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domingo, novembro 22, 2009

Chungking Express/Chung Hing sam lam - 重庆森林 (1994)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 102 minutos

Realizador: Wong Kar Wai

Com: Tony Leung Chiu Wai, Faye Wong, Takeshi Kaneshiro, Brigitte Lin, Valerie Chow, Chen Jinquan, Guan Lina, Huang Zhiming, Zhen Liang, Zuo Songshen, Lynne Langdon

A mulher da peruca loira 2

“A misteriosa mulher da peruca loira”

Sinopse

“He Zhiwu” (Takeshi Kaneshiro) é um polícia que vive um desgosto amoroso, considerando que a sua paixão “May” o abandonou. O seu sofrimento leva-o a desenvolver uma estranha obsessão por datas de validade, que exterioriza alimentando-se de ananás enlatado cuja expiração ocorre no dia 1 de Maio. Chegado à data em questão, “He Zhiwu” promete a si próprio que se irá apaixonar pela primeira mulher que encontrar num bar. Depara-se com uma estranha personagem, de óculos escuros e cabeleira loira (Brigitte Lin), que irá, por momentos, conferir-lhe uma nova perspectiva de vida.

He Zhiwu e a mullher da peruca loira 2

He Zhiwu e a sua estranha paixão”

O “polícia 663” (Tony Leung Chiu Wai) igualmente anda com os seus problemas de ordem romântica. A sua namorada, uma hospedeira do ar (Valerie Chow), deixou-o e o sentimento de solidão começa a destruí-lo por dentro. No entanto, o polícia é amado sem saber por “Faye” (Faye Wong), uma empregada de um estabelecimento de comida rápida chamado “Midnight Express”. Incapaz de demonstrar directamente o seu amor, “Faye” entra na vida do “polícia 663” de uma forma original.

Faye

Faye dança ao som de Califonia Dreamin´”

“Review”

“Se a minha memória dela tiver um prazo de validade, que seja de dez mil anos...”. É com esta “tagline” que “Chungking Express” se apresenta ao espectador, estando criado o mote para um dos filmes mais fascinantes acerca de uma temática que julgo ser cara a qualquer ser humano, o amor. Dez mil anos em muitas culturas é um número que reflecte o conceito de “para sempre”. Isto para dizer que a frase que ilustrou inicialmente o debutar do filme que ora se propõe analisar um pouco, visa no fundo evidenciar o conceito de memórias de paixão que se pretendem ver eternizadas. Mesmo que as mesmas sejam dolorosas. Wong Kar Wai rodaria “Chungking Express” no mesmo ano em que daria a vida a outra película de eleição. Falo de “Ashes of Time”, a única incursão do realizador no “wuxia”. Aliás, “Chungking Express” seria o produto do descanso do realizador de Hong Kong, quando o mesmo recuperava da grande exigência e esforço despendido no seu épico de artes marciais. A feitura da película foi num tempo recorde, mais ou menos três meses, e o resultado redundou num desafogo financeiro, principalmente depois de “Ashes of Time” não ter sido bem aceite pelo público em geral.

Tendencialmente enquadrado em algo que nos faz lembrar “pop art”, Kar Wai propõe-se a nos apresentar uma história de paixão e emoções, onde os intervenientes são pessoas na casa dos vinte e muitos anos e que tem por pano de fundo uma Hong Kong no limiar da transição para a soberania chinesa. A ânsia em viver as emoções ao máximo, parece se coadunar com uma miríade de situações. Desde o estabelecimento de um qualquer prazo para a duração de uma relação intensa, ou evidenciar uma crítica política subtil no sentido de a entrega do território à China ser uma eventual expiração da validade das liberdades individuais, incluindo a de experienciar o amor ao máximo. Salvo melhor opinião, sempre considerei “Chungking Express” como a obra que estabeleceu definitivamente Kar Wai como uma certeza e um autor de eleição. Ou sendo um pouco mais lírico, como o poeta do amor, do romance, do sonho, das cores e das emoções. À semelhança de praticamente todas as obras do autor, a natureza individual do ser humano e a sua interacção sentimental constitui o cerne da trama. As personagens principais do filme vivem um rodopio na maneira como lidam com o sentimento de perda, que parece por vezes estranha, para não dizer alienada, mas que causa um certo sentido de familiaridade. E neste aspecto, Kar Wai acerta no alvo em cheio. Não pretendendo, como aliás também é seu timbre, manter um ritmo coerente no argumento, o objectivo é fazer com que o espectador encontre, por si só, algo muito íntimo e com o qual se consiga identificar.

Como seria de esperar, ou não estivéssemos a falar de um filme de Kar Wai, “Chungking Express” rebenta a escala em estilo. O uso das cores e da fotografia é algo quase impossível de descrever em palavras, e julga-se que é daquelas coisas que só vendo para acreditar. O uso da técnica de filmagem, ora em acelerações de imagem, ou num costumeiro “slow motion”, confere uma apreciável dinâmica que se interliga de uma forma bastante feliz com os demais aspectos da película. O apresentar intencional de imagens enevoadas, ou a filmagem no meio do bulício de Hong Kong, onde muitos dos transeuntes não fazem a mínima ideia de que uma película está a ser rodada, faz com que a aura mágica se interpenetre com a realidade quotidiana, num resultado muito satisfatório, diferente mas muito envolvente. A nível da trama, existe alguma descompensação, porquanto o segmento Tony Leung Chiu Wai/Faye Wong é mais longo, perceptível e regra geral melhor que o de Takeshi Kaneshiro/Brigitte Lin, embora se possa reconhecer que este último talvez esteja dotado de mais profundidade.

Beijo

Um beijo ardente”

A fenomenal banda-sonora merece aqui um pequeno parágrafo. Entre alguma música étnica e “reggae” de entretenimento auditivo bastante apreciável, somos presenteados com uma versão cantonesa de “Dreams” dos “The Cranberries” que resulta muito bem, e se enquadra às mil maravilhas no ambiente geral do filme. Mas os momentos verdadeiramente divinais, e não apenas por ser uma preferência pessoal, é a saturação de “California Dreamin'”, dos Mamas and Papas. São inesquecíveis os momentos em que Faye Wong dança no “Midnight Express”, embrenhada no seu mundo bastante pessoal. O inesquecível êxito dos anos 60, que pontificou em muitas películas por esse mundo fora, confere grandiosidade e faz Faye Wong ainda brilhar mais.

Os actores exibem-se num plano muito elevado, ou não estivéssemos a lidar com um “cast” extremamente forte. Pessoalmente, aprecio imenso a forma como Kar Wai dirige os intérpretes dos seus filmes, retirando o que de melhor têm para dar. E embora aprecie imenso as actuações nesta obra de Tony Leung Chiu Wai, Takeshi Kaneshiro, Brigitte Lin e Valerie Chow, há que reconhecer que Faye Wong está absolutamente divinal. A actriz exibe uma personagem alienada, que nas suas próprias palavras, ouve música em volume alto, pois assim inibe-se de pensar. Wong passeia classe pela tela e deixa-nos siderados com o seu sonho íntimo, as suas actuações aparentemente incompreensíveis e a maneira como se intromete na tortura pessoal de Tony Leung Chiu Wai, é algo digno de se ver. E por vezes questiono-me como é que Faye Wong, que já demonstrou ter grandes capacidades como actriz, não entrou na esfera das super-estrelas, à semelhança de uma Maggie Cheung ou de uma Gong Li?

Destilando sensualidade por todos os poros e com um manancial de frases emblemáticas inesquecíveis, “Chungking Express” mantém-se até hoje como uma das maiores obras do realizador Wong Kar Wai e um verdadeiro marco do cinema mundial. Há quem considere mesmo que se estará presente perante o produto mais forte que, até hoje, Kar Wai deu vida. Eu não concordo, mas percebo bem as válidas razões de quem produz tal afirmação. Sendo um maravilhoso exemplo “new wave”, explora efectivamente os meandros dos corações desolados e de uma certa alienação e depressividade urbana. É certo que as poucas cenas de acção parecem algo atabalhoadas, mas é preciso interiorizar que o objectivo deste filme não é expôr qualquer trama criminosa, ou enveredar pelo diapasão de movimento exagerado. “Chungking Express” é um romance com cariz muito pessoal, e o seu maior trunfo será sempre a exposição de várias perspectivas do amor , e a percepção directa da sua magia. Já agora, e como é discernido do filme, será que fazer demasiado exercício, como “jogging”, faz-nos desidratar tanto, que não restam lágrimas para derramar?

Imperdível para qualquer fã de cinema e da beleza!

O polícia 663 e a hospedeira

O polícia 663 e a hospedeira”

imdb Nota 8.0 (15.154 votos) em 22/11/2009

 

Outras críticas em português:

  1. Additional Camera
  2. Sítio da Bela Lua

Avaliação:

Entretenimento – 7

Interpretação – 9

Argumento – 8

Banda-sonora – 10

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,50

sexta-feira, outubro 05, 2007

The Blade/Dao - 刀 (1995)

Origem: Hong Kong

Duração: 105 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Vincent Chiu, Xiong Xin Xin, Moses Chan, Sang Ni, Collin Chou, Austin Wai, Valerie Chow, Michael Tse, Jason Chu, Chi Fai Chan, Ray Chang, Ricky Ho, Charles Shen, Nei Suet

"On Man, o espadachim inválido"

Estória

“On Man” (Vincent Chiu ) é um órfão que trabalha numa fundição de espadas, e que tem como melhor amigo “Iron Head – Cabeça de Ferro” (Moses Chan). A filha do mestre da fábrica, a sonhadora “Ling” (Sang Ni), está apaixonada tanto por “On”, como por “Iron Head”, e imagina os dois a lutar pela sua mão, casando-se a rapariga com o vencedor.

Certo dia, os dois amigos assistem a uma luta violenta entre um monge e um bando de salteadores, em que o monge sai vencedor. Posteriormente, à traição, o religioso é assassinado pelos bandidos. Esta situação gera uma enorme revolta em “Iron Head”, que jura vingança sobre os criminosos. Nesse mesmo dia, “On” descobre a verdade acerca do seu passado. Pelos vistos, o seu pai foi assassinado pelo grande mestre “Fei Lung” (Xiong Xin Xin), um assassino facilmente distinguível por ter o corpo todo tatuado. “On”, na ânsia de vingar o progenitor, abandona a fundição, acompanhado pela espada partida que havia pertencido ao pai. “Ling” persegue-o e acaba por ser vítima duma emboscada. “On” salva “Ling”, mas no meio da refrega, perde o braço direito, tornando-se num inválido.

"Fei Lung, o assassino tatuado"

Os guerreiros da fundição de espadas pensam que “On” morreu, mas na realidade o rapaz encontra-se a recuperar num local distante. Farto de ser tratado como um diminuído, “On” reaprende a lutar tendo em conta o seu “handicap”, sendo auxiliado por um livro que contém informações sobre técnicas avançadas de “swordplay”.

“Lei Fung”, o assassino do pai de “On” é contratado para matar todos os elementos da fundição de espadas, incluindo “Ling” e “Iron Head”. “On” descobre o plano de “Lei Fung” e decide enfrentá-lo num combate sangrento e sem limites!

"A prostituta"

"Review"

Dao é uma palavra que serve para ilustrar uma espécie de sabre chinês, conhecido igualmente por facão/facalhão chinês, devido à largura da sua lâmina. Foi este o título que o aclamado realizador asiático Tsui Hark escolheu para o filme que ora se analisará um pouco e que constitui um “remake” do clássico do director Chang Cheh “The One Armed Swordsman”, datado de 1967. Apesar de ser passível de enquadramento no género “Wuxia Pian”, “The Blade” não se assemelha bastante aos seus irmãos do género e da década de ’90. Isto quer dizer que não estejam à espera de visionar um filme na linha de “Swordsman II” ou “New Dragon Gate Inn”.

Esta chamada de atenção valerá sobretudo para os combates que decorrem em “The Blade”, que estão envoltos numa aura bastante mais realística e sangrenta, sem grandes auxílios de cabos. Aliás, é bastante interessante ver cenas como “On Man” a treinar com uma corda amarrada à cintura, de forma a manter o equilíbrio e adaptar-se ao combate como um diminuído (como foi descrito na sinopse, ele não possui o braço direito). Outro pormenor em que se denota uma greve ao “wire fu”, é quando “Fei Lung”, o principal vilão da estória, usa uma corda para saltar de um telhado para o chão, aquando do início do combate final na fundição das espadas. Hark pretendeu introduzir um registo bem menos fantasioso e incomparavelmente mais violento, sendo por vezes um pouco visceral. Ao deparar-me perante tal realidade, confesso que me lembrei mais do género de combates mais típicos do “chambara” japonês, do que propriamente do “wuxia” de Hong Kong, tal é o “terra a terra” impregnado. O efeito final foi extremamente bem conseguido, e não tenho dúvidas nenhumas em afirmar que o combate que decorre no epílogo entre o aleijado “On Man” e “Fei Lung” constitui um dos grandes momentos da história do cinema de artes marciais. Um verdadeiro fenómeno, acreditem, e só passível de ser plenamente compreendido quando visto!

"Iron Head"

“The Blade” possui igualmente uma atmosfera cerceante que em certos momentos me fez lembrar “Ashes of Time”, embora com diferenças importantes. O ambiente muito “western” e trágico, acompanhado por diversas reflexões de índole mais ética e filosófica, que servem de palco à violência geral, fizeram-me pugnar por esta comparação. Os principais pensamentos a reter serão sem dúvida a animosidade infundada que por vezes grassa no mundo e que conduz à tragédia, assim como o facto de alguém que à partida poderá ser um ser fragilizado, poderá, de um momento para o outro, mediante certas condições, transcender-se. O próprio conceito de herói, imprescindível em qualquer “wuxia” que se preze, aqui é tratado de uma forma mais negra e crua. Não há tempo para grandes feitos de “cavalaria”. Apenas existe espaço para o sofrimento e vingança! A própria narrativa e as técnicas de realização assemelham-se em muito à aclamada obra do realizador Wong Kar Wai. É claro que considero “Ashes of Time” um filme de mais elevada qualidade que “The Blade”, embora este último a nível dos combates se superiorize infinitamente. Mas só pelo facto de me atrever de alguma forma a confrontar “The Blade” com “Ashes of Time”, servirá de indício para expressar que a película de Tsui Hark transpira qualidade!

É no mínimo curioso que um filme com a magnitude e a importância para a cinematografia asiática, como “The Blade”, possua um elenco de intérpretes um tanto ou quanto secundário. Aqui não temos nenhum Jet Li, Sammo Hung, Yuen Biao, Brigitte Lin, Joey Wong, etc, etc, etc. O nome que porventura será mais sonante será o do protagonista Vincent Chiu, dotado de uma carreira respeitável na cinematografia de Hong Kong, mas a milhas dos actores mencionados. Mesmo assim, Tsui Hark foi feliz na escolha dos actores, pois todos estão à altura das suas responsabilidades. Vincent Chiu faz o papel de uma carreira e Xiong Xin Xin, o vilão, está óptimo e excelentemente caracterizado.

Para muitos “The Blade” constitui sem sombra de dúvidas o melhor registo do realizador Tsui Hark. Sinceramente, julgo que não andarão muito longe da verdade.

A constar obrigatoriamente em qualquer colecção de amantes de “swordplay” e afins. É um “não-fã” de Tsui Hark que o diz!

"Fei Lung e On Man enfrentam-se num sangrento duelo"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Fanaticine

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13