"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

Mostrar mensagens com a etiqueta Deon Lam. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Deon Lam. Mostrar todas as mensagens

sábado, janeiro 20, 2007

Infiltrados/Infernal Affairs/Mou gaan dou (2002)

Origem: Hong Kong

Duração: 97 minutos

Realizadores: Andrew Lau e Alan Mak

Com: Tony Leung Chiu Wai, Andy Lau, Anthony Wong, Eric Tsang, Kelly Chen, Sammy Cheng, Edison Chen, Shawn Yue, Chapman To, Dion Lam

"Lau, a toupeira da tríade"

Estória

Um grupo de jovens adultos assiste a uma palestra de um homem mais velho. O orador não é nada mais, nada menos que "Sam" (Eric Tsang), o chefe de uma das mais poderosas tríades de Hong Kong.

Este grupo de adolescentes está prestes a entrar na escola de polícia, tendo em vista tornarem-se futuros agentes da lei. No entanto, constituem ao mesmo tempo membros da tríade. Tudo passa por tornarem-se em futuros espiões da máfia de Hong Kong, integrados no maior inimigo daquela organização, a polícia. De entre estes jovens, destaca-se "Lau" (Edison Chen).

Assim que começa o treino e formação dos jovens na academia de polícia, um instruendo chamado "Yan" é expulso por aparentemente não estar à altura das tarefas que lhe são propostas. Na realidade, "Yan" foi incumbido de uma missão pelo superintendente "Wong" (Anthony Wong), que passa pelo jovem trabalhar como infiltrado da polícia nas tríades.

"Yan, a toupeira da polícia"

Dez anos depois, "Yan" (Tony Leung Chiu Wai) vê-se cada vez mais envolvido no mundo do crime organizado, sentindo-se progressivamente mais frustado e exaurido. Ele quer deixar as suas funções de "toupeira", mas "Wong" consegue convence-lo a continuar. Por outra via, "Lau" (Andy Lau) vai progredindo na hierarquia da polícia, impressionando os seus superiores, sem que estes desconfiem minimamente que ele é um espião da tríade de "Sam". O resultado dos êxitos dos protagonistas em campos opostos, é "Yan" ser actualmente o braço direito de "Sam", e "Lau" é um renomado inspector que trabalha com o superintendente "Wong".

Quando uma operação de apreensão de droga é frustrada, "Wong" e "Yan" começam a desconfiar que têm um espião dentro da polícia. Por outro lado, "Sam" igualmente desconfia que tem uma "toupeira" da polícia inserida na sua organização.

Uma caça aos espiões começa, e as máscaras serão impiedosamente descerradas.

"Yan e a tríade"

"Review"

Numa altura em que "The Departed" assume-se como um dos principais candidatos a ser um dos grandes vencedores da edição de 2007 dos óscares da academia, assume particular aquidade a análise da película onde Scorcese foi beber a inspiração. Na realidade, a curiosidade despontada em torno de "Infernal Affairs" ("Infiltrados"), só fará mais sentido para aqueles que não costumam embarcar nas lides do cinema asiático, mais especificamente o proveniente de Hong Kong. "Infiltrados" já era sobejamente conhecido pela maior parte dos amantes do cinema oriental, mesmo por aqueles que não elegem os policiais como o seu género favorito para visionamento, de que é exemplo a minha pessoa. Trata-se sem dúvida de um ícone e dos melhores produtos oriundos daquelas paragens, como é comprovado pelos sete "Hong Kong Awards" com que o filme foi distinguido, para além de outros 16 prémios em variados festivais.

A qualidade do filme é logo demonstrada pelo impressionante elenco que Andrew Lau e Alan Mak conseguiram congregar para a interpretação dos papéis.

Andy Lau dispensa qualquer tipo de apresentação, pois trata-se sem dúvida de um dos nomes mais sonantes de Hong Kong, com uma carreira profícua pelos mais variados géneros, desde o Wuxia, drama, policial, comédia, etc. Em "Infiltrados", no papel do homónimo inspector "Lau", consegue atingir porventura o pico das suas capacidades interpretativas, dando vida a um frio e calculista mafioso, que ao mesmo tempo é um polícia. É interessante ver como "Lau" (a personagem) acaba com o decorrer do tempo por sentir-se dividido entre a sua missão e a nova vida que decorreu dessa mesma missão. Podemos claramente discernir que "Lau" aos poucos tomou uma decisão definitiva que faz com que lute contra os mundos paralelos, inimigos e díspares que tentam assumir o controlo da sua vida. O problema é que "Lau" possui uma personalidade demasiado forte para ser controlado por algo ou por alguém.

Mas se Andy Lau é sobejamente reconhecido pelo seu quilate, o que dizer então do fantástico Tony Leung Chiu Wai. Desde já sou suspeito para opinar, pois na minha modesta opinião estamos perante o melhor actor que alguma vez foi dado a conhecer pelo cinema de Hong Kong. Em "Infiltrados", Tony Leung limita-se a confirmar o que quase todos sabiam, ou seja, estamos perante um intérprete de capacidades quase ilimitadas, em praticamente todos os aspectos. A sua melancolia consubstanciada no facto de se sentir um pária, sem identidade própria, é catapultada para os olhos do espectador com uma pujança tremenda.

O restante elenco, formado por nomes bastante conhecidos de Hong Kong, situa-se num bom plano, em especial Anthony Wong e Eric Tsang.

"Uma morte violenta"

Apesar de ser um filme passível de ser catalogado como um policial, "Infiltrados" está longe de ser um conjunto de tiroteios, lutas corpo a corpo, facadas, etc. Como estamos a falar de uma película que versa sobretudo sobre as relações e conflitos existentes entre o crime organizado e as forças policiais, é incontornável que tais situações ocorram. No entanto o que se saúda é o anti-exagero presente, dando-se uma clara primazia à fluidez da acção, tendo como mote os sentimentos e angústias das personagens. A trama vivida desta perspectiva, sem ser chato ou banal, faz com que se obtenha uma película de elevadíssima, repito, elevadíssima qualidade!

O cuidado na realização é outro aspecto a destacar. Os pormenores e a inteligência na demonstração dos mesmos, confere a "Infiltrados" um honroso lugar nos melhores produtos que alguma vez sairam dos estúdios de Hong Kong. O filme está recheado de pormenores deliciosos, que servem para solidificar ainda mais a trama e a envolvência que nos é transmitida pelas duas "toupeiras".

A banda-sonora simplesmente espectacular, e os interlúdios de silêncio entre as fabulosas melodias, acabam por ser, à semelhança do argumento do filme, um jogo em que apenas os mais capazes poderão competir e sobreviver.

Se algo de negativo pode ser apontado a "Infiltrados", será apenas e tão-só a curta duração do filme. Eu por mim acho que merecia no mínimo mais meia-hora!

Muito bom!

"As toupeiras encontram-se..."

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 10

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do M.A.M. - 8

Classificação Final: 8,75





domingo, setembro 17, 2006

A Man Called Hero/Zhong Hua ying xiong (1999)

Origem: Hong Kong

Duração: 109 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Ekin Cheng, Kristy Yeung, Shu Qi, Yuen Biao, Deon Lam, Jerry Lamb, Nicholas Tse, Francis Ng, Anthony Wong, Ken Lo, Elvis Tsui, Mark Cheng, Sam Lee, Grace Yip, Jude Poyer, Cheng Pei Pei, Thomas Hudak

"Hero Hua"

Estória

No início do século XX, na China, "Hero Hua" é um jovem aprendiz do mestre de artes marciais "Pride", a quem é confiado uma técnica invencível conhecida como "o segredo da China".

Um dia "Hua" ao chegar a casa depara-se com os pais assassinados. A sua mãe antes de expirar afirma que a família foi atacada devido a uma crítica que o pai de "Hua" fez num jornal, cujo conteúdo versava sobre os males sociais provocados pelo tráfico de ópio que os estrangeiros fazem no país. "Hua" vinga-se dos homicidas e em virtude disso é obrigado a fugir para os E.U.A., deixando para trás a sua esposa grávida "Jade" e o seu melhor amigo "Sheng".

"Hero Hua ladeado da esposa Jade e do melhor amigo Sheng"

Meses depois "Jade" e "Sheng" desembarcam nos E.U.A e vão à procura de "Hua", descobrindo que este tem a cabeça a prémio por ter morto um capataz numa mina. Posteriormente acabam por localizar "Hua", e as coisas começam a correr bem até ao dia em que "Jade" dá à luz um casal de gémeos na "Casa da China", um entreposto de apoio aos imigrantes chineses, e deflagra um incêndio. O fogo é provocado por "Jin", que viajou até aos E.U.A para tentar capturar "Hua", a mando de "Invincible", o eterno rival de "Pride". "Jin" age movido pelos ciúmes, pois não entende que uma das ninjas sob o seu comando, a bela "Mu", tenha-se apaixonado por "Hua".

"Jade" falece e um dos gémeos (a rapariga) é raptado. "Hua" consulta um adivinho e este informa que o protagonista nasceu sob o signo da "estrela da morte", que faz com que todas as pessoas importantes para ele tenham um mau fim. Em virtude disto, "Hua" decide desaparecer para o mundo.

Dezasseis anos depois, "Sword Hua", o filho de "Hero Hua", desembarca nos E.U.A. decidido a descobrir o paradeiro do pai.

"Invincible" igualmente viaja para Nova Iorque, decidido a confrontar-se com "Hero Hua".

"Invincible furioso"

"Review"

Após o sucesso de "The Storm Riders", Andrew Lau lançou-se novamente nas adaptações de "manga", auxiliado por um uso intensivo de imagens geradas por computador e daqui nasceu "A Man Called Hero". Lau ainda viria a realizar um terceiro filme recorrendo ao mesmo tipo de execução chamado "The Duel".

"A Man Called Hero" foi um filme ambicioso desde o início e pretende ser acima de tudo um épico na verdadeira acepção da palavra, aproveitando a embalagem catalisada pelo seu antecessor. Existe inclusive uma repetição de "casting", com Ekin Cheng e Kristy Yeung a protagonizarem a película. O mesmo viria a suceder com o já mencionado "The Duel".

O resultado final é um misto de bom e de mau.

Já na crítica a "The Duel", constante aqui no "M.A.M.", tinha afirmado que este filme, conjuntamente com "The Storm Riders" e "A Man Called Hero", constituia uma trilogia não oficial de Andrew Lau, não amiúde sendo estas películas comercializadas conjuntamente num "pack". Eu por exemplo adquiri os filmes nesse formato.

Igualmente tinha sido dito à altura que à medida que os filmes eram realizados, a qualidade decrescia, ou seja, "The Storm Riders" (1998) era melhor que "A Man Called Hero" (1999) e por sua vez "The Duel" revelava ser claramente o pior dos três.

Quanto a "A Man Called Hero" que é o que nos ocupa agora, podemos dizer desde logo que o argumento é de elevada qualidade e muito bem imaginado. Só não leva uma nota melhor devido a uma grande falha que consiste em nunca sabermos o que se passou afinal com a filha de "Hua", raptada aquando do incêndio na "Casa da China". E isto ainda assume mais importância quando "Hua" e o filho na última meia-hora do filme, unem-se em torno de alguns objectivos cujo principal é encontrar a rapariga desaparecida. Eu já tentei perceber se isto é uma "pecha" do enredo ou se pelo contrário Andrew Lau pretendeu que nós puxássemos pela massa cerebral e entrássemos em conjecturas. A minha passará pela filha de "Shadow" ser na realidade a filha de "Hua", e apenas "Shadow" saber desse facto. Sugestões aceitam-se!

A interpretação dos actores é perfeitamente normal, sem rasgos de genialidade, com Ekin Cheng no seu costumeiro ar sério, a passear com as mãos atrás das costas durante metade do filme.

"Hero Hua medita num local fora do normal"

Fiquei com a nítida impressão que esta película tem um forte pendor nacionalista e até estigmas anti-caucasianos. O tema da imigração é fortemente abordado, com o pobre trabalhador chinês a ser escravizado pelo mau do homem branco, e de vez a vez, quando se lhe depara uma oportunidade, lá se vinga com muito "kung-fu" à mistura. A semi-destruição da estátua da liberdade, por altura do confronto final entre "Hua" e "Invincible", é muito sintomática deste aspecto e quanto a mim passível de várias interpretações.

As lutas em regra geral apresentam uma qualidade bastante aceitável, destacando-se aqui os magníficos efeitos especiais evidenciados no confronto entre "Pride" (o mestre de "Hua") e "Invincible", onde as lâminas não se tocam, e ambos canalizam a água proveniente da chuva um contra o outro. A referenciada luta na estátua da liberdade tem os seus altos e baixos, denotando-se por vezes efeitos de certa forma primários.

Uma palavra final para os cenários urbanos de Nova Iorque. Fiquei bastante impressionado pela positiva, notando-se um especial cuidado até ao ínfimo pormenor, desde as viaturas da época, passando pelo guarda-roupa e os edifícios. Isto ainda assume mais relevo quando estamos a falar de um filme que não é ocidental.

"A Man Called Hero" é uma película a ser vista e adquirida, conquanto o preço não seja elevado. Com interesse.

"Confronto entre Hero Hua e Invincible tendo como pano de fundo a estátua da liberdade"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 7
Argumento – 8
Banda-sonora – 7
Guarda-roupa e adereços – 7
Emotividade – 7
Mérito artístico – 7
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,13