"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

sexta-feira, agosto 03, 2007

Dupla Visão/Double Vision/Shuang Tong - 雙瞳 (2002)

Origem: Taiwan

Duração: 105 minutos

Realizador: Chen Kuo Fu

Com: David Morse, Tony Leung Ka Fai, Rene Liu, Leon Dai, Lung Sihung, Yang Kuei Mei, Huang Wei Han

"Huang Huo Tu"

Estória

“Huang Huo Tu” (Tony Leung Ka Fai) é um polícia afecto aos assuntos relacionados com os estrangeiros (o equivalente seria o nosso serviço de estrangeiros e fronteiras), de Taipei, capital de Taiwan, que possui uma vida familiar destroçada, devido a um trágico evento ocorrido há dois anos atrás relacionado com uma denúncia de um caso de corrupção. A sua filha (Huang Wei Han) perdeu a fala derivado do facto de ter sido feita refém do próprio tio que viria a ser morto. A sua mulher (Rene Liu) pretende pedir o divórcio, pois já não consegue suportar a constante ausência do marido e sua despreocupação com os problemas conjugais.

O marasmo trágico de “Huo” é repentinamente interrompido, quando uma série de bizarros homicídios começam a se suceder em Taipei, que põem a polícia completamente “à nora” quanto ao modo de execução dos crimes. Um empresário que nunca saiu do seu gabinete morre afogado; a amante de um senador morre queimada, sem que o seu apartamento contenha vestígios de qualquer incêndio; um padre ocidental falece dilacerado, sem que existam quaisquer vestígios de luta.

"Kevin Richter"

O governo de Taiwan decide pedir ajuda aos E.U.A., a que este país corresponde enviando um dos seus maiores especialistas em assassinos em série, o agente do F.B.I. “Kevin Richter” (David Morse).

“Richter” acaba por fazer dupla com “Huo” e juntos deparam-se com uma teia intrincada de pistas, algumas de índole sobrenatural, que parecem levar a uma obscura seita taoista cujo fito é a busca do segredo da imortalidade.


"A amante de um senador é consumida pelo fogo"

"Review"

“Dupla Visão” nasceu de uma colaboração entre Taiwan e os Estados Unidos, através da filial asiática da “Sony Pictures”. Por esse facto beneficiou de um tratamento preferencial em relação à generalidade das películas asiáticas, começando desde logo pela distribuição internacional da película. Pretendia-se aqui fazer um “thriller” na linha de filmes como “Seven” e “Resurrection”, embora com uma adição de elementos sobrenaturais. O resultado foi bom? Sinceramente não.

Eu sou daquelas pessoas que acha que a conversa sobre os “clichés” do cinema tornou-se tão banal, ao ponto de ela própria se tornar “cliché”, com a agravante de ser bastante irritante. A minha experiência afirma que metade das pessoas que criticam “clichés” fazem-no sem ter a perfeita consciência do assunto que estão a tratar, ou dizem-no simplesmente por estar na moda. Chegam ao ponto de se deixarem influenciar de tal forma por terceiros ou pelo meio envolvente, sendo capazes de negarem os próprios gostos. Na adolescência é normal que isso aconteça, pois no fundo a personalidade ainda está em formação. Na idade adulta, é preciso estabilizar e tomar opiniões conscientes e decididas. Eu gosto de filmes que estão, a meu ver, cheios de “clichés”. Acima de tudo, adoro películas que me despertem todo o tipo de sensações. Se tiver “clichés” que se dane! Não há que ter medo de admitir que esse mesmo filme é bom e que nos preencheu de alguma forma!

"A filha de Huo observa um nado-morto"

“Visão Dupla” está cheio de “clichés”. Mas mesmo assim poderia ser uma longa-metragem do meu agrado. Aquilo é o polícia que tem um trauma que o separou emocionalmente da família; vem outro polícia de uma cultura completamente diferente e existe o clássico choque de culturas, à semelhança de filmes como “Inferno Vermelho” ou “Fúria no Bairro Japonês”, esses ícones de acção dita “rasca”, mas que há bastantes anos entretiveram-me imenso; a aura negra e o mistério estão todos lá.

Simplesmente, o argumento do meu ponto de vista é mau, e o encadeamento da trama inevitavelmente fica mortalmente afectado devido a esta premissa. A certa altura, uma pessoa com “dois dedos de testa” tem de concluir inevitavelmente que o filme se torna desinteressante e por vezes sem nexo nenhum. Mesmo nos “clichés” há sempre a possibilidade de inovação. Não, esta premissa não é contraditória. Chama-se evolução!

A sensação com que fico é que se pretendeu oferecer um produto muito virado para o público ocidental, com algumas preocupações a nível estético e de misticismo. Claro que sou forçado a admitir que alguns elementos distintivos do cinema asiático estão presentes no filme, e que o salvam de alguma forma. Não tenho pejo nenhum em anuir positivamente perante a cena em que os polícias se defrontam num templo, com os elementos da seita taoísta “O Verdadeiro Sábio”. Tal constituiu claramente o apogeu do filme, e fez-me arregalar os olhos. Quem dera que o filme fosse todo assim!

Os efeitos especiais são aceitáveis. Julgo ser minimamente consensual quando afirmo que a cena da morte da amante do senador pelo fogo está um regalo de se ver. As cenas violentas marcam bastante a sua presença, envolvendo por vezes algum “gore”.

Tony Leung Ka Fai e David Morse, dois actores de eleição, oferecem-nos duas interpretações medianas. Este último desiludiu-me de sobremaneira, pois tenho-o como um actor de referência. Vou culpar o malfadado argumento e dar o benefício a um homem com provas mais do que dadas. Rene Liu, uma actriz que confesso não conhecer bastante bem, acaba por deter a melhor actuação, o que deve ter justificado o prémio que recebeu para melhor actriz secundária na 22ª edição dos “Hong Kong Film Awards”.

Nada de especial!

"Na iminência do confronto entre a polícia e os elementos da seita taoísta "O Verdadeiro Sábio"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Cine-Ásia, Boca do Inferno

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 7

Argumento - 5

Banda-sonora - 6

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 6

Classificação final: 6,50





segunda-feira, julho 30, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Conforme o prometido na semana passada, aqui vão mais duas actrizes e dois actores que estão a votação neste blogue. Para a semana, serão apresentados outros quatro.

Zhang Ziyi

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": O Tigre e o Dragão, Herói, O Segredo dos Punhais Voadores, Os Guerreiros da Montanha, The Banquet (Inimigos do Império), 2046, Memórias de Uma Gueixa, O Caminho Para Casa

Leslie Cheung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Bride With White Hair , Ashes of Time, A Chinese Ghost Story, The Bride With White Hair II, Anna Magdalena

Joan Chen

Informação

Não participou em nenhum filme criticado no "My Asian Movies".

Ekin Cheng

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Guerreiros da Montanha, The Duel, A Man Called Hero , The Storm Riders



domingo, julho 29, 2007

Era Uma Vez na China/Once Upon a Time in China/Wong Fei Hung - 黃飛鴻 (1991)
Origem: Hong Kong
Duração: 126 minutos
Realizador: Tsui Hark
Com: Jet Li, Rosamund Kwan, Yuen Biao, Kent Cheng, Jacky Cheung, Yen Shi Kwan, Lau Shun, Jimmy Wang, Yuen Cheung Yan, Wu Ma, Wong Chi Yeung, Yuen Gam Fai, Yau Gin Gwok, Yuen Sun Yi, Jonathan Isgar, Mark King, Steve Tartalia
"Wong Fei Hung"

Estória

A China vive numa fase em que a influência ocidental é cada vez maior, principalmente a adveniente dos E.U.A., da Inglaterra e da França. Neste aspecto a cidade de Foshan não é diferente do resto do país.

O general do exército do “Estandarte Negro” (Lau Shun) pede a “Wong Fei Hung” (Jet Li) que forme um corpo de milicianos, tendo em vista a protecção dos cidadãos da povoação. Auxiliado pelos seus discípulos “Porky Lang – Toucinho na versão portuguesa” (Kent Cheng) e “Bucktooth So – Favolas na versão portuguesa” (Jacky Cheung), “Wong” leva a cabo a tarefa, sendo bem sucedido no seu desiderato. Entretanto, o herói acaba por conhecer a prima “Yee” (Rosamund Kwan), uma chinesa ocidentalizada que vivia em Londres, ficando incumbido de protege-la. Um interesse romântico começa a resvalar, a que “Wong” não retribui em nome da sua honra.

"Wong Fei Hung e a prima Yee"

Um dia, uma companhia de teatro chega à cidade, fazendo parte da mesma “Leung Foon” (Yuen Biao). “Foon” mete-se em problemas com uma tríade local, conhecida como “Sha Bo Hang”, sendo expulso da companhia teatral. Eventualmente, o jovem acaba por se associar a “Yin” (Yuen Cheung Yan) que ambiciona tirar o título a “Wong” de principal mestre de artes marciais.

“Yin” acaba por reunir forças com a tríade “Sha Bo Hang” e com os americanos “Jackson” (Jonathan Isgar) e “Tiger” (Steve Tartalia), tendo em vista destronar “Wong” de vez. No meio, um sórdido negócio de exportação de chineses para escravidão laboral floresce.

Escusado será dizer que o herói “Wong Fei Hung” não permitirá que tais atropelos à justiça continuem a subsistir!

"Wong Fei Hung mostra o poder do Kung Fu"

"Review"

Um leitor atento deste blogue e conhecedor das minhas opiniões, perceberá facilmente que não morro de amores por Tsui Hark (heresia, queimem o Jorge Soares Aka Shinobi na fogueira!!!). Contudo, a grande excepção à minha opinião sobre as obras do realizador e produtor vietnamita naturalizado chinês é a sua epopeia “Era Uma Vez Na China” e quase todos os episódios subsequentes. Aqui dou o braço a torcer, e admito que este conjunto de filmes marcou verdadeiramente uma era no cinema de artes marciais em particular, e no de Hong Kong em geral. Claro está, independentemente desta premissa, revelo que tais películas são do meu agrado.

Hark resolveu fazer mais uma das dezenas de encarnações para o cinema do herói popular Wong Fei Hung, e saiu-se francamente bem. A popularidade que a película granjeou, fez com que se entrasse num verdadeiro “franchising”, com as sequelas a surgirem a rodos, medeando pouco tempo entre as mesmas. E aqui, somos logo obrigados a fazer um aparte para esclarecer algo acerca de uma edição em Dvd do filme que existe em Portugal, e que poderá induzir as pessoas num certo erro. A edição em causa, de boa qualidade diga-se de passagem, é sugestivamente intitulada “Era Uma Vez na China – Trilogia”. Ora cumpre esclarecer que a saga não é composta por apenas três filmes, mas sim pelo dobro dos mesmos, ou seja, seis. Desses seis filmes, Jet Li representa o papel de “Wong Fei Hung” em quatro, ficando os restantes dois a cargo de Vincent Chiu.

As coreografias de luta estão bastante boas e emocionantes, conseguindo-se mesmo efeitos espectaculares com algum dramatismo e emoção, de que constitui exemplo a primeira luta de “Wong” contra o mestre “Yin”, debaixo de uma forte chuva (simplesmente brilhante o movimento dos pés na água!). Outro combate que terá igualmente de ser destacado é a luta final, com “escadas voadoras”.

" Jackson e Tiger, os americanos traficantes de mão de obra"

Uma vez a propósito da crítica efectuada aqui neste blogue a “Fong Sai Yuk”, um colega que igualmente possui um espaço dedicado ao cinema asiático afirmou que a personagem de “Wong Fei Hung” deveria ter sido interpretada por alguém mais maduro. De facto, temos de admitir que a opinião tem alguma razão de ser. Jet Li apesar de nos presentear mais uma vez com uma actuação de bom nível, não pode lutar contra o facto de à altura de “Era Uma Vez…” ser relativamente novo (tinha cerca de 28 anos), o que possivelmente não conferirá uma autenticidade tão grande à personagem. Não nos podemos esquecer que “Wong Fei Hung”, por altura dos eventos de “Era Uma Vez…”, era já um mestre conceituado, tanto no domínio das artes marciais como no da medicina tradicional chinesa, tendo vários discípulos e seguidores. Isto normalmente acontece com pessoas dotadas de uma vasta experiência de vida. Li, pelo contrário, parece um miúdo, o que não ajuda nada o facto de ter uma face eminentemente jovial, que nem as expressões sérias e ponderadas ajudam a disfarçar.

Os fãs de Yuen Biao poderão ficar de alguma forma desiludidos, atendendo a que este actor é permanentemente secundarizado devido à omnipresença de Jet Li. O seu potencial de combate não é nem de perto, nem de longe demonstrado no filme. A Kent Cheng e Jacky Cheung coube-lhes a honra em desempenhar as personagens cómicas do filme, o que o fazem com mestria, levando a que criemos uma certa empatia com “Toucinho” e “Favolas”. Rosamund Kwan, uma actriz asiática com grande fulgor, em especial na década de ’90, cumpre com razoabilidade a figura da prima “Yee”, uma jovem ponderada, mas de alguma forma ingénua que necessita sempre das atenções de “Wong”.

O que verdadeiramente falta a este filme são adversários emblemáticos. Com todo o respeito, não nos parece que o “Mestre Yin”, representado por Yuen Cheung Yan, tenha grande carisma. Os próprios americanos não se afiguram como vilões bastante credíveis. Neste aspecto em particular, a sequela viria a ser bastante melhor. Também com Donnie Yen no lado oposto, como é que tal não poderia suceder ?!

Outra marca do filme tem a ver com o forte pendor nacionalista do argumento. Como já foi referido na sinopse, viviam-se tempos em que a influência ocidental crescia a olhos vistos na China, que passava pela difusão do cristianismo, a introdução de novo armamento, o controlo do comércio e das principais riquezas do país. Inclusive são mencionadas as ocupações de Hong Kong por parte dos ingleses, e de Macau por parte de Portugal. Com base nestas premissas, “Era Uma Vez…” transmite a premente necessidade de defesa da cultura e do modo de vida chinês, recorrendo a um dos aspectos mais próprios do país, o uso do Kung Fu. Desemboca-se pois numa lição de história, porventura um pouco tendenciosa, mas aceitável. Este mesmo argumento faz com esta película seja mais elaborada do que a maior parte das suas congéneres.

Um bom filme, obrigatório para qualquer amante de longas-metragens de artes marciais. Fará as delícias dos fãs de Jet Li!

"Mestre Yin e Wong Fei Hung medem forças"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,63





terça-feira, julho 24, 2007

Votações do "My Asian Movies"

De vez em quando tenho recebido “e-mails” de alguns leitores deste blogue a questionarem-me acerca de alguns actores e actrizes que constituem opções de voto nas votações que já há algum tempo estão disponíveis aqui no blogue, a saber, “Qual a vossa actriz asiática favorita?” e “Qual o vosso actor asiático favorito?”.
Essencialmente, as dúvidas passam por saber em que filmes entraram, ou não estarem a visualizar ou a ligar as caras com as películas. De forma a auxiliar, e porque não dizê-lo, a dinamizar ainda mais as referidas votações, decidi semanalmente postar 4 fotografias de intérpretes, na razão de 2 actores e 2 actrizes, que estão sob o julgamento dos estimados frequentadores do “My Asian Movies”.
A acompanhar as fotos, estarão “links” para páginas que contenham uma biografia e respectiva lista dos filmes em que tenham tomado parte, assim como ligações para películas que tenham merecido uma crítica neste humilde espaço. Caso o actor ou actriz em causa possua uma biografia no blogue, o link conduzirá à mesma.
Relembro que caso o vosso actor ou actriz favorito não esteja a votação, poderão escrever o nome do mesmo (a) no rectângulo em branco que se encontra no fim, e desta forma propô-lo (a) a votos. Escusado será dizer que os novos nomes terão direito ao tratamento aqui referenciado.
Para finalizar, e como já foi aludido em outros “posts”, a votação encerrará dia 1 de Janeiro de 2008, à meia-noite.
Gillian Chung
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Dinastia da Espada
Toshirô Mifune
Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Sete Samurais, O Trono de Sangue

Charlene Choi

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": A Dinastia da Espada

Sonny Chiba

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Storm Riders



domingo, julho 22, 2007

História de Duas Irmãs/A Tale of Two Sisters/Janghwa, Hongryeon -장화, 홍련 (2003)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 110 minutos

Realizador: Kim Ji-woon

Com: Moon Geun-yeong, Im So-jeong, Yeom Jeong-ah, Kim Kap-soo, Lee Seung-bi, Lee Dae-yeon

"As irmãs"

Estória

Duas jovens irmãs retornam a casa depois de terem estado internadas numa casa de saúde mental. A mais velha, “Su-mi” (Im So-jeong) é extremamente protectora em relação à mais nova “Su-yeon” (Moon Geun-yeong), tentando afastá-la de tudo o que a possa magoar ou afligir.

A passividade de “Su-yeon” faz com que tente não arranjar problemas nem ao pai (Kim Kap-soo), nem à madrasta “Eun-joo” (Yeom Jeong-ah). Por seu lado, “Su-mi” detém algum recentimento para com o pai, e absolutamente não suporta a terrível madrasta, entrando frequentemente em conflito com ela. Para piorar ainda mais a situação, cenas estranhas e bizarras começam a acontecer na casa onde todos residem, que passam por um espírito começar a assombrar tanto as duas irmãs, como a madrasta, ficando o pai imune a tais eventos.

"A madrasta"

Quando o pássaro de estimação da madrasta é cruelmente morto, a violência psicológica e física intensifica-se entre os intervenientes. “Eun-joo” tranca a tímida “Su-yeon” num armário como castigo. Tal atitude desperta uma fúria vingativa na irmã mais velha “Su-mi”, que fará desembocar a vida de todos num pesadelo.

"O pai"

"Review"

Quando nos embrenhamos na extensa cinematografia sul-coreana, existem filmes que são absolutamente incontornáveis, e que servem de expoente máximo e identificativo do que de melhor a indústria da sétima arte daquele país possui. “História de duas irmãs” é uma dessas películas.

Baseado no conto tradicional coreano “Janghwa Hongreyon-jon” (“A Rosa e o Lótus Vermelho”), da altura da dinastia Joseon, “História de Duas Irmãs” foi um dos filmes mais populares de sempre no seu país natal, tendo uma audiência nas salas de cinema que excedeu os 3,1 milhões de espectadores. Outro importante cartão de visita é o facto de ter sido o primeiro filme coreano de horror a estrear nas salas dos Estados Unidos. Para não variar, direitos foram comprados desta vez pela “Dreamworks” e mais um “remake” vem a caminho…

Se dez pessoas estiverem numa sala a visionar “História de Duas Irmãs”, garanto-vos que se não houverem influências mútuas, dez versões diferentes da estória acabarão por vir à tona. O argumento é quase brilhante, estando recheado de aspectos que nos fazem pensar imenso e que não serão apreensíveis “à primeira vista”. Aliás, mesmo depois de visualizar algumas vezes este filme, e tendo feito alguma pesquisa, dúvidas mantêm-se e parece não haver possibilidade de algum consenso pelo mundo dos críticos e amantes de cinema. Sem tentar desvendar muito o enredo, sempre darei alguns pequenos exemplos. Quando “Su-mi” aparece no início do filme a falar com o psiquiatra, estamos na fase anterior ou posterior aos eventos em que se centra o filme? Existem um ou dois fantasmas, ou afinal não existe nenhum? A madrasta será real? Etc…, etc…, etc… Espero que tenham ficado com uma pequena ideia do que irão enfrentar.

"Su-mi ferida mira a a agressora"

Igualmente não estamos perante o típico filme de terror asiático. Não existe uma panóplia de sustos, muitas vezes completamente desarticulada. As cenas que incidem sobre este aspecto são relativamente poucas, quando comparadas com outras obras. No entanto, posso afirmar, tendo a certeza que muitos concordarão comigo, que a atmosfera e pressão psicológica que o filme exerce sobre as nossas mentes é avassaladora ao ponto de nos deixar bastante contundidos. Como curiosidade, o realizador Kim Ji-woon pretendia que a Jun (Jeon) Ji-hyun (muito provavelmente a actriz mais conhecida daquelas paragens) desempenhasse o papel de “Su-mi”, tendo a actriz recusado o papel, invocando que o argumento do filme era extremamente assustador.

Outro factor que faz com que “História de Duas Irmãs” não seja o típico filme de terror, é o facto de não ser limitado. Embora o extremo “suspense” e algum horror dominem a película, poderemos porventura afirmar com alguma propriedade que estamos perante um triste e bem representado drama familiar. A tragédia da família é o catalisador e a explicação para tudo o que se passa.

Por falar em representação, todos os actores sem excepção oferecerem-nos um excelente trabalho. Para além das falas, sou obrigado a destacar os olhares e as expressões dos intervenientes, alguns dos quais nunca esqueci até hoje. O constante e frenético deslizar do olhar perante um som mais estranho, ou um assustador vulto, está perfeito e serve na plenitude o pendor do filme.

Não sendo um grande amante deste género de películas, sou no entanto forçado a admitir que estamos perante uma obra de um enorme vulto, obrigatória para qualquer amante de cinema que se preze como pessoa inteligente.

Muito bom!

"O espírito"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, Zeta Filmes, Cine-Asia, Fanaticine, Royale With Cheese, Cinema ao Sol Nascente

Avaliação:

Entretenimento - 7

Interpretação - 9

Argumento - 9

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 9

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8,25





domingo, julho 15, 2007

O Rei dos Jogadores/God of Gamblers/Du shen - 赌神 (1989)

Origem: Hong Kong

Duração: 126 minutos

Realizador: Wong Jing

Com: Chow Yun Fat, Andy Lau, Joey Wong, Charles Heung, Sharla Cheung, Ronald Wong, Shing Fui On, Lung Fong, Ng Man Tat, Michiko Nishiwaka, Dennis Chan, Wong Jing, Michael Chow, Baau Hon Lam

"Ko Chun"

Estória

“Ko Chun” (Chow Yun Fat) é um jogador praticamente invencível em tudo o que implique dados, cartas, “mahjong” e afins. O seu talento granjeou-lhe uma fama tal, que é conhecido pelo “Rei dos Jogadores” (“Deus dos Jogadores” na versão inglesa).

Após mais uma brilhante vitória contra um opositor japonês de seu nome “Kau” (Shing Fui On), este solicita-lhe ajuda para uma missão muito pessoal e delicada, que passa pela vingança contra outro jogador profissional chamado “Chan Kan Sing” (Baau Hon Lam), um criminoso procurado internacionalmente por diversos delitos. Pelos vistos há uns anos atrás, o pai de “Kau” enfrentou num jogo de “poker” o mafioso “Chan”, e devido a uns certos ardis, acabou por ser derrotado. Não podendo suportar a desonra da perda, acabou por se suicidar. “Ko” acaba por aceitar a proposta e decide enfrentar “Chan” num memorável jogo de “poker” a ocorrer num navio velejando em águas internacionais.

Entretanto, “Knife” (Andy Lau), um pequeno escroque de Mongkok, decide dar uma lição ao seu vizinho indiano, que gosta de o atemorizar com os seus dois pastores alemães. Arma um embuste, cujo objectivo é fazer com que o irritante vizinho caia e role pela encosta abaixo, sem no entanto o matar.

"Knife"

Acontece que quem cai na armadilha é “Ko”, que no meio do acidente, bate com a cabeça numa pedra ficando amnésico e mentalmente diminuído. “Knife” com medo de ser acusado pela polícia, leva “Ko” para casa e cuida dele, juntamente com a sua namorada Jane (Joey Wong) e o amigo “Crawl” (Ronald Wong).

Aos poucos “Knife” e o seu séquito descobrem que “Ko”, a quem agora chamam “Chocolate”, tem um talento fenomenal para o jogo, fazendo com que ganhem bastante dinheiro. Claro está que não fazem a mínima ideia que estão perante o lendário “Rei dos Jogadores”.

Enquanto “Knife” vai retirando os seus dividendos dos atributos de “Ko”, tanto os inimigos deste como os seus aliados, encetam uma busca desesperada para encontrá-lo.

"O retardado Chocolate"

"Review"

“O Rei dos Jogadores – God of Gamblers” é um filme que assume uma importância vital para a cinematografia de Hong Kong, com direito a sequelas e prequelas, tendo igualmente inspirado filmes como “All for the Winner”, de Jeff Lau.

Wong Jing dotou-se de um elenco que dispensa qualquer tipo de apresentação, onde pontifica um “super cool” Chow Yun Fat, um jovem Andy Lau (na altura com 27, 28 anos), as belas Joey Wong e Sharla Cheung (Aka Man Cheung), entre outros.

O filme acima de tudo entretém, e bastante. Comédia a rodos, com momentos verdadeiramente bem conseguidos. Veja-se a cena do motel, em que um diminuído Chow Yun Fat, questiona-se acerca dos gemidos que provêm dos quartos circundantes. Acção e tiroteios na linha dos aclamados filmes de John Woo, com momentos verdadeiramente de tirar a respiração. Em suma, um ritmo bem conseguido e que nos mantém presos ao ecrã.

A interpretação dos actores varia bastante de intérprete para intérprete. Chow Yun Fat, especialmente nas partes em que aparece como o lerdo “Chocolate”, oferece-nos um bom desempenho. Andy Lau, embora não se safe mal, revela alguns “altos e baixos”, que posteriormente a sua profícua carreira cinematográfica encarregar-se-ia de limar. Os restantes ficam, regra geral, pela mediania, embora Charles Heung, no papel de “Lung Wu – Dragão”, o guarda-costas de “Ko”, imponha uma certa presença. Curiosamente a actuação de Chow Yun Fat neste filme já foi comparada por alguns críticos à de Dustin Hoffman, em “Rain Man – Encontro de Irmãos". Com todo o respeito que merecem tais afrmações, julga-se sem dúvida que pecam por um grande exagero, pois o papel do actor norte-americano e respectiva execução está verdadeiramente “a milhas” ou a “anos-luz”, no bom sentido.

"Chocolate em acção"

A banda-sonora merece algum destaque, que se centra sobretudo na música principal do filme, dotada de um pendor heróico que nos anima imenso, e que faz com que a nossa simpatia pelo filme aumente uns bons pontos.

Aconselho o visionamento desta obra, ainda para mais quando existe a possibilidade em Portugal de adquiri-la conjuntamente com “O Rei dos Jogadores – O Regresso” e “O Rei dos Jogadores – O Início”, num pack razoável, cujo preço não excede 20 euros, pelo menos na FNAC.

Bom filme!

"Ko Chun dirige-se para o embate da sua vida"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 8

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 7,75





domingo, julho 08, 2007

Heaven's Soldiers Aka Soldiers of the Apocalypse/Cheon-goon - 천군 (2005)

Origem: Coreia do Sul

Duração: 105 minutos

Realizador: Min Joon-ki

Com: Park Joong-hoon, Kim Seung-woo, Hwang Jeong-min, Kong Yeong-jin, Kim Byeong –choon, Ma Dong-seok, Kim Su-hyeon, Min Joon-ki, Lee Han-sol

"Yi Soon-shin"

Estória

Em 2005, no âmbito da política de aproximação entre as duas Coreias, ambas as nações desenvolvem um projecto conjunto, que passa pela criação de uma ogiva nuclear com um poder de destruição 100 vezes superior ao da bomba lançada sobre Hiroshima, na II Guerra Mundial. Os Estados Unidos da América descobrem as intenções coreanas e resolvem lançar um ultimato para que a arma de destruição massiva lhes seja entregue, o que é aceite por ambos os países.

O oficial norte-coreano “Kang Min-gil” (Kim Seung-woo) não se conforma e furta a bomba, aproveitando pelo caminho para raptar a física nuclear “Kim Su-yeon” (Kong Hyo-jin). O major do exército sul-coreano “Park Jeong-wu” (Hwang Jeong-min) e um grupo de comandos são encarregues de recuperar a ogiva e a cientista, indo no encalço do oficial revoltoso.

Durante uma furiosa troca de rajadas de metralhadora, a anunciada passagem de um cometa desencadeia um vácuo no espaço temporal, que transporta os litigantes até ao ano de 1572, época da dinastia Joseon na Coreia, tempo de grandes conflitos militares que ameaçam a soberania do reino.

"Yi Soon-shin ladeado dos líderes dos soldados sul-coreanos (esquerda) e norte-coreanos (direita)"

Entrando em confronto com uns bárbaros chineses que se digladiavam com camponeses coreanos, os soldados facilmente vencem um pequeno exército, devido ao seu armamento moderno. A população fica fascinada e atribui-lhes o epíteto de “Soldados do Céu”. Posteriormente deparam-se com um ladrão de seu nome “Yi Soon-Shin” (Park Joong-hoon), que não é nada mais, nada menos, que o almirante “Soon-shin”, considerado a personagem mais inspiradora e famosa da história coreana.

Os soldados ficam chocados, em especial os sul-coreanos, por se depararem com um escroque, quando deveriam estar perante o seu ídolo. O major “Park” decide fazer tudo para que “Yi Soon-shin” entre “nos eixos”, e assuma o seu glorioso destino, mas terá que enfrentar inúmeras dificuldades, que vão desde a diferença de costumes e mentalidades, os conflitos latentes com os colegas norte-coreanos e o desejo de voltar à sua época.


"No calor da batalha"

"Review"

Com um forte sentimento nacionalista e porque não dize-lo, completamente anti-americano, “Heaven’s Soldiers” constitui uma película orgulhosa das suas origens e que tudo faz para passar uma mensagem de unificação das duas nações da península coreana, separadas pelo famoso paralelo 38.

É característica indefectível e comum dos aludidos sentimentos nacionalistas, a exteriorização de símbolos que elevem o orgulho de um povo, que normalmente se reconduzem a eventos e épocas gloriosas, ou então a personalidades com um relevo incontornável na história. Pense-se, a título de exemplo, na apologia do império romano que Benito Mussolini tão frequentemente fazia.

Pois é, em “Heaven’s Soldiers”, as honras couberam ao almirante Yi Soon-shin, uma figura que provavelmente não dirá nada à maior parte das pessoas que estão a ler este texto, mas que para os sul-coreanos é um verdadeiro herói militar nacional, com uma pujança talvez ainda maior do que Dom Nuno Álvares Pereira significa para nós portugueses, ou Dom Pedro IV (I do Brasil) para os brasileiros.

O anti-americanismo é aflorado algumas vezes, sendo mesmo analisada a hipótese de as duas Coreias, em conjunto, declararem guerra ao colosso norte-americano. Ponderam-se ataques preventivos, formas de defesa posterior, etc. Contudo o bom senso prevalece, pois chega-se à conclusão que um conflito com os americanos, resultaria numa inevitável derrota. Só se pode concluir que a existência de filmes coreanos na linha ideológica deste “Heaven’s Soldiers”, são a prova da existência de uma facção da sociedade sul-coreana, nomeadamente a mais intelectual, que não está satisfeita com a influência norte-americana no país. O mesmo se poderá dizer em relação aos habitantes do Japão, que amiúde expressam o seu descontentamento.


"O exército dos bárbaros chineses"

Sendo um filme sul-coreano, nação que actualmente abriga a quarta indústria cinematográfica mundial, a nível do número de produção de filmes (apenas ultrapassada pela Índia, E.U.A. e Hong Kong/China), existem certas características que não poderiam deixar de constar na película.

Desde logo ressalta uma enérgica volubilidade, que vai desde os momentos de comédia mais pura, ao já esperado e exacerbado melodrama, sem o qual um filme sul-coreano não pode, pura e simplesmente, subsistir e/ou existir.

As partes cómicas reconduzem-se, como era de esperar, ao choque sociológico existente entre coreanos separados por quatrocentos e tal anos de existência. Ao armamento é dado um especial enfoque. Veja-se a cena em que o inspector da polícia interroga dois soldados coreanos que foram capturados, e teima em tirar e retirar a cavilha de uma granada, desconhecendo que tinha nas mãos uma arma com bastante potencial destrutivo.

O inevitável drama é guardado mais para a segunda parte do filme, onde o almirante Yi Soon-shin desperta para a sua missão divina, ou seja, liderar os coreanos contra todas as ameaças externas opressoras. Sob o signo de uma extrema previsibilidade, quase que adivinhamos tudo o que se vai passar, e os já costumeiros sacrifícios e mortes que vão ocorrer.

Interessantes de se observar são os conflitos latentes entre os soldados norte e sul-coreanos. Começam pelas discussões sobre quem venceu os japoneses, com os elementos da nação comunista a pugnarem pelo mérito ser atribuído ao amado líder Kim Ill-sung, sendo contrariados pelos vizinhos democráticos, que tentam explicar que muito antes disso, no século XVI, o almirante Yi Soon-shin tinha evitado a dominação japonesa numa guerra que teve como culminar a batalha naval de Myeongnyang (13 navios sul-coreanos contra 333 navios japoneses!!!). Posteriormente, chegam a dividir a casa do então ladrão Yi Soon-shin em dois lados, um sul e um norte, fazendo uma atabalhoada versão da zona desmilitarizada do paralelo 38. Escusado será dizer que atendendo ao objectivo do filme, as amizades começarão a surgir e estes aspectos “menores” serão deixados para trás.

Sendo um filme que lida com alguns aspectos de ficção científica, ou não estivéssemos a falar de viagens no tempo, os efeitos especiais têm forçosamente que marcar a sua presença. A qualidade é acima da média, o que só prova que as nações asiáticas dotadas de grande evolução tecnológica, sendo os exemplos mais evidentes, o Japão e a Coreia do Sul, começam a dirigir o seu “know how” para a indústria cinematográfica.

Quanto aos restantes itens, todos se encontram praticamente num nível bom. Cenas de luta bem feitas, excelente fotografia, música de pendor épico, actuações aceitáveis, embora longe de qualquer laivo de brilhantismo.

“Heaven’s Soldiers” é um filme agradável de ver, embora tenha defraudado um pouco as minhas expectativas, estando longe de ser considerado um dos melhores produtos cinematográficos coreanos, essencialmente pelo facto de nada trazer de novo, ao contrário do que tenta fazer transparecer.

"Kang Min-gil, líder dos soldados norte-coreanos, na iminência do confronto"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 7

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 7

Mérito artístico - 7

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,25