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quarta-feira, março 11, 2009

O Regresso à 36ª Câmara de Shaolin/The Return to the 36th Chamber/Shao Lin da peng da shi - 少林搭棚大師 (1980)

Origem: Hong Kong

Duração: 100 minutos

Realizador: Lau Kar Leung

Com: Gordon Liu, Johnny Wang, Chen Szu Chia, Kara Hui, Hsiao Hou, Wong Gam Fung, Cheng Wai Ho, Wong Ching Ho, Wa Lun, Lee King Chue, Yau Chiu Ling, Cheng Miu, Kong Do

"Chu Jen Chieh"

Sinopse

No tempo em que os Manchus dominavam os destinos da China, os trabalhadores da fábrica Cheng Tai vêm os seus salários cortados em 20%, devido ao facto de os patrões terem contratado trabalhadores daquela etnia. Os anteriormente felizes empregados decidem revoltar-se, mas são brutalmente espancados e obrigados a conformar-se com a situação. “Chu Jen Chieh” (Gordon Liu), irmão de um dos trabalhadores da fábrica, decide intervir de uma forma pouco ortodoxa. Sendo um aldrabão nato, que se faz passar por um monge de Shaolin, decide personificar “San Te”, o lendário sacerdote do famigerado templo, e ameaçar os manchus de forma a pagarem o justo ordenado. O embuste resulta no início, até que o líder dos manchus “Kao Feng” (Johnny Wang) decide testar as capacidades de “Chieh”, descobrindo desta forma que este está longe de ser um especialista em artes marciais.

"Chieh, ladeado pelo irmão e por Ah Chong com a sua dentadura exagerada"

Despeitado, “Chieh” decide ir em busca do templo de Shaolin, de forma a que o verdadeiro “San Te” (Lee King Chue) o ensine a lutar. No entanto, “Chieh” decide recorrer novamente a métodos pouco ortodoxos, sendo descoberto por “San Te” e obrigado por este a construir andaimes durante três anos, em vez de aprender artes marciais. Mal sabe “Chieh” que esta actividade consiste no treino que “San Te” lhe reservou. Quando “Chieh” conclui os andaimes, é mandado embora por “San Te”, e chega à sua terra frustrado, convencido que nada percebe de kung fu. Apercebendo-se da injustiça que continua a grassar perante os trabalhadores da fábrica, “Chieh” finalmente chega à conclusão que “San Te” na realidade dotou-o de capacidades de luta impressionantes e decide desafiar os manchus.

"Treino em Shaolin"

"Review"

Na sequência do grande e merecido sucesso de “A 36ª Câmara de Shaolin”, Lau Kar Leung associado ao inevitável Gordon Liu, assumiu a empresa de realizar um segundo filme. Sendo certo que, devido ao argumento da primeira parte da saga, a emblemática personagem do monge “San Te” tinha-se esgotado um pouco na sua demanda (basicamente vingou-se de todos os que lhe fizeram mal), haveria que decidir qual o rumo que esta nova película seguiria. Algumas opções poderiam ser tomadas, mas quais? Enveredar por novas aventuras do sacerdote de Shaolin, sem uma relação directa com o primeiro filme? Colocar “San Te” num papel secundário, como mestre de um novo herói? Como compaginar o protagonismo de Gordon Liu no papel de “San Te”, sem lhe retirar o estrelato?

A escolha recaiu em conferir um papel completamente diverso do que lhe tinha sido atribuído em “A 36ª Câmara de Shaolin”, com “San Te” a ser atribuído a outro actor, neste caso Lee King Chue. A diferença na interpretação de Gordon Liu reflecte-se igualmente nas características da personagem “Chieh”, que são bastante diferentes do “San Te” da primeira película. Na parte inicial da saga, Gordon Liu dava corpo a um jovem mais sério e compenetrado, cuja motivação passa por ser de pura vingança, tanto por motivos políticos (a luta contra o domínio manchu), como estritamente pessoais (a morte de todos os elementos da família). Em “O Regresso à 36ª Câmara de Shaolin”, Liu é obrigado a evidenciar aspectos cómicos e verdadeiramente trapalhões, pois “Chieh” assim o obriga. Trata-se de um carácter que pouco de seriedade tem, e que se afigura mais um escroque em que todos os sarilhos que se mete reconduzem-se aos seus esquemas pouco ortodoxos para ganhar dinheiro ou obter um outro qualquer objectivo. Pessoalmente, entendo que Liu tem mais vocação para papéis como os de “San Te”, do que propriamente como o de “Chieh”, e é por isso que o preferi ver na obra inicial, e que seria de longe a melhor da saga. No entanto sempre se ressalva que ambas as longas-metragens acabam no fim por enveredar pelo mesmo caminho, e isto reflecte-se na “performance” de Liu. Julgo que consegui desta forma arranjar uma maneira mais simpática de afirmar que os manchus vão todos apanhar pela medida grande!

"Chieh defronta um manchu"

E aqui chegamos à parte que interessa mais quando discutimos filmes de kung fu puros e duros, ou seja, as lutas. Os combates são extremamente inventivos e interessantes. É absolutamente imperdível a fase do treino de “Chieh” em Shaolin onde, à primeira vista, o rapaz é posto de parte a fazer trabalhos mais próprios da construção civil, nomeadamente na construção de andaimes. Com o decorrer do tempo e a exercer este ofício que não parece ser adequado a quem pretende se tornar num “expert” em artes marciais, “Chieh” desenvolve uma técnica pouco ortodoxa mas extremamente efectiva. Torna-se gratificante e bastante entretido observarmos Gordon Liu a despontar uma arte de luta bastante original, que tem o seu ponto alto no costumeiro combate final do filme. E é precisamente aqui que se encontra o único ponto superior à primeira parte da saga. A luta que ocorre no epílogo é óptima e entusiasma bastante, principalmente por termos a sensação que o vilão “Kao Feng” (embora a certa altura auxiliado por terceiros), além de deter técnicas de combate interessantes, consegue fazer alguma frente a “Chieh”.

“O Regresso à 36ª Câmara de Shaolin” é um filme agradável, mas que se encontra a milhas do seu predecessor. Não possui a mesma qualidade, e muito menos um impacto que se lhe possa comparar. Tem momentos verdadeiramente gloriosos, é certo, mas perde algo no argumento e na representação dos actores, pois pessoalmente, não gosto mesmo nada da veia cómica de Gordon Liu e dos dentes falsos (tremendamente exagerados, diga-se de passagem!) que obrigaram o actor Hsiao Hou a usar, de forma a acentuar o burlesco. Salva-se, claro está, os interessantíssimos combates e as inolvidáveis capacidades técnicas de Liu, no período mais brilhante da sua carreira. Por esta razão, agradará sobretudo aos verdadeiros amantes do “kung fu old school”.

Razoável!


"Kao Feng, o líder dos manchus, desafia Chieh"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,25




sexta-feira, setembro 19, 2008

A 36ª Câmara de Shaolin/The 36th Chamber of Shaolin/Shao Lin san shi liu fang - 少林三十六房 (1978)

Origem: Hong Kong

Duração: 115 minutos

Realizador: Lau Kar Leung

Com: Gordon Liu, Lo Lieh, Lau Kar Wing, Wilson Tong, Wong Yue, Lee Hoi Sang, Wai Wang, Henry Yu Yang, Hon Gwok Choi, Simon Yuen, Austin Wai

"San Te"

Consideração prévia

Estava eu descansadinho na passada quarta-feira, dia 17 de Setembro, a navegar ao fim da tarde indolentemente na “internet”, quando decidi consultar a programação dos diversos canais de séries e filmes que temos a oportunidade de usufruir pela televisão por cabo. Ao passar os olhos por o que estava previsto no canal “Mov”, algo chamou-me desde logo a atenção. “A 36ª Câmara de Shaolin” iria ser exibido às 22h. 45 mn. Tenho por hábito quase religioso escrever aqui no blogue acerca de filmes que possuo na minha colecção de dvd's, assim como a revê-los sempre antes de me atrever a tomar qualquer posição. Normalmente este ritual guardo-o para o fim-de-semana, pois é quando tenho mais tempo disponível devido às por vezes extenuantes semanas no emprego. Aqui abri uma excepção, pois nem tenho esta longa-metragem no meu acervo privado de filmes, assim como não resisti ao apelo de uma obra que já ando para visionar há anos, sendo considerada um dos melhores filmes de artes marciais jamais feito. É mesmo assim? Valeu a pena quebrar o meu quotidiano todo “organizadinho” e disciplinado? Isso é o que veremos já a seguir!

"Um dos rebeldes é vítima da crueldade dos manchus"

Sinopse

“Liu Yingde” (Gordon Liu) é um adolescente, cujo pai é um vendedor de peixe e marisco. “Liu” frequenta uma escola e tem por professor “Ho” (Wai Wang), que revela ser um rebelde que conspira contra o imperador. Depois de se aperceber da carnificina provocada pelas tropas Manchu, “Liu” fica revoltado e decide-se juntar aos rebeldes. O seu trabalho consiste em traficar documentos secretos que ajudam a actividade das forças opositoras ao império. O negócio da família serve de fachada às actividades de “Liu”, mas o embuste acaba por ser descoberto e toda a família do rapaz morre às mãos dos senhores da guerra manchus que dominam a região. “Liu” consegue fugir, e vê como a única forma de se vingar, dirigir-se para o afamado templo de Shaolin, na esperança que os monges aceitem-no como aprendiz de artes marciais.

Após um ano a fazer trabalhos domésticos no mosteiro, “Liu” agora conhecido como “San Te”, é finalmente admitido nos treinos de artes marciais que tanto ambiciona, tendo de passar pelos desafios das 35 câmaras de Shaolin. Treinando dia e noite, “San Te” acaba por dominar todas as técnicas em tempo recorde, e como prémio é-lhe dada a escolher a possibilidade de ser mestre de uma das câmaras à sua escolha. Inesperadamente, o herói profere uma resposta estranha: a 36ª câmara e explica que a mesma consiste em dar a possibilidade a todos e não só aos monges, de aprender as técnicas de kung fu do mosteiro. Agarrados a regras bastante estritas, os sacerdotes rejeitam veementemente a ideia e condenam “San Te” a sair do refúgio e recolher donativos. É essa a desculpa que o rapaz necessita para voltar à sua terra e vingar-se daqueles que assassinaram a sua família.

"San Te defronta um dos monges mais credenciados como parte do seu treino"

"Review"

Se algum dia perguntarem a um entendido do “kung fu old school” (grupo do qual eu não faço parte) para elaborar uma lista dos melhores filmes deste género, quase que garanto que ele incluirá “A 36ª Câmara de Shaolin” no rol. Estamos a falar de uma obra marcante, estando entre as películas mais consideradas quando se alude ao famoso mosteiro chinês. Por sua vez, como curiosidade refira-se que a personagem principal, o monge “San Te” interpretada por Gordon Liu, é baseada num mítico sacerdote budista que viveu em Shaolin no século XVIII, tendo posteriormente residido no mosteiro de Xichan até ao fim dos seus dias.

Da alguma experiência que possuo no visionamento de filmes de artes marciais da “velha guarda”, existe sempre uma regra de ouro a seguir. O duelo final entre o herói e o vilão normalmente é onde se investe o máximo da película. Capricha-se nos combates, moldados com as técnicas e acrobacias mais fantásticas, destilando ao máximo a vingança, a justiça, a apoteose, e tudo e mais alguma coisa! É curioso que num dos filmes mais emblemáticos do género, este que agora se analisa, isso não acontece de todo. O derradeiro combate dura pouco tempo, cerca de três minutos, e é um desfile de porrada que “San Te” larga no general manchu. Aliás, mesmo antes de o embate se iniciar, ficamos com a sensação que o monge de Shaolin poderia vencer a luta com uma perna e uma mão atrás das costas. E é precisamente desta premissa, que decorre um dos principais pontos fortes de “A 36ª Câmara de Shaolin”. E porquê? Devido aos treinos intensos e fenomenais que “San Te” leva a cabo no mosteiro. As provações e os testes que o herói é obrigado a se confrontar são pormenorizados e criativos, demonstrando o esmero, cuidado e dedicação que o realizador e coreógrafo de artes marciais Lau Kar Leung (ele próprio um estudioso de Shaolin e dos seus segredos) pôs no filme. É simplesmente delicioso tomarmos contacto com o quotidiano de Shaolin, tanto no campo filosófico como no dito mais físico. Fazendo a ponte agora com o que referi acerca do embate no epílogo, percebe-se claramente que depois de todas as provas que “San Te” teve de superar, assim como dos irmãos monges que teve de defrontar, o seu oponente final nunca teria nenhuma hipótese de lhe fazer frente. Conclui-se desta forma que “A 36ª Câmara de Shaolin”, no que toca à luta, vale muito mais pela viagem do que propriamente pelo destino.

"Dia e noite, San Te pratica as artes marciais"

Gordon Liu faz aqui um papel de uma carreira, e que iria marcar o seu destino como actor para sempre. O seu grande mérito, para além das boas exibições na destreza das artes marciais, é ser uma figura credível perante o espectador. Conseguimos nos rever na sua rebeldia e nacionalismo contra um opressor que não respeita o povo autóctone de uma região. Sentimos um pouco a sua angústia e desespero pela morte da família e o anseio em encontrar um “El Dorado” onde o seu grande sonho se realizará. Mas acima de tudo, crescemos com ele, na sua transição para uma fase madura, sofrendo com os seus fracassos e regojizando com os seus sucessos. Só é pena que o restante “cast”, embora com uma prestação aceitável face ao solicitado, não consiga acompanhar o desempenho bastante apelativo deste mítico intérprete asiático. Com uma excepção apenas, que se reconduz ao irmão do realizador Lau Kar Leung. Falamos do actor Lau Kar Win que tem uma aparição bastante interessante nesta longa-metragem, mas não dura muito pois morre praticamente nos primeiros minutos do filme. Não é a toa que os “Cahiers du Cinema”, uma publicação muito mais virada para o intelectual, considerou Gordon Liu o maior actor de sempre de filmes de artes marciais, em especial de kung fu. Para merecer esta tão reputada distinção, há que haver forçosamente algo mais do que a parte física. Normalmente é uma "pequena" coisa que denominamos de carisma. Como curiosidade final no que toca a Gordon Liu, fiquem a saber que o mesmo rapou de propósito o cabelo para o seu papel neste filme. O “look” agradou-lhe tanto, que passaria a usá-lo daí em diante, tendo constituído uma das imagens de marca deste actor.

Ao contrário de vários filmes de kung fu, “A 36ª Câmara de Shaolin” possui uma mensagem muito significativa e que está intimamente ligada ao próprio título da película. A mesma traduz-se por não devermos açambarcar o conhecimento, mas sim partilhá-lo. É assim que se cria a grandeza e a magnificência, plantam-se raízes e prepara-se um futuro melhor . Fundamental para os fãs do “kung fu old school”. Para os que se querem iniciar no cinema do “Shaolin kung fu” é um excelente sítio para começar! Para os restantes, vale bem a pena dar uma espreitadela, nem que seja para descontrair e apreciar os talentos “marciais” de Gordon Liu! Para mim, que sou um pouco de tudo e ao mesmo tempo de nada, valeu a pena abrir a excepção à disciplina que expus nas considerações introdutórias. E com esta, respondo à questão que coloquei a mim próprio no início do texto.

Disse!

"San Te luta contra os manchus"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88







terça-feira, fevereiro 26, 2008

My Heart Is That Eternal Rose/Sa shou hu die meng (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 91 minutos

Realizador: Patrick Tam

Com: Kenny Bee, Joey Wong, Tony Leung Chiu Wai, Michael Chan, Ng Man Tat, Gordon Liu, Kwan Hoi San, Cheung Tat Ming

"Ricky Ma"

Estória

“Ricky Ma” é um jovem boémio que se encontra apaixonado por “Lap” (Joey Wong). No entanto, quando assassina um polícia, devido a um negócio mal sucedido, vê-se obrigado a fugir para as Filipinas, levando a promessa que “Lap” posteriormente iria ter com ele. No entanto, a rapariga nunca chega a se reunir a “Ricky”, pois torna-se amante de “Sheng” (Michael Chan), um poderoso chefe de uma tríade, em ordem a salvar o seu pai.

"Ricky tenta proteger Lap"

Seis anos depois, “Ricky” é um assassino profissional que retorna a Hong Kong, tendo em vista executar um trabalho. Acidentalmente, acaba por encontrar “Lap”, e o amor reacende-se. O problema é que “Sheng” não permitirá de ânimo leve que “Ricky” roube a sua amante. O casal, ajudado por “Cheung” (Tony Leung Chiu Wai), tenta fugir. No entanto, os seus intentos não são bem sucedidos e tudo degenera numa orgia de sangue e violência.

"Cheung mal tratado"

"Review"

Os filmes de “tríades” de Hong Kong, sempre foram um dos pratos fortes do cinema daquelas paragens, tendo atingido o seu auge com os grandes filmes de John Woo, mormente “A Better Tomorrow”, “Hard Boiled” e “The Killer”. Na sequência destes grandes sucessos do mítico Woo, o género tornou-se extremamente popular, e vários realizadores enveredaram por tentativas no segmento, umas bem sucedidas, outras nem por isso.

“My Love Is That Eternal Rose” é uma dessas várias longas-metragens que nasceu da grande popularidade do género, e embora por vezes sejam conseguidos resultados quase espectaculares, o filme ficou muito aquém das minhas expectativas. Essa é que é a verdade!

A película possui todas as características que definem de certa forma o estilo onde se insere. Estamos a falar de uma cruzada romântica e heróica, entre dois amantes desencontrados, que redunda num banho de sangue e violência (como referi textualmente na sinopse). Afinal as tríades não deixam de ser das organizações do submundo mais temidas no planeta, e quando alguém tenta “meter a mão” na amante do chefe, a coisa vai dar para o torto de certeza!

O argumento é extremamente forçado, com situações pouco credíveis e que apenas servem de motivo para uma saraivada de balas, ou para Joey Wong destilar sensualidade por todo o ecrã (não é que me importe com isto, muito pelo contrário!). Verdadeiramente inacreditável é como “Ricky” e “Lap” se reencontram em Hong Kong. Quais as probabilidades de numa região com 7 milhões de habitantes, e com uma das maiores densidades populacionais do mundo (cerca de 6350 pessoas/km2), “Ricky” ir a fugir de uns homens que o querem matar e quase ser atropelado por “Lap”? Passemos por cima disto, o reencontro sucedeu-se, o problema está resolvido, e ala que o caminho é para a frente!

"Lap rodeada dos membros da tríade de Chan"

As cenas de acção, embora não sejam em tão grande número quanto se possa imaginar, são marcadas por uma loucura desenfreada. Para aqueles que conhecem as obras da época de John Woo e afins, reconhecerão logo as armas cujas balas parecem nunca acabar, as acrobacias e as cenas bastante rápidas no meio de um tiroteio infernal, o sangue a jorros, os planos pausados ou em câmara lenta. Tudo isto acompanhado de um pendor épico, por vezes bem sucedido, outras nem por isso. No entanto, “My Heart Is That Eternal Rose”, à semelhança de outros filmes, só vem dar razão aqueles que, à minha semelhança, defendem que quando toca a libertar o inferno na terra, os filmes de tríades de Hong Kong são inimitáveis.

Outro aspecto extremamente marcante na película é a “piroseira”, ou melhor dizendo, a aura de “novela mexicana” (para o cidadão “comum” entender melhor) que imbui a película. Músicas excessivamente dramáticas, por vezes com um som algo duvidoso (a edição da Mei Hah, embora remasterizada, não deverá ser alheia ao facto), aliadas a uma interpretação com alguns altos e baixos, levam a esta conclusão. Mesmo assim, é sempre um prazer ver Joey Wong a derramar lágrimas por tudo e por nada, ou o grande Tony Leung Chiu Wai a sujeitar-se a umas interpretações menos conseguidas (embora aceitáveis). Uma nota de curiosidade para os fãs do denominado “kung-fu old school”. Gordon Liu faz o papel de um dos vilões do filme. Poderá ser uma oportunidade para verem uma das maiores lendas das artes marciais, representar uma personagem distinta das que o fizeram brilhar na constelação de actores de Hong Kong.

Uma derradeira palavra para o trabalho positivo de fotografia efectuado pelo grande e sobejamente conhecido, Mr. Christopher Doyle. Planos de sonho, que adquirem mais valor numa altura do cinema de Hong Kong, onde não abundavam os recursos materiais e eram realizados filmes a rodo e a metro, muitas vezes com ausência de critérios qualitativos.

Com um título que invoca o mais puro romantismo (a expressão sempre servirá para fazermos figuras tristes perante alguma rapariga...), “My Heart Is That Eternal Rose”, é uma película algo infantil no geral, mas com momentos que salvam a honra do convento e que puxam o sentimento. Para aqueles que apreciam os filmes de “gangsters” de Hong Kong, aliados a um espírito apaixonado forçado, será uma boa proposta. Para os restantes, um mero satisfazer de curiosidade. Nada mais.

Nota final: É curioso como este filme, no preciso momento, tem no IMDb uma nota média elevadíssima de 7.9 (embora apenas num universo de 71 votos). Enigmático...

"Uma despedida sentida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,13





segunda-feira, novembro 26, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Já com algum atraso nesta semana, aqui vão mais quatro estrelas de cinema asiático que estão sob o vosso julgamento no quadro de votações aqui ao lado:

Jeon Ji-hyun (Jun Ji-hyun Aka Gianna Jun)

Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": My Sassy Girl, Il Mare, Windstruck


Tadanobu Asano


Informação


Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ondas Invisíveis, Ichi, o Assassino


Angela Zhang


Informação


Não existem filmes que participou, criticados no "My Asian Movies"


Gordon Liu


Informação


Não existem filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies"