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quarta-feira, julho 29, 2009

Eleição 2/Election 2/Hak se wui yi wo waa kwai - 黑社会:以和为贵 (2006)
Origem: Hong Kong
Duração: 88 minutos
Realizador: Johnnie To
Com: Louis Koo, Simon Yam, Wong Tin Lam, You Young, Lam Suet, Eddie Cheung, Nick Cheung, Gordon Lam, Mark Cheng, Andy On, Tam Ping Man
"Jimmy Lee"

Atenção! Spoiler!

“Eleição 2” é a sequela de “Eleição”, filme já anteriormente criticado neste espaço AQUI. Pelo exposto, o texto abaixo poderá conter “spoilers” em relação ao primeiro filme. Se não viu ainda “Eleição”, não deverá continuar a ler este escrito.

Sinopse

Dois anos após “Lam Lok” (Simon Yam) ter saído vitorioso sobre “Big D” (à altura interpretado por Tony Leung Ka Fai), na disputa sobre o comando da tríade Wo Sing, é tempo de eleger um novo líder para a organização, considerando que o mandato está a chegar ao fim. A liderança de “Lok” foi considerada bastante positiva, mas a tradição exige que se mude de chefe de dois em dois anos. Os candidatos que se chegam à frente são “Kun” (Gordon Lam) e “Jet” (Nick Cheung), mas ambos revelam ser marionetas de “Lok”. Por outra via, existe uma falange forte da tríade que pretendia que “Jimmy Lee” (Louis Koo) assumisse os destinos da Wo Sing, mas este apenas importa-se com os seus negócios pessoais.

"Lam Lok"

Na realidade, “Lok” não se mostra predisposto a deixar o lugar de chefe da tríade, e começa em maquinações para renovar o seu mandato, desafiando todas as regras da organização. Acontece que “Jimmy Lee” recebe um golpe muito duro nos seus proveitosos ganhos, quando o inspector chinês “Xi” (You Young) lança-lhe um ultimato, afirmando que ele só poderá continuar no seu negócio dos dvd piratas, se obtiver uma posição mais importante no “ranking” da tríade. Face a esta perspectiva das coisas, “Jimmy Lee” entra na corrida para líder da Wo Sing. Cedo, “Lok” e “Jimmy Lee” convencem-se que a única forma de serem eleitos, é matarem o rival. Uma batalha sangrenta tem o seu início.

"Jet"

"Review"

Um ano após o sucesso de “Eleição”, um dos mais importantes filmes acerca do quotidiano das tríades, Johnnie To daria corpo a “Eleição 2”, uma película que visa concluir de certa forma os eventos passados na primeira obra, assim como selar o destino tanto de “Lok”, como de “Jimmy Lee”, tendo esta última personagem um protagonismo central na história. “Eleição” constituiu um marco na compreensão do “modus operandi” das organizações do submundo do crime de Hong Kong, tendo demonstrado ser um bom produto de entretenimento, mas igualmente imbuído de um factor cultural bastante assinalável. “Eleição 2” faz jus à notoriedade do seu predecessor, e encarna muito do espírito do primeiro filme. Simplesmente, entendo que consegue ser, na generalidade, uma película mais violenta e brutal. A cena do canil é bastante ilustrativa deste aspecto.

A guerra que a certa altura desencadeia-se entre os outrora aliados “Lok” e “Jimmy Lee”, é um conflito sem quartel e que impressiona imenso o espectador. À semelhança da primeira película, o conflito não é corporizado em gloriosos “stand off” à John Woo ou batalhas infernais onde as saraivadas de balas ditam a lei. Os confrontos são travados com argúcia e engenho, onde as movimentações nos bastidores do crime e as jogadas políticas marcam o passo. E quando se passam a coisas mais sérias, de um ponto de vista de acção, a mesma é exposta de uma forma crua e fria, mas muito mais palpável e realista. A tensão é enorme, pois sentimos que apesar de muito do que nos é apresentado passar pelo jogo duplo da traição, a presença do “banho de sangue” está sempre presente e poderá emergir a qualquer momento. Não existem causa justas, ou qualquer espaço para a moralidade. O que subjaz passa apenas por conseguir os objectivos, e usar as pessoas como meros peões para a obtenção do prémio máximo. “Os fins justificam os meios”, já dizia Nicolau Maquiavel, e “Eleição 2”, encarna muito bem esta premissa. Tanto “Lok”, como “Jimmy Lee” não vão em pruridos, e dá-se um autêntico embate de gigantes onde, inevitavelmente, só um poderá sobreviver.

"Lam Lok, rodeado dos membros da tríade"

À semelhança igualmente do primeiro filme, em “Eleição 2” não existem heróis, embora se reconheça alguma simpatia não desmedida pela causa interesseira de “Jimmy Lee”. No meio de tanto fora-da-lei, sempre se poderá tomar algum partido. Contudo, não repugnará que alguns fiquem do lado de “Lok”, desafiando as tradições instituídas e criticando os motivos de “Jimmy Lee” no ataque à liderança. No meio de tanta amoralidade, e alguma imoralidade, com certeza que eventualmente haverá algum partidário da lei e da ordem, que pugnaria pela extinção completa da tríade Wo Sing, e das suas actividades criminosas. Mas esta questão é claramente secundária. O que interessa é que, mesmo sem conhecimento prático de causa, é minha firme convicção que Johnnie To conseguiu capturar o verdadeiro espírito da vivência das tríades, tornando a saga “Eleição”, um documento de reputável interesse.

“Eleição 2” continua o bom trabalho evidenciado na primeira obra, e um dos seus grandes méritos foi não cair na tentação que muitas sequelas infelizmente prosseguiram. Ambos os filmes foram provavelmente os maiores feitos do género “tríade” dos últimos anos. Não caem na tentação da violência fácil. Outrossim, tentam nos imbuir num espírito mais realista no sentido de percebermos o que realmente são as organizações do submundo de Hong Kong e o seu impacto na sociedade. Por outra via, To teve o condão de reunir um grupo de actores que perceberam efectivamente qual o espírito da película e a interpretam muito bem. No caso particular de Louis Koo, estamos perante um dos melhores papéis da carreira do actor. No fim, só resta declarar que a mensagem da primeira película, mantém-se essencialmente a mesma. Há quase sempre alguém que nos suplanta em algo, assim como, de uma forma ou outra, todos somos vítimas dos nossos próprios desígnios. Nas tríades, pelos vistos e em razão da sua natureza intrínseca, estas realidades têm um campo natural de aplicação!

A ver, juntamente com “Election”, num “2 em 1” eivado de qualidade!

"O Tio Teng"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Eleição/Election/Hak se wui - 黑社会 (2005)

Origem: Hong Kong

Duração: 100 minutos

Realizador: Johnny To

Com: Simon Yam, Tony Leung Ka Fai, Louis Koo, Wong Tin Lam, Lam Suet, Eddie Cheung, Nick Cheung, Gordon Lam, Maggie Siu, David Chiang, Berg Ng, You Yong, Yuen Bun, Raymond Wong, Tam Ping Man, Wong Chung, Chan Siu Pang

"Lam Lok"

Sinopse

Numa Hong Kong com mais de 300.000 membros de tríades, a organização mais respeitada, denominada “Sociedade Wo Sing”, está prestes a eleger um novo líder, e tudo parece resumir-se à escolha entre “Lam Lok” (Simon Yam) e “Grande D” (Tony Leung Ka Fai). Este último começa a subornar os “tios”, que são os membros mais antigos da tríade e responsáveis pela escolha do chefe. Contudo, as pretensões de “Grande D” são barradas por “Teng” (Wong Tin Lam), um homem idoso que é o membro mais respeitado da “Wo Sing” e que apela à unidade da organização em detrimento dos jogos de bastidores. Em consequência, “Lok” acaba por ser apontado como o responsável máximo do grupo criminoso.

"Grande D"

Acontece que a eleição de “Lok” só estará completa quando este possuir o ceptro da “Cabeça do Dragão”, o símbolo usado pelo líder da “Wo Sing” e representativo da sua autoridade. “Grande D”, ciente desta premissa, tudo faz para impedir que o artefacto seja entregue a “Lok”. Com todos os membros da tríade a tomar partido, ora por “Lok”, ora por “Grande D”, a guerra pelo poder dentro da organização parece ser inevitável.

"Os Tios procedem à eleição do líder da tríade Wo Sing"

"Review"

“Eleição” é um dos filmes mais conhecidos de Johnny To e dos produtos mais bem sucedidos da sua companhia, a conhecida “Milkyway". Foi uma película que causou imensa sensação nos circuitos cinematográficos, tendo vencido nove prémios, divididos pelos “Golden Horse Awards”, os “Hong Kong Film Awards”, e Sitges, o conhecido festival internacional de cinema catalão. Viria ainda a concorrer para o galardão máximo de Cannes, a “Palma de Ouro”, mas aí viria a ser ultrapassado por “L'Enfant”, dos irmãos Dardenne (Jean-Pierre e Luc). Quentin Tarantino é um professo admirador desta longa-metragem, e viria a contribuir na edição de DVD norte-americana, onde pontificava a sua citação “o melhor filme do ano”. Quer se goste ou se recrimine, uma coisa é certa. É praticamente inquestionável que “Eleição” é dos mais emblemáticos, senão o mais importante filme do género “tríade” dos últimos anos.

Um dos grandes méritos desta obra é elucidar-nos sobre o “modus operandi” das tríades de um ponto de vista mais conceptual e educativo. “Eleição” faz-nos interiorizar o aspecto “político” essencial na vivência do crime organizado de Hong Kong, que passa muito pelo aspecto negocial onde se pretende um certo equilíbrio e onde todos podem lucrar com as actividades ilícitas. Trata-se de um jogo que ocorre não só entre os elementos das tríades, mas igualmente com a polícia que revela deter grande interesse no evitar de conflitos entre os “gangsters”. Temos igualmente a hipótese de observar os rituais ancestrais das tríades, com todo o simbolismo associado às cerimónias de iniciação e às juras de fidelidade entre os seus membros. É um dos ritos destas organizações criminosas, a saber, o processo de escolha do líder, que constitui o cerne da trama. Tal “eleição” poderá variar entre um processo de votação oligárquico, como é o caso da tríade Wo Sing (“empresa” sobre a qual gravita a película), ou por um sistema monárquico onde um familiar sucede a outro, como aprendemos que acontece noutras tríades. Tudo sucede como se estivéssemos a dissertar sobre os multi-variados sistemas de governação das nações, com os seus próprios processos de “checks and balances” ao melhor estilo dos politólogos John Locke ou Montesquieu.

"Luta nas ruas de Hong Kong"

É certo que as traições, o jogo duplo e a violência são inevitáveis, mas “Eleição” não cai na tentação fácil de se transformar num “gun fu” no inimitável estilo das conhecidas obras de John Woo. Por força desta asserção, a obra revela uma identidade própria e distintiva, que consegue ser extremamente apelativa e verosímil. É aqui que reside a força do filme. Aliás, para termos uma ideia da forma como o confronto entre os membros das tríades é abordado nesta obra, não existe praticamente nenhum duelo de balas. Tudo é tratado com o máximo realismo e crueza, com agressões “mano a mano”, onde os punhos e os pés (sem recurso a técnicas de artes marciais), os facalhões, as garrafas de "whisky" e outros utensílios primários ditam a lei.

Os “jogos de poder” e a duplicidade das estratégias evidenciadas, necessariamente têm de se reflectir na forma de actuação das personagens. Sem querer desvendar demasiado o enredo, sempre se dirá que o espectador terá de estar preparado para alguns volte-faces na história, onde quem parecerá estar imbuído de “boas intenções” (passe a expressão) revela um carácter frio, sanguinário e calculista, e por outra via, quem se assemelha ao que mais associamos ao “mafioso” típico, é quem cede e acaba por ser vítima dos seus próprios desígnios, quando as coisas parecem estar bem encarreiradas. É a estratégia de Maquiavel, exteriorizada na sua obra e verdadeiro guia político, “O Príncipe”, posta em prática religiosamente. Os actores Simon Yam e Tony Leung Ka Fai desempenham com bastante competência os seus papéis, mas são verdadeiramente os intérpretes que têm os papéis secundários, mormente Louis Koo e o obeso Wong Tin Lam, que fazem as maiores despesas a nível de representação, carecendo apenas de falta de minutos. Espectacular é a actuação de Nick Cheung, no papel de “Jet” (“Cabeça de Peixe” na versão portuguesa), o pequeno traficante de droga, que revela um pendor eléctrico, maníaco e violento ao nível de um Jacky Cheung nos seus melhores dias.

“Eleição” constitui uma das numerosas boas produções que os estúdios “Milkyway” têm dado a conhecer ao grande público, e que de alguma forma têm defendido a honra do cinema de Hong Kong que, diga-se de passagem, já passou melhores momentos. É um filme que assenta num espectro político interessante, para além de ser extremamente informativo para aqueles que se interessam pelo submundo daquela região administrativa chinesa (esperemos que de um ponto de vista estritamente teórico). Consegue dosear estes aspectos, utilizando uma violência que se afigura necessária, mas longe de ser gratuita. Aliando-se todos estes factores a uma realização e interpretação bem conseguidas, uma cinematografia de elevada qualidade e a momentos emblemáticos assinaláveis, não se poderá pedir muito mais. Talvez lhe fique a faltar apenas um pouco mais de alma e aposta nas interessantíssimas personagens secundárias.

Poderá não ser um filme de “eleição”, mas fica bem lá perto!

"A cerimónia de fidelidade"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8





terça-feira, agosto 21, 2007

Happy Birthday - Sun yat fai lok - 劉若英 生日快樂 (2007)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 107 minutos

Realizador: Jingle Ma

Com: Rene Liu, Louis Koo, Richard Ng, Lawrence Chou, Bowie Tsang, Carl Ng, Sonja Kwok, Wei Wei, Li Qinqin, Yuya Kudo, Lam Suet, Macy Chan, Richie Ren

"Mi"

Estória

“Mi” (Rene Liu) é uma rapariga solteira de vinte e tal anos, que possui talento para tocar piano. A jovem dá-se bem com a solidão, apesar de ter o apoio de alguns amigos e do pai (Richard Ng). No entanto, quando se aproxima a data do seu aniversário (7 de Junho), “Mi” entra em polvorosa, pois o seu ex-namorado “Nam” (Louis Koo) envia-lhe sempre uma mensagem de aniversário pelo telemóvel.

Num longo “flashback”, acompanhamos o início do relacionamento de “Mi” e “Nam” ainda nos tempos da faculdade. “Mi” era uma rapariga tímida, que passava despercebida, enquanto “Nam” era um rapaz extremamente popular entre o sexo oposto. O improvável acontece, e ambos encetam um relacionamento. Chega a altura em que o rapaz, filho de boas famílias, vai para os E.U.A. uma temporada, esfriando bastante o relacionamento. No entanto, no aniversário de “Mi”, chega sempre o aguardado “SMS” de parabéns.

"Nam"

Posteriormente, “Nam” regressa a Hong Kong, e chega a altura de “Mi” partir para Tóquio, tendo em vista o aperfeiçoamento da sua técnica de piano. A distância mantém-se, embora “Nam” chegue a visitar “Mi” ao Japão, mas por alturas do aniversário de “Mi”, a inevitável mensagem chega sempre.

“Mi” eventualmente acaba por retornar a Hong Kong, e tudo parece se proporcionar para que o casal reate o relacionamento. No entanto, um evento inesperado acontece. “Nam” telefona a “Mi” a dizer que conheceu uma rapariga que ama bastante, indo-se casar com ela e partir para Xangai. O rapaz aconselha-a a esquece-lo.

No entanto, todos os anos “Mi” continua a receber a sua mensagem de aniversário. Qual será a razão para que “Nam” se casasse com outra rapariga, quando era óbvio que amava desmesuradamente “Mi”? Se disse para esquece-lo, porque é que as mensagens continuam a chegar no dia 7 de Junho?

"O casal defronta-se com os seus medos e anseios"

"Review"

Jingle Ma é um realizador extremamente versátil, e que considero, no que toca aos dramas, um dos realizadores mais “coreanos” da cena de Hong Kong. A sua apetência e habilidade para os filmes de “puxar a lágrima ao olho”, definiram objectivamente a minha opinião. Vários exemplos poderiam ser aventados, mas pense-se apenas em “Fly Me To Polaris”, esse drama de fazer chorar as pedras da calçada.

Baseado na novela “I Want to Go With You”, da autoria de Rene Liu (exacto, é a actriz principal deste filme), o argumento é bem feito e a trama verdadeiramente enternecedora. Quem ler a sinopse acima exposta, poderá pensar que estamos perante um monte de “baboseiradas”, do género novela mexicana, mas asseguro-vos que isto não é bem assim. É certo que “Happy Birthday” pretende ser o que se chama de “tearjerker”, levando a que inevitavelmente algumas cenas sejam eminentemente forçadas, e que nos façam pensar que de facto estamos perante mais um bando de “clichés” que visam fazer com que gastemos o “stock” de lenços de papel que temos à mão. Asseguro-vos igualmente que isto constitui a excepção e não a regra. O drama em regra é bem conseguido, e deveras cativante. Posso-vos dizer que em geral, a película me emocionou de certa forma. Mas isto tem uma explicação adicional, e sem querer revelar em demasia a minha vida, debruçarei-me um pouco mais sobre o argumento.

A ideia do casal apaixonado que não tem um final feliz está longe de ser uma novidade. Qualquer um de nós já experenciou, assistiu ou pelo menos ouviu falar de relações entre um homem e uma mulher que não deram certo por razões extra-amor. As circunstâncias vivenciais, a insegurança, os rumos diferentes que cada um quiseram dar à sua vida, a incompatibilidade de feitios, etc., etc., etc., não raras vezes conseguiram com que uma união bonita acabasse. Estou-me a lembrar de dois casos relacionados com amigos meus, com namoros de anos, terem terminado pela razão de eles quererem fazer a sua vida pós-universidade na terra que os viu nascer, a ilha da Madeira, e as namoradas de Portugal continental igualmente pretenderem construir a sua vida nas cidades de que eram provenientes (legitimamente diga-se). Não houve consenso, a teimosia imperou, e o resultado está-se mesmo a ver. Planos de vida…incompatibilidade de feitios…chamem-lhe do que quiserem!

"Natação relaxante"

O tema não é novo e já foi explorado em centenas de filmes.

O que me atraiu com uma violência magnética, no sentido de querer adquirir esta longa-metragem, foi o modo como o rapaz expressava o seu desejo de proximidade: as mensagens de telemóvel enviadas no dia de aniversário da ex-namorada. Fiquei estarrecido pelo simples facto de a minha pessoa de há uns anos para cá viver uma situação extremamente parecida (pelo menos nesta parte). Eu tive uma ex-namorada que não tenho pejo nenhum em admitir que amei bastante, e de há cinco anos para cá, o único contacto que mantenho é precisamente aquela mensagem de aniversário que faço questão de enviar por SMS no dia correspondente. Em 5 anos (este incluído), asseguro-vos que não falhei uma única vez. Estava criado o ambiente para que ansiasse o visionamento de “Happy Birthday”.

Embora não me tivesse identificado completamente com os sentimentos e as peripécias vividas pelo casal “Mi” e “Nam”, e ainda bem (mais não digo, senão desvendaria muito o enredo), revi-me bastante noutras, especialmente na ânsia e na expectativa de receber o bendito “SMS” no dia do meu aniversário (é verdade, também tenho direito a essa gentileza por parte da mesma pessoa), consubstanciada num olhar sub-reptício de meia em meia-hora para o telemóvel.

A fotografia e a ambiência com tons preferencialmente brancos (indicará pureza?) estão belíssimas, ajudando imenso os momentos mais melancólicos da película. As melodias, quase exclusivamente atinentes às músicas de piano tocadas por “Mi”, são comoventes e desempenham bem o seu papel.

O desempenho dos actores é bastante competente, indo as maiores honras para Rene Liu que nos oferece momentos de excelente representação. Não será alheio o facto de ter escrito a estória e porventura tal facto ter ajudado a sentir e a expressar o melhor que podia o interior e exterior de “Mi”.

Aconselhável!

"Notícias preocupantes"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,88

Nota 1: Dedicado à pessoa a quem eu religiosamente envio um SMS de aniversário todos os anos.

Nota 2: Apesar de não ter nada a haver com o texto acima exposto, aproveito o ensejo para parabenizar a minha localidade, o Funchal, que comemora hoje 499 anos da sua elevação a cidade. Já só falta um para o meio milénio!





quarta-feira, maio 03, 2006

Os Guerreiros da Montanha/Zu Warriors/ Shu shan zheng zhuan (2001)

Origem: Hong Kong/China

Duração: 77 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Ekin Cheng, Cecilia Cheung, Louis Koo, Patrick Tam, Kelly Lin, Sammo Hung, Zhang Ziyi, Jacky Wu, Lau Shun

"Dawn medita num belo pano de fundo"

Estória

As montanhas de "Zu" constituem a morada dos deuses cuja principal função consiste em velar pelo equilíbrio do mundo e da civilização, um pouco à semelhança do Olimpo da mitologia grega. Acontece que uma destas divindades, o poderoso e diabólico "Insomnia" rebela-se contra os seus pares e tenta conquistar o poder pela força. Os exércitos do reino mítico de "Omei" congregam-se para dar luta a "Insomnia". Deste fantástico exército destaca-se "King Sky" (noutras versões "Blue Wolf"), que possui como arma principal, o fabuloso "Disco Lunar", que herdou da sua falecida mestre e apaixonada, "Dawn".

"Dawn explica ao seu discípulo e amante King Sky, os poderes do maravilhoso Disco Lunar"

Apesar de "Dawn" ter sido assassinada por "Insomnia" há 200 anos atrás, "King Sky" depara-se com a sua reincarnação amnésica "Enigma", que é uma das deusas que lidera as tropas de "Omei". "Enigma" em conjunto com a reicarnação do seu irmão "Hollow", voam para a batalha chefiados pelo deus mais poderoso de "Omei" chamado "White Eyebrows", conseguindo afugentar "Insomnia" para a "Caverna do sangue".

"Red Hawk", uma divindade possuidora de umas fantásticas asas de metal que tanto servem para voar, como para lutar, fica encarregue da vigilância da "Caverna do sangue" e das movimentações do inimigo. No entanto, é enganado pelos ardis de "Insomnia" e passa para o lado das forças do mal. O deus do mal sentindo-se suficientemente poderoso, decide lançar um ataque decisivo contra "Omei", criando desta forma as condições para a batalha final que irá decidir quem terá o controlo das montanhas de "Zu" e consequentemente do mundo.

"King Sky tenta dominar o Disco Lunar"

"Review"

Tenho dificuldades em opinar acerca desta película, atendendo à grande confusão argumental que o filme padece, deixando o espectador completamente "à nora" em determinados momentos. Mesmo assim, e como não poderia deixar de ser, darei o meu melhor.

A primeira ideia a reter é que este filme foi criado com o intuito quase exclusivo de deslumbrar o espectador com os seus efeitos especiais. O que dizer quanto a estes?

Numa primeira aproximação, convém desde já dizer que não estamos perante um clássico filme de artes marciais. As personagens literalmente voam, atiram raios e coriscos uns aos outros, brandem espadas místicas com 10 ou 15 metros de comprimento, etc. Falamos pois de um filme de super-heróis, que por acaso até são deuses. Em todo o filme, existe apenas o registo de uma luta convencional, travada entre "Ying" (a reincarnação de "Hollow") e "Joy", uma mortal cujo sonho de uma vida é conhecer os deuses.

As armas sagradas dos deuses são em regra muito interessantes de se ver. Destaco desde já o "Disco Lunar" de "King Sky", que constitui um verdadeiro regalo para os olhos! Adoro ver a graciosidade de movimentos e o poder que este artefacto transmite! Outra arma que merece bastante atenção é a possuída por "White Eyebrows", designada por "Escudo do Céu", uma eficaz protecção que repele quase todo o tipo de ataques.

"King Sky e Red Hawk conferenciam numa noite de lua cheia"

As interpretações são à semelhança do enredo uma total confusão. Parece que os actores decoraram tudo à pressa e debitaram as falas "às três pancadas", degenerando na incongruência total. A desilusão ainda é maior, quando estamos perante um elenco de luxo claramente subaproveitado. Veja-se o exemplo da personagem interpretada por Zhang Ziyi, totalmente desfasada do filme, "sem ponta por onde se lhe pegue".

No entanto cumpre dar uma pequena palavra de apreço para Ekin Cheng, o actor que corporiza "King Sky". Apesar do seu "acting" ser igualmente pouco mais do que medíocre, salva-se da tragédia geral devido ao seu ar circunspecto e sonhador, o que lhe dá uma aura muito "cool". O romance protagonizado primeiro com "Dawn" e posteriormente com "Enigma" (ambas interpretadas pela belíssima Cecilia Cheung), tem momentos verdadeiramente ternos e bonitos, sendo bem acompanhados por uma música de cariz sentimental. Claro que depois vem mais uma sem nexo nenhum e lá se vai o romantismo e tudo o resto ao ar!

Tenho que confessar que não sou grande fã de Tsui Hark. Isto dito assim parece uma heresia e uma verdadeira afronta a todos aqueles que adoram o cinema proveniente de Hong Kong. Vi o seu último trabalho "Sete Espadas", e apesar do filme ter os seus bons momentos, a minha opinião não mudou muito. À primeira vista, deste realizador gostei da saga "Era Uma Vez na China" e pouco mais. Perdoem-me, mas é a minha opinião.

"Os Guerreiros da Montanha" é um filme que possui algumas cenas que ficarão na memória, mas sinceramente o resto é para esquecer. Deste género, prefiro 1000 vezes "The Storm Riders".

Medíocre, quase no mediano!

"King Sky ladeado das forças do bem de Omei"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 5

Argumento - 6

Guarda-roupa e adereços - 9

Banda-sonora - 6

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 5

Classificação final: 6,75