"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Maggie Cheung (biografia)
Maggie Cheung nasceu em Hong Kong, em 20 de Setembro de 1964.
Com oito anos de idade, mudou-se com a família para Inglaterra, onde permaneceu até completar o ensino secundário. Na sua escola, sentia-se discriminada pelo facto de ser a única estudante asiática. Este sentimento continuou quando aos 18 anos retornou a Hong Kong, pois já não sabia falar o dialecto local correctamente.
Cheung iniciou uma carreira como modelo, que a levou a entrar em anúncios televisivos, chegar à final do concurso "Miss Hong Kong" e finalmente começar a sua experiência no mundo do cinema, embora em filmes de baixo calibre tais como "Prince Charming", "Happy Ghost 3" e "The Frog Prince".
A sua grande oportunidade surgiu em 1985, quando desempenhou o papel de "Mai" a namorada de Jackie Chan em "Police Story". O filme viria a revelar-se um grande sucesso comercial, com direito a duas sequelas "Police Story 2" e "Supercop".
No entanto, a verdadeira explosão do talento de Maggie Cheung deu-se em 1989, no filme intitulado "Full Moon in New York" do conhecido realizador Stanley Kwan, que fez com que ganhasse o prémio para melhor actriz no Golden Horse Festival, em Taiwan. Neste mesmo ano, ao entrar em "As Tears Go By" deu início à primeira de inúmeras colaborações com Wong Kar Wai. Seguiram-se mais dois dramas, "Song of the Exile" (1990) de Ann Hui e "Days of Being Wild" (1991), novamente de Kar Wai.

"Uma bela actriz, um talento sem par"

O seu desempenho em "The Actress" (1991) valeu-lhe imensos prémios como melhor actriz em vários festivais tais como o Taiwan Golden Horse, Hong Kong Film Awards e Berlim. A sua actuação neste filme como Ruang Ling Yu, uma actriz chinesa da década de 30 do século XX que costumava dobrar a voz de Greta Garbo, valeu-lhe elogios francamente positivos da crítica mais exigente. Seguiram-se mais dois filmes de artes marciais, "Twin Dragons" (este igualmente com Jackie Chan) e "The Heroic Trio", ambos de 1992.

À medida que a sua carreira ia progredindo, Cheung começou a ser mais selectiva na escolha dos seus papéis. Em 1994, ocorre a sua terceira colaboração com Wong Kar Wai, no incompreendido mas fabuloso épico "Ashes of Time", onde Maggie Cheung desempenha o amor impossível do malogrado Leslie Cheung. Posteriormente, viaja para Paris tendo em vista protagonizar "Irma Yep", realizado por Oliver Assayas, com quem viria a casar-se, união que foi votada posteriormente ao malogro.

Em 1997, actua em "A Caixa Chinesa", conjuntamente com dosi grandes nomes do cinema mundial, Gong Li e Jeremy Irons. O filme de Wayne Wang teve uma aceitável distribuição mundial, e inclusive estreou nos E.U.A., o que foi bom para dar visibilidade à actriz. Em 2001, volta à quarta colaboração com Wong Kar Wai, no maravilhoso drama romântico "Disponível para Amar", papel que lhe valeu mais um conceituado prémio no Taiwan Golden Horse Festival.

2002 foi o ano em que Maggie Cheung viria a desempenhar um dos seus papéis mais marcantes e porventura o que lhe iria dar maior visibilidade internacional. Falamos da bela e orgulhosa "Neve Esvoaçante", no grandioso épico de Zhang Yimou "Herói". 2004 igualmente a ser um ano muito bom para Maggie Cheung, pois "Herói" estreia nos E.U.A., com uma "mãozinha" de Quentin Tarantino, e atendendo a que Cheung desempenha um dos papéis principais, chama a atenção do público norte-americano para as suas inegáveis qualidades a todos os níveis. Igualmente neste ano, entraria pela quinta vez num filme de Wong Kar Wai designado "2046", onde teve a oportunidade de contracenar com várias musas do cinema asiático tais como Faye Wong, Zhang Ziyi, Gong Li e Carina Lau.

Maggie Cheung é uma das actrizes asiáticas mais respeitadas no panorama internacional, e mesmo que porventura não tenha a visibilidade de Zhang Ziyi e Gong Li, não lhes fica a dever nada em termos de beleza e talento. Veremos o que o futuro reserva a esta maravilhosa intérprete!

Curiosidades (Fonte: Internet Movie Database - IMDb)

  • Em 1997, foi membro do Juri no Festival Internacional de Berlim;
  • Foi finalista no concurso Miss Hong Kong, edição de 1983;
  • Modelo da Hermes e do Shampoo Lux;
  • Foi a primeira chinesa a vencer o prémio para melhor actriz em Berlim (1992) e Cannes (1994);
  • Os seus pais são de Xangai. Embora ela não fale o dialecto desta cidade, consegue entende-lo;
  • Queria ser cabeleireira quando era criança;
  • Recusou um papel no filme X-Men 2, por achar que seria desonesta em aceitá-lo;
  • Actuou em 7 filmes com Tony Leung Chiu Wai e em 6 películas com Brigitte Lin, actriz que Cheung considerava o seu ídolo;
  • Recusou o papel em "Memórias de Uma Gueixa", devido à tensão racial existente entre os chineses e japoneses, consequência da II Guerra Mundial.

"A inesquecível Neve Esvoaçante no épico Wuxia Herói"

Filmes:

  1. Behind the Yellow Line (1984)
  2. Prince Charming (1984)
  3. Rainbow Around My Shoulder (1984)
  4. Christmas Romance (1985)
  5. Girl With the Diamond Slipper (1985)
  6. Lost Romance (1985)
  7. Police Story (1985)
  8. Dr. Yuen and Wisely (1986)
  9. Happy Ghost 3 (1986)
  10. Heartbeat 100 (1987)
  11. The Game They Call Sex (1987)
  12. The Romancing Star (1987)
  13. Heavenly Fate (1987)
  14. Project A2 (1987)
  15. Moon, Stars & Sun (1988)
  16. Call Girl 88 (1988)
  17. As Tears Go By (1988)
  18. Double Fattiness (1988)
  19. How to Pick (1988)
  20. Mother Vs. Mother (1988)
  21. Beloved Son of God (1988)
  22. Love Soldier of Fortune (1988)
  23. Paper Marriage (1988)
  24. Police Story 2 (1988)
  25. Golden Years (1988)
  26. Little Cop (1989)
  27. My Dear Son (1989)
  28. Bachelor´s Swan Song (1989)
  29. Double Causes Trouble (1989)
  30. The Iceman Cometh (1989)
  31. A Fishy Story (1989)
  32. In Between Love (1989)
  33. Heart Into Hearts (1990)
  34. Red Dust (1990)
  35. Farewell China (1990)
  36. Full Moon in New York (1990)
  37. Crying Freeman: Dragon From Russia (1990)
  38. Song of Exile (1990)
  39. Today's Hero (1991)
  40. Party of a Wealthy Family (1991)
  41. The Perfect Match (1991)
  42. Days of Being Wild (1991)
  43. Alan and Eric Between Hello and Goodbye (1991)
  44. Will of Iron (1991)
  45. New Dragon Gate Inn (1992)
  46. The Twin Dragons (1992)
  47. King of a Thousand Faces (1992)
  48. Too Happy For Words (1992)
  49. All's Well, Ends Well (1992)
  50. What a Hero (1992)
  51. Supercop (1992)
  52. The Actress (1992)
  53. Blue Valentine (1992)
  54. True Love (1992)
  55. Boys Are Easy (1993)
  56. Moon Warriors (1993)
  57. Flying Dagger (1993)
  58. The Eagle Shooting Heroes (1993)
  59. First Shot (1993)
  60. Bare Foot Kid (1993)
  61. The Heroic Trio (1993)
  62. Cinema Jack (1993)
  63. Seven Maidens (1993)
  64. Enigma of Love (1993)
  65. Mad Monk (1993)
  66. Heroic Trio 2 (1993)
  67. Green Snake (1993)
  68. Conjugal Affair (1994)
  69. Ashes of Time (1994)
  70. Comrades: Almost a Love Story (1996)
  71. The Soong Sisters (1997)
  72. A Caixa Chinesa (1997)
  73. Augustin, King of Kung Fu (1999)
  74. Le Bel Hiver (2000)
  75. Love at First Sight (2000)
  76. Disponível Para Amar (2000)
  77. Herói (2002)
  78. Clean (2004)
  79. 2046 (2004)

"Com o malogrado Leslie Cheung em Ashes of Time"

The Internet Movie Database (IMDb) link, Fan Clube Francês de Maggie Cheung

"Em Disponível para Amar (In the Mood for Love) formou com Tony Leung Chiu Wai um dos pares mais emblemáticos da história do cinema"




domingo, dezembro 31, 2006

Feliz Ano Novo!!!

À semelhança do que foi feito na semana de Natal, desejo a todos aqueles que visitam este humilde "blog" de cinema asiático, um ano de 2007 repleto de sucessos profissionais e pessoais!!!

Aproveito para puxar a "brasa à minha sardinha" e se tiverem oportunidade de ver o fogo de artifício aqui da Madeira, não o percam porque definitivamente vale a pena!!!

Felicidades para todos!!!


O Mito/The Myth/San wa (2005)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 117 minutos

Realizador: Stanley Tong

Com: Jackie Chan, Kim Hee-sun, Tony Leung Ka Fai, Mallika Sherawat, Yu Rong-guang, Choi Min-su, Patrick Tam, Ken Wong, Sun Zhou, Shao Bing, Jin Song, Ken Lo, Hayama Hiro

"O intrépido arqueólogo Jack"

Estória

O general "Meng Yi" (Jackie Chan) é incumbido pelo imperador Qin de receber nas fronteiras do reino a princesa coreana "Ok-soo" (Kim Hee-sun), futura concubina do monarca. O casamento não é bem visto por certas facções dos coreanos, e em virtude deste facto, o general "Choi", antigo noivo de "Ok-soo", ataca a caravana da princesa e o exército comandado pelo general "Meng Yi".

No meio da refrega, o general "Meng Yi" e "Ok-soo" são separados do exército de Qin e encetam uma viagem sozinhos até à cidade imperial. Um sentimento bastante grande começa a desenvolver-se entre os dois o que leva à inevitável paixão.

"A bela princesa Ok-soo"

Nisto somos levados ao presente, onde conhecemos "Jack Lee" (interpretado igualmente por Jackie Chan), um corajoso e bondoso arqueólogo que vive atormentado com uns estranhos sonhos, onde é um general do reino de Qin que se encontra apaixonado por uma das princesas do reino, estando constantemente dividido entre os seus sentimentos e a lealdade para com o imperador.

"Jack", a pedido de "William" (Toni Leung Ka Fai) parte com este para Dasar na Índia, tendo em vista investigar certas partículas de meteorito que desafiam as leis da gravidade, fazendo levitar tanto objectos, como pessoas. O arqueólogo acidentalmente desemboca no início de uma jornada fantástica, que explicará a razão de ser dos seus estranhos sonhos e levará à maior descoberta da história da China!

"O valente e honrado general Meng Yi"

"Review"

Foi com extrema desconfiança que parti para o desafio em visionar "O Mito", atendendo a que não sou nada fã de Jackie Chan, desgostando inevitavelmente de todos os trabalhos do actor. Esclareço desde já que esta asserção não se trata de nenhum ataque pessoal a Chan, nem ao seu trabalho, que é manifestamente incontornável no panorama do cinema asiático. Simplesmente parte do meu próprio gosto cinematográfico, normalmente avesso a comédias, ou a cenas de luta que redondam em extremas palhaçadas, embora com aspectos imaginativos. No entanto, o "trailer" despontou-me a atenção, e o facto de o filme ter Tony Leung Ka Fai e Kim Hee-sun (actores por quem nutro simpatia) como os protagonistas remanescentes, fizeram-me correr o risco de eventualmente dar a nota mais baixa de sempre e fazer a crítica mais malévola do "My Asian Movies".

A verdade é que apanhei uma desilusão pela positiva, se é que tal é possível, e já não pude destronar "Dragon Chronicles..." como a película menos cotada do "blog". "O Mito" é uma agradável surpresa, e constitui ao mesmo tempo o melhor filme que tive a oportunidade de ver com Jackie Chan, superando inclusive a "mítica" saga de "The Legend of the Drunken Master" (fãs dos filmes de "Kung-fu" não me enforquem na praça pública!!!).

Comecemos pelo início.

"O mito" são duas estórias que correm em paralelo. Uma no tempo da dinastia "Qin", que era a parte que eu tinha quase a certeza ser do meu agrado; outra em 2005, aquela que em princípio iria irritar-me e começar a revelar o mau feitio e a intolerância na escrita. Os "flashbacks" são inevitáveis, como é óbvio, mas bem enquadrados, fazendo com que o espectador mantenha-se sempre a par do enredo e não degenere em confusões medíocres. O resultado é uma película que resulta num misto de épico de índole oriental e uma espécie de "Indiana Jones".

"Os apaixonados Meng Yi e Ok-soo"

Uma das coisas que agradou-me de sobremaneira em "O Mito" foi a faceta aventureira que o mesmo comporta, e que nos leva a conhecer diferentes culturas asiáticas, redundando num saudável ecletismo. O desenrolar da acção beneficia imenso com este aspecto, e saúda-se a visão de Jackie Chan e Stanley Tong em dar vida a uma película que nos possibilita apreciar uma falange de actores chineses a trabalhar com os seus pares coreanos e indianos. E o que torna este aspecto ainda mais interessante é o facto de a ciência histórica de cada um dos países de onde proveêm os actores, estar lá, e não serem meros adereços secundários.

Jackie Chan tem uma actuação mais séria do que o normal, e que embora não seja nada digna de prémios e aclamações, fez-me pensar que o actor deveria por vezes apostar em papéis mais sérios, de modo a que possamos apanhar de vez em quando uma "lufada de ar fresco". É claro que as cenas de luta com alguma "palhaçada" à mistura acabam por aparecer, mas são ténues e não desfilam tanta comicidade como o habitual em outros filmes de Chan. As lutas passadas no segmento épico do filme são de boa qualidade, destacando-se o papel e o treino dos cavalos como verdadeiras armas e amigos de batalha.

Kim Hee-sun não aparece assim tanto como eu gostaria, mas sempre que o faz irradia um brilho próprio das grandes estrelas, em que muito ajuda a sua ternura e quase inultrapassável beleza, que nem mesmo a igualmente linda Mallika Sherawat consegue ofuscar. O papel de Tony Leung Ka Fai fez-me ficar algo confuso, atendendo a que estou mais habituado a vê-lo no desempenho de personagens mais sérias e trágicas. Passado o choque, e tentando ser o mais objectivo possível, acaba por ser aceitável.

Os efeitos especiais estão verdadeiramente bons, embora com uma ou outra falha mais evidente. No entanto, o belíssimo trabalho que se faz aquando da aproximação do epílogo, faz com que as prévias imperfeições desapareçam da nossa mente. Caramba, aquele túmulo do imperador Qin e o ambiente em redor estão mesmo bons!!!

Não entendo sinceramente muitas das más críticas feitas a "O Mito". A mim afigura-se que se trata de um filme bastante razoável e agradável de se ver, o que ainda terá mais pertinência quando não é um fã de Jackie Chan que está a proferir esta afirmação.

Aconselho vivamente!

"Jack reencontra a princesa Ok-soo no fabuloso túmulo do imperador Qin"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cineasia, Rascunhos, Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8







terça-feira, dezembro 26, 2006

One Nite in Mongkok/Wong gok hak yau (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 110 minutos

Realizador: Derek Yee

Com: Cecilia Cheung, Daniel Wu, Alex Fong, Chin Kar, Ken Wong, Anson Leung, Lam Chi, Ng Shui, Cyntia Ho, Sam Lee, Lau Shek, Lam Suet, Henry Fong, Elena Kong, Bau Hei, Peng Wai, Austin Wai, Monica Chan, Cha Yuen

"A prostituta Lan Dan Dan"

Estória

"Milo" (Alex Fong), um polícia de Hong Kong, vê-se envolvido num intrigante caso, que ocorre na noite de Natal. Tudo começa quando dois líderes de tríades locais, "Tim" e "Carl", se envolvem num conflito devido à morte do filho de "Tim", num acidente de carro provocado pelo filho de "Carl".

"Tim" fala com "Liu", encomendando-lhe o assassinato de "Carl". "Liu" por sua vez contacta "Lai Fu" (Daniel Wu), um assassino de um remoto lugar da China, que aceita o trabalho, vendo neste uma oportunidade para deslocar-se a Hong Kong e descobrir a sua noiva com quem perdeu contacto há algum tempo. "Milo", através de um informador, descobre o plano e começa a desenvolver esforços para impedir o homicídio.

"Dan Dan em fuga com o assassino Lai Fu"

Entretanto, o assassino "Lai Fu" chega a Hong Kong, e após algumas peripécias, trava conhecimento com a prostituta "Lam Dan Dan" (Cecilia Cheung), uma rapariga que provém da mesma terra do que ele. "Dan Dan" torna-se a guia de "Lai Fu", no estranho mundo de Mongkok, uma zona de Hong Kong. Ela age desta forma, como agradecimento a "Lai Fu" por tê-la salvo de um cliente que a estava a agredir.

O que se segue é uma cruzada pelos mais recônditos cantos de Mongkok, onde todos são predadores e presas, e o crime é um modo normal de vida.

"A brigada da polícia"

"Review"

Com um título muito semelhante a um sucesso musical dos anos 80, chamado "One Night in Bangkok", da autoria de Murray Head, este filme tem como pano de fundo o segmento citadino de Hong Kong chamado Mongkok. A fonética inglesa muito semelhante entre a capital tailândesa e o bairro da antiga colónia britânica, foi suficiente para a sugestiva designação da película. No contexto do filme, refere-se ao nome atribuído à operação policial, que visa impedir o assassino "Lai Fu" cumprir o trabalho que lhe foi encomendado.

Falando agora de Mongkok, cumpre dizer em primeiro lugar que é considerado o local com maior densidade populacional do mundo, situando-se no distrito de Yau Tsim Mong, na península de Kowloon. Trata-se de um pequeno mundo, cheio de lojas, bares, discotecas, hotéis, restaurantes, e muitos outros locais de diversão. Igualmente é conhecido por ser um local por excelência de grande actuação da máfia chinesa, conhecida como tríade. Curiosamente, ou não, o seu nome significa qualquer coisa como "lugar movimentado".

Feitas estas pequenas observações, passemos ao filme propriamente dito.

"One Nite in Mongkok", ou se preferirem, "One Night in Mongkok", é um "thriller" que versa sobre o crime contemporâneo, que "trilha" os seus caminhos por uma área urbana propícia a que muita da alta criminalidade organizada aconteça, com todos os dramas pessoais inerentes.

Apesar de grande parte desta longa-metragem centrar-se na relação entre o assassino "Lai Fu" e a prostituta "Dan Dan", Derek Yee pretendeu sobretudo focar a vivência do crime em Mongkok e os seus muito perigosos trâmites operativos. Por outra via, a estória envereda pelo lado oposto da barricada, com uma generosa abordagem ao "modus operandi" da polícia, igualmente com os seus pontos altos e fragilidades evidenciadas.

"Lai Fu muito mal tratado perante o desespero de Dan Dan"

O tratamento pessoal dado aos intervenientes da estória merece mais alguma consideração.

Cecilia Cheung, numa actuação bem conseguida, dá corpo a "Dan Dan" (embora não saiba uma palavra do dialecto de Hong Kong, cheira-me que este nome tem uma conotação não aconselhável a menores de 14 anos) uma emigrante chinesa ocasional, que envereda pela prostituição devido à extrema pobreza da sua família. Revela tanto ser dotada de um coração de ouro, como uma verdadeira mulher objecto, extremamente apegada a bens materiais. No entanto, e com o progressivo conhecimento que tem de "Lai Fu", esta sua faceta é bastante posta de parte. A redenção, aliada à tragédia pessoal, acaba por chegar.

Daniel Wu, que pudemos observar recentemente em "The Banquet" de Feng Xiaogang, interpreta "Lai Fu", um violento assassino que ao mesmo tempo detém um elevado sentido de justiça e moralidade, quando se trata daqueles que lhe são próximos. Ficamos um pouco na expectativa se cederá aos encantos de "Dan Dan", principalmente quando ela oferece-lhe os seus serviços sem cobrar nada e como forma de agradecimento. Não cede, mas nem por isso deixamos de nos aperceber o quão querida "Dan Dan" se lhe torna, levando inclusive à sua ruína pessoal.

Uma palavra de apreço para Alex Fong, no papel de "Milo", o chefe da brigada policial. Trata-se de um homem consumido pelo abandono da esposa, devido ao seu muito ocupado ofício. No entanto, vive da e para a polícia, nunca descurando "o servir e proteger". Contudo, não olha a meios para proteger os seus colegas, mesmo que para isso tenha de cometer delitos. Tenta sempre dar o exemplo aos mais novos, como o seu camarada "Ben", o novato do sítio. Consome-se pela tragédia, pois nem olvidando todos os esforços, consegue evitar o excessivo voluntarismo do jovem.

A direcção de Derek Yee é de um nível bastante aceitável, fazendo não só esforços a nível da condução da estória e dos actores, mas igualmente no campo da fotografia e dos efeitos que acentuam os sentimentos das personagens. Repare-se, a título de exemplo, na expressão do filho de "Carl", aquando da perseguição de automóvel ao filho do "gangster" "Tim". Aquela face maquiavélica e adulterada não sairá da minha cabeça durante algum tempo...

Hong Kong significa "doce fragância". A personagem de Cecilia Cheung afirma algumas vezes, que o ar encontra-se demasiado poluído naquela região administrativa chinesa. A frase tem óbvios contornos ambíguos e idealistas, à semelhança do remanescente do filme.

Uma boa proposta!

"Em Mongkok, a violência por vezes é uma constante"

Trailer , The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, A vida

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75







domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal!!!

O "My Asian Movies" deseja a todos os seus visitantes um feliz e santo Natal, cheio de paz, amor e muitas coisas boas, tais como um belo de um bacalhau com batatas, carne vinho e alhos ou "vinha d'alhos" (prato tradicional do arquipélago da Madeira, muito consumido nesta época), ou então um belo de um "sushi" se preferirem! Já agora tudo bem regado com um excelente vinho tinto, de preferência alentejano (Tapada do Chaves é uma excelente escolha), e um belo de um "Jameson" depois da refeição, eh, eh, eh!

Permitam-me particularizar e enviar um abraço especial para o blog do Bruno Côrte, todos os colegas da Câmara Municipal do Funchal, o blog do Ingénuo, o "Pitas da Universidade", Ralis.net, Rod Costa e Cineasia.

Bem hajam!!!


domingo, dezembro 17, 2006

Casshern (2004)

Origem: Japão

Duração: 142 minutos

Realizador: Kazuaki Kiriya

Com: Yusuke Iseya, Kumiko Aso, Akira Terao, Kanako Higuchi, Fumiyo Kohinata, Hiroyuki Miyasako, Jun Kaname, Hidetoshi Nishijima, Mitsuhiro Oikawa, Susumu Terajima, Hideji Otaki, Tatsuya Mihashi, Toshiaki Karasawa, Mayumi Sada

"Tetsuya e Luna nos bons tempos"

Estória

Num futuro distante, o grande império asiático domina a Europa após uma prolongada guerra, de onde resultaram consequências nefastas tais como a fome, a poluição e o terrorismo.

O Dr. "Azuma" está prestes a desenvolver uma das maiores descobertas da história da humanidade, o que ele chama de neo-células. O especial neste tipo de células é que podem reconstruir qualquer parte do corpo, por mais seriamente danificada que esteja. A principal motivação na pesquisa de "Azuma" não é tanto o bem geral da humanidade, mas sim descobrir uma cura para a estranha doença que afecta a sua esposa. O projecto é liminarmente rejeitado pelo ministério da saúde, mas secretamente acaba por ser apoiado pelo ministério da defesa, que vê aqui grandes potencialidades a nível militar.

Entretanto "Tetsuya", o filho de "Azuma", decide ir combater na guerra que presentemente se desenvolve contra os rebeldes que lutam contra o império asiático, mas depressa se arrepende devido ao grande sofrimento e dor que lhe é dado a assistir. Acaba por morrer numa batalha, e o seu corpo é enviado de volta para a família.

"Casshern"

Aquando do funeral de "Tetsuya", um relâmpago atinge as instalações onde se situa o laboratório do Dr. "Azuma", e vários mutantes começam a emergir do líquido onde estão concentradas as neo-células. A maior parte é morta pelo exército, mas um pequeno grupo consegue evadir-se. No meio da confusão e da luta reinante, "Azuma" retira do caixão o corpo do seu filho, e banha-o no líquido das neo-células, conseguindo desta forma dar-lhe vida outra vez.

"Tetsuya", apesar de ressuscitado, possui um corpo altamente instável. Por essa razão, o pai de "Luna", a namorada do rapaz, constroi uma armadura que é capaz de controlar os incríveis poderes de "Tetsuya", para além de lhe conferir outros. Nascia "Casshern".

Os mutantes que conseguiram escapar à morte, juram vingança sobre toda a raça humana e formam um grupo conhecido como os "Neo-Sapiens". Uma violenta guerra começa entre as duas raças, e apenas "Casshern" terá o poder para por termo ao conflito e salvar a sua mãe "Midori", que se encontra no poder dos mutantes.

"O exército dos Neo-Sapiens ao ataque"

"Review"

Baseado num "anime" intitulado "Shinzo Ningen Casshân", "Casshern" é acima de tudo um filme único no que toca à produção. Foi quase inteiramente filmado tendo por pano de fundo um ecrán de cor verde, e todos os incríveis e extremamente futuristas cenários foram adicionados já na fase da pós-produção.

O mundo de "Casshern" é feito de ódio e luta pelo poder. O "background" da estória extasia-nos e faz-nos entrar completamente numa outra dimensão, a que não é alheia a muito bem feita banda-sonora, composta mais de sons que combinam extremamente bem com as cenas, do que propriamente temas inteiros que nos ficam na cabeça. Não existem aqui "hit songs", outrossim permanecem sempre aqueles sons fantasmagóricos e futuristas, por vezes violentos, outras vezes incrivelmente tristes e melancólicos.

Os cenários e as máquinas de guerra são simplesmente fabulosos, e contribuem para a tão propalada entrada do espectador num planeta à parte. As máquinas voadoras e o seu "design" trouxeram-me logo à memória as usadas em tantos filmes de Miyazaki, atendendo à incrível semelhança que detêm com as que são profusamente vistas nos filmes deste génio do cinema. A diferença principal e determinante para nos fazer apreciar ainda mais este aspecto, passa por "Casshern" não ser um "anime", embora tenha forçosamente de ser reconhecido que existe uma grande atmosfera de animação presente.

"A pós-modernista cidade de Casshern"

Mas na realidade o que faz de "Casshern" um filme tão único e tão belo?

É que é raríssimo uma película com efeitos especiais tão bons e visualmente tão bela, secundarizar estes aspectos em detrimento do argumento, e sobretudo da forte mensagem político-ideológica e sentimental que tenta passar. E estamos a falar de um campo que é extremamente difícil de ser bem sucedido, mas o realizador Kazuaki Kiriya assumiu o desafio, e venceu-o esmagadoramente. O espectador atento e mais sensível, começa por ficar abismado com toda a beleza visual de "Casshern", mas quando se apercebe da envolvência humana que rodeia a longa-metragem, depressa põe a estética em segundo plano e concentra-se no que realmente interessa.

Existe uma combinação de filosofia e dilemas humanos, que desembocam em questões tão prementes como o ódio gerar o ódio, o racismo e a xenofobia, a poluição e muito mais, sendo estes problemas bastante actuais. "Casshern" dá-nos uma perspectiva do que pode ser o futuro, se não mudarmos estes comportamentos selváticos e sem sentido nenhum numa sociedade civilizada. Mas aqui não se limita a pensar no problema em termos globais. Aprofunda-se estes paradigmas de tal forma, combinando-os com as tragédias pessoais das personagens que compõem o filme. E já agora, os actores estão francamente de parabéns, pois todos, mesmo todos, sem distinção nenhuma, oferecem-nos interpretações de elevada qualidade.

Kazuiya Kiriya, com um orçamento de apenas seis milhões de dólares, oferece-nos um filme inesquecível, que se consubstancia numa verdadeira fábula messiânica, sendo raro vermos hoje em dia uma película deste género que apresente tão bons resultados. Quando tive o enorme prazer de visionar "Casshern", só me lembrava de quão tolo fui em até apreciar "Sky Captain and the World of Tomorrow". É como estar a comparar um Ferrari com um qualquer utilitário.

Um filme que apesar de enveredar pelo futurismo, manteve uma identidade una e indivisível. Vejam ou arrependam-se!

"O ressuscitado líder dos Neo-Sapiens"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras Críticas em português: Cineasia, C7nema, Nem todos são arte, Bitlogger, Cinema ao Sol Nascente, Axasteoquê?!?

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,38





sábado, dezembro 16, 2006

Arahan: Acção Urbana de Artes Marciais/Arahan: Urban Martial Arts Action/Arahan jangpung daejakjeon (2004)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 113 minutos

Realizador: Ryu Seung-wan

Com: Ryu Seung-beom, Yoon So-yi, Ahn Sung-kee, Jung Doo-hong, Yun Ju-sang

"Sang-wan"

Estória

Numa cidade moderna da Coreia do Sul dos nossos dias, um ladrão furta uma carteira a uma transeunte, fugindo em seguida numa mota. Mal sabe ele que está a ser observado do alto dos arranha-ceús, por uma bela jovem chamada "Eui-jin". Impressionantemente a rapariga começa a saltar de edifício para edifício, com uma franca naturalidade. O delinquentemente igualmente começa a ser perseguido por um polícia idiota chamado "Sang-wan". Quando o agente da autoridade finalmente alcança o ladrão, depara-se igualmente com "Eui" que bloqueia o caminho ao fugitivo. A rapariga fazendo uso das suas incríveis habilidades em artes marciais, recorre à técnica conhecida como "rajada de vento", mas em vez de acertar no criminoso, atinge em cheio "Sang" que cai inconsciente.

"Sang" acorda na casa do pai de "Eui", um dos remanescentes 5 membros de um grupo conhecido como "Os Sete Mestres", que constituem os guardiões de "Arahan", o último estado de transcendência, onde nada mais há a aprender. "Os Sete Mestres" procuram incessantemente pelo "Maruchi", um mestre supremo a quem possam transmitir o segredo de "Arahan", mas enfrentam extremas dificuldades, pois hoje em dia ninguém quer saber do "Tao" ou do "Chi", as energias cósmicas que fazem mover o mundo e todos os seres vivos.

Acreditando que o jovem polícia tem um "Chi" extremamente poderoso, os mestres decidem treiná-lo nas artes marciais e ensinar toda a filosofia que as suporta."Sang" por seu lado acha toda esta estória ridícula e recusa a oferta que os mestres lhe fazem, voltando à sua vida normal.

Posteriormente o polícia é humilhado por uns "gangsters", ficando irritado pela sua fragilidade física e impotência em responder a este tipo de ataques que em muito atrapalham a sua profissão. Por via disto, decide ir ao encontro dos mestres para que estes lhe ensinem a técnica da "rajada de vento", começando assim um treino intensivo.

Entretanto uns operários da construção civil, aquando da escavação de um túnel, encontram uma câmara antiga que se encontra selada. Quando a abrem, apanham um grande choque pois está um homem vivo lá dentro. A pessoa é nada mais, nada menos que "Heng-hu", um dos "Sete Mestres" que foi banido há centenas de anos atrás. "Heng" inicia a sua busca pela chave de "Arahan" que lhe permitirá controlar o mundo, atacando para o efeito cada um dos seus cinco companheiros.

Apenas "Sang" e "Eui" lhe poderão fazer frente!

"Eui-jin"

"Review"

A nível de argumento, "Arahan" pouco nos traz de novo. Existe um jovem que tem uma vida infeliz, mas que igualmente possui habilidades extraordinárias que desconhece em absoluto; um mestre que procura alguém a quem possa transmitir o seu fardo pessoal; um vilão que tudo faz para conseguir o seu objectivo. E também como não podia deixar de ser, um relacionamento amoroso, que na maior parte dos filmes do género despreza quese em absoluto o contacto físico.

"Sang-wan" constitui uma personagem chata como tudo, e que só apete bater. Faz lembrar aqueles colegas chatos, que se queixam constantemente sobre tudo e nada fazem para mudar alguma coisa. Nem sequer nos esforçamos para ter pena dele. Um clássico "tótó"! Claro que quando o rapaz finalmente aprende as artes marciais, e começa a distribuir uma valente carga de "porrada", lá começamos a ficar mais próximos do rapaz.

"Eui-jin" é possuidora de um grande "sex appeal", e transparece aquele ar de má que nenhum "macho" que se preze consegue ficar indiferente! A interpretação é no geral bem conseguida, embora não muito interventiva. Existe uma cena em que "Sang" vislumbra um bocado da pele de "Eui", quando ela veste o seu "kimono" de treino, e a rapariga vira-se e sai-se com a frase "Wanna die?". Não vos faz lembrar nada? De certeza? Vejam então o que Jun Ji-hyun está constantemente a dizer em "My Sassy Girl"!

As lutas seguem a tradição de "The Matrix" e "Volcano High", com grandes voos e paragens em "slow motion" para que possamos apreender e ficar maravilhados com os golpes aplicados. Muito bonito de se ver sim senhores, mas nada de inovador é apresentado. O mesmo não se poderá dizer das frenéticas corridas e saltos entre os arranha-céus, em que confesso, fiquei deslumbrado, principalmente naquela parte em que "Eui" começa a correr pelas janelas de um prédio enorme, como se estivesse simplesmente a dar um passeio pela estrada.

"Os pupilos a receberem instrução do mestre Ja-woon"

"Arahan" é um filme igualmente possuidor de bastante comédia. Em geral as cenas deste género são muito engraçadas, conseguindo arrancar alguns risos ao espectador. "Parti-me" completamente com a ida de dois dos cinco mestres a um programa de televisão, tendo em vista a exibição das suas capacidades. Os meus olhos chegaram a lacrimejar!!! Como não sou por natureza um grande apreciador de comédia, imagino que estas cenas ainda tenham um efeito mais intenso naqueles que verdadeiramente o são.

Apesar de não ser um filme sério por natureza, existe uma grande mensagem ideológica que pode ser extraída de "Arahan". Alguns bons e velhos costumes estão a ser perdidos pelas novas gerações, nas quais ainda me incluo, e que urge recuperar. Esta é uma ideia que eu concordo plenamente, principalmente quando se tratam de valores como o respeito, a honra e a dignidade!

"Arahan" é um filme "normalzito", sem brilho absolutamente nenhum, salvo um ou outro pormenor. Entretém bastante, sendo ideal para ver num Domingo à tarde, em que só nos apetece estar em casa e não pensar praticamente acerca de nada.

"Luta contra o vilão Heng-hu"

Trailer, Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, C7nema

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 7