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domingo, janeiro 06, 2008

After This Our Exile/Fu Zi - 父子 (2006)

Origem: Hong Kong

Duração: 120 minutos

Realizador: Patrick Tam

Com: Aaron Kwok, Charlie Yeung, Goum Ian Iskandar, Kelly Lin, Valen Hsu, Qin Hailu, Tsui Tin Yau, Faith Yeung, Qin Hao, Lester Chan, Lan Hsin Mei, Allen Lin, Wang Yi Xuan, Xu Liwen

"Shing e alguns dos seus vícios"

Estória

“Shing” (Aaron Kwok) é um homem irresponsável, não se apercebendo que a sua família se está a desmoronar. A companheira “Lin” (Charlie Yeung) pensa seriamente em deixá-lo e só não o fez anteriormente devido ao filho de ambos, o jovem “Lok Yuen” (Goum Ian Iskandar).

Certo dia, farta de ser humilhada em público e de pagar as dívidas de “Shing” provenientes do jogo, “Lin” abandona o seio familiar e deixa “Lok Yuen” à mercê do pai. Após uma fase embrenhada na frustração do abandono, em que “Shing” tenta localizar “Lin” de forma a trazê-la para casa, o homem terá de levar a vida em diante e a do seu filho.

"Lin"

As coisas não correm bem, “Shing” perde o emprego e tem perigosos usurários no seu encalço. Sem dinheiro nenhum, “Shing” começa a assaltar residências fazendo uso do seu jovem filho, numa jornada final para a decadência.

"Shing transmite ensinamentos sobre a arte de furtar ao seu filho Lok Yuen"

"Review"

Constituindo o aguardado regresso de Patrick Tam à realização, após um interregno de 17 anos desde “My Heart Is That Eternal Rose”, “After This Our Exile” foi o grande vencedor de dois dos mais importantes festivais de cinema asiático, os “Golden Horse Awards – 2006”, e os “Hong Kong Film Awards - 2007”, tendo levado para casa em ambos os certames variados prémios, entre os quais o galardão para melhor filme. Estamos pois a falar de uma película aclamada, e que fez um certo furor no panorama cinematográfico asiático, tendo inclusive deambulado um pouco pela Europa, fazendo parte da selecção oficial do “Festival Internacional de Cinema de Roma (2006) ”.

“Fu Zi”, o título dado na língua autóctone desta longa-metragem, significa literalmente “Pai e Filho” e como a tradução indica, visa expor a estória de um relacionamento conturbado entre um homem e o seu rebento que desemboca, por circunstâncias adversas, numa aproximação. Ao visionar este filme, não pude deixar de me lembrar de “Adeus, Pai”, uma obra nacional que em 1996 me impressionou bastante pela positiva. Ambas as películas têm em comum o já atrás mencionado, ou seja, a tal aproximação entre pai e filho devido a um evento trágico. No entanto, as semelhanças acabam aí, pois o desenvolvimento do tema é bastante diverso num e noutro filme, fazendo com que a obra de Luís Filipe Rocha seja tocante do ponto de vista suave, e esta de uma perspectiva mais nua e crua, em função dos caminhos que percorre.

O que de melhor “After This Our Exile” possui é sem dúvida as interpretações dos actores, mormente de Aaron Kwok e do pequeno Goum Ian Iskandar, que dão a vida a pai e filho, respectivamente. A idade e subsequente maturidade estão a fazer maravilhas a Kwok. O actor no início da sua carreira, praticamente só representava papéis de “menino bonito”, com pouca ou nenhuma substância. Aqui, é demonstrado que Kwok tem capacidades para muito mais, oferecendo-nos um registo impecável e praticamente sem defeitos de maior que se apontem. “Shing”, interpretado pela estrela de Hong Kong, é um indivíduo palpável. O que é que isto quer dizer? Significa que é real, e que podemos identificar o estado de degradação pessoal de “Shing”, com situações que presenciamos ocasionalmente. Pessoalmente, o conluio na pequena criminalidade interpretado por “Shing” e pelo seu filho, fez-me lembrar os chamados “meninos das caixinhas” daqui da Madeira, crianças pobres provenientes de famílias que vivem em extrema pobreza, e que se dedicam à mendicidade e delinquência. Com certeza que a esmagadora maioria de vós, terá exemplos parecidos nas vossas terras, de uma forma ou de outra. Por falar em crianças, fiquei igualmente bastante impressionado com o desempenho do jovem actor Goum Ian Iskandar, que lhe valeu dois prémios para melhor actor secundário, tanto nos “Golden Horse Awards”, como nos “Hong Kong Awards”. Ao observarmos a “performance” de Iskandar, sentimos a injustiça com que se deparam muitas crianças neste mundo, por culpa da loucura e má-formação dos adultos. Charlie Yeung, uma actriz pela qual nutro especial predilecção, não brilha tanto como os seus pares, essencialmente devido a uma questão de minutos. A sua sensualidade e capacidades interpretativas continuam de boa saúde, e sempre que aparece, o filme só ganha com isso.

"Shing e Lok Yuen num raro momento de ternura"

“After This Our Exile” é acima de tudo um filme impregnado de humanidade. Foca os dissabores de uma família pobre e pouco convencional, tendo por pano de fundo a vivência dos chineses na Malásia. Igualmente destaca-se por ter cenas mais “quentes” do que é normal num filme proveniente de Hong Kong, tanto a nível físico, como de linguagem. O realizador Patrick Tam consegue regressar em grande, obtendo igualmente o reconhecimento a título individual, vencendo o prémio para melhor realizador nos “Hong Kong Film Awards” (derrotando “monstros” como Johnny To ou Zhang Yimou), embora não tenha conseguido o feito nos “Golden Horse” (Peter Chan ganharia com “Perhaps Love”).

Se defeito de maior pode ser assacado a esta película estará provavelmente relacionado com a versão aqui analisada, que é a de 120 minutos. Algumas partes do filme, que reputo de importantes (essencialmente a relação que “Shing” mantém com a prostituta “Fong”, interpretada por Kelly Lin), porventura careciam de um maior desenvolvimento argumentativo. No entanto, tal poderá ser eventualmente remediado com o “director’s cut” (que não vi), cuja duração ronda os 160 minutos.

Não é um clássico, mas não deixa de ser um filme com qualidade, a que se aconselha o visionamento!

"As poucas brincadeiras de uma criança"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Anotações de um cinéfilo

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





segunda-feira, setembro 17, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros 4 grandes nomes do cinema asiático, que estão a votações aqui no "My Asian Movies":

Chiaki Kuriyama

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Azumi 2: Amor ou Morte, Battle Royale

Tony Jaa (Panom Yeerum)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ong Bak, o Guerreiro, A Honra do Dragão

Kang Hye-jeong

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Oldboy - Velho Amigo, Ondas Invisíveis

Aaron Kwok

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Anna Magdalena, The Storm Riders



domingo, agosto 19, 2007

The Storm Riders/Fung Wan:Hung ba tin ha - 風雲之雄霸天下 (1998)

Origem: Hong Kong

Duração: 130 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Aaron Kwok, Ekin Cheng, Sonny Chiba, Kristy Yeung, Shu Qi, Michael Tse, Jason Chu, Roy Cheung, Lawrence Cheng, Anthony Wong, Alex Fong, Yu Rong Guang, Dion Lam, Xu Jinglei, Lai Yiu Cheung, Wan Yeung Ming, Tsui Kam Kong, Lee Siu Kei, Ng Chi Hung, Christine Ng

"Cloud"

Estória

O infame “Lord Conqueror” (Sonny Chiba) é o mais poderoso praticante de artes marciais à face da terra, tendo apenas como rival “Sword Saint” (Anthony Wong). Um dia, “Conqueror” expectante quanto ao seu futuro, requisita os serviços de um vidente chamado “Mud Buddha” (Lai Yiu Cheung). Este profetiza que se “Conqueror” tomar como seus discípulos duas crianças chamadas “Wind” e “Cloud” terá dez anos de felicidade e sorte. “Mud Buddha” reserva-se ao direito de decorrido este tempo, falar do resto do destino de “Conqueror”.

“Conqueror” assassina os pais de “Wind” e “Cloud” sem estes saberem o autor dos crimes, e toma-os como os dois discípulos mais próximos.

Passados dez anos, “Wind” (Ekin Cheng) e “Cloud” (Aaron Kwok) transformaram-se nos dois guerreiros mais poderosos do clã, sendo apenas suplantados pelo próprio “Conqueror”. Este encontra-se furioso pelo desaparecimento de “Mud Buddha” e após algumas peripécias, acaba por encontrá-lo. O resto da profecia é então revelado. Pelos vistos, a boa fortuna de “Conqueror” irá acabar, pois “Wind” e “Cloud” unir-se-ão numa rebelião contra o seu mestre, destruindo-o.

"Wind"

Apercebendo-se da ameaça que impende sobre si, “Conqueror” usa a sua filha “Charity” (Kristy Yeung) para causar a desunião entre os dois guerreiros. Ambos amam a filha do mestre, mas “Conqueror” dá a sua filha em casamento a “Wind”. No dia da boda, “Cloud” não se deixa ficar, e combate com “Wind”. “Conqueror” vê uma oportunidade para acabar com os dois, mas mata a sua própria filha por engano.

“Wind” e “Cloud” põem de parte as suas diferenças e juntos empreendem uma jornada de luta e vingança contra “Conqueror”.

"Lord Conqueror"

"Review"

Já antes tinha aqui falado da trilogia não oficial de filmes de fantasia da autoria de Andrew Lau, e a propósito desse aspecto elaborei textos acerca de “The Duel” e “A Man Called Hero”. Chegou pois a altura (com algum atraso admita-se) de dissertar um pouco acerca de “The Storm Riders”, indubitavelmente a melhor película da série.

Antes de tudo é preciso referir que esta longa-metragem é baseada numa “manhua” muito popular em Hong Kong, chamada “Fung Wan” (literalmente “Wind and Cloud”), da autoria de Ma Wing Shing. Tratando-se literalmente de uma fantasia de artes marciais, em que os intervenientes não se limitam apenas a possuir habilidades fora do normal no manejo da espada ou nos saltos que desafiam a gravidade, estamos perante uma estória com contornos ainda mais mitológicos em que as personagens voam e conseguem controlar alguns elementos da natureza e usa-los a seu favor. Falamos pois de uma película na linha de “Guerreiros da Montanha”, de Tsui Hark.

Simplesmente, e em comparação com o filme mencionado no fim do parágrafo anterior, estamos perante uma película muito melhor em praticamente todos os aspectos relevantes. Quanto a mim, “The Storm Riders” é o mais portentoso filme de fantasia de artes marciais jamais feito. É uma opinião, e vale o que vale!

"Frost em combate"

Quando “The Storm Riders” viu a luz do dia, o sucesso foi imediato, tendo arrebatado nada mais, nada menos que 11 prémios na 18ª edição dos “Hong Kong Film Awards”, incluindo o de melhor actor (Sonny Chiba) e de melhor filme. Os efeitos especiais são francamente bons, nada tendo a ver com os efeitos medíocres que eram usados anteriormente nas fantasias que envolviam artes marciais. O uso extremo de CGI (Computer Generated Images – Imagens Geradas por Computador) é extremo, mas muito bem cuidado, fazendo em certas alturas com que os nossos olhos quase que saltem das órbitas. Podemos certamente dizer que no que toca a este género específico de filmes, existe a era anterior a “The Storm Riders” e a era “Pós-The Storm Riders”, tal a importância histórica que este filme reveste.

A trama está muito bem articulada. No entanto urge fazer uma chamada de atenção. Esta crítica tem por base a versão original, que erradamente foi apelidada de “Director’s Cut”, com a duração de 130 minutos. A versão internacional, foi extremamente cortada na sala de edição, com cerca de 90 e poucos minutos. Como resultado desta situação, a película ficou adulterada, com bastantes falhas argumentativas, fazendo com que o espectador não entendesse certas situações ou passagens do filme. Pelo exposto, fica desde já o aviso. Visionem a versão original, nunca a versão internacional.

A escolha do elenco foi verdadeiramente feliz. Estamos perante uma autêntica parada de estrelas de Hong Kong, tais como Ekin Cheng, Aaron Kwok, Kristy Yeung, Shu Qi, Anthony Wong, entre muitos outros. Para dar o correcto tempero e funcionando como um importante “quid”, Sonny Chiba, um dos mais consagrados actores japoneses, foi recrutado para o desempenho do vil “Lord Conqueror”, tendo desempenhado competentemente o seu papel (aquela voz é única).

Existe bastante acção, fazendo com que o filme não tenha praticamente momentos parados. É claro que as lutas não serão imbuídas das artes marciais tradicionais, afigurando-se mais como autênticas batalhas mágicas. Isto fará com que os amantes do Kung Fu mais tradicionalista ou “Kung Fu Old School” odeiem o filme com toda a intensidade.

Portanto se você pertence a este segmento, evite “The Storm Riders” a todo o custo. Caso contrário, não poderá absolutamente perder esta jóia do cinema de Hong Kong!

" Wind e Cloud, os dois heróis"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25







sábado, março 10, 2007

Anna Magdalena/Ngon na ma dak lin na (1998)

Origem: Hong Kong

Duração: 98 minutos

Realizador: Chung Man Yee

Com: Takeshi Kaneshiro, Aaron Kwok, Kelly Chen, Leslie Cheung, Anita Yuen, Jacky Cheung, Chun Chung, Josie Ho, Eric Tsang, Wei Wei

"Os três principais protagonistas da esquerda para a direita: Mok Man Yee (Kelly Chen), Yau Muk Yan (Aaron Kwok) e Chan Kar Fu (Takeshi Kaneshiro)"

Estória

O tímido e introspectivo afinador de pianos "Chan Kar Fu" tem uma vida calma e extremamente solitária, até ao dia em que dois eventos acontecem de forma sequencial.

O primeiro dá-se quando "Chan" vai afinar um piano a uma casa onde vive um jovem casal. Ela chora incessantemente, pois tudo indica que o namorado a vai deixar, o que inovidavelmente acaba por suceder.

O pior é que o rapaz, chamado "Yau Muk Yan", "atrela-se" a "Chan" e acaba por ir viver para o apartamento deste, provocando um choque no monótono dia-a-dia do afinador de pianos. Tudo se deve a "Yau" ser o completo oposto de "Chan", ou seja, irresponsável, um escritor desempregado que ainda não escreveu uma linha que fosse, viciado no jogo e um mulherengo de "1ª linha".

"Chan Kar Fu é um rapaz solitário e que dificilmente se apaixona"

O segundo acontecimento passa pela mudança de uma bela rapariga de seu nome "Mok Man Yee" para o andar de cima, que tem uma fixação pelo minueto de Bach "Anna Magdalena", tocando-o incessantemente no seu piano.

Os dois companheiros de apartamento, após um início atribulado com a nova vizinha devido a problemas de ruído, acabam ambos por se apaixonarem pela rapariga, sendo "Yau" o previsível vencedor, e em consequência começar a namorar com "Mok".

Entretanto "Chan" fecha-se no seu casulo, e apesar de não ser escritor, acaba por elaborar um romance pouco convencional, mas com uma mensagem muito significativa.

"A sedutora Mok Man Yee"

"Review"

Em 1998, o realizador Chung Man Yee resolveu juntar três estrelas emergentes de Hong Kong (Takeshi Kaneshiro, Aaron Kwok e a cantora Kelly Chen), com extrema popularidade junto das camadas mais imberbes da actual região administrativa chinesa e dar corpo a um drama urbano, protagonizado por jovens adultos supostamente todos na casa dos vinte e tal anos. Temperou o elenco com actores consagrados tais como o mítico e já falecido Leslie Cheung, Anita Yuen, Eric Tsang e Jacky Cheung, obtendo desta forma um "cast" extremamente forte. O resultado a nível da representação foi bastante bom, embora não extraordinário como sucedeu com outros registos relativos a cada um dos actores individualmente considerados.

O argumento é bastante atractivo para o segmento geracional dos 20-30 anos, no qual me incluo. No fundo o que aqui está em causa, são dois tipos de rapazes, completamente o oposto um do outro e que em função das suas características muito próprias, são bem sucedidos em certos aspectos da sua vida, e noutros uns completos fracassados. O amor constitui o principal aspecto abordado, embora outros sirvam de muleta para expor melhor o cerne da questão, ou seja, a vida em si.

Como já foi referido na sinopse, "Chan" é um rapaz independente, que possui o seu apartamento e um emprego estável. No entanto, a sua vida amorosa é um vazio completo, atendendo à sua grande timidez. Tentam por vezes impingir-lhe raparigas, mas ele invariavelmente despreza-as e fecha-se na sua concha. Um dia, finalmente, quando encontra uma mulher que lhe agrada de sobremaneira, vê-se novamente toldado pela sua timidez e permite ser ultrapassado pelo amigo "Yau".

Falemos agora desta personagem.

"Yau" é o típico irresponsável, "fura-vidas", oportunista e "bon vivant". Não trabalha, mas também não faz nada para mudar esta situação; tem uma fixação por apostas em corridas de cavalos; julga ser um escritor, mas nem uma linha escreveu ainda. Não tem dinheiro nem bens em seu nome, e anda constantemente a mudar de residência, tendo orgulho em carregar os seus poucos pertences numa miserável caixa de cartão.

À primeira vista, "Chan" parece ter uma vida bem melhor do que a do seu companheiro de apartamento, mas isso não é bem assim, pois "Yau" tem um charme e uma alegria de viver irresistível, fazendo com que a sua vida amorosa seja bastante preenchida, sendo irresistível para as mulheres. precisamente o grande vazio da vida de "Chan". Podemos, com alguma certeza afirmar que o que um tem, o outro não possui e vice-versa. A amizade entre ambos acaba por resultar, e cada um tenta suprir as lacunas do outro como pode e observados certos limites.

"Mok", a rapariga, acaba por ser um catalisador que desperta as latentes fragilidades de "Chan" e "Yau".

"Chan Kar Fu está constantemente a livrar Yau Muk Yan de problemas"

A maneira como a estória nos é narrada é interessante. O filme é dividido em quatro partes, que o realizador faz questão em fazer perceber ao espectador a sua concreta divisão. Os três primeiros capítulos incidem sobre o relacionamento entre os dois rapazes e entre estes e a rapariga. A quarta apanha-nos de surpresa, à semelhança de um murro bem apontado ao nariz que nos atordoa completamente. Ela refere-se ao conto surrealista escrito por "Chan", que pretende acima de tudo explanar o amor que este sente por "Mok" e que em tempo algum foi capaz de declarar. Neste segmento do filme, entramos num mundo completamente à parte. É como se estivéssemos a visionar uma película completamente diferente.

A fotografia do filme é espectacular, principalmente as partes mais rurais, que beneficiaram largamente do facto de bastantas cenas terem sido rodadas no Vietname, usufruindo das maravilhosas paisagens naturais deste país. A intervenção de Peter Pau (The Bride With White Hair, Tigre e o Dragão e The Promise) não é nada alheia a este facto em especial.

Verdadeiramente negativo é o fraco desenvolvimento do epílogo do filme, em que os aspectos marginais à estória de ficção elaborada por "Chan", são levados praticamente a "correr". Por outras palavras, entramos no tal mundo à parte da estória escrita pelo tímido personagem, e quando finalmente voltamos à realidade do enredo principal, o mesmo é despachado às "três pancadas". Tal aspecto mereccia sem dúvida um melhor tratamento.

No mínimo curiosa, mas ao mesmo tempo significativa, foi a alusão final desta longa-metragem e que se reporta directamente à mundialmente conhecida obra do escritor Charles Dickens "A Tale of Two Cities" (Um conto de duas cidades). Não parafraseando, sempre se poderá dizer que no fundo tenta-se expressar uma perspectiva realista e porventura pessimista dos relacionamentos amorosos, no sentido de uns encontrarem por sorte ou por mérito aquela pessoa amada; os restantes invariavelmente deambulam por uma estrada sem retorno.

Filme interessante, mas que não obterá consensos.

"A certa altura o surrealismo marca a sua presença"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38