"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!
sábado, julho 31, 2010
terça-feira, julho 27, 2010
The Good, the Bad, the Weird – Joheun nom, nabbeun nom, isanghan nom - 좋은 놈, 나쁜 놈, 이상한 놈 (2008)
Origem: Coreia do Sul
Duração aproximada: 130 minutos
Realizador: Kim Ji-woon
Com: Song Kang-ho, Lee Byung-hun, Jung Woo-sung, Yoon Je-moon, Ryoo Seung-su, Song Young – chang, Son Byeong-ho, Oh Dal-su, Uhm Ji-won
“Yoon Tae-gu, o esquisito”
Sinopse
Na Manchúria, década de '30, o mítico e sanguinário assassino “Park Chang-yi” (Lee Byung-hun), o “Mau”, assalta um comboio de forma a roubar um mapa dos oficiais japoneses, que supostamente levará a um grande tesouro. Infelizmente para “Chang-yi”, “Yoon Tae-gu”, o “Esquisito”, leva a melhor e foge com o mapa em busca da fortuna.
“Park Chang-yi, o mau”
No entanto, as coisas não correm assim tão bem para “Tae-gu”, pois este é capturado por “Park Do-won”, o “Bom”, que ao mesmo tempo é um caçador de recompensas muito conceituado. Tendo tomado conhecimento do tesouro, “Do-won” resolve fazer uma sociedade pouco convencional com “Tae-gu”, e ambos partem em busca da riqueza e glória. Contudo, as coisas não serão fáceis, pois serão perseguidos pelo psicótico “Chang-yi”, por outros grupos de salteadores e pelo próprio exército imperial japonês.
“Park Do-won, o bom”
“Review”
“The Good, the Bad, the Weird” teve honras de estreia no festival de Cannes, edição de 2004, tendo recebido no geral críticas favoráveis, assim como venceu os prémios para melhor realizador e efeitos especiais no conceituado festival de Sitges, o certame de cinema catalão que é uma referência no panorama da sétima arte asiática na Europa.
Com “The Good, the Bad, the Weird”, um conceito à partida estranho, o “western” asiático, marca pontos outra vez. Depois de “Peace Hotel” (Hong Kong), “As Lágrimas do Tigre Negro” (Tailândia) e “Sukiyaki Western Django” (Japão), é chegada a vez de a Coreia do Sul provar que o cinema oriental tem a versatilidade suficiente para emanar obras com conceitos que à partida, estariam culturalmente deslocados do seu horizonte. Claramente tributário do que denomina de “western spaghetti”, o realizador Kim Ji-woon faz apelo à trilogia do “Homem sem Nome”, de Sergio Leone, em especial da lendária película “O Bom, o Mau e o Vilão”. Sendo que até 2009, “The Good, the Bad, the Weird” constituía a longa-metragem mais cara da história do cinema sul-coreano, Kim Ji-woon chamando a si a tradição de acrescentar um nome de uma iguaria à palavra “western”, de forma a individualizar determinado subgénero, chamaria de “kimchee western” à sua obra, em homenagem a um prato tradicional sul-coreano.
Dotado de um ritmo incrível e contagiante, “The Good, the Bad, the Weird” é um exercício divertido e que captará a atenção do espectador até aos créditos finais. Kim Ji-woon sai-se bem na homenagem que faz aos filmes de Leone, criando uma atmosfera própria e típica para o género, embora positivamente introduza elementos mais contemporâneos e actuais. A escolha da Manchúria dos anos '30, dominada pelos japoneses, é bastante feliz e serve de pano de fundo ideal para toda a trama. Os momentos de acção são espectaculares, com tiroteios de suster a respiração, perseguições alucinantes e diálogos emblemáticos, com alguma ironia que nos faz sorrir, típicos de um “western” que se preze como tal.
“O bando de salteadores”
Como o próprio título deste filme indica, está em causa o encontro entre três pistoleiros de renome, sendo os mesmos interpretados por três dos maiores nomes da cena sul-coreana. Song Kang-ho (o “Esquisito”) consegue evidenciar a melhor prestação a que não será alheio o facto de o seu papel ser mais ecléctico e atreito a demonstrar diferentes vertentes de representação. Lee Byung-hun (o “Mau”) consegue sobressair uma aura sinistra que era o que se lhe pedia para a sua actuação. Embora se reconheça que muito do seu trabalho se confina a parecer um “mau com estilo”, o realizador Kim Ji-won, num “flashback” à Sergio Leone, confere mais profundidade a esta personagem em concreto. O terceiro elemento da parelha, Jung Woo-sung (o “Bom”), é quem verdadeiramente sofre com a maneira como o argumento é desfilado, o que sinceramente deveria ter sido algo alterado de forma a relevar este competente actor. Woo-sung sofre de uma falta gritante de minutos, em comparação com os seus dois companheiros da película. Supostamente, e fazendo o paralelo com o anti-herói protagonizado pelo grande Clint Eastwood na película de Leone anteriormente mencionada, Woo-sung é algo maltratado nesta longa-metragem, a nível de protagonismo.
Com a costumeira animosidade anti-japonesa, embora aqui algo dissimulada, “The Good, the Bad, the Weird” é uma boa proposta a nível de entretenimento, que não defraudará os fãs do “western”, da aventura e até dos momentos mais descontraídos e eivados de boa disposição. O seu “pace” é contagiante, as personagens têm o seu “quê” de fascínio, os cenários são mais do adequados, existe acção a rodos e nesta vertente o que é que se pode pedir mais? Mais uma boa proposta para um Domingo à tarde bem passado!
Curiosidade e ao mesmo tempo um desejo escondido: Se o “mestre” John Woo embarcasse num “Asian Western”, e colocasse uma pitada dos seus predicados de “heroic bloodshed”, o que sairia dali?
“Chang-yi cavalga com os seus apaniguados, no meio de uma luta renhida”
7.4 em 10 (4.961 votos) em 27 de Julho de 2010
Outras críticas em português:
Avaliação:
Entretenimento – 9
Interpretação – 7
Argumento – 7
Banda-sonora – 7
Guarda-roupa e adereços – 9
Emotividade – 8
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7
Classificação final: 7,75
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
7:13 p.m.
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Etiquetas: Coreia do Sul, Jung Woo-sung, Kim ji-woon, Lee Byung-hun, Oh Dal-su, Ryoo Seung-so, Son Byeong-ho, Song Kang-ho, Song Young-chan, Uhm Ji-won, Western, Yoon Je-moon
domingo, julho 18, 2010
Dolls/Dôruzu – ドールズ (2002)
Origem: Japão
Duração aproximada: 114 minutos
Realizador: Takeshi Kitano
Com: Hidetoshi Nishijima, Miho Kanno, Tatsuya Mihashi, Chieko Matsubara, Kyoko Fukada, Tsutomu Takeshige, Kayoko Kishimoto, Kanji Tsuda, Yuko Daike, Ren Osugi
“O teatro de marionetas Bunraku”
Sinopse
“Matsumoto” (Hidetoshi Nakajima), um jovem executivo, vê-se obrigado a casar com a filha do patrão, devido à pressão dos pais. Acontece que “Matsumoto” estava noivo da sensível “Sawako” (Miho Kanno), que fica destroçada com a opção do seu amor. No dia do casamento, chega ao conhecimento de “Matsumoto” que “Sawako” tentou suicidar-se, e em virtude disto, ficou com debilidades mentais e foi internada num sanatório. “Matsumoto” abandona a noiva no altar, resgata “Sawako” do estabelecimento de saúde, e inicia uma viagem com a rapariga onde o amor sobrevive a par com o sofrimento.
“Haruna Yamaguchi contempla o mar”
Paralelamente, o velho líder yakuza “Hiro” (Tatsuya Mihashi), descobre que o seu amor de juventude “Ryoko” (Chieko Matsubara), ainda se mantém fiel ao seu sentimento, e aparece todos os dias com o almoço feito para lhe entregar, sentando-se num banco de jardim a aguarda-lo. Sem se identificar, “Hiro” trava novamente conhecimento com “Ryoko”, mas o implacável submundo parece não querer deixar vingar o sentimento que une os dois. Por fim, “Nukui” (Tsutomu Takeshige), o fã fanático da famosa cantora “Haruna Yamaguchi” (Kyoko Fukada), toma medidas desesperadas quando descobre que aquela fica com a cara desfigurada, devido a um acidente de automóvel. Tudo em nome de ter uma possibilidade de falar com a sua razão de viver.
“Deambulando sob o por-do-sol”
“Review”
Realizado em 2002, “Dolls” quando foi exibido no festival de Cinema de Veneza provocou sentimentos contraditórios. Enquanto uns defendiam que estávamos perante uma obra-prima de Kitano, outros insurgiam-se e afirmavam que estávamos perante um filme banal, que aproveitava meia dúzia de características da cinematografia asiática para se fazer notar. O certame em Veneza deu razão a esta segunda corrente, e “Dolls” partiu do evento sem ter vencido qualquer prémio ou distinção. “Dolls” é dos filmes de Kitano que está englobado nas obras do realizador/actor, onde o mundo do crime não assume preponderância, embora tal ainda seja aflorado na subtrama relacionada com “Hiro”, o chefe yakuza. Cabe ainda referir que ao contrário de muitas longas-metragens por si realizadas, Kitano aqui não actua, ficando-se pela direcção do filme.
O amor deverá muito provavelmente ser uma das temáticas mais abordadas na sétima arte, infelizmente muitas vezes com afloramentos muito simplistas, cuja única visão é a comercial e nada mais. Mas o amor, como o sentimento mais nobre que existe, serve de inspiração para algumas das maiores obras de cinema alguma vez criadas. Ninguém de bom senso, poderá contrariar esta afirmação. Como sentimento rico, profícuo e diversificado, é susceptível de diversas aproximações. Umas mais optimistas, outras verdadeiramente cor-de-rosa, algumas por vezes trágicas e a destilar sofrimento. “Dolls” é um filme que versa sobre o amor, mas não o expõe de uma forma convencional ou dita mais politicamente correcta. Aqui, o eterno sentimento é subsumido a uma perspectiva de sacrifício e arrependimento, mas sempre com uma devoção sem fronteiras.
Assentando a sua narrativa no teatro de marionetas “bunraku”, a trama assume por vezes uma faceta surreal mas bem estruturada, onde flutuamos num sonho. Esta forma de exposição, assenta muito bem na natureza contemplativa e até filosófica da película, revelando inteligência e uma saudável frescura. “Dolls” é um exercício trágico, em que o sentimento de tristeza por vezes assume proporções quase apocalípticas, onde as fraquezas sentimentais das personagens vão emergindo, momento atrás de momento, esbofeteando as nossas convicções. Efectivamente, esta longa-metragem não oferece respostas fáceis às questões que vão surgindo à medida que desfrutamos do visionamento. Contudo, não se poderá encarar esta premissa como uma fraqueza do filme, mas sim como um dos seus pontos fortes. Desprezando o mais convencional ou óbvio, ou qualquer moralismo mais barato, “Dolls” dá uma margem estimulante ao espectador, para que este possa fazer as suas próprias reflexões e uma salutar liberdade de interpretação.
“Sawako”
“Dolls” possui igualmente uma fotografia fabulosa, que nos irá maravilhar a visão e estimular o nosso gosto pela beleza. O trabalho neste particular, a cargo de Katsumi Yanagishima, um “habitué” da equipa de Kitano, é comparável aos feitos do mago Christopher Doyle, o que será o melhor elogio que aqui se poderá fazer. Tudo maravilha os olhos, em especial as paisagens mais rurais e campestres japonesas, onde as cores são meticulosamente trabalhadas, tanto para impressionar como para enternecer. Este desfile brutal de imagens e tons, acentua ainda mais o pendor trágico da película, culminado numa conjugação eficiente de elementos que nos tocam bem lá no fundo. Há quem lhe chame “poesia visual”. A designação afigura-se perfeita.
Com interpretações soberbas dos intervenientes, destacando-se o casal Hidetoshi Nishijima e Miho Kanno, uma beleza de imagem a toda a prova, uma banda-sonora que cumpre e momentos por vezes crus, mas sempre muito significativos, “Dolls” é uma película que revela o que de melhor o cinema nipónico é capaz na exploração do amor e do sofrimento associado a este. Com uma aura extremamente desafiante, retirei para mim que talvez sejamos marionetas dos nossos sentimentos, no sentido de serem eles a nos dominar e não o contrário. E mesmo que esta ideia seja algo óbvia, principalmente para os que ouvem mais o coração do que a razão, todos nós sabemos muito bem que nem sempre é assim. Expondo a minha estranheza e discordância acerca de muitas das críticas negativas que foram efectuadas a “Dolls”, cabe-me concluir no sentido de estarmos perante um filme de uma grandeza maior, que se aconselha definitivamente o visionamento. Os leitores que por aqui passam, saberão certamente fazer a sua escolha.
“Sawako e Matsumoto”
7.7 em 10 (7.210 votos) em 18 de Julho de 2010
Outras críticas em português/espanhol:
- Batto presenta…
- Cinedie Asia
- Flickr Maria Eugénia
- Arquitetura do Nada
- Quarto 2046
- Sete Ventos
- Cine-Asia
- Cinema 2000
Avaliação:
Entretenimento – 7
Interpretação – 9
Argumento – 9
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa e adereços – 8
Emotividade – 9
Mérito artístico – 10
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8
Classificação final: 8,50
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
6:48 p.m.
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Etiquetas: Chieko Matsubara, Drama, Hidetoshi Nishijima, Japão, Kanji Tsuda, Kayoko Kishimoto, Kyoko Fukada, Miho Kanno, Ren Osugi, Takeshi Kitano, Tatsuya Mihashi, Tsutomu Takeshige, Yuko Daike
quinta-feira, julho 01, 2010
Nayagan aka Nayakan (1987)
Origem: Índia
Duração aproximada: 145 minutos
Realizador: Mani Ratnam
Com: Kamal Hassan, Saranya, Janagaraj, Tinnu Anand, Nasser, Delhi Ganesh, Nizhalgal Ravi, M. V. Vasudeva Rao, Kartika, Pradeep Shakti
“Velu”
Sinopse
“Shakti Velu” é uma criança que assassina o polícia que matou o seu pai, e por este facto, vê-se obrigado a fugir para Mumbai, onde acaba por ser adoptado por um pescador muçulmano, que possui uma personalidade bondosa e extremamente justa. Com o decorrer dos anos, o agora jovem adulto “Velu” (Kamal Hassan) e o seu amigo “Selva” (Janagaraj) desenvolvem um sentimento de ódio para com a polícia, devido ao facto de esta tratar de uma forma brutal as pessoas que vivem nos sítios mais pobres de Mumbai. Devido à morte perpetrada pelas forças da lei contra aquele que o acolheu em criança, “Velu” mata o oficial responsável, e embrenha-se no mundo do crime, onde o contrabando e os gangues ditam a lei.
“Tortura policial”
Posteriormente, “Velu” conhece “Neela” (Saranya), e apaixonados, contraem matrimónio, daqui nascendo dois filhos. Entretanto, o percurso do protagonista no mundo da criminalidade organizada vai trilhando caminho, e “Velu” acaba por tornar-se num dos mais proeminentes chefes do submundo de Mumbai. Tendo em conta este facto, a tragédia bate à porta de “Velu” outra vez, quando a sua esposa é morta num ajuste de contas entre rivais. O infortúnio constitui o mote para que “Velu” parta novamente para a vingança, elimine os seus oponentes e torne-se no indisputado líder.
À medida que os anos passam, um período de acalmia parece finalmente chegar. No entanto, “Velu” depara-se novamente com a desgraça familiar, desta vez com o casal que significa tudo para ele no mundo, os seus filhos.
“Velu e Neela”
“Review”
Em 1987, quando o filme “Nayagan” viu a luz do dia, estava criado um sucesso sem precedentes no que ao cinema Tamil diz respeito, tendo a sua grandiosidade se espraiado por toda a Índia, tendo inclusive sido a proposta deste país no que aos óscares do referido ano diz respeito. Em 2005, a conceituada revista “Time” viria a colocar “Nayagan” num verdadeiro pedestal, ao considerar esta película como um dos 100 melhores filmes de sempre. Um currículo de respeito, portanto.
Mas efectivamente sobre o que versa “Nayagan”? Não é segredo para ninguém que todos os países têm, em maior ou menor medida, estruturas de crime organizado que por vezes assumem a dimensão de verdadeiras sociedades à parte, ou então uma realidade muito própria dentro de determinado contexto social. A Índia, na sua imensidão geográfica e étnica, não constitui excepção. “Nayagan” foi buscar a sua inspiração a uma personagem real. Refiro-me ao “gangster” Varadajan, que controlou o submundo de Mumbai, principalmente na década de '80. As suas actividades reconduziam-se principalmente ao contrabando nos portos, evoluindo depois para os assassinatos e outras actividades ilícitas. Conta-se que Varajadan tinha criado um sistema judicial paralelo na sua comunidade tamil, onde ele próprio seria juiz e executor da lei. Conhecido como um benemérito, Varajadan era um símbolo muito forte da comunidade tamil residente em Mumbai e defensor dos direitos do seu povo, face a uma esmagadora maioria constituída pela população hindi.
“Nayagan” significa “o herói” ou “o líder”, e sem dúvida alguma que Varajadan, ou “Shakti Velu” como é chamado nesta longa-metragem, é reportado como um herói do povo, que protege os oprimidos e os que estão no degrau mais baixo do espectro social. Na senda da grande influência exercida pela saga “Godfather”, Mani Ratnam dá corpo a um épico relacionado com o crime organizado, usando como inspiração um dos “gangsters” mais conhecidos da história indiana. Contudo, “Velu” nunca é visto propriamente como um sanguinário líder criminoso, mas sim como um homem de bom coração, que é perseguido pela tragédia ao longo da sua vida, e que usa as actividades ilícitas, especialmente o contrabando, para auxiliar os que mais precisam. Repare-se que frequentemente “Velu” faz apelo a uma frase e lição de vida que lhe foi transmitida pelo seu pai adoptivo, a saber, “se é para ajudar as pessoas, não é errado”.
“Dança no barco”
O enredo é algo intrincado, onde vão-se arranjando situações cada vez mais dramáticas, algumas bastante forçadas, mas que atingem o alvo pretendido. No entanto, sempre se dirá que não faltarão cenas emblemáticas em “Nayakan”. Pense-se na resistência estóica de “Velu” aos ataques da polícia com mangueiras de água, a sua luta mortal com o inspector nas favelas de Mumbai ou nas discussões que leva a cabo com a sua filha, acerca da relatividade do bem e do mal.
Os actores cumprem o que lhes é solicitado, mas o destaque terá de ir forçosamente para o actor Kamal Hassan, que representa de uma forma elevada, o papel do protagonista da trama. Consegue, em igual medida e numa actuação segura, exteriorizar a revolta de “Velu” numa idade mais precoce, o poder que detém no auge da sua vida e por fim a vulnerabilidade evidenciada na velhice. A sua reacção, face à perda dos entes queridos, é deveras comovente e credível. Um bom trabalho!
Com uma banda-sonora bastante aceitável, onde se destaca o repertório inicial e que se repete um pouco ao longo de toda a película e um final que traz à mente “Gandhi”, de Richard Attenborough, “Nayakan” é sem margem para dúvida uma obra maior da cena cinematográfica tamil. Não reconhecendo o brilhantismo que muitos teimam em atribuir a esta longa-metragem, é indubitável que estamos presentes perante uma película dotada de uma alma profunda, e com um elevado interesse, que servirá para justificar um visionamento atento.
A conferir!
“Velu é confrontado pela filha”
8.3 em 10 (2.201 votos) em 1 de Julho de 2010
Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 8
Argumento – 7
Banda-sonora – 8
Guarda-roupa e adereços – 7
Emotividade – 8
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7
Classificação final: 7,63
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
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2:06 p.m.
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sexta-feira, junho 18, 2010
Beldades da Cultura Asiática - Sei Ashina
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
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7:00 p.m.
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Etiquetas: Beldades da cultura asiática, Sei Ashina
segunda-feira, junho 07, 2010
Sword of the Stranger/Sutorenjia: Mukô hadan - ストレンヂア無皇刃譚 (2007)
Origem: Japão
Duração aproximada: 103 minutos
Realizador: Masahiro Ando
Vozes das personagens principais (versão original – japonesa): Tomoya Nagase (Sem Nome-Nanashi), Yuuri Chinen (Kotarou), Kôichi Yamadera (Luo Lang-Rarou), Akio Ohtsuka (Shougen Itadori), Naoto Takenaka (Shoan), Unshou Ishizuka (Lord Akaike)
“Nanashi, o samurai”
Sinopse
No Japão feudal, mais propriamente na era Sengoku, “Kotarou”, um jovem rapaz, vê-se perseguido por um bando de temíveis guerreiros chineses, que servem o imperador Ming. Acompanhado do seu fiel companheiro, o cão “Tobimaru”, “Kotarou” acaba por se deparar com um samurai errante, que não possui nome. Embora exista um antagonismo inicial, “Kotarou” é obrigado a contratar o combatente, após “Tobimaru” ser ferido numa refrega.
“Kotarou e o cão Tobimaru”
Aos poucos, entre “Kotarou” e o guerreiro nasce uma grande amizade. Contudo, a caça ao jovem aumenta por parte dos chineses, que acabam por capturar o fugitivo, tendo em vista usar o seu sangue para criar uma poção que supostamente tem a faculdade de conceder a vida eterna. O samurai parte numa busca para salvar o seu amigo, e de forma a salvar a vida do jovem, terá de defrontar o líder dos servidores do imperador Ming e o adversário mais fabuloso com que se deparou, o temível Luo Lang, também conhecido por Rarou.
“O samurai defronta Luo Lang Aka Rarou”
“Review”
Não sendo dos animes mais conhecidos do Japão, nem por este motivo “Sword of the Stranger” deixou de figurar em muitos festivais internacionais dedicados ao cinema de animação e não só, tendo mesmo sido exibido em algumas salas norte-americanas. Mas o que efectivamente poderá pontificar mais a favor de “Sword of the Stranger”, neste particular, foi o facto de ter sido a proposta nipónica para a 81ª edição dos Óscares da Academia de Hollywood, cerimónia que ocorreu em 2009, não tendo contudo logrado chegar ao grupo dos três finalistas. O prémio para melhor filme de animação viria a ser ganho por “WALL-E”. As críticas em geral são bastante favoráveis a esta longa-metragem de animação, e os fãs dos “chambara” de animação japoneses, na linha de películas como “Ninja Scroll”, ou a série “Basilisk”, nos quais veementemente me incluo, não irão ficar defraudados com “Sword of the Stranger”.
Tratando-se do primeiro e até agora o único filme de animação de Masahiro Ando, o realizador não revela a sua inexperiência no meio e consegue dar vida a um produto de qualidade, onde existe uma combinação feliz de efeitos visuais e momentos de acção fabulosos, embora eivados de grande violência. Os aspectos típicos do “chambara” estão muito bem personificados, com a típica personagem do herói solitário, com um passado tenebroso, mas dotado de uma honra e bondade a toda a prova, a ser muito bem enquadrada na trama. Outro factor, que não é tão comum mas que confere um interesse acrescido a esta película, são os vilões da história. Como se depreende da sinopse, os mesmos são chineses e inclusive a maior parte dos seus diálogos são em mandarim, dialecto que convive com o japonês ao longo de todo o tempo que dura “Sword of the Stranger”. Em virtude deste facto, é-nos apresentado um choque cultural premente, que dá azo a confrontos excitantes, entre estilos de combate opostos, mas igualmente mortíferos. Porventura, e aqui estaremos no campo da pura conjectura, poderá existir algumas mensagens implícitas, tal como o facto de o poderio económico chinês estar a crescer de dia para dia, em detrimento de alguma estagnação da economia e influência nipónica naquela zona do continente asiático.
“Kotarou e o samurai”
Outra premissa que reveste bastante interesse, passa por duas das personagens principais, a saber, o samurai sem nome e o seu oponente Luo Lang, serem na realidade ocidentais. O samurai, que desconhece o seu passado, pinta de negro, o seu cabelo de cor natural ruiva, de forma a não chamar as atenções de terceiros para si. Por outra via, Luo Lang é na realidade um gigante de aparência germânica, louro e com olhos azuis, aspecto que contribui ainda mais para o medo que causa, e que faz com que os autóctones o chamem sugestivamente de “demónio”. Poderá aqui estar implícita a abertura da sociedade asiática ao imperialismo ocidental, aspecto que efectivamente sucedeu à altura? Ou será apenas uma maneira inocente de enriquecer a trama, ou torná-la mais original?
Os heróis da história provocam uma empatia quase imediata com o espectador, embora se reconheça que os conceitos subjacentes não são tão originais quanto isso. Temos um guerreiro samurai, que é perseguido por fantasmas do passado, revelando-se o mesmo obscuro em grande parte da sua vida. Por um acaso, este cruza-se com um jovem rapaz irrequieto, que possui uma missão determinante, que nem mesmo o próprio tem a real noção da importância e do tenebroso que se esconde por detrás da demanda. Resta o sempre simpático e corajoso animal, o cão “Tobimaru” que personifica a lealdade máxima para com os seus amigos.
Com uma dinâmica extremamente apreciável, “Sword of the Stranger” configura-se como um filme obrigatório para todos aqueles que amam o “chambara”, e que ainda o valorizam mais quando o mesmo é transposto para a animação. Possui momentos de acção de tirar a respiração, personagens emblemáticas e um enquadramento histórico apelativo. A animação poderá não ser o top, mas com certeza não irá defraudar, nem causar desilusões de relevo. Tem as potencialidades todas para ser um filme de massas, sem estar dotado de redundância ou superficialidade. Tendo sido uma agradável surpresa, resta-me recomendar vivamente este “Sword of the Stranger”, mais um bom produto do “anime” japonês.
“O samurai e Tobimaru miram o reduto dos guerreiros Ming”
7.8 em 10 (1.345 votos) em 07/06/2010
Outras críticas em português:
Avaliação:
Entretenimento – 9
Animação – 8
Argumento – 7
Banda-sonora – 8
Emotividade – 9
Mérito artístico – 8
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8
Classificação final: 8,14
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
12:22 p.m.
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Etiquetas: Anime, Japão, Masahiro Ando
sábado, junho 05, 2010
Beldades da Cultura Asiática - Beni Arashiro
Publicada por
Jorge Soares Aka Shinobi
à(s)
7:15 p.m.
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Etiquetas: Beldades da cultura asiática, Beni Arashiro















