"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

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terça-feira, setembro 02, 2008

Vingança Planeada/Sympathy for Lady Vengeance Aka Lady Vengeance/Chinjeolhan geumjassi - 친절한 금자씨 (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 115 minutos

Realizador: Park Chan-wook

Com: Lee Yeong-ae, Choi Min-sik, Kwon Yea-young, Go Su-hee, Kim Bu-seon, Kim Byeong-ok, Kim Shi-hoo, Lee Seung-Shin, Nam Ill-woo, Oh Dal-su, Yu Ji-tae, Tony Barry, Anne Cordiner, Kang Hye-jeong, Lee Dae-yeon, Lim Su-gyeong, Oh Kwang-rok, Ra Mi-ran, Seo Yeong-ju, Shin Ha-kyun, Song Kang-ho

"Lee Geum-ja"

Sinopse

Em 1991, “Lee Geum-ja” (Lee Yeong-ae) foi condenada ao cumprimento de uma pena de reclusão por um ilícito hediondo, a saber, o rapto e homicídio de uma criança. O crime foi extremamente emblemático na época em que sucedeu, tendo a comunicação social empolado a situação de tal maneira que “Geum-ja” tornou-se numa notória assassina com apenas 19 anos à altura.

"O escândalo de uma jovem de 19 anos acusada de um crime hediondo"

No tempo que passou na prisão, “Geum-ja” tornou-se conhecida pela sua bondade e ar angélico, granjeando desta forma grande popularidade entre os funcionários da cadeia e as reclusas. Igualmente encontrou consolo na religião católica, adoptando um fervor espiritual exemplar. Em 2004, 13 anos depois do início do seu cativeiro, “Geum-ja”, agora uma bonita mulher com 32 anos, é libertada. Logo após o fim da sua provação, adopta uma postura completamente oposta à que tinha na prisão, dando uma volta de 180 graus na sua vida. Desde o início, faz por demonstrar que é um ser sério, frio e calculista, adoptando indumentárias preferencialmente de cor negra e pintando os seus olhos com uma sombra vermelho-sangue.

A súbita, mas calculada transformação de “Geum-ja”, deve-se a vingança que esta pretende exercer sobre um professor primário chamado “Baek” (Choi Min-sik). A razão para a atitude da mulher passa por a mesma ter sido obrigada a assumir as culpas pelo chocante crime que não cometeu, de forma a proteger a sua filha “Jenny” (Kwon Yea-young) de “Baek”. Meticulosamente “Geum-ja” arquitecta o seu plano, tendo por orientação e verdade absoluta que existem certas dívidas que só se pagam com sangue.

"Geum-ja empunha uma arma ultrapassada pouco convencional"

"Review"

Após no passado ter elaborado aqui textos acerca de “Sympathy for Mr. Vengeance” e “Oldboy”, chegou a altura de encerrar a trilogia não oficial de Park Chan-wook, dissertando um pouco agora acerca do último filme da saga “Sympathy for Lady Vengeance”, uma obra negra e poética da autoria do mestre sul-coreano à semelhança das suas antecessoras, embora com uma abordagem distinta. Antes de tudo constitui mais uma película bastante premiada, com galardões em vários certames internacionais entre os quais Veneza e o nacional Fantasporto – edição de 2006, onde viria a levar para casa o prémio relativo à secção “Orient Express” do festival. Beneficiando do “hype” de “Oldboy” realizado dois anos antes, “Sympathy for Lady Vengeance” foi uma obra bastante aguardada pois muita era a curiosidade em saber até onde Park Chan-wook poderia ir com o seu amado conceito da “vendeta”, depois do estrondoso êxito da sua película anterior. O resultado desde já se adianta que é extremamente positivo, tendo Chan-wook criado uma longa-metragem de eleição, não atingindo contudo o nível da sua predecessora (a pergunta que aqui se coloca é se dentro do género, alguém ou algo o conseguirá fazer).

Um aspecto que desde logo chama a atenção é a criação da personagem de “Geum-ja”, com todos os seus atributos físicos e psicológicos. É traçado um retrato complexo (mas perfeitamente perceptível aos olhos do espectador) de uma mulher bela, eivada de um ar angélico, que joga fora completamente o início da sua vida adulta em nome de algo maior. É uma figura enigmática, mas que colhe a nossa simpatia, apesar da sua faceta anjo-demónio que a actriz Lee Young-ae interpreta de uma forma bastante competente. Por outra via, somos confrontados com um “Baek” que aparentemente se configura como um cidadão normal, mas que na realidade é um verdadeiro monstro doentio, sem escrúpulos, cuja “tara” passa por se aproveitar de crianças indefesas, causando desta forma a infelicidade e a miséria nas famílias dos jovens. Como seria de esperar, o fantástico e renomado intérprete sul-coreano Choi Min-sik oferece-nos um desempenho acima da média que pecará apenas por algo que lhe é completamente alheio, ou seja, a falta de minutos. Como praticamente nada é perfeito, e esta premissa também se aplica ao cinema, Chan-wook podia ter investido mais em “Baek” e nas suas motivações, de maneira a que tivéssemos um sentido mais lúcido da outra face da moeda, assim como a oportunidade de vermos mais de um actor que pertence à fina-flor do cinema mundial. Pelo contrário, Chan-wook optou por centrar mais a narrativa na personagem principal, a “Lady Vengeance Geum-ja”, o que se torna aceitável, pois focámo-nos quase por completo no cerne principal do filme, a vingança justificada de uma mulher amarga, mas completamente determinada. Mesmo assim é caso para perguntar se a trama tivesse concedido mais algum destaque a “Baek”, não saborearíamos nós melhor o “cocktail molotov" que se avizinha?!

O restante elenco comporta-se à altura, restando apenas expôr umas curiosidades que com certeza agradarão aos fãs da “trilogia da vingança” de Chan-wook. Os dois assassinos contratados para matar “Geum-ja” são interpretados pelos conhecidos actores sul-coreanos Shin Ha-kyun e Song Kang-ho, que deram vida aos papéis principais em “Sympathy for Mr. Vengeance”. Aliás se repararmos bem no conjunto de intérpretes que Park Chan-wook reuniu para a longa-metragem que ora se analisa, veremos que estamos perante uma verdadeira constelação de estrelas e mais do que isso, aglutinaram-se todos os artistas que representaram os papéis mais emblemáticos das restantes películas da saga. Além dos já mencionados Shin Ha-kyun e Song Kang-ho, temos Choi Min-sik, Kang Hye-jeong, Yu Ji-Tae e Oh Dal-su de “Oldboy”. Fica apenas a faltar a actriz Bae Doo-na (a "Yeong-jin" de “Sympathy for Mr. Vengeance”) para ficarmos com o repertório completo.

"Baek em apuros"

No que toca à exposição da violência, “Sympathy for Lady Vengeance” é um filme aparentemente menos intenso que “Sympathy for Mr. Vengeance” ou “Oldboy”. Em “Sympathy for Mr. Vengeance” estávamos perante um conceito de vingança mais impulsivo e delapidante, onde as motivações de todas as “partes do conflito” são profusamente abordadas e tudo parece ter origem no amor, um sentimento à primeira vista (mas não à segunda) contraditório com o resultado final. Nessa obra-prima intitulada “Oldboy”, a vingança aparece mais como uma maníaca necessidade, consubstanciada num desejo animalesco de retribuição dolorosa por um emprisionamento aparentemente injustificado. O que viria a seguir é forte demais para quase todos nós! No tocante a “Sympathy for Lady Vengeance”, é exposta uma abordagem mais sentimental (do ponto de vista convencional) e menos crua da vingança, quando comparada com as películas anteriormente mencionadas. No entanto se, e como já mencionei, os pormenores mais “físicos” da questão estão refreados, isto não significa necessariamente que o filme não tenha a mesma intensidade. A violência aqui é mais induzida, do que propriamente explanada. Relembre-se apenas, e a título exemplificativo, na cena em que uma das companheiras de “Geum-ja” na cadeia está a fazer calmamente um churrasco, enquanto um bando de polícias cautelosamente se aproxima de arma em punho. Mais tarde vimos a saber que a pessoa em questão tinha sido presa por ter morto o marido e posteriormente o ter cozinhado às fatias e ingerido o petisco...Outro aspecto de aplaudir é conceito de “vingança partilhada” exposto nos últimos 15-20 minutos da película, que se torna numa lufada de ar fresco e de certa forma surpreende “positivamente” o espectador.

Com uma banda-sonora espectacular composta por excertos na sua maior parte de Vivaldi, (debitando igualmente uma melodia de Niccoló Paganini) e na esteira de clássicos japoneses como “Lady Snowblood” de Toshiya Fujita (salvo as devidas adaptações e diferenças em função da contemporaneidade e não só), “Sympathy for Lady Vengeance” é um filme que recupera o conceito da mulher inocente e frágil que devido às agruras da vida, contraria a sua natureza e embarca no “olho por olho, dente por dente”. Vindo de Park Chan-wook, o resultado não poderia ser outro senão um filme catalisado por elementos psicológicos bastante bem explorados, consubstanciado em mais uma reinvenção de uma vingança sangrenta, que é de aplaudir. O resultado é óptimo, fazendo com que a película seja absolutamente de visionamento obrigatório. Encerra-se desta forma e com chave de ouro, um dos ciclos mais emblemáticos da história do cinema asiático, quiçá mundial, traduzido num dos mais brilhantes tratamentos conferidos à natureza humana e à sua volatilidade!

Muito bom!

"Geum-ja e a filha Jenny"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25





terça-feira, novembro 20, 2007

Fim Feliz/Happy End/Haepi endeu - 해피 엔드 (1999)
Origem: Coreia do Sul
Duração: 100 minutos
Realizador: Jeong Ji-woo
Com: Choi Min-sik, Jeon Do-yeon, Joo Jin-moo, Kim Byeong-choon, Yoo Yeon-soo, Park Ji-il, Joo Hyeon
"Bora"

Estória

“Bora” (Jeon Do-yeon) é uma bem sucedida empresária, que mantém um relacionamento extra-conjugal com “Kim Ill-beom” (Joo Jin-moo), com quem tinha namorado anos atrás nos tempos da faculdade. “Bora” é casada com “Min-ki” (Choi Min-sik), um homem que perdeu o emprego e o orgulho, e que passa a vida tomar conta da lida de casa e a cuidar da bebé de ambos, para além de não perder as novelas dramáticas que são tanto do gosto dos coreanos e a ler estórias de amor numa livraria pertencente a um amigo.

"Min-ki"

“Min-ki” aos poucos vai descobrindo a vida paralela da mulher com o amante, e tal facto devasta-o de sobremaneira. Inesperadamente, resolve tomar o assunto em mãos, e prepara uma vingança terrível contra os amantes, substituindo a sua costumeira leitura “soft”, pelos livros de “suspense” e “thrillers” policiais. No entanto, após ter sido bem sucedido nos seus objectivos, a tão almejada felicidade acaba por não chegar e “Min-ki” consegue apenas obter uma vida de remorso e de culpa.


"Min-ki segura na filha tendo por fundo a traição"

"Review"

Corpos nus desfilam numa orgia de amor, degenerando em sexo explícito, embora interpretado de uma forma que o afasta da mera lascívia. É assim que começa “Fim Feliz”, com “Bora” e o seu amante “Kim Ill-beom”, numa cena tórrida que envergonharia filmes como “Instinto Fatal”, mas que nos consegue transmitir algo mais que o deleite visual e carnal. O filme de estreia do realizador Jeong Ji-woo primou pela polémica, em especial no seu país natal, onde não existe uma tradição de se fazerem muitos filmes que recorram aos atributos mais físicos (no sentido anteriormente descrito) de forma a expor os seus pontos de vista. No entanto, o choque não vive apenas da parte erótica da película, até porque não existem tantas cenas quanto isso. A meticulosidade no engendrar da vingança do marido traído, que culmina num género de violência que de certa forma nos apanha de surpresa, também tem a sua quota-parte.

Em “Fim Feliz”, estamos perante uma crise conjugal, que incide sobre uma típica família de classe média sul-coreana. Melhor dizendo, a base estrutural da dita família não é tão comum quanto isso, pois ao contrário do que é recorrente (hoje cada vez menos, diga-se em abono da verdade) o ganha-pão é a mulher bem sucedida na sua vida profissional, enquanto que o homem faz a vez do que comummente apelidamos de “dona de casa”. Como já foi acima aventado, é ele que se encarrega dos trabalhos domésticos, cuida da filha ainda bebé, faz as compras de supermercado, etc, etc. O seu estatuto de desempregado, obriga-o a isso. A esposa por vezes não tem pejo em atirar-lhe à cara factos relacionados com a sua suposta subalternização, ferindo o seu orgulho e masculinidade. O respeito é perdido, e a traição consumada pela mulher por diversas vezes.

Como podemos imaginar, o clima para o fim do núcleo familiar está reunido, mas de certa forma, não estamos propriamente preparados para a maneira como “Min-ki” decide tomar as rédeas da situação. Isto não quer dizer que muitas vezes não aconteçam tragédias, algumas mediáticas, que envolvam desaguisados conjugais. A teoria do “não és para mim, não és para ninguém”, infelizmente vinga e lá somos confrontados na comunicação social, com homicídios, suicídios, ácidos atirados à cara e afins. No entanto, o que pretendo dizer é que “Min-ki” adopta uma postura passiva, porventura dócil e somos aos poucos hipnotizados por este factor. Ao fim de hora e um quarto de filme, a película dá um volte face e deparamo-nos com um “Min-ki” que nos surpreende pela sua frieza e agir violento, perpetrando um crime brutal e ao mesmo tempo criando as condições necessárias para que um terceiro assaque as culpas.

"O drástico triângulo amoroso"


A apresentação que nos é feita das personagens não obriga a tomar partidos equidistantes. Todos são inocentes, como ao mesmo tempo, são culpados. Afinal estamos a falar de seres humanos. No entanto, é normal que sintamos alguma simpatia por “Min-ki” no papel do marido traído, porquanto a referida personagem cumpre à primeira vista com todos os objectivos a que está adstrito em razão das circunstâncias. Contudo, temos de certa forma compreender as motivações (mesmo que não concordemos, como é o meu caso) de “Bora”, uma mulher que sente merecer algo mais, e que “Min-ki” não consegue dar. Eventualmente paixão…”Ill-beom”, é o parceiro na traição, mas podemos discernir à distância que está sinceramente apaixonado por “Bora”, e que é capaz de fazer tudo por ela. Pelo exposto, o filme obriga a que não façamos julgamentos de valor precipitados.

Para quem está mais atento às lides do cinema asiático, sabe que Choi Min-sik é um intérprete de nível mundial, e pessoalmente o que colhe a minha preferência conjuntamente com Tony Leung Chiu Wai. Aqui oferece-nos mais uma actuação de um gabarito elevadíssimo. Já tive a oportunidade de visualizar grande parte da filmografia do actor, e começo a pensar seriamente que se existem coisas quase impossíveis de acontecer neste mundo, é Min-sik oferecer representações de nível abaixo do bom. O actor sul-coreano é, sem margem para qualquer dúvida, um senhor do cinema. Em “Fim Feliz”, encontra um parceiro à altura em Jeon Do-yeon, uma actriz que é como o algodão, definitivamente não engana. Sublime a forma como exterioriza os sentimentos e se envolve nas cenas mais quentes com a maior naturalidade possível. O seu talento foi recentemente reconhecido em Cannes, onde ganhou o prémio para melhor actriz no papel que representou em “Secret Sunshine – Milyang”. Jo Jin-moo, no papel do amante de “Bora”, constitui um vértice seguro e consistente do malfadado triângulo amoroso.

Tendo integrado a selecção do “Festival de Cannes” e do nosso “Fantasporto" – edição de 2001, “Fim Feliz” constitui uma boa proposta e que com certeza fará pensar uma ou duas vezes aqueles (as) que pretendam dar uma “facadinha” (passe a ironia; se visionarem o filme, irão entender) na relação. Além de provocarem uma mágoa difícil de esquecer, nunca se sabe como o outro lado pode reagir…e o fim normalmente não será tão feliz quanto isso.


"Os amantes beijam-se"

Trailer, The Internet Movies Database link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63




segunda-feira, agosto 27, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Conforme já é tradição semanal deste blogue, apresento-vos mais 4 grandes intérpretes que estão a votação neste espaço:
Aya Ueto

Informação

Filmes em que participou, criticados no My Asian Movies: Azumi, a Assassina , Azumi 2: Amor ou Morte

Shin Hyun-june (Shin Hyeon-jun)

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Shadowless Sword , Bichunmoo, o Guerreiro

Carina Lau

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Ashes of Time, 2046

Choi Min-sik

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Oldboy - Velho Amigo , Failan, Fim Feliz



domingo, setembro 10, 2006

Failan/Pailan (2001)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 116 minutos

Realizador: Song Hae-seong

Com: Cecilia Cheung, Choi Min-sik, Son Byeong-ho, Kong Yeong-jin, Kim Ji-yeong, Ji Dae-han, Kim Hae-gon, Jeong Dae-hoon, Kim Su-hyeon

"Failan"

Introdução

" - O senhor chama-se Lee Kang-jae? - pergunta um polícia.

- Sim - responde Kang.

- É marido de Kang Failan?

Kang fica a modos que desconfiado e embaraçado, assentindo com a cabeça.

- Lamentamos informá-lo que a sua esposa faleceu ontem..."

"Lee Kang-jae"

Estória

Quando "Failan" (Cecilia Cheung), uma chinesa nativa, perde os progenitores, decide que nada mais liga-a à sua terra-natal e resolve ir ter com a sua tia à Coreia do Sul em busca de uma vida melhor. Chegada a um país que desconhece em absoluto, descobre que a sua parente emigrou para o Canadá.

Sem dinheiro nenhum, resolve tentar arranjar um trabalho, mas cedo descobre que não o pode fazer em segurança, pois não possui um visto para laborar na Coreia do Sul. A agência de emprego é propriedade de um "gangster" local chamado "Jong-sik", sendo proposto a "Failan" que contraia matrimónio com um coreano por forma a ultrapassar as dificuldades burocráticas na obtenção do necessário visto.

O marido arranjado não é nada mais, nada menos que "Lee Kang-jae" (Choi Min-sik), um criminoso frustrado que pertence ao "gang" de "Jong-sik".

O casamento é efectuado sem que "Failan" conheça pessoalmente "Kang", possuindo apenas uma fotografia e um lenço vermelho pertencente a este. No entanto "Failan" fica imensamente agradecida a "Kang", que tem por boa pessoa e apaixona-se por ele.

Entretanto as vidas de ambos seguem cada uma o seu rumo, totalmente oposto e diferenciado.

"Failan" tendo sido recusada num bordel devido à sua doença, acaba por ir trabalhar para uma lavandaria, onde dá o seu melhor no dia-a-dia. Apaixonada pelo suposto altruísmo do seu marido, escreve-lhe e tenta inclusive conhece-lo. Um dia não aguenta mais o fardo da sua doença e morre em solidão...

"Kang", por sua vez, numa noite em que está numa discoteca com "Jong-sik", vê-se envolvido numa altercação, e assiste ao assassinato de um membro de um "gang" rival, perpetrado pelo seu chefe.

"Jong" solicita ao seu apaniguado que assuma as culpas pelo crime e em troca propõe-se a satisfazer o maior sonho da vida de "Kang", que passa por oferecer-lhe um barco de pesca, de modo a que este possa dedicar-se à fauna marítima.

"Kang" aceita o negócio, mas entretanto recebe através da polícia a notícia do falecimento de "Failan", sendo-lhe pedido que trate do funeral.

"Kang" parte para a terra onde "Failan" trabalhava e vivia, numa viagem que irá mudar por completo a sua vida...

"O deslumbramento de uma emigrante chinesa causado pela chegada a um novo país, a Coreia do Sul"

"Review"

Há uns tempos atrás tinha referido aqui no "blog" que não conhecia muitos filmes correlacionados com o drama coreano, embora felizmente esta situação aos poucos esteja a alterar-se. Igualmente e pensando com "os meus botões", sentia que o facto de nunca ter visionado "Failan" constituia uma das minhas grandes "pechas" acerca deste assunto. Depois de ter assistido a este MAGNÍFICO filme, tenho a certeza que a minha vida de consumidor de cinema estava deveras incompleta! Graças a Deus e em boa hora esta falha imperdoável foi sanada!

"Failan" é sem dúvida uma das grandes obras do cinema asiático e constitui um dos melhores dramas que tive o privilégio de assistir até hoje. É virtualmente impossível não ser contagiado pela trágica personagem que a bela Cecilia Cheung tão brilhantemente interpreta.

A aura que abraça a jovem "Failan" é muito semelhante à da figura de "Forrest Gump" no filme com o mesmo nome e interpretado por Tom Hanks, ou à que gira em volta de "John Coffey" em "The Green Mile" ("À Espera de Um Milagre"). Uma pessoa muito boa, tremendamente ingénua, apreciadora das coisas simples da vida, tímida mas no entanto com grande força interior e fadada a um destino semi ou completamente trágico. Cecilia Cheung brilha, brilha e brilha neste filme! É impossível não se apaixonar pela pobre "Failan"!

"A expectativa de um possível encontro com o marido"

"Kang", interpretado pelo grande actor coreano Choi Min-sik, é o completo oposto de "Failan". Um vigarista, que até no crime é uma nódoa sem utilidade nenhuma, desrespeitado até pelos membros mais novos do "gang". Um bêbado inveterado e um escroque que até no fundo acaba por revelar possuir um bom coração e uma certa sensibilidade.

O argumento de "Failan" é um marco para qualquer escritor. Dotado de originalidade, sem "baboseiradas" ou "élans" desnecessários, centrando-se na platónica estória de amor, mas igualmente abordando temas e problemas profundos da actualidade, tais como a exploração da emigração e o crime. Tudo feito com o maior dos realismos, sem descurar os aspectos mais cinematográficos.

O jogo das paisagens e da banda-sonora com o enredo e os sentimentos denotados pelas personagens é extremamente bem conseguido, revelando a grande competência e alma que o realizador Song Hae-seong pôs na rodagem da película.

Os últimos quinze minutos matam qualquer resistência que o espectador tenha porventura mantido face ao filme. A cena da carta de "Failan" que "Kang" lê no porto de pesca, devasta qualquer coração mais empedernido, e faz-nos flutuar para outra dimensão!

Uma imperdível obra da sétima arte que fará cair nem que seja uma única lágrima bastante sentida!

"O desespero ilustrado na face de Lee Kang-jae"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Cine-Ásia, Bitlogger

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 9

Argumento - 10

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 10

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 8,88













quinta-feira, junho 08, 2006

Oldboy-Velho Amigo/Oldboy (2003)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 120 minutos

Realizador: Park Chan-wook

Com: Choi Min-sik, Yu Ji-tae, Kang Hye-jeong, Ji Dae-han, Oh Dal-su

"Ou falas e contas tudo o que sabes, ou..."

Considerações pessoais

Quando ocorreu a ideia de criar este "blog" e como ficou atestado no primeiro "post", o conteúdo temático deste espaço versaria sobretudo sobre os "swordplay" asiáticos. Na altura, alertei igualmente que ocasionalmente poderia ser efectuada uma crítica a filmes que não se enquadrassem no género mencionado, mas respeitando sempre a trave-mestra por que se rege o "blog" : tem que ser um filme de origem asiática. Afinal de contas, a designação deste espaço é "My Asian Movies", que significa literalmente "Os meus filmes asiáticos".

Como se pretende que este espaço seja dinãmico e anti-estanque, mais uma página cumpre virar e nada melhor que "Oldboy" para incrementar e iniciar uma variação mais abrangente de conteúdos do "blog".

Feito este parênteses, vamos ao que interessa!

"Dae-su sem contemplações!"

Estória

"Oh Dae-su" é um normal, embora não muito responsável chefe de família, que é raptado no meio da rua e emprisionado num apartamento. Entretanto a sua mulher é assassinada e perde o rasto à sua filha pequenina. O cativeiro dura uns longos 15 anos, em que podemos acompanhar o quotidiano desta personagem no espaço em que está confinado, assim como o aumento progressivo da sua paranóia, situação normal para uma pessoa a quem foi retirada a liberdade e não faz a mínima ideia das razões para tal.

"Dormindo com o inimigo"

Decorido este período, "Dae-su" é finalmente libertado e assume como único objectivo descobrir as motivações que estão por detrás do seu sequestro e consequentemente de vingar-se dos seus misteriosos inimigos. Pelo caminho trava conhecimento com uma jovem rapariga, que o ajuda nasua demanda e com a qual acaba por encetar um relacionamento.

De cena em cena o véu do mistério vai sendo descerrado e a realidade torna-se cruel demais...

"Uiiiiiiiii!"

"Review"

Desde logo devo alertar que "Oldboy" não é um filme destinado a pessoas facilmente impressionáveis ou com uma moral muito rígida. Se consideram-se enquadrados nesta categoria, esqueçam o visionamento da película, pois ela só vos revoltará e provavelmente não conseguirão ver até ao fim. Só a título de exemplo, o actor principal Choi Min-sik, numa cena come um polvo vivo. O animal em questão tem "apenas" o tamanho de um pequeno gato! Acreditem que isto nem é nada comparado com outras imagens e com o próprio enredo. "Oldboy" faz do terrorismo psicológico e do choque uma verdadeira arte!

A fluidez da película é muito boa. O espectador consegue sentir a agonia da solidão, e todo um manancial de diferentes sensações, assim como a raiva expedida por "Dae-su", de que serve como exemplo uma cena em que aquele "arruma" literalmente com uma dúzia de homens directamente responsáveis pela sua tragédia. Não estamos a falar em cenas de artes marciais! A personagem principal violentamente bate e esmaga os seus oponentes com um martelo!

"Perdão..."

A paixão crescente e agonizante entre "Dae-su" e a jovem "Mi-do" constitui um dos muitos pontos fortes do filme e desemboca no momento mais chocante. E mais não digo...

Todos os actores interpretam os seus papéis com grande mérito, mas a de Choi Min-sik é verdadeiramente transcendente. Até hoje nunca vi um "acting" tão bem conseguido e capaz de envergonhar qualquer actor que tenha ganho um óscar. A maneira como "Dae-su" é corporizado com os seus medos, anseios, ódio latente e desespero existencial é digna dos mais elevados elogios e de praticamente nenhum reparo.

"Oldboy" constitui uma película revestida de uma qualidade inegável, que justamente viu o seu valor reconhecido em Cannes - edição de 2004, ao vencer o grande prémio do juri.

Posso-vos dizer que ao acabar de ver o filme, senti-me subitamente atordoado. Desliguei o leitor de dvd, fui para a varanda, acendi um cigarro e para com os meus botões pensei: "Fui atropelado por um comboio!!!"

"Já lixei a vida a toda a gente e agora vou-me!"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 10

Argumento - 10

Guarda roupa e adereços - 8

Banda-sonora - 7

Emotividade - 10

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 9

Classificação final: 8,75