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sábado, agosto 21, 2010

Crying Out Love, in the Centre of the World/Sekai no chûsin de, ai o sakebu – 世界の中心で、愛をさけぶ (2004)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 138 minutos

Realizador: Isao Yukisada

Com: Takao Osawa, Kou Shibasaki, Masami Nagasawa, Mirai Moriyama, Tsutomu Yamazaki, Kankuro Kudô, Kanji Tsuda, Issei Takahashi, Rio Kanno, Tetta Sugimoto, Katsutaka Furuhata

6

“Sakutaro Matsumoto Aka Saku”

Sinopse

“Sakutaro Matsumoto” (Takao Osawa) encontra-se noivo de “Ritsuko Fujimura” (Kou Shibasaki), sendo os dois um casal normal que parece viver em felicidade. Contudo, tudo se altera quando “Ritsuko” encontra uma antiga cassete e ouve uma voz de uma rapariga triste, com uma mensagem trágica. Desfeita em lágrimas, “Ritsuko” abandona “Sakutaro”, sem qualquer explicação aparente. O homem descobre o sítio para onde a noiva se dirigiu, e partindo para lá, memórias dolorosas de adolescência retornam à sua mente.

3

“Ritsuko”

Recuando dezassete anos, mais propriamente a 1986, um jovem “Sakutaro” (Mirai Moriyama), a quem todos tratam por “Saku”, encontra-se embevecido por “Aki Hirose” (Masami Nasagawa), a jovem mais popular do liceu, linda, radiosa e com uma personalidade brilhante. Os jovens acabam por encetar um relacionamento, mas um desentendimento faz com que os namorados comecem a expressar os seus sentimentos através da troca de cassetes. A vida de ambos sofre um golpe impiedoso, quando é diagnosticado leucemia a “Aki”. Tendo consciência que a sua vida está por meses, “Saku” faz uma promessa a “Aki”: leva-la a Uluru, um lugar sagrado na Austrália, a que a rapariga reputa de “centro do mundo”.

2

“Aki Hirose”

“Review”

Quando alguém morre, o amor também falece? Desde já avanço com a minha opinião, que é naturalmente no sentido negativo. Muitas vezes quando perdemos alguém, tal facto só serve para exponenciar ainda mais o sentimento que nutrimos, seja pela falta, ou pela simples razão de, infelizmente, só valorizarmos as pessoas ou as coisas quando já não as temos mais. “Crying Out Love (...)” foca-se muito nesta premissa, teorizando acerca dos efeitos condicionantes que a perda de um amor adolescente, normalmente mais puro e singelo, poderá ter na vida de um homem, mesmo que tenham decorridos muitos anos. Tendo sido um filme bem sucedido na terra-natal, “Crying Out Love (...)” é baseado no igualmente reputado romance de Kyoichi Katayama, um “bestseller” nipónico, que viria igualmente a dar origem a uma série de televisão.

Apostando na profusamente usada técnica narrativa de “flashbacks”, não é complicado entender a razão pela qual “Crying Out Love (...)” obteve tanto êxito nas bilheteiras das salas do país do sol nascente. Apesar de ser mais apelativo para os fãs do melodrama, poder-se-á afirmar com alguma propriedade que esta película dirige-se a todos os amantes de cinema, sem excepção. Trata-se de uma longa-metragem que foge ao comum dos dramas, pelo facto de assentar numa exposição honesta de sentimentos, que redundam num turbilhão imenso de sensações, que não deixará ninguém indiferente. Embora tenha de se reconhecer que a trama não prima assim tanto pela originalidade, até porque desemboca no tema tão caro aos orientais que é o da doença terminal, a história é bastante enternecedora e é um claro ganhador no campo do trágico e do fatalista. Igualmente não se poderá negar que alguns excessos dramáticos são intencionalmente, e até deslealmente cometidos, mas a pureza com que tudo é explanado , faz-nos desculpar alguma “lamechice” encomendada.

9

“Tempos de felicidade”

Takao Osawa, um actor que pertence à elite dos intérpretes nipónicos, oferece-nos mais uma actuação de bom nível, sendo bem secundado pela igualmente conhecida Kou Shibasaki. Não se duvide, contudo, que a alma desta película reside na representação dos actores a quem incumbe dar corpo aos adolescentes enamorados. Mirai Moriyama sai-se bem no papel do jovem “Saku”, seja nas partes ditas mais cómicas, mas principalmente no romance, onde tem de exteriorizar a sua paixão sonhadora, que julga ser forte o suficiente para vencer todos os desafios e barreiras que se lhe deparam. A revelação Masami Nagasawa é quem brilha mais no firmamento, personificando “Aki”, o eterno amor de “Saku”. Nagasawa é adorável, bonita e usa estes predicados de uma forma bastante inteligente, destilando “glamour” e uma graça muito própria que nos conquista quase de imediato.

Com uma banda-sonora de uma qualidade inolvidável, “Crying Out Love (...)” é um excelente exemplo do melhor que o drama japonês tem para oferecer. Celebra a beleza da juventude, e endeusa justamente um aspecto que fica sempre no coração de todos: o primeiro grande amor. Por outra via, “Crying Out Love (...)” não se resume apenas à nostalgia, mas sub-repticiamente passa a mensagem que, mesmo na maior tristeza que nos assole, é sempre possível começar de novo, mesmo que nos relembremos com um sorriso na boca, ou uma lágrima no canto do olho, daquela pessoa ou daquele momento que nos marcará para sempre.Excessivo? Talvez, mas não nos importamos mesmo nada. De vez em quando, até sabe bem fazer a figura de um suposto tolo sentimental.

Cabe apenas concluir que estamos perante um romance memorável e poderoso e, por esta razão, só me resta aconselhar vivamente o visionamento desta longa-metragem de eleição. Definitivamente a não perder!

5

“Um significativo entrelaçar de mãos”

imdb 7.3 em 10 (1.195 votos) em 21 de Agosto de 2010

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 8

Argumento – 7

Banda-sonora – 9

Guarda-roupa e adereços – 7

Emotividade – 10

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 8

Classificação final: 8,13

terça-feira, janeiro 12, 2010

Aragami, the Raging God of Battle/Aragami - 荒神 (2003)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 78 minutos

Realizador: Ryhuei Kitamura

Com: Takao Osawa, Masaya Kato, Kanae Uotani, Tak Sakaguchi, Hideo Sakaki

Samurai

“O samurai”

Sinopse

No Japão feudal, numa noite tempestuosa, dois samurais bastante feridos procuram refúgio num templo, e são acolhidos pelo casal residente. Um dos guerreiros (Hideo Sakaki) morre em consequência das maleitas que lhe foram infligidas. O outro (Takao Osawa) recupera miraculosamente e em breve conhece o seu salvador, um homem chamado “Aragami” (Masaya Kato), e a sua companheira (Kanae Uotani).

Aragami

“Aragami”

Após uma noite de bastante ingestão de álcool, “Aragami” faz um pedido pouco convencional ao samurai: que o mate em combate. Cedo se conclui que “Aragami” não é um ser humano, mas o deus das batalhas e do combate, sendo por este motivo supostamente imortal. Acontece que o deus está cansado da vida e anseia ardentemente pela morte. Contudo, o estatuto que detém e a sua própria natureza, impedem-no de cometer suicídio, pelo que a única de maneira de findar a sua existência é ser morto em combate. O samurai fica aturdido com a exigência de “Aragami”, mas não tem outra saída senão desafiar o oponente mais formidável que já enfrentou.

Rapariga

“A mulher misteriosa”

“Review”

“Aragami” foi um dos dois resultados do denominado “Duel Project”, tendo o outro sido a película “2DLK” do realizador Yukihiko Tsutumi. Tudo começou após uma noite de....deixemo-nos de rodeios...bebedeira! No festival de cinema de Berlim, Kitamura e Tsutumi encontraram-se e à noite entregaram-se aos prazeres do álcool. Num discurso inicialmente cordial, feito de elogios mútuos, uma discussão gerou-se entre os dois, acerca de quem seria capaz de fazer o melhor filme que versasse sobre um duelo até à morte. O produtor Shinya Kawai lançou então o desafio aos dois realizadores, e ambos os contendentes deram a vida às suas obras. As premissas: duas ou três personagens; estas têm que lutar umas com as outras e uma tem de morrer; um cenário praticamente permanente; uma semana para rodar as respectivas obras.

Não é usual ver um filme de Kitamura em que 80% do tempo da obra assenta em diálogos. É do conhecimento geral que o realizador japonês aposta muito mais no estilo e na espectacularidade dos seus produtos, do que propriamente num argumento cuidadosamente urdido. Apesar de as conversas mantidas entre “Aragami” e o samurai dominarem a quase totalidade da película, sempre se dirá que esta não tão longa-metragem não se torna cansativa pelo excesso de conversa, e chegam a existir momentos bem interessantes que versam sobre a vida do demónio e os seus anseios. Um dos aspectos de saudar, passa pelo aumento de tensão que progressivamente vamos sentindo à medida que o filme vai seguindo o seu rumo, assim como existe o apelo a algum humor intermitente que desanuvia de certa forma o aspecto referenciado. Como já anteriormente referi, o cenário é basicamente sempre o mesmo, ou seja, o templo onde reside “Aragami”. Contudo, sendo um factor que também poderia potencialmente cansar o espectador, o mesmo não se faz sentir muito, a que não será alheio o facto de a película ser de duração relativamente curta e a trama ter uma dinâmica muito própria, mas apreciável.

Em pose para a luta

“O prelúdio de um duelo”

Finda a conversa, inicia-se o embate final e é aqui que Kitamura está no seu campo de acção, e evidencia onde se sente mais à vontade. É-nos apresentada um duelo revestido de grande espectacularidade, com “katanas” a flamejar, acrobacias sobre-humanas e muita ferocidade à mistura. Não é um clássico duelo “chambara”, pois tal se torna incompatível com o estilo de Kitamura. E “estilo” é a palavra chave, como é apanágio do autor japonês. Os fãs mais puristas de Kitamura rejubilarão com o o duelo travado entre “Aragami” e o samurai, e sentir-se-ão finalmente recompensados por uma espera que reputarão de longa. Se não são masoquistas, neste caso em concreto, mais vale carregar o botão “forward” do vosso leitor de dvd, e avançar logo para o electrizante duelo final. Os restantes, poderão apreciar a “agradável” argumentação travada entre os dois oponentes da história, e no fim, também não ficarão defraudados com as estonteantes cenas de acção.

Com interpretações aceitáveis, de Osawa, Kato e até de uma silenciosa/tenebrosa Uotani, “Aragami” está longe de ser uma película de antologia. Contudo, a sua abordagem interessante nos diálogos dos intervenientes, a atmosfera negra e sufocante, para além do “stand off” final, valerá uma espreitadela descomprometida. Se não ficarem satisfeitos, também não perderão muito tempo. Este “chambara” de Kitamura não chega a oitenta minutos, portanto...

Luta 2

“Combate”

imdb Nota: 6.7/10 (1.218 votos) em 12/01/2010

  1. Cinedie Asia
  2. Royale With Cheese

Avaliação:

Entretenimento – 8

Interpretação – 7

Argumento – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 7

Classificação final: 7,50

domingo, dezembro 27, 2009

Goemon (2009)

Capa

Origem: Japão

Duração aproximada: 128 minutos

Realizador: Kazuaki Kirya

Com: Yôsuke Eguchi, Takao Osawa, Ryoko Hirosue, Jun Kaname, Gori, Mikijiro Hira, Masato Ibu, Hashinosuke Nakamura, Eiji Okuda, Susumu Terajima

Goemon

“Goemon”

Sinopse

Em 1582, o nobre mais poderoso do Japão “Oda Nobunaga” (Hashinosuke Nakamura) é vítima de um assassinato, sendo sucedido pelo seu principal general “Toyotomi Hideyoshi” (Eiji Okuda). Apesar de existir uma pacificação quase geral do país, o fosso entre ricos e pobres é imenso, e a miséria grassa um pouco por toda a parte. O ninja e mestre dos ladrões “Goemon” (Yôsuke Eguchi) , tem por objectivo principal roubar aos ricos e distribuir o produto dos seus furtos pelos mais pobres. Numa das suas peripécias, “Goemon” apodera-se de uma aparentemente inofensiva caixa, mas que revela ser um artefacto de grande importância.

“Mitsunari” (Jun Kaname), um dos mais influentes administradores de “Toyotomi”, desesperado por reaver a caixa, encarrega o poderoso ninja “Saizo” (Takao Osawa) de perseguir o seu amigo de infância “Goemon”. Contudo, o herói consegue se furtar às tentativas de “Saizo” e acaba por entregar a misteriosa caixa ao lendário “Hattori Hanzou” (Susumu Terajima), o maior mestre ninja que o mundo jamais viu.

Chacha 2

“Lady Chacha”

Na posse do segredo revelado pela artefacto outrora em seu poder, memórias cruéis de infância retornam à mente de “Goemon”, e este parte numa cruzada de vingança contra aqueles que assassinaram o seu amado mentor “Oda Nobunaga”, mesmo que tenha de sacrificar o amor que sente por “Chacha” (Ryoko Hirosue). O destino do próprio Japão estará em jogo, e uma nova era de poder governamental ficará decidida.

Saizou

“Saizou”

“Review”

Quando visionei “Casshern”, a película de estreia do realizador Kazuaki Kirya fiquei impressionado por diversos motivos. Para além de ter efeitos especiais de elevadíssima qualidade, possuía um argumento deveras interessante, bem elaborado e articulado, que me atraiu imenso devido à multiplicidade de temas relevantes com que lidava. Cinco anos depois, Kirya lança-se numa segunda obra que igualmente colheu muito a minha atenção. Não só pela feliz experiência anterior, mas igualmente por tratar de uma época que me apraz imenso, ou seja, a transição do período Sengoku, para a época de Azuchi-Momoyama e por fim para o xogunato Tokugawa. O mesmo será dizer que em “Goemon” é abordado, os governos de Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu, três das figuras mais relevantes da odisseia do país do sol nascente. Numa investigação mais aturada, conclui que praticamente todos os intervenientes de “Goemon” existiram ou são alvos de lendas, como próprio herói da trama, uma espécie de “Robin Hood” da zona (Ishikawa Goemon). Embora se reconheça que tal facto possa levantar dificuldades para aqueles que não estejam minimamente familiarizados com a história do Japão desta altura, sempre se dirá que não consigo imaginar melhor possibilidade para um grande argumento do que a atrás retratada. Atendendo ao meu gosto pessoal, é claro.

Em jeito de adiantamento em relação às conclusões digo que fiquei um pouco desiludido, e as minhas expectativas saíram algo goradas. O desenrolar da trama é algo descurado, e poderia ter sido francamente melhorado, face aos predicados descritos no anterior parágrafo. A apreciação positiva neste particular, derivará sobretudo do quão interessante é sempre arriscar no período feudal japonês, assim como alguns tópicos que são positivamente desenvolvidos. É normal que, atendendo à anterior experiência de Kirya, o enfoque fosse dado nos efeitos especiais e na espectacularidade, ou seja, é notório que se pretendia transformar esta película numa grande experiência visual. Por outra via, denota-se que todos os combatentes do filme possuem poderes para além da imaginação, o que transforma os combates em experiências excitantes, embora algo exageradas. Digamos que, neste particular, será um “wuxia” de Zhang Yimou multiplicado por dez. Isto não quer dizer que a qualidade seja superior, apenas que as hipérboles visuais estão constantemente presentes. Em suma, o CGI aqui dita as leis, por vezes com bons resultados, outras nem por isso.

Mitsunari

“Mitsunari”

Outro aspecto com os seus altos e baixos passa pelo guarda-roupa. Deparámo-nos com um vestuário, manancial bélico e uma caracterização absolutamente fenomenal em variados momentos. Pessoalmente, aqui destaco o figurino do senhor feudal Oda Nobunaga, que bate os restantes aos pontos. No entanto, e até tentando compreender algum tipo de inovação, achei de algum exagero o uso de armas de fogo, com modelos que não eram vulgares no Japão da altura. Mesmo que Kirya tenha tentado uma justificação, com o apaziguamento que os cristãos ocidentais tentavam perante os senhores feudais japoneses (nota: é um facto histórico consolidado que o Toyotomi Hideyoshi não era afã do credo católico), a desproporcionalidade é mais do que evidente. Confesso eventualmente que esteja a tomar uma posição um pouco extremista, em detrimento de uma das funções que considero primordiais no cinema, ou seja, o entretenimento. Mas igualmente não acompanhei a ideia de Kirya em substituir as tradicionais armaduras dos samurais, por outras que mais se assemelham às dos cavaleiros europeus da idade média. E achei quase escandaloso, no conflito final que presumo ser uma reprodução da batalha de Sekigahara, o facto de ambos os exércitos usarem armaduras que em muito se assemelham às dos soldados do império na saga “A Guerra das Estrelas”. É um facto conhecido que George Lucas se inspirou no material bélico e ambiente do Japão feudal, para dar corpo a muitas das suas criações na famosa primeira trilogia. Isto não obvia a que em “Goemon”, mesmo assim, tudo pareça algo descontextualizado.

No que concerne à actuação dos actores, sempre se dirá que Takao Osawa, no papel do ninja “Saizo”, e Eiji Okuda, a quem coube representar “Toyotomi Hideoshi” são aqueles que se exibem em melhor nível. Merece igualmente uma palavra de apreço o actor Hashinosuke Nakamura, que rebenta as costuras de estilo como o senhor feudal “Oda Nobunaga”, que apenas pecará pela falta de minutos. O restante do “cast” tem os seus altos e baixos, principalmente Yôsuke Eguchi que personifica “Goemon”, o herói da história.

Quem procura entretenimento ao máximo, e não se importa com alguns efeitos especiais exagerados (embora outros absolutamente formidáveis), “Goemon” é um “blockbuster” japonês mais do recomendado. Agora o certo é que a aura mais de “videogame”, do que propriamente de filme, faz com que “Goemon” não destoasse nada numa “Playstation” ou outra consola do género.

A ver, mas sem expectativas exageradas.

No local especial

“Num local especial”

imdb Nota 6.8/10 (546 votos) em 27/12/2009

Outras críticas em português:

  1. Conquistadores

Avaliação:

Entretenimento – 9

Interpretação – 7

Argumento – 7

Banda-sonora – 7

Guarda-roupa e adereços – 8

Emotividade – 8

Mérito artístico – 8

Gosto pessoal do “M.A.M.” – 6

Classificação final: 7,50

 

sábado, setembro 26, 2009

Hana and Alice/Hana to Arisu - 花とアリス (2004)


Origem: Japão


Duração: 135 minutos


Realizador: Shunji Iwai


Com: Yu Aoi, Anne Suzuki, Tomohiro Kaku, Shoko Aida, Hiroshi Abe, Sei Hiraizumi, Tae Kimura, Takao Osawa, Ryoko Hirosue, Makoto Sakamoto, Eri Fuse, Ayumi Ito, Kazusa Matsuda, Nao Omori, Hiroyuki Nakano, Zen Kajihara

"Setsuko Arisugawa Aka Alice"

Sinopse

“Hana Arai” (Anne Suzuki) e “Setsuko Arisugawa Aka Alice” (Yu Aoi) são colegas de escola e grandes amigas. Certo dia, num devaneio de adolescente próprio dos 15 anos que ambas possuem, “Alice” leva “Hana” numa viagem de comboio, com o objectivo de espiarem um estrangeiro com boa aparência, acompanhado de um jovem japonês que presumem ser o meio-irmão mais novo, ou alguém aparentado. Meses depois, “Hana” começa o ensino secundário e no liceu encontra o jovem japonês que se chama “Masashi Miyamoto” (Tomohiro Kaku). A rapariga apaixona-se e começa a seguir o seu amor, até ao dia que o vê bater com a cabeça contra uma porta de metal e desmaiar. Quando “Miyamoto” acorda, “Hana” aproveita a situação e afirma que é sua namorada. O rapaz fica surpreendido, e “Hana” fá-lo crer que ficou com amnésia devido à pancada.


"Hana"

Apesar do seu cepticismo, “Miyamoto” embarca na jogada até descobrir umas fotos no computador de “Hana”, que foram tiradas numa altura em que supostamente não eram ainda namorados. Apanhada no seu embuste, a rapariga mente e conta ao rapaz que as fotos foram tiradas por “Alice”, supostamente um ex-relacionamento do jovem. “Miyamoto” tenta travar conhecimento com “Alice”, e através da convivência entre ambos, aquela apercebe-se que nutre sentimentos pelo rapaz. Um triângulo amoroso toma forma.

"Duas amigas inseparáveis"

"Review"

Quer se aprecie o estilo ou não, é forçoso reconhecer que Shunji Iwai é daqueles realizadores que possui uma facilidade tremenda em dotar simples histórias do quotidiano com grande profundidade. No caso específico do realizador japonês, esta premissa assume especial acuidade quando se trata da juventude nipónica, como é bem exemplificado com “All About Lily Chou-Chou”, e este filme que agora se irá tentar analisar. Começando por tomar forma em três curtas-metragens, dedicadas à publicidade do chocolate “Kit Kat” e onde era focado os dissabores amorosos de duas amigas que se apaixonavam pelo mesmo rapaz, Iwai viria a acrescentar hora e meia de película, de maneira a dar corpo a um filme com pouco mais de duas horas. Não enveredando por alguns dos caminhos outrora prosseguidos no já mencionado “All About Lily Chou Chou” (que futuramente com certeza merecerá um texto neste espaço), Iwai decide adoptar em “Hana and Alice” uma perspectiva mais inocente e leve dos jovens japoneses, deixando de parte aspectos como a reflexão cultural acerca da sociedade nipónica, ou um aspecto que sempre existiu e que actualmente parece estar na moda. Falo do propalado “bullying”.

À partida, “Hana and Alice” parece ser um simples conto de adolescentes em transição para o liceu, onde estão presentes as suas amizades, amores, relação com os pais e demais aspectos próprios da idade. No entanto, estamos a falar de um filme de Iwai, portanto haverá sempre de esperar algo que não seja aparentemente tão redutor ou comum. Iwai demonstra, à partida, ter dedicado especial atenção a esta obra, não apenas realizando o filme, mas também escrevendo o argumento, tomado conta da sala de edição e compondo uma excelente banda-sonora. É certo que “Hana and Alice” não é dotado de grandes filosofias, ou reflexões sobre os aspectos que incide. Contudo, é uma obra delicada como uma pétala de uma rosa, que pretende expôr o quão forte são as paixões dos jovens e o quanto necessitam de acreditar em algo, mesmo que seja uma mentira ou um sonho inatingível. É por esse motivo que, a título meramente exemplificativo, as maquinações de “Hana”, no sentido de conquistar “Miyamoto” não soam a nada de malévolo, mas sim à luta de uma jovem no sentido de procurar a felicidade e o bem-estar. As vidas das raparigas são abordadas, não apenas no campo da relação que mantêm uma com a outra e de ambas com “Miyamoto”, mas igualmente com o meio envolvente nos quais se destaca claramente a família e por vezes até uma perspectiva de carreira profissional futura. Tudo decorre com uma presença realista, que faz com que o espectador se identifique e entenda muitas das situações que “Hana” e “Alice” vivenciam. Alie-se esta forma de narração e filmagem a uma constante atmosfera quase mágica onde a trama decorre, e temos uma obra que verdadeiramente se pode apreciar com um espírito de serenidade. “Hana and Alice” possui efectivamente uma cinematografia belíssima e que nos embrenha no abraço terno da história.


"Miyamoto e Alice"

As actrizes fazem um trabalho muito apreciável, conseguindo momentos de boa representação e genuína expressão sentimental. Anne Suzuki consegue enfatizar uma “Hana” insegura, que ora age racionalmente, ora se deixa libertar pelos seus desejos mais recônditos e que dirige para “Miyamoto”. No rapaz, consegue extravasar a sua real personalidade, de pessoa carente e que não tem pejo em embarcar na mentira (perdoável) só para obter a felicidade e algum reconhecimento. Por sua vez, Yu Aoi, na pele de “Alice” (um diminutivo de “Arisugawa” - “Arisu”=”Alice”), tem momentos de autêntico brilhantismo, cujo expoente muito provavelmente será a memorável actuação de cinco minutos de “ballet” no epílogo da película. No bom trabalho das actrizes, caberá talvez, de uma forma contraproducente, um dos calcanhares de aquiles de “Hana and Alice”. Aoi consegue se sublimar de certa forma perante Suzuki, pois esta obra é mais “Alice” do que “Hana”, gerando por vezes algum desequilíbrio narrativo.

“Hana and Alice" pecará eventualmente por ser um filme talvez demasiado longo, para o que se pretende transmitir. No entanto, possui predicados inolvidáveis, que quase todos apreciarão. É um filme honesto e sincero, que expõe de uma forma cativante os anseios da adolescência, fazendo com que o espectador se identifique facilmente com as situações vividas ou os sentimentos explanados. Tudo sem qualquer pretensiosismo, grandes dramas ou “truques de algibeira”. É na descoberta da pureza que muitas vezes temos a percepção e necessária compreensão das atitudes dos mais jovens, e chegamos aos seus corações. “Hana and Alice” é um filme que navega naquelas águas, e qualquer tentativa de procurar explicações transcendentais para problemas simples, será meio caminho para passar ao lado desta longa-metragem. Junte-se a este aspecto, uma fotografia de sonho e seremos obrigados a admitir que vale bem a pena dar uma oportunidade ao visionamento de mais uma obra de um realizador que já deixou uma marca profunda no espectro cinematográfico japonês. No fundo é uma película bastante madura que aborda de certa forma, precisamente, a imaturidade.

Confiram!


"Uma actuação inesquecível"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Outras críticas em português/espanhol:

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 8





quarta-feira, junho 03, 2009

Ichi - 壱 (2008)

Origem: Japão

Duração: 120 minutos

Realizador: Fumihiko Sori

Com: Haruka Ayase, Takao Osawa, Shido Nakamura, Yôsuke Kubozuka, Akira Emoto, Riki Takeuchi, Go Riju, Mayumi Sada, Ryosuke Shima, Eri Watanabe


"Ichi"

Sinopse

“Ichi” é uma “goze”, uma mulher invisual que ganha a vida cantando e tocando o instrumento designado como “shamisen”. Devido ao facto de ser cega, mas igualmente possuidora de uma grande beleza, as pessoas tentam sempre abusar da sua confiança e normalmente as coisas não acabam bem. Porquê? A razão passa por “Ichi”, além de não possuir visão, ser linda, e uma trovadora, é igualmente uma espadachim temível, tendo uma lâmina bem afiada, disfarçada de bordão. A jovem deambula pelo Japão, em busca do espadachim cego que a tratou como um pai e a ensinou a manejar a espada.



"Ichi e o samurai Toma"

Certo dia, e através de um incidente com o temível gangue “Banki”, “Ichi” trava conhecimento com o samurai “Toma Fujihira” (Takao Osawa), que a tenta salvar dos bandidos, mas que devido à sua questionável capacidade para o combate, acaba é por ser defendido por “Ichi”. O casal chega à pequena povoação chamada “Bito”, onde os “Banki”, sob a égide do seu temível líder também chamado “Banki” (Shido Nakamura), aterrorizam a população. Após mais um reencontro com elementos dos “Banki”, “Toma” é contratado como guarda-costas por “Toraji” (Yôsuke Kubozuka), o chefe dos “Shirakawa”, o clã opositor dos “Banki” e que tenta acabar com o terror imposto por estes. “Toraji” dá emprego a “Toma” convencido que o samurai derrotou alguns membros dos “Banki”, quando na realidade foi “Ichi” que os venceu.

“Ichi” e “Toma” começam a ficar cada vez mais próximos, e uma paixão começa a nascer. No entanto, o inevitável conflito entre os “Shirakawa” e os seus opositores aproxima-se e o casal terá de enfrentar a batalha mais difícil da sua vida contra os “Banki”.

"Os Banki"

"Review"

Como já aludi anteriormente, a propósito do texto elaborado sobre a película “Zatôichi”, realizada e protagonizada por Takeshi Kitano, a personagem do afamado espadachim cego foi profusamente representada na sétima arte. Desta vez, o conto do mais famoso invisual da história do cinema nipónico, quiçá do oriental, é transposto para a tela mais uma vez, destarte sob a forma feminina corporizada na goze “Ichi”. Não estamos perante o campo do “chambara” mais estilizado ou com motivos fantásticos, dos quais constituem exemplos relativamente recentes “Azumi”, “Shinobi: Heart Under Blade” ou “Dororo”. O que nos é dado a conhecer é um clássico filme de samurais, que usa técnicas mais modernas, mas que mantém os arquétipos clássicos do género. O realizador Fumihiko Sori não está interessado em adoptar qualquer orientação revisionista de uma fórmula de comprovado sucesso. O filme afigura-se mais como uma sequela de “Zatôichi”, nem que seja pelo facto de nos ser induzido que a rapariga é a filha do famoso espadachim. Pessoalmente e como fã deste tipo de obras acho, à partida, entendo que a decisão de Sori é de saudar.

Quanto à trama propriamente dita, estamos perante uma mulher que é cega, mas como já referi acima, linda de morrer. Por este motivo, “Ichi” é constantemente confrontada com abusos de terceiros, que fazem com que a mesma tenha uma visão extremamente pessimista da vida e da injustiça da sociedade feudal do Japão. Estas situações chegam mesmo a acontecer perante outras pessoas que possuem a mesma deficiência física do que ela, e que se encontram perante um estatuto social semelhante. Cumpre dizer que o antigo Japão não era bastante clemente para com aqueles que possuíam deficiências físicas ou mentais, pois entendia-se que tal constituía um castigo dos deuses. Por estas e outras razões, e apesar de enfrentar os contratempos com uma elevada e por vezes violenta dignidade, “Ichi” não encontra sentido na vida. Nos dizeres da própria protagonista, a mesma não consegue ver a diferença entre o dia e a noite, entre o bem e o mal, não conhece o que não corta com o sabre. Ela está na fronteira entre a vida e a morte, e a sua única motivação é encontrar o homem que ela acredita ser o seu pai, antes de penar pelos tortuosos caminhos da vida até ao fim da sua existência. Uma possível forma de redenção, parece ser personificada no samurai “Toma”. O homem continua a lutar, em nome dos seus sentimentos, para que “Ichi” ganhe alegria e subsequentemente lute pela vida.


"Ichi demonstra as suas inegáveis qualidades como espadachim"


A acção é-nos apresentada de uma forma bastante intensa, na esteira dos melhores clássicos do “chambara”, não fosse o coreógrafo Hiroshi Kozune, o responsável pelas magníficas batalhas de “Ran”, do grande mestre Akira Kurosawa ou pelo belo filme de Yôji Yamada, “The Twilight Samurai”. O que aqui se critica é os litros de sangue derramado, fruto de muito “CGI” (imagens geradas por computador) que por vezes são irrealistas e pecam por alguma falta de qualidade. A banda-sonora é, à falta de melhor adjectivo, espectacular. Desde já se informa que não é da autoria de um japonês, ou qualquer autor oriental, mas sim da compositora australiana Lisa Gerrard, que conta de entre os seus inúmeros trabalhos uma colaboração com Hans Zimmer no filme “Gladiador”. Como se tal não fosse suficiente, é uma das mentoras do eterno grupo musical “Dead Can Dance”.

Fiquei extremamente impressionado com a performance de Haruka Ayase. Ela consegue transmitir na perfeição a aura melancólica e o pessimismo existencialista de “Ichi”. O seu semblante carregado de uma infindável tristeza e desilusão, enternece-nos grandemente e nunca chega a ser enfadonho. E ajuda bastante ser uma das actrizes japonesas mais bonitas que vi em toda a minha vida! Takao Osawa e Shido Nakamura são dois nomes consagrados da cena nipónica, mas aqui exibem-se a níveis diferentes. Enquanto Osawa consegue almejar o pretendido, ou seja, ser um “sidekick” à altura de “Ichi”, Nakamura desiludiu-me bastante. Isto assume proporções maiores, quando eu sou um fã do trabalho do actor. Não tem alma na actuação, assumindo por vezes poses perfeitamente disparatadas e que não lhe ficam nada bem. Porventura, a forma como foi congeminado o seu papel no argumento, não fez jus às inegáveis capacidades deste intérprete. Osawa, pelo contrário, exterioriza bem o homem pouco confiante que vai buscar a sua força interior ao sentimento que começa a nutrir por “Ichi”, e que o ajuda a combater a injustiça reinante e a se afirmar como samurai, mas acima de tudo como homem.

“Ichi”, a espadachim, amante e música, poderá estar limitada num dos seus cinco sentidos, mas a sua tristeza e aura fadada à tragédia, muitas vezes farão com que nós consigamos perceber o âmago da sua própria alma. Num “cocktail” de muita emoção e momentos de acção extasiantes, “Ichi” configura-se como uma película com predicados sentimentais de muita qualidade e visualmente bastante apelativa. Contudo, falta-lhe alguma densidade e exploração argumentativa, que constitui uma característica essencial que distingue os bons filmes das obras de verdadeira eleição. O facto de possuir um estranho Shido Nakamura, capaz de bem melhor do que aqui revela, assim como não reinventar o género (à parte o carácter mais trágico da personagem principal), sendo algo estereotipado, também não ajuda muito a uma suposta grandiosidade. Contudo entre prós e contras, a balança pende claramente para o lado positivo, e admito desta forma que gostei do filme!


"A tocar shamisen e a cantar a sua triste melodia"

The Internet Movie Database (IMDb) link

Trailer

Esta crítica encontra-se igualmente disponível "on line" em Clubotaku

Outras críticas em português:

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 9

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,88





quarta-feira, abril 02, 2008

Sky High (2003)

Origem: Japão

Duração: 123 minutos

Realizador: Ryhuei Kitamura

Com: Yumiko Shaku, Takao Osawa, Shosuke Tanihara, Yumi Kikuchi, Eihi Shiina, Hiromasa Taguchi, Naho Toda, Kanae Uotani

"Mina"

Estória

“Mina Saeki” (Yumiko Shaku) é uma jovem que se encontra radiante por ir casar com o amor da sua vida, o detective “Kanzaki Kohei” (Shosuke Tanihara). Este anda na peugada de um assassino em série, que tem por hábito arrancar o coração das suas vítimas, sendo as mesmas raparigas bonitas na flor da idade.

No dia do enlace, a tragédia acontece, pois “Mina” torna-se na quarta vítima do misterioso homicida, e acaba por falecer em plena cerimónia, nos braços de um desamparado “Kanzaki”. “Mina” enceta uma viagem pós-morte, onde acaba por se deparar perante o “portal da fúria” e encontra a actual guardiã “Izuko” (Eihi Shiina), que lhe propõe três escolhas: a 1ª passa por aceitar a sua morte e entrar no paraíso; a 2ª reconduz-se a vaguear pelo mundo como um fantasma; finalmente a 3ª consiste em assombrar o assassino, com a particularidade de posteriormente ir bater ao inferno.

"Rei, a guarda-costas de Kudo, empunha a sua katana"

Apesar de lhe ser facultado doze dias para decidir, a escolha parece ser óbvia. Contudo, “Mina” descobre através de “Izuko” que aqueles que matam, mesmo que justificadamente, têm o inferno como destino, sem qualquer capacidade de escolha por outra opção. A preocupação aumenta, quando “Mina”, como fantasma, descobre que o noivo “Kanzaki”, está decidido a encontrar o assassino e fazer justiça pelas próprias mãos.

“Mina” acaba por descobrir que os seus assassinos foram “Tatsuya Kudo” (Takao Osawa), um “playboy” milionário, e a sua secretária, a temível espadachim “Rei Miwa” (Kanae Uotani). A razão porque “Kudo” assassina jovens raparigas, deve-se à realização de um ritual satânico, que visa convocar demónios, de forma a que estes reavivem a sua esposa que está entre a vida e a morte. A particularidade é que as mulheres mortas por “Kudo” são reencarnações de antigas guardiãs do “portal da fúria”. Caberá a “Mina” impedir que “Kudo” leve a cabo os seus propósitos, e ao mesmo tempo impedir que o noivo “Kanzaki” condene-se ao tormento eterno.

"Kudo em luta com Rei"

"Review"

Quando se fala do realizador Ryuhei Kitamura, temos rapidamente que chegar a algumas conclusões. O homem é um eterno adolescente!!! Calma, não estou a depreciar o pobre do Kitamura, pois não o conheço de lado nenhum (embora não me importasse de trocar duas ideias com ele acerca de cinema), a não ser dos filmes claro! O facto de eu atribuir um carácter marcadamente juvenil ao realizador japonês funcionará aqui mais como um elogio sincero. Passo a explicar.

Pessoalmente e à primeira vista, não me lembro de um realizador tão “cool” como Kitamura. As películas dele detêm aquele cunho, muitas vezes superficial, mas que nos regala a vista e eleva a emoção, fazendo-nos passar um bocado bem interessante.

Em 1º lugar, o gosto pelas elaboradas “katanas”. Kitamura adora espadachins emblemáticos, portadores das distintivas lâminas, nos seus filmes. Não interessa que a época da película em questão seja a do Japão feudal, à semelhança de “Azumi”, ou num futuro indeterminado, com laivos de horror, como “Versus”. No primeiro caso que mencionei tínhamos a ingénua, mas mortal “Azumi”, interpretada pelo ídolo japonês Aya Ueto. No segundo, o prisioneiro “KSC2-303”, a quem o quase irrepreensível Tak Sakaguchi deu corpo. Um filme de Kitamura, sem uma “katana” de beleza deslumbrante, gravada com caracteres bem gravados, e um(a) portador à altura, simplesmente não faz o género do realizador. Ele gosta é de impressionar!

Em 2º lugar, a pose e a caracterização das personagens. Quem vê os filmes de Kitamura, tem que estar preparado para encontrar figuras inesquecíveis, caracterizadas de uma forma normalmente espectacular. Tudo mais uma vez para o regalo da vista. Não se esteja à espera de representações de antologia. A aposta parece ser feita em função do que vai parecer, em detrimento do que vai ser interiorizado.

"Mina falece nos braços de Kanzaki"

Kitamura é um miúdo (mais uma vez, repito a ideia), apesar de contar com 39 anos (faz 40 em Maio). Os seus filmes fazem os espectadores retornarem à adolescência em que os ídolos “pop”, as saídas à noite, os primeiros amores e os copos desnecessários parecem marcar a nossa vida (Socorro, querem ver que eu ainda não cresci!!!). No fundo, tudo se parece reconduzir ao viver exclusiva e unicamente pelas emoções fortes e pela odisseia da primeira impressão. Não há aqui espaço para grandes teoremas filosóficos, ou devaneios intermináveis. A “katana” e a aparência “fixe” podem representar aquela roupa nova que nos faz sentir as pessoas mais sexys do mundo inteiro. A pose ou frase mais emblemática, torna-se naquele cigarro ou cerveja que nem nos apetece consumir, mas que o fazemos para termos a figura do durão e do esclarecido da vida. O portento visual é o que interessa!

“Sky High” é um filme de Kitamura, possuindo desta forma todos os predicados acima referidos, e talvez mais alguns. Um desfile de “katanas” lindíssimo e personagens simplistas, mas com um “appeal” acima de qualquer censura. Já agora, há uma coisa de extrema importância que carece, acima de tudo, de ser mencionada. “Sky High” reúne no seu elenco um conjunto de mulheres de pasmar a vista!!! É impressionante! Kitamura deve ter efectuado um “casting” de modelos, em vez de actrizes. Estamos ainda a apreciar a beleza de um belo exemplar de rapariga japonesa, e já estamos a levar com outra em cima (e revoltados com o mundo, pela não literalidade física da expressão)! Isto não é justo para o subscritor deste escrito, e serve para distrair dos aspectos mais cinematográficos...e é por isso que peço desde já desculpa pela falta de objectividade deste singelo texto...

“Sky High” visa constituir a prequela de uma bem sucedida série da TV Asahi com o mesmo nome, e que igualmente viria a dar origem a uma “manga”. Trata-se acima de tudo de uma longa-metragem que visa expôr uma estória de amor trágica, mas que acaba por ser uma mescla de elementos que fazem lembrar filmes (vamos nos ficar pelos ocidentais) que vão desde “O Sexto Sentido”, passando pelo “O Corvo” e “Sempre”, dando um salto até “O Silêncio dos Inocentes” e “Duelo Imortal”, e um tempero com pitadas de “Kill Bill” e umas batidas techno. Confusos?! Não se preocupem, pois a película não é nada de transcendental, embora lide com temas que se reconduzem àquele aspecto, tais como os espíritos. Há ainda que contar com as cenas de luta, algumas extremamente bem conseguidas. Kitamura parece conseguir com que a cena mais idílica e calma se transforme de um momento para o outro numa orgia de violência, acção e espectacularidade. É como estar a ver um concerto de música clássica e de repente os assistentes todos, sem explicação aparente, começarem no “mosh” e no “stage diving”.

Os efeitos visuais revelam em geral uma boa qualidade, a que o desafogado orçamento não será alheio. Também temos as cenas marcantes, das quais pessoalmente, elejo como a supra sumo a entrada da noiva “Mina” na igreja, a esvair-se em sangue, tendo por pano de fundo o branco do seu imaculado vestido e a santidade do ambiente em redor. A aura é bastante negra, e por vezes podemos encontrar alguns elementos de “thrillers” na película, que são em pouco tempo ofuscados pelos aspectos mais fantasiosos.

“Sky High” é uma proposta interessante, que merecerá uma espreitadela descomprometida. É um “Kitamura”, e quem conhece as obras do realizador, saberá muito bem com o que contar. O conteúdo é fugaz, mas as costuras não aguentam e explodem de tanto estilo! Um campeão da superficialidade, mas mesmo assim, um orgulhoso representante do género onde se insere!


"Rei enfrenta uma oponente à altura, Shuo Kamiina"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

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Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 9

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75