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quarta-feira, novembro 12, 2008

Tempestade Púrpura/Purple Storm/Zi yu feng bao - 紫雨風暴 (1999)
Origem: Hong Kong
Duração: 100 minutos
Realizador: Teddy Chan
Com: Daniel Wu, Kam Kwok Leung, Emil Chow, Joan Chen, Josie Ho, Patrick Tam, Theresa Lee, Michael Tong, Moses Chan, Alan Moo, Cordelia Choy, Mike Cassey, Liu Xu Hao, Tony Trimble, Brian Banowetz
"Todd Nguyen"

Sinopse

“Soong” (Kam Kwok Leung) é um conhecido terrorista pertencente aos Khmers Vermelhos. Inconformado com a queda e morte do seu líder Pol Pot, chefia um grupo cujo objectivo é restaurar o regime no Camboja, e que ao longo dos anos, tem sido responsável por inúmeros atentados um pouco por todo o mundo. Em 1998, uma oportunidade de ouro surge com a aquisição de um produto químico que espalhado na atmosfera, provocará uma precipitação que matará milhões de pessoas no sudeste asiático, dando a hipótese do ressurgimento de uma nova era para os Khmers Vermelhos na sua terra-natal. A base para lançar o ataque será Hong Kong.

"Todd frente-a-frente com o pai, o terrorista Soong"

Após um violento tiroteio, “Todd Nguyen” (Daniel Wu), o filho de “Soong”, fica amnésico e é capturado pela brigada anti-terrorista liderada pelo inspector “Ma Li” (Emil Chow). Vendo aqui uma oportunidade para ter um agente infiltrado, e ajudado pela psiquiatra “Shirley Kwan” (Joan Chen), “Ma Li” convence “Todd” a ajudar a polícia na frustração do atentado e na captura de “Soong”.

Convencido que é um agente anti-terrorista, “Todd” aceita fazer parte do plano. Acontece que aos poucos, a memória começa a retornar e o jovem ver-se-á na contingência de ter de optar entre os seus antigos companheiros Khmers e a possibilidade de fazer o que é certo e começar uma nova vida.

"Soong e Guan Ai em acção"

"Review"

Com um orçamento na ordem dos 4 milhões de dólares, e claramente encomendado para um mercado internacional, “Tempestade Púrpura” foi um profuso vencedor nos “Golden Horse Awards” - edição de 1999, e nos “Hong Kong Film Awards” de 2000, tendo inclusive recebido o patrocínio da Disney (imagine-se!!!) para uma edição no ocidente.

“Tempestade Púrpura” é um filme de acção, mas a sua amplitude vai um pouco mais além do que um conceito que à partida pode parecer redutor. Foca-se essencialmente na história de um jovem que viveu uma vida influenciado pelo pai, em busca de um ideal nefasto, mas a quem é dada uma nova oportunidade de vida para se redimir. Aliás, a acção embora bastante presente na película, peca por vezes por alguma falta de realismo e um ou outro efeito especial de trazer por casa. Contudo, é garantido que existirão momentos de tirar a respiração, com encadeamentos bem conseguidos. Levando esta premissa em linha de consideração, é necessário ter presente que é claramente o explanar da história de “Todd” a marcar pontos significantes, e constitui a principal razão para o visionamento deste filme. Teddy Chan concebe com competência a filmagem da história de um homem com as lealdades divididas, em que apesar de não restarem muitas dúvidas (do ponto de vista ético) acerca do lado que “Todd” deve de escolher, sempre existirão razões de monta para ficarmos a nos questionar o que faríamos se estivéssemos naquela situação em concreto. Um pai, uma esposa, uma ideologia com a qual crescemos...não é fácil pôr para trás das costas todos estes factores e esta longa-metragem aposta muito na tomada de posição do espectador.

"Todd é analisado pela psiquiatra Shirley Kwan"

A película não se desliga dos aspectos históricos, e através de simplísticas analepses, exteriorizadas quase sempre pelos olhos de “Todd” enquanto criança, podemos observar um pouco o que era o terror do regime Khmer de Pol Pot, consubstanciado numa “democracia” com uma componente de colectivização agrária bastante forte. “Todd” cresce no meio de uma sociedade com um cunho ideológico bastante premente e sob a violência de um regime atroz e sanguinário, explanado em actos desumanos, nos quais é bastante ilustrativa a cena em que “Soong” assassina uns monges budistas que oravam pela paz nos campos cambojanos. Fazendo um aparte cinematográfico que reputo de importante, é minha convicção que nunca nenhum filme abordou a situação do Camboja com tanto sentimento e ao mesmo tempo realismo, como “The Killing Fields”, a poderosa obra de Roland Joffé. Fica aqui a sugestão!

Outro dos pontos positivos em “Tempestade Púrpura” passará pela competente interpretação de Daniel Wu, um actor que desconfiei bastante a princípio devido à faceta de “menino bonito”, mas que após o visionamento de alguns filmes tais como “Beijing Rocks” ou “One Nite in Mongkok”, conseguiu convencer-me das suas capacidades representativas. O restante elenco acompanha-o bem, com Kam Kwok Leung a desempenhar um vilão credível, Emil Chow o típico polícia esforçado, a estrela Joan Chen, que após um longo êxodo em Hollywood, desempenha uma papel mediano mas convincente. Acima de tudo, quem brilha mais ao lado de Daniel Wu, é Josie Ho no papel da terrorista cambojana “Guan Ai”, que se assume como a figura trágica do filme e verdadeiramente tem o condão de fazer com que odiemos os Khmers Vermelhos e as suas “lavagens cerebrais” com todas as forças do mundo. Permitam-me o aparte, mas pessoalmente não morro mesmo nada de amores pelos seguidores de Pol Pot, tanto a nível ideológico, como ainda mais pela sua “genocida” forma de actuação.

Com uma banda-sonora envolvente e marcante, “Tempestade Púrpura” é uma boa proposta da cinematografia de Hong Kong, embora um pouco pretenciosa. Apesar de ser um típico “blockbuster” asiático, possui uma válida faceta de “thriller” político, tem acção e efeitos especiais a rodos que satisfará o fã menos exigente a nível de valia técnica e um espectro psico-sociológico que não deixará o espectador defraudado. Acima de tudo o seu ponto forte estará centrado na interessante exploração da personagem interpretada por Daniel Wu, e pelo eterno dilema da escolha entre fazer o que é correcto, mesmo prescindindo do que é mais significativo para nós.

A ver!

"A polícia observa um atentado do grupo dos Khmers Vermelhos"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M" - 7

Classificação final: 7,63





terça-feira, fevereiro 26, 2008

My Heart Is That Eternal Rose/Sa shou hu die meng (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 91 minutos

Realizador: Patrick Tam

Com: Kenny Bee, Joey Wong, Tony Leung Chiu Wai, Michael Chan, Ng Man Tat, Gordon Liu, Kwan Hoi San, Cheung Tat Ming

"Ricky Ma"

Estória

“Ricky Ma” é um jovem boémio que se encontra apaixonado por “Lap” (Joey Wong). No entanto, quando assassina um polícia, devido a um negócio mal sucedido, vê-se obrigado a fugir para as Filipinas, levando a promessa que “Lap” posteriormente iria ter com ele. No entanto, a rapariga nunca chega a se reunir a “Ricky”, pois torna-se amante de “Sheng” (Michael Chan), um poderoso chefe de uma tríade, em ordem a salvar o seu pai.

"Ricky tenta proteger Lap"

Seis anos depois, “Ricky” é um assassino profissional que retorna a Hong Kong, tendo em vista executar um trabalho. Acidentalmente, acaba por encontrar “Lap”, e o amor reacende-se. O problema é que “Sheng” não permitirá de ânimo leve que “Ricky” roube a sua amante. O casal, ajudado por “Cheung” (Tony Leung Chiu Wai), tenta fugir. No entanto, os seus intentos não são bem sucedidos e tudo degenera numa orgia de sangue e violência.

"Cheung mal tratado"

"Review"

Os filmes de “tríades” de Hong Kong, sempre foram um dos pratos fortes do cinema daquelas paragens, tendo atingido o seu auge com os grandes filmes de John Woo, mormente “A Better Tomorrow”, “Hard Boiled” e “The Killer”. Na sequência destes grandes sucessos do mítico Woo, o género tornou-se extremamente popular, e vários realizadores enveredaram por tentativas no segmento, umas bem sucedidas, outras nem por isso.

“My Love Is That Eternal Rose” é uma dessas várias longas-metragens que nasceu da grande popularidade do género, e embora por vezes sejam conseguidos resultados quase espectaculares, o filme ficou muito aquém das minhas expectativas. Essa é que é a verdade!

A película possui todas as características que definem de certa forma o estilo onde se insere. Estamos a falar de uma cruzada romântica e heróica, entre dois amantes desencontrados, que redunda num banho de sangue e violência (como referi textualmente na sinopse). Afinal as tríades não deixam de ser das organizações do submundo mais temidas no planeta, e quando alguém tenta “meter a mão” na amante do chefe, a coisa vai dar para o torto de certeza!

O argumento é extremamente forçado, com situações pouco credíveis e que apenas servem de motivo para uma saraivada de balas, ou para Joey Wong destilar sensualidade por todo o ecrã (não é que me importe com isto, muito pelo contrário!). Verdadeiramente inacreditável é como “Ricky” e “Lap” se reencontram em Hong Kong. Quais as probabilidades de numa região com 7 milhões de habitantes, e com uma das maiores densidades populacionais do mundo (cerca de 6350 pessoas/km2), “Ricky” ir a fugir de uns homens que o querem matar e quase ser atropelado por “Lap”? Passemos por cima disto, o reencontro sucedeu-se, o problema está resolvido, e ala que o caminho é para a frente!

"Lap rodeada dos membros da tríade de Chan"

As cenas de acção, embora não sejam em tão grande número quanto se possa imaginar, são marcadas por uma loucura desenfreada. Para aqueles que conhecem as obras da época de John Woo e afins, reconhecerão logo as armas cujas balas parecem nunca acabar, as acrobacias e as cenas bastante rápidas no meio de um tiroteio infernal, o sangue a jorros, os planos pausados ou em câmara lenta. Tudo isto acompanhado de um pendor épico, por vezes bem sucedido, outras nem por isso. No entanto, “My Heart Is That Eternal Rose”, à semelhança de outros filmes, só vem dar razão aqueles que, à minha semelhança, defendem que quando toca a libertar o inferno na terra, os filmes de tríades de Hong Kong são inimitáveis.

Outro aspecto extremamente marcante na película é a “piroseira”, ou melhor dizendo, a aura de “novela mexicana” (para o cidadão “comum” entender melhor) que imbui a película. Músicas excessivamente dramáticas, por vezes com um som algo duvidoso (a edição da Mei Hah, embora remasterizada, não deverá ser alheia ao facto), aliadas a uma interpretação com alguns altos e baixos, levam a esta conclusão. Mesmo assim, é sempre um prazer ver Joey Wong a derramar lágrimas por tudo e por nada, ou o grande Tony Leung Chiu Wai a sujeitar-se a umas interpretações menos conseguidas (embora aceitáveis). Uma nota de curiosidade para os fãs do denominado “kung-fu old school”. Gordon Liu faz o papel de um dos vilões do filme. Poderá ser uma oportunidade para verem uma das maiores lendas das artes marciais, representar uma personagem distinta das que o fizeram brilhar na constelação de actores de Hong Kong.

Uma derradeira palavra para o trabalho positivo de fotografia efectuado pelo grande e sobejamente conhecido, Mr. Christopher Doyle. Planos de sonho, que adquirem mais valor numa altura do cinema de Hong Kong, onde não abundavam os recursos materiais e eram realizados filmes a rodo e a metro, muitas vezes com ausência de critérios qualitativos.

Com um título que invoca o mais puro romantismo (a expressão sempre servirá para fazermos figuras tristes perante alguma rapariga...), “My Heart Is That Eternal Rose”, é uma película algo infantil no geral, mas com momentos que salvam a honra do convento e que puxam o sentimento. Para aqueles que apreciam os filmes de “gangsters” de Hong Kong, aliados a um espírito apaixonado forçado, será uma boa proposta. Para os restantes, um mero satisfazer de curiosidade. Nada mais.

Nota final: É curioso como este filme, no preciso momento, tem no IMDb uma nota média elevadíssima de 7.9 (embora apenas num universo de 71 votos). Enigmático...

"Uma despedida sentida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





domingo, janeiro 06, 2008

After This Our Exile/Fu Zi - 父子 (2006)

Origem: Hong Kong

Duração: 120 minutos

Realizador: Patrick Tam

Com: Aaron Kwok, Charlie Yeung, Goum Ian Iskandar, Kelly Lin, Valen Hsu, Qin Hailu, Tsui Tin Yau, Faith Yeung, Qin Hao, Lester Chan, Lan Hsin Mei, Allen Lin, Wang Yi Xuan, Xu Liwen

"Shing e alguns dos seus vícios"

Estória

“Shing” (Aaron Kwok) é um homem irresponsável, não se apercebendo que a sua família se está a desmoronar. A companheira “Lin” (Charlie Yeung) pensa seriamente em deixá-lo e só não o fez anteriormente devido ao filho de ambos, o jovem “Lok Yuen” (Goum Ian Iskandar).

Certo dia, farta de ser humilhada em público e de pagar as dívidas de “Shing” provenientes do jogo, “Lin” abandona o seio familiar e deixa “Lok Yuen” à mercê do pai. Após uma fase embrenhada na frustração do abandono, em que “Shing” tenta localizar “Lin” de forma a trazê-la para casa, o homem terá de levar a vida em diante e a do seu filho.

"Lin"

As coisas não correm bem, “Shing” perde o emprego e tem perigosos usurários no seu encalço. Sem dinheiro nenhum, “Shing” começa a assaltar residências fazendo uso do seu jovem filho, numa jornada final para a decadência.

"Shing transmite ensinamentos sobre a arte de furtar ao seu filho Lok Yuen"

"Review"

Constituindo o aguardado regresso de Patrick Tam à realização, após um interregno de 17 anos desde “My Heart Is That Eternal Rose”, “After This Our Exile” foi o grande vencedor de dois dos mais importantes festivais de cinema asiático, os “Golden Horse Awards – 2006”, e os “Hong Kong Film Awards - 2007”, tendo levado para casa em ambos os certames variados prémios, entre os quais o galardão para melhor filme. Estamos pois a falar de uma película aclamada, e que fez um certo furor no panorama cinematográfico asiático, tendo inclusive deambulado um pouco pela Europa, fazendo parte da selecção oficial do “Festival Internacional de Cinema de Roma (2006) ”.

“Fu Zi”, o título dado na língua autóctone desta longa-metragem, significa literalmente “Pai e Filho” e como a tradução indica, visa expor a estória de um relacionamento conturbado entre um homem e o seu rebento que desemboca, por circunstâncias adversas, numa aproximação. Ao visionar este filme, não pude deixar de me lembrar de “Adeus, Pai”, uma obra nacional que em 1996 me impressionou bastante pela positiva. Ambas as películas têm em comum o já atrás mencionado, ou seja, a tal aproximação entre pai e filho devido a um evento trágico. No entanto, as semelhanças acabam aí, pois o desenvolvimento do tema é bastante diverso num e noutro filme, fazendo com que a obra de Luís Filipe Rocha seja tocante do ponto de vista suave, e esta de uma perspectiva mais nua e crua, em função dos caminhos que percorre.

O que de melhor “After This Our Exile” possui é sem dúvida as interpretações dos actores, mormente de Aaron Kwok e do pequeno Goum Ian Iskandar, que dão a vida a pai e filho, respectivamente. A idade e subsequente maturidade estão a fazer maravilhas a Kwok. O actor no início da sua carreira, praticamente só representava papéis de “menino bonito”, com pouca ou nenhuma substância. Aqui, é demonstrado que Kwok tem capacidades para muito mais, oferecendo-nos um registo impecável e praticamente sem defeitos de maior que se apontem. “Shing”, interpretado pela estrela de Hong Kong, é um indivíduo palpável. O que é que isto quer dizer? Significa que é real, e que podemos identificar o estado de degradação pessoal de “Shing”, com situações que presenciamos ocasionalmente. Pessoalmente, o conluio na pequena criminalidade interpretado por “Shing” e pelo seu filho, fez-me lembrar os chamados “meninos das caixinhas” daqui da Madeira, crianças pobres provenientes de famílias que vivem em extrema pobreza, e que se dedicam à mendicidade e delinquência. Com certeza que a esmagadora maioria de vós, terá exemplos parecidos nas vossas terras, de uma forma ou de outra. Por falar em crianças, fiquei igualmente bastante impressionado com o desempenho do jovem actor Goum Ian Iskandar, que lhe valeu dois prémios para melhor actor secundário, tanto nos “Golden Horse Awards”, como nos “Hong Kong Awards”. Ao observarmos a “performance” de Iskandar, sentimos a injustiça com que se deparam muitas crianças neste mundo, por culpa da loucura e má-formação dos adultos. Charlie Yeung, uma actriz pela qual nutro especial predilecção, não brilha tanto como os seus pares, essencialmente devido a uma questão de minutos. A sua sensualidade e capacidades interpretativas continuam de boa saúde, e sempre que aparece, o filme só ganha com isso.

"Shing e Lok Yuen num raro momento de ternura"

“After This Our Exile” é acima de tudo um filme impregnado de humanidade. Foca os dissabores de uma família pobre e pouco convencional, tendo por pano de fundo a vivência dos chineses na Malásia. Igualmente destaca-se por ter cenas mais “quentes” do que é normal num filme proveniente de Hong Kong, tanto a nível físico, como de linguagem. O realizador Patrick Tam consegue regressar em grande, obtendo igualmente o reconhecimento a título individual, vencendo o prémio para melhor realizador nos “Hong Kong Film Awards” (derrotando “monstros” como Johnny To ou Zhang Yimou), embora não tenha conseguido o feito nos “Golden Horse” (Peter Chan ganharia com “Perhaps Love”).

Se defeito de maior pode ser assacado a esta película estará provavelmente relacionado com a versão aqui analisada, que é a de 120 minutos. Algumas partes do filme, que reputo de importantes (essencialmente a relação que “Shing” mantém com a prostituta “Fong”, interpretada por Kelly Lin), porventura careciam de um maior desenvolvimento argumentativo. No entanto, tal poderá ser eventualmente remediado com o “director’s cut” (que não vi), cuja duração ronda os 160 minutos.

Não é um clássico, mas não deixa de ser um filme com qualidade, a que se aconselha o visionamento!

"As poucas brincadeiras de uma criança"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Anotações de um cinéfilo

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





domingo, dezembro 31, 2006

O Mito/The Myth/San wa (2005)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 117 minutos

Realizador: Stanley Tong

Com: Jackie Chan, Kim Hee-sun, Tony Leung Ka Fai, Mallika Sherawat, Yu Rong-guang, Choi Min-su, Patrick Tam, Ken Wong, Sun Zhou, Shao Bing, Jin Song, Ken Lo, Hayama Hiro

"O intrépido arqueólogo Jack"

Estória

O general "Meng Yi" (Jackie Chan) é incumbido pelo imperador Qin de receber nas fronteiras do reino a princesa coreana "Ok-soo" (Kim Hee-sun), futura concubina do monarca. O casamento não é bem visto por certas facções dos coreanos, e em virtude deste facto, o general "Choi", antigo noivo de "Ok-soo", ataca a caravana da princesa e o exército comandado pelo general "Meng Yi".

No meio da refrega, o general "Meng Yi" e "Ok-soo" são separados do exército de Qin e encetam uma viagem sozinhos até à cidade imperial. Um sentimento bastante grande começa a desenvolver-se entre os dois o que leva à inevitável paixão.

"A bela princesa Ok-soo"

Nisto somos levados ao presente, onde conhecemos "Jack Lee" (interpretado igualmente por Jackie Chan), um corajoso e bondoso arqueólogo que vive atormentado com uns estranhos sonhos, onde é um general do reino de Qin que se encontra apaixonado por uma das princesas do reino, estando constantemente dividido entre os seus sentimentos e a lealdade para com o imperador.

"Jack", a pedido de "William" (Toni Leung Ka Fai) parte com este para Dasar na Índia, tendo em vista investigar certas partículas de meteorito que desafiam as leis da gravidade, fazendo levitar tanto objectos, como pessoas. O arqueólogo acidentalmente desemboca no início de uma jornada fantástica, que explicará a razão de ser dos seus estranhos sonhos e levará à maior descoberta da história da China!

"O valente e honrado general Meng Yi"

"Review"

Foi com extrema desconfiança que parti para o desafio em visionar "O Mito", atendendo a que não sou nada fã de Jackie Chan, desgostando inevitavelmente de todos os trabalhos do actor. Esclareço desde já que esta asserção não se trata de nenhum ataque pessoal a Chan, nem ao seu trabalho, que é manifestamente incontornável no panorama do cinema asiático. Simplesmente parte do meu próprio gosto cinematográfico, normalmente avesso a comédias, ou a cenas de luta que redondam em extremas palhaçadas, embora com aspectos imaginativos. No entanto, o "trailer" despontou-me a atenção, e o facto de o filme ter Tony Leung Ka Fai e Kim Hee-sun (actores por quem nutro simpatia) como os protagonistas remanescentes, fizeram-me correr o risco de eventualmente dar a nota mais baixa de sempre e fazer a crítica mais malévola do "My Asian Movies".

A verdade é que apanhei uma desilusão pela positiva, se é que tal é possível, e já não pude destronar "Dragon Chronicles..." como a película menos cotada do "blog". "O Mito" é uma agradável surpresa, e constitui ao mesmo tempo o melhor filme que tive a oportunidade de ver com Jackie Chan, superando inclusive a "mítica" saga de "The Legend of the Drunken Master" (fãs dos filmes de "Kung-fu" não me enforquem na praça pública!!!).

Comecemos pelo início.

"O mito" são duas estórias que correm em paralelo. Uma no tempo da dinastia "Qin", que era a parte que eu tinha quase a certeza ser do meu agrado; outra em 2005, aquela que em princípio iria irritar-me e começar a revelar o mau feitio e a intolerância na escrita. Os "flashbacks" são inevitáveis, como é óbvio, mas bem enquadrados, fazendo com que o espectador mantenha-se sempre a par do enredo e não degenere em confusões medíocres. O resultado é uma película que resulta num misto de épico de índole oriental e uma espécie de "Indiana Jones".

"Os apaixonados Meng Yi e Ok-soo"

Uma das coisas que agradou-me de sobremaneira em "O Mito" foi a faceta aventureira que o mesmo comporta, e que nos leva a conhecer diferentes culturas asiáticas, redundando num saudável ecletismo. O desenrolar da acção beneficia imenso com este aspecto, e saúda-se a visão de Jackie Chan e Stanley Tong em dar vida a uma película que nos possibilita apreciar uma falange de actores chineses a trabalhar com os seus pares coreanos e indianos. E o que torna este aspecto ainda mais interessante é o facto de a ciência histórica de cada um dos países de onde proveêm os actores, estar lá, e não serem meros adereços secundários.

Jackie Chan tem uma actuação mais séria do que o normal, e que embora não seja nada digna de prémios e aclamações, fez-me pensar que o actor deveria por vezes apostar em papéis mais sérios, de modo a que possamos apanhar de vez em quando uma "lufada de ar fresco". É claro que as cenas de luta com alguma "palhaçada" à mistura acabam por aparecer, mas são ténues e não desfilam tanta comicidade como o habitual em outros filmes de Chan. As lutas passadas no segmento épico do filme são de boa qualidade, destacando-se o papel e o treino dos cavalos como verdadeiras armas e amigos de batalha.

Kim Hee-sun não aparece assim tanto como eu gostaria, mas sempre que o faz irradia um brilho próprio das grandes estrelas, em que muito ajuda a sua ternura e quase inultrapassável beleza, que nem mesmo a igualmente linda Mallika Sherawat consegue ofuscar. O papel de Tony Leung Ka Fai fez-me ficar algo confuso, atendendo a que estou mais habituado a vê-lo no desempenho de personagens mais sérias e trágicas. Passado o choque, e tentando ser o mais objectivo possível, acaba por ser aceitável.

Os efeitos especiais estão verdadeiramente bons, embora com uma ou outra falha mais evidente. No entanto, o belíssimo trabalho que se faz aquando da aproximação do epílogo, faz com que as prévias imperfeições desapareçam da nossa mente. Caramba, aquele túmulo do imperador Qin e o ambiente em redor estão mesmo bons!!!

Não entendo sinceramente muitas das más críticas feitas a "O Mito". A mim afigura-se que se trata de um filme bastante razoável e agradável de se ver, o que ainda terá mais pertinência quando não é um fã de Jackie Chan que está a proferir esta afirmação.

Aconselho vivamente!

"Jack reencontra a princesa Ok-soo no fabuloso túmulo do imperador Qin"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia, Rascunhos, Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8







domingo, julho 02, 2006

The Duel/Kuet chin chi gam ji din (2000)

Origem: Hong Kong

Duração: 106 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Nick Cheung, Vicki Zhao, Ekin Cheng, Andy Lau, Kristy Yeung, Patrick Tam, Elvis Tsui, Tin Sum, Tsui Siu Keung, Jerry Lamb

"Os oponentes Snow (Ekin Cheng) e Yeh Cool Sun (Andy Lau)"

Estória

No mundo das artes marciais, dois espadachins ostentam o título de lutadores sem rival. De um lado temos "Snow" (Ekin Cheng), um poderoso e estóico mestre envolto em mistério, e do outro "Yeh Cool Sun" (Andy Lau), um fenomenal guerreiro, possuidor de um golpe considerado imbatível e cujas origens remontam à família do imperador.

Após vários anos granjeando as suas reputações, "Sun" desafia "Snow" para um duelo, tendo em vista encerrar de uma vez por todas a discussão sobre qual dos dois é o melhor. O desafio está marcado para um local verdadeiramente simbólico e à altura dos concorrentes, o palácio imperial, e toda a China aguarda expectante.

No entanto apenas oito pessoas, excluindo os residentes do palácio imperial, terão o privilégio de assistir ao fabuloso combate. O agente do imperador "Dragon 9" (Nick Cheung), fica encarregue de escolher os eleitos, atribuindo-lhes para o efeito um medalhão feito de ouro.

À medida que o dia do embate aproxima-se, misteriosos homicídios começam a ocorrer, e o agente "Dragon 9" decide investigar por conta própria os crimes, chegando à conclusão que as provas apontam para um dos oponentes e seu amigo pessoal "Snow".

O tempo urge, o duelo está quase a ocorrer e a vida do imperador corre sérios riscos!

"Dragon 9 (Nick Cheung) e a princesa Phoenix (Vicki Zhao)"

"Review"

Apesar de "The Storm Riders", "A Man Called Hero" e este "The Duel" serem filmes completamente independentes a nível de enredo, são muitas vezes apontados como uma trilogia não oficial do realizador Andrew Lau (não confundir com um dis actores principais desta película Andy Lau). Todas estas longas-metragens demonstram um uso intensivo de "CGI", para além de terem em comum o facto de serem fantasias que envolvem artes marciais. Eu próprio adquiri os filmes acima mencionados num bonito "pack" que sugestivamente intitulava-se "The Storm Riders Trilogy".

Comparando muito resumidamente os 3 filmes, temos logo que fazer uma analogia com a data da realização dos mesmos, no sentido de que a qualidade vai decrescendo. "The Storm Riders" (1998) é um filme bastante interessante, apesar de um ou outro defeito mais evidente. "A Man Called Hero" (1999) tem um bom argumento e não só, mas já encontra-se uns furos abaixo de "Stormriders". "The Duel" é claramente o pior dos três.

Os efeitos especiais não são nada demais quando comparado com "Stormriders". Até parece que o que não prestava para os dois anteriores filmes sobrou para este!

O argumento embora não seja mau de todo, também não impressiona por aí além, sendo um misto de acção, romance, mistério e comédia. Só esta última componente resultou minimamente bem, fazendo com que Nick Cheung seja o actor que se salva da mediocridade geral, conseguindo efectivamente proporcionar-nos alguns momentos hilariantes.

"Dragon 9 tem muitas dores de cabeça com as exigências da mimada princesa Phoenix"

As cenas de romance são uma trapalhada geral, embora em certos momentos "Ye Ziqing", a personagem interpretada por Kristy Yeung, consiga me fazer crer acerca da bondade e sinceridade dos seus sentimentos em relação a "Snow". Ekin Cheng prima pela mudez, devendo dizer no máximo umas dez, quinze linhas em todo o filme. Pretendia-se porventura acentuar o mistério em torno da personagem de "Snow", mas o que se obteve efectivamente foi um grande vazio. o ar e personalidade do actor, que reconhecemos ser propício para este tipo de papéis, tem os seus limites e não consegue fazer milagres!

A belíssima Vicki Zhao e Andy Lau, sendo dois actores de nomeada, têm no entanto interpretações sofríveis e nada condizentes com o seu elevado estatuto.

A própria beleza das paisagens e dos cenários, que constituem "regra de ouro" em filmes do género, são invariavelmente preteridas a favor do "CGI", o que se torna verdadeiramente cansativo e irritante.

O duelo que todos ansiamos, e que temos a secreta esperança que salve a película, acaba por revelar-se uma desilusão!

Se mesmo assim pretenderem adquirir "The Duel", aconselho a adquirir no "pack" que aqui já mencionei. Comprar este DVD isolado, só mesmo se estiver a um preço não superior a € 5,00...

Pouco mais do que medíocre!

"Um momento do duelo final, verdadeiramente demonstrativo das incríveis capacidades dos litigantes"




Avaliação:
Entretenimento - 7
Interpretação - 6
Argumento - 6
Banda-sonora - 6
Guarda-roupa e adereços - 7
Emotividade - 6
Mérito artístico - 6
Gosto pessoal do "M.A.M." - 5
Classificação final: 6,38















quarta-feira, maio 03, 2006

Os Guerreiros da Montanha/Zu Warriors/ Shu shan zheng zhuan (2001)

Origem: Hong Kong/China

Duração: 77 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Ekin Cheng, Cecilia Cheung, Louis Koo, Patrick Tam, Kelly Lin, Sammo Hung, Zhang Ziyi, Jacky Wu, Lau Shun

"Dawn medita num belo pano de fundo"

Estória

As montanhas de "Zu" constituem a morada dos deuses cuja principal função consiste em velar pelo equilíbrio do mundo e da civilização, um pouco à semelhança do Olimpo da mitologia grega. Acontece que uma destas divindades, o poderoso e diabólico "Insomnia" rebela-se contra os seus pares e tenta conquistar o poder pela força. Os exércitos do reino mítico de "Omei" congregam-se para dar luta a "Insomnia". Deste fantástico exército destaca-se "King Sky" (noutras versões "Blue Wolf"), que possui como arma principal, o fabuloso "Disco Lunar", que herdou da sua falecida mestre e apaixonada, "Dawn".

"Dawn explica ao seu discípulo e amante King Sky, os poderes do maravilhoso Disco Lunar"

Apesar de "Dawn" ter sido assassinada por "Insomnia" há 200 anos atrás, "King Sky" depara-se com a sua reincarnação amnésica "Enigma", que é uma das deusas que lidera as tropas de "Omei". "Enigma" em conjunto com a reicarnação do seu irmão "Hollow", voam para a batalha chefiados pelo deus mais poderoso de "Omei" chamado "White Eyebrows", conseguindo afugentar "Insomnia" para a "Caverna do sangue".

"Red Hawk", uma divindade possuidora de umas fantásticas asas de metal que tanto servem para voar, como para lutar, fica encarregue da vigilância da "Caverna do sangue" e das movimentações do inimigo. No entanto, é enganado pelos ardis de "Insomnia" e passa para o lado das forças do mal. O deus do mal sentindo-se suficientemente poderoso, decide lançar um ataque decisivo contra "Omei", criando desta forma as condições para a batalha final que irá decidir quem terá o controlo das montanhas de "Zu" e consequentemente do mundo.

"King Sky tenta dominar o Disco Lunar"

"Review"

Tenho dificuldades em opinar acerca desta película, atendendo à grande confusão argumental que o filme padece, deixando o espectador completamente "à nora" em determinados momentos. Mesmo assim, e como não poderia deixar de ser, darei o meu melhor.

A primeira ideia a reter é que este filme foi criado com o intuito quase exclusivo de deslumbrar o espectador com os seus efeitos especiais. O que dizer quanto a estes?

Numa primeira aproximação, convém desde já dizer que não estamos perante um clássico filme de artes marciais. As personagens literalmente voam, atiram raios e coriscos uns aos outros, brandem espadas místicas com 10 ou 15 metros de comprimento, etc. Falamos pois de um filme de super-heróis, que por acaso até são deuses. Em todo o filme, existe apenas o registo de uma luta convencional, travada entre "Ying" (a reincarnação de "Hollow") e "Joy", uma mortal cujo sonho de uma vida é conhecer os deuses.

As armas sagradas dos deuses são em regra muito interessantes de se ver. Destaco desde já o "Disco Lunar" de "King Sky", que constitui um verdadeiro regalo para os olhos! Adoro ver a graciosidade de movimentos e o poder que este artefacto transmite! Outra arma que merece bastante atenção é a possuída por "White Eyebrows", designada por "Escudo do Céu", uma eficaz protecção que repele quase todo o tipo de ataques.

"King Sky e Red Hawk conferenciam numa noite de lua cheia"

As interpretações são à semelhança do enredo uma total confusão. Parece que os actores decoraram tudo à pressa e debitaram as falas "às três pancadas", degenerando na incongruência total. A desilusão ainda é maior, quando estamos perante um elenco de luxo claramente subaproveitado. Veja-se o exemplo da personagem interpretada por Zhang Ziyi, totalmente desfasada do filme, "sem ponta por onde se lhe pegue".

No entanto cumpre dar uma pequena palavra de apreço para Ekin Cheng, o actor que corporiza "King Sky". Apesar do seu "acting" ser igualmente pouco mais do que medíocre, salva-se da tragédia geral devido ao seu ar circunspecto e sonhador, o que lhe dá uma aura muito "cool". O romance protagonizado primeiro com "Dawn" e posteriormente com "Enigma" (ambas interpretadas pela belíssima Cecilia Cheung), tem momentos verdadeiramente ternos e bonitos, sendo bem acompanhados por uma música de cariz sentimental. Claro que depois vem mais uma sem nexo nenhum e lá se vai o romantismo e tudo o resto ao ar!

Tenho que confessar que não sou grande fã de Tsui Hark. Isto dito assim parece uma heresia e uma verdadeira afronta a todos aqueles que adoram o cinema proveniente de Hong Kong. Vi o seu último trabalho "Sete Espadas", e apesar do filme ter os seus bons momentos, a minha opinião não mudou muito. À primeira vista, deste realizador gostei da saga "Era Uma Vez na China" e pouco mais. Perdoem-me, mas é a minha opinião.

"Os Guerreiros da Montanha" é um filme que possui algumas cenas que ficarão na memória, mas sinceramente o resto é para esquecer. Deste género, prefiro 1000 vezes "The Storm Riders".

Medíocre, quase no mediano!

"King Sky ladeado das forças do bem de Omei"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 5

Argumento - 6

Guarda-roupa e adereços - 9

Banda-sonora - 6

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 5

Classificação final: 6,75