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quarta-feira, novembro 26, 2008

Heróis de Shaolin/Hand of Death Aka Countdown to Kung Fu/Shao Lin Men - 少林 (1976)

Origem: Hong Kong

Duração: 93 minutos

Realizador: John Woo

Com: Dorian Tan, James Tien, Jackie Chan, Sammo Hung, Yeung Wai, Gam Kei Chu, John Woo, Ko Keung, Polly Shang, Chu Ching, Wilson Tong, Yuen Wah

"Yun Fei"

Sinopse

O templo de Shaolin é destruído por forças lideradas por um antigo pupilo dos monges chamado “Shih Xiao Feng” (James Tien), que agora se encontra ao serviço dos invasores manchus. Anos depois de este trágico evento, os sobreviventes, sedentos de recuperar a honra ferida, enviam “Yun Fei” (Dorian Tan) em ordem a que este se vingue do infame “Shih”.

"Tan Feng"

Na sua demanda, “Yun Fei” apercebe-se do terror que “Shih” provoca na população, assim como a dificuldade em eliminá-lo devido ao seu grande domínio das artes marciais. No caminho, trava conhecimento com “Tan Feng” (Jackie Chan), um camponês que se mostra reticente em se juntar à aventura, embora simpatize com a causa de Shaolin. A passividade de “Tan Feng” altera-se quando salva “Yun Fei” depois de este ser capturado e torturado por “Shih”.

Os dois amigos, conjuntamente com um misterioso espadachim conhecido apenas por “Viajante” (Yeung Wai) e o intelectual rebelde “Zhang Yi” (John Woo, que também é o realizador), preparam-se para uma luta mortal com “Shih”, o seu oficial de confiança “Tu Ching” (Sammo Hung) e os restantes apaniguados.

"O vilão Shih Xiao Feng"

"Review"

No início da sua carreira e antes de John Woo ter ficado celebrizado com os seus “heroic bloodshed”, como “A Better Tomorrow”, The Killer”, “Bullet in the Head”, “Hard Boiled” e afins, o realizador dedicou-se ao cinema de artes marciais. O expoente máximo desta sua fase, pelo menos a nível de consagração, terá sido provavelmente a película “Last Hurrah for Chivalry”. “Hand of Death” é um dos filmes que Woo realizou nesta período, e cuja edição portuguesa recebeu o título de “Heróis de Shaolin”, ostentando Jackie Chan na capa em pose de luta, e pondo em destaque não apenas o nome deste actor, mas também os míticos Sammo Hung e Yuen Biao. Desde já convém fazer um alerta que reputo de importante. A maneira como a edição de dvd é apresentada, provavelmente fará pensar que os actores mencionados detêm o protagonismo principal no filme. Ora isto constitui um logro, pois os papéis principais estão atribuídos a Dorian Tan e James Tien, estrelas dos filmes de artes marciais de Hong Kong à altura. Jackie Chan e Sammo Hung têm partes importantes desta longa-metragem, mas secundárias. Ambos agem como “sidekicks” respectivamente de Dorian Tan e James Tien. Quanto a Yuen Biao, ele é apenas um mero figurante, sendo necessário estar com alguma atenção para detectá-lo no ecrã. Foi por essa razão que a capa do filme que escolhi para ilustrar este texto é uma das originais que saiu à altura, tentando repor desta forma a verdade das coisas. Fica o esclarecimento.

“Hand of Death” é um típico filme de artes marciais dos anos '70, em que o kung fu dita as suas leis, mas que não possui a arte nem o brilho de outras obras do género. Com um argumento previsível, mediano, e por vezes inconsequente, as partes mais apelativas ao espectador resumem-se inevitavelmente aos treinos e lutas que pontificam na película, ou não fosse esta uma longa-metragem de artes marciais. Para os fãs do género, e talvez para alguns não assim tão apreciadores, sempre será minimamente interessante observar como “Yun Fei” tenta descobrir o antídoto para a mortífera técnica de “Shih” que ostenta um nome pomposo e típico como o “punho mortal do grou branco”. Observamos o herói fazer evoluir o seu golpe essencial denominado a “garra do tigre”, de forma a poder lutar em igualdade de circunstâncias com o seu arqui-inimigo, embora eu pense, na minha ignorância, que a sua técnica bastante efectiva dos pontapés poderia ter arrumado o assunto com mais facilidade. E pelos vistos não me enganaria muito, pois descobri nas minhas costumeiras deambulações que o actor natural de Taiwan chamado Dorian Tan, tinha como alcunha “Flash Legs”, devido a um desempenho seu numa película com o mesmo nome e em outras que relevavam os seus pontapés. O espectáculo é garantido, não fosse a coreografia da autoria de Sammo Hung, então um jovem com 24 anos, ambicioso por ter provas dadas. Pessoalmente a nível de interpretação, e por uma questão estritamente de gosto pessoal, o actor que mais me impressionou foi Yeung Wai que dá corpo à personagem de “Viajante” (“Zorro”(???) na versão norte-americana). A razão muito simples passa pelo facto de desempenhar com alguma competência a personagem séria e trágica da história, sempre acompanhado do seu fiel sabre que por sua vez está associado a um evento infeliz e marcante.

"Os defensores da causa de Shaolin"

Não sei se o Takeo e Aline, que são bem mais versados no género do que eu, concordam comigo, mas “Hand of Death” está longe de ser um ilustre representante do denominado “kung fu old school”. A película valerá sobretudo pelo facto de observarmos dois dos maiores expoentes do cinema de artes marciais (Jackie Chan e Sammo Hung, porque aqui Yuen Biao nem conta) a trilharem aos poucos o caminho para a glória. Para além deste factor, salva-se um ou outro momento interessante, principalmente nas lutas, e pouco mais. Com certeza que se forem aficionados no cinema de artes marciais, poderão ter algum proveito. Os restantes não ficarão com a sua cultura cinematográfica mais pobre se passarem ao lado deste filme.

"Yun Fei Vs. Shih"

Trailer

The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7





terça-feira, setembro 16, 2008

A Touch of Zen Aka Xia Nu, the Gallant Lady/Xia Nu - 俠女 (1971)

Origem: Taiwan

Duração: 180 minutos

Realizador: King Hu

Com: Shih Chun, Feng Hsu, Bai Ying, Roy Chiao, Han Hsue, Han Ying Chieh, Sammo Hung, Jackie Chan, Billy Chan, Chang Ping Yu, Lam Ching Ying, Miao Tien, Tien Peng, Tsao Chien

"Ku Shen"

Sinopse

“Ku Shen” (Shih Chun) é um pobre e simples pintor, que ama a cultura e está constantemente a recitar as máximas de Confúcio, a figura que mais admira. A pacata vida da aldeia de “Ku Shen” chega ao fim quando começam a chegar homens do primeiro-ministro, o eunuco “Wei”. O objectivo dos mesmos passa por capturar e executar a filha de um oficial honesto que sucumbiu pelo facto de querer denunciar as maquinações de “Wei” ao imperador.

"Ku Shen e Yang"

Entretanto, “Ku Shen” recebe novos vizinhos, que vão residir para a mansão abandonada de um antigo general, que muitos dizem estar assombrada. É aqui que "Ku Shen" conhece “Yang Hui Ching” (Feng Hsu), e desenvolve sentimentos pela rapariga. Cedo se descobre que “Yang” é na realidade a filha do oficial falecido, que os homens do eunuco “Wei” tão ansiosamente procuram.

“Yang” com a ajuda de “Ku Shen”, e os generais foragidos “Shih” (Bai Ying) e “Lu Meng” (Han Hsue) tudo vai fazer para evitar a sua captura. Contudo, o auxílio principal residirá no monge “Hui Yan”, um ser verdadeiramente iluminado que propaga a mensagem de Buda pela terra.


"O monge Hui Yuan numa pose celestial"

"Review"

No início dos anos '30, o governo nacionalista chinês, que tinha em Chiang Kai Shek o seu homem forte, baniu o wuxia alegando para o efeito que este género era entretenimento barato e uma influência nociva para a população. Essa foi a principal razão para que algumas companhias tivessem se deslocado para Hong Kong, entre as quais a maior de todas, os “Shaw Brothers”, de modo a continuarem a realização dos filmes. Com o aparecimento do realizador King Hu e dos seus clássicos, uma página determinante do wuxia foi virada e a partir daí o género viria a ser definitivamente respeitado, mau grado um ou outro período menos positivo pelo qual viria a atravessar. A importância de King Hu afere-se essencialmente pelo facto de os seus filmes serem dotados de uma representação mais cuidada, com a introdução de elementos artísticos inovadores no cinema de artes marciais de então, mas acima de tudo pela forte impregnação de aspectos históricos e culturais do povo chinês. Não querendo pactuar com a produção em massa, e muitas vezes desprovida de qualidade que os “Shaw Brothers” queriam impôr, King Hu viajou até Taiwan e seria esta nação (pelo menos para alguns) que viria a ter o privilégio de acolher algumas das suas obras mais importantes.

Tentar escrever algo acerca de “A Touch of Zen”, ou “Xia Nu, the Gallant Lady” é dissertar acerca de um dos filmes mais fundamentais de sempre da história do cinema oriental, sendo para muitos considerada a melhor obra do realizador. Com 3 anos de rodagem e composta por duas partes, de hora e meia cada uma sensivelmente, a importância da película é inegável e de uma evidência gritante, existindo igualmente muito boa gente que aqui vê o melhor wuxia jamais realizado. Quanto a esta questão, com certeza que será difícil reunir consensos. Agora o certo é que a influência desta longa-metragem no que vinha a fazer-se a seguir é inegável, sendo mais do que claro a inspiração que serviu a filmes como “O Tigre e o Dragão” ou “O Segredo dos Punhais Voadores”, só para mencionar exemplos mais recentes. Vejam-se apenas as emblemáticas cenas da floresta de bambu que constam nestas duas películas. Cumpre ainda dizer que “A Touch of Zen” constituiu o primeiro filme do triângulo China – Hong Kong – Taiwan a receber um prémio em Cannes. Igualmente foi considerado pela revista “Time” um dos 100 melhores filmes de todos os tempos, assim como o 9º melhor filme chinês da história nos “HK Film Awards” (devida à velha querela entre a China e Taiwan, assim como a uma dúzia de outros factores, “A Touch of Zen” é considerado por muitos um filme do “Império do Meio”). Julgo que pelo breve relato, já se poderá aferir da incontornabilidade da película que agora se vai analisar um pouco.

Quando há uns anos deparei-me pela primeira vez perante “A Touch of Zen”, e reparei na duração do filme (3 horas!) quase que estive para abandonar a ideia de visionar esta obra, pois filmes de longo curso normalmente significam uma de duas coisas: ou são fantásticos e nem damos pelo tempo passar, ou perdem-se em considerações fúteis e demasiado contemplativas que acabam por se tornar numa maçada ostracizante! Mas a questão é que eu gostava e gosto do género, e esta ideia aliada às opiniões na esmagadora maioria abonatórias, fizeram com que eu reconsiderasse a decisão e desse uma oportunidade à obra de King Hu. Em boa hora o fiz! Estamos perante uma longa (bastante longa) – metragem com um pendor poético e espiritual, que se entranha pelo nosso ser e deixa definitivamente uma marca duradoura. É certo que por vezes o ritmo da película quebra um pouco, mas isso não quer dizer forçosamente que o interesse diminua. A espantosa fotografia com que somos presenteados e a trama simples mas segura, mantém avivada a nossa atenção, demonstrando que King Hu era um realizador de uma dimensão superior no segmento onde se inseria e que verdadeiras lendas cinematográficas anteriores como “Come Drink With Me” ou “Dragon Inn” não tinham sido obra do acaso.


"O general Shih em acção"

Os combates demoram a aparecer, e temos que aguardar quase 60 minutos para que os mesmos comecem a dar um ar da sua graça. Contudo, e atendendo ao diapasão da altura, os mesmos satisfazem e por vezes chegam mesmo a entusiasmar. É certo que temos porventura exemplos maiores de acção e que preenchem mais as medidas dos fãs da “old school”, mas uma das características que fazem de “A Touch of Zen” um filme tão distinto dos congéneres é não viver exclusivamente do manejo da nobre arte da esgrima e das artes marciais. Elas estão lá, senão não estaríamos perante um wuxia orgulhoso e de pleno direito. No entanto, a majestosidade, o dilema moral e espiritual, o “frenesim” sentimental e histórico, a abordagem de um espectro político interessante, é que fazem com que “A Touch of Zen” viesse a marcar um estilo que quase 40 anos depois ainda faz escola, embora com alguns alunos que reprovariam no exame final.

Outra característica verdadeiramente marcante de “A Touch of Zen” são as suas personagens bastante atractivas para o espectador. Atente-se por exemplo a “Ku Shen”, interpretado pelo actor Shih Chun, que é o “bonzinho” da história. Esta figura colhe sempre a simpatia de todos nós, sobretudo por denotarmos capacidades intrínsecas na pessoa em causa, mas que simplesmente não despontam devido a uma excessiva humildade ou falta de ambição. Chega o dia em que finalmente o rapaz tem a oportunidade de brilhar e mostrar que lhe está reservado um papel muito especial no mundo. “Yang”, protagonizada por Feng Hsu, é o protótipo típico da mulher forte e misteriosa que, embora honrada, toma como único objectivo um propósito legítimo: vingar a morte do pai e posteriormente enclausurar-se da sociedade. Possui uma presença bastante forte no ecrã e que eleva bastante a personalidade do filme. Embora não seja uma figura tão notada a nível de minutos como as personagens mencionadas anteriormente, verdadeiramente quem domina o filme é o monge “Hui Yuan”, interpretado pelo mítico Roy Chiao. Uma imagem da mais completa serenidade mas também da firmeza, que empurra esta obra para outra dimensão. “Hui Yuan” é sem dúvida absolutamente alguma, um dos monges mais sensacionais que já vi personificado numa película. Aqui nota-se bastante um carinho muito especial e destreza demonstrada pelo realizador King Hu em relação a “Hui Yuan”, ao fabricar fabulosos planos em que o sacerdote surge com o sol nas suas costas, criando um efeito que se assemelha a uma aura divina. Da cena final, nem vale a pena falar...Só mesmo visto! Cumpre ainda dizer que sempre temos a oportunidade de ver o conhecidíssimo Sammo Hung, com apenas 19 anos à altura, fazendo um pequeno papel nos últimos 15 minutos, como combatente ao serviço do vilão da história.

À semelhança do extraordinário e acima aludido belo epílogo centrado no monge “Hui Yan”, “A Touch of Zen” é uma gratificante jornada para a iluminação! Apesar de eu ser avesso por natureza a “remakes”, ainda para mais de obras desta dimensão e importância, sinto uma certa ponta de curiosidade em saber como Zhang Yimou trabalharia com esta película, usando os vastos meios que actualmente existem. Se resultasse, que festim de arte seria!

Essencial e altamente recomendável para qualquer fã de Wuxia!

"A mansão supostamente assombrada"

Segmento do filme - a floresta de bambu,

The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 10

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,13






terça-feira, maio 06, 2008

Realizador Asiático Preferido - Votação

Apresento-vos mais um realizador asiático que está sujeito ao vosso escrutínio, no quadro de votações mais abaixo à direita. Não custa relembrar que podem escolher mais do que uma opção, antes de clicarem e submeterem o(s) vosso(s) voto(s). Igualmente podem sugerir outros nomes para serem postos a votação.

Sammo Hung
Filmografia enquanto realizador (caso exista alguma crítica, o título estará assinalado a cor vermelha. Para aceder ao texto, basta clicar):
  1. The Iron-Fisted Monk (1977)
  2. Warriors Two (1978)
  3. Enter the Fat Dragon (1978)
  4. Game of Death (1978)
  5. Knockabout (1979)
  6. The Magnificent Butcher (1979)
  7. Lightning Kung Fu (1980)
  8. Close Encounters of the Spooky Kind (1980)
  9. Game of Death II (1981)
  10. Carry On Pickpocket (1982)
  11. Men's Inhumanity to Men (1982)
  12. The Prodigal Son (1982)
  13. 5 Lucky Stars (1983)
  14. Project A (1983)
  15. The Owl Vs. Bumbo (1984)
  16. Wheels On Meals (1984)
  17. My Lucky Stars (1985)
  18. Twinkle, Twinkle, Lucky Stars (1985)
  19. Heart of Dragon (1985)
  20. Spooky, Spooky (1986)
  21. Eastern Condors (1986)
  22. Millionaire's Express (1986)
  23. Dragons Forever (1988)
  24. Seven Warriors (1989)
  25. Pedicab Driver (1989)
  26. Best Is the Highest (1990)
  27. Pantyhose Hero (1990)
  28. Ghost Punting (1991)
  29. Slickers Vs. Killers (1991)
  30. Don't Call Me Gigolo (1993)
  31. Blade of Fury (1993)
  32. Kung Fu Cult Master (1993)
  33. China's First Swordsman (1994)
  34. Don't Give a Damn (1995)
  35. Mr. Nice Guy (1996)
  36. Once Upon a Time in China and America (1997)

segunda-feira, dezembro 17, 2007

The Moon Warriors/Zhan shen chuan shuo - 戰神傳說 (1992)

Origem: Hong Kong

Duração: 85 minutos

Realizador: Sammo Hung

Com: Andy Lau, Anita Mui, Maggie Cheung, Kenny Bee, Kelvin Wong, Yi Chang, Chin Kar Lok

"Fei"

Estória

O governante “13º príncipe Yen” (Kenny Bee), é destronado pelo seu irmão maléfico, o “14º príncipe” (Kelvin Wong), sendo obrigado a fugir com os seus apoiantes, de onde se destacam “Hsien” (Maggie Cheung). Tendo caído numa emboscada a meio da floresta, “Yen” vê-se em apuros, mas é salvo devido à intervenção de “Fei” (Andy Lau), um pobre e gentil pescador, com grandes habilidades nas artes marciais e que possui como melhor amigo uma orca chamada “Wei”.


"O 13º príncipe Yen"

Necessitando desesperadamente de ajuda, “Yen” pede a “Fei” que vá ao encontro do imperador aliado “Lam Ning” (Yi Chang) e da sua filha “Yuet” (Anita Mui), tendo em vista a união de esforços contra o “14º príncipe”. “Fei” não evita apaixonar-se por “Yuet”, mas o seu amor é impossível, pois a princesa está noiva de “Yen” desde tenra idade.

Quando o “14º príncipe” descobre onde o seu irmão está refugiado, congrega as suas forças para dar a estocada final. A derradeira batalha pelo domínio do reino irá começar, e cabe a “Fei” ajudar “Yen” a sair vitorioso.

"Yuet e Hsien"

"Review"

Dotando-se de uma equipa técnica e de um “cast” bastante apelativo, o lendário Sammo Hung despe a capa de mestre e actor emblemático das artes marciais, e mais uma vez decide tentar a sua sorte na realização, aventurando-se desta vez no mundo do “Wuxia”. A premissa da estória está longe de ser uma novidade no género, ou seja, um monarca bondoso é destronado por um ente familiar do pior que existe; é ajudado por um homem simples mas uma verdadeira máquina com um sabre na mão; existe um triângulo (ou melhor um quadrado) amoroso pelo meio, mas que a honra impede que vá muito além; entretanto o vilão aparece para o confronto final, e pois…já estamos conversados! O desenrolar da trama é bastante típico dos “wuxias” dos anos ’90, com as falhas argumentativas do costume, umas mais evidentes do que outras. Mesmo assim, sempre lá aparece umas frases mais significativas pelo meio, e que nos ficam na memória. Neste caso em concreto, ficar-me-á mais gravado a explicação dada por “Fei” à princesa “Yuet”, acerca da razão pela qual os campos por onde passam serem bastante floridos. As flores têm tendência a nascer profusamente nos sítios onde descansam os restos mortais de muitos seres.

Um dos elementos distintivos desta película em relação às congéneres, passará pelo carácter marcadamente romântico pela qual a mesma envereda, e que apenas detém um rival à altura nas cenas de luta. É certo que os “wuxias”, em regra, têm um pendor que se reconduz bastante a este aspecto mais sentimental, e que se pensarmos bem, constituirá uma marca distintiva do género, em conjunto com o habitual “glamour” heróico e o extremo uso dos guindastes nas cenas de luta. No entanto, sou obrigado a admitir que “Moon Warriors” acentua mais do que o normal esta veia trágica, e que porventura não me admiraria que os seus comparsas do século XXI fossem buscar inspiração em parte a esta longa-metragem. Há que dar o mérito a algo, e “Moon Warriors” indubitavelmente merecerá algum.


"O perigo vem das alturas"

Quanto às lutas, garanto que os fãs do género, nos quais me incluo, não sairão defraudados. E tendo por responsáveis pelas cenas de acção os aclamados Ching Siu Tung e Corey Yuen, para além da inevitável contribuição de Sammo Hung, nada menos que bom seria de esperar. Os combates são de tirar a respiração, tal o envolvimento e a fúria que é posta no ecrã pelos intervenientes. Claro que poderá ser afirmado que os verdadeiros intervenientes nos combates não serão os actores principais, até pelo facto de Andy Lau, Anita Mui ou Kenny Bee, por exemplo, não serem reconhecidos praticantes de artes marciais. Contudo, posso declarar que as lutas em nada ficam a dever a outras películas do género, superando bastante a maior parte das mesmas. Uma “nuance” fora do comum passará pela intervenção de “Wei”, a orca que é a mascote de “Fei”.É que ela também intervém num combate, ao sair da água e acertar com a cauda na cara do infame “14º príncipe” (ninguém percebeu que era feita de borracha, eh, eh, eh!), fazendo com que estejamos perante uma espécie de “Free Willy” das artes marciais!?. Embora seja de saudar a intenção da cena, pois a amizade da personagem de Andy Lau com o animal é uma vaga de ar fresco nesta categoria de filmes, sempre se poderá dizer que soou um tanto ou quanto ridículo! Os cenários e as paisagens ajudam imenso ao meu gosto pela película. “Moon Warriors” é, sem margem para dúvida, um dos “wuxia” mais agradáveis à vista. A vila piscatória está muito bem concebida, o túmulo da família “Yen” fenomenal, e tudo muito bem complementado pelas costumeiras florestas de bambu e pelos campos povoados de belas flores.

Como epílogo deste texto, deixo apenas mais duas curiosidades que de certa forma me espantaram, mas depois de reflectir até fizeram algum sentido. A primeira passará pelo facto de George Lucas ter supostamente afirmado que de entre os vários filmes que se inspirou para fazer a mais recente trilogia de “A Guerra das Estrelas”, uma delas foi “Moon Warriors”. A segunda passará por alegadamente existir um epílogo em que a personagem interpretada por Andy Lau falece. Pelos vistos, o filme com este fim foi passado para uma plateia que se desmanchou em lágrimas, e protestou de tal forma, que o mesmo foi retirado.

“Moon Warriors” merece um lugar destacado na vaga de “Wuxia” de Hong Kong, que muito foi acentuado nos anos ’90, embora normalmente se tenha a tendência a elevar filmes como “Swordsman II” ou “New Dragon Gate Inn”. Constitui um esforço digno de Sammo Hung como realizador, e já agora, é uma oportunidade para vermos uma senhora chamada Anita Mui, um ícone de Hong Kong, e que infelizmente já não nos faz companhia neste mundo, tendo vindo a falecer no dia 30 de Dezembro de 2003, devido a um cancro.

"Fei com a sua mascote e amigo, a orca Wei"

Trailer, The Internet Movie Database(IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,38





domingo, setembro 30, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro ilustres actores e actrizes asiáticos que estão a votação no "My Asian Movies":

Brigitte Lin
Sammo Hung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Guerreiros da Montanha, Os Guerreiros da Montanha - versão 1983

Takako Matsu

Informação

Filmes em que participou, criticados no My Asian Movies": April Story, A Espada do Samurai

Hiroyuki Sanada

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Promise, Ring - A Maldição



domingo, julho 01, 2007

Os Guerreiros da Montanha/Zu: Warriors From The Magic Mountain/Suk san: San suk saan geen hap - 蜀山:新蜀山劍俠 (1983)

Origem: Hong Kong

Duração: 94 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Yuen Biao, Adam Cheng, Brigitte Lin, Damian Lau, Sammo Hung, Randy Man, Judy Ong, Moon Lee, Tsui Siu Keung, Mang Hoi, Dick Wei, Chung Fat, Tsui Hark

"Ming Chi e os seus aliados"

Estória

A península de Zu, terra que ocupa uma posição estratégica vital na China, vive tempos conturbados, pois encontra-se imersa numa guerra civil, travada entre diversas facções, conhecidas pela cor que usam nos seus uniformes.

“Ti Ming Chi” (Yuen Biao) é um batedor do “exército azul” que se mete em problemas com os seus, devido à recusa em obedecer a ordens superiores, ou melhor, em não saber a quem irá obedecer numa determinada tarefa.

Sendo perseguido, vê-se obrigado a procurar refúgio nas montanhas místicas da península, um sítio povoado por deuses e seres sobrenaturais, tanto do bem como do mal. Aí conhece “Ting Yin” (Adam Cheng), um mestre espadachim com poderes fantásticos que toma “Ming Chi” como seu discípulo.

"O mestre Ting Yin"

Ambas as personagens são encarregues por “Chang Mei” (Sammo Hung) em encontrar as “espadas gémeas”, as únicas armas capazes de derrotar um poderoso demónio que ameaça destruir o mundo inteiro.

Aquando da chegada ao palácio de uma condessa (Brigitte Lin) que é dotada de poderes curativos, o demónio possui o corpo de “Ting Yin”, usando-o para os seus propósitos maléficos. Só resta a “Ming Chi” ter de completar a tarefa para a qual foi incumbido, contando apenas com a ajuda de “Yi Chen”, um monge com problemas de auto-confiança.


"A condessa"

"Review"

Já anteriormente tinha elaborado um “post” acerca de um filme denominado “Guerreiros da Montanha”, cujo realizador é Tsui Hark. Como já deverão ter reparado, o filme que agora se fala possui uma designação semelhante (melhor dizendo, foi realizado em Portugal com o mesmo nome), assim como o realizador é o autor vietnamita, naturalizado chinês. No entanto, tratam-se de filmes distintos, feitos com uma distância de 18 anos. Foi a película que neste momento se analisa que inspirou “Legend of Zu”, embora não se possa propriamente falar de um “remake”, pois as estórias são diferentes, embora tenha que se admitir a existência de alguns pontos de contacto. Fica aqui expresso o esclarecimento, que se dirige essencialmente ao público português, pois noutros países, as duas longas-metragens têm títulos distintos, que as fazem ser distinguidas facilmente.

Este “Guerreiros da Montanha” – versão ’83, é considerado com muita propriedade, o progenitor de todos os filmes de Hong Kong que se reconduzem ao subgénero de fantasia de artes marciais. O próprio Tsui Hark recrutou elementos ocidentais da equipa técnica de “Guerra das Estrelas” para o auxiliarem nos arrojados efeitos especiais que se pretendiam fazer, e que eram absolutamente uma novidade no cinema de Hong Kong da altura.

E é precisamente na novidade e no mérito artístico que o filme dá cartas. Os efeitos são razoavelmente bons, e conjuntamente com os cenários dão uma saudável aura mística e de heroísmo mitológico à película. Claro que ao espectador de hoje, parecerão tremendamente arcaicos e sem nexo nenhum, mas temos de ter sempre presente que “Guerreiros da Montanha” viu a luz do dia há 24 anos. Forçosamente as coisas terão de ser analisadas desse prisma temporal.

"Luta épica nos céus"

Infelizmente e à semelhança do seu homónimo mais recente, os aspectos visuais são das poucas coisas que se aproveitam deste filme. Pelos vistos, 18 anos depois Tsui Hark viria a cair no mesmo erro. A estória, embora baseada na rica literatura mitológica chinesa, é deveras incongruente, pobremente desenvolvida, chegando ao ponto de por vezes não apresentar nexo nenhum. Não é um mal que se possa assacar apenas a esta obra, pois principalmente na década de ’80 e inclusive de ’90, não era raro os filmes de artes marciais e afins de Hong Kong se preocuparem quase exclusivamente com a acção, desprezando os aspectos mais argumentativos.

O problema é que nem a acção salva esta película. Com intérpretes tão capazes de nos oferecerem momentos únicos no que toca aos aspectos mais físicos da representação (alguém ousará questionar as capacidades de Yuen Biao ou Sammo Hung???), nada de relevante ocorre neste particular. A acção fica quase sempre a cargo dos já referidos efeitos especiais e do uso abusivo de guindastes. Quem já se deu ao trabalho de ler os meus textos com um mínimo de atenção, sabe que eu nada tenho contra o uso destes acessórios por forma a abrilhantar o filme, ou não fossem as minhas películas asiáticas favoritas, os “new ages” “Herói” e “O Tigre e o Dragão” (com todo o respeito que me merecem outras excelentes obras asiáticas de gerações mais antigas). Mas mesmo nestes filmes, notamos claramente algum trabalho físico e alma posto na tela pelos intervenientes. Ora, em “Guerreiros da Montanha”, este aspecto foi claramente descurado, e tirando os aspectos visuais, ficamos com um invólucro bonito, mas completamente oco por dentro. É essa a verdade!

“Guerreiros da Montanha” valerá quase exclusivamente pela nova era e diferente abordagem (quer se goste da mesma ou não) que iniciou na cinematografia de Hong Kong, e que posteriormente inspiraria de alguma forma filmes como a boa trilogia “A Chinese Ghost Story”, ou o péssimo “Dragon Chronicles”. Terá ainda um aliciante adicional que passará por vermos uma jovem Brigitte Lin a se iniciar praticamente no mundo dos filmes das artes marciais. O resto não será com certeza para relembrar…

Salva-se a experiência histórica!

"Tendo por fundo um cenário de sonho, os heróis deparam-se com a condessa pela primeira vez"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 6

Argumento - 6

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,75






quarta-feira, maio 03, 2006

Os Guerreiros da Montanha/Zu Warriors/ Shu shan zheng zhuan (2001)

Origem: Hong Kong/China

Duração: 77 minutos

Realizador: Tsui Hark

Com: Ekin Cheng, Cecilia Cheung, Louis Koo, Patrick Tam, Kelly Lin, Sammo Hung, Zhang Ziyi, Jacky Wu, Lau Shun

"Dawn medita num belo pano de fundo"

Estória

As montanhas de "Zu" constituem a morada dos deuses cuja principal função consiste em velar pelo equilíbrio do mundo e da civilização, um pouco à semelhança do Olimpo da mitologia grega. Acontece que uma destas divindades, o poderoso e diabólico "Insomnia" rebela-se contra os seus pares e tenta conquistar o poder pela força. Os exércitos do reino mítico de "Omei" congregam-se para dar luta a "Insomnia". Deste fantástico exército destaca-se "King Sky" (noutras versões "Blue Wolf"), que possui como arma principal, o fabuloso "Disco Lunar", que herdou da sua falecida mestre e apaixonada, "Dawn".

"Dawn explica ao seu discípulo e amante King Sky, os poderes do maravilhoso Disco Lunar"

Apesar de "Dawn" ter sido assassinada por "Insomnia" há 200 anos atrás, "King Sky" depara-se com a sua reincarnação amnésica "Enigma", que é uma das deusas que lidera as tropas de "Omei". "Enigma" em conjunto com a reicarnação do seu irmão "Hollow", voam para a batalha chefiados pelo deus mais poderoso de "Omei" chamado "White Eyebrows", conseguindo afugentar "Insomnia" para a "Caverna do sangue".

"Red Hawk", uma divindade possuidora de umas fantásticas asas de metal que tanto servem para voar, como para lutar, fica encarregue da vigilância da "Caverna do sangue" e das movimentações do inimigo. No entanto, é enganado pelos ardis de "Insomnia" e passa para o lado das forças do mal. O deus do mal sentindo-se suficientemente poderoso, decide lançar um ataque decisivo contra "Omei", criando desta forma as condições para a batalha final que irá decidir quem terá o controlo das montanhas de "Zu" e consequentemente do mundo.

"King Sky tenta dominar o Disco Lunar"

"Review"

Tenho dificuldades em opinar acerca desta película, atendendo à grande confusão argumental que o filme padece, deixando o espectador completamente "à nora" em determinados momentos. Mesmo assim, e como não poderia deixar de ser, darei o meu melhor.

A primeira ideia a reter é que este filme foi criado com o intuito quase exclusivo de deslumbrar o espectador com os seus efeitos especiais. O que dizer quanto a estes?

Numa primeira aproximação, convém desde já dizer que não estamos perante um clássico filme de artes marciais. As personagens literalmente voam, atiram raios e coriscos uns aos outros, brandem espadas místicas com 10 ou 15 metros de comprimento, etc. Falamos pois de um filme de super-heróis, que por acaso até são deuses. Em todo o filme, existe apenas o registo de uma luta convencional, travada entre "Ying" (a reincarnação de "Hollow") e "Joy", uma mortal cujo sonho de uma vida é conhecer os deuses.

As armas sagradas dos deuses são em regra muito interessantes de se ver. Destaco desde já o "Disco Lunar" de "King Sky", que constitui um verdadeiro regalo para os olhos! Adoro ver a graciosidade de movimentos e o poder que este artefacto transmite! Outra arma que merece bastante atenção é a possuída por "White Eyebrows", designada por "Escudo do Céu", uma eficaz protecção que repele quase todo o tipo de ataques.

"King Sky e Red Hawk conferenciam numa noite de lua cheia"

As interpretações são à semelhança do enredo uma total confusão. Parece que os actores decoraram tudo à pressa e debitaram as falas "às três pancadas", degenerando na incongruência total. A desilusão ainda é maior, quando estamos perante um elenco de luxo claramente subaproveitado. Veja-se o exemplo da personagem interpretada por Zhang Ziyi, totalmente desfasada do filme, "sem ponta por onde se lhe pegue".

No entanto cumpre dar uma pequena palavra de apreço para Ekin Cheng, o actor que corporiza "King Sky". Apesar do seu "acting" ser igualmente pouco mais do que medíocre, salva-se da tragédia geral devido ao seu ar circunspecto e sonhador, o que lhe dá uma aura muito "cool". O romance protagonizado primeiro com "Dawn" e posteriormente com "Enigma" (ambas interpretadas pela belíssima Cecilia Cheung), tem momentos verdadeiramente ternos e bonitos, sendo bem acompanhados por uma música de cariz sentimental. Claro que depois vem mais uma sem nexo nenhum e lá se vai o romantismo e tudo o resto ao ar!

Tenho que confessar que não sou grande fã de Tsui Hark. Isto dito assim parece uma heresia e uma verdadeira afronta a todos aqueles que adoram o cinema proveniente de Hong Kong. Vi o seu último trabalho "Sete Espadas", e apesar do filme ter os seus bons momentos, a minha opinião não mudou muito. À primeira vista, deste realizador gostei da saga "Era Uma Vez na China" e pouco mais. Perdoem-me, mas é a minha opinião.

"Os Guerreiros da Montanha" é um filme que possui algumas cenas que ficarão na memória, mas sinceramente o resto é para esquecer. Deste género, prefiro 1000 vezes "The Storm Riders".

Medíocre, quase no mediano!

"King Sky ladeado das forças do bem de Omei"


Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 5

Argumento - 6

Guarda-roupa e adereços - 9

Banda-sonora - 6

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 5

Classificação final: 6,75