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domingo, outubro 14, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Continua a apresentação dos candidatos a actor e actriz asiáticos preferidos dos leitores deste blogue. Aqui vão mais quatro que estão a votação:
Sammi Cheng

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Infiltrados

Stephen Chow

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Chinese Odyssey Part One: Pandora's Box, A Chinese Odyssey Part Two: Cinderella, Kung-Fu-Zão

Vicki Zhao

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Guerreiros do Céu e da Terra, The Duel, Chinese Odyssey 2002

Chisu Ryu

Informação

Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"



segunda-feira, setembro 24, 2007

Kung-Fu-Zão/Kung Fu Hustle/Kung Fu - 功夫 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 95 minutos

Realizador: Stephen Chow

Com: Stephen Chow, Lam Chi Chung, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang, Chan Kwok Kwan, Tin Kai Man, Feng Xiaogang, Lam Suet, Yuen Woo Ping, Yuen Cheung Yan, Lam Chi Sin, Wellson Chin, Dong Zhi Hua, Hsiao Liang, Chiu Chi Ling, Leung Siu Lung, Xing Yu, Zhang Yi Bai, Fung Min Hun

"Sing"

Estória

A Xangai da década de 1930 é completamente controlada pelas tríades, sendo o grupo mais forte o “Gang do Machado”. A polícia não intervém pois teme o crime organizado, além de ser altamente subornada pelos criminosos. Os únicos locais ainda seguros são os bairros pobres, que não despertam interesse nenhum nas máfias. Num desses bairros, conhecido como “pocilga”, vive um casal que arrenda todas as casas do sítio. O senhorio (Yuen Wah) é completamente dominado pela mulher (Yuen Qiu) que possui um feitio irascível, que todos temem.

“Sing” (Stephen Chow) e “Bone” (Lam Chi Sin) são dois pequenos escroques, cujo sonho é serem admitidos no “Gang do Machado”. Certo dia, ao tentarem enganar os habitantes do bairro da “pocilga”, acabam por atrair a tríade e provocar um confronto, do qual os moradores saem vencedores. A razão para tal é que por detrás de pessoas aparentemente inofensivas, existem verdadeiros mestres de artes marciais tais como o padeiro (Dong Zhi Hua), o alfaiate (Chiu Chi Ling) e o carregador (Xing Yu).

"Fong"

Humilhado pela derrota, o “Irmão Sum” (Chan Kwok Kwan), contrata um duo de assassinos experimentados, que vencem os 3 mestres de artes marciais, mas que surpreendentemente acabam por perder para com o senhorio e a sua intratável esposa. “Sum” decide então recorrer a “Sing”, e contrata-o para libertar “Monstro” (Leung Siu Lung), que se encontra preso num manicómio e é considerado o maior assassino da história.

“Monstro” luta com o senhorio e a esposa, mas estes são ajudados inesperadamente por “Sing” e conseguem escapar. “Sing”, bastante ferido, é curado pelo casal e o seu “qi” (“chi” – força vital) é finalmente libertado, revelando-se o rapaz como um exímio mestre de artes marciais, que domina a técnica sagrada da “palma de Buda”.

As condições estão criadas para o grande confronto entre o “Gang do Machado”, agora liderado por “Monstro”, e um solitário “Sing”. Uma batalha épica irá ocorrer!!!

"O estranho casal de senhorios do bairro da pocilga"

"Review"

Hoje em dia, uma comédia de artes marciais protagonizada e realizada por Stephen Chow é sinónimo de um sucesso antecipado, não só a nível do continente asiático, mas igualmente no mundo inteiro. Chow significa dinheiro vivo e boas receitas de bilheteira. Embora eu esteja muito longe de ser um fã de comédias, e por isso mesmo Stephen Chow e Jackie Chan não recolham muito a minha preferência, sou forçado a reconhecer que Stephen Chow significa igualmente entretenimento e os seus filmes um bocado bem passado e descontraído. Para nos libertarmos um pouco do “stress” do dia-a-dia, não há nada como um filme de Stephen Chow. E desde os tempos em que o actor descobriu as maravilhas do CGI, esta premissa assume mais relevância, e ao contrário do que alguns pensavam, Chow atingiu outros patamares. Se uns gostam e outros não, isso já é outra conversa…

Quando “Kung Fu Hustle” viu a luz do dia, a expectativa em torno da película fez com que a mesma fosse praticamente um sucesso antecipado, muito por culpa do furor que “Shaolin Soccer” tinha feito três anos antes. E de facto o êxito de “Kung Fu Hustle” foi algo digno de se ver. Grandes receitas de bilheteira, e não apenas em Hong Kong. Dezassete prémios ganhos em vários certames de cinema, para além de 26 nomeações entre as quais uma para o “Globo de Ouro” para o melhor filme estrangeiro, e outro para o prémio BAFTA referente ao melhor filme não falado em inglês. Um inquestionável e excelente cartão de visita!

Que dizer do filme?

À semelhança do já aludido “Shaolin Soccer”, o estilo “cartoon” é incontornável. Aliás, em “Kung Fu Hustle”, esta característica ainda acaba por ser mais premente. Corridas à “Roadrunner” (Papa-léguas em Portugal), personagens que chocam com violência na parede e escorregam pela mesma suavemente, lutas em que os intervenientes são literalmente arremessados pelo ar num estilo muito semelhante a “The Matrix”, etc, etc, etc. O mesmo será dizer, uma loucura total (e porque não uma "Kung-Fu-Zão", um trocadilho com "confusão", sem ser depreciativo)!!!

"O Gang do Machado"

Pelas razões expostas no parágrafo anterior, “Kung Fu Hustle” vive quase completamente sob o signo do entretenimento. Tudo o resto assume um papel secundário. É certo que existe uma estória que é relativamente bem construída, embora simples e longe de ser original. Não se duvida que os adereços e a banda-sonora constituem bons acessórios. Mas neste filme de Stephen Chow, os espectaculares efeitos especiais e a comédia são verdadeiramente a lei!

Julgo que ninguém pode duvidar do amor de Stephen Chow pelos filmes de artes marciais e pelos seus intervenientes. O próprio actor e realizador é um admirador confesso do ícone Bruce Lee. Tenho forçosamente que admitir, embora não seja muito do meu agrado, que existem várias formas de homenagear o género. Stephen Chow escolheu a comédia temperada de infantilidade e de elementos que muitas vezes roçam a “palhaçada” de circo. Mas nem por isso tem menos mérito que aqueles que enveredam pela perspectiva mais séria da “coisa”, e os resultados estão à frente de todos. Chow é sem dúvida nenhuma, um dos grandes nomes do cinema asiático!

O próprio Chow na escolha do elenco desta longa-metragem, fez questão de perpetuar essa mesma homenagem e admiração que nutre pelos filmes de artes marciais. Pense-se em Yuen Wah, um dos membros dos conhecidos “Seven Little Fortunes” (na realidade eram mais de sete), um grupo de estudantes da ópera de Pequim, famoso pelas suas actuações acrobáticas, dos quais fizeram parte, para além de Wah, Yuen Biao, Jackie Chan, Sammo Hung e Corey Yuen. Outro exemplo será Leung Siu Lung (aka Bruce Leung) que era conhecido nos anos ’70 e ‘80 por o “Terceiro Dragão” (os outros dois eram Bruce Lee e Jackie Chan). Este último actor, por exemplo, já não participava num filme há quinze anos!

A estória de amor também marca a sua presença e à semelhança de “Shaolin Soccer”, envereda pelo caminho da paixão entre alienados da sociedade. Existe uma relação entre “Fong” (representada por Eva Huang, uma actriz que não sei porquê, lembra-me Isabella Leong – isto é um grande elogio, acreditem!), uma rapariga muda que vende gelados e “Sing”, um criminoso de 10ª categoria. Pensem outra vez em “Shaolin Soccer”, e nas personagens aí representadas por Stephen Chow e Vicki Zhao (ai, ai, 1000 vezes suspiros…), e com certeza encontrarão alguma analogia.

Lembro-me perfeitamente que quando vi pela primeira vez “Kung Fu Hustle”, foi num dia em que quase nada me estava a correr bem, e que a minha pessoa estava um pouco triste e melancólica. A nostalgia era dona e senhora de mim, ao olhar para ruas da capital deste país, com as memórias a aflorarem cada poro da minha pele! Se calhar era um boa altura para visionar um melodrama qualquer de fazer chorar as pedras da calçada! Chegado ao “Alvaláxia”, terreno que não me é grato do ponto de vista futebolístico (não sou lá muito fã do “Lion Soccer”, por estas bandas é mais o “Dragon Soccer”), a veia do cinema asiático clamou mais alto, e “Kung Fu Hustle” foi eleito o companheiro da tarde. Posso dizer que o resto da jornada foi muito mais alegre…

É esse o mérito dos filmes de Stephen Chow no geral, e de “Kung Fu Hustle” em particular. De uma maneira disparatada, traz mais um pouco de felicidade à nossa vida!

"Sing em luta com o Gang do Machado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, FanatiCine, Not Alone, Lord of the Movies, Cine-Asia, Nem Todos São Arte, Rollcamera...action!

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





domingo, março 18, 2007

A Chinese Odyssey Part Two: Cinderella/Sai yau gei: Daai git guk ji - Sin leui kei yun (1995)

Origem: Hong Kong/China

Duração: 100 minutos

Realizador: Jeffrey Lau

Com: Stephen Chow, Athena Chu, Ng Man Tat, Ada Choi, Law Kar Ying, Karen Mok, Yammie Nam, Lee Kin Yam, Jeffrey Lau

Atenção - Spoilers!!!

Caso não tenha visto "A Chinese Odyssey Part One: Pandora's Box", não deverá continuar a ler o presente "post", pois parte do enredo daquele filme poderá ser eventualmente revelado!!!

"O Rei Macaco"

Estória

Em "A Chinese Odyssey Part One: Pandora's Box", "Joker" (Stephen Chow) tinha usado abundantemente a "Caixa de Pandora" para viajar no tempo, tendo em vista impedir o suicídio do seu amor, a mulher-demónio "Jing Jing" (Karen Mok). Embora tendo sido bem sucedido no seu objectivo, acaba por inadvertidamente recuar 500 anos em relação à época dos eventos do filme anterior.

O herói acaba por conhecer uma bela imortal chamada "Lin Zixia" (Athena Chu), que reclama para si a "Caixa de Pandora", acabando por apaixonar-se por "Joker", atendendo a que ele é o único que consegue desembainhar a espada de "Lin", para além de ela própria. "Joker", por seu lado começa a ter sérios problemas com "Lin", pois a deusa possui uma dupla personalidade muito "sui generis".

Ao mesmo tempo, chega ao conhecimento de "Joker" que "King Bull" raptou "Longevity Monk", o único ser capaz de o transformar de novo no "Rei Macaco".

"Lin Zixia e Joker"

"Joker" parte para o seu destino final, quando em conjunto com "Piggy" e o seu outro companheiro, decidem libertar "Longevity Monk". A confusão aumenta ainda mais, quando "Joker" apercebe-se que "Lin" igualmente foi raptada por "King Bull", tendo em vista o casamento com este demónio. Como se não bastasse, "Joker" é apanhado nas malhas do matrimónio, e vê-se forçado a juntar-se à irmã de "King Bull". A situação ainda piora mais, quando a primeira mulher de "King Bull" apaixona-se pelo protagonista!

Após reunir-se brevemente com "Jing Jing", "Joker" apercebe-se que na realidade o seu coração pertence a "Lin". Sem mais nada a perder, o herói aceita o seu destino e torna-se de novo no "Rei Macaco", decide lutar com "King Bull" e viajar até à Índia para recuperar umas escrituras sagradas do budismo, tentando cumprir desta forma a demanda "Jornada para Oeste".

"Lin Zixia luta contra King Bull"

"Review"

O prometido no anterior "post" foi cumprido muito mais rápido do que eu esperava, e eis-me aqui no dia seguinte a rever o segundo episódio da saga "A Chinese Odyssey". Como já tinha referido anteriormente, os aspectos técncos não serão tão considerados, pois mantem-se essencialmente o que foi dito neste particular em relação a "Pandora's Box".

Mesmo assim não custa nada fazer um apanhado geral.

As cenas cómicas têm os seus altos e baixos, destacando-se aqui no segundo episódio da saga a piada enorme das cenas iniciais em que "Joker" tenta entrar na caverna da "Teia de Aranha" (que tem a sua designação sucessivamente alterada para "Cascata" e depois para "Buda") e apanha sistematicamente com a porta a desabar em cima de si. A comédia igualmente tem vários bons momentos, quando finalmente o "Rei Macaco" resolve aparecer com mais continuidade, revelando-se uma personagem completamente alucinada e cheia de piada! Uma palavra simpática para "Longevity Monk", personagem interpretada por Law Kar Ying. Os seus devaneios e dotes para o canto entediam até um asceta, e conseguem-nos fazer sorrir.

O entretenimento consegue ser ainda maior do que na primeira parte, com verdadeiras cenas fabulosas de "wire fu", da responsabilidade do mestre Tony Ching Siu Tung. É normal que assim aconteça, pois estamos a chegar ao epílogo e aos grandes clímaxes da epopeia, fazendo com que tudo se desenrole de uma forma que nos tira por vezes a respiração no bom sentido.

Quanto à caracterização e aos efeitos especiais, remete-se para tudo o que já foi dito anteriormente a propósito de "Pandora's Box".

"Em desespero, Joker solicita que o flagelem"

Vou agora tão-só tentar explicar sumariamente, o porquê de "Cinderella" constituir um filme superior a "Pandora's Box", e isto resume-se essencialmente a quatro motivos: 1º o facto de ser o epílogo, e isto ajudar imenso ao desenrolar da acção, quando bem feito (senti o mesmo em relação à trilogia do Senhor dos Anéis, em que achei a parte final da saga "O Regresso do Rei" claramente o melhor filme), e quanto a isto não há nada mais a dizer; 2º Athena Chu; 3º o romance; 4º finalmente o aparecimento continuado do "Rei Macaco".

Athena Chu é sem dúvida nenhuma uma actriz encantadora e com muito mérito. Só tenho pena de não conhecer muito do seu trabalho. O papel de "Lin Zixia" que representa em "Cinderella" é magnificamente executado, e faz-nos sonhar de diversas formas. O seu encanto é inegável, e dá uma pujança a esta película que de certa forma falta à primeira parte da epopeia, em que Karen Mok e Yammie Lan tentam dar o toque feminino essencial. Por mais que estas duas actrizes se esforcem, estão a milhas de Athena Chu em todos os aspectos. Pelo menos, neste trabalho isto nota-se claramente! Uma palavra de apreço para Takeo Maruyama, o homem forte do "Asian Fury" , e fã incondicional da actriz. Digo isto pois há uns tempos trocamos uns comentários, no "post" deste blogue referente à biografia de Maggie Cheung e o caro Takeo defendeu galhardamente os atributos de Athena Chu. Pois digo-lhe uma coisa caro colega, a mulher é "uma gracinha", como dizem no Brasil e é boa actriz! Sei que isto não fica bem numa crítica, mas tinha que ser dito!

O romance ajuda imenso a cativar o espectador, sendo bastante bem conseguido, ajudando a que Stephen Chow, de uma forma inesperada, demonstre que tem dotes para o drama. Auxiliado pela belíssima Athena Chu, acho que até um cubo de gelo transformaria-se num sol incandescente!

Por fim, o aparecimento do "Rei Macaco" é um bálsamo que eleva o filme para uma dimensão superior e ajuda Stephen Chow a fazer, porventura, um dos melhores, senão o mais significativo papel da sua carreira! A representação é brilhante, e obriga Chow a dar tudo o que tem e não tem! Bravo!

Com esta comédia posso eu bem sobreviver e apreciar!

"Longevity Monk, o mestre do Rei Macaco"

Trailer - Não encontrado!, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8







sábado, março 17, 2007

A Chinese Odyssey Part One: Pandora's Box/Sai yau gei: Dai yat baak ling yat wui ji - Yut gwong bou haap (1994)

Origem: Hong Kong/China

Duração: 88 minutos

Realizador: Jeffrey Lau

Com: Stephen Chow, Ng Man Tat, Yammie Nam, Karen Mok, Kong Yeuk, Luk Su Ming, Ng Yuk Kan, Jeffrey Lau, Law Kar Ying, Athena Chu

"Grapes e Joker"

Estória

Baseado no clássico conto chinês "A Journey to the West" (Xīyou ji - 西遊記)", o enredo de "A Chinese Odissey Part One..." versa sobre o mito do "Rei Macaco" (Monkey King), personagem muito popular no folclore daquele país asiático.

Devido à sua grande rebeldia, o "Rei Macaco" (Stephen Chow) é banido da morada dos deuses e assume uma forma humana, esperando que o seu mestre "Longevity Monk" o faça recuperar a sua condição original e divina.

500 anos depois deste evento, o "Rei Macaco" reencarna num frustrado chefe de salteadores chamado "Joker" (também representado por Stephen Chow), que entra em sarilhos quando "Spider Woman Aka Madam 30th " (Yammie Nam) e "Jing Jing" (Karen Mok) tomam conta do seu burgo, em busca precisamente da forma humana do "Rei Macaco". As duas mulheres, que por acaso são irmãs e ao mesmo tempo dois poderosos demónios, desconhecem que "Joker" é a reencarnação do seu inimigo.

"As irmãs Jing Jing e Spider Woman"

As peripécias sucedem-se fazendo com que "Joker" descubra a sua verdadeira identidade e o modo como retornar ao seu aspecto original. Pelos vistos, o pobre diabo manterá a sua forma humana, até que complete a demanda conhecida como "Jornada para Oeste".

"Joker" terá de encontrar a "Caixa de Pandora", que lhe permitirá viajar no tempo e encontrar "Longevity Monk", a única divindade que o poderá tornar no "Rei Macaco" outra vez.

"Assistant Master e Spider Woman observam o seu rebento Longevity Monk"

"Review"

Como o próprio nome "Chinese Odyssey Part One..." não é um filme com uma estória completa, no sentido de "princípio, meio e fim" mas apenas a primeira parte de uma epopeia que tem a sua sequela em "Chinese Odyssey Part Two: Cinderella". Isto fez-me pensar que porventura seria melhor fazer uma crítica conjunta aos dois filmes. No entanto, preferi respeitar a opção que o realizador Jeffrey Lau tomou, ao dividir a estória em dois filmes, levando-me em consequência a elaborar duas "reviews" distintas, uma que se apresenta agora. Assumo desde já o compromisso, que a próxima crítica a ser colocada no "My Asian Movies" versará sobre a segunda parte, mesmo correndo o risco de ser repetitivo na apreciação, pois como é normal não haverá diferenças técnicas de relevo quanto aos dois filmes, atendendo a que foram praticamente rodados em simultâneo. No entanto, desde já se adianta que do ponto de vista da acção e do próprio encadeamento da estória, a segunda parte levará inevitavelmente alguma vantagem. Mas deixemos isso para a altura própria.

Como é do conhecimento de quem costuma visitar este blogue, eu não sou propriamente um fã de comédias, e por esse mesmo motivo não aprecio por aí além os filmes de Jackie Chan e de Stephen Chow. Também já referi anteriormente, que tal não invalida que eu não reconheça o grande mérito e capacidade destes actores, para além da sua inegável importância no panorama cinematográfico do cinema asiático em geral, e no de Hong Kong em particular. Foi com todos estes dados adquiridos, que me preparei para visionar a saga "Chinese Odyssey".

Primeiro ponto, a inevitável comédia, não fosse este um filme de Stephen Chow. Os "gags" são os típicos do principal actor do filme, uns tendo imensa piada, outros nem por isso. No entanto sou forçado a reconhecer que os bons momentos superam os maus, e aquelas cenas em que o bando de salteadores tenta apagar um fogo que deflagrou numa parte "muito sensível" de "Joker", arrancaram-me umas valentes e sinceras gargalhadas.

Segundo - os efeitos especiais e os adereços. Ao visionar "Chinese Odyssey", apercebemo-nos claramente dos "anos-luz" a que se encontravam os filmes asiáticos dos anos 80 e primeira metade de 90, em relação aos congéneres norte-americanos. Os efeitos especiais são incrivelmente primários, com performance e cor que destoam claramente do ambiente envolvente. Fazendo uma relação com filmes ocidentais, estarão ao nível dos primeiros "Star Treks" (pensem nos raios que emanam dos "phasers"). Sinceramente nunca percebi bem porquê que isto acontecia, atendendo a que estamos a falar de países portadores do melhor que existe a nível tecnológico. Julgo que neste aspecto, os estúdios e companhias do género não souberam acompanhar o desenvolvimento de outros sectores. Em 1998, com "The Storm Riders" de Andrew Lau, deu-se a primeira "grande pedrada no charco". A caracterização, pelo contrário, está muito boa, com uma ou outra excepção . Tratando-se de uma estória baseada num mito cheio de deuses e seres sobrenaturais, é normal que muito nos seja dado a ver neste aspecto. Destaco o "Rei Macaco" e o "Bull King" (Rei Touro, se preferirem) que estão excepcionais. A nota negativa terá que ser dada à transformação da "Spider Woman" em aranha, que por vezes assume laivos cómicos dado que é mais do que evidente que não se conseguiu disfarçar minimamente o facto de estarmos perante um boneco!!!

"A inspecção aos pés..."

A acção é uma constante em toda a película, tendo o toque perfeito dos "swordplays". Estamos perante o que eu costumo classificar de um "anti-insónias", muito da responsabilidade do "guru" Tony Ching Siu Tung, responsável apenas, entre outros, pelas coreografias de "Herói", "Segredo dos Punhais Voadores" e "A Maldição da Flor Dourada", a aclamada trilogia de "Wuxias" de Zhang Yimou. Com um currículo destes, sabemos muito bem o que esperar!

Existe uma tendência natural em comparar a "Chinese Odyssey" com a trilogia "A Chinese Ghost Story". É normal que assim suceda, pois ambos os filmes, embora de épocas diferentes, bebem de fontes similares, sendo ambas as longas-metragens tributárias do misticismo e da fantasia, temperadas com os elementos próprios do "swordplay". Porém, ambos têm características muito próprias e que os fazem distinguir de diversos produtos de "2ª linha", colocando-os no universo dos consagrados. Em "Chinese Ghost Story" isto valerá mais para o primeiro filme; em "Chinese Odyssey", a 2ª película merecerá a primazia.

Para todos os fãs do bom cinema de Hong Kong, aconselho o visionamento desta película, mas com uma importante ressalva. É absolutamente necessário ver os dois filmes em conjunto, portanto se algum dia tiverem a oportunidade de passarem pelo caminho de "A Chinese Odyssey Part One: Pandora's Box", terão forçosamente que fazer um "dois em um", ou seja, chamar à colação "A Chinese Odyssey Part Two: Cinderella".

A ver!

Nota: Porquê que fiquei com a impressão que no filme existe uma música exactamente igual a outra que aparece em Ashes of Time?

"The Bull King"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38