"MY ASIAN MOVIES"マイアジアンムービース - UM BLOGUE MADEIRENSE DEDICADO AO CINEMA ASIÁTICO E AFINS!!!

quinta-feira, outubro 04, 2007

There's only One Sun - curta metragem promocional da "Philips Aurea" - autoria: Wong Kar Wai

O Nuno, um indefectível visitante deste blogue, há dias questionou-me se já tinha visto esta curta-metragem da autoria de um dos grandes mestres cinematográficos chineses em epígrafe identificado. Por acaso, imperdoavelmente, ainda não tinha posto a vista em cima desta pequena obra de arte. Para grande pecado meu, mais vale tarde do que nunca! Obrigado pela dica, Nuno!

segunda-feira, outubro 01, 2007

Bangkok Dangerous - Vingança Silenciosa/Bangkok Dangerous/Bangkok Dangerous - เพชฆาตเงียบ อันตราย (1999)

Origem: Tailândia

Duração: 101 minutos

Realizadores: Irmãos Pang (Danny e Oxide Pang)

Com: Pawalit Mongkolpisit, Premsinee Ratanasopha, Patharawarin Timkul, Pisek Intrakanchit, Korkiate Limpapat, Piya Boonnak

"Kong, o assassino surdo"

Estória

“Kong” (Pawalit Mongkolpisit) é um assassino surdo, que perdeu a sua audição em criança, tendo por esse motivo se tornado num homem bastante revoltado. “Aom” (Patharawarin Timkul), a gerente de um bar de “strip”, é que serve de intermediário entre “Kong” e um chefe mafioso, dando-lhe as instruções acerca dos alvos a abater.

“Kong” nutre uma grande amizade por “Aom” e o seu amante “Jo” (Pisek Intrakanchit), pois foram eles que se aperceberam da capacidade de “Kong” no manejo das armas, fazendo com que o mesmo se sentisse útil na vida. “Jo” treinou “Kong”, aperfeiçoando a sua técnica de tiro e de combate corpo a corpo, tornando-o num assassino extremamente competente.

"Fon, a tentativa de redenção de Kong"

Certo dia, após um “trabalho” em Hong Kong, “Kong” adoece e dirige-se a uma farmácia, onde conhece “Fon” (Premsinee Ratanasopha). A simpatia e a amabilidade da rapariga conquistam-no, e ambos começam a sair juntos, encetando um relacionamento. “Kong” apaixona-se de tal forma que começa inclusive a questionar-se acerca do seu modo de vida, pensando seriamente em mudar o mesmo.

Quando “Jo” mata um dos braços-direitos do chefe mafioso devido à violação de “Aom”, e aquele por sua vez assassina “Jo” e “Aom”, “Kong” interrompe a sua viagem para uma vida honesta, e embarca numa cruzada muda para a vingança. Uma “vingança silenciosa”.

"Aom"

"Review"

“Bangkok Dangerous” constituiu a estreia na realização dos irmãos gémeos verdadeiros Pang (como um conjunto, pois Oxide Pang já havia dirigido em 1997 a película “Who Is Running?”), uma colaboração familiar que se tornaria sobejamente conhecida devido sobretudo a filmes como “Re-cycle” ou “The Eye”, granjeando uma legião fiel de seguidores. O filme teve um certo reconhecimento internacional, comprovado pelo “International Critics Film Award” (FIPRESCI), atribuído no Festival Internacional de Cinema de Toronto, Canadá.

Quem está familiarizado com o cinema de acção de Hong Kong, a premissa que serve de base a “Bangkok Dangerous” não será propriamente uma novidade de estarrecer. Para quem viu o “The Killer” de John Woo, esta afirmação ainda fará mais sentido. Um assassino implacável, o típico “hitman”, depara-se com uma possibilidade de redenção, que no caso em concreto é uma rapariga singela, e questiona verdadeiramente o seu modo de vida. O conflito é tão grande, que o criminoso parece (digo “parece” porque no filme isso por vezes não é tão líquido assim) decidir abandonar o seu ilícito modo de vida, tendo em vista pugnar pelo que é certo face ao socialmente estabelecido como correcto. Quando se está a falar em tirar vidas humanas, acho que isto em princípio não oferece discussão!

Como qualquer filme do género, que absolutamente não se pode desligar da veia trágica habitual (isto é um elogio, acreditem!), acontece um evento que impossibilita o nosso anti-herói de entrar no bom caminho. A coisa em princípio não vai acabar bem, e na realidade finda ainda pior! “Bangkok Dangerous” resume-se pois a três ou quatro ideias capitais, a saber, um modo de vida ilícito e decadente, uma possibilidade de salvação face a esse mesmo modo de vida, a impossibilidade de tal acontecer, e por fim a vingança violenta que deita tudo a perder, e que não deixa sobreviventes, quer seja do ponto de vista físico, quer sentimental.

É um bom filme? Vale a pena perder uma hora e quarenta e um minutos da nossa vida?

"Jo"

A resposta é “Sim, é um bom filme, e sim, com certeza valerá perder esse tempo.”

Em “Bangkok Dangerous”, os irmãos Pang dão completamente a perceber que poderiam tornar-se num fenómeno sério do cinema asiático. O estilo de realização é delicioso, com particular incidência nos vários “flashbacks” que nos deparamos ao longo do filme. Cada um constitui uma surpresa agradável para os nossos olhos, com o uso das tonalidades acinzentadas e acastanhadas, transmitindo um ar rudimentar que nos desloca no tempo até às várias fases da vida de “Kong” e nos envolve numa certa tristeza. O efeito é bem conseguido, e acabámos por nutrir uma certa simpatia pelo assassino surdo “Kong” e até compreensão pelo seu “modus vivendi”. As cenas em câmara lenta, a duplicação de imagens, a extrema atenção aos pormenores, a banda - sonora de qualidade e imaginação acima da média, assim como a excelente fotografia dão o toque final. Não será interessante ver o ponto de vista de um assassino que não consegue ouvir, e que na hora da verdade só se apercebe dos gestos e das expressões horrorizadas das vítimas?

Não se pense que o drama toma por completo conta do filme, ou não estivéssemos a falar de um assassino que opera em Banguecoque. Os aspectos sociais negativos da capital tailandesa são, directa ou indirectamente, abordados com alguma premência, embora não exaustivamente. Digamos que servem como um “pano de fundo” bem elaborado, onde nos apercebemos dos meandros da máfia organizada e da prostituição, presente tanto nas ruas como nos designados “go-go bars”. Inevitavelmente, a violência marca a sua presença com bastantes tiroteios e sangue a jorros.

Os irmãos Pang, atingido o estrelato internacional, resolveram reinventar “Bangkok Dangerous”, num novo filme com o mesmo nome, cuja estreia mundial está prevista para o ano de 2008. A película em questão irá contar com, nada mais, nada menos, a super-estrela de Hollywood Nicolas Cage, para além de Charlie Yeung, uma intérprete bem conhecida do cinema de Hong Kong. Considerando que os realizadores são os mesmos que a obra original e o elenco estará dotado de alguns nomes asiáticos, poderemos em abstracto esperar um “remake” que não seja tão mau quanto isso. Pelo contrário, se a directiva principal for a perfeita idiotice em pensar que o público ocidental não consegue apreciar o estilo próprio do cinema asiático, já estou a ver que nada de bom virá daqui. A vingar este preconceito, aliado a uns bons “punhados de dólares”, um “flop” monumental nascerá. É praticamente uma certeza!

“Bangkok Dangerous” é um filme de visionamento bastante aconselhável!


"Redenção?"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 7

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 7

Emotividade - 9

Mérito artístico - 9

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8




domingo, setembro 30, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Outros quatro ilustres actores e actrizes asiáticos que estão a votação no "My Asian Movies":

Brigitte Lin
Sammo Hung

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Os Guerreiros da Montanha, Os Guerreiros da Montanha - versão 1983

Takako Matsu

Informação

Filmes em que participou, criticados no My Asian Movies": April Story, A Espada do Samurai

Hiroyuki Sanada

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Promise, Ring - A Maldição



sábado, setembro 29, 2007

Votações do "My Asian Movies" - último balanço

Caros amigos e visitantes deste blogue. Cumpre aqui fazer o balanço trimestral dos resultados das votações que estão a decorrer aqui no “My Asian Movies”. Será o último a ser feito, pois a “consulta popular” irá decorrer até dia 1 de Janeiro, à meia-noite. Nesse mês irão ser publicados os resultados finais, e ficaremos a saber qual a actriz e actor asiáticos preferidos dos visitantes deste espaço. Sendo assim:
Actriz Asiática Preferida
Zhang Ziyi (33 votos)
Gong Li (20 votos)
Cecilia Cheung (12 votos)

Aqui acho que temos quase uma vencedora antecipada, embora ainda muito possa ocorrer. A actriz Zhang Ziyi, provavelmente a intérprete asiática mais conhecida no ocidente, está a demonstrar a sua força. Segue-se a uma certa distância a musa do cinema chinês, a fantástica Gong Li, que possui igualmente uma votação digna de se ver. Em terceiro lugar, e já a uma certa distância, vai a bela Cecília Cheung, a “Mrs. Nicholas Tse” (grr…há gente com sorte neste mundo!!!). Com alguma relevância, temos ainda que contar com Maggie Cheung (11 votos), Shu Qi (10 votos), Jeon Ji-hyun (9 votos), Aya Ueto (7 votos) e Lucy Liu (7 votos).

Actor Asiático Preferido

Bruce Lee (29 votos)

Jet Li (24 votos)


Jackie Chan (23 votos)

Nesta votação já não existe a discrepância revelada na anterior. O eterno dragão Bruce Lee lidera, mas é seguido de perto por dois monstros do cinema asiático. O versátil Jet Li e a lenda Jackie Chan prometem luta até final. De uma coisa acho que não restarão dúvidas. Previsivelmente, estes três actores são os mais populares representantes do cinema oriental e provavelmente constituirão no final o pódium. Com alguma votação relevante, embora a uma distância considerável, temos Tony Leung Chiu Wai (12), Choi Min-sik (10), Toshiro Mifune (9), Takeshi Kaneshiro (7) e Tony Jaa (7).

Continuarei a postar semanalmente o perfil de actrizes e actores asiáticos que estão aqui a votação, com “links” para informação e filmes criticados aqui no blogue.






segunda-feira, setembro 24, 2007

Kung-Fu-Zão/Kung Fu Hustle/Kung Fu - 功夫 (2004)

Origem: Hong Kong

Duração: 95 minutos

Realizador: Stephen Chow

Com: Stephen Chow, Lam Chi Chung, Yuen Qiu, Yuen Wah, Eva Huang, Chan Kwok Kwan, Tin Kai Man, Feng Xiaogang, Lam Suet, Yuen Woo Ping, Yuen Cheung Yan, Lam Chi Sin, Wellson Chin, Dong Zhi Hua, Hsiao Liang, Chiu Chi Ling, Leung Siu Lung, Xing Yu, Zhang Yi Bai, Fung Min Hun

"Sing"

Estória

A Xangai da década de 1930 é completamente controlada pelas tríades, sendo o grupo mais forte o “Gang do Machado”. A polícia não intervém pois teme o crime organizado, além de ser altamente subornada pelos criminosos. Os únicos locais ainda seguros são os bairros pobres, que não despertam interesse nenhum nas máfias. Num desses bairros, conhecido como “pocilga”, vive um casal que arrenda todas as casas do sítio. O senhorio (Yuen Wah) é completamente dominado pela mulher (Yuen Qiu) que possui um feitio irascível, que todos temem.

“Sing” (Stephen Chow) e “Bone” (Lam Chi Sin) são dois pequenos escroques, cujo sonho é serem admitidos no “Gang do Machado”. Certo dia, ao tentarem enganar os habitantes do bairro da “pocilga”, acabam por atrair a tríade e provocar um confronto, do qual os moradores saem vencedores. A razão para tal é que por detrás de pessoas aparentemente inofensivas, existem verdadeiros mestres de artes marciais tais como o padeiro (Dong Zhi Hua), o alfaiate (Chiu Chi Ling) e o carregador (Xing Yu).

"Fong"

Humilhado pela derrota, o “Irmão Sum” (Chan Kwok Kwan), contrata um duo de assassinos experimentados, que vencem os 3 mestres de artes marciais, mas que surpreendentemente acabam por perder para com o senhorio e a sua intratável esposa. “Sum” decide então recorrer a “Sing”, e contrata-o para libertar “Monstro” (Leung Siu Lung), que se encontra preso num manicómio e é considerado o maior assassino da história.

“Monstro” luta com o senhorio e a esposa, mas estes são ajudados inesperadamente por “Sing” e conseguem escapar. “Sing”, bastante ferido, é curado pelo casal e o seu “qi” (“chi” – força vital) é finalmente libertado, revelando-se o rapaz como um exímio mestre de artes marciais, que domina a técnica sagrada da “palma de Buda”.

As condições estão criadas para o grande confronto entre o “Gang do Machado”, agora liderado por “Monstro”, e um solitário “Sing”. Uma batalha épica irá ocorrer!!!

"O estranho casal de senhorios do bairro da pocilga"

"Review"

Hoje em dia, uma comédia de artes marciais protagonizada e realizada por Stephen Chow é sinónimo de um sucesso antecipado, não só a nível do continente asiático, mas igualmente no mundo inteiro. Chow significa dinheiro vivo e boas receitas de bilheteira. Embora eu esteja muito longe de ser um fã de comédias, e por isso mesmo Stephen Chow e Jackie Chan não recolham muito a minha preferência, sou forçado a reconhecer que Stephen Chow significa igualmente entretenimento e os seus filmes um bocado bem passado e descontraído. Para nos libertarmos um pouco do “stress” do dia-a-dia, não há nada como um filme de Stephen Chow. E desde os tempos em que o actor descobriu as maravilhas do CGI, esta premissa assume mais relevância, e ao contrário do que alguns pensavam, Chow atingiu outros patamares. Se uns gostam e outros não, isso já é outra conversa…

Quando “Kung Fu Hustle” viu a luz do dia, a expectativa em torno da película fez com que a mesma fosse praticamente um sucesso antecipado, muito por culpa do furor que “Shaolin Soccer” tinha feito três anos antes. E de facto o êxito de “Kung Fu Hustle” foi algo digno de se ver. Grandes receitas de bilheteira, e não apenas em Hong Kong. Dezassete prémios ganhos em vários certames de cinema, para além de 26 nomeações entre as quais uma para o “Globo de Ouro” para o melhor filme estrangeiro, e outro para o prémio BAFTA referente ao melhor filme não falado em inglês. Um inquestionável e excelente cartão de visita!

Que dizer do filme?

À semelhança do já aludido “Shaolin Soccer”, o estilo “cartoon” é incontornável. Aliás, em “Kung Fu Hustle”, esta característica ainda acaba por ser mais premente. Corridas à “Roadrunner” (Papa-léguas em Portugal), personagens que chocam com violência na parede e escorregam pela mesma suavemente, lutas em que os intervenientes são literalmente arremessados pelo ar num estilo muito semelhante a “The Matrix”, etc, etc, etc. O mesmo será dizer, uma loucura total (e porque não uma "Kung-Fu-Zão", um trocadilho com "confusão", sem ser depreciativo)!!!

"O Gang do Machado"

Pelas razões expostas no parágrafo anterior, “Kung Fu Hustle” vive quase completamente sob o signo do entretenimento. Tudo o resto assume um papel secundário. É certo que existe uma estória que é relativamente bem construída, embora simples e longe de ser original. Não se duvida que os adereços e a banda-sonora constituem bons acessórios. Mas neste filme de Stephen Chow, os espectaculares efeitos especiais e a comédia são verdadeiramente a lei!

Julgo que ninguém pode duvidar do amor de Stephen Chow pelos filmes de artes marciais e pelos seus intervenientes. O próprio actor e realizador é um admirador confesso do ícone Bruce Lee. Tenho forçosamente que admitir, embora não seja muito do meu agrado, que existem várias formas de homenagear o género. Stephen Chow escolheu a comédia temperada de infantilidade e de elementos que muitas vezes roçam a “palhaçada” de circo. Mas nem por isso tem menos mérito que aqueles que enveredam pela perspectiva mais séria da “coisa”, e os resultados estão à frente de todos. Chow é sem dúvida nenhuma, um dos grandes nomes do cinema asiático!

O próprio Chow na escolha do elenco desta longa-metragem, fez questão de perpetuar essa mesma homenagem e admiração que nutre pelos filmes de artes marciais. Pense-se em Yuen Wah, um dos membros dos conhecidos “Seven Little Fortunes” (na realidade eram mais de sete), um grupo de estudantes da ópera de Pequim, famoso pelas suas actuações acrobáticas, dos quais fizeram parte, para além de Wah, Yuen Biao, Jackie Chan, Sammo Hung e Corey Yuen. Outro exemplo será Leung Siu Lung (aka Bruce Leung) que era conhecido nos anos ’70 e ‘80 por o “Terceiro Dragão” (os outros dois eram Bruce Lee e Jackie Chan). Este último actor, por exemplo, já não participava num filme há quinze anos!

A estória de amor também marca a sua presença e à semelhança de “Shaolin Soccer”, envereda pelo caminho da paixão entre alienados da sociedade. Existe uma relação entre “Fong” (representada por Eva Huang, uma actriz que não sei porquê, lembra-me Isabella Leong – isto é um grande elogio, acreditem!), uma rapariga muda que vende gelados e “Sing”, um criminoso de 10ª categoria. Pensem outra vez em “Shaolin Soccer”, e nas personagens aí representadas por Stephen Chow e Vicki Zhao (ai, ai, 1000 vezes suspiros…), e com certeza encontrarão alguma analogia.

Lembro-me perfeitamente que quando vi pela primeira vez “Kung Fu Hustle”, foi num dia em que quase nada me estava a correr bem, e que a minha pessoa estava um pouco triste e melancólica. A nostalgia era dona e senhora de mim, ao olhar para ruas da capital deste país, com as memórias a aflorarem cada poro da minha pele! Se calhar era um boa altura para visionar um melodrama qualquer de fazer chorar as pedras da calçada! Chegado ao “Alvaláxia”, terreno que não me é grato do ponto de vista futebolístico (não sou lá muito fã do “Lion Soccer”, por estas bandas é mais o “Dragon Soccer”), a veia do cinema asiático clamou mais alto, e “Kung Fu Hustle” foi eleito o companheiro da tarde. Posso dizer que o resto da jornada foi muito mais alegre…

É esse o mérito dos filmes de Stephen Chow no geral, e de “Kung Fu Hustle” em particular. De uma maneira disparatada, traz mais um pouco de felicidade à nossa vida!

"Sing em luta com o Gang do Machado"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cinedie Asia, FanatiCine, Not Alone, Lord of the Movies, Cine-Asia, Nem Todos São Arte, Rollcamera...action!

Avaliação:

Entretenimento - 9

Interpretação - 7

Argumento - 7

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 7

Classificação final: 7,75





domingo, setembro 23, 2007

Votações do "My Asian Movies"

Como já é costume semanalmente, aqui vão outros quatro gloriosos nomes a votação aqui no blogue:
Miho Nakayama

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Love Letter

Nicholas Tse

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": The Promise, A Man Called Hero, Dragon Tiger Gate

Isabella Leong

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Isabella

Donnie Yen

Informação

Filmes em que participou, criticados no "My Asian Movies": Herói, Sete Espadas, New Dragon Gate Inn, Dragon Tiger Gate, A Dinastia da Espada, Butterfly & Sword



segunda-feira, setembro 17, 2007

A Coragem do Guerreiro/Fearless/Huo Yuanjia - 霍元甲 (2006)

Origem: China/Hong Kong

Duração: 99 minutos/140 minutos (versão originária)

Realizador: Ronny Yu

Com: Jet Li, Shido Nakamura, Betty Sun, Yong Dong, Hee Ching Paw, Yun Qu, Collin Chou, Masato Harada, Zhigang Zhao, Chen Zihui, Ting Leung, Michelle Yeoh (apenas na versão original), Nathan Jones, Brandon Rhea, Anthony De Longis, Jean Claude Leuyer, Mike Leeder, Jon T. Benn, John Paisley

"Huo Yuanjia"

Estória

Desde muito jovem, “Huo Yuanjia” (Jet Li) queria ser um grande mestre de Wushu, mas o seu pai “Huo Endi” (Collin Chou) opôs-se ao treino do filho, preferindo que o mesmo enveredasse por outro caminho que nada tivesse a ver com as artes marciais. No entanto, “Huo Yuanjia” não desiste, continuando a treinar e passados alguns anos torna-se num grande mestre de artes marciais.

O agora jovem e arrogante adulto apenas se preocupa com a fama e a glória, desejando ardentemente tornar-se no campeão da sua terra Tianjin. Características nobres como o desportivismo e a humildade são completamente postos de parte.

Certo dia, um jovem discípulo de “Huo” é violentamente agredido por outro exímio praticante de “Wushu”, chamado “Mestre Chin” (Chen Zihui). “Huo” vê aqui uma oportunidade não apenas para se vingar do sucedido para com o seu estudante, mas também para provar que é o melhor lutador de Tianjin. O combate finda em tragédia, com mortes em ambos os lados.

"A cidade de Tianjin, no início do século XX"

Desorientado, “Huo” parte da sua terra-natal e refugia-se numa aldeia isolada, onde conhece “Yueci – Moon na versão americana” (Betty Sun), uma rapariga invisual mas que possui uma gentileza e bondade contagiantes. “Huo” vai aprender finalmente os valores que devem nortear uma pessoa honrada, deixando para trás as suas características menos positivas.

Após uns anos remetido ao seu êxodo, “Huo” decide retornar a Tianjin, só para se aperceber que os chineses são constantemente mal tratados e desprezados pelas potências ocidentais. “Huo” decide enveredar por uma luta, que em vez de ser para glória pessoal, visa acima de tudo preservar o orgulho e identidade chinesas.

"Hercules O'Brien é projectado por Yuanjia"

"Review"

“A Coragem do Guerreiro” marcou o tão aguardado regresso de Jet Li ao cinema de China/Hong Kong e ao que ele sabe fazer melhor, ou seja, protagonizar filmes de artes marciais e wuxia. Praticamente desde o ano de 1998, com a participação em “Arma Mortífera 4”, no papel do vilão “Wah Sing Ku”, que Jet Li apenas fez produções ocidentais (com um breve interlúdio no meio, para participar no magnífico “Herói”). Alguns desses filmes eram de qualidade aceitável, outros nem por isso. Foi pois com alguma expectativa que os amantes do cinema asiático aguardavam pelo retorno de um dos seus heróis à cinematografia de origem.

Outro aliciante consubstanciado igualmente num regresso, era Ronny Yu. O realizador, que à semelhança de Jet Li, também emigrou para o ocidente, tendo em vista universalizar mais a sua carreira. O saldo ficou-se quase por um desastre, pois Yu realizou filmes perfeitamente néscios e a milhas de distância de obras que dirigiu em Hong Kong, tais como “Phanton Lover” ou “The Bride With White Hair”. Da mediocridade de Yu, no seu périplo ocidental, salvou-se apenas “Fórmula 51” (mais uma tradução perfeitamente idiota…) - “The 51st State”, uma película divertida e cheia de “glamour”, na linha de “Snatch, Porcos e Diamantes”, de Guy Ritchie.

“A Coragem do Guerreiro” é baseado numa personagem verídica da história da China, chamado precisamente Huo Yuanjia, um herói popular e co-fundador da “Associação Internacional de Chin Woo”, uma escola de artes marciais que hoje em dia possui mais de 50 delegações em todo o mundo. Huo Yuanjia é popular sobretudo por se ter tornado num acérrimo defensor do modo tradicional de vida chinês e um símbolo da luta contra a crescente influência dos ocidentais. O filme quando foi feito gerou uma certa controvérsia que envolveu os descendentes de Huo Yuanjia, essencialmente devido às costumeiras alterações de argumento, de forma a tornar uma película mais “cinematográfica” e do agrado dos telespectadores. A celeuma gira essencialmente em torno de um assassinato que ocorre no filme e a ser verdade, impediria que Huo Yuanjia tivesse descendentes directos. Os 7 netos e 11 bisnetos de Huo Yuanjia não gostaram e exigiram um pedido de desculpas formal, tanto por parte do estúdio, como de Jet Li. Esse pedido nunca foi acedido, pois defendeu-se que o filme apesar de ser uma espécie de biografia, nunca pretendeu ser um relato completamente fiel da história do herói chinês.

“A Coragem do Guerreiro” não é o típico filme de artes marciais, em que as lutas dominam quase por completo, sendo o argumento relegado para segundo plano. Nada disso. Os combates acontecem várias vezes, sendo na sua generalidade espectaculares (com a coreografia da autoria de Yuen Woo Ping havia uma probabilidade muito grande de tal acontecer), tendo o aliciante de não apenas vermos lutas entre mestres de “Wushu”. Huo Yuanjia põe à prova as suas capacidades contra praticantes de luta livre, karate, esgrima europeia, kendo, boxe e até muay thai na versão original. Isto dá um interesse acrescido à película e decorre um pouco do pendor nacionalista que grassa e tenta elevar indirectamente o “wushu” como a arte marcial mais completa e parte integrante da cultura tradicional chinesa.

"A preparação para mais um combate"

Como foi acima aludido, o filme não se resume apenas às indispensáveis lutas, constituindo a parte dramática, um aspecto igualmente importante. Sendo assim, Jet Li, a estrela da película, vê-se obrigado não apenas a demonstrar as suas capacidades de combate, mas igualmente a fazer uma representação mais convencional. Como é que se sai? De início não fiquei impressionado por aí além. Na parte mais imatura da vida de Huo Yuanjia, Jet Li tem os seus altos e baixos, algures entre o mediano e o razoável. A partir do momento que a lenda “desperta para a vida”, digamos assim, e envereda pelo caminho espiritual e da rectidão, observamos que as capacidades interpretativas de Jet Li não se resumem apenas ao combate, mas igualmente aos diálogos. O actor é como um vinho bem tratado, está a provar que a idade está a fazer maravilhas. Jet Li hoje em dia é sem dúvida um actor mais completo, e que consegue lutar contra alguns estereótipos e rótulos que lhe puseram. O restante elenco porta-se bem, dentro do que lhe é solicitado. Neste particular, fiquei agradavelmente impressionado com o actor Yong Dong, que representa “Nong Jinsun”, o melhor amigo de Huo Yuanjia.

Cumpre ainda referir uma curiosidade relacionada com esta película e Jet Li, já anteriormente aludida na biografia já aqui efectuada a propósito do actor. Omo muitos devem saber, um dos melhores e mais emblemáticos filmes de Jet Li é “Fist of Fury”, onde representava uma personagem de seu nome “Chen Zhen”. Ora, “Chen Zhen” não é nada mais, nada menos que um discípulo de Huo Yuanjia que combate os japoneses, para vingar a morte do seu mestre às mãos daqueles. Podemos assim dizer que doze anos antes (1994) de “A Coragem do Guerreiro”, Jet Li interpretou o díscipulo, enquanto no filme de que ora se fala dá vida ao mestre.

Na altura em que Jet Li protagonizou “A Coragem do Guerreiro”, o actor tinha afirmado que este seria o seu último filme de artes marciais, o que muitos não acreditaram, julgando se tratar de mais uma manobra de “marketing”. O tempo veio a dar parcialmente razão a estas pessoas, atendendo a que Jet Li viria a aceitar a participação em “Warlords” e “Forbidden Kingdon”, este último a tão ansiada colaboração com Jackie Chan. Quanto à manobra de “marketing”, não sei se tal será verdade. Jet Li até poderia estar a ser sincero naquele momento, e posteriormente ter mudado de ideias.

A mim pessoalmente não me interessam as motivações do actor. O cinema agradece que Jet Li continue na senda dos épicos de artes marciais e eu, em nome particular, também!

Bom filme!

"Yuanjia enfrenta o mestre japonês Anno Tanaka"

Trailer, The Internet Movie Database (IMDb) link

Outras críticas em português: Cine-Asia, Asian Fury, A Cinematic Vision, O Consegliere, Axasteoquê?!?, Zeta Filmes, Críticas Críticas Críticas

Avaliação:

Entretenimento - 8

Interpretação - 8

Argumento - 8

Banda-sonora - 8

Guarda-roupa e adereços - 8

Emotividade - 8

Mérito artístico - 8

Gosto pessoal do "M.A.M." - 8

Classificação final: 8