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domingo, agosto 22, 2010

Fist of Legend/Jing wu ying xiong – 精武英雄 (1994)

Capa 2

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 103 minutos

Realizador: Gordon Chan

Com: Jet Li, Shinobu Nakayama, Chin Siu Hou, Billy Chow, Yasuaki Kurata, Paul Chun, Jackson Liu, Ada Choi, Yuen Cheung Yan, Toshimichi Takahashi, Kenji Tanigaki, Wong Sun, Lee Man Biu

Chen Zhen 4

“Chen Zhen”

Sinopse

“Chen Zhen” (Jet Li), é um estudante de engenharia chinês, que se encontra a tirar a sua licenciatura no Japão, onde mantém um relacionamento com “Mitsuko Yamada” (Shinobu Nakayama) e luta contra as discriminações xenófobas que o clã do dragão negro leva a cabo contra os imigrantes e estrangeiros. No ano de 1937, “Chen” retorna a Xangai, um protectorado britânico, mas que na realidade se encontra ocupado pelos japoneses, tendo em vista vingar a morte do seu mestre “Huo Yuanjia” às mãos de “Ryuchi Akutagawa” (Jackson Liu), o campeão dos opressores.

Mitsuko Yamada

Mitsuko Yamada”

Após lutar e derrotar “Akutagawa”, “Chen” desconfia do sucedido, atendendo a que o seu oponente nunca teria capacidades para derrotar “Huo Yuanjia”. Após algumas investigações, “Chen” conclui que o seu mestre foi alvo de envenenamento o que lhe retirou faculdades durante o combate. Ferido na sua honra, e pugnando pela defesa do nome da escola “Chin woo”, “Chen” parte numa cruzada de retaliação, que culmina no desafio ao general “Fujita” (Billy Chow), o líder da conspiração e um temível combatente e assassino.

Luta 5

Chen Zhen dá uma lição aos japoneses do clã do dragão negro”

Review”

Qualquer fã do cinema de artes marciais, sabe perfeitamente que “Fist of Legend” é uma obra incontornável, sendo para muitos considerado o melhor filme de sempre do género. Tendo por inspiração “Fist of Fury”, protagonizado pelo malogrado e lendário Bruce Lee, e apesar de não ser um grande cultor das películas deste estilo, penso que no que toca às longas-metragens dos anos '90, “Fist of Legend” provavelmente estará no mais elevado grau do pedestal, a par de “Drunken Master II”. Aqui Jet Li interpreta “Chen Zhen”, o mais conhecido discípulo da lenda “Huo Yuanjia”, um herói popular e co-fundador da “Associação Internacional de Chin woo”, uma escola de artes marciais que presentemente possui mais de 50 delegações espalhadas por todo o mundo. O curioso é que Jet Li viria a interpretar 12 anos depois, a personagem de “Huo Yuanjia”, no aclamado “Fearless”, de Ronny Yu.

Apesar das premissas presentes em “Fist of Legend”, esta película não seria considerada um “remake” oficial de “Fist of Fury”, atendendo a que os direitos pertencentes à conhecida “Golden Harvest”, não foram adquiridos pela “Eastern Productions”, a produtora do filme mais recente. Contudo, o argumento de “Fist of Legend” é marcadamente inspirado pelo de “Fist of Fury”, com ressalva de algumas excepções que servem para dar uma identidade mais própria. Um dos aspectos mencionados, e que merecem aqui algum destaque, é a personagem de Yasuaki Kurata, um dos maiores nomes dos filmes de artes marciais, que serve para dar um brilho mais incandescente a esta obra. “Fuimo Funakoshi”, o mestre de artes marciais interpretado por Kurata, é uma personagem que não existia em “Fist of Fury”. Em “Fist of Legend”, o realizador Gordon Chan tem o mérito de usar, de forma eficiente, a moral envolta em “Funakoshi”, de forma a que possamos entender que existe uma diferença muito grande entre o militarismo do Império do Japão que grassou nas décadas de '30 e '40, em oposição aos honrados mestres de artes marciais que mais do que nacionalismos exacerbados, defendiam a pureza de espírito e o respeito pelo próximo no combate. Acresce o facto de ser sempre um prazer termos a oportunidade de vermos grandes nomes das artes marciais exibirem os seus dotes um contra o outro, como é o caso de um combate efectuado entre Jet Li e Yasuaki Kurata. Independentemente da valia técnica e física dos protagonistas, a luta em causa prima igualmente pelo diálogo construtivo entre dois lutadores de gerações diferentes, em que Kurata dá uma lição moral a Li, tentando apontar-lhe o caminho e verdadeiro significado do espectro que deve nortear o facto de se ser um praticante de artes marciais.

Luta 8

“Chen Zhen luta contra o seu amigo Hou Ting Han”

As cenas de luta são, à falta de melhor adjectivo, impressionantes! E mantêm a sua actualidade, mesmo hoje em dia, ou seja não envelheceram nem foram ultrapassadas. O conhecidíssimo Yuen Woo Ping efectua um trabalho maravilhoso na direcção das cenas de acção, onde muito contribuirá o facto de ter à sua disposição excelentes executantes do género. Os momentos memoráveis de luta são imensos e farão as delícias dos espectadores, pois golpes de antologia não faltarão, evidenciando um Jet Li na melhor forma da sua carreira. Pense-se nos inesquecíveis momentos em que “Chen Zhen” entra autoritário pelo “dojo” do clã do dragão negro, e dá uma valente tareia nos japoneses, ou no combate a dois entre “Chen Zhen” e o seu amigo/rival “Hou Ting An”, exponenciado ainda mais espectacularmente na luta já acima mencionada com Kurata. Se alguma crítica existe a fazer, ainda que muito leve, será o facto de o digladiar final entre “Chen Zhen” e o temível general “Fujita” ter ficado um pouco aquém das expectativas, quando já vínhamos detrás com uma rodagem impressionante de pontapés, socos e acrobacias miraculosas.

Embora a película viva essencialmente do desfilar das impressionantes demonstrações de artes marciais, existe um cuidado mínimo em expor o espectro histórico e cultural da China em geral, e de Xangai em particular, onde os japoneses obtêm a predominância no domínio de um país estrangeiro, com todos os antagonismos daí advenientes. E este aspecto é bastante de elogiar, atendendo a que existem outras películas do género que desprezam completamente o pano de fundo que lhes serve de base, ficando a perder claramente por descurarem o manancial sócio-cultural subjacente. Por outra via, haverá à partida um sentimento nacionalista presente em “Fist of Legend”, que visa reagir contra a ocupação japonesa e sublimar as artes marciais chinesas perante as provenientes do país do sol nascente. Mas teremos de ser sinceros e reconhecer que os nipónicos não são todos reportados como maus. Desta vez, podemos nos aperceber que é salvaguardada a noção de terem honra, mesmo nas situações de maior “frisson”. Pense-se que “Chen Zhen”, o herói da trama, está apaixonado por uma bondosa mulher japonesa, o embaixador deste país é visto como uma pessoa equilibrada, a personagem interpretada pela lenda Yasuaki Kurata é um modelo de mestre de artes marciais e até “Akutagawa”, o combatente que mata o mestre de “Chen Zhen”, tem demonstrações óbvias de ser um homem justo e honrado. A excepção vai para o general “Fujita”, mas que é compreensível, pois é o vilão da história e o alvo a abater.

“Fist of Legend” ficará para sempre conhecido como uma das obras mais marcantes do cinema de Hong Kong em geral, e dos filmes de artes marciais em particular. Possui um Jet Li memorável e um Kurata que deslumbra apenas com a sua presença, uma história propícia para o que se pretende do género “aluno vinga mestre”, uma banda-sonora adequada, e mais alguns aspectos laterais que preenchem aquelas pequenas frestas que muitas vezes ficam esquecidas. O que é que se pode pedir mais: que apareçam novas obras que mereçam honrar a herança desta longa-metragem.

Um “must” do cinema de artes marciais! Obrigatório!

Luta 7

Chen Zhen Vs. General Fujita”

imdb 7.5 em 10 (7.467 votos) em 22 de Agosto de 2010

Outras críticas em português:

  1. Cinedie Asia

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 9

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,13

sábado, setembro 19, 2009

A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão/The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor (2008)

Origem: E.U.A.

Duração: 107 minutos

Realizador: Rob Cohen

Com: Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello, Luke Ford, John Hannah, Isabella Leong, Michelle Yeoh, Anthony Wong, Russel Wong, Liam Cunningham, David Calder, Jessey Meng, Tian Liang, Albert Kwan, Jacky Wu Jing

"Rick O'Connel"

Introdução

Esta película encontra-se incluída na secção deste blogue denominada “Cunho da Ásia”. Para mais informações ir AQUI.

Sinopse

Na antiguidade chinesa, após ter conquistado todos os reinos circundantes, o imperador Han (Jet Li) decide procurar o segredo para a imortalidade, pois no seu pensamento tudo o que tem para fazer não pode ser contido numa única só vida. Para o efeito, procura o auxílio de “Zi Juan” (Michelle Yeoh), uma bruxa que supostamente conhece o segredo para uma existência eterna. Devido a um triângulo amoroso que finda tragicamente e às más intenções do monarca, “Zi Juan” amaldiçoa o imperador e o seu exército, transformando-os em estátuas de pedra.

"O imperador Han"

Muitos séculos depois, mais propriamente em 1946, o jovem “Alex O'Connel” (Luke Ford), filho de “Rick” (Brendan Fraser) e “Evie” (Maria Bello), encontra-se radiante por ter descoberto o túmulo do imperador Han. Acontece que o general “Yang” (Anthony Wong) ambiciona ressuscitar o monarca, o que ao fim de algumas peripécias, acaba por suceder. Cabe agora a “Alex”, auxiliado pelos seus pais retornados à acção, por “Lin” (Isabella Leong) e a imortal “Zi Juan” pôr cobro aos intentos do imperador em dominar o mundo.

"Lin"

"Review"

Não tenho pejo nenhum em afirmar que gostei dos filmes da saga “A Múmia”, sob a bitola de Stephen Sommers. Apesar de estarem bastante distantes de terem algum tipo de profundidade, ou de marcas de génio enformadoras de um cinema que reputamos de qualidade, o mundo criado por Sommers conseguia-nos transportar para uma vida de aventura e sonho, ligadas a uma das maiores civilizações da história da humanidade. É certo que o rigor histórico era um tanto ou quanto desprezado, mas o manancial de personagens emblemáticas em muito compensavam as debilidades do filme. Tenho de confessar que por vezes imaginava-me como um “Ardeth Bay”, com o seu ar heróico a cavalgar solitário pelo deserto, ou a chefiar um exército de guerreiros nómadas, prontos para tudo o que desse e viesse. Ao contrário da opinião mais generalizada, o segundo filme “The Mummy Returns”, colheu mais a minha preferência. Posteriormente, Sommers autonomizou uma personagem emblemática desta película e decidiu dar vida a “Scorpion King”, que me decepcionou de sobremaneira.

Sete anos após “The Mummy Returns”, nasce o terceiro episódio da Múmia, mas desta vez sem a direcção de Sommers, a excelente personagem de Ardeth Bay, interpretada pelo actor Oded Fehr nos filmes precedentes, e com Maria Bello a substituir Rachel Weisz no papel de “Evie”. A trama passa-se quase toda na China e gira em torno de aspectos históricos deste país, para além de possuir vários actores asiáticos de nomeada. Está justificada a razão pela qual esta longa-metragem é alvo de um texto no “My Asian Movies”. A primeira impressão a reter acerca desta película e que em muito adianta a sua conclusão passa por termos presente que um grande orçamento, efeitos especiais em catadupa, e um argumento simples não são suficientes para fazer um bom filme. No caso de “The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor” (doravante “Múmia 3”) há que acrescentar que, por vezes, é preciso saber onde parar. E efectivamente a saga deveria ter-se reduzido aos dois primeiros filmes.

Aqueles que vivem mais o cinema asiático, e cujo um dos motivos de interesse será poder observar o trabalho dos actores orientais numa película de “Hollywood”, não deverão alimentar expectativas desmesuradas. A Jet Li são conferidos poucos minutos na película, aparecendo no início do filme quando somos confrontados com a introdução da história na antiga China, e posteriormente na última meia hora da película, onde o imperador se confronta com os heróis da trama. No restante, a múmia é uma criação da tecnologia. É evidente que Li apenas foi recrutado devido ao efeito que o seu nome poderia provocar nas audiências e pouco mais. Chega a ser confrangedor ver o lendário actor não ter a oportunidade de demonstrar o que o celebrizou mais, ou seja, as artes marciais. Temos a oportunidade de ver algo no início de “Múmia 3”, onde Li defronta Jacky Wu Jing, outro peso pesado do género, mais um pouco quando se depara com Michelle Yeoh e posteriormente com a dupla pai/filho, constituída por Brendan Fraser e Luke Ford. O resto é uma amálgama de nulidades, sempre disfarçadas pelos propalados efeitos especiais.

"Rick defronta o imperador"

No que concerne a Michelle Yeoh e Anthony Wong, dois dos expoentes mais significativos do cinema oriental, nada demais nos é dado a apreciar. Representação muito limitada, roçando por vezes o descrédito quase total. Efectivamente se de algo positivo os actores retiraram da participação nesta longa-metragem, foi com certeza o cheque chorudo que levaram para casa. No meio desta desorientação quase total, salva-se a bela Isabella Leong, na sua estreia no ocidente, que ainda consegue conferir alguma alma e bastante encanto ao filme. Relativamente ao elenco ocidental, as coisas parecem piorar ainda mais. Fraser não evidencia a força e o carisma que demonstrou nas obras anteriores, revelando-se sensaborão e apagado. Luke Ford não acrescenta nada de novo e, como recorrentemente já foi criticado, parece o irmão mais novo de Fraser, do que propriamente o seu filho. Não será alheio o facto de Fraser ser apenas 13 anos mais velho que Ford. Maria Bello constitui claramente o elo mais fraco de “Múmia 3”, pois encontra-se a milhas do que Rachel Weisz fez nos dois filmes precedentes. “Evie” era conhecida pela sua doçura, sensatez e alguma ingenuidade extremamente cativante. Bello faz com que a personagem pareça uma zaragateira, sem ponta por onde se lhe pegue, carecendo gritantemente de classe. Por sua vez, as palhaçadas de John Hannah, no papel do irmão de “Evie”, já não têm piada absolutamente nenhuma, chegando-se ao ponto de por vezes apetecer ao espectador estrangulá-lo. A família “O'Connel”, no seu conjunto, merece descrédito e até mesmo recriminação.

Não há muito a dizer quanto à forma simplista e com falta de imaginação como o argumento é abordado. A inspiração passa pela história do primeiro imperador chinês Qin Shi Huang, o seu exército de terracota (guerreiros de Xian) e as crueldades cometidas pelo monarca aquando do início da construção da Grande Muralha da China. A película é bastante fácil de seguir, e possui bastante entretenimento. Contudo, tudo é feito de forma bastante insípida e frugal, e os motivos de interesse são bastante diminutos. À semelhança das anteriores “Múmias”, existe uma clara aposta nos efeitos especiais. Reconheço que alguns denotam bastante qualidade e chegam mesmo a impressionar vivamente. Ao contrário da maior parte da crítica, eu até achei piada aos Yeti e à sequência em que os mesmos auxiliam os “O'Connel” e companhia, contra o imperador, o general “Yang” e os seus apaniguados. Outros existem que são algo disparatados, ainda que geralmente estejam imbuídos de grandiosidade.

“Mummy: Tomb of theDragon Emperor” merece uma apreciação global negativa. Com a excepção de Isabella Leong, o elenco exibe-se num nível muito abaixo do que já demonstrou ser capaz de fazer. Não se pode viver apenas dos efeitos especiais, para atribuir valor a uma película, mesmo que aquela vise ser um “blockbuster” de papelão. Existe alguma ostracização das capacidades dos intervenientes, e torna-se mesmo imperdoável ver Jet Li coartado nas nuas inegáveis capacidades no domínio das artes marciais. Rob Cohen, autor de "XXX" e "The Fast and the Furious", dá mais um passo atrás. No fim, o filme só serve para provar um aspecto. Já não há volta a dar à saga “A Múmia”. Pelo menos, com este realizador e alguns membros do elenco...Voltem Sommers, Weisz e Fehr! Depois disto, estão mais que perdoados!


"O general Yang conhece a fúria de um dos Yeti"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 6

Argumento - 5

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 6

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,63





quinta-feira, junho 18, 2009

The Warlords - Irmãos de Sangue/The Warlords/Tau ming chong - 投名状 (2007)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 127 minutos

Realizador: Peter Chan e Raymond Yip (co-realizador)

Com: Jet Li, Andy Lau, Takeshi Kaneshiro, Xu Jinglei, Guo Xiao Dong, Shi Zhao Qi, Wang Kuirong, Wang Yachao, Gu Bao Ming, Guo Xiaodong, Zhou Bo

"Pang"

Sinopse

Na China do século XIX, a rebelião dos cristãos Taiping imergiu o reino Qing no caos. O general “Pang” (Jet Li) é o único sobrevivente de uma batalha com os opositores ao imperador, fingindo-se de morto entre os corpos dos homens que comandava. A sua vergonha e covardia perseguem-no, mas “Pang” encontra coragem e redenção numa noite que passa com “Lian” (Xu Jinglei). Esta parte pela manhã, sem deixar pistas acerca do seu destino.

“Pang” parte outra vez sem direcção, até travar conhecimento com “Wu Yang” (Takeshi Kaneshiro), um jovem salteador que é liderado por “Er Hu” (Andy Lau). Os bandidos ganham a vida roubando comida aos soldados e, por vezes, assassinando-os. Demonstrando que tem capacidades de luta muito acima da média, “Pang” junta-se ao grupo de “Er Hu”, ficando chocado quando descobre que “Lian” é a mulher daquele. Quando a aldeia chefiada por “Er Hu” é saqueada pelo exército “Qing”, a ameaça de fome torna-se bastante elevada. Contudo, “Pang” sugere que os salteadores se alistem como soldados, de forma a que possam ter comida, dinheiro e porventura fama e heroísmo.


"Er-Hu"

“Er Hu” e “Wu Yang” concordam, mas atendendo a que “Pang” é novo no grupo, insistem em fazer um juramento conjunto, de forma a assegurar a sua lealdade. Em virtude deste facto, tornam-se irmãos de sangue, unidos por um pacto inquebrável, cuja violação dará direito à morte. Cedo, o grupo começa a ganhar notoriedade, devido a importantes batalhas que conseguem vencer contra os Taiping. No entanto, a amoralidade da guerra, a traição advinda da política e a paixão que tanto “Er Hu” como “Pang” nutrem por “Lian”, irão pôr em causa a amizade assumida pelos três heróis.


"Wu Yang"

"Review"

De há dois anos para cá, confesso que “The Warlords” foi dos filmes que geraram mais expectativas na minha pessoa, fundamentalmente por dois aspectos: é um épico de guerra e possui um “cast” fortíssimo, onde pontificam três dos meus actores asiáticos favoritos. Profusamente premiado em variadíssimos festivais de cinema asiático, Peter Chan para levar a cabo esta empresa baseou-se no clássico “Blood Brothers”, filme que remonta a 1973, assinado por Chang Cheh. O filme impressiona pela sua grandiosidade, e detém mesmo alguns momentos de tirar a respiração. Contudo, não se encontra isento de aspectos menos bons e que a certa altura defraudam um pouco. Diga-se de passagem, e repito, que a obra estava tabelada por cima e o anseio era elevado.

Em Hong Kong, Peter Chan é mais conhecido pelo seu especial jeito para as longas-metragens que lidam mais com o romance, embora já tenha tido incursões por outros géneros. À primeira vista, julgo que o exemplo mais emblemático passará por “Comrades: Almost a Love Story”. Apesar de “The Warlords” ser um épico, não deixa de ter bem presente uma faceta desenvolvida no tocante à história de amor. Os caminhos escolhidos enveredam muito mais pelo platonismo, do que propriamente pela parte mais física da relação, fazendo com que nos apercebamos crescentemente que “Lian” a mulher de “Er Hu”, será uma das causas principais para que a irmandade sofra um abalo. Desde já se iliba “Lian” de alguma actuação maléfica ou propositada para que tal suceda. As coisas simplesmente tomam o rumo que lhes está destinado. No que toca à amizade supostamente existida entre os três vectores do triângulo do pacto, a mesma não convence muito. “Pang” e “Er Hu” estão demasiado agarrados aos seus códigos de honra e objectivos pessoais. Quanto a “Wu Yang”, o mesmo parece um ser ingénuo, que precisa de orientação. Não se sabe muito bem é onde ele a irá buscar. Os únicos reflexos sintomáticos, embora algo desajustados face ao referido anteriormente, passa pela união dos três guerreiros numa batalha que parece estar irremediavelmente perdida, assim como a tentativa de “Er Hu” de salvar um “Pang” supostamente em perigo de vida. O que é um facto é que parece existir alguma falta de densidade, segurança e equilíbrio narrativo. Prova disto é que na parte final do filme, este dá um volte-face repentino e abrupto, saindo do campo do épico com cenas de acção memoráveis, e entrando na zona da intriga palaciana e da consumação da traição. Existe uma omissão no que concerne a uma ponte de ligação entre estas duas fases.

"Pang caminha sobre a morte"

Outro aspecto que carecia de algum melhoramento, passa pela explicação mais científica e histórica acerca da época em que ocorre a trama. Isto com certeza irá reflectir-se mais perante a audiência ocidental, da qual eu e a maior parte dos que visitam este espaço fazem parte. A rebelião Taiping, que se iniciou em 1850 e prolongou-se por 14 anos, teve muito de cultural e ideológico. Resumidamente, estamos a falar de uma revolta liderada por Hong Xiuqian, um chinês convertido ao cristianismo, e que visou criar um suposto reino que professasse aquela ideologia. Xiuqian desencadeou uma luta contra o império Qing, tendo-se auto-proclamado rei divino e irmão de Jesus Cristo. Tudo viria a ter um fim com a vitória dos exércitos do imperador em 1864. Ora na película, nada disto é explicado e apenas é induzido através de alguma simbologia como as cruzes de cristo. Existe uma claro focar nos temas da guerra, irmandade e romance, algumas vezes com bons resultados, outras assim-assim. A aposta pareceu, à primeira vista, numa maior internacionalização desta longa-metragem, visando agradar o público estrangeiro. Julgo, pelas razões que expliquei, que o desafio não foi completamente ganho pela perda de profundidade em que resultou.

Visualmente, o filme é muito excitante. Existem cenas de batalha excepcionais, muito sangue e algum realismo brutal, embora por outra via se tenha de admitir um certo exagero em nome do aumento da espectacularidade. Pense-se em Jet Li de uma assentada a cortar os pés a cinco ou seis oponentes. No tocante às paisagens, não nos é oferecido as verdejantes florestas de bambu de “O Tigre e o Dragão”, O Segredo dos Punhais Voadores” e tantos outros. Igualmente, não existe a sumptuosidade de “A Maldição da Flor Dourada”, ou o mundo de cores de “Herói”. O que nos é oferecido são desertos e cenas desoladas pela guerra implacável, num registo que de certa forma se aproxima um pouco de “Ashes of Time”. No entanto, a beleza árida ou crua de “The Warlords” não é nada inferior aos mencionados exemplos. Simplesmente, manifesta-se de uma forma diversa, mas muito pungente. No que concerne à actuação dos actores, julgo que os maiores créditos terão de ser atribuídos a Jet Li, e não devido à parte mais física da interpretação, pois “The Warlords” não é uma típica obra de artes marciais ou “Wuxia”. Jet Li desempenha muito bem o seu papel de homem amargurado pela derrota até à ascensão na hierarquia da dinastia Qing, podendo actualmente considerar-se um actor completo. Domina bem a expressividade, que está bastante talhada para papéis mais circunspectos, e sabe expôr verbalmente as suas emoções. Li foi, sem dúvida alguma, um actor que evoluiu imenso durante os últimos anos e cuja melhoria neste aspecto começou-se a notar mais a partir de “Herói”. Andy Lau e Takeshi Kaneshiro, à partida, sentem-se mais à vontade no tocante à representação mais tradicional. Contudo, aqui pedem meças a Li. Lau não tem oportunidade para evidenciar os seus inquestionáveis méritos como actor, e não parece se sentir muito à vontade num papel importante, mas um tanto ou quanto relativizado em relação a Li. Kaneshiro, por outra via, só desponta quando passeia a sua faceta de menino bonito do cinema asiático, que faz suspirar as moças todas. Não quero com isto dizer que Kaneshiro não é um actor de nomeada. Muito pelo contrário. Simplesmente aqui não mostra o que já evidenciou em muitos outros filmes.

Apesar de ser um épico de pendor belicista, “The Warlords” tem uma clara mensagem contra a guerra, dando a entender que um conflito em grande escala, não apenas espalha miséria a título global, mas também marca o mundo pessoal de cada um. Sendo uma obra de Peter Chan, é inevitável que não se consiga desligar dos aspectos mais sentimentais. Trata-se de uma película que será bastante consensual, mesmo para aqueles que não estão familiarizados com o cinema asiático. Apesar de ter méritos inegáveis e ser passível de considerarmos um bom filme, confesso mesmo assim, que estava à espera de algo mais.

A ver!

"Wu Yang ergue a cabeça de um inimigo"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88





terça-feira, fevereiro 05, 2008

Era Uma Vez na China III Aka O Sonho do Guerreiro/Once Upon a Time In China III/Wong Fei Hung ji saam: Si wong jaang ba – 黃飛鴻之三獅王爭霸 (1993)

Origem: Hong Kong

Duração: 107 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Lau Shun, Max Mok, Xiong Xin Xin, Paul Wakefield, Hung Yan Yan


"Wong Fei Hung"

Estória

“Wong Fei Hung” (Jet Li) viaja até Pequim, acompanhado do seu interesse romântico, a prima “Yee” (Rosamund Kwan), e do seu fiel discípulo “Lung Foon” (Max Mok). A sua intenção é rever o pai, o mestre “Wong” (Lau Shun).

Cedo os problemas começam a acontecer, com Fei Hung a ver-se envolvido numa disputa entre escolas de kung-fu, que almejam controlar o mundo das artes marciais. Para piorar ainda a situação, um diplomata russo chamado “Tomanski” (Paul Wakefield), começa a assediar a prima “Yee”, provocando desta forma os ciúmes de “Fei Hung”.


"Wong Fei Hung e a prima Yee"

“Tomanski” revela não ser tão dócil e bem intencionado quanto parece, pois está envolvido numa tentativa de assassinato dirigida ao primeiro-ministro chinês. Cabe mais uma vez a “Fei Hung” tentar salvar o dia, impedindo para o efeito o crime que “Tomanski” está a planear. Igualmente convirá dar o passo decisivo na relação com a prima “Yee”, assim como vencer o torneio da dança do leão, organizado pela imperatriz.


"Fei Hung em luta contra as escolas de kung fu rivais"


"Review"

É sempre um grande risco fazer uma sequela de um filme, porquanto as comparações com a película que iniciou a respectiva série serão inevitáveis, levando a primeira longa-metragem normalmente a melhor. Quando enveredamos por um verdadeiro “franchising”, composto por 6 filmes, o risco multiplica-se exponencialmente, e muito provavelmente iremos nos aperceber que a fórmula está gasta, não valendo a pena continuar.

Surpreendentemente, Tsui Hark teve o grande mérito de fazer com que as películas da saga “Era Uma Vez na China” mantivessem uma certa frescura, e que à medida que ia aparecendo um novo filme, igualmente existisse algo de renovador e que fixasse o interesse. E é por esta razão que “Era Uma Vez na China III” consegue ser um filme razoável, e que nos prende um pouco a atenção. É certo que não se pode comparar aos primeiros dois episódios da saga, mas sempre se aproveita alguma coisa.

O pano de fundo histórico continua a ser o mesmo. Estamos perante uma China que se está a abrir para as potências ocidentais, em nome da modernização. No entanto, as grandes potências mundiais da altura, pretendem na realidade dominar o país e aproveitar ao máximo as riquezas e a mão-de-obra que o mesmo tem para oferecer. Isto leva às naturais clivagens sócio-culturais, e os sentimentos nacionalistas florescem. Como já foi aludido aquando da crítica ao primeiro e segundo filme, a saga “Era Uma Vez na China” tem um pendor fortemente nacionalista, usando para o efeito um dos principais heróis populares chineses, Wong Fei Hung. Desta vez, são os russos que andam a urdir conspirações e para aumentar um pouco o interesse, os chineses têm acesso pela primeira vez a mais uma inovação tecnológica, a máquina de filmar.



"Fei Hung Vs. Pernas de Trovão"

Vamos agora ao renovador, as lutas. É certo que mantêm o mesmo pendor tradicional, sustentado por cabos e por acrobacias impossíveis. No entanto, o que é interessante é que sempre se consegue inovar qualquer coisa, dentro do já previamente estabelecido. E neste filme, Tsui Hark resolveu usar e abusar da espectacular dança do leão para introduzir mais alguns golpes dignos de se ver, reinventando assim, de alguma forma, o estilo. Jet Li aparece numa forma espectacular, e longe de qualquer repreensão no que toca à parte mais física da actuação. De facto, no que toca às artes marciais, os anos ’90 foram sem dúvida a época de ouro do actor. Favorece muito o espectro da acção, a participação do actor Xiong Xin Xin, que apesar de não ser dos intérpretes mais conhecidos no que toca ao cinema asiático, é fabuloso nas cenas de kung-fu. Gostei imenso do seu papel em “The Blade”, e aqui o homem volta a demonstrar que tem uns excelentes golpes para vender, e um jogo de pernas do melhor que há. Aqueles pontapés são demais!

Outro factor de extremo interesse e que causa alguma pasmo, tem a ver com a relação romântica mantida entre “Fei Hung” e a prima “Yee”. Existe um evoluir considerável, fazendo com que “Fei Hung” perca a timidez e finalmente decida avançar para o casamento. A pressão exarada pelo vilão “Tomanski” contribui para o facto. O que é verdadeiramente de nos deixar siderados é que “Fei Hung” é beijado na boca pela prima “Yee”! Porquê que o espanto é tanto? Meus amigos, em quantos filmes vocês se lembram de ver Jet Li a ser mais audaz nas cenas mais apaixonadas? O homem é extremamente púdico nestas questões, e as más-línguas costumam afirmar que a influência da esposa Nina Li não é alheia a este facto. Mas quando nos deparamos com Rosamund Kwan a “espetar” um “chocho” na boca de Li, a surpresa emerge automaticamente.

Oferecendo-nos mais uns grandes momentos de artes marciais, “Era Uma Vez na China III” é indicado para os fãs do género, em especial para aqueles que apreciam o trabalho de Tsui Hark nesta saga que viria a marcar uma posição incontornável no espectro de Hong Kong.



"A dança do leão"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38




terça-feira, novembro 13, 2007

Era Uma Vez na China II/Once Upon a Time in China II/Wong Fei Hung ji yi: Naam yi dong ji keung - 黃飛鴻之二男兒當自強 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 107 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Donnie Yen, Max Mok, David Chiang, Xiong Xin Xin, Zhang Tie Lin, Yen Shi Kwan, Paul Fonoroff, Ho Ka Kui

"Wong Fei Hung"

Estória

“Wong Fei Hung” (Jet Li), acompanhado da sua paixão platónica a “Prima Yee” (Rosamund Kwan), e do seu discípulo “Foon” (Max Mok), dirige-se para a grande cidade de Cantão, tendo em vista participar numa conferência sobre duas vertentes da medicina, a ocidental e a chinesa. Cantão encontra-se em polvorosa, devido à seita do “Lótus Branco”, uma organização que é contra a presença dos estrangeiros na China, e que recorre à violência extrema para impor as suas ideias. O seu chefe é um sacerdote chamado “Kung” (Xiong Xin Xin), que supostamente é invencível.

O congresso de medicina é atacado pelo culto, e “Fei Hung” consegue sair ileso, fazendo amizade com um médico chinês, que não é nada mais nada menos que “Sun Yat Tsen”, o futuro fundador da república chinesa (e seu primeiro presidente) e responsável pela queda do imperador.

"A prima Yee"

“Tsen” anda a ser perseguido pelo regime imperial manchu, aqui personificado pelo comandante “Lan” (Donnie Yen). “Fei Hung” decide mais uma vez pôr cobro à injustiça reinante, e decide ajudar “Tsen” a chegar a Hong Kong, tendo em vista continuar o seu trabalho revolucionário. Pelo caminho, irá confrontar-se tanto com a seita do “Lótus Branco”, assim como terá de por cobro às atrocidades de “Lan”.

"O comandante Lan"

"Review"

Após os eventos ocorridos no primeiro filme, o carismático realizador Tsui Hark e a super-estrela Jet Li continuam uma das mais famosas epopeias de artes marciais a ver a luz do dia. E ao contrário do que sucede muitas vezes, a sequela não se saiu mal, diga-se de passagem. É para muitos considerada a melhor película da série, e diga-se em abono da verdade, não andarão muito longe da realidade, embora se reconheça que exista um ou outro aspecto que o primeiro episódio levará a melhor. O contrário também acontecerá.

Um dos itens que terá de se relevar será certamente o facto de termos um vilão à altura de Jet Li, ou seja, outra grande estrela de Hong Kong, o mítico Donnie Yen. Neste aspecto em particular, Tsui Hark teve a sageza de “emendar a mão” em relação ao primeiro filme. Podemos aqui ver um emocionante duelo protagonizado pelas duas lendas do cinema asiático, e garanto-vos que as expectativas não saem defraudadas. A forma como Donnie Yen transforma uma simples toalha numa arma mortífera, que cria especiais problemas a Jet Li, é praticamente inesquecível. O duelo veria a ser reeditado dez anos mais tarde em “Herói”, a obra-prima de Zhang Yimou. No entanto, seria particularmente injusto do meu ponto de vista não fazer uma especial apologia ao actor Xiong Xin Xin, que representa o maléfico líder da seita do “Lótus Branco”. A luta protagonizada com Jet Li consegue grandes momentos de espectacularidade e de tirar a respiração. É certo que o papel de Xiong Xin Xin acaba por ser um tanto ou quanto reduzido a nível de minutos, mas o combate vale bem o papel do actor. Não chega ao nível evidenciado por Xin Xin em “The Blade”, mas é de aplaudir.

"Wong Fei Hung luta contra o líder da seita Lótus Branco"

Subtraindo os costumeiros embaraços e tensão sentimental entre “Fei Hung” e a “Prima Yee” (aqui mais explorada), o “comic relief” que no primeiro filme estava entregue às personagens “Toucinho” e “Favolas”, interpretados por Kent Cheng e Jacky Cheung, respectivamente, fica nesta longa-metragem a cargo de Max Mok, o actor que dá vida a “Foon”, o discípulo de “Fei Hung”. Max Mok não se sai mal, e consegue a certa altura provocar alguns momentos de boa disposição. No entanto, é minha opinião pessoal que não chega a evidenciar o nível demonstrado por Kent Cheng e Jacky Cheung no episódio anterior, devido ao carisma dos actores em questão. Outro aspecto menos positivo na actuação de Max Mok, passará pela inevitável comparação com Yuen Biao, o actor que interpretava “Foon” em “Era Uma Vez na China”. Tinha referido, aquando da crítica ao primeiro filme, que os fãs de Yuen Biao podiam ficar um pouco desiludidos, pois o actor não demonstrava todas as suas potencialidades que indiscutivelmente possui a nível das artes marciais. Mas quando olhamos para Max Mok, sentimos saudades de Yuen Biao, pois aquele não parece nem de longe, nem de perto um bom “side kick” de Jet Li. Valha-nos, como já acima foi relatado, a presença de Donnie Yen e Xiong Xin Xin, para que as cenas de acção tenham brilho. E de facto possuem bastante!

A vertente nacionalista chinesa continua a marcar a sua presença, pois afinal “Wong Fei Hung” representa acima de tudo a defesa do tradicional modo de vida da nação oriental. No entanto aqui temos uma abordagem distinta da efectuada na primeira película e que passa sobretudo pelos meios como obtemos os resultados que pretendemos. A seita do “Lótus Branco” luta pelo mesmo objectivo de “Fei Hung”, a saber, a emancipação e conservação da cultura chinesa. No entanto, o culto envereda pela violência desmesurada e injustificada, enquanto que o nosso herói tudo faz para impor as suas ideias de uma forma honrada. A tensão floresce, como era de esperar, e “Fei Hung” acaba por ter de partir para o combate com os seus próprios conterrâneos, em ordem a salvaguardar valores que para si são intocáveis. Não será demais relembrar que no primeiro filme havia um conflito com outro mestre de artes marciais, mas tal se justificava pela primazia dos executantes, ou seja, averiguar qual dos dois seria o melhor. Era reconhecido, pelo menos implicitamente, que o principal inimigo eram os ocidentais que pretendiam enriquecer à custa do tráfico de escravos. No entanto, nesta película é mantido o pendor nacionalista, com o abominar do regime manchu e a introdução de uma das personagens mais emblemáticas da história da China moderna. Nada mais, nada menos que Sun Yat Tsen!

Quanto ao remanescente, “Era Uma Vez na China II” mantém muito do que já tinha sido transmitido pelo filme anterior, que resumidamente poderá ser reconduzido à continuação de uma saga que marcaria para sempre o mundo das artes marciais, constituindo um dos melhores trabalhos da carreira de Tsui Hark.

"Luta de titãs:Wong Fei Hung (Jet Li) Vs. Lan (Donnie Yen)"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63







segunda-feira, setembro 17, 2007

A Coragem do Guerreiro/Fearless/Huo Yuanjia - 霍元甲 (2006)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 99 minutos/140 minutos (versão originária)

Realizador: Ronny Yu

Com: Jet Li, Shido Nakamura, Betty Sun, Yong Dong, Hee Ching Paw, Yun Qu, Collin Chou, Masato Harada, Zhigang Zhao, Chen Zihui, Ting Leung, Michelle Yeoh (apenas na versão original), Nathan Jones, Brandon Rhea, Anthony De Longis, Jean Claude Leuyer, Mike Leeder, Jon T. Benn, John Paisley

"Huo Yuanjia"

Estória

Desde muito jovem, “Huo Yuanjia” (Jet Li) queria ser um grande mestre de Wushu, mas o seu pai “Huo Endi” (Collin Chou) opôs-se ao treino do filho, preferindo que o mesmo enveredasse por outro caminho que nada tivesse a ver com as artes marciais. No entanto, “Huo Yuanjia” não desiste, continuando a treinar e passados alguns anos torna-se num grande mestre de artes marciais.

O agora jovem e arrogante adulto apenas se preocupa com a fama e a glória, desejando ardentemente tornar-se no campeão da sua terra Tianjin. Características nobres como o desportivismo e a humildade são completamente postos de parte.

Certo dia, um jovem discípulo de “Huo” é violentamente agredido por outro exímio praticante de “Wushu”, chamado “Mestre Chin” (Chen Zihui). “Huo” vê aqui uma oportunidade não apenas para se vingar do sucedido para com o seu estudante, mas também para provar que é o melhor lutador de Tianjin. O combate finda em tragédia, com mortes em ambos os lados.

"A cidade de Tianjin, no início do século XX"

Desorientado, “Huo” parte da sua terra-natal e refugia-se numa aldeia isolada, onde conhece “Yueci – Moon na versão americana” (Betty Sun), uma rapariga invisual mas que possui uma gentileza e bondade contagiantes. “Huo” vai aprender finalmente os valores que devem nortear uma pessoa honrada, deixando para trás as suas características menos positivas.

Após uns anos remetido ao seu êxodo, “Huo” decide retornar a Tianjin, só para se aperceber que os chineses são constantemente mal tratados e desprezados pelas potências ocidentais. “Huo” decide enveredar por uma luta, que em vez de ser para glória pessoal, visa acima de tudo preservar o orgulho e identidade chinesas.

"Hercules O'Brien é projectado por Yuanjia"

"Review"

“A Coragem do Guerreiro” marcou o tão aguardado regresso de Jet Li ao cinema de China/Hong Kong e ao que ele sabe fazer melhor, ou seja, protagonizar filmes de artes marciais e wuxia. Praticamente desde o ano de 1998, com a participação em “Arma Mortífera 4”, no papel do vilão “Wah Sing Ku”, que Jet Li apenas fez produções ocidentais (com um breve interlúdio no meio, para participar no magnífico “Herói”). Alguns desses filmes eram de qualidade aceitável, outros nem por isso. Foi pois com alguma expectativa que os amantes do cinema asiático aguardavam pelo retorno de um dos seus heróis à cinematografia de origem.

Outro aliciante consubstanciado igualmente num regresso, era Ronny Yu. O realizador, que à semelhança de Jet Li, também emigrou para o ocidente, tendo em vista universalizar mais a sua carreira. O saldo ficou-se quase por um desastre, pois Yu realizou filmes perfeitamente néscios e a milhas de distância de obras que dirigiu em Hong Kong, tais como “Phanton Lover” ou “The Bride With White Hair”. Da mediocridade de Yu, no seu périplo ocidental, salvou-se apenas “Fórmula 51” (mais uma tradução perfeitamente idiota…) - “The 51st State”, uma película divertida e cheia de “glamour”, na linha de “Snatch, Porcos e Diamantes”, de Guy Ritchie.

“A Coragem do Guerreiro” é baseado numa personagem verídica da história da China, chamado precisamente Huo Yuanjia, um herói popular e co-fundador da “Associação Internacional de Chin Woo”, uma escola de artes marciais que hoje em dia possui mais de 50 delegações em todo o mundo. Huo Yuanjia é popular sobretudo por se ter tornado num acérrimo defensor do modo tradicional de vida chinês e um símbolo da luta contra a crescente influência dos ocidentais. O filme quando foi feito gerou uma certa controvérsia que envolveu os descendentes de Huo Yuanjia, essencialmente devido às costumeiras alterações de argumento, de forma a tornar uma película mais “cinematográfica” e do agrado dos telespectadores. A celeuma gira essencialmente em torno de um assassinato que ocorre no filme e a ser verdade, impediria que Huo Yuanjia tivesse descendentes directos. Os 7 netos e 11 bisnetos de Huo Yuanjia não gostaram e exigiram um pedido de desculpas formal, tanto por parte do estúdio, como de Jet Li. Esse pedido nunca foi acedido, pois defendeu-se que o filme apesar de ser uma espécie de biografia, nunca pretendeu ser um relato completamente fiel da história do herói chinês.

“A Coragem do Guerreiro” não é o típico filme de artes marciais, em que as lutas dominam quase por completo, sendo o argumento relegado para segundo plano. Nada disso. Os combates acontecem várias vezes, sendo na sua generalidade espectaculares (com a coreografia da autoria de Yuen Woo Ping havia uma probabilidade muito grande de tal acontecer), tendo o aliciante de não apenas vermos lutas entre mestres de “Wushu”. Huo Yuanjia põe à prova as suas capacidades contra praticantes de luta livre, karate, esgrima europeia, kendo, boxe e até muay thai na versão original. Isto dá um interesse acrescido à película e decorre um pouco do pendor nacionalista que grassa e tenta elevar indirectamente o “wushu” como a arte marcial mais completa e parte integrante da cultura tradicional chinesa.

"A preparação para mais um combate"

Como foi acima aludido, o filme não se resume apenas às indispensáveis lutas, constituindo a parte dramática, um aspecto igualmente importante. Sendo assim, Jet Li, a estrela da película, vê-se obrigado não apenas a demonstrar as suas capacidades de combate, mas igualmente a fazer uma representação mais convencional. Como é que se sai? De início não fiquei impressionado por aí além. Na parte mais imatura da vida de Huo Yuanjia, Jet Li tem os seus altos e baixos, algures entre o mediano e o razoável. A partir do momento que a lenda “desperta para a vida”, digamos assim, e envereda pelo caminho espiritual e da rectidão, observamos que as capacidades interpretativas de Jet Li não se resumem apenas ao combate, mas igualmente aos diálogos. O actor é como um vinho bem tratado, está a provar que a idade está a fazer maravilhas. Jet Li hoje em dia é sem dúvida um actor mais completo, e que consegue lutar contra alguns estereótipos e rótulos que lhe puseram. O restante elenco porta-se bem, dentro do que lhe é solicitado. Neste particular, fiquei agradavelmente impressionado com o actor Yong Dong, que representa “Nong Jinsun”, o melhor amigo de Huo Yuanjia.

Cumpre ainda referir uma curiosidade relacionada com esta película e Jet Li, já anteriormente aludida na biografia já aqui efectuada a propósito do actor. Omo muitos devem saber, um dos melhores e mais emblemáticos filmes de Jet Li é “Fist of Fury”, onde representava uma personagem de seu nome “Chen Zhen”. Ora, “Chen Zhen” não é nada mais, nada menos que um discípulo de Huo Yuanjia que combate os japoneses, para vingar a morte do seu mestre às mãos daqueles. Podemos assim dizer que doze anos antes (1994) de “A Coragem do Guerreiro”, Jet Li interpretou o díscipulo, enquanto no filme de que ora se fala dá vida ao mestre.

Na altura em que Jet Li protagonizou “A Coragem do Guerreiro”, o actor tinha afirmado que este seria o seu último filme de artes marciais, o que muitos não acreditaram, julgando se tratar de mais uma manobra de “marketing”. O tempo veio a dar parcialmente razão a estas pessoas, atendendo a que Jet Li viria a aceitar a participação em “Warlords” e “Forbidden Kingdon”, este último a tão ansiada colaboração com Jackie Chan. Quanto à manobra de “marketing”, não sei se tal será verdade. Jet Li até poderia estar a ser sincero naquele momento, e posteriormente ter mudado de ideias.

A mim pessoalmente não me interessam as motivações do actor. O cinema agradece que Jet Li continue na senda dos épicos de artes marciais e eu, em nome particular, também!

Bom filme!

"Yuanjia enfrenta o mestre japonês Anno Tanaka"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-Asia, Asian Fury, A Cinematic Vision, O Consegliere, Axasteoquê?!?, Zeta Filmes, Críticas Críticas Críticas

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





segunda-feira, agosto 13, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro grandes actores e actrizes que estão a votação aqui no blogue:

Gong Li

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Dragon Chronicles: The Maidens of Heavenly Mountains, A Tríade de Xangai, 2046, Memórias de Uma Gueixa, A Maldição da Flor Dourada, O Imperador e o Assassino

Bruce Lee

Informação

Não participou em nenhum filme criticado no "My Asian Movies"


Anita Mui

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Moon Warriors

Jet Li

Informação

Filmes em que entrou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Swordsman II, Fong Sai Yuk, Fong Sai Yuk II, Era Uma Vez na China, A Coragem do Guerreiro - Fearless



domingo, julho 29, 2007

Era Uma Vez na China/Once Upon a Time in China/Wong Fei Hung - 黃飛鴻 (1991)
Origem: Hong Kong
Duração: 126 minutos
Realizador: Tsui Hark
Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Yuen Biao, Kent Cheng, Jacky Cheung, Yen Shi Kwan, Lau Shun, Jimmy Wang, Yuen Cheung Yan, Wu Ma, Wong Chi Yeung, Yuen Gam Fai, Yau Gin Gwok, Yuen Sun Yi, Jonathan Isgar, Mark King, Steve Tartalia
"Wong Fei Hung"

Estória

A China vive numa fase em que a influência ocidental é cada vez maior, principalmente a adveniente dos E.U.A., da Inglaterra e da França. Neste aspecto a cidade de Foshan não é diferente do resto do país.

O general do exército do “Estandarte Negro” (Lau Shun) pede a “Wong Fei Hung” (Jet Li) que forme um corpo de milicianos, tendo em vista a protecção dos cidadãos da povoação. Auxiliado pelos seus discípulos “Porky Lang – Toucinho na versão portuguesa” (Kent Cheng) e “Bucktooth So – Favolas na versão portuguesa” (Jacky Cheung), “Wong” leva a cabo a tarefa, sendo bem sucedido no seu desiderato. Entretanto, o herói acaba por conhecer a prima “Yee” (Rosamund Kwan), uma chinesa ocidentalizada que vivia em Londres, ficando incumbido de protege-la. Um interesse romântico começa a resvalar, a que “Wong” não retribui em nome da sua honra.

"Wong Fei Hung e a prima Yee"

Um dia, uma companhia de teatro chega à cidade, fazendo parte da mesma “Leung Foon” (Yuen Biao). “Foon” mete-se em problemas com uma tríade local, conhecida como “Sha Bo Hang”, sendo expulso da companhia teatral. Eventualmente, o jovem acaba por se associar a “Yin” (Yuen Cheung Yan) que ambiciona tirar o título a “Wong” de principal mestre de artes marciais.

“Yin” acaba por reunir forças com a tríade “Sha Bo Hang” e com os americanos “Jackson” (Jonathan Isgar) e “Tiger” (Steve Tartalia), tendo em vista destronar “Wong” de vez. No meio, um sórdido negócio de exportação de chineses para escravidão laboral floresce.

Escusado será dizer que o herói “Wong Fei Hung” não permitirá que tais atropelos à justiça continuem a subsistir!

"Wong Fei Hung mostra o poder do Kung Fu"

"Review"

Um leitor atento deste blogue e conhecedor das minhas opiniões, perceberá facilmente que não morro de amores por Tsui Hark (heresia, queimem o Jorge Soares Aka Shinobi na fogueira!!!). Contudo, a grande excepção à minha opinião sobre as obras do realizador e produtor vietnamita naturalizado chinês é a sua epopeia “Era Uma Vez Na China” e quase todos os episódios subsequentes. Aqui dou o braço a torcer, e admito que este conjunto de filmes marcou verdadeiramente uma era no cinema de artes marciais em particular, e no de Hong Kong em geral. Claro está, independentemente desta premissa, revelo que tais películas são do meu agrado.

Hark resolveu fazer mais uma das dezenas de encarnações para o cinema do herói popular Wong Fei Hung, e saiu-se francamente bem. A popularidade que a película granjeou, fez com que se entrasse num verdadeiro “franchising”, com as sequelas a surgirem a rodos, medeando pouco tempo entre as mesmas. E aqui, somos logo obrigados a fazer um aparte para esclarecer algo acerca de uma edição em Dvd do filme que existe em Portugal, e que poderá induzir as pessoas num certo erro. A edição em causa, de boa qualidade diga-se de passagem, é sugestivamente intitulada “Era Uma Vez na China – Trilogia”. Ora cumpre esclarecer que a saga não é composta por apenas três filmes, mas sim pelo dobro dos mesmos, ou seja, seis. Desses seis filmes, Jet Li representa o papel de “Wong Fei Hung” em quatro, ficando os restantes dois a cargo de Vincent Chiu.

As coreografias de luta estão bastante boas e emocionantes, conseguindo-se mesmo efeitos espectaculares com algum dramatismo e emoção, de que constitui exemplo a primeira luta de “Wong” contra o mestre “Yin”, debaixo de uma forte chuva (simplesmente brilhante o movimento dos pés na água!). Outro combate que terá igualmente de ser destacado é a luta final, com “escadas voadoras”.

" Jackson e Tiger, os americanos traficantes de mão de obra"

Uma vez a propósito da crítica efectuada aqui neste blogue a “Fong Sai Yuk”, um colega que igualmente possui um espaço dedicado ao cinema asiático afirmou que a personagem de “Wong Fei Hung” deveria ter sido interpretada por alguém mais maduro. De facto, temos de admitir que a opinião tem alguma razão de ser. Jet Li apesar de nos presentear mais uma vez com uma actuação de bom nível, não pode lutar contra o facto de à altura de “Era Uma Vez…” ser relativamente novo (tinha cerca de 28 anos), o que possivelmente não conferirá uma autenticidade tão grande à personagem. Não nos podemos esquecer que “Wong Fei Hung”, por altura dos eventos de “Era Uma Vez…”, era já um mestre conceituado, tanto no domínio das artes marciais como no da medicina tradicional chinesa, tendo vários discípulos e seguidores. Isto normalmente acontece com pessoas dotadas de uma vasta experiência de vida. Li, pelo contrário, parece um miúdo, o que não ajuda nada o facto de ter uma face eminentemente jovial, que nem as expressões sérias e ponderadas ajudam a disfarçar.

Os fãs de Yuen Biao poderão ficar de alguma forma desiludidos, atendendo a que este actor é permanentemente secundarizado devido à omnipresença de Jet Li. O seu potencial de combate não é nem de perto, nem de longe demonstrado no filme. A Kent Cheng e Jacky Cheung coube-lhes a honra em desempenhar as personagens cómicas do filme, o que o fazem com mestria, levando a que criemos uma certa empatia com “Toucinho” e “Favolas”. Rosamund Kwan, uma actriz asiática com grande fulgor, em especial na década de ’90, cumpre com razoabilidade a figura da prima “Yee”, uma jovem ponderada, mas de alguma forma ingénua que necessita sempre das atenções de “Wong”.

O que verdadeiramente falta a este filme são adversários emblemáticos. Com todo o respeito, não nos parece que o “Mestre Yin”, representado por Yuen Cheung Yan, tenha grande carisma. Os próprios americanos não se afiguram como vilões bastante credíveis. Neste aspecto em particular, a sequela viria a ser bastante melhor. Também com Donnie Yen no lado oposto, como é que tal não poderia suceder ?!

Outra marca do filme tem a ver com o forte pendor nacionalista do argumento. Como já foi referido na sinopse, viviam-se tempos em que a influência ocidental crescia a olhos vistos na China, que passava pela difusão do cristianismo, a introdução de novo armamento, o controlo do comércio e das principais riquezas do país. Inclusive são mencionadas as ocupações de Hong Kong por parte dos ingleses, e de Macau por parte de Portugal. Com base nestas premissas, “Era Uma Vez…” transmite a premente necessidade de defesa da cultura e do modo de vida chinês, recorrendo a um dos aspectos mais próprios do país, o uso do Kung Fu. Desemboca-se pois numa lição de história, porventura um pouco tendenciosa, mas aceitável. Este mesmo argumento faz com esta película seja mais elaborada do que a maior parte das suas congéneres.

Um bom filme, obrigatório para qualquer amante de longas-metragens de artes marciais. Fará as delícias dos fãs de Jet Li!

"Mestre Yin e Wong Fei Hung medem forças"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63