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sexta-feira, setembro 19, 2008

A 36ª Câmara de Shaolin/The 36th Chamber of Shaolin/Shao Lin san shi liu fang - 少林三十六房 (1978)

Origem: Hong Kong

Duração: 115 minutos

Realizador: Lau Kar Leung

Com: Gordon Liu, Lo Lieh, Lau Kar Wing, Wilson Tong, Wong Yue, Lee Hoi Sang, Wai Wang, Henry Yu Yang, Hon Gwok Choi, Simon Yuen, Austin Wai

"San Te"

Consideração prévia

Estava eu descansadinho na passada quarta-feira, dia 17 de Setembro, a navegar ao fim da tarde indolentemente na “internet”, quando decidi consultar a programação dos diversos canais de séries e filmes que temos a oportunidade de usufruir pela televisão por cabo. Ao passar os olhos por o que estava previsto no canal “Mov”, algo chamou-me desde logo a atenção. “A 36ª Câmara de Shaolin” iria ser exibido às 22h. 45 mn. Tenho por hábito quase religioso escrever aqui no blogue acerca de filmes que possuo na minha colecção de dvd's, assim como a revê-los sempre antes de me atrever a tomar qualquer posição. Normalmente este ritual guardo-o para o fim-de-semana, pois é quando tenho mais tempo disponível devido às por vezes extenuantes semanas no emprego. Aqui abri uma excepção, pois nem tenho esta longa-metragem no meu acervo privado de filmes, assim como não resisti ao apelo de uma obra que já ando para visionar há anos, sendo considerada um dos melhores filmes de artes marciais jamais feito. É mesmo assim? Valeu a pena quebrar o meu quotidiano todo “organizadinho” e disciplinado? Isso é o que veremos já a seguir!

"Um dos rebeldes é vítima da crueldade dos manchus"

Sinopse

“Liu Yingde” (Gordon Liu) é um adolescente, cujo pai é um vendedor de peixe e marisco. “Liu” frequenta uma escola e tem por professor “Ho” (Wai Wang), que revela ser um rebelde que conspira contra o imperador. Depois de se aperceber da carnificina provocada pelas tropas Manchu, “Liu” fica revoltado e decide-se juntar aos rebeldes. O seu trabalho consiste em traficar documentos secretos que ajudam a actividade das forças opositoras ao império. O negócio da família serve de fachada às actividades de “Liu”, mas o embuste acaba por ser descoberto e toda a família do rapaz morre às mãos dos senhores da guerra manchus que dominam a região. “Liu” consegue fugir, e vê como a única forma de se vingar, dirigir-se para o afamado templo de Shaolin, na esperança que os monges aceitem-no como aprendiz de artes marciais.

Após um ano a fazer trabalhos domésticos no mosteiro, “Liu” agora conhecido como “San Te”, é finalmente admitido nos treinos de artes marciais que tanto ambiciona, tendo de passar pelos desafios das 35 câmaras de Shaolin. Treinando dia e noite, “San Te” acaba por dominar todas as técnicas em tempo recorde, e como prémio é-lhe dada a escolher a possibilidade de ser mestre de uma das câmaras à sua escolha. Inesperadamente, o herói profere uma resposta estranha: a 36ª câmara e explica que a mesma consiste em dar a possibilidade a todos e não só aos monges, de aprender as técnicas de kung fu do mosteiro. Agarrados a regras bastante estritas, os sacerdotes rejeitam veementemente a ideia e condenam “San Te” a sair do refúgio e recolher donativos. É essa a desculpa que o rapaz necessita para voltar à sua terra e vingar-se daqueles que assassinaram a sua família.

"San Te defronta um dos monges mais credenciados como parte do seu treino"

"Review"

Se algum dia perguntarem a um entendido do “kung fu old school” (grupo do qual eu não faço parte) para elaborar uma lista dos melhores filmes deste género, quase que garanto que ele incluirá “A 36ª Câmara de Shaolin” no rol. Estamos a falar de uma obra marcante, estando entre as películas mais consideradas quando se alude ao famoso mosteiro chinês. Por sua vez, como curiosidade refira-se que a personagem principal, o monge “San Te” interpretada por Gordon Liu, é baseada num mítico sacerdote budista que viveu em Shaolin no século XVIII, tendo posteriormente residido no mosteiro de Xichan até ao fim dos seus dias.

Da alguma experiência que possuo no visionamento de filmes de artes marciais da “velha guarda”, existe sempre uma regra de ouro a seguir. O duelo final entre o herói e o vilão normalmente é onde se investe o máximo da película. Capricha-se nos combates, moldados com as técnicas e acrobacias mais fantásticas, destilando ao máximo a vingança, a justiça, a apoteose, e tudo e mais alguma coisa! É curioso que num dos filmes mais emblemáticos do género, este que agora se analisa, isso não acontece de todo. O derradeiro combate dura pouco tempo, cerca de três minutos, e é um desfile de porrada que “San Te” larga no general manchu. Aliás, mesmo antes de o embate se iniciar, ficamos com a sensação que o monge de Shaolin poderia vencer a luta com uma perna e uma mão atrás das costas. E é precisamente desta premissa, que decorre um dos principais pontos fortes de “A 36ª Câmara de Shaolin”. E porquê? Devido aos treinos intensos e fenomenais que “San Te” leva a cabo no mosteiro. As provações e os testes que o herói é obrigado a se confrontar são pormenorizados e criativos, demonstrando o esmero, cuidado e dedicação que o realizador e coreógrafo de artes marciais Lau Kar Leung (ele próprio um estudioso de Shaolin e dos seus segredos) pôs no filme. É simplesmente delicioso tomarmos contacto com o quotidiano de Shaolin, tanto no campo filosófico como no dito mais físico. Fazendo a ponte agora com o que referi acerca do embate no epílogo, percebe-se claramente que depois de todas as provas que “San Te” teve de superar, assim como dos irmãos monges que teve de defrontar, o seu oponente final nunca teria nenhuma hipótese de lhe fazer frente. Conclui-se desta forma que “A 36ª Câmara de Shaolin”, no que toca à luta, vale muito mais pela viagem do que propriamente pelo destino.

"Dia e noite, San Te pratica as artes marciais"

Gordon Liu faz aqui um papel de uma carreira, e que iria marcar o seu destino como actor para sempre. O seu grande mérito, para além das boas exibições na destreza das artes marciais, é ser uma figura credível perante o espectador. Conseguimos nos rever na sua rebeldia e nacionalismo contra um opressor que não respeita o povo autóctone de uma região. Sentimos um pouco a sua angústia e desespero pela morte da família e o anseio em encontrar um “El Dorado” onde o seu grande sonho se realizará. Mas acima de tudo, crescemos com ele, na sua transição para uma fase madura, sofrendo com os seus fracassos e regojizando com os seus sucessos. Só é pena que o restante “cast”, embora com uma prestação aceitável face ao solicitado, não consiga acompanhar o desempenho bastante apelativo deste mítico intérprete asiático. Com uma excepção apenas, que se reconduz ao irmão do realizador Lau Kar Leung. Falamos do actor Lau Kar Win que tem uma aparição bastante interessante nesta longa-metragem, mas não dura muito pois morre praticamente nos primeiros minutos do filme. Não é a toa que os “Cahiers du Cinema”, uma publicação muito mais virada para o intelectual, considerou Gordon Liu o maior actor de sempre de filmes de artes marciais, em especial de kung fu. Para merecer esta tão reputada distinção, há que haver forçosamente algo mais do que a parte física. Normalmente é uma "pequena" coisa que denominamos de carisma. Como curiosidade final no que toca a Gordon Liu, fiquem a saber que o mesmo rapou de propósito o cabelo para o seu papel neste filme. O “look” agradou-lhe tanto, que passaria a usá-lo daí em diante, tendo constituído uma das imagens de marca deste actor.

Ao contrário de vários filmes de kung fu, “A 36ª Câmara de Shaolin” possui uma mensagem muito significativa e que está intimamente ligada ao próprio título da película. A mesma traduz-se por não devermos açambarcar o conhecimento, mas sim partilhá-lo. É assim que se cria a grandeza e a magnificência, plantam-se raízes e prepara-se um futuro melhor . Fundamental para os fãs do “kung fu old school”. Para os que se querem iniciar no cinema do “Shaolin kung fu” é um excelente sítio para começar! Para os restantes, vale bem a pena dar uma espreitadela, nem que seja para descontrair e apreciar os talentos “marciais” de Gordon Liu! Para mim, que sou um pouco de tudo e ao mesmo tempo de nada, valeu a pena abrir a excepção à disciplina que expus nas considerações introdutórias. E com esta, respondo à questão que coloquei a mim próprio no início do texto.

Disse!

"San Te luta contra os manchus"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88







sexta-feira, outubro 05, 2007

The Blade/Dao - 刀 (1995)

Origem: Hong Kong

Duração: 105 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Vincent Chiu, Xiong Xin Xin, Moses Chan, Sang Ni, Collin Chou, Austin Wai, Valerie Chow, Michael Tse, Jason Chu, Chi Fai Chan, Ray Chang, Ricky Ho, Charles Shen, Nei Suet

"On Man, o espadachim inválido"

Estória

“On Man” (Vincent Chiu ) é um órfão que trabalha numa fundição de espadas, e que tem como melhor amigo “Iron Head – Cabeça de Ferro” (Moses Chan). A filha do mestre da fábrica, a sonhadora “Ling” (Sang Ni), está apaixonada tanto por “On”, como por “Iron Head”, e imagina os dois a lutar pela sua mão, casando-se a rapariga com o vencedor.

Certo dia, os dois amigos assistem a uma luta violenta entre um monge e um bando de salteadores, em que o monge sai vencedor. Posteriormente, à traição, o religioso é assassinado pelos bandidos. Esta situação gera uma enorme revolta em “Iron Head”, que jura vingança sobre os criminosos. Nesse mesmo dia, “On” descobre a verdade acerca do seu passado. Pelos vistos, o seu pai foi assassinado pelo grande mestre “Fei Lung” (Xiong Xin Xin), um assassino facilmente distinguível por ter o corpo todo tatuado. “On”, na ânsia de vingar o progenitor, abandona a fundição, acompanhado pela espada partida que havia pertencido ao pai. “Ling” persegue-o e acaba por ser vítima duma emboscada. “On” salva “Ling”, mas no meio da refrega, perde o braço direito, tornando-se num inválido.

"Fei Lung, o assassino tatuado"

Os guerreiros da fundição de espadas pensam que “On” morreu, mas na realidade o rapaz encontra-se a recuperar num local distante. Farto de ser tratado como um diminuído, “On” reaprende a lutar tendo em conta o seu “handicap”, sendo auxiliado por um livro que contém informações sobre técnicas avançadas de “swordplay”.

“Lei Fung”, o assassino do pai de “On” é contratado para matar todos os elementos da fundição de espadas, incluindo “Ling” e “Iron Head”. “On” descobre o plano de “Lei Fung” e decide enfrentá-lo num combate sangrento e sem limites!

"A prostituta"

"Review"

Dao é uma palavra que serve para ilustrar uma espécie de sabre chinês, conhecido igualmente por facão/facalhão chinês, devido à largura da sua lâmina. Foi este o título que o aclamado realizador asiático Tsui Hark escolheu para o filme que ora se analisará um pouco e que constitui um “remake” do clássico do director Chang Cheh “The One Armed Swordsman”, datado de 1967. Apesar de ser passível de enquadramento no género “Wuxia Pian”, “The Blade” não se assemelha bastante aos seus irmãos do género e da década de ’90. Isto quer dizer que não estejam à espera de visionar um filme na linha de “Swordsman II” ou “New Dragon Gate Inn”.

Esta chamada de atenção valerá sobretudo para os combates que decorrem em “The Blade”, que estão envoltos numa aura bastante mais realística e sangrenta, sem grandes auxílios de cabos. Aliás, é bastante interessante ver cenas como “On Man” a treinar com uma corda amarrada à cintura, de forma a manter o equilíbrio e adaptar-se ao combate como um diminuído (como foi descrito na sinopse, ele não possui o braço direito). Outro pormenor em que se denota uma greve ao “wire fu”, é quando “Fei Lung”, o principal vilão da estória, usa uma corda para saltar de um telhado para o chão, aquando do início do combate final na fundição das espadas. Hark pretendeu introduzir um registo bem menos fantasioso e incomparavelmente mais violento, sendo por vezes um pouco visceral. Ao deparar-me perante tal realidade, confesso que me lembrei mais do género de combates mais típicos do “chambara” japonês, do que propriamente do “wuxia” de Hong Kong, tal é o “terra a terra” impregnado. O efeito final foi extremamente bem conseguido, e não tenho dúvidas nenhumas em afirmar que o combate que decorre no epílogo entre o aleijado “On Man” e “Fei Lung” constitui um dos grandes momentos da história do cinema de artes marciais. Um verdadeiro fenómeno, acreditem, e só passível de ser plenamente compreendido quando visto!

"Iron Head"

“The Blade” possui igualmente uma atmosfera cerceante que em certos momentos me fez lembrar “Ashes of Time”, embora com diferenças importantes. O ambiente muito “western” e trágico, acompanhado por diversas reflexões de índole mais ética e filosófica, que servem de palco à violência geral, fizeram-me pugnar por esta comparação. Os principais pensamentos a reter serão sem dúvida a animosidade infundada que por vezes grassa no mundo e que conduz à tragédia, assim como o facto de alguém que à partida poderá ser um ser fragilizado, poderá, de um momento para o outro, mediante certas condições, transcender-se. O próprio conceito de herói, imprescindível em qualquer “wuxia” que se preze, aqui é tratado de uma forma mais negra e crua. Não há tempo para grandes feitos de “cavalaria”. Apenas existe espaço para o sofrimento e vingança! A própria narrativa e as técnicas de realização assemelham-se em muito à aclamada obra do realizador Wong Kar Wai. É claro que considero “Ashes of Time” um filme de mais elevada qualidade que “The Blade”, embora este último a nível dos combates se superiorize infinitamente. Mas só pelo facto de me atrever de alguma forma a confrontar “The Blade” com “Ashes of Time”, servirá de indício para expressar que a película de Tsui Hark transpira qualidade!

É no mínimo curioso que um filme com a magnitude e a importância para a cinematografia asiática, como “The Blade”, possua um elenco de intérpretes um tanto ou quanto secundário. Aqui não temos nenhum Jet Li, Sammo Hung, Yuen Biao, Brigitte Lin, Joey Wong, etc, etc, etc. O nome que porventura será mais sonante será o do protagonista Vincent Chiu, dotado de uma carreira respeitável na cinematografia de Hong Kong, mas a milhas dos actores mencionados. Mesmo assim, Tsui Hark foi feliz na escolha dos actores, pois todos estão à altura das suas responsabilidades. Vincent Chiu faz o papel de uma carreira e Xiong Xin Xin, o vilão, está óptimo e excelentemente caracterizado.

Para muitos “The Blade” constitui sem sombra de dúvidas o melhor registo do realizador Tsui Hark. Sinceramente, julgo que não andarão muito longe da verdade.

A constar obrigatoriamente em qualquer colecção de amantes de “swordplay” e afins. É um “não-fã” de Tsui Hark que o diz!

"Fei Lung e On Man enfrentam-se num sangrento duelo"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Fanaticine

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13