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domingo, outubro 07, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Mais quatro grandes intérpretes asiáticos, sujeitos ao crivo dos visitantes deste blogue. Toca a votar!
Michelle Yeoh

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Tigre e o Dragão, Memórias de Uma Gueixa, Butterfly & Sword, Fearless - A Coragem do Guerreiro

Yuen Biao

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Man Called Hero , Os Guerreiros da Montanha - versão 1983, Era Uma Vez na China

Kim Hee-seon (Kim Hee-sun)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Bichunmoo, o Guerreiro, O Mito

Ken Watanabe

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Memórias de Uma Gueixa



domingo, julho 29, 2007

Era Uma Vez na China/Once Upon a Time in China/Wong Fei Hung - 黃飛鴻 (1991)
Origem: Hong Kong
Duração: 126 minutos
Realizador: Tsui Hark
Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Yuen Biao, Kent Cheng, Jacky Cheung, Yen Shi Kwan, Lau Shun, Jimmy Wang, Yuen Cheung Yan, Wu Ma, Wong Chi Yeung, Yuen Gam Fai, Yau Gin Gwok, Yuen Sun Yi, Jonathan Isgar, Mark King, Steve Tartalia
"Wong Fei Hung"

Estória

A China vive numa fase em que a influência ocidental é cada vez maior, principalmente a adveniente dos E.U.A., da Inglaterra e da França. Neste aspecto a cidade de Foshan não é diferente do resto do país.

O general do exército do “Estandarte Negro” (Lau Shun) pede a “Wong Fei Hung” (Jet Li) que forme um corpo de milicianos, tendo em vista a protecção dos cidadãos da povoação. Auxiliado pelos seus discípulos “Porky Lang – Toucinho na versão portuguesa” (Kent Cheng) e “Bucktooth So – Favolas na versão portuguesa” (Jacky Cheung), “Wong” leva a cabo a tarefa, sendo bem sucedido no seu desiderato. Entretanto, o herói acaba por conhecer a prima “Yee” (Rosamund Kwan), uma chinesa ocidentalizada que vivia em Londres, ficando incumbido de protege-la. Um interesse romântico começa a resvalar, a que “Wong” não retribui em nome da sua honra.

"Wong Fei Hung e a prima Yee"

Um dia, uma companhia de teatro chega à cidade, fazendo parte da mesma “Leung Foon” (Yuen Biao). “Foon” mete-se em problemas com uma tríade local, conhecida como “Sha Bo Hang”, sendo expulso da companhia teatral. Eventualmente, o jovem acaba por se associar a “Yin” (Yuen Cheung Yan) que ambiciona tirar o título a “Wong” de principal mestre de artes marciais.

“Yin” acaba por reunir forças com a tríade “Sha Bo Hang” e com os americanos “Jackson” (Jonathan Isgar) e “Tiger” (Steve Tartalia), tendo em vista destronar “Wong” de vez. No meio, um sórdido negócio de exportação de chineses para escravidão laboral floresce.

Escusado será dizer que o herói “Wong Fei Hung” não permitirá que tais atropelos à justiça continuem a subsistir!

"Wong Fei Hung mostra o poder do Kung Fu"

"Review"

Um leitor atento deste blogue e conhecedor das minhas opiniões, perceberá facilmente que não morro de amores por Tsui Hark (heresia, queimem o Jorge Soares Aka Shinobi na fogueira!!!). Contudo, a grande excepção à minha opinião sobre as obras do realizador e produtor vietnamita naturalizado chinês é a sua epopeia “Era Uma Vez Na China” e quase todos os episódios subsequentes. Aqui dou o braço a torcer, e admito que este conjunto de filmes marcou verdadeiramente uma era no cinema de artes marciais em particular, e no de Hong Kong em geral. Claro está, independentemente desta premissa, revelo que tais películas são do meu agrado.

Hark resolveu fazer mais uma das dezenas de encarnações para o cinema do herói popular Wong Fei Hung, e saiu-se francamente bem. A popularidade que a película granjeou, fez com que se entrasse num verdadeiro “franchising”, com as sequelas a surgirem a rodos, medeando pouco tempo entre as mesmas. E aqui, somos logo obrigados a fazer um aparte para esclarecer algo acerca de uma edição em Dvd do filme que existe em Portugal, e que poderá induzir as pessoas num certo erro. A edição em causa, de boa qualidade diga-se de passagem, é sugestivamente intitulada “Era Uma Vez na China – Trilogia”. Ora cumpre esclarecer que a saga não é composta por apenas três filmes, mas sim pelo dobro dos mesmos, ou seja, seis. Desses seis filmes, Jet Li representa o papel de “Wong Fei Hung” em quatro, ficando os restantes dois a cargo de Vincent Chiu.

As coreografias de luta estão bastante boas e emocionantes, conseguindo-se mesmo efeitos espectaculares com algum dramatismo e emoção, de que constitui exemplo a primeira luta de “Wong” contra o mestre “Yin”, debaixo de uma forte chuva (simplesmente brilhante o movimento dos pés na água!). Outro combate que terá igualmente de ser destacado é a luta final, com “escadas voadoras”.

" Jackson e Tiger, os americanos traficantes de mão de obra"

Uma vez a propósito da crítica efectuada aqui neste blogue a “Fong Sai Yuk”, um colega que igualmente possui um espaço dedicado ao cinema asiático afirmou que a personagem de “Wong Fei Hung” deveria ter sido interpretada por alguém mais maduro. De facto, temos de admitir que a opinião tem alguma razão de ser. Jet Li apesar de nos presentear mais uma vez com uma actuação de bom nível, não pode lutar contra o facto de à altura de “Era Uma Vez…” ser relativamente novo (tinha cerca de 28 anos), o que possivelmente não conferirá uma autenticidade tão grande à personagem. Não nos podemos esquecer que “Wong Fei Hung”, por altura dos eventos de “Era Uma Vez…”, era já um mestre conceituado, tanto no domínio das artes marciais como no da medicina tradicional chinesa, tendo vários discípulos e seguidores. Isto normalmente acontece com pessoas dotadas de uma vasta experiência de vida. Li, pelo contrário, parece um miúdo, o que não ajuda nada o facto de ter uma face eminentemente jovial, que nem as expressões sérias e ponderadas ajudam a disfarçar.

Os fãs de Yuen Biao poderão ficar de alguma forma desiludidos, atendendo a que este actor é permanentemente secundarizado devido à omnipresença de Jet Li. O seu potencial de combate não é nem de perto, nem de longe demonstrado no filme. A Kent Cheng e Jacky Cheung coube-lhes a honra em desempenhar as personagens cómicas do filme, o que o fazem com mestria, levando a que criemos uma certa empatia com “Toucinho” e “Favolas”. Rosamund Kwan, uma actriz asiática com grande fulgor, em especial na década de ’90, cumpre com razoabilidade a figura da prima “Yee”, uma jovem ponderada, mas de alguma forma ingénua que necessita sempre das atenções de “Wong”.

O que verdadeiramente falta a este filme são adversários emblemáticos. Com todo o respeito, não nos parece que o “Mestre Yin”, representado por Yuen Cheung Yan, tenha grande carisma. Os próprios americanos não se afiguram como vilões bastante credíveis. Neste aspecto em particular, a sequela viria a ser bastante melhor. Também com Donnie Yen no lado oposto, como é que tal não poderia suceder ?!

Outra marca do filme tem a ver com o forte pendor nacionalista do argumento. Como já foi referido na sinopse, viviam-se tempos em que a influência ocidental crescia a olhos vistos na China, que passava pela difusão do cristianismo, a introdução de novo armamento, o controlo do comércio e das principais riquezas do país. Inclusive são mencionadas as ocupações de Hong Kong por parte dos ingleses, e de Macau por parte de Portugal. Com base nestas premissas, “Era Uma Vez…” transmite a premente necessidade de defesa da cultura e do modo de vida chinês, recorrendo a um dos aspectos mais próprios do país, o uso do Kung Fu. Desemboca-se pois numa lição de história, porventura um pouco tendenciosa, mas aceitável. Este mesmo argumento faz com esta película seja mais elaborada do que a maior parte das suas congéneres.

Um bom filme, obrigatório para qualquer amante de longas-metragens de artes marciais. Fará as delícias dos fãs de Jet Li!

"Mestre Yin e Wong Fei Hung medem forças"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





domingo, julho 01, 2007

Os Guerreiros da Montanha/Zu: Warriors From The Magic Mountain/Suk san: San suk saan geen hap - 蜀山:新蜀山劍俠 (1983)

Origem: Hong Kong

Duração: 94 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Yuen Biao, Adam Cheng, Brigitte Lin, Damian Lau, Sammo Hung, Randy Man, Judy Ong, Moon Lee, Tsui Siu Keung, Mang Hoi, Dick Wei, Chung Fat, Tsui Hark

"Ming Chi e os seus aliados"

Estória

A península de Zu, terra que ocupa uma posição estratégica vital na China, vive tempos conturbados, pois encontra-se imersa numa guerra civil, travada entre diversas facções, conhecidas pela cor que usam nos seus uniformes.

“Ti Ming Chi” (Yuen Biao) é um batedor do “exército azul” que se mete em problemas com os seus, devido à recusa em obedecer a ordens superiores, ou melhor, em não saber a quem irá obedecer numa determinada tarefa.

Sendo perseguido, vê-se obrigado a procurar refúgio nas montanhas místicas da península, um sítio povoado por deuses e seres sobrenaturais, tanto do bem como do mal. Aí conhece “Ting Yin” (Adam Cheng), um mestre espadachim com poderes fantásticos que toma “Ming Chi” como seu discípulo.

"O mestre Ting Yin"

Ambas as personagens são encarregues por “Chang Mei” (Sammo Hung) em encontrar as “espadas gémeas”, as únicas armas capazes de derrotar um poderoso demónio que ameaça destruir o mundo inteiro.

Aquando da chegada ao palácio de uma condessa (Brigitte Lin) que é dotada de poderes curativos, o demónio possui o corpo de “Ting Yin”, usando-o para os seus propósitos maléficos. Só resta a “Ming Chi” ter de completar a tarefa para a qual foi incumbido, contando apenas com a ajuda de “Yi Chen”, um monge com problemas de auto-confiança.


"A condessa"

"Review"

Já anteriormente tinha elaborado um “post” acerca de um filme denominado “Guerreiros da Montanha”, cujo realizador é Tsui Hark. Como já deverão ter reparado, o filme que agora se fala possui uma designação semelhante (melhor dizendo, foi realizado em Portugal com o mesmo nome), assim como o realizador é o autor vietnamita, naturalizado chinês. No entanto, tratam-se de filmes distintos, feitos com uma distância de 18 anos. Foi a película que neste momento se analisa que inspirou “Legend of Zu”, embora não se possa propriamente falar de um “remake”, pois as estórias são diferentes, embora tenha que se admitir a existência de alguns pontos de contacto. Fica aqui expresso o esclarecimento, que se dirige essencialmente ao público português, pois noutros países, as duas longas-metragens têm títulos distintos, que as fazem ser distinguidas facilmente.

Este “Guerreiros da Montanha” – versão ’83, é considerado com muita propriedade, o progenitor de todos os filmes de Hong Kong que se reconduzem ao subgénero de fantasia de artes marciais. O próprio Tsui Hark recrutou elementos ocidentais da equipa técnica de “Guerra das Estrelas” para o auxiliarem nos arrojados efeitos especiais que se pretendiam fazer, e que eram absolutamente uma novidade no cinema de Hong Kong da altura.

E é precisamente na novidade e no mérito artístico que o filme dá cartas. Os efeitos são razoavelmente bons, e conjuntamente com os cenários dão uma saudável aura mística e de heroísmo mitológico à película. Claro que ao espectador de hoje, parecerão tremendamente arcaicos e sem nexo nenhum, mas temos de ter sempre presente que “Guerreiros da Montanha” viu a luz do dia há 24 anos. Forçosamente as coisas terão de ser analisadas desse prisma temporal.

"Luta épica nos céus"

Infelizmente e à semelhança do seu homónimo mais recente, os aspectos visuais são das poucas coisas que se aproveitam deste filme. Pelos vistos, 18 anos depois Tsui Hark viria a cair no mesmo erro. A estória, embora baseada na rica literatura mitológica chinesa, é deveras incongruente, pobremente desenvolvida, chegando ao ponto de por vezes não apresentar nexo nenhum. Não é um mal que se possa assacar apenas a esta obra, pois principalmente na década de ’80 e inclusive de ’90, não era raro os filmes de artes marciais e afins de Hong Kong se preocuparem quase exclusivamente com a acção, desprezando os aspectos mais argumentativos.

O problema é que nem a acção salva esta película. Com intérpretes tão capazes de nos oferecerem momentos únicos no que toca aos aspectos mais físicos da representação (alguém ousará questionar as capacidades de Yuen Biao ou Sammo Hung???), nada de relevante ocorre neste particular. A acção fica quase sempre a cargo dos já referidos efeitos especiais e do uso abusivo de guindastes. Quem já se deu ao trabalho de ler os meus textos com um mínimo de atenção, sabe que eu nada tenho contra o uso destes acessórios por forma a abrilhantar o filme, ou não fossem as minhas películas asiáticas favoritas, os “new ages” “Herói” e “O Tigre e o Dragão” (com todo o respeito que me merecem outras excelentes obras asiáticas de gerações mais antigas). Mas mesmo nestes filmes, notamos claramente algum trabalho físico e alma posto na tela pelos intervenientes. Ora, em “Guerreiros da Montanha”, este aspecto foi claramente descurado, e tirando os aspectos visuais, ficamos com um invólucro bonito, mas completamente oco por dentro. É essa a verdade!

“Guerreiros da Montanha” valerá quase exclusivamente pela nova era e diferente abordagem (quer se goste da mesma ou não) que iniciou na cinematografia de Hong Kong, e que posteriormente inspiraria de alguma forma filmes como a boa trilogia “A Chinese Ghost Story”, ou o péssimo “Dragon Chronicles”. Terá ainda um aliciante adicional que passará por vermos uma jovem Brigitte Lin a se iniciar praticamente no mundo dos filmes das artes marciais. O resto não será com certeza para relembrar…

Salva-se a experiência histórica!

"Tendo por fundo um cenário de sonho, os heróis deparam-se com a condessa pela primeira vez"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 6

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,75






domingo, setembro 17, 2006

A Man Called Hero/Zhong Hua ying xiong (1999)

Origem: Hong Kong

Duração: 109 minutos

Realizador: Andrew Lau

Com: Ekin Cheng, Kristy Yeung, Shu Qi, Yuen Biao, Deon Lam, Jerry Lamb, Nicholas Tse, Francis Ng, Anthony Wong, Ken Lo, Elvis Tsui, Mark Cheng, Sam Lee, Grace Yip, Jude Poyer, Cheng Pei Pei, Thomas Hudak

"Hero Hua"

Estória

No início do século XX, na China, "Hero Hua" é um jovem aprendiz do mestre de artes marciais "Pride", a quem é confiado uma técnica invencível conhecida como "o segredo da China".

Um dia "Hua" ao chegar a casa depara-se com os pais assassinados. A sua mãe antes de expirar afirma que a família foi atacada devido a uma crítica que o pai de "Hua" fez num jornal, cujo conteúdo versava sobre os males sociais provocados pelo tráfico de ópio que os estrangeiros fazem no país. "Hua" vinga-se dos homicidas e em virtude disso é obrigado a fugir para os E.U.A., deixando para trás a sua esposa grávida "Jade" e o seu melhor amigo "Sheng".

"Hero Hua ladeado da esposa Jade e do melhor amigo Sheng"

Meses depois "Jade" e "Sheng" desembarcam nos E.U.A e vão à procura de "Hua", descobrindo que este tem a cabeça a prémio por ter morto um capataz numa mina. Posteriormente acabam por localizar "Hua", e as coisas começam a correr bem até ao dia em que "Jade" dá à luz um casal de gémeos na "Casa da China", um entreposto de apoio aos imigrantes chineses, e deflagra um incêndio. O fogo é provocado por "Jin", que viajou até aos E.U.A para tentar capturar "Hua", a mando de "Invincible", o eterno rival de "Pride". "Jin" age movido pelos ciúmes, pois não entende que uma das ninjas sob o seu comando, a bela "Mu", tenha-se apaixonado por "Hua".

"Jade" falece e um dos gémeos (a rapariga) é raptado. "Hua" consulta um adivinho e este informa que o protagonista nasceu sob o signo da "estrela da morte", que faz com que todas as pessoas importantes para ele tenham um mau fim. Em virtude disto, "Hua" decide desaparecer para o mundo.

Dezasseis anos depois, "Sword Hua", o filho de "Hero Hua", desembarca nos E.U.A. decidido a descobrir o paradeiro do pai.

"Invincible" igualmente viaja para Nova Iorque, decidido a confrontar-se com "Hero Hua".

"Invincible furioso"

"Review"

Após o sucesso de "The Storm Riders", Andrew Lau lançou-se novamente nas adaptações de "manga", auxiliado por um uso intensivo de imagens geradas por computador e daqui nasceu "A Man Called Hero". Lau ainda viria a realizar um terceiro filme recorrendo ao mesmo tipo de execução chamado "The Duel".

"A Man Called Hero" foi um filme ambicioso desde o início e pretende ser acima de tudo um épico na verdadeira acepção da palavra, aproveitando a embalagem catalisada pelo seu antecessor. Existe inclusive uma repetição de "casting", com Ekin Cheng e Kristy Yeung a protagonizarem a película. O mesmo viria a suceder com o já mencionado "The Duel".

O resultado final é um misto de bom e de mau.

Já na crítica a "The Duel", constante aqui no "M.A.M.", tinha afirmado que este filme, conjuntamente com "The Storm Riders" e "A Man Called Hero", constituia uma trilogia não oficial de Andrew Lau, não amiúde sendo estas películas comercializadas conjuntamente num "pack". Eu por exemplo adquiri os filmes nesse formato.

Igualmente tinha sido dito à altura que à medida que os filmes eram realizados, a qualidade decrescia, ou seja, "The Storm Riders" (1998) era melhor que "A Man Called Hero" (1999) e por sua vez "The Duel" revelava ser claramente o pior dos três.

Quanto a "A Man Called Hero" que é o que nos ocupa agora, podemos dizer desde logo que o argumento é de elevada qualidade e muito bem imaginado. Só não leva uma nota melhor devido a uma grande falha que consiste em nunca sabermos o que se passou afinal com a filha de "Hua", raptada aquando do incêndio na "Casa da China". E isto ainda assume mais importância quando "Hua" e o filho na última meia-hora do filme, unem-se em torno de alguns objectivos cujo principal é encontrar a rapariga desaparecida. Eu já tentei perceber se isto é uma "pecha" do enredo ou se pelo contrário Andrew Lau pretendeu que nós puxássemos pela massa cerebral e entrássemos em conjecturas. A minha passará pela filha de "Shadow" ser na realidade a filha de "Hua", e apenas "Shadow" saber desse facto. Sugestões aceitam-se!

A interpretação dos actores é perfeitamente normal, sem rasgos de genialidade, com Ekin Cheng no seu costumeiro ar sério, a passear com as mãos atrás das costas durante metade do filme.

"Hero Hua medita num local fora do normal"

Fiquei com a nítida impressão que esta película tem um forte pendor nacionalista e até estigmas anti-caucasianos. O tema da imigração é fortemente abordado, com o pobre trabalhador chinês a ser escravizado pelo mau do homem branco, e de vez a vez, quando se lhe depara uma oportunidade, lá se vinga com muito "kung-fu" à mistura. A semi-destruição da estátua da liberdade, por altura do confronto final entre "Hua" e "Invincible", é muito sintomática deste aspecto e quanto a mim passível de várias interpretações.

As lutas em regra geral apresentam uma qualidade bastante aceitável, destacando-se aqui os magníficos efeitos especiais evidenciados no confronto entre "Pride" (o mestre de "Hua") e "Invincible", onde as lâminas não se tocam, e ambos canalizam a água proveniente da chuva um contra o outro. A referenciada luta na estátua da liberdade tem os seus altos e baixos, denotando-se por vezes efeitos de certa forma primários.

Uma palavra final para os cenários urbanos de Nova Iorque. Fiquei bastante impressionado pela positiva, notando-se um especial cuidado até ao ínfimo pormenor, desde as viaturas da época, passando pelo guarda-roupa e os edifícios. Isto ainda assume mais relevo quando estamos a falar de um filme que não é ocidental.

"A Man Called Hero" é uma película a ser vista e adquirida, conquanto o preço não seja elevado. Com interesse.

"Confronto entre Hero Hua e Invincible tendo como pano de fundo a estátua da liberdade"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:
Entretenimento – 8
Interpretação – 7
Argumento – 8
Banda-sonora – 7
Guarda-roupa e adereços – 7
Emotividade – 7
Mérito artístico – 7
Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,13