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domingo, outubro 17, 2010

Ninja in the Dragon's Den Aka Ninja Kommando/Long zhi ren zhe – 龙之忍者 (1982)

Capa

Origem: Hong Kong

Duração aproximada: 95 minutos

Realizador: Corey Yuen

Com: Hiroyuki Sanada, Conan Lee, Hwang Jang Lee, Tai Po, Wei Ping Ao, Kwan Yung Moon, Hiroshi Tanaka, Kaname Tsushima, Ma Chin Ku, Feng Tien, Wu Jiaxiang

Jin-wu

Jin Wu”

Sinopse

“Jin Wu” (Hiroyuki Sanada) é um ninja consumido por um sentimento de vingança, cujo objectivo final é matar o assassino do seu pai. O seu próximo passo é viajar até à China, de forma a encontrar “Fok” (Hiroshi Tanaka), o suposto responsável pela morte do progenitor de “Jin Wu”. Por sua vez, “Fok” é como um pai para o jovem mestre “Jay Ching” (Cona Lee), um habilidoso praticante de kung-fu, que revela ser bastante imaturo, pois anda sempre a pregar partidas a terceiros ou a arranjar lutas.

Jay

Jay Ching”

Chegado à China, “Jin-wu” procura assassinar “Fok”, mas inevitavelmente choca com “Jay”, que tenta proteger o ancião. Peripécia após peripécia, e luta após luta, “Jin Wu” e “Jay” acabam por se unir contra um inimigo comum.

Jin wu 3

Jin Wu nos trajes de ninja”

Review”

Constituindo o primeiro sucesso do conhecido actor e realizador Corey Yuen, “Ninja in the Dragon's Den” é mais um daqueles filmes que é apontado como uma referência obrigatória dos filmes de artes marciais. Embora não seja um dos meus favoritos, sou obrigado a concordar. Logo no início da película, a introdução promete imenso, pois afigura-se a um clip musical, onde os ninjas são reis. Podemos ver os míticos assassinos japoneses a demonstrar muitos dos seus truques e acrobacias, ao som de uma típica melodia pop dos anos '80, onde a certa altura se ouve o vocalista a debitar com convicção “ooh, shaka ninja!” Atentem à letra e vão perceber a que me estou a referir:

Silent Night!
Along the coast no sign is heard,
Of a man who might!
move through the night without a word,
as if he wasn't there, and you can't be sure, that he wasn't there!

Refrão
now listen to me children and I'll tell you of the legend of the Ninja,
they were men of the night
they moved in the night
and shared their lives
they were ready to fight (ooh shaka-ninja)
ready to kill,
they were ready to die,
ready to die -- ie, ahh --

Velhos ninjas

Velhos amigos”

Feito este apontamento que reputo de interessante, “Ninja in the Dragon's Den” revela ser um conto clássico de artes marciais, onde os costumeiros conceitos da amizade, honra e vingança estão bem presentes. Adicione-se estas premissas a momentos ingénuos de comédia e a um manancial de excelentes e bem executadas cenas de combate, temos que o “cocktail mágico” está pronto. É só ingeri-lo e deliciar-se, sem grande stress ou filosofias exacerbadas. Efectivamente, é preciso reconhecer que onde esta obra precisa de apostar mais, ou seja os combates de kung-fu, sai claramente vencedora. Imaginativas, brilhantes, de tirar a respiração, Corey Yuen providencia as condições para o grande Hiroyuki Sanada, Conan Lee e demais intervenientes ofereçam um “show” de acrobacias e golpes de antologia, que ficarão na retina de todos aqueles que visionarem esta longa-metragem. O clímax, neste particular, não será tanto a luta final entre os dois heróis e o também mítico Hwang Jang Lee, mas sim o combate precedente entre os protagonistas da película, onde os estratagemas e as armadilhas resultam numa combinação simplesmente fenomenal.

Com uma narrativa algo incoerente, (mas daí o que há de novo ou especial ?), e interpretações que apenas necessitam de ser acima da média no que concerne à parte física, “Ninja in the Dragon's Den” marca um capítulo do bom cinema de artes marciais, que nunca poderá desiludir os verdadeiros fãs, mesmo os mais exigentes. Os restantes, deverão passar apenas os olhos se estiverem curiosos para descobrir algo mais acerca das obras de artes marciais que se faziam há anos atrás, com muito menos recursos materiais do que é possível hoje em dia. Caso contrário, é favor passar ao lado e não estragar com criticas descontextualizadas ou completamente desfasadas do tempo ou do género.

Se és fã de artes marciais, não percas tempo. Este tem de fazer parte da tua colecção!

Luta

Jin Wu demonstra as suas capacidades”

imdb 7.5 em 10 (630 votos) em 17 de Outubro de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 8

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 9

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,88

quarta-feira, setembro 10, 2008

O Último Samurai/The Last Samurai (2003)

Origem: Estados Unidos da América (E.U.A.)

Duração: 148 minutos

Realizador: Edward Zwick

Com: Tom Cruise, Ken Watanabe, Koyuki, Hiroyuki Sanada, Billy Connolly, Tony Goldwyn, Masato Harada, Shichinosuke Nakamura, Shin Koyamada, Aoi Minato, Timothy Spall, John Koyama, Togo Igawa, Shun Sugata, Sosuke Ikematsu, Seizo Fukumoto, Scott Wilson

Consideração prévia

O presente texto é elaborado ao abrigo da secção do “My Asian Movies” denominada “Cunho da Ásia”.

"O capitão norte-americano Nathan Algren"

Sinopse

Em 1876, “Nathan Algren” (Tom Cruise) é um ex-capitão do exército norte-americano alcoólico, que vive num trauma permanente devido aos massacres cometidos pela sua companhia (a 7ª cavalaria do General Custer) contra os índios da tribo dos Sioux. A oportunidade para ganhar uns largos dólares extra surge quando “Omura” (Masato Harada), o primeiro ministro japonês, convida-o e ao seu anterior comandante, o coronel “Bagley” (Tony Goldwyn), para viajarem até ao Japão e treinar o seu recém-formado exército.

Sem nada a perder, “Algren” zarpa até ao país do sol nascente e cedo vê-se envolvido numa guerra civil, onde se confrontam a perspectiva moderna de um novo Japão e a facção mais conservadora corporizada nos samurais, liderados pelo lendário “Katsumoto” (Ken Watanabe). Numa escaramuça, “Algren” é capturado e obrigado a viver entre os rebeldes chefiados pelo chefe samurai.

"Katsumoto, o líder dos samurais"

Durante o seu cativeiro, “Algren” acaba por perceber as verdadeiras razões da rebelião de “Katsumoto”, que passam por lutar pela preservação das tradições e modo de vida dos japoneses, assim como contra a corrupção imergente. Apaixonado por “Taka” (Koyuki) e tornando-se amigo próximo de “Katsumoto”, “Algren” escolhe a opção que verdadeiramente redimirá a sua vida.


"A bela Taka"

"Review"

Nomeado para 4 óscares e vencedor de outros 15 prémios em variados certames internacionais de cinema, “O Último Samurai” é uma produção norte-americana que teve uma aceitação bastante favorável um pouco por todo o mundo, tendo mesmo granjeado um sucesso superior a nível de bilheteira no Japão, do que propriamente nos E.U.A. O filme foi apreciado no país do sol nascente, com a crítica quase unanimemente a emitir parecer favorável. Edward Zwick foi elogiado por ter efectuado um trabalho de fundo no que toca à história japonesa assim como ter recrutado actores locais emblemáticos. Por outra via, as opiniões negativas nipónicas advieram do facto de ter sido exposto um retrato muito idealista e favorável dos samurais, mostrando-os como guerreiros sem mácula e acima de qualquer suspeita a nível ético. Foi deixado claro que a perspectiva dos japoneses acerca dos combatentes lendários era que os mesmos frequentemente foram atreitos à corrupção e muitos não eram tão honrados quanto isso.

Para além de muito resumidamente ser importante dar uma perspectiva dos japoneses acerca de um filme ocidental que foca um período importantíssimo da sua história, torna-se essencial para melhor percepção da película, falarmos um pouco do que serviu de inspiração a “O Último Samurai”. Tendo por base uma guião escrito originariamente por John Logan, esta longa-metragem foca-se num dos marcos mais importantes da história do Japão que foi a Restauração Meiji (1866-1869) e o período que lhe sucedeu conhecido por Era Meiji, que se prolongaria até 1912. Tratou-se de uma fase em que o Japão até então um país altamente feudalizado, em que quem detinha verdadeiramente o poder eram os nobres e senhores da guerra, avançou numa modernização acelerada. O resultado final foi o país do sol nascente ter-se tornado em pouco mais de 40 anos, numa das maiores potências mundiais.

Centrando-me agora no filme, embora não descurando ainda a parte mais histórica, “O Último Samurai” inspirou-se, embora de uma forma bastante ficcionada e que lhe retira quase toda a verdade científica, na rebelião de Satsuma, liderada por Saigo Takamori. Este era um nobre bastante poderoso no Japão que descontente com a abolição dos privilégios da classe dos samurais e com o crescimento da corrupção dos políticos, decidiu encabeçar uma luta armada contra o governo Meiji. Apesar de alguns sucessos iniciais, “Saigo” viria a ser definitivamente derrotado na batalha de Shiroyama onde com apenas 300-400 samurais fez frente ao exército imperial de 300.000 homens (!!!). É contado que os últimos samurais que se encontravam na sua posição fortificada, desembainharam as suas espadas e carregaram sobre o exército inimigo até serem todos mortos. Nesta altura, julgo que todos os que já viram o filme, perceberam quem “Katsumoto” visa representar (obviamente Saigo Takamori), assim como ficaram elucidados acerca da base da derradeira batalha exposta nesta longa-metragem (embora aqui não exista uma tão grande desproporção de forças). Por outra via, a personagem de “Nathan Algren”, o capitão norte-americano que escolhe o partido dos samurais, é inspirada no francês Jules Brunet. Este não tem nenhuma relação directa com o chefe samurai Saigo Takamori. Trata-se de um oficial europeu, que fez parte de uma delegação estrangeira contratada para treinar o exército do Xógun Tokugawa Yoshinobu, acabando por combater ao lado destes contra as forças leais ao imperador Meiji.

"O exército dos samurais liderado por Katsumoto"

“O Último Samurai”, na voz do narrador/personagem “Simon Graham”, interpretado pelo actor Timothy Spall, praticamente se inicia num tom profético e ilustrativo do “background” da película, traduzida em várias frases, das quais destaco: “Era em que o moderno e o antigo se batem pela alma do Japão”. Esta grande produção de Hollywood, que os mais conservadores olharam à altura com alguma desconfiança, acabou por redundar num episódio bastante feliz do cinema norte-americano. A cinematografia é simplesmente um sonho, fazendo com que esta obra seja visualmente magnífica e ao nível das grandes produções históricas do cinema asiático. A banda-sonora composta pelo mundialmente conhecido Hans Zimmer, eivada de elementos orquestrais temperados com os mais orientalizados, oferecem um pendor exótico e bastante adequado à longa-metragem, que sobretudo ajuda-nos a sonhar e a sentir. Como curiosidade, refira-se que esta foi a 100ª banda-sonora feita por Zimmer.

Os actores fazem o que lhes é pedido, e usando uma terminologia mais futebolística, exibem-se a bom nível. Tom Cruise, apesar de não conseguir desligar-se da sua faceta de “menino bonito”, tem momentos bons no filme que fazem com que a nota seja positiva. Principalmente na fase inicial, do “Algren” alcoólico, anti-herói e desiludido com a vida. Ken Watanabe brilha no primeiro papel em que é forçado a exprimir-se em língua inglesa. O seu ar estóico, valente, ponderado mas determinado quando é necessário agir, agradam imenso e tocam o espectador. É de dar ainda relevo à imponente presença do grande actor japonês Hiroyuki Sanada, no papel do rígido samurai “Ujio”. Quanto a Koyuki, bem...é impossível ter uma opinião imparcial. A actriz poderia interpretar o papel que lhe foi atribuído de forma miserável (não é o caso) que o seu ar sonhador e de alguma forma triste, sempre fariam o necessário para ficarmos embevecidos e sem palavras...

Sempre considerei Edward Zwick especialmente talhado para os épicos, e “O Último Samurai” revela esta faceta do realizador. Mas como em tudo na vida, obviamente que existem aspectos menos positivos e que se reconduzem essencialmente a factores menos credíveis da trama. Quanto a mim, existem dois bastante evidentes. O primeiro será o relacionamento de “Algren” com “Katsumoto”, “Nobutada” (o filho do líder dos samurais), “Taka” e os seus rebentos. Atendendo ao evento que desencadeou a captura do capitão norte-americano, não se afigura razoável que todos estes elementos aceitem "Algren" de uma forma tão célere e que acabem mesmo por amá-lo perdidamente... O segundo factor menos verosímil será mais físico. Falo do manejo da katana por parte de “Algren”. Mesmo aqueles que não estão familiarizados com a arte de combater com esta arma (eu sou um deles), não podem razoavelmente acreditar que “Algren” em tão pouco tempo torne-se num verdadeiro mestre, inclusive fazendo frente ao samurai “Ujio” (Hiroyuki Sanada), que é dos melhores combatentes entre os da sua estirpe. São estas marcas perfeitamente tangíveis com o cinema de “Hollywood” (e não só), que impedem “O Último Samurai” de ser uma verdadeira obra de vulto da sétima arte. No restante, fica ainda registo para o tratamento demasiado endeusado dos samurais, que são portadores de todas as qualidades de rectidão e moral, e nenhum grande defeito de maior que se lhes aponte. Com excepção, talvez, da intransigência o que nem sempre será de considerar uma característica menos abonatória. Tudo depende das situações em concreto.

“O Último Samurai” é uma grande homenagem ocidental à cultura japonesa, corporizada num épico de eleição. É certo que não consegue fugir a alguns estigmas e clichés próprios dos “blockbusters” de Hollywood. No entanto, o seu tratamento histórico cuidado dentro da natural romantização cinematográfica, o seu pendor estóico sem mácula, o seu “cast” extremamente feliz, a trama por vezes mediana mas a transbordar de personagens emblemáticas que ficarão para sempre na nossa memória, e mais meia-dúzia de aspectos de “encher o olho”, fazem com que o resultado seja francamente positivo. Ah, e ninguém me venha dizer que dentro de nós não existirá um desejo escondido em ser um “Katsumoto” trágico, mas heróico e firme às suas convicções! Por mim, e com mais algumas toneladas de coragem, fez-me sonhar ser um “Nathan Algren” a tomar uma posição de redenção aliada a uma cultura que admiro e adorava conhecer profundamente “in loco”. Antigamente, bastava-me com um “John Blackthorne/Anjin-san”, o navegador de “Shogun”, interpretado por Richard Chamberlain. Aqui dei mais uma passo em frente (ou atrás segundo alguns).

Como apreciador de cinema, mas acima de tudo como ser humano, sou extremamente permeável a histórias de amizade, amor, honra e redenção! “O Último Samurai” tem tudo isto e muito mais, portanto só me resta concluir da seguinte forma:

Muito bom!!!

"A carga de Algren"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Trailer

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 8

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 10

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,50







segunda-feira, dezembro 10, 2007

Ring - A Maldição/Ring/Ringu - リング (1998)

Origem: Japão

Duração: 97 minutos

Realizador: Hideo Nakata

Com: Nakako Matsushima, Hiroyuki Sanada, Orie Izuno, Rie Inou, Miki Nakatani, Yuko Takeuchi, Hitomi Sato, Yoichi Numata, Yutaka Matsushige, Katsumi Muramatsu, Rikiya Otaka, Masako, Daisuke Ban, Kiyoshi Risho, Masahiko Ono

"A repórter Reiko Asakawa"

Estória

“Reiko Asakawa” (Nakako Matsushima) é uma repórter que investiga a estranha morte da sua sobrinha “Tomoko” (Yuko Takeuchi) e dos seus colegas de liceu. A chave para a resolução do caso parece estar relacionada com uma cassete vídeo, que pelos vistos faz com que todos aqueles que a vejam, morram exactamente sete dias depois.

“Reiko” acaba por encontrar a cassete e visiona-a, deparando-se com um curto filme bastante estranho. Seguidamente recebe uma chamada a informá-la que irá falecer. Inadvertidamente, “Reiko” deixa o vídeo maldito ao alcance do seu jovem filho “Yoichi” (Rikiya Otaka), e este também fica amaldiçoado. Desesperada, “Reiko”, conjuntamente com o ex-marido “Ryuji Takayama” (Hiroyuki Sanada), que também viu a cassete e encontra-se sob o signo da morte, tentam a todo o custo fazer face à iminência da tragédia.

"O professor Ryuji Takayama"

As investigações de ambos conduzem-nos à ilha de Izu Oshima, onde descobrem que a mulher que vêm na cassete é “Shizuko Yamamura” (Masako), falecida há bastantes anos e que possuía poderes premonitórios. Igualmente chegam à conclusão que o responsável pelas mortes é o espírito vingativo de “Sadeko” (Rie Inou), a filha de “Shizuko”, uma rapariga que igualmente possuía poderes psíquicos, consistindo os mesmos em conseguir matar apenas com o olhar.

As horas passam e a morte aproxima-se cada vez mais à medida que “Reiko” tenta desesperadamente salvar a vida daqueles que ama.

"Reiko prepara-se para visionar a cassete amaldiçoada"

"Review"

Apesar de um dos géneros de cinema asiático mais bem sucedidos no mundo inteiro ser o horror, nunca fui um particular apreciador deste género de filmes, ao contrário de muitos. O terror provindo do oriente ganhou um culto próprio, com bastantes fãs, e inclusive serviu de inspiração para “remakes” de um cinema de Hollywood que ainda sofre uma crise latente de ideias.

Poder-se-á afirmar com alguma propriedade que o grande responsável, ou pelo menos detendo uma parte essencial no fenómeno, foi “Ringu”. Baseado na novela com o mesmo nome, do escritor Kôji Suzuki (que bebeu influência no conto popular japonês “Banchô Sarayashiki”), “Ringu” constitui um filme premiado, de onde se destaca o galardão atribuído para melhor filme no festival de Sitges – edição de 1999, o que constitui sem dúvida nenhuma um bom cartão de visita. A aura que rodeou o filme aquando da sua estreia no Japão, foi tremendamente avassaladora, tendo sido a película de horror que mais triunfou no “box Office” do país (15,9 mil milhões de ienes, à volta de 97,55 milhões de euros), sendo considerado para alguns, o filme mais assustador que já viram (quanto a este ponto em particular, eu irei pronunciar-me mais baixo). Inclusive surgiu o rumor que o apartamento de “Reiko”, a personagem interpretada por Nakako Matsushima, estava “realmente” assombrado pelo fantasma de uma rapariga que ali se teria suicidado. Brrr…

Segunda-feira, 13 de Setembro…a contagem fatídica para “Reiko” inicia-se, e o tempo não volta para trás…“Ringu” não aposta em litros de sangue, violência extrema ou “gore” para atingir o seu objectivo. O que está aqui em causa é algo bastante mais refinado, a saber, o uso de uma atmosfera psicologicamente sombria, que joga tudo na antecipação e na tensão mental, tendo em vista pôr-nos na fronteira com o susto, sem sabermos quando o mesmo se irá desencadear. Embora seja de elogiar a forma como tudo nos é apresentado, tenho de confessar que fiquei imune a bastante dos efeitos que “Ringu” supostamente haveria de provocar nos espectadores, mas daí não sou muito impressionável nesse aspecto, confesso. A única cena que ainda provocou algum “frisson” na minha pessoa, foi sem dúvida aquela em que o professor “Ryuji” se depara frente a frente com o espírito vingativo de “Sadeko”. Mesmo aí, e considerando que o encadeamento está extremamente bem conseguido (disso, não resta nenhuma dúvida), consegui-me aguentar com alguma tranquilidade. Bem…er…confesso que quando aquele espírito do inferno começou a levantar a cabeça lentamente, uma certa apreensãozita começou a girar aqui dentro…

"Uma das imagens do filme que se encontra na cassete, onde se pode ver Sadeko a fitar o poço"

O que apreciei verdadeiramente em “Ringu” foi a construção da trama, das personagens, e das interpretações do grande actor japonês Hiroyuki Sanada, e da bela ex-modelo Nakako Matsushima. Suspense à parte, apreciei de sobremaneira a componente de mistério presente na película, e os esforços desenvolvidos por aquela família destruída, mas unida num desígnio comum, para se salvar da maldição que impendia sobre as suas vidas. Apesar de estarmos a falar de uma longa-metragem que gira em torno de aspectos fantásticos, as personagens são bastante reais e reconduzíveis ao nosso quotidiano. Existe um “terra-a-terra” saudável.

Merece uma particular chamada de atenção a gravação presente na cassete vídeo e que constitui o mote para tudo o que se passa nesta longa-metragem. Aí reconheço que a atmosfera conseguiu afectar-me um pouco (as imagens distorcidas e o preto e branco ajudaram) e fazer com que durante umas horas eu olhasse para a minha televisão com outros olhos, e imaginasse se de repente o programa que eu estivesse a ver desaparecesse por completo, e fosse substituído por um espírito vingativo de longa cabeleira preta, com propósitos homicidas. É certo que a mencionada figura maléfica hoje em dia é um “cliché” monumental, no que toca às películas do género. Mas é bom não esquecer, que foi com “Ringu” que praticamente tudo começou.

“Brincadeiras no mar, demónios no ar” é uma expressão repetida na película e que se encontra associada ao passado tenebroso que constitui o cerne da trama. ”Ringu” é no entanto um filme bastante sério, que nenhum fã do cinema asiático deve perder. Para os amantes do horror, embora continue a dizer que não assuste assim tanto, é imperdível! O sucesso é incontornável, tendo dado origem a uma prequela e a uma sequela, a “remake”, imitações e sátiras da personagem de “Sadeko”. Simplesmente não faz muito o meu género, e essa é que é a verdade.

"Olhar mortal"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia (Hugo Gomes) , Cinedie Asia (Luis Canau), Cine Players, Boca do Inferno, O Crítico, Fanaticine, Cine-Asia, ClubOtaku

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





domingo, setembro 30, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro ilustres actores e actrizes asiáticos que estão a votação no "My Asian Movies":

Brigitte Lin
Sammo Hung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Guerreiros da Montanha, Os Guerreiros da Montanha - versão 1983

Takako Matsu

Informação

Filmes em que participou, criticados no My Asian Movies": April Story, A Espada do Samurai

Hiroyuki Sanada

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Promise, Ring - A Maldição



terça-feira, junho 13, 2006

The Promise aka Master of the Crimson Armour/Wu ji (2005)

Origem: China

Duração: 122 minutos

Realizador: Kaige Chen

Com: Jang Dong-kun, Hiroyuki Sanada, Cecilia Cheung, Nicholas Tse, Ye Liu

"O general Guangming e o escravo Kunlun"

Estória

"The Promise" versa sobre a estória da princesa "Qingcheng". A primeira vez que nos deparamos com esta personagem, ela é uma criança orfã devido a uma guerra e esfomeada que procura alimento entre os corpos mortos de soldados perecidos numa batalha. A jovem capta a atenção da deusa "Manshen", um poderoso ser mítico, que lhe abre as portas do destino, fazendo a seguinte proposta: "Qingcheng" será rica e adorada, mas em contrapartida estará condenada a perder todo aquele por quem se apaixonar.

Atendendo a que uma criança não percebe nada do amor entre um homem e uma mulher, "Qingcheng" aceita logo o proposto por "Manshen".

"A belíssima princesa Qingcheng"

Vinte anos depois, Qingcheng torna-se numa princesa e está noiva do rei. O temível senhor da guerra "Wuhuan" ataca o palácio do soberano, tendo em vista a conquista do trono. Entretanto o poderoso general "Guangming" vê nesta situação uma oportunidade para salvar o rei, derrotar o seu arqui-rival e ficar envolto numa imensa glória. Acontece que "Guangming" no caminho para o palácio real é atacado por um misterioso assassino chamado "Snow Wolf", ficando desta forma incapacitado para levar a cabo os seus desígnios. A única solução que o general encontra é enviar o seu escravo "Kunlun", que possui uma habilidade sobrenatural que passa pela capacidade de correr a uma incrível velocidade e com grande resistência. Em ordem a que todos pensem que é "Guangming" quem está a cometer o acto heróico, "Kunlun" enverga a famosa armadura dourada do general.

As coisas não correm como o esperado, pois "Kunlun" mata acidentalmente o rei, embora salve a princesa. "Guangming" é forçado ao exílio, "Qingcheng" apaixona-se pelo general pensando que foi este que a salvou, e para adensar e complicar ainda mais as coisas "Kunlun" também nutre sentimentos pela princesa. E como se não bastasse, o usurpador "Wuhuan" encontra-se enamorado por "Qingcheng"!

Quem será correspondido e terá a audácia de lutar contra a maldição que a princesa carrega sobre os ombros?

"A poderosa deusa Manshen"

"Review"

"The Promise" foi desde o início uma longa-metragem extremamente ambiciosa! Todos os elementos estavam reunidos para que pudéssemos assistir a uma longa-metragem que de alguma forma pudesse lutar contra a hegemonia consumada de "O Tigre e o Dragão" e "Herói". Senão vejamos:

O realizador era nada mais nada menos que o lendário Kaige Chen, um dos ilustres daquelas paragens e cliente habitual de Cannes. Tinha no seu currículo várias obras de qualidade insuspeita tais como "O Imperador e o Assassino" e "Adeus, Minha Concubina".

Tinha um elenco "galáctico" com super-estrelas provenientes de regiões asiáticas com grandes indústrias de cinema, a saber Jang Dong-kun da Coreia do Sul, Hiroyuki Sanada do Japão e Nicholas Tse e Cecilia Cheung, ambos de Hong Kong.

Um orçamento de 30 milhões de dólares!

Com estes pressupostos todos só poderíamos esperar o melhor, o céu seria o limite!

Resultado = Frustração!

Desde logo ficamos com a sensação que o realizador, porventura não estando habituado a possuir tantos recursos à sua disposição, "não teve unhas para tocar esta guitarra". Mas como não quero acreditar nisso, pois Kaige Chen é uma figura incontornável e merecedora de muito respeito, só me resta crer que houve umas directivas "estranhas" de quem patrocinou o filme. Aqui o que se pretendeu fazer foi um "blockbuster", com perspectivas claramente internacionalistas!

"Qingcheng e Kunlun em desespero"

O recurso ao "CGI" (computer generated images - imagens geradas por computador) foi deveras abusivo, tendo por um lado sido alcançados resultados francamente maravilhosos, de que são exemplo as movimentações da deusa "Manshen" ou a morte do povo de "Kunlun" por flechas incendiárias, e por outro a obtenção de cenas perfeitamente ridículas como aquela de "Kunlun" a ultrapassar uma manada de búfalos.

Adoro filmes asiáticos com um grande pendor romântico, embora reconheça que já se anda a exagerar um pouco na tragédia. No entanto sou capaz de conviver com este aspecto, pois tal proporciona-me sensações que não consigo abdicar de bom grado. Mas aqui usa-se e abusa-se e a certa altura a magia perde-se. Já não damos valor ao platonismo de "Kunlun" e a beleza de Cecilia Cheung, embora seja uma mais valia para a película, não consegue disfarçar tudo!

O guarda-roupa e os adereços em geral são muito belos, embora eu ache que a armadura de "Guangming" e uma das suas armas chamada "bolas de perdição" (nada de rir por favor!) um pouco para o ridículo, e o ceptro de "Wuhuan" uma coisa perfeitamente idiota!

"The Promise" não é um típico filme de "Wuxia". Não esteja o caro leitor à espera de ver um filme do género de "O Segredo dos Punhais Voadores" por exemplo. É um conto de fadas em que as artes marciais têm um papel importante.

A fotografia é belíssima, e o uso das cores fascinante. Constitui com toda a certeza o ponto forte do filme!

E ainda tinha a China a esperança de ganhar um "óscar" com "The Promise". Só podem estar a brincar com certeza! Injustiça foi "Herói" não ter ganho aquele prémio, isso sim!

Em suma, o que dizer desta longa-metragem?

Guarda-roupa e adereços muito bons, embora com algumas "nuances" negativas; alguns efeitos especiais de sonho, outros perfeitamente horríveis e infantis; banda-sonora aceitável; enredo com tudo o que é "cliché" potenciado ao máximo; interpretações "assim-assim"; expectativas directamente proporcionais à desilusão!

"Wuhuan e Guangming lutam perante a apreensão de Kunlun e Qingcheng"

Trailer (11 minutos!), The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 6

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7