung, autor das coreografias de vários filmes emblemáticos tais como “Duel to the Death”, “A Chinese Ghost Story”, “A Better Tomorrow II”, “New Dragon Gate Inn”, Swordsman II”, The Duel”, “Shaolin Soccer”, “Herói”, O Segredo dos Punhais Voadores”, “The Curse of the Golden Flower” ou “Dororo”. O homem está praticamente em todas. Não consigo imaginar melhor cartão de visita!

“Butterfly and Sword” é um filme mediocre, que não deixará saudades a ninguém!

"Yip Cheung e Ko"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 5

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 5

Classificação final: 6,50





domingo, janeiro 21, 2007

A Dinastia da Espada/The Huadu Chronicles: Blade of the Rose Aka The Twins Effect II/Fa dou daai jin (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 103 minutos

Realizadores: Patrick Leung e Corey Yuen

Com: Charlene Choi, Gillian Chung, Jaycee Chan, Donnie Yen, Wilson Chen, Qu Ying, Fan Bing Bing, Tony Leung Ka Fai, Daniel Wu, Edison Chen, Jim Chin, Jackie Chan

"O grupo dos heróis"

Estória

Numa China mítica e que nunca existiu, pelo menos no nosso universo, existe uma sociedade tipicamente matriarcal, onde as mulheres dominam e os homens são escravos. O conceito de escravidão é levado literalmente, pois os homens são conhecidos por "Idiotas", usados unicamente para trabalhos forçados e procriação, pelas mulheres intituladas por "Amazonas".

Neste mundo vive a afoita "13ª Mestre" (Charlene Choi), uma traficante de escravos, e "Pássaro Azul" (Gillian Chung), uma agente governamental ao serviço da maléfica imperatriz ( Qu Ying). Ambas as raparigas um certo dia envolvem-se num combate, devido ao negócio dos escravos pertencente a "13ª Mestre".

"A imperatriz maléfica"

Quando as coisas acalmam entre as contendentes, as mesmas veêm-se envolvidas numa épica aventura que decidirá o futuro do reino. Tudo se deve a um rebelde, sugestivamente chamado de "Tigre Agachado, Dragão Escondido" (Donnie Yen - repare-se que em inglês a personagem sugestivamente chama-se "Crouching Tiger Hidden Dragon"), que luta contra a imperatriz maligna, tendo por objectivo restaurar a igualdade entre os sexos.

Devido a uma profecia que afirma que um jovem guerreiro, empunhando a fabulosa espada "Excalibur", irá derrotar a rainha, as duas mulheres fazem-se à estrada com propósitos bem distintos. Acompanham-nas "Cabeça de Carvão" (Jaycee Chan) e "Cabeça de Ferro" (Wilson Chen), dois jovens escravos que estão intimamente ligados à profecia.

A aventura pelo destino do reino inicia-se!

"Duelo de titãs: Donnie Yen Vs. Jackie Chan"

"Review"

As "Twins" (Charlene Choi e Gillian Chung) são uma banda musical que transformou-se num verdadeiro fenómeno de popularidade juvenil em Hong Kong, e um pouco por todo o extremo oriente (quem quiser saber mais clique aqui). Como muitas vezes as estrelas musicais acabam por entrar no mundo do cinema, por vezes com bons resultados (pense-se em Leslie Cheung), era inevitável que as "Twins" acabassem por enveredar pelo mesmo caminho. "A Dinastia da Espada" constitui o segundo esforço das meninas em conjunto, nas lides da sétima arte.

Resultado: elas são a prova viva que muitas vezes nós devemo-nos ficar nas artes de origem, e fugir a sete pés das coisas para as quais não possuímos jeito absolutamente nenhum! E a crítica não se resume apenas às miúdas!

Comecemos pelo início.

Desde logo quem olha para o elenco de "A Dinastia da Espada" chega facilmente à conclusão que o mesmo é uma mescla de actores verdadeiramente consagrados, com talentos em vias de consolidação, ídolos "pop" e "um menino do papá"! Tradução: Tony Leung Ka Fai, Jackie Chan e Donnie Yen fazem parte da fina-flor do cinema asiático; Daniel Wu e Edison Chen são actores que começam a marcar verdadeiramente o seu espaço, valendo esta asserção mais para Wu; as "Twins" já se sabe; Jaycee Chan é "apenas" o filho de Jackie Chan!

Com tanta "misturada", ou obteriamos um filme que poderia primar pela novidade e quem sabe, eventualmente, obter um bom resultado, ou pelo contrário, estariamos perante um "flop" dos maiores! A segunda opção foi claramente o que viria a suceder...

Tudo começa com a "Emperor Entertainment Group" a querer fazer um grande "blockbuster", tentando potenciar ao máximo o "efeito das Twins". Já agora, e como se trata de um grande "looby" artístico de Hong Kong, presume-se com uma panóplia de recursos financeiros, nada melhor do que recrutar alguns grandes nomes de cinema para dar um ar mais de seriedade ao filme. E porque não aproveitar para lançar um rebento de um desses grandes nomes, chegando-se ao verdadeiro escândalo de uma nomeação para "Melhor Revelação" nos "Hong Kong Film Awards"?

"Twins Wire Fu"

O filme não tem muito que se lhe diga, pois nem vale a pena fazer um esforço para compreender algo que mais parece um "videoclip" a rebentar de "clichés" por todo o lado. A atmosfera é um misto de "Dungeons and Dragons" (o filme que constitui a mancha negra da carreira cinematográfica do grande Jeremy Irons), mas sem os dragões, e "Xena, The Warrior Princess". Junte-se umas pitadas de elementos orientais, especialmente dos Wuxia Pian, e obtemos "A Dinastia da Espada"!

Essencialmente, a película vale pela beleza das principais intervenientes femininas, pois de facto não me lembro de visionar um filme oriental com tanta rapariga bonita. Será agraciada igualmente pela luta entre as lendas Donnie Yen (quanto é que terá sido o "cachet", para permitir esta loucura!) e Jackie Chan (limita-se a aparecer durante uns cinco minutos, possivelmente para dar uma "forçazinha" ao filhote!), e um ou outro efeito especial que escape à mediocridade!

As interpretações são básicas, especialmente a de Jaycee Chan que não tem simplesmente futuro no ramo...Embora não morra de amores pelo pai, ao menos admito que ele é possuidor de um carisma fora do comum, que o elevou ao mais alto patamar!

Já agora, Tony Leung Ka Fai, o que é que se passa??? O Sr. já não se dá ao respeito?

Película verdadeiramente sofrível, com uma vertente cómica disparatada e irritante. Mais valia ter gasto o imenso dinheiro em causas humanitárias!

"A Imperatriz produz um dos feitiços que fazem parte do seu extenso leque de recursos"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 5

Banda-Sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 6

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do M.A.M. - 6

Classificação final: 6,50





sábado, outubro 28, 2006

Dragon Tiger Gate/Lung Fu Moon (2006)
Origem: Hong Kong
Duração: 94 minutos
Realizador: Wilson Yip
Com: Donnie Yen, Nicholas Tse, Shawn Yue, Dong Jie, Li Xiao Ran, Yuen Wah, Chen Kuan Tai, Sherin Teng, Tommy Yuen, Sam Chan, Tony Wong.
"Dragon Wong"
Estória
"Dragon Wong" (Donnie Yen) é um perito em artes marciais, originário da "Dragon Tiger Gate", uma afamada escola de artes marciais fundada pelo seu pai e pelo seu tio.
Quando era criança, os pais separaram-se, "Dragon" foi forçado a partir com a mãe, e em consequência deixou para trás a escola e o seu irmão mais novo "Tiger Wong" (Nicholas Tse).
Os irmãos ficam sem se ver durante anos, até um dia em que "Tiger" está a jantar com uns colegas num restaurante e assiste aos maus tratos infligidos por um bando de pelintras a um casal e à sua filha pequenina. Com o seu sentido de justiça e de protecção dos mais fracos a funcionar, o jovem dá um enxerto de pancada nos malfeitores, mas inadvertidamente mete-se no caminho de um poderoso chefe mafioso chamado "Ma Kwun". Mesmo assim, "Tiger" leva vantagem no confronto, até aparecer "Dragon", actualmente guarda-costas de "Kwun". Uma troca de golpes espectaculares sucede-se, mas apesar da boa prestação de "Tiger", "Dragon consegue repelir os ataques do irmão. Ambos tratam-se como adversários, não fazendo a mínima ideia que são aparentados. A luta dá-se por finda e "Kwun" permite que "Tiger" saia em segurança do restaurante.
"Tiger Wong"

Não demora muito a que novo reencontro dos irmãos se efective, pois um dos amigos de "Tiger", aquando da luta no restaurante, aproveita a confusão e leva consigo a placa "Lousha", um artefacto dotado de um simbolismo muito significativo, e que tinha sido oferecida a "Kwun" pelo mais poderoso líder do crime, o chefe dos "Black Devils".

"Dragon" é encarregue de recuperar o símbolo, o que consegue, e posteriormente tanto aquele como "Tiger" descobrem que são irmãos, devido a ambos possuirem umas placas de jade que se complementam na perfeição.

Quando os "Double Devils" assassinam tanto "Kwun", como o tio de "Dragon" e "Tiger", estes auxiliados por "Turbo" (Shawn Yue) decidem partir para a vingança usando a sua principal arma: o fantástico domínio das artes marciais!

"Turbo"

"Review"

Confesso que houve desde logo três coisas que me fizeram ficar com "o pé atrás" em relação a "Dragon Tiger Gate".
A primeira passava pelas críticas pouco abonatórias que têm sido feitas um pouco por todo o universo da "net".
A segunda razão era a instabilidade demonstrada pelo realizador Wilson Yip, capaz de fazer filmes de boa qualidade como "Sha Po Lang", mas igualmente de dirigir "flops" como "Dragão Branco".
A terceira e última questão que me atormentava era o facto de raramente se fazerem boas adaptações de "manga" para filmes realísticos, constituindo excepções à primeira vista, "Azumi, a Assassina", "Shinobi: Heart Under Blade" e "The Storm Riders".
Por outro lado, e como excelente cartão de visita, a película apresentava Donnie Yen como o coreógrafo e director das cenas de luta, o que garantia à partida que o filme estaria polvilhado de acção, sendo uma antítese de tudo o que é maçudo e remédio para insónias.
Após o visionamento de "Dragon Tiger Gate", conclui que em regra geral não me enganei.
A maior parte das críticas que li estavam correctas.
Wilson Yip realiza mais um produto descartável.
"Azumi, a Assassina", "Shinobi: Heart Under Blade" e "The Stormriders" continuam a ser "à segunda vista" (!?), as melhores adaptações de "manga" para o cinema de "carne e osso".
Vamos por partes.
O argumento é muito fraco, com frequentes falhas, tais como Donnie Yen num determinado momento não querer falar com o irmão, mas depois e inexplicavelmente, querer ir a correr para os braços dele. E já agora como é que Donnie Yen já sabia que Nicholas Tse era seu irmão, antes mesmo de ir falar com ele? Estejam à vontade para explicar. A páginas tantas fui eu que não entendi...
A representação dos actores acompanha a inépcia argumental. As tentativas de dramatismo encaixadas à pressão no meio das cenas mais movimentadas, quase sempre não resultam. Não querendo particularizar, mesmo assim vejo-me forçado a dizer que cada vez mais fico com a impressão que Nicholas Tse não passa de "um menino bonito" de Hong Kong, com pouca habilidade para a arte da representação. Já em "The Promise" tinha começado a formar esta ideia, que só irá ficar definitivamente consolidada, ou pelo contrário refutada, quando assistir a mais um ou dois filmes deste actor. E já agora vou ver se dou um salto ao "Youtube" para ver se o rapaz tem mais jeito para a arte do canto. Será que esta crítica um pouco dura é por eu estar verde de inveja por Tse ter casado recentemente com Cecilia Cheung?! "Joking"!
Como pontos positivos do filme, destaco em primeiro lugar as lutas de artes marciais. Muito "wire-fu" é certo, mas extremamente bem feito e acompanhado por vezes de um ou outro efeito especial para enfatizar a fúria dos golpes. Não nos podemos esquecer que aqui estão em causa três super-heróis! Polegar para cima para o trabalho de Donnie Yen neste particular.
"Dragon Tiger Gate" igualmente impressiona pelas suas paisagens citadinas, fotografia e caracterização das personagens que transmitem exemplarmente a aura neo-urbana onde filme vive e respira.
Esta película foi muito aguardada e publicitada, e quando estreou obteve receitas muito boas no oriente, tendo rivalizado com filmes como "O Código de DaVinci".
No entanto não passa de um "blockbuster" mediano e sem substância, que apenas entusiasmará pelas fantásticas cenas de luta e pouco mais!
Não será relembrado.
"Tiger Wong em acção!"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia, Horror and Kung Fu

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade -7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação Final: 6,88

"Os membros da Dragon Tiger Gate"












sexta-feira, setembro 01, 2006

New Dragon Gate Inn Aka Dragon Inn/Xin long men ke zhan (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 106 minutos

Realizador: Raymond Lee

Com: Brigitte Lin, Maggie Cheung, Tony Leung Ka Fai, Donnie Yen, Xiong Xin Xin, Ngai Chung, Yen Shi, Lawrence Ng, Yuen Cheung, Elvis Tsui

"Cho Wai On (Tony Leung Ka Fai) e Yau Mo Yan (Brigitte Lin)

Estória

Dinastia Ming. Um terrível eunuco chamado "Tsao Siu Yan" detém mais poder que o próprio imperador e controla o governo da China. O ministro da defesa "Yang" tenta denunciar as vilanias de "Tsao" ao soberano, mas é apanhado nos seus propósitos e barbaramente executado.

"Tsao" desconfia e com razão que o general "Chow Wai On", um adepto e amigo incondicional de "Yang", poderá revoltar-se e querer vingança. É montada uma armadilha a "Chow", que este consegue iludir graças ao auxílio da sua companheira "Yau Mo Yan", conseguindo-se pelo meio, salvar-se os filhos de "Yang".

"O maléfico eunuco Tsao Siu Yan (Donnie Yen) rodeado do seu séquito"

"Chow" e "Mo Yan" procuram refúgio no célebre "Dragon Inn", uma taberna situada a meio do deserto, cuja proprietária é "Rainha de Jade", uma pelintra da pior espécie, que engana os clientes, servindo-lhes refeições à base de carne humana, sem que aqueles desconfiem.

"Tsao" descobre o paradeiro dos seus inimigos e acompanhado do seu exército pessoal dirige-se para o "Dragon Inn"!

"A Rainha de Jade (Maggie Cheung) tenta acalmar os ânimos de um seguidor do eunuco Tsao e do general Chow"

"Review"

Constituindo um "remake" do filme com um nome semelhante realizado nos anos 60, da autoria de King Hu, "New Dragon Gate Inn" ou simplesmente "Dragon Inn" é um ícone do género "Wuxia" que teve uma grande popularidade na primeira metade dos anos 90, ressurgindo actualmente em força e com contornos já mais internacionais.

Com um elenco de "sonho", "Dragon Inn" tem todos os elementos característicos e distintivos que conformam os tradicionais "swordplays" de Hong Kong.

Os "bons" do filme apresentam um pendor e faceita verdadeiramente heróica, destacando-se neste particular as personagens interpretadas por Tony Leung Ka Fai e Brigitte Lin, verdadeiros opositores de um regime tirano e malévolo, que oprime recorrendo ao terror e à matança injustificada, liderado pelo eunuco representado por Donnie Yen.

Igualmente apresenta uma estória de amor platónico cujos intervenientes são Leung e Lin, com uma tentativa de imiscuição por parte da "Rainha de Jade", interpretada por Maggie Cheung.

Os costumeiros vilões dos risos maníacos estão todos lá, embora a personagem de Donnie Yen se diferencie pelo seu ar circunspecto e frio, não detendo uma participação muito grande a nível de minutos, aparecendo com uma certa continuidade no início do filme e na luta final.

"O eunuco Tsao em dificuldades"

As cenas de luta estão muito bem feitas e emocionantes atendendo à época, usando-se abusando-se dos guindastes, tendo sido conseguido por vezes efeitos verdadeiramente espectaculares. Reporto-me especialmente a uma cena em que Brigitte Lin atira-se de um planalto e derruba cinco ou seis cavaleiros que tentavam capturar os filhos de "Yang". O confronto final apresenta-se bastante aceitável, no entanto absolutamente dispensava-se a cena em que Donnie Yen fica sem carne absolutamente nenhuma numa das pernas e num dos braços, vislumbrando-se apenas os ossos. É um pouco ridículo e até cómico!!!

E por falar em comicidade, a existente em "Dragon Inn" constitui sem duvida um dos pontos fortes do filme. As honras neste particular vão quase todas para a personagem da "Rainha de Jade", interpretada pela diva Maggie Cheung. A comédia é inocente e muito engraçada, conseguindo arrancar alguns risos e sorrisos ao espectador.

"Dragon Inn" é uma obra obrigatória para todos os apreciadores de "Wuxia". Não atinge no entanto o nível evidenciado em "The Bride With White Hair" e "Era Uma Vez na China, partes I e II". Situar-se-à mais ou menos no mesmo patamar que "Swordsman II".

"O exército de Tsao dirige-se com más intenções para o Dragon Inn"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38